Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
FlamengoNet
E está no ar a coluna de hoje no FlamengoNet: Que Flamengo é esse que joga domingo?
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Os jogos que interessam no fim de semana
Palmeiras x Náutico
O Palmeiras, dois pontos acima do Flamengo, seguirá com seu técnico interino, Jorginho - que muitos palmeirenses já pedem que seja efetivado, depois do fracasso das negociações com Muricy. O boato é que a diretoria iria atrás de Dorival Jr., do Vasco. Um nome muito bom, com certeza; mas se ele resolver cumprir seu contrato com o Vasco, como acho que vai, meu palpite é que vão seguir de Jorginho mesmo (embora Nelsinho Baptista esteja desempregado e tenha mostrado serviço pelo Sport justo em jogos contra o próprio Palmeiras).
Aliás, um parêntese em cima da notícia desta negociação com Muricy: interessante o presidente do Palmeiras tornar a notícia pública através de seu Twitter, que em dois dias saltou para mais de 9 mil seguidores (o do Sobreflamengo, modesto, ainda está um pouquinho abaixo dos 200, hehehe). E Mano Menezes, técnico do Corinthians, já atinge quase 460 mil pessoas com seu Twitter, o mais acompanhado do Brasil. Um link postado por ele lá chegou a ter 13 mil cliques - já é um número bastante relevante pra lançar um produto, uma campanha, enfim. Há um negócio aí. O Flamengo, outro dia, anunciou no site oficial a criação de dois twitters para departamentos do clube, mas não explora ainda a ferramenta de uma maneira estruturada (o que deve começar a acontecer em breve).
Se o resultado de domingo for ruim, a troca de técnico pode mesmo acontecer. Mas não é minha aposta - embora o palpite dependa do quanto o time do Inter vai jogar por seu técnico. O Atlético-PR é sempre complicado na Arena da Baixada, claro, mas este ano anda com um time realmente fraco (ter Rafael Moura, o popular He-Man, como grande destaque ofensivo não recomenda equipe nenhuma) e já apanhou em casa de 4x0 para o Atlético-MG. Isso foi antes de Waldemar Lemos assumir, claro. Mas, ainda assim, meu palpite é de que o Inter sai de lá com pelo menos um empate.
Grêmio x Corinthians
Trata-se do confronto de dois dos mais fortes concorrentes ao título deste ano. Será uma bela prova pro time de Paulo Autuori mostrar até onde pode chegar. Se conseguir bater em casa o time que melhor vem jogando no país, finalmente o trabalho do técnico pode engrenar - como achei que aconteceria depois de vê-los jogando contra o Botafogo, no início do campeonato. Na última rodada, golearam o Atlético-PR; mas só uma bela vitória contra um time forte como o de Ronaldo e cia. podem dar de vez a impressão de que "agora vai". É bom lembrar: se vencer, o Grêmio ultrapassa o próprio Corinthians na tabela.
O Palmeiras, dois pontos acima do Flamengo, seguirá com seu técnico interino, Jorginho - que muitos palmeirenses já pedem que seja efetivado, depois do fracasso das negociações com Muricy. O boato é que a diretoria iria atrás de Dorival Jr., do Vasco. Um nome muito bom, com certeza; mas se ele resolver cumprir seu contrato com o Vasco, como acho que vai, meu palpite é que vão seguir de Jorginho mesmo (embora Nelsinho Baptista esteja desempregado e tenha mostrado serviço pelo Sport justo em jogos contra o próprio Palmeiras).
Aliás, um parêntese em cima da notícia desta negociação com Muricy: interessante o presidente do Palmeiras tornar a notícia pública através de seu Twitter, que em dois dias saltou para mais de 9 mil seguidores (o do Sobreflamengo, modesto, ainda está um pouquinho abaixo dos 200, hehehe). E Mano Menezes, técnico do Corinthians, já atinge quase 460 mil pessoas com seu Twitter, o mais acompanhado do Brasil. Um link postado por ele lá chegou a ter 13 mil cliques - já é um número bastante relevante pra lançar um produto, uma campanha, enfim. Há um negócio aí. O Flamengo, outro dia, anunciou no site oficial a criação de dois twitters para departamentos do clube, mas não explora ainda a ferramenta de uma maneira estruturada (o que deve começar a acontecer em breve).
Outro parêntese: ficou muito claro que a dispensa de Luxemburgo (que, aliás, também tem seu Twitter) teve muito a ver com o custo de seu salário - especialmente depois que Belluzzo afirmou que Muricy não vem porque não cabe no orçamento.
Mas bem: o Palmeiras joga amanhã, mesmo sem técnico, num momento de empolgação - graças à saída do técnico que desagradava e ao carisma do interino ex-jogador do clube e do centro-avante que danou de fazer gols. Vão acontecer mudanças em relação ao último jogo que podem até melhorar o time, pois são em dois pontos fracos da escalação: o lateral Fabinho Capixaba sai para a entrada de Wendel, que não conheço bem, na lateral; e Ortigoza, sem contratro, sai para a entrada de Willians - que me parece bem melhor que o paraguaio. Se os dois forem bem, o time pode ganhar um pouco mais das jogadas pelas pontas que andam faltando.
Mas, mesmo que o time não melhore, difícil imaginar que não vença o Náutico, candidatíssimo ao rebaixamento.
Atlético-PR x Internacional
O grande interesse neste jogo fica pela possível queda de Tite do comando do Inter. Muricy agora está mais na fila pelo emprego do que nunca. E se acontecer de assumir o time gaúcho agora, na liderança do campeonato, pode acabar realmente fortalecendo o Colorado como favorito ao título - algo em que eu não aposto muito mesmo se não acontecer uma mudança no time.
Atlético-PR x Internacional
O grande interesse neste jogo fica pela possível queda de Tite do comando do Inter. Muricy agora está mais na fila pelo emprego do que nunca. E se acontecer de assumir o time gaúcho agora, na liderança do campeonato, pode acabar realmente fortalecendo o Colorado como favorito ao título - algo em que eu não aposto muito mesmo se não acontecer uma mudança no time.
Não que Muricy seja algum gênio. Mas o Inter não vem bem coletivamente há muito tempo, mostrando a mesma fraqueza do ano passado: é fácil para os adversários isolar o trio de ataque e cortar as armas do time gaúcho. Muricy não é nenhum especialista em armar esquemas ofensivos, mas tá claro pra todo mundo que o Inter tem aí um potencial que não está sendo usado ao seu máximo.
Se o resultado de domingo for ruim, a troca de técnico pode mesmo acontecer. Mas não é minha aposta - embora o palpite dependa do quanto o time do Inter vai jogar por seu técnico. O Atlético-PR é sempre complicado na Arena da Baixada, claro, mas este ano anda com um time realmente fraco (ter Rafael Moura, o popular He-Man, como grande destaque ofensivo não recomenda equipe nenhuma) e já apanhou em casa de 4x0 para o Atlético-MG. Isso foi antes de Waldemar Lemos assumir, claro. Mas, ainda assim, meu palpite é de que o Inter sai de lá com pelo menos um empate.
Grêmio x Corinthians
Trata-se do confronto de dois dos mais fortes concorrentes ao título deste ano. Será uma bela prova pro time de Paulo Autuori mostrar até onde pode chegar. Se conseguir bater em casa o time que melhor vem jogando no país, finalmente o trabalho do técnico pode engrenar - como achei que aconteceria depois de vê-los jogando contra o Botafogo, no início do campeonato. Na última rodada, golearam o Atlético-PR; mas só uma bela vitória contra um time forte como o de Ronaldo e cia. podem dar de vez a impressão de que "agora vai". É bom lembrar: se vencer, o Grêmio ultrapassa o próprio Corinthians na tabela.
O Grêmio terá um desfalque chato no ataque: Herrera, que poderia entrar com motivação extra para marcar em cima de seu ex-time, mas está suspenso. Já o Corinthians joga completo e pode reafirmar sua posição de candidato ao título - embora esteja no ar a possibilidade de um desmanche em breve, com propostas surgindo para diversos jogadores do time.
