Mostrando postagens com marcador tricampeão estadual 2007-2008-2009. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tricampeão estadual 2007-2008-2009. Mostrar todas as postagens

Flamengo tricampeão carioca -2007/2008/2009

Campanha
20 jogos - 12 vitórias, 6 empates, 2 derrotas
36 gols marcados, 22 gols sofridos

Clique nos links para ler sobre os jogos:

Taça Guanabara
25/1 - Flamengo 1 x 0 Friburguense
29/1 - Bangu 1 x 2 Flamengo
1/2 - Volta Redonda 0 x 1 Flamengo
4/2 - Flamengo 4 x 1 Mesquita
21/2 - Flamengo 1 x 3 Resende

Taça Rio
7/3 - Flamengo 3 x 1 Cabofriense
11/3 - Duque de Caxias 2 x 4 Flamengo
22/3 - Vasco 2 x 0 Flamengo
25/3 - Madureira 2 x 4 Flamengo



Elenco
Clique nos links para ler a análise da participação dos jogadores:

Goleiros: Bruno, Diego

O elenco do Flamengo campeão carioca de 2009 - O técnico

Cuca, técnico campeão carioca 2009 pelo FlamengoNo início do campeonato, muitos apostavam em um título mole, mole, fácil, fácil para o Flamengo. Afinal, o clube mantinha toda a base do time que disputou de perto o título brasileiro em 2009, enquanto via adversários remontando elencos inteiros, com sérias dificuldades financeiras para isso.

Mas mesmo tendo a tal base montada do ano passado, Cuca demorou bastante a encontrar uma maneira com que goste de ver o time jogar. Aliás, difícil dizer que ele já conseguiu isso. Coletivamente, o time teve uma ou outra boa atuação, normalmente comprometida pela falta de pontaria dos atacantes. Mas na maior parte do tempo, realmente teve problemas sérios pra criar chances de gol. É também uma decepção não ver o Flamengo conseguir mostrar uma jogadinha ensaiada sequer em bolas paradas, algo com que ganhou fama no Botafogo (tá certo que não há no Flamengo um cobrador como Lúcio Flávio, mas enfim). 

Mas Cuca tem pelo menos uma bela qualidade neste seu trabalho atual: não tem compromisso com o erro. Caio Júnior, por exemplo, insistiu primeiro com Souza, depois com Jaílton, além de todos os limites imagináveis, até torrar as chances que tinha de título brasileiro ou, ao menos, vaga na Libertadores. Cuca até que foi um tanto além com Obina do que a maioria gostaria - mas a verdade é que, a partir do quinto jogo do campeonato, ele já não era mais titular. Com Cuca, medalhões como Juan, Léo Moura e Íbson foram substituídos quando estavam mal, sem grande crise de consciência. É elogiável.

E não há dúvida que este título foi mais importante para Cuca do que pra qualquer outro no grupo. Sem a conquista, eu diria que sua queda seria apenas questão de (pouco) tempo. Se o resultado dos pênaltis tivesse sido outro, "pé-frio" seria a expressão mais elogiável a ser utilizada para descrevê-lo. E, pelas entrevistas no pós-jogo, Cuca sabe muito bem disso.

Com a faixa no peito e a perspectiva de que Adriano resolva os problemas de conclusão lá na frente, Cuca vai ter um tantinho mais de tranquilidade pra seguir seu trabalho no Brasileiro. É esperar pra ver o que vai acontecer com o elenco a partir do meio do ano e observar até onde ele será capaz de levar este time.

O elenco do Flamengo campeão carioca de 2009 - Atacantes

Emerson
5 jogos (1 completo) - 1 gol marcado - 2V, 3E, 0D

Emerson chegou ao Flamengo sem que ninguém por aqui jamais o tivesse visto jogar. Chegou recomendado por uma carreira de sucesso no Japão e declarações de amor ao clube, para o qual teria vindo abrindo mão de dinheiro em nome de um sonho. Isso, e mais um golzinho de oportunismo no Fla-Flu de estreia, foi o suficiente para lhe garantir a vaga de titular do time na reta final do Estadual.

No duro, o gol do Fla-Flu foi seu único na campanha (fez mais um contra o Remo, pela Copa do Brasil, que também o ajudou a ganhar a vaga de Josiel - que vinha em uma sequência de jogos sem marcar). Em campo, ele mostrou que não é o centro-avante que esperavam; tem dificuldades em jogar de costas pra marcação, demora para definir os lances e teve seus melhores momentos quando pôde atuar como segundo atacante, com Obina ao seu lado. Além disso, não mostrou condições físicas de atuar 90 minutos.

Seu contrato está pra vencer e, na imprensa, muitos já dão como certa sua saída. Seria realmente um sonho rápido, não? Se ficar, é favorito pra formar o ataque no Brasileiro ao lado de Adriano. 


Zé Roberto
14 jogos (6 completos) - 3 gols marcados - 8V, 4E, 2D

Zé Roberto chegou como o grande reforço do Flamengo no ano. Em um tempo sem dinheiro, salário atrasado, Márcio Braga anunciando o apocalipse em entrevista coletiva, o clube foi atrás dele na Alemanha, pagou o empréstimo e o trouxe por um bom salário. Até agora - valeu a pena?

No início, até que teve gente se animando. Foram dois gols nos dois primeiros jogos. Mas a verdade é que ele não conseguiu encontrar sua posição no campo - por um bom tempo, parecia não saber se era atacante ou meio-campo. Foi firmando posição na frente - e rendendo cada vez menos. E, o pior, mostra uma dificuldade constrangedora em entrar em forma, algo que dá pra constatar no visual mesmo. 

