Aquele não foi apenas um gol. Foi um sinal divino de que tudo é parte de algo maior. Texto da coluna semanal no FlamengoNet.
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Adriano e o pacote contratado*
* Texto para a coluna semanal no FlamengoNet.
O Flamengo finalmente perdeu um jogo, depois de tentar bastante. E, por conta do resultado, várias opiniões mais críticas sobre determinados aspectos do time começam a aparecer por aí - na imprensa, em blogs, no Twitter. Me chamou a atenção especificamente a quantidade de comentários reclamando de Adriano. "Pesadão", "sem ritmo", "tem que treinar mais" e por aí vai.
Vejam bem: se as faltas a treinos, as regalias e os problemas extra-campo fazem parte do pacote contratado para ter Adriano no time (e todos já concordam com isso, e repetem várias vezes que "se não fosse assim, ele estaria na Itália"), eu já estou chegando à conclusão que também esta sua forma meia-bomba faz parte do acordo - até porque ela é consequência exatamente de outros pontos negociados no contrato. Pode ser que, em eventuais momentos de maior empolgação do Imperador, ele dê um upgrade ocasional. Mas, de modo geral, é isso aí mesmo que dá pra esperar; é o que ele mostrou na maior parte do tempo em que esteve por aqui.
Muitos vão dizer que não é bem assim, que o Flamengo foi Hexa graças a ele, jogando bem mais do que agora. E é verdade; quando Adriano entrou em forma, foi fundamental para a arrancada do time rumo ao título. Porém, como já escrevi aqui algumas vezes, isso aconteceu em uma fase específica do campeonato, quando ele voltou realmente bem fisicamente da primeira convocação para a Seleção. Diria que aquele Adriano, o verdadeiro Imperador, entrou em campo entre os jogos contra o Sport, na 24a. rodada, e o contra o Botafogo, na 31a. Um intervalo, portanto, de oito rodadas apenas - sendo que ele esteve ausente nos jogos contra Vitória e São Paulo, por estar na Seleção.
Já mencionei aqui que, até aquela convocação, Adriano andava fazendo gols, era importante, mas não fazia do Flamengo um time vencedor. Lembrei que ele esteve em campo, impotente, nas goleadas sofridas para Sport, Coritiba, Avaí e Grêmio, na fase ruim do time. Mas vou fazer diferente agora e relembrar alguns relatos do ano passado, pra vocês verem que isso não é só revisionismo meu.
Primeiro, para ilustrar a visão que eu tinha do Adriano pré-Seleção:
Este texto foi exatamente antes da ida de Adriano para a Seleção, quando o Flamengo estava longe de ser considerado candidato ao título. Ele voltaria a jogar apenas contra o Sport, no Maracanã, de volta de seu spa comandado por Dunga. E esta já foi uma bela atuação, a sua melhor no Flamengo até então, em que a diferença de seu físico já chamava a atenção:
O jogo seguinte foi a épica vitória contra o Atlético-MG, no Mineirão. Adriano fez novamente um gol de cabeça (o terceiro do time), mas esteve apagado a maior parte do jogo. Quem foi ao Mineirão notou que ele já não se movimentava bem em campo - caso de meu amigo Max, que em nossas conversas nunca deixou de achar Adriano importantíssimo para o time e a compreensão sobre o tal "pacote contratado". Max viajou para ver o time de perto e registrou sua impressão sobre o Imperador em um e-mail da época: "E o Adriano nao treinou hoje de novo. Foda... Ele podia dar um gás ao menos nessa reta final. Tá gordo e quase não se mexe em campo".