Não é um jogo fácil de chutar um resultado - mas, tendo que apostar, cravaria no Grêmio.
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Brasileiro 2009,
Concorrência
Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
O que aconteceu com o contrato da Bozzano
E eis que o tal contrato com a Bozzano não foi aprovado ontem, como todos esperavam. Seria, dizem na imprensa, o melhor contrato de patrocínio de mangas no futebol brasileiro. Agora, ele vai ter que voltar pra Hypermarcas, dona da Bozzano, para que eles alterem as cláusulas que empacaram a assinatura - que já está empacada tem algum tempo, na verdade, antes até de ir a votação no Conselho (votação esta que acabou nem acontecendo).
Podem crer que este tipo de coisa, além de evitar que esta grana específica entre nos cofres e ajude no pagamento dos dois meses de atraso dos salários dos funcionários do clube, espanta outros possíveis parceiros. Imagino o que não deve estar pensando agora, por exemplo, o Brunoro, que fez a intermediação para levar a Bozzano para o Flamengo.
Mas afinal de contas, quem é que reprovou o tal contrato? O que aconteceu?
Diz o estatuto do clube que qualquer contrato a ser assinado com valor acima de 500 vezes o preço de um título de Sócio Patrimonial precisa ser aprovado pelo Conselho Deliberativo. É o caso deste contrato com a Hypermarcas - o valor do título de Sócio Patrimonial é, hoje, de R$1.200,00 (ou algo próximo). Ou seja: contratos acima de R$600.000 já devem passar por lá.
O Conselho Deliberativo é formado, em parte, por sócios eleitos a cada três anos para o seu "corpo transitório". Mas há também membros vitalícios - e é mole ser membro vitalício: basta comprar um título de Sócio Proprietário, esperar dois anos e dizer que quer entrar pro Conselho. O famoso Arthur Muhlemberg, por exemplo, titular do Urublog, é membro do Conselho. Assim como João Henrique Areias. E, pelo que ouvi falar, o ator Milton Gonçalves. Tem gente de todo tipo lá. Se você quiser, e estiver disposto a pagar R$6.450,00 à vista pelo título de Sócio Proprietário, pode ir lá apitar também. Aliás, parece que apenas 60 conselheiros estiveram na sessão de ontem - e olha que havia um contrato importante a ser votado. É mole pra qualquer um que realmente queira entrar neste pequeno universo.
Mas afinal de contas, quem é que reprovou o tal contrato? O que aconteceu?
Diz o estatuto do clube que qualquer contrato a ser assinado com valor acima de 500 vezes o preço de um título de Sócio Patrimonial precisa ser aprovado pelo Conselho Deliberativo. É o caso deste contrato com a Hypermarcas - o valor do título de Sócio Patrimonial é, hoje, de R$1.200,00 (ou algo próximo). Ou seja: contratos acima de R$600.000 já devem passar por lá.
O Conselho Deliberativo é formado, em parte, por sócios eleitos a cada três anos para o seu "corpo transitório". Mas há também membros vitalícios - e é mole ser membro vitalício: basta comprar um título de Sócio Proprietário, esperar dois anos e dizer que quer entrar pro Conselho. O famoso Arthur Muhlemberg, por exemplo, titular do Urublog, é membro do Conselho. Assim como João Henrique Areias. E, pelo que ouvi falar, o ator Milton Gonçalves. Tem gente de todo tipo lá. Se você quiser, e estiver disposto a pagar R$6.450,00 à vista pelo título de Sócio Proprietário, pode ir lá apitar também. Aliás, parece que apenas 60 conselheiros estiveram na sessão de ontem - e olha que havia um contrato importante a ser votado. É mole pra qualquer um que realmente queira entrar neste pequeno universo.
Pelo estatuto, o Conselho tem algumas comissões permanentes para assessorá-lo nas suas decisões. Uma delas é a de "assuntos jurídicos", que tem seus membros nomeados pelo próprio presidente do Conselho - que hoje é Walter D´Agostino, que não sei se simpatiza com a oposição, com a situação ou muito pelo contrário. Trata-se de um desembargador de Justiça (ou seja: "assuntos jurídicos" é a área dele), condecorado pela Assembleia Legislativa do Rio com a Medalha Tiradentes e Grande Benemérito do clube.
Antes de votarem este contrato, ele passou por esta Comissão de Assuntos Jurídicos do Conselho Deliberativo. Algumas restrições foram colocadas e o contrato foi e voltou entre o departamento de marketing do Flamengo e a Hypermarcas algumas vezes até a sessão de ontem do Conselho. Mas, ao que parece de última hora, um empecilho final foi colocado: há uma cláusula de preferência de renovação para a Bozzano. Não li o contrato, mas este tipo de cláusula é comum nestes acordos e diz que a empresa tem o direito de renovar o contrato ao seu fim, pelo maior valor que o clube conseguir no mercado - ou seja: se aparecesse uma outra empresa querendo pagar mais pelo patrocínio da manga, o Flamengo deveria levar a proposta à Bozzano para eles dizerem se aceitam pagar o mesmo valor ou não. Não haveria obrigação do clube de renovar por um valor menor do que o que conseguiria por aí.
No entanto, esta Comissão de Assuntos Jurídicos do Conselho Deliberativo viu problemas na cláusula - achou que ela pode atrapalhar o clube se aparecer mais na frente uma empresa querendo comprar o espaço inteiro da camisa por um valor maior (o que pode ser o caso - só alguém com acesso ao contrato e conhecimento legal pra dizer). E, ao que parece, este parecer contrário inviabilizaria a aprovação do contrato na votação. Nessa, o presidente Delair Dumbrosck se viu obrigado a retirá-lo da pauta da reunião - ele nem foi votado pelos conselheiros, portanto. A tentativa agora será conseguir que a Hypermarcas aceite mudar a cláusula de preferência, antes de levar novamente o contrato para o Conselho. Na melhor das hipóteses, isso custará algumas semanas antes do Flamengo começar a receber o dinheiro; na pior, a empresa vai se emputecer e desistir do acordo, que já se enrolou mesmo por muito tempo.
Antes de votarem este contrato, ele passou por esta Comissão de Assuntos Jurídicos do Conselho Deliberativo. Algumas restrições foram colocadas e o contrato foi e voltou entre o departamento de marketing do Flamengo e a Hypermarcas algumas vezes até a sessão de ontem do Conselho. Mas, ao que parece de última hora, um empecilho final foi colocado: há uma cláusula de preferência de renovação para a Bozzano. Não li o contrato, mas este tipo de cláusula é comum nestes acordos e diz que a empresa tem o direito de renovar o contrato ao seu fim, pelo maior valor que o clube conseguir no mercado - ou seja: se aparecesse uma outra empresa querendo pagar mais pelo patrocínio da manga, o Flamengo deveria levar a proposta à Bozzano para eles dizerem se aceitam pagar o mesmo valor ou não. Não haveria obrigação do clube de renovar por um valor menor do que o que conseguiria por aí.
No entanto, esta Comissão de Assuntos Jurídicos do Conselho Deliberativo viu problemas na cláusula - achou que ela pode atrapalhar o clube se aparecer mais na frente uma empresa querendo comprar o espaço inteiro da camisa por um valor maior (o que pode ser o caso - só alguém com acesso ao contrato e conhecimento legal pra dizer). E, ao que parece, este parecer contrário inviabilizaria a aprovação do contrato na votação. Nessa, o presidente Delair Dumbrosck se viu obrigado a retirá-lo da pauta da reunião - ele nem foi votado pelos conselheiros, portanto. A tentativa agora será conseguir que a Hypermarcas aceite mudar a cláusula de preferência, antes de levar novamente o contrato para o Conselho. Na melhor das hipóteses, isso custará algumas semanas antes do Flamengo começar a receber o dinheiro; na pior, a empresa vai se emputecer e desistir do acordo, que já se enrolou mesmo por muito tempo.
