Prometi que falaria ainda do Botafogo, campeão com méritos deste Estadual. Pois bem.
"Com méritos", claro. Ganhou os dois turnos. Concentrou-se nos momentos mais necessários, em um torneio que se decide pra valer em muito poucos jogos. E teve um técnico que entendeu as limitações do time e o armou do jeito que dava. Isso vocês já leram por aí.
Não foi tanto o caso do jogo de domingo. Desta vez, não foram tantas as bolas levantadas para a área do adversário; no duro, o Flamengo abusou mais do jogo aéreo do que o Botafogo. O time também não jogou tão recuado quanto em outras partidas; com Túlio Souza (que eu vi como um bom lateral no Coritiba, mas até hoje não convenceu no Botafogo) e Renato no meio, adiantou um tantinho sua marcação. E assim conseguiu manter o Flamengo um tanto mais afastado de sua defesa do que andou acontecendo em outros clássicos. Na frente, Herrera foi sempre uma preocupação, correndo como o verdadeiro loco da dupla.
É bom dizer ainda que funcionou como funcionou graças a uma entrega comovente de seus jogadores, que desde o início do jogo corriam, marcavam, se jogavam - e vibravam, comemorando cada dividida, cada carrinho, cada chutão. O Botafogo entendeu que era uma final, que era O jogo do clube na temporada.
É isso: ao contrário do que significava para o Flamengo, este foi o jogo mais importante do Botafogo em 2010. A não ser que, no Brasileiro, surja alguma decisão de vaga na série B. Hipótese que não é tão remota assim.
* * * * * * * * * * * * *
É bom lembrar que o Botafogo foi eliminado da Copa do Brasil pelo Santa Cruz, que acabou de ser derrotado em sua casa, com mais de 30 mil pessoas no estádio, pelo Atlético-GO. E que em todos os clássicos anteriores, apesar dos resultados não terem sido ruins em sua maioria, foi amplamente dominado pelos adversários. Não dá nem pra falar em "defesa bem armada para tentar vencer nos contra-ataques"; o que se viu na maioria das vezes foi Flamengo, Vasco e Fluminense perdendo gols em sequência na frente de Jefferson, sem que o Botafogo conseguisse sair da defesa. O comentário que eu mais ouvia dos torcedores dos adversários do alvinegro, depois de verem seus times enfrentando os comandados de Joel, era: "eles não conseguem trocar dois passes, é ridículo!".
Não foi assim nesta final. Mas o time, motivado pela chance de ser campeão, jogou em seu limite - o que não vai acontecer ao longo das 38 rodadas de um campeonato de pontos corridos. Durante quase todo o campeonato, o Botafogo jogou futebol de rebaixável. E mesmo no domingo, quando teve uma atuação festejada até com certa razão, passou o jogo inteiro sem criar uma única jogada de perigo real para Bruno, que não me lembro de ter feito sequer uma defesa em toda a partida.
Com o que tem lá, a entrada de Renato no lugar de Lúcio Flávio e um bom aproveitamento de Túlio Souza e Edno pode até melhorar um tanto a situação, tornando o time mais capaz de colocar a bola no chão. Mas, pra ter uma garantia maior de não passar um perrengue sério no Brasileiro, deveriam ir atrás de reforços.
O título carioca não precisa fazer mal - pelo contrário, pode fazer bem, pela visibilidade que dá ao time. Mas é bom que a diretoria não se engane com ele e ache que já tem um bom time. Doeu ouvir o presidente Maurício Assumpção dizendo que agora sonha com a Libertadores e que "com este time vai até a Lua".
* * * * * * * * * * * * *
Nem Joel Santana deve ter este otimismo todo com o time atual do Botafogo. Antes, já se ouvia que ele condicionava sua permanência a aumento de salário e reforços para o elenco. E agora, já há o papo de que ele é o plano B da diretoria do Fluminense, caso Muricy não vá para as Laranjeiras.
O que seria um mico momumental dos dirigentes tricolores. Não que a própria demissão de Cuca, por si só, já não tenha sido esquisitaça. Por mais que o time tenha tropeçado nos clássicos, o Fluminense mostrou um bom futebol na maior parte do tempo. Seu maior defeito foi perder gols em demasia, o que causou as derrotas para Flamengo, Vasco (na semifinal da Taça GB - não parece ter sido o caso na Taça Rio) e Botafogo. Acreditava mesmo que o Fluminense poderia fazer uma campanha bastante boa no Brasileiro. Mas agora, ao que tudo indica, será contratado um novo treinador com um estilo totalmente diferente do de Cuca. E aí, sabe lá no que isso vai dar.
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Pet, Andrade, Marcos Braz, o elenco - e uma das situações mais ridículas que já vi
Eis que surge, depois de todo o disse-me-disse de ontem sobre a possível demissão de Andrade, a seguinte notícia: para "se fortalecer", o treinador deve não mais relacionar Petkovic para os jogos. Se resolver continuar usando o sérvio, Andrade não deve continuar.
Trata-se de uma das situações mais ridículas que já vi. Afinal de contas, se os superiores de Andrade não querem mais que Petkovic jogue, por que não dão a ordem, pura e simples?
Ao que parece, a ideia - de uma covardia inacreditável - é tirar o corpo fora de uma decisão que poderia ser impopular com a torcida e deixar tudo nas costas do elo mais fraco: o treinador, aquele que é sempre demitido com mais facilidade. Se é isso mesmo, acham que estão enganando alguém, a esta altura?
Na boa, é patético.
Como eu escrevi após a derrota para o Botafogo: infelizmente, o que percebe-se é que estão pensando em tudo na Gávea - menos no que é melhor para o time.
* * * * * * * * * * *
Quem acompanha o SobreFlamengo deve saber que considero a entrada de Petkovic um dos grandes motivos do título brasileiro do ano passado. Ter um grande meia de criação, um verdadeiro camisa 10, é algo transformador para qualquer equipe. Pet entrou, fez este papel e, junto com alguns outros fatores, transformou aquele Flamengo que patinava no meio da tabela em uma equipe campeã. Os números não mentem: com ele de titular, o time não perdeu no campeonato; com ele, o desempenho do ataque cresceu. As memórias também não enganam; vários jogos importantes da arrancada foram decididos pelo sérvio - como contra São Paulo, Palmeiras e Atlético-MG, três dos mais emblemáticos da campanha.
Quem acompanha o blog também deve lembrar que, ainda no ano passado, eu alertava para o prejuízo que o crescimento do ego do gringo podia trazer à equipe. Ainda em 2009, Pet começou a deixar de lado a humildade que trouxe os tempos de glória de volta e as atuações começaram a cair. Fiz o alerta e, este ano, fiz o apelo para que ele pensasse bem no que seria necessário para voltar a ter o espaço que conquistara com seu trabalho.
Também escrevi aqui, antes das competições começarem, que o Flamengo 2010 era pra mim uma incógnita, e um dos fatores para isso era a participação de Petkovic na temporada. Afinal, a regra nos últimos anos não era Pet jogando bem, e sim Pet jogando mal - e a verdade é que a passagem do tempo não está jogando a seu favor. Sua grande fase, na verdade, havia sido impressionante, mas curta. O declínio no final do Brasileiro já era visível. E, se Pet havia sido um fator transformador na equipe do Brasileiro, sua decadência poderia também ter grande impacto no rendimento do time.
Só resta rezar para que Deus coloque juízo na cabeça de todo mundo por lá e os faça prestarem atenção em seu trabalho. Amanhã tem jogo, e é decisivo - para a classificação do Flamengo na Libertadores e também para o emprego de muita gente por lá.
Quanto a Pet, que acabem com a palhaçada. Se é pra descartá-lo, que assumam isso. Se não, que deixem Andrade usá-lo da melhor maneira possível, sem restrições. E que os jogadores acabem com tantos melindres e simplesmente joguem bola. São muito bem pagos pra isso.
Trata-se de uma das situações mais ridículas que já vi. Afinal de contas, se os superiores de Andrade não querem mais que Petkovic jogue, por que não dão a ordem, pura e simples?
Ao que parece, a ideia - de uma covardia inacreditável - é tirar o corpo fora de uma decisão que poderia ser impopular com a torcida e deixar tudo nas costas do elo mais fraco: o treinador, aquele que é sempre demitido com mais facilidade. Se é isso mesmo, acham que estão enganando alguém, a esta altura?
Na boa, é patético.
Como eu escrevi após a derrota para o Botafogo: infelizmente, o que percebe-se é que estão pensando em tudo na Gávea - menos no que é melhor para o time.
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Quem acompanha o SobreFlamengo deve saber que considero a entrada de Petkovic um dos grandes motivos do título brasileiro do ano passado. Ter um grande meia de criação, um verdadeiro camisa 10, é algo transformador para qualquer equipe. Pet entrou, fez este papel e, junto com alguns outros fatores, transformou aquele Flamengo que patinava no meio da tabela em uma equipe campeã. Os números não mentem: com ele de titular, o time não perdeu no campeonato; com ele, o desempenho do ataque cresceu. As memórias também não enganam; vários jogos importantes da arrancada foram decididos pelo sérvio - como contra São Paulo, Palmeiras e Atlético-MG, três dos mais emblemáticos da campanha.
Quem acompanha o blog também deve lembrar que, ainda no ano passado, eu alertava para o prejuízo que o crescimento do ego do gringo podia trazer à equipe. Ainda em 2009, Pet começou a deixar de lado a humildade que trouxe os tempos de glória de volta e as atuações começaram a cair. Fiz o alerta e, este ano, fiz o apelo para que ele pensasse bem no que seria necessário para voltar a ter o espaço que conquistara com seu trabalho.
Também escrevi aqui, antes das competições começarem, que o Flamengo 2010 era pra mim uma incógnita, e um dos fatores para isso era a participação de Petkovic na temporada. Afinal, a regra nos últimos anos não era Pet jogando bem, e sim Pet jogando mal - e a verdade é que a passagem do tempo não está jogando a seu favor. Sua grande fase, na verdade, havia sido impressionante, mas curta. O declínio no final do Brasileiro já era visível. E, se Pet havia sido um fator transformador na equipe do Brasileiro, sua decadência poderia também ter grande impacto no rendimento do time.
* * * * * * * * * * *
O problema é que ninguém no Flamengo parece estar entendendo nada.
Pet não entende que, se não baixar a bola e trabalhar o máximo para chegar à melhor forma possível, não conseguirá mais atuar em alto nível. E se quer calar a boca de alguém, se quer ganhar na marra seu espaço, não há maneira melhor do que jogar a bola que jogou no ano passado. Sendo sincero, até acho que em suas últimas aparições no time ele teve uma atitude melhor em campo. Mas é isso: para ele, a solução tem que passar por trabalho duro.
Andrade parece não ter a noção do tamanho da importância de Petkovic para que o tipo de esquema que anda tentando implantar funcione. É possível fazer times vencedores sem o camisa 10 clássico, existem alguns por aí. Mas não dá para, quando se tem um, simplesmente tirá-lo de seu meio-campo e achar que ele continuará funcionando normalmente, no mesmo nível. Ou volta a colocar o cara (o que, pelo visto, pode estar lhe sendo vetado por forças superiores), ou arruma um substituto à altura, ou será preciso encontrar outra maneira de jogar.
O problema é que ninguém no Flamengo parece estar entendendo nada.
Pet não entende que, se não baixar a bola e trabalhar o máximo para chegar à melhor forma possível, não conseguirá mais atuar em alto nível. E se quer calar a boca de alguém, se quer ganhar na marra seu espaço, não há maneira melhor do que jogar a bola que jogou no ano passado. Sendo sincero, até acho que em suas últimas aparições no time ele teve uma atitude melhor em campo. Mas é isso: para ele, a solução tem que passar por trabalho duro.
Andrade parece não ter a noção do tamanho da importância de Petkovic para que o tipo de esquema que anda tentando implantar funcione. É possível fazer times vencedores sem o camisa 10 clássico, existem alguns por aí. Mas não dá para, quando se tem um, simplesmente tirá-lo de seu meio-campo e achar que ele continuará funcionando normalmente, no mesmo nível. Ou volta a colocar o cara (o que, pelo visto, pode estar lhe sendo vetado por forças superiores), ou arruma um substituto à altura, ou será preciso encontrar outra maneira de jogar.
Ao mesmo tempo, Marcos Braz, jogadores e até boa parte da imprensa parecem não entender que não é possível que os problemas que o time vem mostrando em campo sejam só porque "Pet rachou o grupo". De repente, falam como se mandar Petkovic embora fosse resolver tudo - e não me parece que seja por aí.
Afinal de contas, a tal "divisão do grupo", pelo que se lê, é na base do todos contra Pet. E a questão é que Petkovic não vem jogando muito tempo: quase não começou jogos como titular e, quando aconteceu, foi sempre substituído; e, quando entra durante os jogos, é nos minutos finais. Pois o time, sem ele em campo (o mais comum este ano) ou com ele lá, vem sempre jogando mal. Será possível que basta verem Petkovic sentado e calado no banco e os jogadores já sentem um desconforto incontrolável, que prejudica as suas atuações desta maneira?
O time vem jogando mal porque a) Pet não está bem, não estão fazendo esforço para que ele se recupere - e incluo nisso o próprio Pet - e Andrade não encontrou uma solução satisfatória sem ele; e b) porque ninguém lá está realmente focado no que deve ser feito para que o time jogue bem e vença. As questões de relacionamento com Petkovic me parecem mais sintomas do que causas dos verdadeiros problemas do Flamengo este ano.A impressão é que o sucesso subiu fez mal, o ego de todo mundo por lá cresceu além da conta e cada um está agindo com sua própria cabeça, olhando apenas para o próprio umbigo - e isso se reflete em brigas no vestiário, faltas em treinos, festas em dias e horários impróprios, programação de trabalho frouxa, declarações desastradas e muito, muito mais. O Flamengo chegou ao ponto de ter um capitão que bate em mulher e em velhinhos, vejam vocês.
Afinal de contas, a tal "divisão do grupo", pelo que se lê, é na base do todos contra Pet. E a questão é que Petkovic não vem jogando muito tempo: quase não começou jogos como titular e, quando aconteceu, foi sempre substituído; e, quando entra durante os jogos, é nos minutos finais. Pois o time, sem ele em campo (o mais comum este ano) ou com ele lá, vem sempre jogando mal. Será possível que basta verem Petkovic sentado e calado no banco e os jogadores já sentem um desconforto incontrolável, que prejudica as suas atuações desta maneira?
O time vem jogando mal porque a) Pet não está bem, não estão fazendo esforço para que ele se recupere - e incluo nisso o próprio Pet - e Andrade não encontrou uma solução satisfatória sem ele; e b) porque ninguém lá está realmente focado no que deve ser feito para que o time jogue bem e vença. As questões de relacionamento com Petkovic me parecem mais sintomas do que causas dos verdadeiros problemas do Flamengo este ano.A impressão é que o sucesso subiu fez mal, o ego de todo mundo por lá cresceu além da conta e cada um está agindo com sua própria cabeça, olhando apenas para o próprio umbigo - e isso se reflete em brigas no vestiário, faltas em treinos, festas em dias e horários impróprios, programação de trabalho frouxa, declarações desastradas e muito, muito mais. O Flamengo chegou ao ponto de ter um capitão que bate em mulher e em velhinhos, vejam vocês.
* * * * * * * * * * *
No meio disso tudo, lá está o antigo ídolo Andrade. Que teve muitos méritos em 2009, fez um belo trabalho e não venceu por acaso. Mas agora passa a impressão de estar perdido como cego em tiroteio, e não é pra menos. Todos à sua volta lhe criaram uma situação muito difícil pra qualquer um lidar. E isso deve estar influindo muito em sua dificuldade pra encontrar em campo as soluções que o time precisa.
As notícias dizem que Patrícia Amorim pediu pela manutenção do treinador e, ao mesmo tempo, por um choque de ordem - uma grande mudança no esquema permissivo de trabalho que vem Imperando (com trocadilho) este ano. Gostaria de ver isso acontecendo e funcionando. Mas tenho sérias dúvidas se é possível agora, com este treinador e com estes jogadores.
No meio disso tudo, lá está o antigo ídolo Andrade. Que teve muitos méritos em 2009, fez um belo trabalho e não venceu por acaso. Mas agora passa a impressão de estar perdido como cego em tiroteio, e não é pra menos. Todos à sua volta lhe criaram uma situação muito difícil pra qualquer um lidar. E isso deve estar influindo muito em sua dificuldade pra encontrar em campo as soluções que o time precisa.
As notícias dizem que Patrícia Amorim pediu pela manutenção do treinador e, ao mesmo tempo, por um choque de ordem - uma grande mudança no esquema permissivo de trabalho que vem Imperando (com trocadilho) este ano. Gostaria de ver isso acontecendo e funcionando. Mas tenho sérias dúvidas se é possível agora, com este treinador e com estes jogadores.
Só resta rezar para que Deus coloque juízo na cabeça de todo mundo por lá e os faça prestarem atenção em seu trabalho. Amanhã tem jogo, e é decisivo - para a classificação do Flamengo na Libertadores e também para o emprego de muita gente por lá.