Quando saiu do time por contusão, muitos viram uma melhora com a entrada de Erick Flores. Em sua volta, andou sendo perseguido com vaias. E, pro último jogo, acabou perdendo a condição de titular. Pra demonstrar como seu rendimento não anda agradando, o último jogo em que começou jogando e terminou sem ser substituído foi no dia 14/3, no empate contra o Tigres.


Josiel
17 jogos (5 completos) - 11 gols marcados - 9V, 6E, 2D

Depois das péssimas atuações de 2008, Josiel iniciou a temporada totalmente desacreditado. Mas a má fase de Obina lhe abriu oportunidades e ele foi aproveitando com seus golzinhos, até ganhar a vaga de titular. Mas a verdade é que Cuca nunca conseguiu confiar totalmente nele - tanto que, dos seus 17 jogos, só ficou em campo o tempo inteiro em 5. 

Isso porque Josiel é aquele tipo de atacante que, quando faz gols, beleza, está cumprindo seu trabalho. E Josiel, dentro da área, sabe se colocar para aproveitar com oportunismo as chances que aparecem. Mas, quando não faz, as pessoas lembram de todo o resto - as dificuldades em matar a bola, os passes ruins, a cabeça baixa o tempo todo.

De seus 11 gols, apenas um foi em um clássico - o Flamengo x Botafogo da Taça Guanabara, com o adversário jogando com seu time misto. 5 deles aconteceram em apenas dois jogos - contra Madureira e Resende, as duas partidas em que ele realmente empolgou muita gente e parecia ter garantido de vez seu lugar, chegando a ocupar a artilharia do campeonato. Só que, depois destes, Josiel não marcou mais - foram 6 jogos seguidos sem marcar, alguns com gols perdidos inacreditáveis, como contra Americano, Fluminense e Botafogo.

Esse desempenho ruim acabou lhe custando a vaga de titular no final da competição. E, muito provavelmente, acabou com qualquer chance da diretoria fazer um esforço para prolongar seu empréstimo - o contrato acaba no meio do ano e ele deve mesmo voltar para o Oriente Médio.

No mais: o que é aquela bandana Adidas? Será que, com a Olympikus chegando, o Flamengo vai continuar permitindo esse tipo de coisa?


Obina
11 jogos (4 completos) - 6V, 3E, 2D

Admito: eu achava que este seria o ano de Obina. Livre de contusões, com direito a uma pré-temporada, iniciada com o peso em dia. Nos treinamentos antes da estreia, Obina fez gol em todos os jogos-treino e coletivos, e sua posição de titular era incontestável. Ele tinha tudo a seu favor.

Mas veio o primeiro jogo, nada de gol. O segundo, idem - e neste, em que teve sua melhor atuação, com direito a gol de bicicleta anulado e outro lance em que deu um chapéu num zagueiro e completou de voleio dentro da área, ficou marcado por perder um pênalti. O jejum continuou, as atuações - que no início eram até bem razoáveis - foram piorando, veio mais um pênalti perdido contra o Botafogo. Sua situação ficou insustentável, foi pro banco e até o excesso de peso voltou. Cuca ainda continuou mostrando sua quase infinita paciência com o baiano, colocando-o em campo durante diversos jogos, até a derrota contra o Vasco, com um gol perdido de maneira bizarra de dentro da pequena área. E aí até eu joguei a toalha: eu apostava mesmo no cara, mas o desempenho dele neste ano não tem desculpa.

A partir daí, Obina deixou de entrar em campo e passou a sumir até do banco. No fim do campeonato, com a escassez de gols do ataque, e talvez por um tanto de superstição, Cuca voltou a apostar nele - que voltou magro, mas continuou se enrolando na hora de concluir e não conseguiu fazer seu primeiro gol.

Há quem já esteja dando sua saída como certa. Eu diria que acho difícil. Obina tem salário alto e multa rescisória prevista em contrato. Pra dispensá-lo, o clube teria que pagar essa multa; para vendê-lo, tem que encontrar quem pague o que ele recebe hoje, ou convencê-lo a sair ganhando menos. O mais provável é que, com a chegada de Adriano, Obina seja o centro-avante reserva ao longo do ano.


Maxi
10 jogos (nenhum completo) - 7V, 2E, 1D

Considerando a falta de prestígio com que terminou 2008, até que Maxi jogou um número razoável de partidas neste Estadual. Mas o primo do Messi não conseguiu iniciar nenhuma como titular este ano, nem mesmo quando jogou um time misto. O que é curioso, tendo em vista as dificuldades que o ataque teve para render ao longo do campeonato e o esquema que Cuca andou tentando implantar, com atacantes abertos. De qualquer forma, quando entrou, Maxi teve poucos lampejos. Poderia ter sido mais útil no banco, especialmente nos últimos jogos (a escolha de Cuca de ter dois centro-avantes no banco não fazia sentido - Maxi poderia perfeitamente ter sido uma opção melhor na última partida, por exemplo). Mas seu contrato termina no meio do ano e muito dificilmente algum esforço será feito para mantê-lo na Gávea.


Paulo Sérgio
2 jogos (nenhum completo) - 1V, 1E, 0D

Já tem um bom tempo que Paulo Sérgio segue no elenco como "jovem promessa", né não? Lembro-me até hoje do pênalti que sofreu, não marcado pelo árbitro, no fim do Flamengo x Defensor que encerrou a participação do Flamengo na Libertadores de 2007. Muitos apostavam no garoto, que tinha apenas 17 anos - mas ele não conseguiu ganhar muito mais espaço do que aquilo ao longo do tempo. E olha que, este ano, com a seca no ataque, a bola tava quicando pra alguém aparecer entrando de bico. Pra quem não sabe, nas categorias de base Paulo Sérgio era centro-avante, e não um segundo atacante, como foi utilizado na maioria dos jogos em que atuou como profissional.