Pois é: àquela altura, o Adriano que se via não era muito diferente do que se vê hoje - talvez estivesse até pior. O Flamengo acabou Hexa, vocês sabem, mas não sem sofrimento e com atuações bem abaixo daquelas do auge da arrancada. Todos se lembram do dramático jogo contra o Grêmio, em que Adriano jogou ainda com bolha no pé, esteve mal e perdeu várias oportunidades de marcar. Mas mesmo antes da tal queimadura numa lâmpada de jardim que o tirou da partida contra o Corinthians, na penúltima rodada, ele já havia decepcionado no empate contra o Goiás, no Maracanã, quando muitos sentiram o título escapando por entre os dedos:
* * * * * * * * * * * * *
Tudo isso é pra dizer o seguinte: o Adriano decisivo, impressionante, Imperador, de que todos se lembram na campanha do Hexa, não durou muito. Uma meia dúzia de partidas, talvez. Na maior parte do tempo, tanto em 2009 quanto em 2010 (a atuação contra o Universidad não foi muito diferente do que se viu, por exemplo, contra o Vasco - mas houve um pênaltizinho que deu a Adriano a chance de "passar seu recado" e mudou um tanto o tom dos comentários sobre ele no dia seguinte), o Flamengo teve um atacante acima da média, que sabe usar seu porte físico e sua técnica superior para concluir bem as chances de gol que lhe aparecerem; mas que se mantém longe de sua melhor forma física, costuma cansar no segundo tempo e que não resolverá a parada com frequência quando o time como um todo não estiver funcionando bem. Um jogador de bom nível em relação à concorrência, capaz de fazer muitos gols e dar alegrias, mas não um excepcional, fora de série. Um belo centro-avante, mas não tão diferente assim de outros por aí que sabem deixar sua marca quando o time lhe servir bem. Melhor que Washington ou El Loco Abreu, mas não muito mais decisivo do que um Kléber ou um Fred, por exemplo.
É mais do que a maioria dos times por aí têm. Mas é menos do que muitos rubro-negros acham que podem contar. Pelo que eu já percebi, o pacote contratado é este. E talvez, se não fosse assim, ele estivesse na Itália.
O Flamengo finalmente perdeu um jogo, depois de tentar bastante. E, por conta do resultado, várias opiniões mais críticas sobre determinados aspectos do time começam a aparecer por aí - na imprensa, em blogs, no Twitter. Me chamou a atenção especificamente a quantidade de comentários reclamando de Adriano. "Pesadão", "sem ritmo", "tem que treinar mais" e por aí vai.
Vejam bem: se as faltas a treinos, as regalias e os problemas extra-campo fazem parte do pacote contratado para ter Adriano no time (e todos já concordam com isso, e repetem várias vezes que "se não fosse assim, ele estaria na Itália"), eu já estou chegando à conclusão que também esta sua forma meia-bomba faz parte do acordo - até porque ela é consequência exatamente de outros pontos negociados no contrato. Pode ser que, em eventuais momentos de maior empolgação do Imperador, ele dê um upgrade ocasional. Mas, de modo geral, é isso aí mesmo que dá pra esperar; é o que ele mostrou na maior parte do tempo em que esteve por aqui.
Muitos vão dizer que não é bem assim, que o Flamengo foi Hexa graças a ele, jogando bem mais do que agora. E é verdade; quando Adriano entrou em forma, foi fundamental para a arrancada do time rumo ao título. Porém, como já escrevi aqui algumas vezes, isso aconteceu em uma fase específica do campeonato, quando ele voltou realmente bem fisicamente da primeira convocação para a Seleção. Diria que aquele Adriano, o verdadeiro Imperador, entrou em campo entre os jogos contra o Sport, na 24a. rodada, e o contra o Botafogo, na 31a. Um intervalo, portanto, de oito rodadas apenas - sendo que ele esteve ausente nos jogos contra Vitória e São Paulo, por estar na Seleção.
Já mencionei aqui que, até aquela convocação, Adriano andava fazendo gols, era importante, mas não fazia do Flamengo um time vencedor. Lembrei que ele esteve em campo, impotente, nas goleadas sofridas para Sport, Coritiba, Avaí e Grêmio, na fase ruim do time. Mas vou fazer diferente agora e relembrar alguns relatos do ano passado, pra vocês verem que isso não é só revisionismo meu.