Quanto a Pet, que acabem com a palhaçada. Se é pra descartá-lo, que assumam isso. Se não, que deixem Andrade usá-lo da melhor maneira possível, sem restrições. E que os jogadores acabem com tantos melindres e simplesmente joguem bola. São muito bem pagos pra isso.
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Estadual 2010 - Taça Rio - Final - Botafogo 2 x 1 Flamengo
Bem - se o time depois da derrota de quarta saiu-se com o discurso de que era hora de "colocar a cabeça na decisão de domingo", com certeza agora voltaremos ao "a Libertadores é o mais importante, temos mais um jogo pela frente". Infelizmente, independente de prioridades, o Flamengo este ano ainda não jogou futebol que convencesse em nenhuma de suas duas competições. E, hoje, encerrou sua participação em uma delas.
Andrade voltou a escalar o time no mesmo esquema que não deu certo nos últimos jogos. Sofreu um gol e mostrou que não estava satisfeito, ao mudar o time com 20 minutos do primeiro tempo, tirando um volante. Melhorou alguma coisa, mas não foi o suficiente.
E o Botafogo saiu vencedor, correndo muito, vibrando muito, jogando no seu limite. Mesmo no limite, ganhou graças a dois pênaltis ganhos de graça, cobrados por jogadores que devem ter lido o guia GloboEsporte Como Fazer Gol No Bruno - como o site mostrou, bastava cobrar no meio do gol. As únicas outras chances verdadeiras de gol que teve, no segundo tempo, foram graças a falhas grosseiras de Bruno.
Não que o Flamengo merecesse sorte melhor. Não mesmo. Conseguiu pressionar razoavelmente nos dois momentos em que esteve atrás do placar, mas sem jogar realmente bem - principalmente no primeiro tempo. No segundo, na base do coração e do abafa, com o Botafogo todo recuado, as chances até apareceram. Mas foi a vez do goleiro-herói aparecer do outro lado, inclusive pegando um pênalti de Adriano.
Adriano disse antes, em entrevista, que a responsabilidade de uma possível derrota deveria cair sobre seus ombros. Ele vai agora aguentar mesmo seu quinhão de responsabilidade - mas não deve ser sozinho. Muita gente vem brincando com o Flamengo neste início de ano, agindo com a cabeça em tudo, menos no que é melhor para o time e para o clube. E por isso Petkovic, o único no banco que poderia mudar em algo o andamento do jogo, só entrou quando faltavam 5 minutos para o seu final, vendo até Fierro entrar na sua frente pra tentar alguma coisa. Se é pra agir assim, que sejam honestos: o cara está fora, nem vai pro jogo, não precisa ninguém fazer papel de bobo. Não dá pra dizer que o resultado fosse ser diferente se ele tivesse entrado antes; mas foi só um sintoma de como as coisas estão confusas - pra ser gentil - na cabeça de todo mundo na Gávea.
Enfim: o importante é mesmo a Libertadores, e quarta tem jogo. Mas foram muitos episódios ao longo da semana - em campo e fora dele, culminando com a partida de hoje - que mostraram que há muito o que mudar.
O Botafogo campeão, com méritos, fica pra outro texto.
Andrade voltou a escalar o time no mesmo esquema que não deu certo nos últimos jogos. Sofreu um gol e mostrou que não estava satisfeito, ao mudar o time com 20 minutos do primeiro tempo, tirando um volante. Melhorou alguma coisa, mas não foi o suficiente.
E o Botafogo saiu vencedor, correndo muito, vibrando muito, jogando no seu limite. Mesmo no limite, ganhou graças a dois pênaltis ganhos de graça, cobrados por jogadores que devem ter lido o guia GloboEsporte Como Fazer Gol No Bruno - como o site mostrou, bastava cobrar no meio do gol. As únicas outras chances verdadeiras de gol que teve, no segundo tempo, foram graças a falhas grosseiras de Bruno.
Não que o Flamengo merecesse sorte melhor. Não mesmo. Conseguiu pressionar razoavelmente nos dois momentos em que esteve atrás do placar, mas sem jogar realmente bem - principalmente no primeiro tempo. No segundo, na base do coração e do abafa, com o Botafogo todo recuado, as chances até apareceram. Mas foi a vez do goleiro-herói aparecer do outro lado, inclusive pegando um pênalti de Adriano.
Adriano disse antes, em entrevista, que a responsabilidade de uma possível derrota deveria cair sobre seus ombros. Ele vai agora aguentar mesmo seu quinhão de responsabilidade - mas não deve ser sozinho. Muita gente vem brincando com o Flamengo neste início de ano, agindo com a cabeça em tudo, menos no que é melhor para o time e para o clube. E por isso Petkovic, o único no banco que poderia mudar em algo o andamento do jogo, só entrou quando faltavam 5 minutos para o seu final, vendo até Fierro entrar na sua frente pra tentar alguma coisa. Se é pra agir assim, que sejam honestos: o cara está fora, nem vai pro jogo, não precisa ninguém fazer papel de bobo. Não dá pra dizer que o resultado fosse ser diferente se ele tivesse entrado antes; mas foi só um sintoma de como as coisas estão confusas - pra ser gentil - na cabeça de todo mundo na Gávea.
Enfim: o importante é mesmo a Libertadores, e quarta tem jogo. Mas foram muitos episódios ao longo da semana - em campo e fora dele, culminando com a partida de hoje - que mostraram que há muito o que mudar.
O Botafogo campeão, com méritos, fica pra outro texto.
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jogos
Onde Patrícia não avançou*
* Texto da coluna semanal para o FlamengoNet
Andei escrevendo no SobreFlamengo sobre alguns movimentos da administração Patrícia Amorim para começar a cumprir promessas de campanha. É o caso do fortalecimento dos esportes olímpicos, da recuperação da sede social, de dar mais benefícios para os sócios. Mas há uma grande promessa de Patrícia para a qual, até agora, não houve movimento: a profissionalização da administração do clube.
Patrícia prometeu que cada setor do clube seria administrado por um profissional da área, remunerado, com metas a cumprir. E isso incluiria o futebol. No entanto, Marcos Braz havia sido bem sucedido em 2009, parece que houve uma dificuldade inicial para encontrar um nome que agradasse a todos para ocupar o tal cargo remunerado e, bem, ficou tudo como está.
Não sou dos que demonizam o atual vice de futebol; acho que ele tem erros e acertos. Mas é uma questão do princípio da coisa. Afinal, o futebol do Flamengo é um negócio que movimenta cifras na casa da centena de milhões de reais por ano, inserido num mercado bilionário que cresce a cada ano e atrai cada vez mais gente grande. Todos aqueles que negociam com o clube em nome das demais partes envolvidas - atletas, empresários, patrocinadores, TV - são profissionais, que se dedicam a isso para ganharem a vida. Enquanto isso, o Flamengo continua tocado por voluntários, que trabalham na base da boa vontade. É razoável?
Esta questão me vem à cabeça quando tento pensar em quem diabos deveria dar um jeito para que não tenhamos mais que ver, ouvir e ler o tipo de notícia que vem surgindo sobre o Flamengo, semana após semana após semana.
* * * * * * * * * * *
Domingo tem decisão. Quarta-feira, outra. Se o Flamengo não vencer ambas, estará eliminado das duas competições que disputa no primeiro semestre. E a verdade é que, com o que o time está jogando, não dá pra ter segurança de que vá se sair bem em nenhuma delas. Se mantiver o seu nível de atuações da temporada, pode perder, empatar ou ganhar, sem grandes surpresas. O que não é razoável, se analisarmos os nomes e a folha de pagamentos do Flamengo e de seus próximos dois adversários.
É trabalho de Andrade encontrar um jeito, em meio a tantas turbulências, para fazer o time jogar futebol de verdade. Não me parece que as tentativas dos últimos dois jogos tenham sido bem sucedidas, o que até já era previsível só de ler as escalações. É senso comum que um time com três volantes como Maldonado, Willians e Toró provavelmente terá problemas pra sair tocando da defesa e pra manter a posse de bola. Não deu outra.
Pra melhorar um tantinho a situação dentro deste esquema, seria necessário que o único meia de criação em campo tivesse uma atuação maravilhosa. Ficou longe de ser o caso de Michael no domingo passado; Petkovic, na quarta, até foi um tanto melhor, a partir do momento em que o time ao menos conseguiu passar do meio-campo.
Todos sabem que o sérvio não jogou este ano nem perto do que em 2009; todos sabem também que, apesar disso, o seu potencial para resolver o problema de criação do meio-campo é muito, mas muito maior do que o dos outros concorrentes à vaga. Porém, depois de tudo o que já se leu sobre o que houve no vestiário lá no Chile (algo que, ao menos, livra um tanto a cara de Andrade pela substituição de Petkovic, que parecia totalmente sem sentido), parece ter chegado a hora de jogar a toalha e esquecer as esperanças quanto a seu futuro neste time. Devo dizer, de qualquer forma, que não tenho qualquer esperança que a equipe comece a funcionar bem de uma hora pra outra se este esquema for mantido, por mais que se troque o nome do coitado que terá a missão de fazer milagre sozinho na criação de jogadas neste meio-campo.
Fica a torcida para que Andrade tenha um momento de iluminação. Que seja sábio para escolher a melhor maneira do time funcionar em campo e corajoso para acabar com a palhaçada fora dele - já que, pelo que leio, seus superiores estão colocando este trabalho totalmente em suas mãos. Espero que, ao menos, com total respaldo para que decida o que achar melhor.
E ainda não sei bem o que realmente aconteceu. Mas torço para que o Flamengo não seja o tipo de clube em que um jogador possa, sem justificativa razoável, empurrar e socar um companheiro de equipe no vestiário sem que nada lhe aconteça. E ainda por cima usando a braçadeira de capitão.
* * * * * * * * * * *
Fora todos os problemas extracampo, que obviamente pesam e muito, devemos analisar de forma simples o porquê da queda de rendimento do time em relação à grande fase de 2009: em relação àquela equipe, o Flamengo basicamente perdeu Aírton, Éverton, Zé Roberto, Petkovic e Adriano - meio time, incluindo aí seus principais jogadores para criar jogadas e fazer gols. E nem Andrade, nem o clube como um todo, encontraram uma maneira de contornar isso.
* * * * * * * * * * *
Encerro com este belo diálogo que acompanhei hoje via Twitter. Sim, é possível rir deste tipo de situação:
oclebermachado Ih, rapaz...o Bruno bateu no Pet? Que loucura! Ele bate em mulher e em companheiro de time? E pode, Arnaldo?
oclebermachado Vamos supor que eu sou o Bruno e o Galvão é o Pet. Se eu bater no Galvão, ele deixaria de ser escalado para narrar F1?
alextriplex @oclebermachado Se vc bater no galvão, vai virar herói nacional, isso sim.
Andei escrevendo no SobreFlamengo sobre alguns movimentos da administração Patrícia Amorim para começar a cumprir promessas de campanha. É o caso do fortalecimento dos esportes olímpicos, da recuperação da sede social, de dar mais benefícios para os sócios. Mas há uma grande promessa de Patrícia para a qual, até agora, não houve movimento: a profissionalização da administração do clube.
Patrícia prometeu que cada setor do clube seria administrado por um profissional da área, remunerado, com metas a cumprir. E isso incluiria o futebol. No entanto, Marcos Braz havia sido bem sucedido em 2009, parece que houve uma dificuldade inicial para encontrar um nome que agradasse a todos para ocupar o tal cargo remunerado e, bem, ficou tudo como está.
Não sou dos que demonizam o atual vice de futebol; acho que ele tem erros e acertos. Mas é uma questão do princípio da coisa. Afinal, o futebol do Flamengo é um negócio que movimenta cifras na casa da centena de milhões de reais por ano, inserido num mercado bilionário que cresce a cada ano e atrai cada vez mais gente grande. Todos aqueles que negociam com o clube em nome das demais partes envolvidas - atletas, empresários, patrocinadores, TV - são profissionais, que se dedicam a isso para ganharem a vida. Enquanto isso, o Flamengo continua tocado por voluntários, que trabalham na base da boa vontade. É razoável?
Esta questão me vem à cabeça quando tento pensar em quem diabos deveria dar um jeito para que não tenhamos mais que ver, ouvir e ler o tipo de notícia que vem surgindo sobre o Flamengo, semana após semana após semana.
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Domingo tem decisão. Quarta-feira, outra. Se o Flamengo não vencer ambas, estará eliminado das duas competições que disputa no primeiro semestre. E a verdade é que, com o que o time está jogando, não dá pra ter segurança de que vá se sair bem em nenhuma delas. Se mantiver o seu nível de atuações da temporada, pode perder, empatar ou ganhar, sem grandes surpresas. O que não é razoável, se analisarmos os nomes e a folha de pagamentos do Flamengo e de seus próximos dois adversários.
É trabalho de Andrade encontrar um jeito, em meio a tantas turbulências, para fazer o time jogar futebol de verdade. Não me parece que as tentativas dos últimos dois jogos tenham sido bem sucedidas, o que até já era previsível só de ler as escalações. É senso comum que um time com três volantes como Maldonado, Willians e Toró provavelmente terá problemas pra sair tocando da defesa e pra manter a posse de bola. Não deu outra.
Pra melhorar um tantinho a situação dentro deste esquema, seria necessário que o único meia de criação em campo tivesse uma atuação maravilhosa. Ficou longe de ser o caso de Michael no domingo passado; Petkovic, na quarta, até foi um tanto melhor, a partir do momento em que o time ao menos conseguiu passar do meio-campo.
Todos sabem que o sérvio não jogou este ano nem perto do que em 2009; todos sabem também que, apesar disso, o seu potencial para resolver o problema de criação do meio-campo é muito, mas muito maior do que o dos outros concorrentes à vaga. Porém, depois de tudo o que já se leu sobre o que houve no vestiário lá no Chile (algo que, ao menos, livra um tanto a cara de Andrade pela substituição de Petkovic, que parecia totalmente sem sentido), parece ter chegado a hora de jogar a toalha e esquecer as esperanças quanto a seu futuro neste time. Devo dizer, de qualquer forma, que não tenho qualquer esperança que a equipe comece a funcionar bem de uma hora pra outra se este esquema for mantido, por mais que se troque o nome do coitado que terá a missão de fazer milagre sozinho na criação de jogadas neste meio-campo.
Fica a torcida para que Andrade tenha um momento de iluminação. Que seja sábio para escolher a melhor maneira do time funcionar em campo e corajoso para acabar com a palhaçada fora dele - já que, pelo que leio, seus superiores estão colocando este trabalho totalmente em suas mãos. Espero que, ao menos, com total respaldo para que decida o que achar melhor.
E ainda não sei bem o que realmente aconteceu. Mas torço para que o Flamengo não seja o tipo de clube em que um jogador possa, sem justificativa razoável, empurrar e socar um companheiro de equipe no vestiário sem que nada lhe aconteça. E ainda por cima usando a braçadeira de capitão.
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Fora todos os problemas extracampo, que obviamente pesam e muito, devemos analisar de forma simples o porquê da queda de rendimento do time em relação à grande fase de 2009: em relação àquela equipe, o Flamengo basicamente perdeu Aírton, Éverton, Zé Roberto, Petkovic e Adriano - meio time, incluindo aí seus principais jogadores para criar jogadas e fazer gols. E nem Andrade, nem o clube como um todo, encontraram uma maneira de contornar isso.
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Encerro com este belo diálogo que acompanhei hoje via Twitter. Sim, é possível rir deste tipo de situação:
oclebermachado Ih, rapaz...o Bruno bateu no Pet? Que loucura! Ele bate em mulher e em companheiro de time? E pode, Arnaldo?
oclebermachado Vamos supor que eu sou o Bruno e o Galvão é o Pet. Se eu bater no Galvão, ele deixaria de ser escalado para narrar F1?
alextriplex @oclebermachado Se vc bater no galvão, vai virar herói nacional, isso sim.
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Meu personagem da semana: Adriano*
* Texto da coluna da semana para o FlamengoRJ
Véspera de Flamengo x Vasco, semifinal da Taça Rio. Adriano treina, sente algumas dores. Diz que não está 100%, "mas a hora é de sacrifício, o time precisa de mim". Ele quer ir pro jogo de qualquer maneira.
Segunda-feira, faltam dias para Universidad Católica x Flamengo, jogo decisivo pela Libertadores. Adriano treina normalmente e os médicos afirmam que ele está recuperado clinicamente. Porém, se diz sem confiança e pede para não jogar.
A diferença de comportamento entre os dois jogos - um perto de casa, pela competição regional; outro longe, pelo torneio mais importante da temporada - parece gritante. O que diabos está acontecendo? Estaria Adriano valorizando mais os jogos em seu quintal, contra os adversários locais, do que a tão sonhada Libertadores? E estariam os chefes do futebol rubro-negro permitindo que isso aconteça? Se é isso mesmo o que está acontecendo, os dirigentes então concordam com isso? O tetra carioca vale mais do que o título sul-americano?
São perguntas inevitáveis. A irritação de boa parte da torcida é indisfarçável. Todo o carinho pelo Imperador demonstrado por muita gente em seus recentes momentos de dificuldade é posto à prova diante da suspeita de que, afinal de contas, Adriano está pipocando na Libertadores, tirando o corpo fora, para se poupar pro jogo de domingo contra o Botafogo.