É dose, mas é algo que o Flamengo está sempre sujeito a passar, por sua caótica estrutura democrática interna.
Ainda mais - vai virar bordão aqui do blog isso... - em ano de eleição.
Ainda mais - vai virar bordão aqui do blog isso... - em ano de eleição.
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Administração e marketing
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
A final da Libertadores fora da TV aberta - mais um capítulo da briga por espaço com os paulistas
Hoje teremos mais uma mostra de como é difícil a vida dos clubes que lutam por espaço na mídia - e exposição para parceiros e patrocinadores - e não estão em São Paulo.
O Cruzeiro é, sem dúvida, o time mais bem sucedido do país neste ano. Foi campeão mineiro, cumprindo sua obrigação, e começa agora a disputar a final da Libertadores. Todo torcedor brasileiro gostaria de estar hoje na situação dos cruzeirenses. O título do Corinthians na Copa do Brasil, por exemplo, tem como maior valor justamente dar a chance ao time de, quem sabe, talvez, com muito esforço, chegar em 2010 aonde o Cruzeiro está agora.
Porém, o grande jogo do ano no Brasil e na América do Sul até o momento não terá transmissão na TV aberta para o principal mercado publicitário do país. Em São Paulo (assim como no Rio), o jogo transmitido por Globo e Bandeirantes será Corinthians x Fluminense. E assim a exposição das marcas da Reebok e do Banco Bonsucesso ficará bem aquem do que poderiam esperar os patrocinadores de um time que, afinal, é simplesmente o maior vencedor do país em 2009. E é óbvio que isso, mais na frente, faz uma enorme diferença nas negociações de novos contratos para a equipe mineira. Não vou nem entrar no mérito desta decisão mercadológica da Globo, mas apenas constatar: por melhor que seja o trabalho do time dentro de campo, a disputa por receitas com os grandes de São Paulo é simplesmente desigual.
Porém, o grande jogo do ano no Brasil e na América do Sul até o momento não terá transmissão na TV aberta para o principal mercado publicitário do país. Em São Paulo (assim como no Rio), o jogo transmitido por Globo e Bandeirantes será Corinthians x Fluminense. E assim a exposição das marcas da Reebok e do Banco Bonsucesso ficará bem aquem do que poderiam esperar os patrocinadores de um time que, afinal, é simplesmente o maior vencedor do país em 2009. E é óbvio que isso, mais na frente, faz uma enorme diferença nas negociações de novos contratos para a equipe mineira. Não vou nem entrar no mérito desta decisão mercadológica da Globo, mas apenas constatar: por melhor que seja o trabalho do time dentro de campo, a disputa por receitas com os grandes de São Paulo é simplesmente desigual.
O Flamengo, no entanto, é o único time do país que pode furar este bloqueio com maior facilidade, pelo caráter nacional que tem e pela enormidade de sua torcida, considerável até mesmo em São Paulo. Já escrevi sobre isso por aqui algumas vezes - sobre a necessidade do clube saber aproveitar esta sua força nacional e até mesmo sobre como procurar brigar dentro do mercado paulista. Porém, mesmo os outros cariocas ainda têm torcidas relevantes nacionalmente, espalhadas por todo país, e têm potencial para melhorar suas posições nessa briga pela exposição de mídia. Especialmente se souberem brigar por isso juntos.
E acreditem: essa é uma briga que precisa ser travada desde já, antes que a supremacia paulista chegue a um estágio impossível de reverter. É preciso pensar em um planejamento para encarar esta questão, estratégica a longo prazo pra qualquer clube que se pretenda vencedor nacionalmente. Se deixar a coisa correr naturalmente, a tendência é a centralização paulista ser cada vez maior - e coisas como a aula de estatística para os insanos de Ronaldo na TV ganharem eco por aí. Parece besteira, mas na hora de sentar com um possível parceiro, coisinhas como essa vão se somando e a pulga já está colocada atrás da orelha do cara. Respostas tem que ser dadas, trabalho tem que ser feito.
Já dei a sugestão dos clubes do Rio trabalharem pela volta do Rio-São Paulo. Mas mesmo o Campeonato Carioca pode ser melhor vendido nacionalmente, usando a popularidade de seus clubes em outras regiões do país. Vou dar aqui outra sugestão, de tantas que podem surgir por aí: que tal, para o ano que vem, tentar um lançamento nacional da competição, coordenado? Cada um dos quatro grandes fazendo sua pré-temporada em uma cidade diferente do país, com direito a ações promocionais e amistosos com uma grande equipe local. Finalmente, os jogos da primeira rodada disputados cada um em uma cidade diferente - o Flamengo em Manaus, o Vasco em Fortaleza, o Botafogo em Brasília, o Fluminense em Vitória. E já abrindo desde então a concorrência para as prefeituras que quiserem levar a festa para suas cidades em 2011.
Por que não?
E acreditem: essa é uma briga que precisa ser travada desde já, antes que a supremacia paulista chegue a um estágio impossível de reverter. É preciso pensar em um planejamento para encarar esta questão, estratégica a longo prazo pra qualquer clube que se pretenda vencedor nacionalmente. Se deixar a coisa correr naturalmente, a tendência é a centralização paulista ser cada vez maior - e coisas como a aula de estatística para os insanos de Ronaldo na TV ganharem eco por aí. Parece besteira, mas na hora de sentar com um possível parceiro, coisinhas como essa vão se somando e a pulga já está colocada atrás da orelha do cara. Respostas tem que ser dadas, trabalho tem que ser feito.
Já dei a sugestão dos clubes do Rio trabalharem pela volta do Rio-São Paulo. Mas mesmo o Campeonato Carioca pode ser melhor vendido nacionalmente, usando a popularidade de seus clubes em outras regiões do país. Vou dar aqui outra sugestão, de tantas que podem surgir por aí: que tal, para o ano que vem, tentar um lançamento nacional da competição, coordenado? Cada um dos quatro grandes fazendo sua pré-temporada em uma cidade diferente do país, com direito a ações promocionais e amistosos com uma grande equipe local. Finalmente, os jogos da primeira rodada disputados cada um em uma cidade diferente - o Flamengo em Manaus, o Vasco em Fortaleza, o Botafogo em Brasília, o Fluminense em Vitória. E já abrindo desde então a concorrência para as prefeituras que quiserem levar a festa para suas cidades em 2011.
Por que não?
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Sobre o patrocínio da Bozzano
Deve ser aprovado hoje o contrato de patrocínio que colocará a marca da Bozzano nas mangas da camisa do Flamengo, possivelmente já a partir do jogo de domingo contra o São Paulo.
Quem está intermediando o negócio é a BSB Marketing Esportivo - a informação está no próprio edital de convocação da reunião do Conselho Deliberativo que vai tratar do negócio.
Trata-se da empresa de José Carlos Brunoro - ex-técnico de vôlei, que entrou no ramo da administração esportiva pela Palmeiras/Parmalat e agora tem como clientes gente como Pão de Açúcar (em que toca o Pão de Açúcar Esporte Clube) e Bombril. Assim como intermedia agora este contrato para o Flamengo, já fez o mesmo entre Santos e Panasonic. Mas os negócios vão além do futebol (já trabalhou com automobilismo e judô, por exemplo).
Quem está intermediando o negócio é a BSB Marketing Esportivo - a informação está no próprio edital de convocação da reunião do Conselho Deliberativo que vai tratar do negócio.
Trata-se da empresa de José Carlos Brunoro - ex-técnico de vôlei, que entrou no ramo da administração esportiva pela Palmeiras/Parmalat e agora tem como clientes gente como Pão de Açúcar (em que toca o Pão de Açúcar Esporte Clube) e Bombril. Assim como intermedia agora este contrato para o Flamengo, já fez o mesmo entre Santos e Panasonic. Mas os negócios vão além do futebol (já trabalhou com automobilismo e judô, por exemplo).