Foram apenas duas aparições neste Estadual, ambas entrando durante o jogo. Na segunda, substituiu Josiel quando o time vencia tranquilo o Duque de Caxias, em Volta Redonda. Perdeu um gol feito e passou a ser perseguido por incompreensíveis vaias até o final da partida. Nunca mais entrou.

O elenco do Flamengo campeão carioca de 2009 - Meio-campo

Willians
17 jogos (16 completos) - 1 gol marcado - 11V, 4E, 2D

Willians veio do Santo André sem que ninguém esperasse muito - havia referências boas sobre sua campanha na série B e um gol feito sobre o Corinthians, mas nada que empolgasse ou o transformasse num jogador disputado no mercado. No entanto, ganhou a posição de titular ainda na pré-temporada e, desde a estreia do Estadual, não perdeu mais a vaga em um time que mudou muito de escalação. Com ele se firmando como titular, outros jogadores que tinham seu espaço até o ano passado perderam a vez - Aírton encontrou seu lugar na zaga, Toró mal foi visto em campo.

Desde que chegou, mostrou aquela qualidade que conquista mais rápido os torcedores: a raça. Por ter um senhor preparo físico e muita disposição, se tornou mesmo o grande cão-de-guarda do meio-campo - chamou a atenção pela marcação bem feita sobre Maicosuel na final da Taça Rio (que não deu lá muito resultado no primeiro jogo da final do Estadual, em que Maicosuel deitou e rolou). Mas não é de só ficar plantado atrás; sabe correr com a bola dominada e aparecer na frente como homem surpresa. Na verdade, nos últimos jogos, a única ajuda que Léo Moura teve para atacar pela direita foi justamente de Willians. E foi num desses seus avanços que conseguiu a jogada do gol de empate contra o Botafogo, na primeira partida da decisão do título.

É um que deve seguir como titular ao longo do Brasileiro - seu contrato vai até dezembro de 2011 e não se fala nem em sua saída, nem em reforços para sua posição.


Íbson
17 jogos (13 completos) - 1 gol marcado - 12V, 3E, 2D

E eis que 2009 vai chegando à sua metade e o Flamengo e Íbson estão na mesma situação de um ano atrás: sem saber se continuam juntos. O contrato terminando e a falta de dinheiro na Gávea deveriam indicar a saída do jogador; porém, a importância de Íbson para o time continua grande, o que faz com que ninguém crave que a diretoria o deixará ir embora sem fazer um esforço (ou uma loucura). E ao que parece, o pessoal do Porto não está muito interessado em tê-lo de volta. Então, quem sabe?

É claro que ele não é, desde o ano passado, o mesmo jogador que brilhou assim que voltou ao Brasil, na época da arrancada no Brasileiro de 2007. Mas Íbson continua sendo o jogador mais confiável do meio-campo - aquele que não se esconde do jogo, que mais procura a bola, que mais arrisca as jogadas. Foi o seu ressurgimento em campo, por exemplo, que fez o time retomar o controle do jogo na segunda partida das finais - no que ele resolveu chamar a responsabilidade e levar o time pra frente, a equipe cresceu e a torcida foi junto. E vejam que, nas últimas partidas, ele até virou o batedor de escanteios e faltas laterais com o pé direito - ao que parece, cansaram de ver Léo Moura desperdiçando todas as cobranças e decidiram tentar outra coisa.

Fica a pergunta: em que condições o Porto o liberaria para permanecer no Brasil? E o Flamengo tem como cumprir essas condições, de maneira minimamente responsável?


Kléberson
16 jogos (6 completos) - 3 gols marcados - 9V, 5E, 2D

Kléberson termina o campeonato estadual já com a torcida tendo um tanto a menos de má vontade com ele. Desde que começou a jogar no Flamengo, não conseguiu mostrar um futebol digno de "pentacampeão" e ainda convive com a fama de "sem sangue" - algo que é difícil da torcida perdoar. E isso se reflete na sua dificuldade em conseguir um lugar no time; reparem que, dos 16 jogos em que participou, só conseguiu entrar como titular e não ser substituído em 6.

Talvez o jogo que tenha servido para ganhar de vez a confiança de Cuca tenha sido o Fla-Flu da última rodada da Taça Rio, quando o time poupou diversos jogadores. Kléberson aproveitou bem aquela oportunidade jogando como volante e indo muito bem na marcação. Até então, creio que o treinador não o via como alguém realmente capaz de ser efetivo defensivamente - era escalado ou mais à frente, como armador, ou até aberto pelas pontas, jogando como uma espécie de ala. A partir daquela partida, Kléberson ganhou de vez a vaga como titular (iniciou todos os jogos dali em diante e não foi mais substituído) e passou a revezar de função com Íbson, ora marcando atrás, ora chegando à frente. 

Como volante, realmente Kléberson dá uma qualidade a mais para a saída de bola do time. À frente, no entanto - apesar dos dois gols da final -, ainda está devendo. Insiste demais em passes e lançamentos improváveis pelo meio, que quase sempre param nos pés dos adversários, e não tem acertado os muitos chutes de fora da área que tenta. De qualquer forma, está mesmo subindo de produção. E se Íbson realmente deixar o time, vai ser um jogador de quem o Flamengo vai precisar muito no Brasileiro.