Pode ser que não seja nada disso. Afinal, sendo justo, Adriano disse que queria jogar contra o Vasco, mas não jogou. Ele pode ter sentido a contusão naquele meio tempo e isso tenha realmente afetado gravemente sua autoconfiança. É. Pode ser.
Mas hoje um jornal popular do Rio de Janeiro foi visto pendurado nas bancas da cidade perguntando em sua primeira página: "Pipocou?" E é esta a pergunta que não quer calar. Se não é isso o que está acontecendo, se as aparências estão enganando, se ninguém por lá está arriscando o futuro na Libertadores pra se garantir melhor num Estadual que levou meros 40 mil pagantes ao Maracanã em dois clássicos somados no último fim de semana, seria de bom tom se não só Adriano, mas também seus chefes viessem a público e esclarecessem a situação. Afinal, só quem falou da ausência do principal jogador do time do jogo mais importante do ano até agora foi um médico, que deixou claro que o cara está bem e pediu pra não jogar. Do jogador, do vice de futebol, da presidente, do supervisor - destes todos, nem uma palavra.
E hoje Adriano esteve na Gávea, treinando normalmente e "arriscando jogadas de efeito". Na boa: tá pegando malzão.
Véspera de Flamengo x Vasco, semifinal da Taça Rio. Adriano treina, sente algumas dores. Diz que não está 100%, "mas a hora é de sacrifício, o time precisa de mim". Ele quer ir pro jogo de qualquer maneira.
Segunda-feira, faltam dias para Universidad Católica x Flamengo, jogo decisivo pela Libertadores. Adriano treina normalmente e os médicos afirmam que ele está recuperado clinicamente. Porém, se diz sem confiança e pede para não jogar.
A diferença de comportamento entre os dois jogos - um perto de casa, pela competição regional; outro longe, pelo torneio mais importante da temporada - parece gritante. O que diabos está acontecendo? Estaria Adriano valorizando mais os jogos em seu quintal, contra os adversários locais, do que a tão sonhada Libertadores? E estariam os chefes do futebol rubro-negro permitindo que isso aconteça? Se é isso mesmo o que está acontecendo, os dirigentes então concordam com isso? O tetra carioca vale mais do que o título sul-americano?
São perguntas inevitáveis. A irritação de boa parte da torcida é indisfarçável. Todo o carinho pelo Imperador demonstrado por muita gente em seus recentes momentos de dificuldade é posto à prova diante da suspeita de que, afinal de contas, Adriano está pipocando na Libertadores, tirando o corpo fora, para se poupar pro jogo de domingo contra o Botafogo.
Pode ser que não seja nada disso. Afinal, sendo justo, Adriano disse que queria jogar contra o Vasco, mas não jogou. Ele pode ter sentido a contusão naquele meio tempo e isso tenha realmente afetado gravemente sua autoconfiança. É. Pode ser.
Mas hoje um jornal popular do Rio de Janeiro foi visto pendurado nas bancas da cidade perguntando em sua primeira página: "Pipocou?" E é esta a pergunta que não quer calar. Se não é isso o que está acontecendo, se as aparências estão enganando, se ninguém por lá está arriscando o futuro na Libertadores pra se garantir melhor num Estadual que levou meros 40 mil pagantes ao Maracanã em dois clássicos somados no último fim de semana, seria de bom tom se não só Adriano, mas também seus chefes viessem a público e esclarecessem a situação. Afinal, só quem falou da ausência do principal jogador do time do jogo mais importante do ano até agora foi um médico, que deixou claro que o cara está bem e pediu pra não jogar. Do jogador, do vice de futebol, da presidente, do supervisor - destes todos, nem uma palavra.
E hoje Adriano esteve na Gávea, treinando normalmente e "arriscando jogadas de efeito". Na boa: tá pegando malzão.
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O melhor Flamengo?
Acabo de ler no site oficial do Flamengo uma matéria em que Andrade afirma que o time que entrou em campo ontem é o que ele imaginava como o ideal - tirando Mezenga e colocando Adriano, claro. Segundo ele, esta formação não jogou antes pois ele não poderia testá-lo sem ter Maldonado de volta e em boas condições. Enfim: o time é este aí.
Andrade não é bobo, entende de futebol e não deve ser cego. Ele sabe que o time jogou mal ontem - muito mal. Se ainda acredita que aquela equipe é a ideal, deve estar vendo algo nos poucos treinos do time que a gente ainda não enxergou e lhe garante o potencial desta formação.
Já eu, que só observo de fora, não vivo o dia-a-dia dos jogadores nem vejo todos os treinos, fico aqui achando que, se esta escalação se repetir muitas vezes, veremos muitas vezes o Flamengo fazendo jogos ruins. Talvez até ganhando, na base de muita marcação e gols achados em lances isolados. Mas nunca mostrando o futebol que muitos imaginariam no início da temporada.
E continuo com a impressão de que o treinador rubro-negro, infelizmente, anda um tanto perdidão.
* * * * * * * * * *
Ano passado, festejei quando Andrade desistiu do esquema de três zagueiros que já persistia por anos. E acredito mesmo que aquela alteração foi um dos fatores que levou o time ao título brasileiro.
Porém, as coisas mudam. Hoje vemos no Flamengo:
- Problemas da defesa com as bolas altas. A zaga não é alta e perdeu a ajuda de Aírton, que tinha boa estatura.
- Zagueiros de certa idade, que já demonstram problemas para acompanhar os adversários que apelam para a velocidade.
- Uma dificuldade imensa em encontrar um meia de criação. O rendimento de Petkovic já era duvidoso no início do ano (afinal, ele já vinha mal no fim de 2009 e, no duro, sua boa fase foi um espasmo em meio a anos de atuações ruins) e agora, depois de todas as confusões em torno de sua figura e de várias apresentações nada convincentes, é mais ainda - e Andrade nem anda mesmo muito a fim de tentar recuperá-lo. Vinícius Pacheco não é o cara para ocupar seu lugar, não tem futebol nem características pra isso; Kléberson não tem mesmo jeitão pra ser O meia do time e vem numa fase esquisitaça; Ramon jogou pouco, só contra equipes fracas e também não brilhou; Michael é a bola da vez, esteve bem em seus dois primeiros jogos, mas é um cara que nunca se firmou em lugar nenhum, ano passado se estressava no banco do Botafogo e contra o Vasco foi muito mal mesmo. Fierro também não é o cara, Camacho é um garoto que mal foi testado, enfim: as opções estão acabando.
- O melhor jogador do time na temporada é Léo Moura. Adriano faz seus gols, Love também mantém uma média elogiável, mas o cara que tem criado as melhores jogadas do time em seus piores momentos é o seu lateral direito.
E, neste pacote de mudanças, incluiria a barração de Juan. Como disse Andrade, ninguém pode jogar só no nome. E tem muito tempo que Juan faz pouco em campo além de tentar cavar faltas toda vez em que pega na bola e errar todos os seus cruzamentos.
Bruno, Fabrício, Álvaro e Angelim; Léo Moura, Maldonado, Willians (Fierro), Kléberson e Michael; Vagner Love e Adriano. Hoje, eu ficaria dividido entre escalar este time e insistir em buscar a recuperação de Petkovic - que me parece a única maneira do time funcionar sem mudar radicalmente a maneira de jogar, o que na verdade seria mais desejável. Mas como agora chegou um momento em que está complicado esperar pelo gringo e os resultados começam a ficar realmente importantes...
Andrade não é bobo, entende de futebol e não deve ser cego. Ele sabe que o time jogou mal ontem - muito mal. Se ainda acredita que aquela equipe é a ideal, deve estar vendo algo nos poucos treinos do time que a gente ainda não enxergou e lhe garante o potencial desta formação.
Já eu, que só observo de fora, não vivo o dia-a-dia dos jogadores nem vejo todos os treinos, fico aqui achando que, se esta escalação se repetir muitas vezes, veremos muitas vezes o Flamengo fazendo jogos ruins. Talvez até ganhando, na base de muita marcação e gols achados em lances isolados. Mas nunca mostrando o futebol que muitos imaginariam no início da temporada.
E continuo com a impressão de que o treinador rubro-negro, infelizmente, anda um tanto perdidão.
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Ano passado, festejei quando Andrade desistiu do esquema de três zagueiros que já persistia por anos. E acredito mesmo que aquela alteração foi um dos fatores que levou o time ao título brasileiro.
Porém, as coisas mudam. Hoje vemos no Flamengo:
- Problemas da defesa com as bolas altas. A zaga não é alta e perdeu a ajuda de Aírton, que tinha boa estatura.
- Zagueiros de certa idade, que já demonstram problemas para acompanhar os adversários que apelam para a velocidade.
- Uma dificuldade imensa em encontrar um meia de criação. O rendimento de Petkovic já era duvidoso no início do ano (afinal, ele já vinha mal no fim de 2009 e, no duro, sua boa fase foi um espasmo em meio a anos de atuações ruins) e agora, depois de todas as confusões em torno de sua figura e de várias apresentações nada convincentes, é mais ainda - e Andrade nem anda mesmo muito a fim de tentar recuperá-lo. Vinícius Pacheco não é o cara para ocupar seu lugar, não tem futebol nem características pra isso; Kléberson não tem mesmo jeitão pra ser O meia do time e vem numa fase esquisitaça; Ramon jogou pouco, só contra equipes fracas e também não brilhou; Michael é a bola da vez, esteve bem em seus dois primeiros jogos, mas é um cara que nunca se firmou em lugar nenhum, ano passado se estressava no banco do Botafogo e contra o Vasco foi muito mal mesmo. Fierro também não é o cara, Camacho é um garoto que mal foi testado, enfim: as opções estão acabando.
- O melhor jogador do time na temporada é Léo Moura. Adriano faz seus gols, Love também mantém uma média elogiável, mas o cara que tem criado as melhores jogadas do time em seus piores momentos é o seu lateral direito.
É difícil pra mim chegar a esta conclusão, já que este esquema realmente cansou de tanto que foi usado nos últimos anos, e em boa parte do tempo sem empolgar ninguém. Mas hoje, eu colocaria Fabrício (embora ele ainda não me convença muito) como um terceiro zagueiro, para aumentar a altura da defesa e dar a Álvaro e Angelim uma sobra que os ajude a combater jogadas de velocidade; e soltaria os alas para o apoio, para que o time tenha sempre alguma maneira de criar suas jogadas.
E, neste pacote de mudanças, incluiria a barração de Juan. Como disse Andrade, ninguém pode jogar só no nome. E tem muito tempo que Juan faz pouco em campo além de tentar cavar faltas toda vez em que pega na bola e errar todos os seus cruzamentos.
Bruno, Fabrício, Álvaro e Angelim; Léo Moura, Maldonado, Willians (Fierro), Kléberson e Michael; Vagner Love e Adriano. Hoje, eu ficaria dividido entre escalar este time e insistir em buscar a recuperação de Petkovic - que me parece a única maneira do time funcionar sem mudar radicalmente a maneira de jogar, o que na verdade seria mais desejável. Mas como agora chegou um momento em que está complicado esperar pelo gringo e os resultados começam a ficar realmente importantes...
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Estadual 2010 - Taça Rio - Semifinal - Flamengo 2 x 1 Vasco
Um jogo em que o que valeu foi o resultado. Depois do tropeço na Libertadores, a eliminação hoje do Estadual instalaria uma crise pesada na Gávea. Então, foi mesmo importante a vitória - mesmo com o time novamente jogando mal, em um jogo bem ruim.
Só pela escalação que Andrade escolheu - o meio-campo com três volantes e apenas Michael na criação - já dava pra imaginar que o time criaria pouco. Mas, no primeiro tempo, foi pior ainda do que se podia esperar. Os volantes marcaram muito atrás, Toró e Willians perdiam muitas bolas na hora de sair jogando e Michael, que deveria ser o solitário responsável pela criação, errou todas as jogadas que tentou. Já o Vasco adiantou seus bons volantes para marcar no campo do Flamengo, roubou muitas bolas e, com isso, teve o dobro da posse de bola de seu adversário.
Mas criou muito pouco. Em parte porque o paredão de volantes rubro-negros realmente trancou a entrada da área; em parte por deficiência de seu time na hora do último passe, com uma atuação ruim de Philippe Coutinho e Dodô simplesmente desaparecido. Com isso, foi o Flamengo que criou as três boas chances do jogo com a bola rolando: uma em uma bola perdida pelo Vasco na sua defesa e as outras em passes que a gente não costuma esperar de Bruno Mezenga, aproveitando a defesa adversária em linha para colocar Vagner Love na cara do gol duas vezes seguidas - e em uma delas, saiu o gol do Flamengo. O Vasco continuou pressionando, mas só conseguiu fazer seu gol em um escanteio, sem ter criado nenhuma outra jogada perigosa.
No segundo tempo, a situação melhorou um pouquinho para o Flamengo por ter adiantado um tantinho a marcação e pela subida de produção de Willians e Léo Moura, que conseguiam ser uma válvula de escape para o time. Mas o jogo seguiu ruim, com o Vasco tendo mais a bola, mas sem conseguir criar (tirando uma grande oportunidade de Philippe Coutinho, que chutou na trave) e o Flamengo sem conseguir encaixar qualquer ataque. Mesmo a entrada de Petkovic no lugar de Michael não melhorou a situação, pois o gringo participou pouquíssimo do jogo.
Mas a vitória veio graças a um pênalti meio discutível e bastante besta em cima de Léo Moura, num lance em que ia em direção à linha de fundo. O juiz seguiu com algumas decisões contestáveis, como a expulsão de Juan em sua segunda falta (embora eu até ache que era falta pra cartão mesmo, um carrinho de frente totalmente desnecessário) e o pênalti bem claro de Willians, que colocou a mão na bola dentro da área, que ele não marcou. Fora isso, não houve outros lances de emoção.
O Vasco sai do Estadual mostrando um time que tem basicamente como única qualidade o trabalho de seus bons volantes - Rafael Carioca, Nílton, Léo Gago e Souza são todos bons jogadores, mas não são meias de criação. E assim o time tem problemas para criar jogadas de ataque e ainda sofre com uma zaga ruim, laterais que erram demais e uma esperança tola de que Dodô possa resolver alguma coisa.
Já o Flamengo segue jogando mal na temporada, sem encontrar uma maneira de atuar, sem saber qual seu time titular e precisando contar sempre com lances isolados para resolver as partidas. Eu, por exemplo, não apostaria que Andrade vá repetir esta escalação na quarta-feira, contra o Universidad Católica - e não falo só na entrada de Adriano. Sem tempo pra treinar até lá, ele deve continuar em sua rotina de tentativa-e-erro pra ver se uma hora o time se acerta, sabe-se lá como.
Só pela escalação que Andrade escolheu - o meio-campo com três volantes e apenas Michael na criação - já dava pra imaginar que o time criaria pouco. Mas, no primeiro tempo, foi pior ainda do que se podia esperar. Os volantes marcaram muito atrás, Toró e Willians perdiam muitas bolas na hora de sair jogando e Michael, que deveria ser o solitário responsável pela criação, errou todas as jogadas que tentou. Já o Vasco adiantou seus bons volantes para marcar no campo do Flamengo, roubou muitas bolas e, com isso, teve o dobro da posse de bola de seu adversário.
Mas criou muito pouco. Em parte porque o paredão de volantes rubro-negros realmente trancou a entrada da área; em parte por deficiência de seu time na hora do último passe, com uma atuação ruim de Philippe Coutinho e Dodô simplesmente desaparecido. Com isso, foi o Flamengo que criou as três boas chances do jogo com a bola rolando: uma em uma bola perdida pelo Vasco na sua defesa e as outras em passes que a gente não costuma esperar de Bruno Mezenga, aproveitando a defesa adversária em linha para colocar Vagner Love na cara do gol duas vezes seguidas - e em uma delas, saiu o gol do Flamengo. O Vasco continuou pressionando, mas só conseguiu fazer seu gol em um escanteio, sem ter criado nenhuma outra jogada perigosa.
No segundo tempo, a situação melhorou um pouquinho para o Flamengo por ter adiantado um tantinho a marcação e pela subida de produção de Willians e Léo Moura, que conseguiam ser uma válvula de escape para o time. Mas o jogo seguiu ruim, com o Vasco tendo mais a bola, mas sem conseguir criar (tirando uma grande oportunidade de Philippe Coutinho, que chutou na trave) e o Flamengo sem conseguir encaixar qualquer ataque. Mesmo a entrada de Petkovic no lugar de Michael não melhorou a situação, pois o gringo participou pouquíssimo do jogo.
Mas a vitória veio graças a um pênalti meio discutível e bastante besta em cima de Léo Moura, num lance em que ia em direção à linha de fundo. O juiz seguiu com algumas decisões contestáveis, como a expulsão de Juan em sua segunda falta (embora eu até ache que era falta pra cartão mesmo, um carrinho de frente totalmente desnecessário) e o pênalti bem claro de Willians, que colocou a mão na bola dentro da área, que ele não marcou. Fora isso, não houve outros lances de emoção.