Primeiro, para ilustrar a visão que eu tinha do Adriano pré-Seleção:
Devo dizer que me impressiona o estágio atual da forma física de Adriano, tanto tempo depois de sua volta ao futebol, sem contusões no meio do caminho. Ele diz que está próximo do ideal, mas realmente não acho que quem o vê em campo concorde. O cara é melhor que os outros tecnicamente, está claro, e até em termos de inteligência em campo se diferencia. Mas ainda está muito mais lento do que o seu normal, e até agora nada da bomba de esquerda dar as caras.
(...)
De novo: ele é importante em campo, como não - não vou discutir. E, como lembram muito, o artilheiro do time, inclusive.
Mas, pra colocar as coisas em perspectiva, quero lembrar que Obina fez, até agora, apenas um gol a menos que Adriano no campeonato.
Este texto foi exatamente antes da ida de Adriano para a Seleção, quando o Flamengo estava longe de ser considerado candidato ao título. Ele voltaria a jogar apenas contra o Sport, no Maracanã, de volta de seu spa comandado por Dunga. E esta já foi uma bela atuação, a sua melhor no Flamengo até então, em que a diferença de seu físico já chamava a atenção:
(...) a produção do time na frente poderia ter sido ainda melhor - mas, ao menos pro nível do adversário, a bela atuação de Adriano compensou com tranquilidade. Hoje o Imperador pareceu mais leve, se movimentou bem e, fora os dois gols, fez várias outras belas jogadas.A impressão se confirmou na rodada seguinte, contra o Coritiba - mais uma grande atuação de Adriano, em que ficou claro para todos que a sua forma física era outra:
Mas quem pode não se empolgar com um gol como este que os dois nos apresentaram hoje? A movimentação, o lançamento, o toque por cobertura - tudo perfeito. E Adriano ainda fez questão de tirar a camisa na comemoração, pra levar o cartãozinho besta, mas mostrar como anda seu físico.O time seguiu bem nas rodadas seguintes, foi se aproximando da liderança. Na 31a. rodada, Adriano decidiu contra o Botafogo, ganhando no físico dos zagueiros adversários para fazer o gol da vitória - "embolou-se com a bola na maior parte de seus lances, mas decidiu o jogo em uma só jogada". Na rodada seguinte, contra o Barueri, sem Petkovic, não esteve bem e o time teve uma noite péssima. Contra o Santos, o time voltou a vencer, com gol de cabeça de Adriano. Mas Bruno teve que pegar dois pênaltis, o time passou perrengue no Maracanã e a forma do Imperador já não era a mesma, algo que quem via os jogos no estádio podia notar com clareza:
O time, na verdade, sofreu com o cansaço de suas principais peças ofensivas a partir de um determinado momento (...).
Adriano - que já não está mais naquela forma exuberante em que foi devolvido pela Seleção há um tempo atrás - até partia para algumas arrancadas em contra-ataques, mas acabava concluindo mal os lances pela falta de pernas. Numa delas, deu um pique realmente incrível para ganhar na velocidade de um adversário - e, depois de ter ficado com a bola, simplesmente passou a bola para um jogador do Santos. A vista do cara deve ter embaçado.
E fica aqui um parêntese: faltam só cinco rodadas. É hora de conscientizar todo mundo do momento de decisão que a equipe vive. As férias vão chegar logo logo, todos vão poder descansar o quanto puderem. É hora de todo mundo - todo mundo! - treinar, todo dia, dando seu máximo, para estar no melhor de sua forma. Quem acha que merece as regalias que ganha poderia deixá-las um pouquinho de lado numa hora dessas.
O jogo seguinte foi a épica vitória contra o Atlético-MG, no Mineirão. Adriano fez novamente um gol de cabeça (o terceiro do time), mas esteve apagado a maior parte do jogo. Quem foi ao Mineirão notou que ele já não se movimentava bem em campo - caso de meu amigo Max, que em nossas conversas nunca deixou de achar Adriano importantíssimo para o time e a compreensão sobre o tal "pacote contratado". Max viajou para ver o time de perto e registrou sua impressão sobre o Imperador em um e-mail da época: "E o Adriano nao treinou hoje de novo. Foda... Ele podia dar um gás ao menos nessa reta final. Tá gordo e quase não se mexe em campo".