Erick Flores
7 jogos (1 completo) - 4V, 3E, 0D

Muitos tentam ter esperança de que Erick Flores possa ser o armador que o Flamengo procura sem sucesso há anos. Infelizmente, não tem pinta de que seja o caso. O garoto começou a entrar em campo com Cuca contra o Madureira, atraiu elogios, mas não mostrou que possa ser o tal camisa 10 que tanto esperam.

Nas divisões de base, não era assim que ele jogava - e sim mais recuado. Com Cuca, nos profissionais, ele até conseguiu alguma coisa jogando mais aberto, quase como atacante mesmo - uma posição em que realmente pode render mais em seu estilo, de carregar muito a bola. Pelo meio, como armador, tendo uma marcação mais pesada e tendo que pegar a bola de costas pro adversário com frequência, ele simplesmente não consegue render.

É bom dizer que as melhores atuações de Erick foram em jogos contra adversários mais fracos. E que, no campeonato, só conseguiu jogar uma partida completa - o Fla-Flu de time misto, em que inclusive teve uma atuação apagada. Ele tem qualidades para conseguir ser um jogador melhor com o tempo: é habilidoso, rápido e não se esconde do jogo. Mas ainda precisa ganhar físico e encontrar sua melhor posição dentro de campo.


Toró
6 jogos (2 completos) - 4V, 2E, 0D

Toró, este ano, perdeu muito do espaço que teve em temporadas passadas. Willians chegou, tomou conta da posição e o esquema de Cuca não tem dado espaço para mais um volante apenas marcador no meio-campo. Com isso, só atuou em 6 partidas e só conseguiu ficar em campo os 90 minutos em dois jogos em que o time ou estava muito desfalcado, ou entrou com time misto mesmo.

É um jogador que deve mesmo seguir apenas pra ficar no banco, e entrar muito de vez em quando ou em situações específicas, ou em caso de necessidade pelos titulares estarem fora. E, dessa maneira, ele pode ser mesmo útil. Mas seus tempos de titular, aparentemente, ficaram pra trás. Melhor assim.


Fierro
5 jogos (nenhum completo) - 2V, 3E, 0D

Trocou-se o técnico e o chileno Fierro continuou não tendo muita oportunidade de mostrar o futebol que o levou à seleção chilena e à condição de ídolo do Colo-Colo. No estadual, foram apenas 5 partidas, nenhuma completa, apenas uma iniciando o jogo - no Fla-Flu do time misto, em que perdeu uma grande chance de gol no primeiro tempo que talvez mudasse sua história no clube. Quem sabe? 

Nas oportunidades que teve, não pareceu ruim, mas também não se destacou. Seus lampejos de maior destaque aconteceram na Copa do Brasil - a jogada para o quinto gol contra o Ivinhema e uma atuação realmente boa no segundo tempo contra o Remo. O curioso é que, depois desse jogo em que foi realmente bem - o primeiro desde que chegou ao país -, foi bastante elogiado por Cuca. E nunca mais teve chance de jogar. Com isso, perdeu o espaço que tinha na seleção de seu país, que não tem mais o convocado.

Dizem que há o interesse do Palmeiras em levá-lo para ocupar por lá a lateral direita na Libertadores. Como seu passe é da Traffic, não será surpresa se for mesmo pra São Paulo. Se não for, pode ser que mais chances apareçam a partir do meio do ano, dependendo do que acontecer com o elenco durante a janela de transferências.


Jônatas
9 jogos (1 completo) - 1 gol marcado - 6V, 3E, 0D

Ai ai ai ai, está chegando a hora... O contrato de Jônatas está se encerrando e em breve ele deve deixar a Gávea, rumo a sabe-se lá onde. Não deixará saudades.

Sou da opinião que Jônatas poderia ser sim um grande jogador. Pra isso, falta os técnicos - e ele mesmo - se convencerem de que o cara não é meia. Se jogar lá atrás, de volante, pode se destacar - foi jogando recuado que teve suas melhores fases. Porém, sempre que é escalado mais à frente, só consegue irritar a torcida.

Ah, sim: seria bom também se ele tivesse vontade de jogar. Incrivelmente, Jônatas já está há um ano "entrando em forma". Fica difícil.

Neste Estadual, ele até chegou a ensaiar mais uma vez um retorno, com muita gente boa pedindo sua entrada no time. Isso ganhou força depois do golaço que marcou contra o Mesquita, ainda na Taça Guanabara. O grande atrativo do jogo seguinte, contra o Boavista, era justamente sua entrada no time titular, com vários jogadores poupados, do qual seria o grande líder. Acabou sendo substituído ainda no intervalo.

Houve, como de costume, um ou outro lampejo de bom futebol. Mas Jônatas talvez seja a contratação de pior custo-benefício do Flamengo nessas últimas temporadas (e olha que a disputa por esse título é grande). 


Éverton
9 jogos (1 completo) - 2 gols marcados - 7V, 1E, 1D

Éverton até começou tendo seu espaço no time de Cuca. Esteve em campo nos seis primeiros jogos do campeonato, iniciando quatro como titular. Mas parece que a afirmação de Zé Roberto como titular no time o fez perder mesmo espaço - de fato, dá pra imaginar os dois disputando posição no esquema atual de Cuca. Mas, quando o treinador decidiu fazer mudanças na frente, já preferiu usar Erick Flores. E Éverton não tem tido muito espaço nem mesmo no banco de reservas.

Tanto ele quanto Erick, aliás, têm algumas características em comum. Como o prata da casa, Éverton é habilidoso, rápido e não tem medo do jogo. Mas carrega muito a bola, tem pouco físico para o estilo de jogo a que se propõe e ainda precisa encontrar a posição em que possa render melhor. É jogador da Traffic e seu contrato de empréstimo vai até o final do ano.