O Vasco sai do Estadual mostrando um time que tem basicamente como única qualidade o trabalho de seus bons volantes - Rafael Carioca, Nílton, Léo Gago e Souza são todos bons jogadores, mas não são meias de criação. E assim o time tem problemas para criar jogadas de ataque e ainda sofre com uma zaga ruim, laterais que erram demais e uma esperança tola de que Dodô possa resolver alguma coisa.
Já o Flamengo segue jogando mal na temporada, sem encontrar uma maneira de atuar, sem saber qual seu time titular e precisando contar sempre com lances isolados para resolver as partidas. Eu, por exemplo, não apostaria que Andrade vá repetir esta escalação na quarta-feira, contra o Universidad Católica - e não falo só na entrada de Adriano. Sem tempo pra treinar até lá, ele deve continuar em sua rotina de tentativa-e-erro pra ver se uma hora o time se acerta, sabe-se lá como.
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O time para o jogo de domingo*
* Texto da coluna semanal no FlamengoNet
Ao fim de meu texto sobre o lamentável jogo de ontem pela Libertadores, escrevi que "dane-se o Vasco no domingo". No Twitter, cheguei a lançar uma campanha mais radical do que eu mesmo penso, a #FlamengoReservaContraOVasco. Isso quer dizer que o jogo de domingo é totalmente desimportante?
Não. Flamengo x Vasco, valendo vaga numa final de Taça Rio, é claro que não é desimportante. É claro que todo mundo quer que o Flamengo ganhe. É claro que uma derrota pode aumentar e muito a pressão sobre os jogadores e o técnico. Mas coloquemos as coisas em perspectiva: qual será a repercussão, em todos os sentidos, de uma eliminação na primeira fase da Libertadores? Pois se o Flamengo não conseguir um bom resultado na quarta-feira, quando joga contra o Universidad Católica na casa do adversário, a possibilidade de isto acontecer será bem grande.
Assim sendo, este clássico contra o Vasco, decisivo, importante, cheio de rivalidade, deve ser antes visto como uma etapa na preparação para o que realmente importa - a partida de quarta-feira. Sendo eu Andrade, pensaria menos no que é melhor para ganhar do Vasco, mais no que será melhor para ganhar no Chile.
Isso quer dizer lançar um time reserva? Talvez não. Eu até aplaudiria se uma decisão radical como esta fosse tomada - imaginem os reservas jogando no Maracanã e os titulares, ao mesmo tempo, fazendo treino tático no Ninho do Urubu. Serviria para dar o recado bem claro a todos, dentro e fora do clube, sobre qual é a prioridade.
Porém, tenho a impressão forte de que Andrade está um tanto perdido e não sabe bem como quer que o time jogue. Já se passaram alguns meses, e ele simplesmente não conseguiu ainda visualizar uma maneira da equipe se comportar em campo. Saíram Aírton, Éverton e Zé Roberto, veio Vagner Love, o esquema teve que mudar, todo este caso foi criado em torno de Petkovic e ele simplesmente não soube como rearrumar suas peças. E aproveitou mal o tempo que teve para isso, se importando demais com resultados imediatos em jogos em que o placar importava muito pouco. Mas paciência, agora não adianta chorar sobre o leite derramado.
Sendo assim, esta partida contra o Vasco pode servir para Andrade conseguir testar em campo, contra um adversário alguns furos acima dos Boavistas e Friburguenses que o time enfrentou na maior parte do ano, a solução que julgar ideal para o jogo de quarta-feira. Afinal, está claro pra todo mundo - creio que até pra ele - que o time não encontrou ainda seu caminho. E neste momento, a minha impressão é que se este caminho for encontrado, será na base da tentativa-e-erro. Então, a decisão de ir a campo com o que há de melhor pode até ser proveitosa - desde que seja feita sem que se perca o foco no que realmente importa.
Por exemplo: é seguro colocar Adriano em campo domingo? Não o examinei, nem sou médico. Não sei qual o risco de piorar suas condições físicas colocando-o em campo no fim de semana. Mas espero que isso esteja sendo muito considerado na hora de resolver se o Imperador joga ou não contra o Vasco - não é hora dele fazer sacrifício nenhum que vá prejudicar seu desempenho três dias depois. E mais: se for pra ele não jogar, a solução óbvia é colocar Mezenga em campo, o reserva que tem características mais parecidas com as do titular e que poderá ajudar o time a encontrar uma maneira de jogar que vá ser aproveitada na quarta-feira.
No mais, palpites sobre o time: como todos, não entendo mais a permanência de Maldonado no banco, especialmente com Toró (que entre muitas falhas em todos estes jogos, a maioria por não saber se colocar em campo, dormiu no gol de empate do Universidad de Chile ontem) tendo lugar cativo como titular. E espero que a escalação especulada pelo Globoesporte.com, com Maldonado, Toró e Willians no mesmo meio-campo, não se confirme. Haja parreirice.
Ao fim de meu texto sobre o lamentável jogo de ontem pela Libertadores, escrevi que "dane-se o Vasco no domingo". No Twitter, cheguei a lançar uma campanha mais radical do que eu mesmo penso, a #FlamengoReservaContraOVasco. Isso quer dizer que o jogo de domingo é totalmente desimportante?
Não. Flamengo x Vasco, valendo vaga numa final de Taça Rio, é claro que não é desimportante. É claro que todo mundo quer que o Flamengo ganhe. É claro que uma derrota pode aumentar e muito a pressão sobre os jogadores e o técnico. Mas coloquemos as coisas em perspectiva: qual será a repercussão, em todos os sentidos, de uma eliminação na primeira fase da Libertadores? Pois se o Flamengo não conseguir um bom resultado na quarta-feira, quando joga contra o Universidad Católica na casa do adversário, a possibilidade de isto acontecer será bem grande.
Assim sendo, este clássico contra o Vasco, decisivo, importante, cheio de rivalidade, deve ser antes visto como uma etapa na preparação para o que realmente importa - a partida de quarta-feira. Sendo eu Andrade, pensaria menos no que é melhor para ganhar do Vasco, mais no que será melhor para ganhar no Chile.
Isso quer dizer lançar um time reserva? Talvez não. Eu até aplaudiria se uma decisão radical como esta fosse tomada - imaginem os reservas jogando no Maracanã e os titulares, ao mesmo tempo, fazendo treino tático no Ninho do Urubu. Serviria para dar o recado bem claro a todos, dentro e fora do clube, sobre qual é a prioridade.
Porém, tenho a impressão forte de que Andrade está um tanto perdido e não sabe bem como quer que o time jogue. Já se passaram alguns meses, e ele simplesmente não conseguiu ainda visualizar uma maneira da equipe se comportar em campo. Saíram Aírton, Éverton e Zé Roberto, veio Vagner Love, o esquema teve que mudar, todo este caso foi criado em torno de Petkovic e ele simplesmente não soube como rearrumar suas peças. E aproveitou mal o tempo que teve para isso, se importando demais com resultados imediatos em jogos em que o placar importava muito pouco. Mas paciência, agora não adianta chorar sobre o leite derramado.
Sendo assim, esta partida contra o Vasco pode servir para Andrade conseguir testar em campo, contra um adversário alguns furos acima dos Boavistas e Friburguenses que o time enfrentou na maior parte do ano, a solução que julgar ideal para o jogo de quarta-feira. Afinal, está claro pra todo mundo - creio que até pra ele - que o time não encontrou ainda seu caminho. E neste momento, a minha impressão é que se este caminho for encontrado, será na base da tentativa-e-erro. Então, a decisão de ir a campo com o que há de melhor pode até ser proveitosa - desde que seja feita sem que se perca o foco no que realmente importa.
Por exemplo: é seguro colocar Adriano em campo domingo? Não o examinei, nem sou médico. Não sei qual o risco de piorar suas condições físicas colocando-o em campo no fim de semana. Mas espero que isso esteja sendo muito considerado na hora de resolver se o Imperador joga ou não contra o Vasco - não é hora dele fazer sacrifício nenhum que vá prejudicar seu desempenho três dias depois. E mais: se for pra ele não jogar, a solução óbvia é colocar Mezenga em campo, o reserva que tem características mais parecidas com as do titular e que poderá ajudar o time a encontrar uma maneira de jogar que vá ser aproveitada na quarta-feira.
No mais, palpites sobre o time: como todos, não entendo mais a permanência de Maldonado no banco, especialmente com Toró (que entre muitas falhas em todos estes jogos, a maioria por não saber se colocar em campo, dormiu no gol de empate do Universidad de Chile ontem) tendo lugar cativo como titular. E espero que a escalação especulada pelo Globoesporte.com, com Maldonado, Toró e Willians no mesmo meio-campo, não se confirme. Haja parreirice.
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Pra não dizer que não falei de bolinhas
Não falei nada da "polêmica" sobre a Taça das Bolinhas - a notícia que dizia que a história "está chegando ao fim" surgiu justo em primeiro de abril, e achei que não era pra levar a sério. Ainda quero ver pra crer que realmente a CBF vai se posicionar sobre isso algum dia.
Mas considerando que seja pra valer: dizem por aí que a questão é política, em torno do posicionamento dos clubes na eleição do Clube dos 13, que está próxima. O que se comenta é: se Patrícia Amorim decidir mudar de lado e apoiar Kléber Leite no lugar de Fábio Koff, a Taça vem pra Gávea. Não sei se é bem por aí. Mas, se for, espero que a presidente do Flamengo não mude sua posição política por conta disso - independente da opinião que eu tenha sobre Kléber Leite.
Toda a história do título de 1987 tem a ver com firmeza política e caráter de dirigentes, daquela época e que vieram depois. Foi um movimento de união dos grandes clubes brasileiros em um momento em que a CBF tinha chegado ao seu fundo do poço, econômico e moral. E toda a estúpida polêmica que vem desde então persiste justamente por mesquinharia e grande variedade de politicagens baixas, inclusive por parte de dirigentes de clubes que, à época, eram representados por gente que sabia muito bem qual era o lado certo e não teve medo de dar a cara a tapa.
Ninguém quer que o Flamengo abra mão do reconhecimento de um título que é seu. Mas seria uma traição à História se o clube, agora, apelasse justamente para um joguinho político deste nível para virar o jogo.
Àqueles que porventura estiverem esperando meus comentários sobre o Friburguense x Flamengo de ontem, lhes aviso: não, não assisti ao jogo. Considerando que nem o time do Flamengo esteve a fim de ir lá e que o pessoal do estádio não quis nem acender a luz pro jogo, acho que minha postura foi justificável.
* * * * * * * * * * * * * *
Com a vitória do Vasco, o Rio de Janeiro pode viver uma situação que já aconteceu mais de uma vez em São Paulo, mas que pros cariocas seria inusitada: ter um time de sua segunda divisão disputando a Série B do Brasileiro. É questão de ver se o Duque de Caxias escapa ou não do rebaixamento.
Mas considerando que seja pra valer: dizem por aí que a questão é política, em torno do posicionamento dos clubes na eleição do Clube dos 13, que está próxima. O que se comenta é: se Patrícia Amorim decidir mudar de lado e apoiar Kléber Leite no lugar de Fábio Koff, a Taça vem pra Gávea. Não sei se é bem por aí. Mas, se for, espero que a presidente do Flamengo não mude sua posição política por conta disso - independente da opinião que eu tenha sobre Kléber Leite.
Toda a história do título de 1987 tem a ver com firmeza política e caráter de dirigentes, daquela época e que vieram depois. Foi um movimento de união dos grandes clubes brasileiros em um momento em que a CBF tinha chegado ao seu fundo do poço, econômico e moral. E toda a estúpida polêmica que vem desde então persiste justamente por mesquinharia e grande variedade de politicagens baixas, inclusive por parte de dirigentes de clubes que, à época, eram representados por gente que sabia muito bem qual era o lado certo e não teve medo de dar a cara a tapa.
Ninguém quer que o Flamengo abra mão do reconhecimento de um título que é seu. Mas seria uma traição à História se o clube, agora, apelasse justamente para um joguinho político deste nível para virar o jogo.
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Com a vitória do Vasco, o Rio de Janeiro pode viver uma situação que já aconteceu mais de uma vez em São Paulo, mas que pros cariocas seria inusitada: ter um time de sua segunda divisão disputando a Série B do Brasileiro. É questão de ver se o Duque de Caxias escapa ou não do rebaixamento.
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Estadual 2010
Última rodada da primeira fase da Taça Rio é decisiva. Pra quem?
Amanhã, Olaria x Madureira. No domingo, outros 7 jogos. E assim chegará ao fim a primeira fase da Taça Rio - e, com ela, a participação da maioria dos clubes no Campeonato Carioca. E embora pro Flamengo a coisa toda tenha jeitão de amistoso já há vários jogos, esta última rodada é bastante decisiva para alguns destes outros times.
Não dá pra dizer que o Fluminense encare o jogo contra o Macaé como decisão. Mesmo que perca, há uma vantagem de saldo grande sobre o Bangu que os deixa razoavelmente tranquilos com sua vaga. O Vasco já tem mais com que se preocupar contra o Duque de Caxias - já que, se empatar e o América vencer, encerra por aí sua campanha no campeonato. Porém, há outras equipes cujos resultados mudarão ainda mais o restante de sua temporada.
É o caso de Olaria e de América e Bangu, os dois que ainda lutam pra serem intrusos nas semifinais. Isso porque aquele que terminar na frente entre estes três estará classificado para a Série D do Brasileirão 2010 - e, assim, garantirá compromisso para o resto do ano, embora para alguns isso nem seja desejável, já que é uma competição potencialmente bastante deficitária.
Mas Alex Escobar, por exemplo, é torcedor do América e aponta a Série D como o verdadeiro caminho para a redenção de seu clube. Trata-se do início do trabalho para, um dia, conseguir chegar à serie B - um torneio que não só garante atividade pro time o ano todo, como ainda dá exposição ao menos na TV a cabo, o que coloca realmente o clube em outro patamar. Não dá pra saber o quanto que isso pode ser o sonho de um Bangu ou de um Olaria, mas o clube dirigido por Romário tem este tipo de aspiração. O Bangu, no momento, está na frente, com 22 pontos, mas pega o Botafogo; o Olaria e o América têm 21 e jogam respectivamente contra Madureira e Volta Redonda, já sem interesse na competição.
Dois clubes do Rio irão jogar a série D: o Madureira, vice-campeão da Copa Rio 2009 (pois é, teve isso - o campeão, Tigres, ganhou vaga na Copa do Brasil, e o Madureira se garantiu na série D), e o melhor colocado entre os que não estiverem já classificados para as divisões superiores do Brasileiro. No caso, além dos grandes, também estão incluídos nisso o Duque de Caxias (série B) e o Macaé, que foi vice na D do ano passado e por isso já está na Série C, lutando para seguir os passos do clube de Eurico Miranda. É pena que tanto Macaé quanto Duque de Caxias não tenham torcida nenhuma - o Duque de Caxias chegou a jogar para CINCO PAGANTES na série B do ano passado, contra a Ponte Preta - e, por isso, não dê pra vislumbrar um futuro interessante para estas equipes.
Não é o caso do América. Por isso, ficarei na torcida para que os diabos garantam sua vaguinha. É um motivo mais nobre para torcer pra eles do que simplesmente secar o Vasco. Ou não?
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A série D começa em julho, com 40 times, divididos de acordo com sua região em 10 grupos de 4. Os melhores se classificam para o mata-mata, que vai até novembro. Participam os quatro rebaixados da série C 2009 (Sampaio Correa, Mixto, Confiança e Marcílio Dias) e mais 16 indicados pelas federações, normalmente através dos estaduais.
A série C, com o Macaé, terá 20 clubes, divididos em 4 grupos de 5. Os dois melhores de cada um se classificam para o mata-mata, em busca do acesso à serie B de 2011.
Há ainda, na última rodada da Taça Rio, a luta contra o rebaixamento. Caem os dois times com a menor soma de pontos nos dois turnos do campeonato. O Tigres, com 9 pontos no total dos dois turnos, precisa vencer o Boavista e torcer por qualquer resultado que não seja um empate entre Americano x Resende, em Campos - confronto direto, para o qual especularam que Rosinha Garotinho, prefeita de Campos, compraria ingressos para distribuir à população ir ao Godofredo Cruz e apoiar o time (o Americano, na verdade, é a segunda torcida da cidade, apenas - mas é um representante local). Se o Americano (11 pontos) vencer em casa, garante sua vaga na elite em 2011; o Resende (12 pontos) salva a pele com vitória ou empate.
Não dá pra dizer que o Fluminense encare o jogo contra o Macaé como decisão. Mesmo que perca, há uma vantagem de saldo grande sobre o Bangu que os deixa razoavelmente tranquilos com sua vaga. O Vasco já tem mais com que se preocupar contra o Duque de Caxias - já que, se empatar e o América vencer, encerra por aí sua campanha no campeonato. Porém, há outras equipes cujos resultados mudarão ainda mais o restante de sua temporada.
É o caso de Olaria e de América e Bangu, os dois que ainda lutam pra serem intrusos nas semifinais. Isso porque aquele que terminar na frente entre estes três estará classificado para a Série D do Brasileirão 2010 - e, assim, garantirá compromisso para o resto do ano, embora para alguns isso nem seja desejável, já que é uma competição potencialmente bastante deficitária.
