Estadual 2009 - Taça Rio - 2a. rodada - Duque de Caxias 2 x 4 Flamengo

Uma vitória tranquila. O Flamengo dominou a partida o tempo inteiro - só foi ameaçado no final, quando ficou com um a menos -, marcou bem, aproveitou as chances que teve e conseguiu mais um bom resultado após uma semana complicada internamente. Em campo, todo mundo correu muito, as atuações individuais foram boas e a paz pode voltar um pouquinho.

O time voltou a mostrar as duas principais qualidades exibidas na partida contra o Ivinhema: a marcação forte no campo do adversário, reduzindo os espaços e levando-o ao erro; e o grande aproveitamento das chances criadas. Tirando os gols, o time teve uma grande oportunidade com Paulo Sérgio no segundo tempo e... O que mais? Uma ou outra boa trama pelas laterais, mas que não deu nem em chute a gol, e só. Quando é pras coisas darem certo, aliás, acontece até de fazer dois gols de falta na mesma partida - coisa que não acontecia com o Flamengo desde 2007.  Na verdade, o goleiro do Duque de Caxias terminou o jogo sem ter tido muito trabalho.

Mas houve uma melhora. O esquema já pareceu mais definido; ficou claro, por exemplo, que Éverton Silva não é um zagueiro, e sim um lateral/ala, fazendo pela direita a mesma função que Juan exerce pela esquerda - e quem faz o falso terceiro-zagueiro é Aírton. Léo Moura também não é um terceiro atacante; embora tenha jogado boa parte do tempo aberto pela direita, principalmente na primeira etapa, ele já se movimentou mais pelo meio e mostrou, em três ou quatro lances (entre eles, os dois gols de bola rolando do time) que pode até, quem sabe, funcionar mesmo como um armador. Coisa que eu nunca botei fé.  O time, assim, está num 3-5-2 que varia para o 4-4-2, quando Aírton avança para o meio-campo.

No entanto, apesar destes três ou quatro lances de Léo Moura, a verdade é que o meio-campo do Flamengo voltou a depender demais de Íbson pra funcionar. Ontem, como ele estava numa noite boa (apesar da expulsão besta), a coisa andou melhor. Íbson voltava até o próprio campo pra fazer a saída de bola, ía até a frente pra se armar o jogo e se aproximar dos atacantes - sofreu as duas faltas na entrada da área que deram em gols. Era ele que tinha que dar opção de toque em todas as partes do campo. Nem sempre vai funcionar.

E outro defeito que persiste é o desequilíbrio entre os lados do campo. Pela direita, Éverton Silva tem a ajuda de Léo Moura e até Willians com frequência, e o time vai insistindo bastante por ali. Pela esquerda, Juan já tem que se virar sozinho, pois Zé Roberto aparece menos por lá do que devia. As poucas jogadas que saíram daquele lado ou foram individuais, ou aconteceram quando Íbson caiu pelo setor - o que não foi tão frequente assim.

Eis as missões de Cuca, no processo de transformar o Flamengo em um time mais consistente neste novo esquema: fazer com que Léo Moura ajude na armação com mais regularidade (o que vai ser mais importante ainda na próxima partida, quando Íbson, o motor do time ontem, ficará de fora); que as jogadas ocorram com mais frequência também pela esquerda, para as coisas ficarem menos óbvias; e conseguir transformar mais a posse de bola em chances de gols. Este último passa muito por conseguir incluir o centroavante no time. Josiel, apesar do gol em um contra-ataque (que quaaaaase perdeu), mal pegou na bola enquanto esteve em campo. Coisa que tem sido comum, seja quem for o homem de área do time, desde o início do ano.




11/3/2009 - 21h50 - Duque de Caxias 2 x 4 Flamengo
Estádio Raulino de Oliveira , Volta Redonda (RJ)
Renda/público: R$ 27.650 / 2.133 pagantes

Árbitro: Pablo dos Santos Alves (RJ)
Auxiliares: Jackson Lourenço Massara dos Santos (RJ) e João Luiz Coelho de Albuquerque (RJ)
Cartões amarelos: Welinton, Ibson, Toró, Fábio Luciano, Zé Roberto (FLA); Eduardo Telles, Cadu, Renatinho, Alberoni (DCA)
Cartões vermelhos: Ibson, 28'/2ºT (FLA)

Gols: Juan, 19'/1ºT (0-1); Josiel, 36'/1ºT (0-2); Leonardo Moura, 3'/2ºT (0-3); Leonardo Moura, 11'/2ºT (0-4); Edivaldo, 36'/2ºT (1-4); Edivaldo, 39'/2ºT (2-4).

Duque de Caxias: Borges, Arílson (Fábio Valle, intervalo), Henrique, Eduardo Telles e Alan; Léo Oliveira, Alberoni, Cadu (Juninho, 14'/2ºT) e Renatinho; Deni (Zé Carlos, 30'/2ºT) e Edivaldo. Técnico: Marcelo Buarque.

Flamengo: Bruno, Everton Silva (Toró, 31'/2ºT), Fábio Luciano, Welinton e Juan; Aírton, Willians (Kleberson, 25'/2ºT), Leonardo Moura e Ibson; Zé Roberto e Josiel (Paulo Sérgio, 14'/2ºT). Técnico: Cuca.

2 comentários:

Arthur_Costa disse...

cara, infelizmente esta sua excelente análise (como sempre) pode ir por terra pq o LM tá de saída, ao q tudo indica...

então, o Cuca vai ter q "descobrir" outro pra jogar como ele vem jogando...

uma pena. agora q o cara tá indo bem numa função q ninguém se destaca faz tempo no Mengão...

abraço!

Eduardo Matheus disse...

Perfeita análise.