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Os reforços do Botafogo
Volta e meia, em conversas com amigos sobre o Brasileiro, alguém comenta comigo: "o Botafogo, sei não... Se não tomar cuidado..." Pois é: o alvi-negro tem aparecido com o candidato a retornar à série B, neste início de campeonato. Todo mundo já percebeu que simplesmente falta time - ainda mais depois que perdeu dois terços do trio ofensivo que fez sucesso no Estadual, com a contusão de Reinaldo e a saída de Maicosuel.
A torcida (aqueles poucos que se dão ao trabalho de ir ao Engenhão) pede jogador. E a imprensa faz coro, dizendo que a diretoria tem que se virar, "ir às compras". É curioso que os mesmos comentaristas que fazem esta campanha agora são os que criticam as administrações irresponsáveis, as dívidas monstruosas, os salários atrasados. A verdade é essa: o Botafogo não tem dinheiro - a situação é pior ainda que a do Flamengo, pois a dívida é comparável e as receitas todas são muito inferiores. A diretoria que lá chegou no início do ano parece estar fazendo um esforço para trabalhar com os pés no chão. Mas a situação é complicada.


A torcida (aqueles poucos que se dão ao trabalho de ir ao Engenhão) pede jogador. E a imprensa faz coro, dizendo que a diretoria tem que se virar, "ir às compras". É curioso que os mesmos comentaristas que fazem esta campanha agora são os que criticam as administrações irresponsáveis, as dívidas monstruosas, os salários atrasados. A verdade é essa: o Botafogo não tem dinheiro - a situação é pior ainda que a do Flamengo, pois a dívida é comparável e as receitas todas são muito inferiores. A diretoria que lá chegou no início do ano parece estar fazendo um esforço para trabalhar com os pés no chão. Mas a situação é complicada.
De qualquer forma, dois reforços foram anunciados para melhorar o material que Ney Franco tem em mãos. São duas apostas - não adianta esperar que o Botafogo contrate mesmo jogadores indiscutíveis. Mas podem ajudar o time a subir de produção.
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André Lima, se destacou em um período curto de tempo, em 2007, justo no Botafogo. Na época, fez gols em sequência e mostrava boa movimentação e grande competência nas finalizações, com um chute potente. Mas, na verdade, mesmo naquele período de destaque, ele foi reserva de Dodô na maior parte do tempo e ganhou uma fama um tanto desproporcional ao que realmente já tinha produzido. Ganhou a vaga quando o titular foi suspenso por doping, e pouco tempo depois já estava vendido pra Alemanha. Não conseguiu nada por lá e foi trazido de volta pelo São Paulo, onde, até poder estrear, levantou vários comentários elogiosos sobre seu desempenho nos treinos. Porém, na hora de entrar em campo, nunca engrenou. Posso estar enganado, mas se não me engano sua estatística bizarra por lá é de ter feito todos os seus seis gols em impedimento. Coisa de louco.
Mas a verdade é que o Botafogo está mesmo precisando de atacante e André Lima parece melhor do que o que há disponível por lá hoje. Assisti ao jogo em que o time teve seu pior resultado no campeonato - a goleada de 4x1 para o Goiás no Engenhão. Pode parecer maluquice, mas o time não jogou tão mal quanto se falou. Porém, a atuação comprometedora de Leandro Guerreiro (curiosamente, um dos poucos aplaudidos pela torcida) entregou gols em sequência que fizeram com que o Goiás construísse seu placar. Mesmo já levando a goleada e com a torcida vaiando o time impiedosamente, os jogadores ainda tiveram forças para pressionar o adversário, atacar e buscar seus gols. E, acreditem!, criaram chances o bastante pra fazer o milagre - que não veio graças a uma grande atuação do goleiro Harley e justamente pela falta de qualidade no ataque. Uma aposta constante de Ney Franco pra melhorar a situação lá na frente é um certo Tony, que veio do Volta Redonda e é simplesmente lamentável. Com Reinaldo e Victor Simões disponíveis, pode ser que André Lima acabe continuando no banco; mas como as contusões têm sido frequentes para os dois, principalmente o primeiro, é bom ter uma opção melhorzinha a mais no elenco.
Mas a verdade é que o Botafogo está mesmo precisando de atacante e André Lima parece melhor do que o que há disponível por lá hoje. Assisti ao jogo em que o time teve seu pior resultado no campeonato - a goleada de 4x1 para o Goiás no Engenhão. Pode parecer maluquice, mas o time não jogou tão mal quanto se falou. Porém, a atuação comprometedora de Leandro Guerreiro (curiosamente, um dos poucos aplaudidos pela torcida) entregou gols em sequência que fizeram com que o Goiás construísse seu placar. Mesmo já levando a goleada e com a torcida vaiando o time impiedosamente, os jogadores ainda tiveram forças para pressionar o adversário, atacar e buscar seus gols. E, acreditem!, criaram chances o bastante pra fazer o milagre - que não veio graças a uma grande atuação do goleiro Harley e justamente pela falta de qualidade no ataque. Uma aposta constante de Ney Franco pra melhorar a situação lá na frente é um certo Tony, que veio do Volta Redonda e é simplesmente lamentável. Com Reinaldo e Victor Simões disponíveis, pode ser que André Lima acabe continuando no banco; mas como as contusões têm sido frequentes para os dois, principalmente o primeiro, é bom ter uma opção melhorzinha a mais no elenco.
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O outro reforço do Botafogo vocês conhecem bem: Jônatas. Não o querem mesmo lá na Espanha e, a julgar pela falta de grana em General Severiano, ele deve ter aceitado uma bela redução de salário. Vai ter uma boa oportunidade de resgatar um pouquinho de prestígio e dar sobrevida à sua carreira. Afinal, vai chegar pra ser titular sem grandes contestações (ao menos no início...) e será treinado pelo técnico que o fez ter sua melhor fase até hoje. E o problema dele não é não saber jogar - é de cabeça. Não acredito muito na recuperação desse tipo de jogador, mas por períodos não tão longos, pode funcionar.
Já escrevi sobre Jônatas por aqui: é um cara que pode se destacar mesmo jogando lá atrás, como primeiro volante ou mesmo líbero. É assim que teve seus melhores desempenhos, tanto com Ney Franco, em 2007, quanto com Joel em 2005. Nos dois times, não havia um cabeça-de-área mais marcador para jogar mais recuado que ele. Ele sabe se colocar bem, tem boa noção de antecipação, faz bem a cobertura - ou seja, na sobra, pode ir bem. Um pouco mais à frente, tendo que dar o combate direto, realmente prejudica a marcação da equipe. Além disso, vindo de trás, pegando a bola sempre de frente pro campo adversário, ele pode usar melhor seu bom passe vertical e as arrancadas com passadas largas; quando insistem com ele como armador (como ele lamentavelmente parece preferir jogar), não consegue lidar bem com a marcação mais apertada, tem pouca mobilidade pra funcionar recebendo a bola de costas pro adversário.
Ney Franco sabe de tudo isso e, imagino, saberá usá-lo na melhor posição possível (se usá-lo mais à frente, a dupla de armadores Lúcio Flávio - Jônatas vai ser talvez a de dar mais sono na história do futebol). Vai depender do próprio Jônatas ser um tantinho mais sério - vamos combinar: essa sua passagem no Flamengo agora foi simplesmente ridícula - e abraçar a oportunidade que vai receber. Tem grandes chances de não dar certo; mas, pra situação do Botafogo, vale a aposta.
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Concorrência
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Sem Toró, Íbson, Kléberson e Emerson - o que fazer?
Taí um quebra-cabeça complicado de se armar. Muito já se falou sobre a ausência de um meia de criação neste time do Flamengo - mas a verdade é que eles não vêm sendo usados, mas até existem no elenco. Lá estão Fierro, Zé Roberto e Éverton; os três já jogaram na posição antes de chegar ao clube e podem entrar contra o São Paulo. O que está em falta no momento é, por incrível que pareça, volantes. Sem Toró (se ele realmente não se recuperar de contusão), Aírton e Kléberson, sobraram com condições de jogo apenas Willians (que anda jogando na zaga) e os garotos Antônio e Lennon.