Mas Alex Escobar, por exemplo, é torcedor do América e aponta a Série D como o verdadeiro caminho para a redenção de seu clube. Trata-se do início do trabalho para, um dia, conseguir chegar à serie B - um torneio que não só garante atividade pro time o ano todo, como ainda dá exposição ao menos na TV a cabo, o que coloca realmente o clube em outro patamar. Não dá pra saber o quanto que isso pode ser o sonho de um Bangu ou de um Olaria, mas o clube dirigido por Romário tem este tipo de aspiração. O Bangu, no momento, está na frente, com 22 pontos, mas pega o Botafogo; o Olaria e o América têm 21 e jogam respectivamente contra Madureira e Volta Redonda, já sem interesse na competição.
Dois clubes do Rio irão jogar a série D: o Madureira, vice-campeão da Copa Rio 2009 (pois é, teve isso - o campeão, Tigres, ganhou vaga na Copa do Brasil, e o Madureira se garantiu na série D), e o melhor colocado entre os que não estiverem já classificados para as divisões superiores do Brasileiro. No caso, além dos grandes, também estão incluídos nisso o Duque de Caxias (série B) e o Macaé, que foi vice na D do ano passado e por isso já está na Série C, lutando para seguir os passos do clube de Eurico Miranda. É pena que tanto Macaé quanto Duque de Caxias não tenham torcida nenhuma - o Duque de Caxias chegou a jogar para CINCO PAGANTES na série B do ano passado, contra a Ponte Preta - e, por isso, não dê pra vislumbrar um futuro interessante para estas equipes.
Não é o caso do América. Por isso, ficarei na torcida para que os diabos garantam sua vaguinha. É um motivo mais nobre para torcer pra eles do que simplesmente secar o Vasco. Ou não?
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A série D começa em julho, com 40 times, divididos de acordo com sua região em 10 grupos de 4. Os melhores se classificam para o mata-mata, que vai até novembro. Participam os quatro rebaixados da série C 2009 (Sampaio Correa, Mixto, Confiança e Marcílio Dias) e mais 16 indicados pelas federações, normalmente através dos estaduais.
A série C, com o Macaé, terá 20 clubes, divididos em 4 grupos de 5. Os dois melhores de cada um se classificam para o mata-mata, em busca do acesso à serie B de 2011.
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Há ainda, na última rodada da Taça Rio, a luta contra o rebaixamento. Caem os dois times com a menor soma de pontos nos dois turnos do campeonato. O Tigres, com 9 pontos no total dos dois turnos, precisa vencer o Boavista e torcer por qualquer resultado que não seja um empate entre Americano x Resende, em Campos - confronto direto, para o qual especularam que Rosinha Garotinho, prefeita de Campos, compraria ingressos para distribuir à população ir ao Godofredo Cruz e apoiar o time (o Americano, na verdade, é a segunda torcida da cidade, apenas - mas é um representante local). Se o Americano (11 pontos) vencer em casa, garante sua vaga na elite em 2011; o Resende (12 pontos) salva a pele com vitória ou empate.
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Estadual 2010 - Taça Rio - 7a. rodada - Flamengo 2 x 1 América
O Flamengo x América de ontem no Engenhão ao menos serviu para que tirássemos algum tempo para reflexão. Sim, era um jogo que valia pouco, com um resultado que não importou pra muita coisa. Mas me deixou com a impressão de que há muito o que repensar.
Como o próprio time do Flamengo. No papel, há um elenco interessante ali. E é exatamente pelo fato de haver sempre em campo jogadores talentosos, capazes de resolver as partidas em lances isolados, que o Flamengo vem vencendo a maioria de seus jogos. Porém, é fato que o jogo não convence.
De modo geral, o Flamengo 2010 vem sempre jogando mal - como foi o caso de ontem. Na verdade, o América - que não é nada mais que um time arrumadinho, mas com jogadores com claras deficiências técnicas, que dão furadas na defesa, erram passes bobos na frente e não levam o menor jeito pra empurrar uma bola pro gol - jogou melhor a maior parte do tempo e criou as melhores chances da partida. Saiu na frente, sofreu o empate na única conclusão de Adriano em todo o jogo (num pênalti que surgiu numa jogada de bicão pra frente da defesa, nada trabalhado) e deu azar de, quando seu domínio era mais claro, ter tido um jogador expulso num lance bobo no meio do campo, no início do segundo tempo.
O Flamengo conseguiu seu gol da virada numa cabeçada de Vagner Love - que ao menos apareceu mais pro jogo que Adriano e participou de quase todos os poucos lances perigosos que o time criou -, num cruzamento perfeito de Léo Moura, o melhor do time este ano. Taí: o tal talento individual, que resolve jogos em lances isolados. Depois o América - que, mesmo com um a menos, seguiu ameaçando - ainda teve mais um jogador expulso e, no fim, o Flamengo poderia até ter feito mais gols e construído um placar enganoso.
* * * * * * * * * * * * * *
E quando digo que o time do Flamengo precisa ser repensado é justamente porque me parece que Andrade não enxerga a função desta fase da temporada da mesma forma que eu. De modo geral, são jogos de menor importância, contra adversários mais fracos do que os que o Flamengo vai encarar quando a coisa for pra valer. É claro que treinador vive de resultados, mas neste momento do ano o foco deveria ser menos nos resultados e mais em montar as bases do time que vai encarar os jogos realmente mais importantes.
Pode ser que, pra fazer 3 no Tigres ou outro adversário do gênero, no momento seja melhor escalar jogadores que agora estão em melhor forma ou com mais ritmo de jogo. Mas, pra mim, é claro que o time vai render menos com um Toró do que com um Maldonado - por isso, a prioridade deveria ser colocar o chileno em condições de jogo o quanto antes, mesmo que isso dê em alguma dificuldade momentânea nestas peladas que o Flamengo vem jogando. Também está claro que Vinícius Pacheco é rápido, pode fazer sua graça contra defesas mais frágeis e tudo o mais - mas que o time vai ter dificuldades sérias pra funcionar se a criação no meio-campo depender dele. Será que ainda há jeito de motivar Petkovic e fazê-lo voltar a jogar bem? Não sei, mas as tentativas neste sentido deveriam ter sido mais efetivas. Pode ser ainda que Ramon possa ser uma boa opção, e ele vai poder jogar a Libertadores a partir da próxima fase. Ele não deveria ter tido chances de jogar mais nos clássicos do Carioca, talvez entrando de início, para ser testado pra valer?
Há ainda Kléberson, que hoje parece vagar pelo campo sem função definida a maior parte do tempo. É um jogador de qualidade, que sabe aparecer nos espaços certos no tempo certo quando vem de trás, que tem um bom passe, pode ajudar a saída de bola. Mas, do jeito que está, nem-volante-nem-armador, sem praticamente ser citado em várias partidas, não é muito útil. Encontrar um jeito de aproveitá-lo, ou encontrar uma opção melhor para o time, é outro trabalho para Andrade.
* * * * * * * * * * * * * *
E outra coisa a ser repensada é o próprio campeonato. Ontem foi mais um joguinho com público patético no Engenhão, com um Flamengo desinteressado em campo e nas arquibancadas. Com todo o dinheiro que o clube gasta com jogadores de fama internacional, é totalmente sem sentido que este tipo de compromisso ocupe tanto de seu tempo.
O sentido dos Estaduais é fortalecer as rivalidades regionais e dar ocupação para os pequenos clubes locais. Porém, estes pequenos hoje mal existem, a não ser como vitrines de aluguel para empresários durante poucos meses; no resto do ano, quase todos praticamente encerram suas atividades e deixam seus jogadores livres para procurar emprego por aí, um defeito grave do calendário. E as tais rivalidades regionais estão sendo "fortalecidas" este ano com clássicos que andaram tendo públicos que caberiam até na Gávea.
Cartões amarelos: Toró, Willians, Fabrício e Ramon (Flamengo); Claudemir (América).
Cartão vermelho: Jones e Gerson (América).
Gols: Jones, aos 4 minutos, Adriano, aos 23 minutos, do primeiro tempo; Vagner Love, aos 37 minutos do segundo tempo.
Flamengo: Bruno, Leonardo Moura, David, Fabrício e Juan; Toró (Petkovic), Willians, Kleberson (Maldonado) e Vinícius Pacheco (Ramon); Adriano e Vagner Love. Técnico: Andrade
América: Roberto, Claudemir, Fábio Braz, Luciano Almeida e Gerson; Mael, Joziel, Bruno Reis ( Da Costa) e Jones; Paty (Daniel Morais) e Adriano. Técnico: Gabriel Vieira
Como o próprio time do Flamengo. No papel, há um elenco interessante ali. E é exatamente pelo fato de haver sempre em campo jogadores talentosos, capazes de resolver as partidas em lances isolados, que o Flamengo vem vencendo a maioria de seus jogos. Porém, é fato que o jogo não convence.
De modo geral, o Flamengo 2010 vem sempre jogando mal - como foi o caso de ontem. Na verdade, o América - que não é nada mais que um time arrumadinho, mas com jogadores com claras deficiências técnicas, que dão furadas na defesa, erram passes bobos na frente e não levam o menor jeito pra empurrar uma bola pro gol - jogou melhor a maior parte do tempo e criou as melhores chances da partida. Saiu na frente, sofreu o empate na única conclusão de Adriano em todo o jogo (num pênalti que surgiu numa jogada de bicão pra frente da defesa, nada trabalhado) e deu azar de, quando seu domínio era mais claro, ter tido um jogador expulso num lance bobo no meio do campo, no início do segundo tempo.
O Flamengo conseguiu seu gol da virada numa cabeçada de Vagner Love - que ao menos apareceu mais pro jogo que Adriano e participou de quase todos os poucos lances perigosos que o time criou -, num cruzamento perfeito de Léo Moura, o melhor do time este ano. Taí: o tal talento individual, que resolve jogos em lances isolados. Depois o América - que, mesmo com um a menos, seguiu ameaçando - ainda teve mais um jogador expulso e, no fim, o Flamengo poderia até ter feito mais gols e construído um placar enganoso.
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E quando digo que o time do Flamengo precisa ser repensado é justamente porque me parece que Andrade não enxerga a função desta fase da temporada da mesma forma que eu. De modo geral, são jogos de menor importância, contra adversários mais fracos do que os que o Flamengo vai encarar quando a coisa for pra valer. É claro que treinador vive de resultados, mas neste momento do ano o foco deveria ser menos nos resultados e mais em montar as bases do time que vai encarar os jogos realmente mais importantes.
Pode ser que, pra fazer 3 no Tigres ou outro adversário do gênero, no momento seja melhor escalar jogadores que agora estão em melhor forma ou com mais ritmo de jogo. Mas, pra mim, é claro que o time vai render menos com um Toró do que com um Maldonado - por isso, a prioridade deveria ser colocar o chileno em condições de jogo o quanto antes, mesmo que isso dê em alguma dificuldade momentânea nestas peladas que o Flamengo vem jogando. Também está claro que Vinícius Pacheco é rápido, pode fazer sua graça contra defesas mais frágeis e tudo o mais - mas que o time vai ter dificuldades sérias pra funcionar se a criação no meio-campo depender dele. Será que ainda há jeito de motivar Petkovic e fazê-lo voltar a jogar bem? Não sei, mas as tentativas neste sentido deveriam ter sido mais efetivas. Pode ser ainda que Ramon possa ser uma boa opção, e ele vai poder jogar a Libertadores a partir da próxima fase. Ele não deveria ter tido chances de jogar mais nos clássicos do Carioca, talvez entrando de início, para ser testado pra valer?
Há ainda Kléberson, que hoje parece vagar pelo campo sem função definida a maior parte do tempo. É um jogador de qualidade, que sabe aparecer nos espaços certos no tempo certo quando vem de trás, que tem um bom passe, pode ajudar a saída de bola. Mas, do jeito que está, nem-volante-nem-armador, sem praticamente ser citado em várias partidas, não é muito útil. Encontrar um jeito de aproveitá-lo, ou encontrar uma opção melhor para o time, é outro trabalho para Andrade.
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E outra coisa a ser repensada é o próprio campeonato. Ontem foi mais um joguinho com público patético no Engenhão, com um Flamengo desinteressado em campo e nas arquibancadas. Com todo o dinheiro que o clube gasta com jogadores de fama internacional, é totalmente sem sentido que este tipo de compromisso ocupe tanto de seu tempo.
O sentido dos Estaduais é fortalecer as rivalidades regionais e dar ocupação para os pequenos clubes locais. Porém, estes pequenos hoje mal existem, a não ser como vitrines de aluguel para empresários durante poucos meses; no resto do ano, quase todos praticamente encerram suas atividades e deixam seus jogadores livres para procurar emprego por aí, um defeito grave do calendário. E as tais rivalidades regionais estão sendo "fortalecidas" este ano com clássicos que andaram tendo públicos que caberiam até na Gávea.
É óbvio que algo está muito errado nisso aí.
28/3/2010 - 16h - Flamengo 2 x 1 América
28/3/2010 - 16h - Flamengo 2 x 1 América
Engenhão - Rio de Janeiro, RJ
Público/renda: 3.218 pagantes, R$75.505,00
Árbitro: Rodrigo Nunes de Sá
Auxiliares: Dibert Pedrosa Moisés e Flavio Manoel da Silva.Público/renda: 3.218 pagantes, R$75.505,00
Árbitro: Rodrigo Nunes de Sá
Cartões amarelos: Toró, Willians, Fabrício e Ramon (Flamengo); Claudemir (América).
Cartão vermelho: Jones e Gerson (América).
Gols: Jones, aos 4 minutos, Adriano, aos 23 minutos, do primeiro tempo; Vagner Love, aos 37 minutos do segundo tempo.
Flamengo: Bruno, Leonardo Moura, David, Fabrício e Juan; Toró (Petkovic), Willians, Kleberson (Maldonado) e Vinícius Pacheco (Ramon); Adriano e Vagner Love. Técnico: Andrade
América: Roberto, Claudemir, Fábio Braz, Luciano Almeida e Gerson; Mael, Joziel, Bruno Reis ( Da Costa) e Jones; Paty (Daniel Morais) e Adriano. Técnico: Gabriel Vieira
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Estadual 2010 - Taça Rio - 4a. rodada - Flamengo 1 x 0 Vasco
O time venceu o clássico, Adriano voltou a marcar, tirou a camisa e mostrou seu recado (endereçado a quem exatamente? Seria ao Dodô? Fiquei na dúvida). Mas a verdade é que foi uma atuação bastante ruim a do Flamengo ontem.
Mesmo jogando mal, venceu. E venceu porque o Vasco, na hora de decidir, depende de Philippe Coutinho - que é habilidoso, mostra personalidade e pode vir a ser um grande jogador, mas hoje ainda erra sempre na hora de definir os bons lances que cria. E de Dodô, que dispensa comentários. No fim, a diferença do jogo foi essa: enquanto Dodô entregou dois pênaltis para Bruno (que novamente mostrou seus méritos de grande pegador de pênaltis, fazendo os mesmos movimentos de sempre), Adriano converteu o seu.
(É bom dizer que o pênalti que deu no gol rubro-negro foi inacreditável, uma das marcações mais equivocadas de um árbitro que eu vi este ano. Mas como ele já havia deixado de dar um muito claro em cima de Léo Moura no primeiro tempo, ficou elas por elas.)
Fora o gol, o Flamengo até teve alguns bons lances que poderiam ter dado em um placar mais dilatado. Mas isso graças à fragilidade da defesa vascaína; toda vez que o Flamengo conseguia fazer a bola chegar à intermediária de ataque, acontecia um lance de perigo. É pena que isso não tenha acontecido com tanta frequência, graças à péssima atuação do meio-campo rubro-negro. Toró e Willians foram mal tanto na marcação (o segundo, especialmente, exagerou nas faltas sem necessidade) quanto na saída de bola; Vinícius Pacheco errou a maioria de seus lances e criou pouco (embora a arrancada que deu no pênalti mal marcado tenha sido impressionante). Já Kléberson, quando a bola chegou a seus pés, deu os melhores passes do time; porém, é um jogador que busca pouco o jogo, não se apresenta o bastante para jogar. Como segundo volante, pode ser um diferencial; se jogar numa posição em que o time dependa dele para a armação, fica complicado. E, nisso, o Império do Amor viu pouco a bola e quase não apareceu no jogo.
Assim, ao longo do jogo, o Vasco teve mais a posse de bola e rondou bastante a área do Flamengo, de maneira perigosa. Foi o bastante para os jogadores e o técnico do Vasco saíssem de campo falando de sua "melhor atuação no ano" - o que mostra como é frágil este time. Tá certo que jogaram sem dois de seus jogadores mais importantes no meio, Carlos Alberto e Souza. Mas a presença dos dois me parece pouco pra resolver os problemas que se viram ontem.