Marcelinho Paraíba
6 jogos (1 completo) - 2 gols marcados - 6V, 0E, 1D

Marcelinho chegou no fim do ano passado como o salvador do ataque rubro-negro. Este ano, já começou insatisfeito por não ver o clube pagar o que lhe devia e, além disso, ser constantemente escalado no ataque, onde não queria mais jogar. Nisso, com a torcida já impaciente, acabou deixando o time rumo a Curitiba. O ataque, que ele veio para salvar, continua sem solução. 

Enfim: minha opinião sobre sua passagem pelo Flamengo, já escrevi quando de sua saída ("o clube gastou um milhão de euros para trazê-lo, mais alguns meses de salários altos, o teve por apenas 25 jogos e o viu ir embora de graça - mais um grande negócio"). E acredito que, pra um nível Coritiba, ele ainda poderá ter um Brasileiro de certo destaque - se conseguir jogar em sequência ao longo da temporada.


Lenon
1 partida (nenhuma completa) - 0V, 1E, 0D

Sim - o garoto Lenon também é tricampeão. Esteve em campo no segundo tempo do Fla-Flu do time misto, entrando no lugar de Jônatas. Teve uma atuação discreta, mas ao menos não amarelou (embora tenha ameaçado um Fellype Gabriel 2 dentro de campo, reclamando de enjôo - mas seguiu no jogo). Além desta partida, entrou também no segundo tempo do jogo contra o Remo, em Belém.

O elenco do Flamengo campeão carioca de 2009 - Zagueiros

Fábio Luciano
18 jogos (18 completos) - 1 gol marcado - 11V, 5E, 2D

Ainda no ano passado, o rendimento de Fábio Luciano já vinha caindo. No início do ano, suas atuações começaram a ser ainda mais contestadas - a ponto de, quando Cuca treinou um time sem o capitão para prepará-lo para uma partida em que ele estava suspenso, muita gente ter comemorado uma possível barração, que nunca aconteceu.

No entanto, parece que o anúncio de sua aposentadoria - que, enquanto eu escrevo, ainda não está 100% confirmada - mudou tudo. Mudou a maneira como as pessoas o enxergam e mudou um tanto seu desempenho em campo mesmo. Talvez por estar concentrado em ter um belo final de carreira coroado por um título, Fábio Luciano conseguiu voltar a passar segurança para a torcida e para os companheiros.

Daí a campanha "Fica Capitão", encampada pela torcida aos gritos nos últimos jogos no Maracanã. Talvez tenha um tanto a ver com o fato de que não parece haver substituto pra ele a altura no elenco. Mas o carisma do cara também conta, e muito.

Atualizando: Fábio Luciano confirmou, em coletiva na Gávea, que fez mesmo seu último jogo como profissional. O que escrevi quando ele anunciou sua intenção de se aposentar continua valendo: ele foi provavelmente a melhor contratação que o Flamengo fez nos últimos dez anos.



Ronaldo Angelim
15 jogos (15 completos) - 1 gol marcado - 10V, 4E, 1D

Angelim é o cara. Já há tempos - na verdade, desde a chegada de Fábio Luciano, que o poupou de ter que conviver na zaga com Irineus, Moisés e coisas do gênero -, Angelim vem demonstrando uma regularidade impressionante. Se coloca e antecipa bem, bom tempo de bola, leva poucos cartões, raramente está suspenso e ainda tem técnica suficiente para servir de desafogo para a saída de bola do time. Reparem: no vexame contra o Resende, ele não estava em campo. E desde o Brasileiro passado é assim - as piores derrotas acontecem na ausência de Angelim.

O que talvez lhe falte um tanto, por não ser mais nenhum garoto, é velocidade - algo que apareceu no segundo gol do Botafogo de ontem. Com Fábio Luciano já de pernas pesadas ao seu lado, a zaga acabou sempre pedindo a presença de um terceiro homem, mais jovem. Como será o desempenho de Angelim daqui pra frente, caso realmente aconteça a saída do Capitão?


Airton
14 jogos (9 completos) - 9V, 3E, 2D

Eis que coloco Airton, o volante que foi talvez a maior revelação do Flamengo no ano passado, na lista dos zagueiros deste ano. Isso porque ele parece agora ter ganho de vez a posição de terceiro zagueiro - e não parece provável que vá deixar de jogar no setor com a saída de Fábio Luciano, tendo um a menos à disposição de Cuca no setor. Na verdade, o técnico já andou usando Aírton na zaga mesmo em partidas em que atuou com apenas dois na zaga, como no primeiro jogo contra o Fortaleza pela Copa do Brasil.

De início, a opção de Cuca por usá-lo nesta posição me incomodou um tanto - até porque ele não foi tão bem mesmo nas primeiras vezes em que jogou por ali. Foi o caso do jogo contra o Resende, em que o juiz acabou expulsando-o injustamente, mas em que foi mal de qualquer forma no lance que deu no pênalti mal marcado que gerou o cartão vermelho.

Mas, nas últimas partidas, ele já pareceu ter encontrado melhor sua posição na zaga. Não sei dizer se é o suficiente para ir no Brasileiro, muito mais complicado que o Estadual. Mas que ele sabe marcar, sabe. Talvez seja mesmo mais fácil pra ele garantir lugar no time por ali do que disputando a posição de volante.


Wellinton
7 jogos (6 completos) - 3V, 3E, 0D

Wellinton surgiu no elenco profissional este ano no espaço não aproveitado por gente que estava à sua frente na fila. Depois do fiasco da Taça Guanabara, Cuca percebeu que Thiago Salles não dava conta do recado e decidiu testar outro garoto, com passagem recente pela Seleção Brasileira de base, na partida contra o Ivinhema, pela Copa do Brasil. O jogo acabou 5x0 Flamengo e ele foi ganhando novas oportunidades.

