Momentos decisivos do Hexa: a contratação de Petkovic



Mais até do que o título do Flamengo, que pegou desprevenida a enorme maioria da imprensa esportiva, a grande surpresa do campeonato foi Petkovic. Um cara que já havia marcado seu nome na história do Flamengo, mas que vinha de passagens fracassadas em Santos, Goiás e Atlético-MG - times nos quais chegou como grande reforço e acabou no banco de reservas. Seu retorno ao Flamengo, definido em maio, teve um tratamento que variou entre "polêmica" e "chacota"; era o clube dobrando-se aos seus problemas financeiros para colocar no elenco um ex-jogador em atividade, que estava parado por meses e, aparentemente por capricho pessoal, queria ter mais uma chance de jogar no time mais popular do país.

Voltemos atrás e lembremos como se deu o negócio. O Flamengo viveu um ano complicado; não só haveria eleições em dezembro como o mandatário do clube, Delair Dumbrosck, precisava lidar com o status de interino. Embora tivesse efetivamente o poder, precisava conviver com muita gente dentro do clube nomeada por Márcio Braga, o presidente eleito e, quase sempre, licenciado. Era o caso do Vice Presidente de futebol, Kléber Leite - caso Delair tivesse a condição de presidente definitivo, é certo que não seria Kléber o manda-chuva do departamento. As diferenças de pensamento entre os dois eram claras, e logo começou a se travar uma velada queda-de-braço.

A vinda de Petkovic foi, talvez, o primeiro grande episódio nesta disputa. Delair conduziu o negócio, a partir da renegociação de uma antiga e gigantesca dívida do clube com o jogador, que fazia com que uma grande percentagem das receitas rubro-negras, penhoradas, fossem parar diretamente na conta de Petkovic. Com o negócio definido, o presidente em exercício até se arriscava timidamente a fazer previsões otimistas sobre o rendimento do meia em campo - mas defendia mesmo o contrato pela ótica financeira.


"O acordo foi bom para o clube. A caneta hoje está comigo e eu preciso resolver os problemas do Flamengo. Na hora que o treinador vai embora, o treinador não leva seu jogador junto."


Quando o negócio foi anunciado oficialmente na TV, houve verdadeira revolução no Departamento de Futebol. Era dia de decisão na Copa do Brasil - haveria a partida de volta contra o Internacional, no Beira-Rio, pelas quartas-de-final -, e o noticiário, em vez de tratar da partida, fervia com notícias de bastidores. Durante algumas horas, a partir do fim da tarde, especulou-se que o técnico Cuca deixaria o clube por conta da contratação. Após o jogo, Kléber Leite manteve o silêncio, enquanto o treinador respondia constrangido às perguntas sobre o caso na entrevista coletiva dizendo que era apenas empregado do clube e deveria acatar as decisões da diretoria.


No dia seguinte, Kléber conseguiu que Márcio Braga retornasse de sua licença médica e parecia que uma intervenção acabaria com o poder de Delair no futebol. A própria vinda de Petkovic foi posta em dúvida - mas Márcio acabou não voltando atrás no negócio. De maneira constrangedora, Petkovic foi apresentado sem a presença de nenhum integrante do Departamento de Futebol e parecia que viveria dali pra frente como um clandestino na Gávea, indesejável para comissão técnica e diretoria. Ninguém poderia imaginar o que o Destino reservava para os meses seguintes de Petkovic no Flamengo.

Fora a parte técnica, dentro de campo, o advento da chegada do gringo serviu como um marco no racha político entre Kléber Leite, Plínio Serpa Pinto e Delair Dumbrosck, que acabaria reassumindo a presidência logo depois, com Márcio Braga voltando a se afastar. E esta cisão política, turbinada pela proximidade das eleições presidenciais, acabou também sendo determinante para a história do Flamengo no campeonato.

7 comentários:

Max disse...

Essa derrota do Kleber Leite foi heróica!

Lembre-se ainda que apesar do Pet já estar treinando normalmente no time, o Cuca jamais lhe deu uma chance de jogar. Ele entrou algumas poucas vezes no time, mas sempre faltando minutos pra acabar o jogo. A primeira chance real do gringo foi com o Andrade, se não me engano, contra o Goiás, quando ele entrou no intervalo. Logo depois ele virou titular...

Se o Cuca não tivesse saído, talvez o Pet nunca tivesse tido uma chance de fato.

André Monnerat disse...

Max, a série ainda vai chegar nestes capítulos... :)

Marcos André Lessa disse...

Ou seja, Pet ainda fez o favor de banir Kleber Leite do clube. Dinheiro nenhum é melhor q isso!

Marcelo Constantino disse...

+Pet
-Kleber
-Cuca

Somente resultados positivos para o Flamengo.

Juan disse...

Essa tela aí do site oficial foi bancada por mim.

Tiago Cordeiro disse...

Não tem lógica nenhuma o Pet ter jogado bola. Nenhuma! O sucesso do Pet é dessas coisas míticas, épicas que cala a boca de todo mundo que acha que já viu tudo no futebol e que sempre dá aquele sorriso amarelo quando se surpreende.

O sucesso do Pet é a coisa mais flamenguista que se viu em campo esse ano.

Juan disse...

Discordo. O Flamengo não tinha nenhum jogador com as caracteristicas dele, o que nos levava à dependência dos alas. E precisávamos de um meia. Para mim estava claro que no, mínimo, ele poderia ser útil. E falo isso desde o ano passado. O Monnerat é testemunha. Depois de vê-lo em boa forma física na apresentação, achei que, se tivesse chances, poderia jogar, sim. Mas o que ele fez, acho que nem ele mesmo poderia esperar.