Os jogadores que entrarão em campo, portanto, seriam Bruno, Fabrício, Wellinton, Angelim, Léo Moura, Willians, Fierro, Zé Roberto, Éverton, Juan e Adriano. Não vejo mudanças nesta relação. Mas como arrumá-los em campo?
Só haverá um volante de ofício em campo. Pra compensar a falta de jogadores "de pegada" no meio, Cuca pode partir pra simplesmente congestionar o setor. Além de Willians, teriam função de marcação no meio-campo os dois alas, os três meias. Só Adriano seria atacante mesmo, fixo lá na frente. Na hora do time chegar à frente, Fierro e Éverton podem chegar pelos lados do campo, com Zé Roberto mais centralizado, como já andou pedindo para jogar. Pra funcionar, é preciso que o time "compre a ideia" e os jogadores todos realmente se dediquem às suas funções defensivas - mesmo aqueles que não tem lá muito costume disso.

Agradecendo novamente a participação de Adílio,
craque do time de botão do André Atlético Clube,
na montagem desta imagem
craque do time de botão do André Atlético Clube,
na montagem desta imagem
Outro desenho possível, tentando mexer menos no jeito do time jogar, seria com Éverton ou Zé Roberto na frente, fazendo a função de Émerson; um dos dois iria pra vaga de Íbson, como meia de ligação; e Fierro faria um segundo volante, no lugar de Kléberson. Mas será que a dupla de substitutos de Íbson e Kléberson seria capaz de manter o poder de marcação no mesmo nível? A depender de Zé Roberto e Éverton, me parece que não. E de Fierro, o que sabemos é que o cara já jogou em tudo que é posição possível - mas não o vimos jogar o bastante pra saber se daria conta desse recado defensivo.

Tudo quanto ao Flamengo que entrará em campo no próximo jogo é uma incógnita. Fica a curiosidade pros treinos da semana, pra saber como Cuca vai usar as poucas opções que terá à disposição. E, claro, conferir se realmente Toró não conseguirá ter condições de jogo até domingo.
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Além do problema para montar o time titular, também vamos ver novidades aparecendo no banco de reservas - embora nada mais possa ser considerado surpresa depois do advento dos dois goleiros no jogo contra o Vitória. Até Maxi não deverá estar disponível para o ataque, pelo tal problema com seu visto de trabalho.
Mas deveremos considerar a possibilidade de ver pintando durante o jogo, em caso de necessidade, garotos como o zagueiro Marlon, os volantes Antonio e Lennon e o meia Camacho. Além do ex-fabricante de rodos e vassouras Aleílson, que já andou entrando em campo antes.
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De todos os desfalques, o único que pode mesmo ser definitivo é o de Íbson. A engenharia financeira kleberleiteana, afinal, parece não ter funcionado e o Porto recusou a oferta do Flamengo. Deve ter contribuído pra isso, claro, o fato de que o Flamengo deve até hoje dinheiro aos portugueses pelo empréstimo fechado no meio do ano passado. Ter o nome no SPC e no Serasa dá nisso.
É óbvio que, se isso se confirmar, o time vai sentir falta de Íbson. Kléberson é importante, mas é Íbson quem realmente fazia o meio ter um mínimo de dinâmica ofensiva - é quem mais se apresenta pro jogo, quem mais olha pra frente na hora de pensar o que fazer com a bola. E, embora já tenha feito pirraça ao ser substituído algumas vezes e a torcida já tenha tido sua fase de pegar no pé do cara e vaiá-lo a todo momento (parece que ninguém lembra mais disso, mas não faz tanto tempo assim), é um cara identificado com o clube. E este tipo de identificação não se compra na feira.
Mas o Flamengo tem condições de gastar não sei quantos milhões de euros para tê-lo em definitivo? Especialmente considerando que o vendeu para o mesmo clube, anos atrás, por um valor bem menor?
No Flamengo, é claro, essas questões financeiras são nebulosas. A gente não sabe de que "investidores" viria a grana pra comprar Íbson (há quem acredite, por exemplo, que a Olympikus está bancando mais da metade do salário do Adriano de graça, mesmo não podendo usá-lo como garoto propaganda da marca, sem que isso tenha mexido em mais nada no contrato que a empresa tem com o clube...). E este dinheiro que não vai ser gasto na contratação de Íbson pode muito bem ir, daqui a um mês ou dois, para o empréstimo de um meia uruguaio que está se destacando no México, de um atacante artilheiro do terceiro colocado do campeonato paraguaio ou até mesmo de um zagueiro brasileiro de 34 anos que anda em um clube médio da Turquia. Vai saber!
Dentro da lógica esquisita de funcionamento do Flamengo de hoje, seria ótimo se Íbson ficasse.
Dentro do que o clube realmente precisa pra tomar jeito, o ideal é que essa lógica fosse toda bem outra.
Mas...
Dentro da lógica esquisita de funcionamento do Flamengo de hoje, seria ótimo se Íbson ficasse.
Dentro do que o clube realmente precisa pra tomar jeito, o ideal é que essa lógica fosse toda bem outra.
Mas...
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Domingo, 5 de Julho de 2009
O Palmeiras que está disputando posição com o Flamengo na tabela
No ano passado, em seus melhores momentos no Brasileiro em que conseguiu vaga para a Libertadores 2009, o Palmeiras tinha sua força ofensiva baseada em duas duplas: a de laterais e a de ataque. Era um time montado com três zagueiros e um meio-campo marcador em que Diego Souza era o responsável por criar, mas que atacava mesmo com o apoio até simultâneo de Leandro e Élder Granja, esperando que Kléber e Alex Mineiro resolvessem na frente.
Para 2009, o time desfez esta estrutura, se livrando das duas duplas (e até agora, aliás, dos quatro apenas Kléber vai se dando bem no novo emprego). E Vanderlei Luxemburgo não foi feliz na tentativa de montar uma nova equipe. Não só fez o clube fazer apostas em jogadores caros e duvidosos (como Edmílson e Mozart), como ainda tentou resolver o problema do ataque adiantando pra frente Diego Souza, o único meia que funcionava com mais consistência. Acabou caindo com uma desculpa de "quebra de hierarquia", mas não fazia mesmo um bom trabalho.
Para 2009, o time desfez esta estrutura, se livrando das duas duplas (e até agora, aliás, dos quatro apenas Kléber vai se dando bem no novo emprego). E Vanderlei Luxemburgo não foi feliz na tentativa de montar uma nova equipe. Não só fez o clube fazer apostas em jogadores caros e duvidosos (como Edmílson e Mozart), como ainda tentou resolver o problema do ataque adiantando pra frente Diego Souza, o único meia que funcionava com mais consistência. Acabou caindo com uma desculpa de "quebra de hierarquia", mas não fazia mesmo um bom trabalho.
Com Luxemburgo, vi o Palmeiras jogar bastante esse ano. Agora, assisti ao segundo jogo do interino Jorginho - e ele até já soube deixar o time mais equilibrado taticamente. Voltou a ter Diego Souza no meio, armando ao lado de Cleiton Xavier, estabeleceu uma boa dupla de volantes pegadores atrás dos dois e colocou na frente mais um atacante de origem. Enfim: armou a equipe de maneira simples, sem inventar. E já foi o bastante pra melhorar a equipe, que bateu o Avaí, na casa do adversário, por 3x0.