Pois é: àquela altura, o Adriano que se via não era muito diferente do que se vê hoje - talvez estivesse até pior. O Flamengo acabou Hexa, vocês sabem, mas não sem sofrimento e com atuações bem abaixo daquelas do auge da arrancada. Todos se lembram do dramático jogo contra o Grêmio, em que Adriano jogou ainda com bolha no pé, esteve mal e perdeu várias oportunidades de marcar. Mas mesmo antes da tal queimadura numa lâmpada de jardim que o tirou da partida contra o Corinthians, na penúltima rodada, ele já havia decepcionado no empate contra o Goiás, no Maracanã, quando muitos sentiram o título escapando por entre os dedos:
(...) na boa: no fim do jogo o cara parecia não ter forças nem pra tocar a bola de lado - era até constrangedor.
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Tudo isso é pra dizer o seguinte: o Adriano decisivo, impressionante, Imperador, de que todos se lembram na campanha do Hexa, não durou muito. Uma meia dúzia de partidas, talvez. Na maior parte do tempo, tanto em 2009 quanto em 2010 (a atuação contra o Universidad não foi muito diferente do que se viu, por exemplo, contra o Vasco - mas houve um pênaltizinho que deu a Adriano a chance de "passar seu recado" e mudou um tanto o tom dos comentários sobre ele no dia seguinte), o Flamengo teve um atacante acima da média, que sabe usar seu porte físico e sua técnica superior para concluir bem as chances de gol que lhe aparecerem; mas que se mantém longe de sua melhor forma física, costuma cansar no segundo tempo e que não resolverá a parada com frequência quando o time como um todo não estiver funcionando bem. Um jogador de bom nível em relação à concorrência, capaz de fazer muitos gols e dar alegrias, mas não um excepcional, fora de série. Um belo centro-avante, mas não tão diferente assim de outros por aí que sabem deixar sua marca quando o time lhe servir bem. Melhor que Washington ou El Loco Abreu, mas não muito mais decisivo do que um Kléber ou um Fred, por exemplo.
É mais do que a maioria dos times por aí têm. Mas é menos do que muitos rubro-negros acham que podem contar. Pelo que eu já percebi, o pacote contratado é este. E talvez, se não fosse assim, ele estivesse na Itália.
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E, considerando tudo isso, faz pouco sentido vermos Adriano saindo tanto para buscar o jogo enquanto Vagner Love joga o tempo dentro da área. Não só é esquisito pelas características dos dois, como ainda não combina com o fôlego de Adriano. Não é de se estranhar que, no fim da partida em Santiago, suas arrancadas fossem neutralizadas com tanta facilidade pelos zagueiros chilenos.
E, considerando tudo isso, faz pouco sentido vermos Adriano saindo tanto para buscar o jogo enquanto Vagner Love joga o tempo dentro da área. Não só é esquisito pelas características dos dois, como ainda não combina com o fôlego de Adriano. Não é de se estranhar que, no fim da partida em Santiago, suas arrancadas fossem neutralizadas com tanta facilidade pelos zagueiros chilenos.
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O último rubro-negro a comemorar
É capaz de a maioria de vocês já ter visto isso, ou ao menos ouvido falar. Mas como não sou exatamente fã de reality shows, dificilmente já teria visto isso se não fosse meu amigo Tiago Cordeiro.
A reação do cara é sensacional!
A reação do cara é sensacional!