14/3/2010 - 19h30 - Flamengo 1 x 0 Vasco
Maracanã - Rio de Janeiro, RJ
Renda/público: R$ 841.565,00/ 30.214 pagantes
Árbitro: Péricles Bassols (RJ)
Auxiliares: Hilton Moutinho Rodrigues (RJ) e Eduardo de Souza Couto (RJ)
Cartões amarelos: Willians, Adriano, Vagner Love (FLA); Paulinho, Márcio Careca, Fernando Prass, Élder Granja, Titi (VAS)
Cartões vermelhos: Jeferson, após o término da partida
Gols: Adriano, 5'/2ºT (1-0);
Flamengo: Bruno; Léo Moura, Álvaro, Fabrício e Juan; Toró, Willians, Kleberson (Rodrigo Alvim, 25'/2ºT) e Vinícius Pacheco (Petkovic, 30'/2ºT); Vagner Love (Ronaldo Angelim, 46'/2ºT) e Adriano. Técnico: Andrade.
Vasco: Fernando Prass; Fernando, Titi e Gustavo (Rodrigo Pimpão, 26'/2ºT); Élder Granja, Paulinho (Léo Gago, 40'/2ºT), Rafael Carioca, Phillipe Coutinho e Márcio Careca; Rafael Coelho (Jeferson, 19'/2ºT) e Dodô. Técnico: Vágner Mancini
Mesmo jogando mal, venceu. E venceu porque o Vasco, na hora de decidir, depende de Philippe Coutinho - que é habilidoso, mostra personalidade e pode vir a ser um grande jogador, mas hoje ainda erra sempre na hora de definir os bons lances que cria. E de Dodô, que dispensa comentários. No fim, a diferença do jogo foi essa: enquanto Dodô entregou dois pênaltis para Bruno (que novamente mostrou seus méritos de grande pegador de pênaltis, fazendo os mesmos movimentos de sempre), Adriano converteu o seu.
(É bom dizer que o pênalti que deu no gol rubro-negro foi inacreditável, uma das marcações mais equivocadas de um árbitro que eu vi este ano. Mas como ele já havia deixado de dar um muito claro em cima de Léo Moura no primeiro tempo, ficou elas por elas.)
Fora o gol, o Flamengo até teve alguns bons lances que poderiam ter dado em um placar mais dilatado. Mas isso graças à fragilidade da defesa vascaína; toda vez que o Flamengo conseguia fazer a bola chegar à intermediária de ataque, acontecia um lance de perigo. É pena que isso não tenha acontecido com tanta frequência, graças à péssima atuação do meio-campo rubro-negro. Toró e Willians foram mal tanto na marcação (o segundo, especialmente, exagerou nas faltas sem necessidade) quanto na saída de bola; Vinícius Pacheco errou a maioria de seus lances e criou pouco (embora a arrancada que deu no pênalti mal marcado tenha sido impressionante). Já Kléberson, quando a bola chegou a seus pés, deu os melhores passes do time; porém, é um jogador que busca pouco o jogo, não se apresenta o bastante para jogar. Como segundo volante, pode ser um diferencial; se jogar numa posição em que o time dependa dele para a armação, fica complicado. E, nisso, o Império do Amor viu pouco a bola e quase não apareceu no jogo.
Assim, ao longo do jogo, o Vasco teve mais a posse de bola e rondou bastante a área do Flamengo, de maneira perigosa. Foi o bastante para os jogadores e o técnico do Vasco saíssem de campo falando de sua "melhor atuação no ano" - o que mostra como é frágil este time. Tá certo que jogaram sem dois de seus jogadores mais importantes no meio, Carlos Alberto e Souza. Mas a presença dos dois me parece pouco pra resolver os problemas que se viram ontem.
14/3/2010 - 19h30 - Flamengo 1 x 0 Vasco
Maracanã - Rio de Janeiro, RJ
Renda/público: R$ 841.565,00/ 30.214 pagantes
Árbitro: Péricles Bassols (RJ)
Auxiliares: Hilton Moutinho Rodrigues (RJ) e Eduardo de Souza Couto (RJ)
Cartões amarelos: Willians, Adriano, Vagner Love (FLA); Paulinho, Márcio Careca, Fernando Prass, Élder Granja, Titi (VAS)
Cartões vermelhos: Jeferson, após o término da partida
Gols: Adriano, 5'/2ºT (1-0);
Flamengo: Bruno; Léo Moura, Álvaro, Fabrício e Juan; Toró, Willians, Kleberson (Rodrigo Alvim, 25'/2ºT) e Vinícius Pacheco (Petkovic, 30'/2ºT); Vagner Love (Ronaldo Angelim, 46'/2ºT) e Adriano. Técnico: Andrade.
Vasco: Fernando Prass; Fernando, Titi e Gustavo (Rodrigo Pimpão, 26'/2ºT); Élder Granja, Paulinho (Léo Gago, 40'/2ºT), Rafael Carioca, Phillipe Coutinho e Márcio Careca; Rafael Coelho (Jeferson, 19'/2ºT) e Dodô. Técnico: Vágner Mancini
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Um pequeno balanço*
* Texto para a coluna semanal no FlamengoNet
Domingo tem Flamengo x Vasco, e Flamengo x Vasco é sempre Flamengo x Vasco (e torna-se mais imprevisível quando acontece no meio de um campeonato). Mesmo sendo só mais um compromisso nada decisivo pela Taça Rio, o clássico não é um jogo qualquer. Porém, o Flamengo vem de um jogo na Venezuela, em que ficou quase um tempo inteiro com um a menos, e viaja em seguida para o Chile, em mais uma partida pela competição que realmente importa. Então - quem Andrade deve mandar a campo?
Patrícia Amorim pediu força máxima. Andrade falou em usar tudo o que tem de melhor, mas avaliando o desgaste de quem esteve em Caracas - o que já me parece mais sensato. Na minha visão, o ideal seria poupar os mais desgastados, dar ritmo aos jogadores importantes que precisam de ritmo - e jogar na estrutura tática que julgue a ideal para o time titular, pra ver se a coisa funciona. Eu não deixaria de escalar Love e Adriano juntos, por exemplo, e colocaria Maldonado de início, pra ver como ele se aguentaria. Daria 45 minutos pra Pet jogar, pouparia Juan ao menos meio tempo e não veria a menor necessidade de usar Léo Moura e Álvaro.
Mas isso é com Andrade. Vou aproveitar este post para, depois de já termos passado por clássicos, jogos pela Libertadores em casa e fora e mais uma penca de partidas contra nanicos do estado, soltar impressões sobre o que alguns dos jogadores já andaram mostrando na temporada.
* * * * * * * * * * * *
Bruno andou dando mole em determinado momento do Brasileiro passado. Mas, do meio da campanha do Hexa pra cá, entrou numa fase realmente boa. Não sou dos que acham ele um goleiraço, nível Seleção, melhor goleiro do Brasil - mas ele vem sendo regular e aparecendo bem em momentos importantes.
Se contratarem pro cara um porta-voz, pra não precisar mais dar entrevistas, esse cara vai longe.
* * * * * * * * * * * *
Léo Moura teve aquele tumor no nariz durante a pré-temporada, ficou de fora dos jogos iniciais e, quando voltou, teve algumas atuações ruins. Mas teve uma grande atuação contra o Universidad Católica no Maracanã e voltou a ir bem contra o Caracas. Houve época em que o Flamengo dependia apenas de seus laterais pra atacar, a pressão em cima deles era grande, a marcação dos adversários idem; hoje, com o Império do Amor, Pet, até Vinícius Pacheco, os dois podem ter menos olho grande em cima. Léo Moura andou aproveitando bem esta chance. Juan ainda não, embora eu não o esteja vendo tão mal quanto muitos falam por aí.
* * * * * * * * * * * *
Fabrício realmente está aproveitando bem a oportunidade que ganhou de ser titular, atuando bem mais tranquilo do que no ano passado (embora eu, particularmente, não tenha gostado de sua atuação na Venezuela). A sequência de jogos parece estar lhe fazendo bem e é bom pro clube dar espaço para um garoto da base como ele crescer e aparecer. E é bom ter no banco alguém como Angelim - que eu não via tendo atuações tão ruins quanto a maior parte da torcida - para segurar a onda em caso de necessidade. Ano passado estávamos bem pior.
* * * * * * * * * * * *
Parece que Andrade está próximo de poder voltar a usar Maldonado e Willians juntos como volantes. Será um alívio, depois de tantos jogos de Toró e Fernando - dois jogadores com enormes problemas de colocação e muitas falhas no passe. Na ausência de qualquer um dos titulares, a essa altura, pelo pouco que vi do cara, preferiria ver Rodrigo Alvim como primeira opção de banco.
* * * * * * * * * * * *
Vinícius Pacheco empolgou todo mundo com suas atuações surpreendentes neste início de ano. Eu mesmo não esperava que ele se mostrasse tão útil. Mas também não acredito que aqueles jogos contra os pequenos do Rio o credenciem a ser titular absoluto, como muitos têm enxergado. Em minha opinião, Pacheco não é armador e, mesmo no ataque, é bem mais útil quando o time tem a chance de jogar no contra-ataque e ele tem espaço para correr com a bola. Contra defesas fechadas, suas jogadas pela ponta já não têm tido a mesma eficiência. Eu, ao contrário de muitos, não gostei nem de sua atuação contra o Botafogo (em que os comentaristas, de modo geral, viram sua saída como uma das causas da derrota rubro-negra - pra mim, não foi por aí). E nas duas partidas da Libertadores, ele não foi nada bem. Hoje, já enxergo Pacheco mais como uma opção bastante útil no banco de reservas. Algo que, na verdade, já é bem mais do que todo mundo imaginaria antes da temporada começar.
* * * * * * * * * * * *
E aí, voltamos ao assunto Petkovic. Vai saber se ele será capaz de voltar a jogar partidas inteiras em alto nível. Até agora, nesta temporada, não deu esta impressão. Teve lampejos - o golaço contra o Volta Redonda, alguns bons passes contra Resende, Universidad Católica e Caracas. Mas não um futebol realmente consistente. No entanto, está mais do que claro a diferença que faria para este time ter novamente uma cabeça pensante em seu meio-campo - algo que nem Pacheco nem Kléberson se mostraram capazes de ser até hoje. Pet pode ter suas diferenças com dirigente, com jogador, com seja lá quem for. Mas seria bom pensar em uma maneira de tirar do gringo o máximo que ele ainda puder oferecer ao time.
Domingo tem Flamengo x Vasco, e Flamengo x Vasco é sempre Flamengo x Vasco (e torna-se mais imprevisível quando acontece no meio de um campeonato). Mesmo sendo só mais um compromisso nada decisivo pela Taça Rio, o clássico não é um jogo qualquer. Porém, o Flamengo vem de um jogo na Venezuela, em que ficou quase um tempo inteiro com um a menos, e viaja em seguida para o Chile, em mais uma partida pela competição que realmente importa. Então - quem Andrade deve mandar a campo?
Patrícia Amorim pediu força máxima. Andrade falou em usar tudo o que tem de melhor, mas avaliando o desgaste de quem esteve em Caracas - o que já me parece mais sensato. Na minha visão, o ideal seria poupar os mais desgastados, dar ritmo aos jogadores importantes que precisam de ritmo - e jogar na estrutura tática que julgue a ideal para o time titular, pra ver se a coisa funciona. Eu não deixaria de escalar Love e Adriano juntos, por exemplo, e colocaria Maldonado de início, pra ver como ele se aguentaria. Daria 45 minutos pra Pet jogar, pouparia Juan ao menos meio tempo e não veria a menor necessidade de usar Léo Moura e Álvaro.
Mas isso é com Andrade. Vou aproveitar este post para, depois de já termos passado por clássicos, jogos pela Libertadores em casa e fora e mais uma penca de partidas contra nanicos do estado, soltar impressões sobre o que alguns dos jogadores já andaram mostrando na temporada.
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Bruno andou dando mole em determinado momento do Brasileiro passado. Mas, do meio da campanha do Hexa pra cá, entrou numa fase realmente boa. Não sou dos que acham ele um goleiraço, nível Seleção, melhor goleiro do Brasil - mas ele vem sendo regular e aparecendo bem em momentos importantes.
Se contratarem pro cara um porta-voz, pra não precisar mais dar entrevistas, esse cara vai longe.
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Léo Moura teve aquele tumor no nariz durante a pré-temporada, ficou de fora dos jogos iniciais e, quando voltou, teve algumas atuações ruins. Mas teve uma grande atuação contra o Universidad Católica no Maracanã e voltou a ir bem contra o Caracas. Houve época em que o Flamengo dependia apenas de seus laterais pra atacar, a pressão em cima deles era grande, a marcação dos adversários idem; hoje, com o Império do Amor, Pet, até Vinícius Pacheco, os dois podem ter menos olho grande em cima. Léo Moura andou aproveitando bem esta chance. Juan ainda não, embora eu não o esteja vendo tão mal quanto muitos falam por aí.
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Fabrício realmente está aproveitando bem a oportunidade que ganhou de ser titular, atuando bem mais tranquilo do que no ano passado (embora eu, particularmente, não tenha gostado de sua atuação na Venezuela). A sequência de jogos parece estar lhe fazendo bem e é bom pro clube dar espaço para um garoto da base como ele crescer e aparecer. E é bom ter no banco alguém como Angelim - que eu não via tendo atuações tão ruins quanto a maior parte da torcida - para segurar a onda em caso de necessidade. Ano passado estávamos bem pior.
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Parece que Andrade está próximo de poder voltar a usar Maldonado e Willians juntos como volantes. Será um alívio, depois de tantos jogos de Toró e Fernando - dois jogadores com enormes problemas de colocação e muitas falhas no passe. Na ausência de qualquer um dos titulares, a essa altura, pelo pouco que vi do cara, preferiria ver Rodrigo Alvim como primeira opção de banco.
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Vinícius Pacheco empolgou todo mundo com suas atuações surpreendentes neste início de ano. Eu mesmo não esperava que ele se mostrasse tão útil. Mas também não acredito que aqueles jogos contra os pequenos do Rio o credenciem a ser titular absoluto, como muitos têm enxergado. Em minha opinião, Pacheco não é armador e, mesmo no ataque, é bem mais útil quando o time tem a chance de jogar no contra-ataque e ele tem espaço para correr com a bola. Contra defesas fechadas, suas jogadas pela ponta já não têm tido a mesma eficiência. Eu, ao contrário de muitos, não gostei nem de sua atuação contra o Botafogo (em que os comentaristas, de modo geral, viram sua saída como uma das causas da derrota rubro-negra - pra mim, não foi por aí). E nas duas partidas da Libertadores, ele não foi nada bem. Hoje, já enxergo Pacheco mais como uma opção bastante útil no banco de reservas. Algo que, na verdade, já é bem mais do que todo mundo imaginaria antes da temporada começar.
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E aí, voltamos ao assunto Petkovic. Vai saber se ele será capaz de voltar a jogar partidas inteiras em alto nível. Até agora, nesta temporada, não deu esta impressão. Teve lampejos - o golaço contra o Volta Redonda, alguns bons passes contra Resende, Universidad Católica e Caracas. Mas não um futebol realmente consistente. No entanto, está mais do que claro a diferença que faria para este time ter novamente uma cabeça pensante em seu meio-campo - algo que nem Pacheco nem Kléberson se mostraram capazes de ser até hoje. Pet pode ter suas diferenças com dirigente, com jogador, com seja lá quem for. Mas seria bom pensar em uma maneira de tirar do gringo o máximo que ele ainda puder oferecer ao time.
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Perspectivas bem diferentes para Fluminense e Botafogo
Durante boa parte do clássico de ontem, deu a impressão de que o raio iria cair no mesmo lugar pela terceira vez: o Botafogo totalmente dominado e saindo com a vitória em cima de um grande rival. Talvez até para o bem do Botafogo, o Fluminense acabou conseguindo virar o jogo e saindo com o resultado mais justo.
"Para o bem do Botafogo" porque o técnico, a diretoria, os jogadores, a torcida - todos têm que cair na real. Pode até acontecer do Botafogo ser campeão estadual - afinal, isso é possível até sem que eles vençam mais nenhum jogo até o final, e se isso acontecer, o ano já terá valido a pena para os alvinegros. Mas o time é muito fraco e, se continuar assim, quando chegar ao Brasileiro vai passar um perrengue muito sério para escapar do rebaixamento. Nem o argumento de que Joel "arrumou a defesa" convence; é só ver a enorme quantidade de chances claras desperdiçadas ontem pelo Fluminense, como já havia acontecido com o Flamengo.
Sei que a diretoria anda se mexendo para conseguir os reforços necessários. Mas ao menos em uma posição, a escolha não foi das melhores. O Jancarlos que arrumaram para ocupar a lateral direita é ainda pior que o antigo titular, Alessandro.
* * * * * * * * * * * * *
Já o Fluminense continua me dando a impressão de ser um time bastante interessante, com um repertório de jogadas no ataque muito grande (maior ainda com o surgimento deste Wellington Silva) e uma defesa que já parece bem ajeitadinha, especialmente quando não joga o fraco zagueiro Cássio. Até as opções de banco já parecem bem interessantes - apenas Conca realmente não me parece ter um substituto que mantenha minimamente o nível e a forma de jogar.
Depois de um começo animador, muitos já começaram a falar em "decadência" do time por não ter eliminado o Vasco num jogo em que foi bem melhor e perdeu nos pênaltis e pelo tropeço fora de casa na Copa do Brasil. Mas eu acredito que o time está no caminho certo e que se Fred retomar o ritmo e voltar a uma forma parecida com a do fim do ano passado, vai dar muito traalho.