No entanto, apesar da melhora no desenho do time e do belo placar desta partida, não dá pra dizer que o Palmeiras seja hoje um time à altura da posição que ocupa na tabela. Atrás, o miolo de zaga continua vacilando e a defesa depende muito das atuações de Marcos (talvez hoje o melhor goleiro em atividade no Brasil). E, na hora de atacar, o time ainda está emperrado. Os laterais não existem no apoio, Cleiton Xavier continua mal no meio, aparecendo pouco pro jogo e errando muitos passes (não é mesmo o jogador todo que muitos andaram imaginando assim que levaram ele do Figueirense) e o tal outro atacante que entrou no time, o paraguaio Ortigoza, parece muito limitado e não dá sequência a quase jogada nenhuma.
No entanto, apesar da melhora no desenho do time e do belo placar desta partida, não dá pra dizer que o Palmeiras seja hoje um time à altura da posição que ocupa na tabela. Atrás, o miolo de zaga continua vacilando e a defesa depende muito das atuações de Marcos (talvez hoje o melhor goleiro em atividade no Brasil). E, na hora de atacar, o time ainda está emperrado. Os laterais não existem no apoio, Cleiton Xavier continua mal no meio, aparecendo pouco pro jogo e errando muitos passes (não é mesmo o jogador todo que muitos andaram imaginando assim que levaram ele do Figueirense) e o tal outro atacante que entrou no time, o paraguaio Ortigoza, parece muito limitado e não dá sequência a quase jogada nenhuma.
Com isso, as jogadas pelas laterais praticamente não existem, o time insiste demais pelo meio e tem dificuldades em manter a bola no ataque. Toda a sua força ofensiva, no momento, parece estar nos pés de apenas dois jogadores. Um é Diego Souza, que jogando no meio, sem pegar a bola de costas pra marcação o tempo todo, encarando os adversários de frente, consegue funcionar bem melhor.
Sobre o outro, estou preferindo me abster de fazer comentários.
Seja quem for o novo técnico do Palmeiras, vai ter que encontrar novas soluções pro time funcionar melhor e conseguir se manter no topo da tabela - com a vitória em Florianópolis, conseguiu tirar o lugar do Flamengo na zona de classificação da Libertadores. Pode ser que passem por Marquinhos e Willians, apostas que vieram do Vitória e ainda não vingaram. Mas podem dar resultados, se tiverem tranquilidade pra jogar com alguma sequência - com um de cada lado, abertos como jogavam na Bahia, eles podem dar ao time as opções pelas laterais que andam faltando e que não vão aparecer nunca com os laterais que estão por lá.
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Brasileiro 2009 - 9a. rodada - Flamengo 2 x 1 Vitória
Do jeito que a partida caminhou ontem no Engenhão, a vitória do Flamengo era simplesmente obrigatória. Veio, três pontos importantes e o time melhorou sua posição no pelotão de frente do campeonato. Mas é bom que abram o olho por lá: se continuarem tentando com tanta força entregar as partidas, outros adversários podem acabar aceitando a oferta.
A partir daí, o Flamengo exibiu 20 minutos de muito bom futebol. Adiantou a marcação, fez o primeiro gol (num lindo lançamento de Kléberson e belo chute de Juan - a única coisa que acertou enquanto esteve em campo) e criou mais uma porção de oportunidades: pelo menos dois gols feitos perdidos por Éverton e Íbson, além do marcado por Adriano em impedimento duvidoso.
Com 1x0 no placar, o time não voltou com a mesma decisão para o segundo tempo. Éverton caiu de produção, Adriano não aparecia em campo, Juan continuava errando tudo o que tentava e sendo perseguido pelas vaias. Ao mesmo tempo, o Vitória mantinha-se arriscando pouco, e o jogo caminhava ruim, preguiçoso e tranquilo para o Flamengo - até surgir o gol de empate num lance isolado. Um cruzamento alto, lento, que me pareceu que deveria ser bola pra Bruno sair; mas caiu na linha da pequena área para Roger vir de trás e cabecear entre dois zagueiros.
Aí bateu o desespero: o Flamengo realmente parecia que ia conseguir deixar escapar uma vitória que parecia fácil. Vieram vaias e Cuca resolveu finalmente tirar Juan para a entrada de Zé Roberto, outro que costuma ser perseguido pela torcida. Mas a ideia era interessante e acabou dando certo, já que o baiano participou do lance de pinball em que a bola acabou sobrando para Émerson desempatar. Pra completar, ainda sofreu um pênalti que poderia ter decidido de vez o jogo.
Mas aí aconteceu mais uma daquelas flamengadas irritantes: resolveram que era hora de "homenagear" Íbson deixando ele cobrar o pênalti. Na boa: 2x1, jogo ainda perigando, não é hora de homenagem coisa nenhuma. Bate o batedor do time e pronto. Mas resolveram brincar.
Assim como Petkovic, que entrara em campo só pra gastar tempo faltando 3 ou 4 minutos pro fim do jogo. Resolveu dar um giro em cima da bola no campo de defesa, errou, entregou a bola no pé de um adversário e acabou causando a expulsão de Kléberson, que teve que apelar pra uma falta quase em cima da linha da grande área. Por sorte, o Vitória ainda desperdiçou esta derradeira tentativa rubro-negra de entregar um jogo fácil.
* * * * * * * * * * * *
E Adriano?
O Imperador se movimentou muito pior do que nos dois últimos jogos. E todos relacionam a fraca atuação ao que o jogador andou fazendo nas noites anteriores aos jogos. Bem: dá pra colocar essa aí como mais uma tentativa de entregar o jogo. Pois é - às vezes, partidas são resolvidas em coisas assim, que acontecem antes mesmo do juiz apitar seu início.
O Imperador se movimentou muito pior do que nos dois últimos jogos. E todos relacionam a fraca atuação ao que o jogador andou fazendo nas noites anteriores aos jogos. Bem: dá pra colocar essa aí como mais uma tentativa de entregar o jogo. Pois é - às vezes, partidas são resolvidas em coisas assim, que acontecem antes mesmo do juiz apitar seu início.
Mas futebol é aquilo: Adriano fez um gol, anulado em decisão polêmica da arbitragem. E deu um passe que deixou Éverton na cara do gol, mas que o companheiro desperdiçou. Tivessem saído estes dois gols, o discurso agora seria unânime: "deixa o cara em paz! Enquanto estiver resolvendo, tá ótimo!" Deve ter sido bom que não tenha acontecido.
Mas podem crer que, como a diretoria vai deixando, outras dessas vão acontecer. E pode acontecer de, no dia seguinte, a bola entrar - e todo mundo festejar o cara. Como cansou de acontecer nos anos e anos de Romário na Gávea - ídolo de muitos e artilheiro durante todo aquele período. Período esse em que o Flamengo não ganhou nada de relevante.
4/7/2009 - 18h30 - Flamengo 2 x 1 Vitória
Engenhão - Rio de Janeiro, RJ
Árbitro: Nielson Nogueira (Fifa-PE)
Auxiliares: Erch Bandeira (Fifa-PE) e Jossemmar José Diniz Moutinho(PE)
Cartões amarelos: Anderson Martins, Uellinton (VIT), Kleberson e Emerson (FLA)
Cartões vermelhos: Vanderson 37'/2ºT (VIT) Kléberson 46'/2ºT (FLA)
Gols: Juan, 26'/1ºT (1-0); Roger, 16'/2ºT (1-1); Emerson, 22'/2ºT (2-1)
Flamengo: Bruno, Léo Moura, Weliton, Ronaldo Angelim e Juan (Zé Roberto, 18'/2ºT); Willians, Toró (Everton, 9'/1ºT) , Kléberson e Ibson; Emerson (Petkovic, 43'/2ºT) e Adriano. - Técnico: Cuca.
Vitória: Viafara, Wallace, Victor Ramos e Anderson Martins (Adriano, 44'/2ºT); Apodi (Nino, 33'/2ºT), Vanderson, Uellinton; Leandro Dominguez e Leandro; Elkeson (Neto Berola, 16'/2ºT) e Roger. - Técnico: Paulo César Carpegiani.