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Momentos decisivos do Hexa: a reta final
No início do campeonato, o torcedor rubro-negro não sabia o que esperar de seu time; havia alguns grandes jogadores por lá, mas não se sabia quem iria ficar até o fim, como seria o clima em ano de eleição, como a situação financeira se sustentaria ao longo da temporada. A partir de determinado momento, a torcida passou a saber o que esperar: nada. Esta ainda não foi a pior situação: houve uma fase em que o que alguns esperavam era a luta contra o rebaixamento. O time se acertou, começou a vencer e começaram as contas daqueles com esperança numa ainda distante vaga na Libertadores. E, a quatro rodadas do fim, após a categórica vitória contra o Atlético no Mineirão, todo torcedor do Flamengo já esperava o título - qualquer coisa abaixo disso já teria um certo sabor de decepção. Embora a tarefa ainda não parecesse simples.
Era preciso vencer e torcer contra os adversários diretos - que, àquela altura, pareciam ser São Paulo, Palmeiras e Atlético Mineiro. De cara, veio o primeiro e mais improvável bom resultado: numa quarta à noite, o Palmeiras seguiu ladeira abaixo e empatou em casa com o rebaixado Sport. No sábado, o Atlético voltou a perder, desta vez para o Coritiba, no Couto Pereira. Como o São Paulo venceu no mesmo dia o Vitória por 2x0, um triunfo rubro-negro no domingo, contra o Náutico, em Recife, colocaria a equipe na segunda colocação.
E a vitória veio, de maneira até tranquila. Com Petkovic apagado, foi a vez de Adriano brilhar: participou do primeiro gol, matando uma bola dificílima dentro da área e rolando para o chute de Léo Moura, cujo rebote Pet aproveitou; e fez o segundo, ainda no primeiro tempo, aproveitando cruzamento de Zé Roberto. No segundo tempo, o time continuou controlando o jogo, enquanto o Náutico se desesperava ao ver o rebaixamento ainda mais perto.
* * * * * * * * * * * * * *
36a. rodada, e o Flamengo só via à sua frente o São Paulo. E assim, no domingo, muitos rubro-negros falavam em comparecer ao Engenhão para torcer para o Botafogo, que precisava de um bom resultado contra o São Paulo para não se complicar ainda mais na luta para escapar da série B. Nunca teve tanto torcedor do Flamengo torcendo para o Botafogo, e as vibrações positivas deram certo: o Maracanã já estava cheio, à espera do início de Flamengo x Goiás, quando Jóbson fez o gol da vitória alvi-negra por 3x2, nos últimos minutos da partida. A torcida rubro-negra explodiu em festa, como se o próprio Flamengo tivesse balançado as redes. Dia de recorde de público do campeonato, dia do maior mosaico do mundo formado pelos torcedores que lotavam os anéis superior e inferior do estádio e o coloriam de vermelho e preto, formando em branco a inscrição A maior torcida do Mundo faz a diferença. A festa estava pronta para o Flamengo assumir a liderança, pela primeira vez no campeonato.
Mas isso não aconteceu; em campo, o time decepcionou. Fez um primeiro tempo muito ruim, jogando lentamente e praticamente não ameaçando o Goiás. Na segunda etapa, o rendimento melhorou, houve mais movimentação, as chances apareceram - mas a bola não entrou. O 0x0 final - que levou a muita especulação na imprensa sobre uma possível "mala branca" que tivesse turbinado o rendimento dos goianos, que correram muito apesar de não terem mais nada a disputar na competição - foi uma verdadeira ducha de água fria. O Flamengo continuava na segunda colocação, um ponto atrás do São Paulo, e passava a precisar de um tropeço do adversário em um dos dois jogos restantes - ambos contra equipes já desinteressadas do campeonato, que não lutavam nem por título, nem contra o rebaixamento. A sensação em boa parte da torcida era de que o Hexa havia escapado por entre os dedos naquela tarde.