É um jogador com um bom porte físico e parece ter um bom senso de colocação, uma das qualidades mais importantes num zagueiro. Além disso, procura fazer o simples, o que também conta pontos. Mas em jogos um pouco mais complicados, andou tendo problemas no combate direto, sendo driblado com facilidade. Pode até ser que isso seja por conta da inexperiência e que ele ainda vá subir de produção. Mas seu confronto com Thiago Neves, por exemplo, no Fla-Flu da fase classificatória da Taça Rio, mostrou o quanto ele ainda está verde pra enfrentar adversários de mais qualidade.

É bom lembrar que o contrato de Wellinton termina no fim deste ano - e que já apareceram por aí boatos de negociações para sua venda pra Europa.


Thiago Salles
2 jogos (2 completos) - 0V, 1E, 1D

Thiago Salles, que chamava a atenção quando começou a aparecer nos profissionais por marcar muitos gols, vem perdendo cada vez mais espaço no time. Hoje, estão na sua frente na luta por um lugar na zaga não só os titulares Fábio Luciano e Angelim, mas também Wellinton, que é mais novo, e o improvisado Aírton.

E a questão é que Thiago Salles é mesmo fraco. Faz gols de cabeça? Pode ser - mas isso poderia qualificá-lo pra disputar posição com Obina e Josiel no ataque. Atrás, tem sérias dificuldades de posicionamento e compromete mesmo. Cuca lhe deu duas chances seguidas na ausência de Angelim, para jogar contra Botafogo e Resende no fim da Taça Guanabara. Os dois resultados ruins parecem ter selado a sorte do rapaz.


Douglas
2 jogos (1 completo) - 1 gol marcado - 2V, 0E, 0D

O caso de Douglas é dos mais curiosos nesse elenco do Flamengo. Foi trazido no início do ano do Santo André, bem recomendado pela campanha na série B, em que o time subiu para a primeira divisão - assim como o hoje titular Willians. A perspectiva era de que pudesse até lutar pela vaga de titular na linha de três zagueiros ou, ao menos, ser uma boa opção de banco. Com a iminente saída de Fábio Luciano, o espaço agora deveria estar livre pra ele garantir sua posição.

No entanto, Douglas mal foi visto em campo com a camisa do Flamengo até hoje. O jogo mais esquisito foi contra o Mesquita, em que jogou apenas o primeiro tempo e foi sacado no intervalo, sem razão aparente - sua atuação era discreta, com o Flamengo não sendo muito ameaçado na defesa. Voltou a entrar apenas contra o Cabofriense, na primeira rodada da Taça Rio, quando Cuca estava sem Fábio Luciano, Angelim e Aírton - e até fez um gol de cabeça, com direito a comemoração emocionada de joelhos. Desde então, nunca mais. Não aparece nem no banco. Pelas últimas escalações, Douglas está atrás de Fábio Luciano, Angelim, Aírton, Wellinton, Thiago Salles. 

Surgiu de dentro da Gávea uma história ainda mal contada sobre um bate-boca feio no vestiário entre o zagueiro e o técnico Cuca - o que pode ser mesmo uma explicação pra sua situação no elenco. É esperar pra ver o quanto ele ainda será aproveitado até o fim do ano.

O elenco do Flamengo campeão carioca de 2009 - Laterais/alas

Léo Moura
18 jogos (16 completos) - 2 gols marcados - 11V, 5E, 2D

Estou acostumado a ver Léo Moura iniciando toda temporada como destaque do Flamengo - o cara é manjado por fazer a festa em cima de adversários mais fracos. Este ano, porém, foi diferente. Ele talvez nunca tenha sido tão contestado no time. Em dois jogos em que o time ia mal, chegou a ser sacado durante os jogos, algo incomum em sua passagem pelo Flamengo. Aconteceu na primeira partida da final, contra o Botafogo; mas já havia ocorrido antes, na vexatória eliminação para o Resende na Taça Guanabara, em que Maxi entrou em seu lugar.

Foi depois daquela partida que Cuca decidiu mudar o jeito do time jogar. Com isso, Léo Moura foi parar no meio-campo, como esperança para melhorar a armação no time - mas acabava jogando sempre muito aberto, como um ala com menos obrigação de marcar, e só teve lampejos de armador em uma partida, contra o Duque de Caxias (talvez a única em que tenhas sido realmente decisivo no ano). Em outras partidas, chegou a atuar como um semi-atacante - mas andou perdendo gols incríveis em diversos jogos, como contra Americano, Fluminense e Fortaleza, pela Copa do Brasil. 

Mais um que periga sair no meio do ano - houve conversas sobre uma proposta do CSKA, de Zico. Dos titulares absolutos de que se fala em saída, talvez fosse ser o de ausência menos sentida.


Éverton Silva
11 jogos (7 completos) - 5V, 5E, 1D

Éverton Silva chegou totalmente desconhecido, vindo do Friburguense, para suprir a saída de Luizinho - que deixou o banco do Flamengo pra ser titular do Santos. Não creio que muitos apostassem que o nível seria mantido. Mas o cara acabou sendo uma agradável surpresa.

Estreou contra o Boavista, na penúltima rodada da Taça Guanabara, e agradou na primeira impressão. Voltou a entrar durante o jogo seguinte, contra o Botafogo. E as boas atuações acabaram lhe garantindo um espaço cada vez maior no time, mesmo sendo, em princípio, da mesma posição que o sempre titular Léo Moura. Cuca, normalmente, deu um jeito de colocar os dois em campo ao mesmo tempo. Mas tem muita gente boa por aí achando que tá na hora dele assumir mesmo a posição do namorado da Perlla (no time do Flamengo, bem entendido).