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Sábado, 4 de Julho de 2009
Auto-jabá
Já comentei antes por aqui que faço parte do Don Robalo - banda que mistura ska, rock, samba e swing, com a qual andava ensaiando já um bom tempinho. Pois hoje é o dia da estreia, nosso primeiro show. Quem for do Rio, apareça! No fim do post, o serviço com os dados da festa, local etc. e tal.
Aí embaixo, o primeiro vídeo que soltamos de uma música nossa completa - se chama Sábio da montanha. No nosso YouTube, há mais dois vídeos mostrando nossos ensaios. E pra conhecer mais da banda, o endereço é o www.donrobalo.com.br.
Sábado - 4/7 - 23h - Festa Bangarang
Com Guanabara Ska Clube e Don Robalo + Bangarang Sound System
Café Cultural Mal do Século - Rua do Resende, 26 - Lapa
Mapa pra localizar a casa: http://www.google.com/maps?f=q&source=s_q&hl=pt-BR&q=R.+do+Rezende,+26+-+Centro,+Rio+de+Janeiro+-+RJ,+20231-094,+Brasil&sll=37.579413,-95.712891&sspn=48.542127,79.101563&ie=UTF8&cd=1&geocode=FaFjov4d8BNt_Q&split=0&z=17
Ingressos: R$15 (normal) ou R$12 (com nome na lista amiga, na comunidade da festa no Orkut - clique aqui pra colocar o seu nome)
Aí embaixo, o primeiro vídeo que soltamos de uma música nossa completa - se chama Sábio da montanha. No nosso YouTube, há mais dois vídeos mostrando nossos ensaios. E pra conhecer mais da banda, o endereço é o www.donrobalo.com.br.
Sábado - 4/7 - 23h - Festa Bangarang
Com Guanabara Ska Clube e Don Robalo + Bangarang Sound System
Café Cultural Mal do Século - Rua do Resende, 26 - Lapa
Mapa pra localizar a casa: http://www.google.com/maps?f=q&source=s_q&hl=pt-BR&q=R.+do+Rezende,+26+-+Centro,+Rio+de+Janeiro+-+RJ,+20231-094,+Brasil&sll=37.579413,-95.712891&sspn=48.542127,79.101563&ie=UTF8&cd=1&geocode=FaFjov4d8BNt_Q&split=0&z=17
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Lembranças de Carpeggiani
Carperggiani, técnico do adversário de hoje do Flamengo, traz muitas recordações para os rubro-negros. É claro: além de ter jogado no meio campo no título brasileiro de 1980, era ele o treinador do time que bateu o Liverpool e tornou-se campeão mundial em 1981. Mas pra mim, especificamente, a lembrança que mais vem à cabeça não é das mais agradáveis.
No fim dos anos 90, início dos anos 2000, Carpeggiani era meio que o técnico dos sonhos dos rubro-negros. Todo mundo queria vê-lo voltando ao Flamengo – não só pela antiga conquista em Tóquio, mas também porque o cara estava em alta pelo bom trabalho à frente da seleção do Paraguai, que só fora eliminada pela França campeã do Mundo em 98 na morte súbita. Assim, quando ele finalmente foi contratado, todo mundo gostou. Mas o trabalho não começou dando os resultados que se esperavam. De qualquer forma, ele conseguiu levar o time à decisão da Taça Guanabara, contra o Vasco.
Naquela época, eu tinha o hábito de sentar toda semana no Plebeu, em Botafogo, com dois amigos para dividirmos algumas Bohemias e, juntos, fazermos um jogo de Loteria Esportiva. Com cada um botando um dinheirinho, dava pra colocar mais triplos e duplos e aumentar nossa chance de ganhar. A gente discutia os jogos, chegava ali num consenso e fazia nossa aposta. O normal era que nem conseguíssemos passar do sábado sem já termos perdido as chances de ganhar alguma grana, mas era divertido.
Porém, na semana deste Flamengo x Vasco, eu não estava conseguindo chegar a um consenso com meus companheiros da Associação da Bohemia Gelada. Não me lembro mais por que, mas eu queria chutar várias zebras com que os dois não concordavam. Resultado: fiz lá o jogo com meus amigos, mas decidi fazer também um só meu, aposta mínima, só pra conferir no que dariam meus palpites.
Bem: do sábado, eu passei com minha apostazinha. Chegou o domingo do Flamengo x Vasco – domingo de Páscoa - e eu ainda podia ganhar. Mas não era muito essa a minha maior preocupação na hora de assistir ao jogo pela TV – o principal era o Flamengo ser campeão, claro. Eu achava o Vasco até mais time, mas queria acreditar que ia dar. Tanto que cravei Flamengo no meu bilhete da Loteca.
Só que as minhas esperanças basicamente acabaram quando se anunciou a escalação que Carpeggiani inventou pro jogo. O cara resolveu colocar em campo Fabão – que não só eu detestava, como ainda retornava de uma longa contusão, muito tempo sem jogar. Pra completar, improvisado na lateral esquerda. Coisa de maluco! Falei na hora: “Ele devia ter anunciado isso antes por lealdade com a torcida. Assim ninguém nem se dava ao trabalho de ir ao Maracanã pra ver essa desgraça.” Era o lado Professor Pardal de Carpeggiani atacando firme.
O jogo até começou bem, com o Flamengo fazendo 1x0 com Leandro Machado – mas acabou mesmo sendo um desastre. O Vasco virou rápido, Luis Alberto foi expulso logo no primeiro tempo numa confusão com Viola e Fabão levava um baile constrangedor de Romário. Tudo muito fácil pro Vasco, que goleava enquanto sua torcida comemorava a Páscoa gritando “uh, é chocolate!” nas arquibancadas. Só que, enquanto o Flamengo levava aquele sacode, as “bolinhas da Globo” iam pintando na tela e anunciando todas as zebras em que eu tinha apostado. Era um tal de XV de Jaú ganhando do Corinthians, Caldense empatando com o Cruzeiro, sei lá. Eu tava cravando tudo.
Menos, é claro, o Flamengo. Graças às invenções de Carpeggiani. Assim, cada resultado improvável em que ia confirmando minhas apostas só fazia minha tristeza aumentar.
No fim, com 5x1 no placar, Romário fingiu uma contusão e pediu pra sair. Eu detestava o cara, mas ele teve pena do Flamengo aquele dia, não quis fazer mais – mal comemorou seus 3 gols. E aí veio o lamentável lance em que Pedrinho fez embaixadinhas no meio-campo, Juan tentou dar-lhe uma tesoura voadora, Beto e Fábio Baiano partiram pra cima, o tempo fechou e dirigentes do Flamengo invadiram o campo, num papel triste e ridículo, enquanto Abel, técnico do Vasco, pedia ao seu time para “respeitar o outro lado”. Era só o que faltava.
Eu desliguei a TV e fui chorar no banheiro.
É isso: cravei os 12 jogos da Loteria Esportiva daquela semana, que estava acumulada havia um tempo. E ninguém ganhou aquele concurso. Quer dizer: aquilo pode ter me custado um pequeno apartamento, talvez. Sei lá – era uma boa grana.
Valeu aí, Carpeggiani.
* * * * * * * * * * * * * * * * * *
Depois do jogo, Carpeggiani foi demitido e a diretoria trouxe de volta Carlinhos – que levou o time ao bicampeonato estadual em cima do mesmo Vasco, com direito a embaixadinhas de Beto no Maracanã.
No fim dos anos 90, início dos anos 2000, Carpeggiani era meio que o técnico dos sonhos dos rubro-negros. Todo mundo queria vê-lo voltando ao Flamengo – não só pela antiga conquista em Tóquio, mas também porque o cara estava em alta pelo bom trabalho à frente da seleção do Paraguai, que só fora eliminada pela França campeã do Mundo em 98 na morte súbita. Assim, quando ele finalmente foi contratado, todo mundo gostou. Mas o trabalho não começou dando os resultados que se esperavam. De qualquer forma, ele conseguiu levar o time à decisão da Taça Guanabara, contra o Vasco.