"Para o bem do Botafogo" porque o técnico, a diretoria, os jogadores, a torcida - todos têm que cair na real. Pode até acontecer do Botafogo ser campeão estadual - afinal, isso é possível até sem que eles vençam mais nenhum jogo até o final, e se isso acontecer, o ano já terá valido a pena para os alvinegros. Mas o time é muito fraco e, se continuar assim, quando chegar ao Brasileiro vai passar um perrengue muito sério para escapar do rebaixamento. Nem o argumento de que Joel "arrumou a defesa" convence; é só ver a enorme quantidade de chances claras desperdiçadas ontem pelo Fluminense, como já havia acontecido com o Flamengo.
Sei que a diretoria anda se mexendo para conseguir os reforços necessários. Mas ao menos em uma posição, a escolha não foi das melhores. O Jancarlos que arrumaram para ocupar a lateral direita é ainda pior que o antigo titular, Alessandro.
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Já o Fluminense continua me dando a impressão de ser um time bastante interessante, com um repertório de jogadas no ataque muito grande (maior ainda com o surgimento deste Wellington Silva) e uma defesa que já parece bem ajeitadinha, especialmente quando não joga o fraco zagueiro Cássio. Até as opções de banco já parecem bem interessantes - apenas Conca realmente não me parece ter um substituto que mantenha minimamente o nível e a forma de jogar.
Depois de um começo animador, muitos já começaram a falar em "decadência" do time por não ter eliminado o Vasco num jogo em que foi bem melhor e perdeu nos pênaltis e pelo tropeço fora de casa na Copa do Brasil. Mas eu acredito que o time está no caminho certo e que se Fred retomar o ritmo e voltar a uma forma parecida com a do fim do ano passado, vai dar muito traalho.
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Estadual 2010 - Taça Rio - 3a. rodada - Resende 0 x 4 Flamengo
A goleada foi sob medida para esfriar um pouco o clima criado pela ausência de Adriano - e parece que o caso serviu mesmo para fazer o Flamengo levar o jogo de hoje mais a sério. O time não foi muito bem no primeiro tempo, soube aproveitar as circunstâncias no segundo, mas ao menos jogou sempre concentrado, inclusive não se dando por satisfeito com o 4x0 e buscando mais gols até o final.
O gramado molhado e a formação sem nenhum armador no meio-campo fez com que o Flamengo, no primeiro tempo, tivesse dificuldade para tocar a bola. Até houve algumas chances criadas em bolas altas sobre a área, mas o gol saiu na primeira jogada do time armada pelo chão - e quem teve que dar o passe foi Vagner Love, que recuou e fez o papel que deveria ser de um meia, deixando Mezenga na cara do gol.
As coisas ficaram mais fáceis no segundo tempo. O Resende (que, é bom lembrar, é um dos mais fortes candidatos ao rebaixamento este ano - um time fraco mesmo entre os pequenos) começou tentando atacar, mas teve um jogador expulso aos 15 minutos - e, na cobrança de falta, Léo Moura fez o segundo. Aí o jogo ficou sob medida para a goleada; mesmo com um a menos, o Resende insistiu em tentar fazer seu gol e os espaços sobraram. Tanto é que os dois gols seguintes saíram em contra-ataques - e ambos com passes dos dois armadores que Andrade colocou em campo durante a etapa, Pet e Ramon. O 4x0 serviu pra deixar todo mundo mais tranquilo e, pelo segundo tempo, poderia ter sido até mais.
Tudo muito bom, tudo muito bem - mas haverá mais um teste, agora mais sério, na próxima quarta. Mas o primeiro efeito da ausência de Adriano no ânimo do time em campo foi até bom. Fica a dúvida agora do que Andrade fará para escalar o time contra o Caracas, quarta-feira, sem ele e Willians.
6/3/2010 - 19h30 - Resende 0 x 4 Flamengo
Estádio Raulino de Oliveira - Volta Redonda, RJ
Público/renda: 1.217 pagantes / R$ 29.310,00
Árbitro: Carlos Eduardo Nunes Braga (RJ)
Auxiliares: Vinicius da Vitória Nascimento (RJ) e Marcelo Braz Mariano (RJ)
Cartões Amarelos: Juan, Rodrigo Costa, Tiago Bastos, Tiago Bastos
Cartões Vermelhos: Nailton (14'/2ºT)
Gols: Bruno Mezenga (37'/1ºT), Léo Moura (17'/2ºT), Vinícius Pacheco (24'/2ºT), Vagner Love (32'/2ºT)
Resende: Cléber, Rodrigo Costa, Ramon e Nailton; Tiago Bastos, André Conceição (Beto - 29'/1ºT), Márcio Gomes, Léo e Felipinho (Vinícius - 31'/2ºT); Fabiano e Tuta. Técnico: Leandro Silva.
Flamengo: Bruno, Leonardo Moura, Álvaro, Fabrício e Juan; Toró (Rodrigo Alvim - 24'/2ºT), Willians (Ramon - 31'/2ºT), Fernando e Vinícius Pacheco; Bruno Mezenga (Petkovic - 17'/2ºT) e Vagner Love. Técnico: Andrade
O gramado molhado e a formação sem nenhum armador no meio-campo fez com que o Flamengo, no primeiro tempo, tivesse dificuldade para tocar a bola. Até houve algumas chances criadas em bolas altas sobre a área, mas o gol saiu na primeira jogada do time armada pelo chão - e quem teve que dar o passe foi Vagner Love, que recuou e fez o papel que deveria ser de um meia, deixando Mezenga na cara do gol.
As coisas ficaram mais fáceis no segundo tempo. O Resende (que, é bom lembrar, é um dos mais fortes candidatos ao rebaixamento este ano - um time fraco mesmo entre os pequenos) começou tentando atacar, mas teve um jogador expulso aos 15 minutos - e, na cobrança de falta, Léo Moura fez o segundo. Aí o jogo ficou sob medida para a goleada; mesmo com um a menos, o Resende insistiu em tentar fazer seu gol e os espaços sobraram. Tanto é que os dois gols seguintes saíram em contra-ataques - e ambos com passes dos dois armadores que Andrade colocou em campo durante a etapa, Pet e Ramon. O 4x0 serviu pra deixar todo mundo mais tranquilo e, pelo segundo tempo, poderia ter sido até mais.
Tudo muito bom, tudo muito bem - mas haverá mais um teste, agora mais sério, na próxima quarta. Mas o primeiro efeito da ausência de Adriano no ânimo do time em campo foi até bom. Fica a dúvida agora do que Andrade fará para escalar o time contra o Caracas, quarta-feira, sem ele e Willians.
6/3/2010 - 19h30 - Resende 0 x 4 Flamengo
Estádio Raulino de Oliveira - Volta Redonda, RJ
Público/renda: 1.217 pagantes / R$ 29.310,00
Árbitro: Carlos Eduardo Nunes Braga (RJ)
Auxiliares: Vinicius da Vitória Nascimento (RJ) e Marcelo Braz Mariano (RJ)
Cartões Amarelos: Juan, Rodrigo Costa, Tiago Bastos, Tiago Bastos
Cartões Vermelhos: Nailton (14'/2ºT)
Gols: Bruno Mezenga (37'/1ºT), Léo Moura (17'/2ºT), Vinícius Pacheco (24'/2ºT), Vagner Love (32'/2ºT)
Resende: Cléber, Rodrigo Costa, Ramon e Nailton; Tiago Bastos, André Conceição (Beto - 29'/1ºT), Márcio Gomes, Léo e Felipinho (Vinícius - 31'/2ºT); Fabiano e Tuta. Técnico: Leandro Silva.
Flamengo: Bruno, Leonardo Moura, Álvaro, Fabrício e Juan; Toró (Rodrigo Alvim - 24'/2ºT), Willians (Ramon - 31'/2ºT), Fernando e Vinícius Pacheco; Bruno Mezenga (Petkovic - 17'/2ºT) e Vagner Love. Técnico: Andrade
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Tentemos ser otimistas
Adriano também se ausentou dos treinos no sábado de carnaval, quando o time se preparava para a semifinal da Taça Guanabara. Não sabemos o motivo e ninguém se preocupou muito em descobrir, já que foi fato de rotina - e, na boa, a vida pessoal dele é problema dele. O que sabemos é que ele não foi afastado da partida (claro, ninguém pensaria nisso) e, na quarta-feira, desapareceu no segundo tempo da partida contra o Botafogo, em que o Flamengo foi eliminado. Há relação entre os dois fatos? Quem é capaz de afirmar que sim ou que não?
Desta vez, após nova falta, parece que o Imperador até estava a fim de entrar em campo novamente lá na Venezuela - mas a diretoria decidiu agir diferente e deixá-lo fora dessa.
É claro que o jogo da próxima quarta é importante. Mas não é um mata-mata. Talvez a ausência de Adriano deixe o time enfraquecido para a partida; se acontecer do resultado por lá não ser bom, muito vai se falar nisso.
Mas imaginemos que a diretoria tivesse empurrado novamente com a barriga a situação e Adriano jogasse. E que, mais na frente, a situação se repetisse: preparação para as oitavas ou quartas-de-final da Libertadores, o camisa 9 volta a não aparecer no treino, sabe-se lá o motivo. Ninguém vai ter coragem de deixá-lo de fora do jogo. Ele entra, some no segundo tempo, o Flamengo é eliminado. Pode acontecer?
* * * * * * * * * * * * *
O Adriano meia-bomba que vimos em campo durante a maior parte do tempo desde que chegou ao Flamengo é um bom jogador, realmente acima da média; define bem os lances, preocupa a marcação, aproveita a maior parte das chances que tem e faz seus gols em boa quantidade. Porém, não é tãããão diferente assim de outros bons centro-avantes que vemos por aí e não é capaz de realmente transformar um time em vencedor. É o que pudemos ver durante boa fase do Brasileiro de 2009, quando ele até disputava a artilharia (com Diego Tardelli...), mas o time patinava no meio da tabela e chegava a ser goleado, com ele em campo, por Sport, Coritiba, Avaí, Grêmio. É o que voltamos a ver na reta final do Brasileiro, quando Adriano até fez alguns gols em partidas anteriores, mesmo jogando mal, mas se arrastou no empate com o Goiás, ficou de fora da vitória sobre o Corinthians e perdeu uma penca de boas chances na partida decisiva contra o Grêmio. E é o que estamos vendo neste princípio de 2010.
O Imperador que empurrou o time para o título brasileiro é outro. É aquele que voltou em forma e motivado de um período de 10 dias com sono regular, alimentação controlada e treinos sem faltas, quando se apresentou pela primeira vez à Seleção Brasileira desde seu retorno da Itália e se animou com a perspectiva de ir a mais uma Copa do Mundo. Ele reapareceu tirando a camisa pra mostrar o físico de Incrível Hulk, correndo e destruindo os adversários, jogo após jogo. Enquanto aquele upgrade físico e aquela empolgação duraram, sua dupla com Petkovic encantou o país e o Flamengo saltou convincentemente para o topo da tabela; quando os dois pararam de se apresentar 100%, as dificuldades apareceram e o time precisou arrumar outro jeito de arrancar nas últimas rodadas os pontinhos que faltavam para o título.
Então, tentemos ser otimistas: quem sabe o que aconteceu agora não tenha vindo em boa hora? O afastamento de um jogo de Libertadores, as indiretas de Dunga - será que isso não pode dar o cutucão que Adriano precisa? Para que ele volte a ser aquele jogador decisivo que todos sabem que ele pode ser, pode ser bom fazê-lo sentir que sim, ele precisa provar alguma coisa e sim, alguém vai cobrar algum esforço de sua parte.
O que eu sei é que tudo tem que ter um limite. E que Marcos Braz - e o Flamengo - se meteram numa situação complicadaça.
Desta vez, após nova falta, parece que o Imperador até estava a fim de entrar em campo novamente lá na Venezuela - mas a diretoria decidiu agir diferente e deixá-lo fora dessa.
É claro que o jogo da próxima quarta é importante. Mas não é um mata-mata. Talvez a ausência de Adriano deixe o time enfraquecido para a partida; se acontecer do resultado por lá não ser bom, muito vai se falar nisso.
Mas imaginemos que a diretoria tivesse empurrado novamente com a barriga a situação e Adriano jogasse. E que, mais na frente, a situação se repetisse: preparação para as oitavas ou quartas-de-final da Libertadores, o camisa 9 volta a não aparecer no treino, sabe-se lá o motivo. Ninguém vai ter coragem de deixá-lo de fora do jogo. Ele entra, some no segundo tempo, o Flamengo é eliminado. Pode acontecer?
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O Adriano meia-bomba que vimos em campo durante a maior parte do tempo desde que chegou ao Flamengo é um bom jogador, realmente acima da média; define bem os lances, preocupa a marcação, aproveita a maior parte das chances que tem e faz seus gols em boa quantidade. Porém, não é tãããão diferente assim de outros bons centro-avantes que vemos por aí e não é capaz de realmente transformar um time em vencedor. É o que pudemos ver durante boa fase do Brasileiro de 2009, quando ele até disputava a artilharia (com Diego Tardelli...), mas o time patinava no meio da tabela e chegava a ser goleado, com ele em campo, por Sport, Coritiba, Avaí, Grêmio. É o que voltamos a ver na reta final do Brasileiro, quando Adriano até fez alguns gols em partidas anteriores, mesmo jogando mal, mas se arrastou no empate com o Goiás, ficou de fora da vitória sobre o Corinthians e perdeu uma penca de boas chances na partida decisiva contra o Grêmio. E é o que estamos vendo neste princípio de 2010.
O Imperador que empurrou o time para o título brasileiro é outro. É aquele que voltou em forma e motivado de um período de 10 dias com sono regular, alimentação controlada e treinos sem faltas, quando se apresentou pela primeira vez à Seleção Brasileira desde seu retorno da Itália e se animou com a perspectiva de ir a mais uma Copa do Mundo. Ele reapareceu tirando a camisa pra mostrar o físico de Incrível Hulk, correndo e destruindo os adversários, jogo após jogo. Enquanto aquele upgrade físico e aquela empolgação duraram, sua dupla com Petkovic encantou o país e o Flamengo saltou convincentemente para o topo da tabela; quando os dois pararam de se apresentar 100%, as dificuldades apareceram e o time precisou arrumar outro jeito de arrancar nas últimas rodadas os pontinhos que faltavam para o título.
Então, tentemos ser otimistas: quem sabe o que aconteceu agora não tenha vindo em boa hora? O afastamento de um jogo de Libertadores, as indiretas de Dunga - será que isso não pode dar o cutucão que Adriano precisa? Para que ele volte a ser aquele jogador decisivo que todos sabem que ele pode ser, pode ser bom fazê-lo sentir que sim, ele precisa provar alguma coisa e sim, alguém vai cobrar algum esforço de sua parte.
O que eu sei é que tudo tem que ter um limite. E que Marcos Braz - e o Flamengo - se meteram numa situação complicadaça.
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A vida mais fácil do mundo*
* Texto para a coluna semanal no FlamengoNet
Bom, pra começar, este link: Adriano não aparece na Gávea e está fora do jogo.
Vou dizer que a cada vez que leio algo assim, percebo o quanto deve ser difícil o trabalho de Gilmar Rinaldi. Como diabos ele vai convencer seu cliente a voltar para a rotina puxada que lhe colocou em depressão e largar a vida boa que leva hoje no Rio de Janeiro?
Vamos pular a parte da discussão em que alguém pergunta "você preferia o Obina?", ou a que se comenta pela enésima vez que "se não fosse assim ele estava na Itália". Todos concordamos que Adriano é bem melhor que Obina, todos sabemos que as regalias fazem parte do pacote contratado.
Mas o que realmente me impressiona é como é difícil Adriano realmente se motivar com alguma coisa. A primeira convocação para a Seleção, ano passado, foi capaz de fazê-lo treinar, se esforçar para entrar em forma, se animar com a ideia de ir para mais uma Copa. E aquele gászinho ali foi em boa parte responsável pela arrancada rumo ao Hexa. Mas, depois disso, Adriano não ligou muito para a reta final do Brasileiro, prestes a conquistar o título que sua torcida aguardava havia 17 anos; também não parece estar lá muito empolgado este ano, com a aproximação do prazo final para Dunga definir seu grupo (e olha que até o Grafite mostrou mais serviço do que ele na Seleção neste último jogo...). O cara vai ao trabalho quando quer, quando não quer não vai, e é isso aí. E o Flamengo, enquanto isso, age o tempo todo como se o Imperador realmente estivesse apenas fazendo um favor ao clube estando por aqui. Não dá pra assustar o bicho, claro; qualquer movimento em falso pode fazê-lo bater as asas e voar pra longe. Não é isso?
Daqui a alguns dias o Flamengo viaja para a Venezuela, onde jogará pela Libertadores, e imagino que Adriano não vá treinar até o embarque - como não treina pra valer desde o jogo contra a Universidad Catolica (teve lá os seus 45 minutos insossos em campo contra a Irlanda, beleza). Mas foi assim que o Flamengo foi campeão brasileiro, então tá tudo certo.