O intrigante é que Éverton Silva começou se destacando no apoio, mostrando velocidade, disposição e qualidade nos cruzamentos - algo que não deveria ser tão raro assim num lateral. Mas, com o tempo, Cuca começou a utilizá-lo cada vez mais na defesa, muitas vezes como um falso zagueiro - e lá atrás ele me parece afoito, muito inclinado a fazer faltas desnecessárias. 


Juan
13 jogos (10 completos) - 6 gols marcados - 8V, 3E, 2D

Juan não tem sido tão decisivo quanto já foi em suas melhores fases. E nas finais, esteve especialmente mal (e não preciso nem citar o tão discutido lance com Maicosuel na primeira partida).

Mas ainda dá pra considerá-lo mais indispensável ao time do que Léo Moura. Um tanto porque realmente teve algumas partidas melhores (ele fez seis gols no campeonato, por exemplo, e ao menos uma bela partida contra adversário de peso, no Fla-Flu da semi-final da Taça Rio). E outro tanto porque, ao contrário de Léo, não tem uma sombra. Sempre que está fora do time, Cuca tem que quebrar a cabeça pra decidir o que fazer para substituí-lo. Seu Campeonato Carioca foi, digamos, razoável. Mas ainda assim, se sair da equipe, tecnicamente vai fazer muita falta. Até porque, mesmo não estando bem, a equipe ainda joga muito esperando suas jogadas pela esquerda.

Faz algum tempo, no entanto, que não se fala em propostas pra levá-lo embora. No final do ano passado, até por conta das atuações desinteressadas que andou tendo, eu tinha uma impressão forte que sua saída já estava certa. De qualquer forma, se sair, ou o clube vai atrás de um reforço para a posição ou o time mudará bastante sua maneira de jogar.


Egídio
5 partidas (1 completa) - 2V, 3E, 0D

O fato de Egidio ser o reserva de Juan justifica boa parte do pânico que muito rubro-negro tem de perder seu lateral esquerdo titular. Este ano, mais uma vez Egidio tem ido mal sempre que chamado - não à toa foi substituído em 3 das 4 vezes em que começou jogando. Nos dois clássicos em que pôde jogar, contra Botafogo e Fluminense, teve atuações comprometedoras que levaram Cuca a tirá-lo no intervalo para fazer improvisações. Não é surpresa que já tenham puxado para os profissionais o garoto Jorbison, apesar dele ainda ser muito fraquinho de físico pra poder atuar no time de cima.

O elenco do Flamengo campeão carioca de 2009 - Goleiros

Bruno
19 jogos (18 completos) - 21 gols sofridos - 1 gol marcado - 11V, 5E, 2D

Independente de se concordar ou não com o grito da torcida, que afirma que é o melhor goleiro do Brasil - eu não concordo, por exemplo -, Bruno é obviamente um dos diferenciais técnicos do Flamengo sobre seus rivais - Vasco, Fluminense e Botafogo têm goleiros que não conseguem deixar suas torcidas seguras. E, no fim, acabou sendo realmente decisivo para a conquista, pegando três de cinco pênaltis cobrados na partida final. Não é pra qualquer um!

Pode acontecer de Bruno deixar o clube no meio do ano - já se falou em proposta do Benfica, e o próprio goleiro disse que "se é para o bem do clube, eu me sacrifico". Uma maneira um tanto cínica de tratar a possibilidade de ir ganhar uma grana na Europa.

Se isso vier de fato a acontecer, tecnicamente seria uma baixa grava para o elenco (embora Bruno tenha outros componentes extra-campo não muito elogiáveis e que chegam a comprometer). Sinceramente, não conheço Marcelo Lomba e Paulo Victor, terceiro e quarto goleiros do elenco. Mas, se for pra contar com Diego como titular, o Flamengo já começará o Brasileiro um nível abaixo.


Diego
3 jogos (2 completos) - 1 gol sofrido - 2V, 1E, 0D

Além de ter entrado durante o jogo contra o Volta Redonda, Diego teve a chance de jogar como titular em dois Fla-Flus seguidos. Em ambos, mostrou uma de suas grandes qualidades - os reflexos que tem embaixo das traves. E fez algumas defesas importantes.

No entanto, também deixou claras algumas de suas deficiências: não sabe sair do gol pelo alto, a reposição de bola deixa a desejar e é péssimo com ela nos pés. Mas é isso: como reserva, conseguiu passar o tempo que teve sem comprometer. Já foi de bom tamanho.

Estadual 2009 - Final - 2o. jogo - Flamengo 2 x 2 Botafogo (4x2 nos pênaltis) - Flamengo tricampeão carioca 2007/2008/2009

Vamos ser sinceros: o título de ontem era praticamente obrigatório para o Flamengo. Com um adversário mais modesto, desfalcado de seus principais jogadores, era claro para todos quem tinha a maior responsabilidade de vencer. O resultado final foi mesmo o que se esperava - mas não sem uma dose de sofrimento enorme, que ninguém poderia imaginar depois de ver o primeiro tempo terminar com uma bela vantagem rubro-negra. Mas dizem que com sofrimento fica mais gostoso, não é? Enfim: tricampeão!