Naquela época, eu tinha o hábito de sentar toda semana no Plebeu, em Botafogo, com dois amigos para dividirmos algumas Bohemias e, juntos, fazermos um jogo de Loteria Esportiva. Com cada um botando um dinheirinho, dava pra colocar mais triplos e duplos e aumentar nossa chance de ganhar. A gente discutia os jogos, chegava ali num consenso e fazia nossa aposta. O normal era que nem conseguíssemos passar do sábado sem já termos perdido as chances de ganhar alguma grana, mas era divertido.
Porém, na semana deste Flamengo x Vasco, eu não estava conseguindo chegar a um consenso com meus companheiros da Associação da Bohemia Gelada. Não me lembro mais por que, mas eu queria chutar várias zebras com que os dois não concordavam. Resultado: fiz lá o jogo com meus amigos, mas decidi fazer também um só meu, aposta mínima, só pra conferir no que dariam meus palpites.
Bem: do sábado, eu passei com minha apostazinha. Chegou o domingo do Flamengo x Vasco – domingo de Páscoa - e eu ainda podia ganhar. Mas não era muito essa a minha maior preocupação na hora de assistir ao jogo pela TV – o principal era o Flamengo ser campeão, claro. Eu achava o Vasco até mais time, mas queria acreditar que ia dar. Tanto que cravei Flamengo no meu bilhete da Loteca.
Só que as minhas esperanças basicamente acabaram quando se anunciou a escalação que Carpeggiani inventou pro jogo. O cara resolveu colocar em campo Fabão – que não só eu detestava, como ainda retornava de uma longa contusão, muito tempo sem jogar. Pra completar, improvisado na lateral esquerda. Coisa de maluco! Falei na hora: “Ele devia ter anunciado isso antes por lealdade com a torcida. Assim ninguém nem se dava ao trabalho de ir ao Maracanã pra ver essa desgraça.” Era o lado Professor Pardal de Carpeggiani atacando firme.
O jogo até começou bem, com o Flamengo fazendo 1x0 com Leandro Machado – mas acabou mesmo sendo um desastre. O Vasco virou rápido, Luis Alberto foi expulso logo no primeiro tempo numa confusão com Viola e Fabão levava um baile constrangedor de Romário. Tudo muito fácil pro Vasco, que goleava enquanto sua torcida comemorava a Páscoa gritando “uh, é chocolate!” nas arquibancadas. Só que, enquanto o Flamengo levava aquele sacode, as “bolinhas da Globo” iam pintando na tela e anunciando todas as zebras em que eu tinha apostado. Era um tal de XV de Jaú ganhando do Corinthians, Caldense empatando com o Cruzeiro, sei lá. Eu tava cravando tudo.
Menos, é claro, o Flamengo. Graças às invenções de Carpeggiani. Assim, cada resultado improvável em que ia confirmando minhas apostas só fazia minha tristeza aumentar.
No fim, com 5x1 no placar, Romário fingiu uma contusão e pediu pra sair. Eu detestava o cara, mas ele teve pena do Flamengo aquele dia, não quis fazer mais – mal comemorou seus 3 gols. E aí veio o lamentável lance em que Pedrinho fez embaixadinhas no meio-campo, Juan tentou dar-lhe uma tesoura voadora, Beto e Fábio Baiano partiram pra cima, o tempo fechou e dirigentes do Flamengo invadiram o campo, num papel triste e ridículo, enquanto Abel, técnico do Vasco, pedia ao seu time para “respeitar o outro lado”. Era só o que faltava.
Eu desliguei a TV e fui chorar no banheiro.
É isso: cravei os 12 jogos da Loteria Esportiva daquela semana, que estava acumulada havia um tempo. E ninguém ganhou aquele concurso. Quer dizer: aquilo pode ter me custado um pequeno apartamento, talvez. Sei lá – era uma boa grana.
Valeu aí, Carpeggiani.
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Depois do jogo, Carpeggiani foi demitido e a diretoria trouxe de volta Carlinhos – que levou o time ao bicampeonato estadual em cima do mesmo Vasco, com direito a embaixadinhas de Beto no Maracanã.
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Recordar é viver
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Disco arranhado
Mais uma vez, Adriano faltou a um treino. Quantos já foram? Eu não pretendo continuar contando.
Desta vez, ao menos a história que justifica a ausência foi unificada: ele estava com "indisposição intestinal". Um médico foi lá, atestou que é isso mesmo, recomendou repouso até a hora do jogo de amanhã.
Então tá. Quem sou eu pra duvidar.
Mas é fato que as histórias vão se acumulando. E, como estamos falando do Imperador, podemos usar a velha frase sobre a mulher de César: a ela, não basta ser honesta, tem que parecer honesta.
Pois é: tanto Adriano quanto o Flamengo têm um problema sério de imagem a ser resolvido. Problema este que custa dinheiro, aos dois.
Esse caso da promoção é mais um de uma série incrível de acontecimentos mostrando que simplesmente ninguém se fala na Gávea. Cada um age de sua cabeça, fala o que bem entende, daí outro o contradiz sem nem saber, um terceiro tenta botar panos quentes... E a imprensa faz a festa.
Aconteceu com a contratação de Petkovic, com o anúncio antecipado da chegada de Adriano pelo presidente Delair, com a inacreditável chegada para testes/contratação do volante Yves (só falta o cara começar a ser chamado de "peixe" pelos companheiros...), com as primeiras faltas de Adriano, agora essa. Deve ter mais, lembrem aí.
Desta vez, ao menos a história que justifica a ausência foi unificada: ele estava com "indisposição intestinal". Um médico foi lá, atestou que é isso mesmo, recomendou repouso até a hora do jogo de amanhã.
Então tá. Quem sou eu pra duvidar.
Mas é fato que as histórias vão se acumulando. E, como estamos falando do Imperador, podemos usar a velha frase sobre a mulher de César: a ela, não basta ser honesta, tem que parecer honesta.
Pois é: tanto Adriano quanto o Flamengo têm um problema sério de imagem a ser resolvido. Problema este que custa dinheiro, aos dois.
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A falta acontece no dia seguinte à descoberta de que a promoção feita pelo marketing do clube, para escolher o número da camisa de Adriano, era só brincadeirinha. Quer dizer, mais ou menos: hoje ficamos sabendo que o centro-avante vai usar um pouquinho a 9, pra dar uma satisfação pra galera, e depois fica com a 10.
Menos mal que não o deixaram simplesmente ignorar a promoção. Mas ainda ficou bastante ruim. E o fã do Adriano, compra a 9 ou a 10 agora? A Olympikus fica satisfeita com esse tipo de coisa?
Menos mal que não o deixaram simplesmente ignorar a promoção. Mas ainda ficou bastante ruim. E o fã do Adriano, compra a 9 ou a 10 agora? A Olympikus fica satisfeita com esse tipo de coisa?
14 anos depois, novamente Kléber Leite no comando do Flamengo, novamente vemos o atacante craque do time fazer o que bem entende no clube. Qualquer semelhança não é mera coincidência.
Deus queira que Adriano faça três ou quatro gols amanhã e fique tudo bem. Mas a campanha pelo choque de ordem continua.
Deus queira que Adriano faça três ou quatro gols amanhã e fique tudo bem. Mas a campanha pelo choque de ordem continua.
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Esse caso da promoção é mais um de uma série incrível de acontecimentos mostrando que simplesmente ninguém se fala na Gávea. Cada um age de sua cabeça, fala o que bem entende, daí outro o contradiz sem nem saber, um terceiro tenta botar panos quentes... E a imprensa faz a festa.
Aconteceu com a contratação de Petkovic, com o anúncio antecipado da chegada de Adriano pelo presidente Delair, com a inacreditável chegada para testes/contratação do volante Yves (só falta o cara começar a ser chamado de "peixe" pelos companheiros...), com as primeiras faltas de Adriano, agora essa. Deve ter mais, lembrem aí.
Coisa de maluco.
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