Bom, pra começar, este link: Adriano não aparece na Gávea e está fora do jogo.
Vou dizer que a cada vez que leio algo assim, percebo o quanto deve ser difícil o trabalho de Gilmar Rinaldi. Como diabos ele vai convencer seu cliente a voltar para a rotina puxada que lhe colocou em depressão e largar a vida boa que leva hoje no Rio de Janeiro?
Vamos pular a parte da discussão em que alguém pergunta "você preferia o Obina?", ou a que se comenta pela enésima vez que "se não fosse assim ele estava na Itália". Todos concordamos que Adriano é bem melhor que Obina, todos sabemos que as regalias fazem parte do pacote contratado.
Mas o que realmente me impressiona é como é difícil Adriano realmente se motivar com alguma coisa. A primeira convocação para a Seleção, ano passado, foi capaz de fazê-lo treinar, se esforçar para entrar em forma, se animar com a ideia de ir para mais uma Copa. E aquele gászinho ali foi em boa parte responsável pela arrancada rumo ao Hexa. Mas, depois disso, Adriano não ligou muito para a reta final do Brasileiro, prestes a conquistar o título que sua torcida aguardava havia 17 anos; também não parece estar lá muito empolgado este ano, com a aproximação do prazo final para Dunga definir seu grupo (e olha que até o Grafite mostrou mais serviço do que ele na Seleção neste último jogo...). O cara vai ao trabalho quando quer, quando não quer não vai, e é isso aí. E o Flamengo, enquanto isso, age o tempo todo como se o Imperador realmente estivesse apenas fazendo um favor ao clube estando por aqui. Não dá pra assustar o bicho, claro; qualquer movimento em falso pode fazê-lo bater as asas e voar pra longe. Não é isso?
Daqui a alguns dias o Flamengo viaja para a Venezuela, onde jogará pela Libertadores, e imagino que Adriano não vá treinar até o embarque - como não treina pra valer desde o jogo contra a Universidad Catolica (teve lá os seus 45 minutos insossos em campo contra a Irlanda, beleza). Mas foi assim que o Flamengo foi campeão brasileiro, então tá tudo certo.
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O tamanho do preju
Como escrevi no texto anterior, abrir o Maracanã para jogos com o público que o Maracanã teve ontem é rasgar dinheiro. Flamengo x Madureira teve renda de R$67.560,00 e despesas de R$105.824,24 - a maior delas com a taxa cobrada pela Suderj, de mais de R$45 mil. Somando nisso aí o custo do antidoping, pago pelo Flamengo, e eis o tamanho do preju rubro-negro: R$41.382,24.
Prejuízo nos jogos desta Taça Rio não é exclusividade do Flamengo, claro. No mesmo Maracanã, o Fluminense atraiu um pouco mais de gente para ver seu jogo contra o Friburguense e saiu com saldo negativo de R$24 mil. Mas não é só o Mário Filho que abriga jogos deficitários; o Vasco perdeu R$27 mil jogando em São Januário contra o Volta Redonda e R$19 mil no Engenhão contra o Bangu (a equipe de Moça Bonita, mandante e perdedora do jogo, ficou com a fatia maior do prejuízo: R$24 mil). O Botafogo, que ainda não jogou em casa neste turno, ainda conseguiu o fantástico lucro de R$3.800 em Campos, contra o Americano.
Pensem nos salários pagos hoje a Carlos Alberto, Adriano, Vagner Love, Fred, Kléberson, Conca e El Loco Abreu e respondam: está ou não na hora de repensar o formato dos Estaduais?
Prejuízo nos jogos desta Taça Rio não é exclusividade do Flamengo, claro. No mesmo Maracanã, o Fluminense atraiu um pouco mais de gente para ver seu jogo contra o Friburguense e saiu com saldo negativo de R$24 mil. Mas não é só o Mário Filho que abriga jogos deficitários; o Vasco perdeu R$27 mil jogando em São Januário contra o Volta Redonda e R$19 mil no Engenhão contra o Bangu (a equipe de Moça Bonita, mandante e perdedora do jogo, ficou com a fatia maior do prejuízo: R$24 mil). O Botafogo, que ainda não jogou em casa neste turno, ainda conseguiu o fantástico lucro de R$3.800 em Campos, contra o Americano.
Pensem nos salários pagos hoje a Carlos Alberto, Adriano, Vagner Love, Fred, Kléberson, Conca e El Loco Abreu e respondam: está ou não na hora de repensar o formato dos Estaduais?
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Estadual 2010 - Taça Rio - 2a.rodada - Flamengo 2 x 0 Madureira
Foi 2x0, legal. O jogo não era dos mais importantes da temporada, beleza. O time é líder, Vagner Love artilheiro, tudo certo. Mas a verdade é que a atuação do Flamengo hoje, contra o Madureira, foi de chorar. E não deu pra entender bem o que passou pela cabeça de Andrade esta noite.
Como era previsível só de olhar para a escalação, o Flamengo foi um time com enormes problemas para tocar a bola, sem ninguém capaz de dar um passe vertical. Saída lenta da defesa, chegada com pouca gente ao ataque, Vagner Love brigando muito sozinho contra a defesa adversária... Com três volantes jogando contra um Madureira que dominava a bola, mas de maneira totalmente inofensiva, ao menos não houve riscos na defesa. Mas o jogo era ruim de doer e o panorama, desanimador.
Vejam bem: se o jogo não era nenhuma decisão, deveria ao menos ser encarado como mais uma preparação para os que virão e serão pra valer. O time tinha apenas dois desfalques - e um deles, Kléberson, se repetirá na próxima partida pela Libertadores. Seria de imaginar que Andrade buscasse já uma solução a ser usada. Porém, decidiu voltar do intervalo com o mesmo time inofensivo e, quando fez uma alteração, preferiu manter seus três volantes e colocar em campo um jogador que não poderá jogar contra o Caracas, por não estar inscrito na competição. Petkovic, pelo visto, está mesmo fora dos planos, pois só entrou (no lugar de Vinícius Pacheco, mantendo em campo o trio de ferro na frente da área) quando não havia tempo pra muita coisa.
E assim o jogo seguiu horroroso até o final. Vagner Love ainda perdeu um gol incrível, no único contra-ataque que o Flamengo conseguiu encaixar, antes de fazer um belo gol num chute de longe e sair protestando contra as vaias dos pouco mais de 2 mil pagantes que exerciam o direito de reclamar do triste espetáculo que se viu hoje no Maracanã. O Madureira ajudou a manter o nível baixo, pressionando por um longo tempo sem conseguir dar um chute sequer na direção do gol do Flamengo.
Vitória à parte, espero mesmo que ninguém por lá tenha saído satisfeito.
* * * * * * * * * * *
E, na boa, abrir o Maracanã pra este tipo de público é rasgar dinheiro. As fotos são de @fimdejogo - acreditem, são de dia de jogo do Flamengo.

3/3/2010 - 21h50 - Flamengo 2 x 0 MadureiraMaracanã - Rio de Janeiro, RJ
Árbitro: Wagner do Nascimento Magalhães (RJ)
Auxiliares: João Luiz Coelho de Albuquerque (RJ) e Francisco Pereira de Souza (RJ)
Cartão amarelo: Juan, Toró e Rodrigo Alvim (FLA); Wagner (MAD)
Gols: Fernando, 14'/1°T (1-0); Vagner Love, 43'/2°T (2-0)
Flamengo: Bruno, Leonardo Moura, Álvaro, Fabrício e Juan (Rodrigo Alvim, 30'/2°T); Toró, Willians, Fernando e Fierro (Ramon, 19'/2°T); Vinícius Pacheco (Petkovic, 34'/2°T) e Vagner Love. Técnico: Andrade.
Madureira: Jefferson, Bruno, Edinho, Leandrão e Nill; Zacarias (Arthur, intervalo), Rodrigo, Wagner e Alex Oliveira (Obina, 31'/2°T); Eberson (Michel, intervalo) e Derley. Téc: Antônio Carlos Roy.
Como era previsível só de olhar para a escalação, o Flamengo foi um time com enormes problemas para tocar a bola, sem ninguém capaz de dar um passe vertical. Saída lenta da defesa, chegada com pouca gente ao ataque, Vagner Love brigando muito sozinho contra a defesa adversária... Com três volantes jogando contra um Madureira que dominava a bola, mas de maneira totalmente inofensiva, ao menos não houve riscos na defesa. Mas o jogo era ruim de doer e o panorama, desanimador.
Vejam bem: se o jogo não era nenhuma decisão, deveria ao menos ser encarado como mais uma preparação para os que virão e serão pra valer. O time tinha apenas dois desfalques - e um deles, Kléberson, se repetirá na próxima partida pela Libertadores. Seria de imaginar que Andrade buscasse já uma solução a ser usada. Porém, decidiu voltar do intervalo com o mesmo time inofensivo e, quando fez uma alteração, preferiu manter seus três volantes e colocar em campo um jogador que não poderá jogar contra o Caracas, por não estar inscrito na competição. Petkovic, pelo visto, está mesmo fora dos planos, pois só entrou (no lugar de Vinícius Pacheco, mantendo em campo o trio de ferro na frente da área) quando não havia tempo pra muita coisa.
E assim o jogo seguiu horroroso até o final. Vagner Love ainda perdeu um gol incrível, no único contra-ataque que o Flamengo conseguiu encaixar, antes de fazer um belo gol num chute de longe e sair protestando contra as vaias dos pouco mais de 2 mil pagantes que exerciam o direito de reclamar do triste espetáculo que se viu hoje no Maracanã. O Madureira ajudou a manter o nível baixo, pressionando por um longo tempo sem conseguir dar um chute sequer na direção do gol do Flamengo.
Vitória à parte, espero mesmo que ninguém por lá tenha saído satisfeito.
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E, na boa, abrir o Maracanã pra este tipo de público é rasgar dinheiro. As fotos são de @fimdejogo - acreditem, são de dia de jogo do Flamengo.

3/3/2010 - 21h50 - Flamengo 2 x 0 MadureiraMaracanã - Rio de Janeiro, RJ
Renda/público: R$ 67.560,00 / 2.190 pagantes e 5.302 presentes
Auxiliares: João Luiz Coelho de Albuquerque (RJ) e Francisco Pereira de Souza (RJ)
Cartão amarelo: Juan, Toró e Rodrigo Alvim (FLA); Wagner (MAD)
Gols: Fernando, 14'/1°T (1-0); Vagner Love, 43'/2°T (2-0)
Flamengo: Bruno, Leonardo Moura, Álvaro, Fabrício e Juan (Rodrigo Alvim, 30'/2°T); Toró, Willians, Fernando e Fierro (Ramon, 19'/2°T); Vinícius Pacheco (Petkovic, 34'/2°T) e Vagner Love. Técnico: Andrade.
Madureira: Jefferson, Bruno, Edinho, Leandrão e Nill; Zacarias (Arthur, intervalo), Rodrigo, Wagner e Alex Oliveira (Obina, 31'/2°T); Eberson (Michel, intervalo) e Derley. Téc: Antônio Carlos Roy.
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O time do Flamengo para o jogo de hoje
Bruno, Léo Moura, Álvaro, Fabrício e Juan; Toró, Fernando, Willians e Fierro; Vinícius Pacheco e Vagner Love. Taí o time escalado por Andrade para enfrentar o Madureira, daqui a pouco, no Maracanã.
Com a barração de Mezenga, as matérias todas falaram na nova dupla de ataque, formada por Pacheco e Love, com Fierro entrando na armação no meio-campo. Mas não acho que vá ser bem por aí.
Andrade sabe que Fierro nunca rendeu no Flamengo como meia-armador. Seus melhores momentos são mesmo jogando aberto pela direita, e o próprio técnico falou disso em entrevistas; deve ser por aí que ele vai mesmo jogar. Vinícius, segundo o técnico, jogará com liberdade do meio para a frente, podendo se deslocar por todos os setores; porém, se não ficar mais pela esquerda, o time vai ficar torto. Me parece que o time terá um posicionamento inspirado no de 2009, com Fierro fazendo a função que era de Willians e Pacheco na de Zé Roberto, um de cada lado apoiando Love no ataque.
Mas há uma diferença grande aí: Petkovic não está escalado. E, sem ele, quem terá a função de tocar a bola no meio-campo? Willians? Fernando? O time já vinha jogando neste esquema de três volantes e três zagueiros, e a coisa deve ficar mais acentuada ainda hoje, sem Kléberson em campo. O time entra sem ninguém capaz de dar um passe vertical e deverá depender muito de arrancadas de Léo Moura, Juan e Willians para conseguir levar a bola da defesa para o ataque.
No banco, o próprio Petkovic e Ramon estarão esperando a hora de entrar e mudar um pouco este panorama.
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Comentei depois do último jogo que a defesa rubro-negra havia voltado a falhar demais na hora de enfrentar o jogo aéreo. Andrade enxergou isso e declarou em entrevistas que andou treinando um novo posicionamento para melhorar o desempenho defensivo nas bolas paradas. Bom saber que ele esteve atento aos problemas do time, mesmo com a goleada.
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E o Madureira?
O time fez uma boa campanha na Taça Guanabara, chegando a disputar a vaga na semifinal com o Botafogo até a última rodada, quando empatou com o Vasco em São Januário. Boa parte disso se deve ao veterano atacante Marcelo Ramos, de 36 anos, com passagens por uma penca de grandes clubes. Normalmente estes times pequenos têm mesmo um problema sério pra aproveitar as oportunidades de gol que criam e ter alguém lá na frente com calma pra empurrar a bola pra dentro faz diferença. Marcelo Ramos fez 6 gols no campeonato, dois a menos que Vagner Love, um a mais que Adriano.
No entanto, ele está fora do jogo de hoje por ter sido expulso contra o Boavista, na estreia do time pela Taça Rio (derrota por 2x1, em jogo disputado de manhã cedo). Assim, a esperança de gols será outro veterano: Derlei, ex-Porto, Dínamo de Moscou, Benfica e Sporting, que estava no Vitória (onde jogou apenas uma partida no Brasileiro 2009, fazendo um gol). Ele estreou contra o Boavista e fez seu golzinho. Além dele, o Madureira conta ainda com o velho Alex Oliveira, ex-Vasco e Fluminense, na armação das jogadas.
Com a barração de Mezenga, as matérias todas falaram na nova dupla de ataque, formada por Pacheco e Love, com Fierro entrando na armação no meio-campo. Mas não acho que vá ser bem por aí.
Andrade sabe que Fierro nunca rendeu no Flamengo como meia-armador. Seus melhores momentos são mesmo jogando aberto pela direita, e o próprio técnico falou disso em entrevistas; deve ser por aí que ele vai mesmo jogar. Vinícius, segundo o técnico, jogará com liberdade do meio para a frente, podendo se deslocar por todos os setores; porém, se não ficar mais pela esquerda, o time vai ficar torto. Me parece que o time terá um posicionamento inspirado no de 2009, com Fierro fazendo a função que era de Willians e Pacheco na de Zé Roberto, um de cada lado apoiando Love no ataque.
Mas há uma diferença grande aí: Petkovic não está escalado. E, sem ele, quem terá a função de tocar a bola no meio-campo? Willians? Fernando? O time já vinha jogando neste esquema de três volantes e três zagueiros, e a coisa deve ficar mais acentuada ainda hoje, sem Kléberson em campo. O time entra sem ninguém capaz de dar um passe vertical e deverá depender muito de arrancadas de Léo Moura, Juan e Willians para conseguir levar a bola da defesa para o ataque.
No banco, o próprio Petkovic e Ramon estarão esperando a hora de entrar e mudar um pouco este panorama.
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Comentei depois do último jogo que a defesa rubro-negra havia voltado a falhar demais na hora de enfrentar o jogo aéreo. Andrade enxergou isso e declarou em entrevistas que andou treinando um novo posicionamento para melhorar o desempenho defensivo nas bolas paradas. Bom saber que ele esteve atento aos problemas do time, mesmo com a goleada.
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E o Madureira?
O time fez uma boa campanha na Taça Guanabara, chegando a disputar a vaga na semifinal com o Botafogo até a última rodada, quando empatou com o Vasco em São Januário. Boa parte disso se deve ao veterano atacante Marcelo Ramos, de 36 anos, com passagens por uma penca de grandes clubes. Normalmente estes times pequenos têm mesmo um problema sério pra aproveitar as oportunidades de gol que criam e ter alguém lá na frente com calma pra empurrar a bola pra dentro faz diferença. Marcelo Ramos fez 6 gols no campeonato, dois a menos que Vagner Love, um a mais que Adriano.
No entanto, ele está fora do jogo de hoje por ter sido expulso contra o Boavista, na estreia do time pela Taça Rio (derrota por 2x1, em jogo disputado de manhã cedo). Assim, a esperança de gols será outro veterano: Derlei, ex-Porto, Dínamo de Moscou, Benfica e Sporting, que estava no Vitória (onde jogou apenas uma partida no Brasileiro 2009, fazendo um gol). Ele estreou contra o Boavista e fez seu golzinho. Além dele, o Madureira conta ainda com o velho Alex Oliveira, ex-Vasco e Fluminense, na armação das jogadas.
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Estadual 2010,
Madureira
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