O Botafogo, desde o início, deixava clara não só sua pobreza técnica, com uma sequência infinita de passes e matadas de bola erradas, como também que tinha consciência dessa inferioridade. Sem seus dois melhores homens de frente, colocou-se na defesa, deixou Victor Simões sozinho na frente e preocupou-se apenas em marcar forte. E a verdade é que, no primeiro tempo, o Flamengo não soube como sair desta marcação adversária. Com Leonardo Moura e Juan mal, Íbson e Kléberson apagados, a saída de bola parecia depender exclusivamente de Ronaldo Angelim - pouco, muito pouco. Na frente, Erick Flores, a surpresa de Cuca, não funcionou em nada como atacante; e Emerson, jogando de centro-avante, pouco pegou na bola, apenas de costas para a defesa adversária, sem conseguir criar nada.

E vejam vocês que, mesmo sem conseguir furar o bloqueio adversário, mesmo sem conseguir criar uma única boa jogada de ataque em todo o primeiro tempo, o Flamengo foi para o intervalo com 2x0 a seu favor no placar - graças a uma cabeçada tão inteligente e precisa quanto improvável de Kléberson e um outro chute de longe do meia, que desviou num adversário pra morrer no ângulo de Renan. Parecia um presente dos deuses do futebol, aquelas coisas que já estão escritas, sabe como é? 

Todo mundo na arquibancada, nas duas torcidas, acreditava que o tri já estava encaminhado e viria tranquilo. O problema é que o time do Flamengo voltou para o segundo tempo achando a mesma coisa. Já o Botafogo trocou um zagueiro por um atacante e foi pra cima. Na base da raça, passou a dominar o jogo, enquanto os rubro-negros pareciam dormir em campo. Logo nos primeiros minutos, houve o pênalti (que eu não daria - mas em seguida aconteceu outro, não marcado, que eu já achei que aconteceu) desperdiçado por Victor Simões. Mesmo assim, o Botafogo, ao contrário do que eu imaginaria, não desanimou. Cuca percebeu a pressão e colocou Obina para que o time tivesse dois atacantes em campo - mas só isso não adiantou, e Obina foi visto até marcando na lateral esquerda. Os espaços para o contra-ataque que mataria o jogo eram óbvios, mas o Flamengo rifava a bola e não conseguia encaixar a jogada fatal (tirando uma boa oportunidade com Émerson, que chegou a dividir a bola com o goleiro adversário na intermediária). E o Botafogo acabou chegando ao empate.

A torcida do Flamengo, incrédula, assistia à festa dos botafoguenses do outro lado das arquibancadas enquanto, no campo, o seu time parecia não acreditar no que acontecia. Por um tempo, o que se via era os jogadores do Flamengo se escondendo do jogo, ninguém querendo aparecer para receber a bola. Deu pra temer pelo pior.

Mas, com o tempo, o ímpeto do Botafogo diminuiu. Íbson cresceu no jogo, Léo Moura também apareceu mais e Emerson, finalmente podendo atuar como segundo atacante, era o melhor em campo (embora Cuca o tenha substituído um tempo depois por Josiel - provavelmente por ter se arrependido pela escolha por Obina mais cedo, depois de vê-lo desastradamente tentar um gol de duplo twist carpado, o popular 'Dos Santos', dentro da área do Botafogo). O Flamengo ia pra cima, a torcida comprou a história e empurrou o time, que finalmente dava pinta de que poderia construir seu gol. E foi a hora em que o Botafogo voltou a demonstrar não ter nenhum constrangimento em se comportar como um Olaria ou Madureira - se encolheu atrás e apelou para o cai-cai, com uma sequência de jogadores se estirando no chão para gastar um tempo que o juiz não compensou corretamente no final. E assim, o jogo foi pros pênaltis.

O resto é história. Como no título de 2007, após dois empates por 2x2, o Flamengo acabou batendo o Botafogo na disputa de pênaltis. Bruno, que já havia pego o pênalti do tempo normal, fez mais duas defesas. A torcida do Botafogo, que tem mesmo vocação para o sofrimento, voltou pra casa em silêncio, depois de sentir o gostinho de que poderiam conseguir uma conquista improvável. Mas não deu, né? A rotina é essa aí mesmo.



Os gols do tempo normal


O título veio nos pênaltis

3/4/2009 - 16h - Flamengo 2 x 2 Botafogo (4x2 nos pênaltis)
Maracanã - Rio de Janeiro, RJ
Renda/público: R$ 1.989.415,00 / 78.393 pag.

Árbitro: Péricles Bassols Cortez (RJ)
Auxiliares: Wagner de Almeira Santos (RJ) e Vinícius da Vitória Nascimento (RJ)
Cartões amarelos: Ibson, Willians (FLA); Emerson e Leandro Guerreiro (BOT)
Cartão vermelho: Fábio Luciano, 48'/2ºT (FLA).

Gols: Kleberson, 19'/1ºT (1-0); Kleberson, 38'/1ºT (2-0); Juninho, 16'/2ºT (2-1); Túlio Souza, 18'/2ºT (2-2).
Nos pênaltis: Kleberson, Juan, Aírton, Léo Moura (FLA); Léo Silva, Gabriel (BOT)

Flamengo: Bruno, Aírton, Fábio Luciano e Ronaldo Angelim; Léo Moura, Willians, Ibson, Kleberson e Juan; Erick Flores (Obina, 11'/2ºT) e Emerson (Josiel, 35'/2ºT). Técnico: Cuca

Botafogo: Renan, Emerson (Jean Carioca, intervalo), Juninho e Leandro Guerreiro; Alessandro, Léo Silva, Fahel, Eduardo, Túlio Souza (Rodrigo Dantas, 31'/2ºT) e Thiaguinho (Gabriel, 29'/2ºT); Victor Simões. Técnico: Ney Franco.