Meu personagem da semana: Petkovic*

* Texto da coluna semanal para o FlamengoRJ
Diz o noticiário que hoje será definida a participação ou não de Álvaro e Petkovic no joguinho do Flamengo de amanhã, contra o Madureira. Em princípio, apenas problemas físicos poderiam deixar os dois de fora da partida. No entanto, se Álvaro é titular absoluto, hoje já não é este o caso de Petkovic - que até bem pouco tempo atrás era considerado imprescindível por todos. Hoje, dizem que está "sem clima" com o elenco, com a diretoria, com o treinador.

Caio Barbosa, jornalista que cobre o dia-a-dia do Flamengo para o jornal Extra, escreveu em seu twitter que "só a torcida rubro-negra pode forçar a renovação de contrato do Pet. É um peixe fora d´água no clube, sem ambiente algum". De fato, o carinho que os torcedores têm pelo herói de dois títulos históricos pode fazer a diferença. Mas a permanência ou não de Petkovic depende, antes de tudo, do próprio Pet.

Vamos lembrar que, até chegar ao Flamengo no meio do ano passado, Petkovic já era dado como ex-jogador em atividade. Entrou no clube pela porta dos fundos, sem que quase ninguém por lá tomasse conhecimento. Mas o gringo sabia que estava por baixo e resolveu trabalhar; treinou, se preparou. Como não havia no elenco ninguém para ocupar a posição de meia de criação e ele mostrava serviço nos treinos, teve sua chance. Entrou com humildade e, na bola, ganhou seu lugar.

O problema todo é que, com o sucesso, seu ego foi inflado. Já no fim do ano passado, suas atuações foram caindo de nível. Em boa parte, claro, por problemas físicos; Pet já não é nenhum garoto e sofreu uma contusão muscular que o prejudicou. Mas muito também porque, além de ter resolvido capitalizar a popularidade em mil eventos extracampo, passou a jogar no gramado de maneira bem menos modesta - não só correndo menos, mas tentando decidir a partida a cada lance, sempre partindo para lançamentos improváveis ou penetrações impossíveis toda vez que pegava na bola. No entanto, isso foi no fim do campeonato, ele já havia deixado sua marca na campanha (e, pra mim, foi mesmo o grande diferencial técnico no time que arrancou para o título) e a conquista fez sumir todos os erros que pudessem ter sido cometidos, por ele e por todos os outros que lá estavam.

A questão é que, este ano, Pet voltou mostrando a mesma falta de humildade, dentro e fora de campo. E, no momento, está regredindo à mesma situação em que chegou à Gávea: relegado a segundo plano por todos, sem espaço no time. O tal peixe fora d´água. Eu mesmo tinha sérias dúvidas, desde antes da temporada começar, se ele seria capaz de continuar jogando em alto nível em 2010 - e elas vão ficando cada vez maiores agora, não só para mim.

Se Petkovic quer sair por cima desta sua passagem pelo Flamengo, é o momento de perceber que, se a situação é parecida, a solução é exatamente a mesma do ano passado: trabalho e humildade. Até porque a situação do time também tem algo em comum com a de 2009: não há outro meia de criação no elenco pronto para pegar o lugar de camisa 10 (Adriano usa o número nas costas, mas vocês entenderam do que estou falando). Hoje, o time de Andrade joga praticamente com três volantes - Toró (guardando vaga para Maldonado), Willians e Kléberson - e três atacantes - Adriano, Love e Vinícius Pacheco. Este último anda sendo muito exaltado, e tem mesmo se mostrado surpreendentemente útil; mas não é um armador, daqueles de aparecer no meio e fazer a bola correr, e sim alguém que gosta de correr com a bola e que precisa de espaço para isso para aparecer realmente bem. Pacheco pode ser um substituto para o que Zé Roberto fazia ano passado, e não para Petkovic. O time pode até ir vencendo sem ter este homem; afinal, são todos bons jogadores e podem ir se virando, encontrando soluções. Mas o Brasileiro do ano passado mostrou a diferença que faz ter um grande armador.

Com todos os problemas, Andrade ainda tem dado oportunidades para Petkovic entrar em campo. Provavelmente teria iniciado a partida contra o Macaé, se estivesse liberado pelo departamento médico. Se estiver bem, deve jogar amanhã - se não de início, com certeza durante a partida. Ou seja: espaço para mostrar serviço ele ainda vai ter. Resta saber se saberá aproveitá-lo. Até porque andam dizendo por aí que a diretoria já anda pensando em um nome para ocupar o espaço que, por enquanto, ainda está ao alcance de suas atuações.

6 comentários:

Marco Antonio disse...

E o Ramon nesse time?

André Monnerat disse...

Marco Antonio, eu vou ter um pouco mais de calma pra falar de Ramon. Por enquanto, o cara só jogou 20 minutos contra o Macaé...

Tiago Cordeiro disse...

Qual o twitter desse jornalista?

André Monnerat disse...

Ih, esqueci de incluir o link - acabei de colocar no texto. É http://twitter.com/CaioBarbosa

Bosco Ferreira disse...

O Ramon tem as mesmas caracteristicas do Vinicios Pacheco. O Pet ainda será útil na LA. Jogador na posição dele é muito raro se quisermos um no nível dele.

Renato Freire disse...

Ótima análise. Não há o que acrescentar. Resta agora ver o que o Ramon é capaz de fazer em campo.