Na penúltima rodada, todos os jogos aconteceram no mesmo dia e horário: 29/11, 17h. Assim, não bastava se preocupar com o que acontecia em campo com o seu time; era preciso estar ligado no rádio, no sistema de som do estádio ou na bolinha que pintava na tela da TV anunciando algum gol em outra partida. Foi assim que os rubro-negros tiveram a decepcionante notícia de que, em Goiânia, o São Paulo fazia 1x0 no Goiás, ainda aos 15 minutos do primeiro tempo, enquanto o Flamengo seguia no 0x0 com o Corinthians. Parecia que não ia dar. Pra piorar a situação, o time jogava sem Adriano - que havia gerado polêmica durante a semana ao aparecer com o pé queimado, alegando ter topado com uma lâmpada em seu jardim, enquanto veículos da imprensa garantiam que o acidente havia acontecido em um passeio na garupa da moto de um amigo.
Porém, ao mesmo tempo em que Zé Roberto aproveitava longo lançamento de Toró e abria o placar para o Flamengo em Campinas, surgia a notícia de que o Goiás empatara o jogo no Serra Dourada. Era festa em dobro, que aumentou quando os goianos viraram para 2x1, ainda no primeiro tempo. No Brinco de Ouro da Princesa (pra onde o jogo foi transferido a pedido da polícia de São Paulo, já que o Palmeiras jogaria no mesmo horário em seu estádio), a vitória rubro-negra seguiu sem grandes sobressaltos até o finalzinho, quando Léo Moura cobrou pênalti que ele mesmo sofreu e definiu o 2x0. Já no Serra Dourada, o agitado jogo terminou em 4x2 para o Goiás - que assim recolocava o Hexa ao alcance das mãos do Flamengo, depois de tê-lo tirado de lá na semana anterior.
6 de dezembro de 2009. O Rio de Janeiro amanheceu vestido de vermelho e preto. A cena nas ruas era de impressionar: parecia que toda a população decidira sair ainda de manhã vestindo a camisa do Flamengo. Cerca de 100 mil destes tiveram a sorte de poder estar no superlotado Maracanã, para assistir de perto ao jogo que daria o primeiro título brasileiro ao time de maior torcida do país desde 1992. Todos os demais rumavam para qualquer lugar que reunisse rubro-negros, cerveja - como se vendeu cerveja! - e uma tela que transmitisse Flamengo x Grêmio. Foram inúmeros pontos de concentração por toda a cidade, incluindo telões montados pela Prefeitura em alguns pontos.
Durante a semana, o elenco rubro-negro trabalhou em Teresópolis, para afastar-se do oba-oba do Rio de Janeiro - onde o assunto era um só, sempre: o jogo de domingo. Com os ingressos todos esgotados na semana anterior em apenas um dia, mesmo antes da vitória sobre o Corinthians, a luta por uma entrada tomou conta da cidade e até do país: os cambistas podiam cobrar 150, 200, 300 reais por um cartão, sem medo de encalhe. Pelo contrário: muita gente esteve disposta a pagar quanto fosse necessário para estar no Maracanã e simplesmente não conseguiu encontrar quem vendesse. Muitos destes acabaram enganados, com ingressos falsos na mão; outros tantos simplesmente foram ao estádio no dia pra "dar um jeito" e pularam grades e roletas. O público oficial foi exatamente igual ao do Flamengo x Goiás de duas semanas antes, que teve seus ingressos igualmente esgotados; mas, na realidade, o Maracanã recebeu bem mais gente.
O Grêmio entrou em campo aos gritos de "entrega!, entrega!" de alguns rubro-negros - uma alusão à discussão que tomou conta da semana, sobre a possibilidade dos gaúchos deixarem o Flamengo ganhar. Isso porque, surpreendentemente, o time que chegou à última rodada com mais chances de ser campeão em caso de tropeço rubro-negro foi o Internacional, dado como carta fora do baralho até três ou quatro semanas antes. Além deles, também São Paulo e Palmeiras tinham chances matemáticas de ser campeão, em um final de campeonato de inédito equilíbrio.
E o que se viu no gramado do Maracanã foi um verdadeiro drama. Mesmo jogando recheado de reservas, o Grêmio endureceu o jogo. Seu goleiro, o suplente Marcelo Grohe, fez grandes defesas ao longo da partida, levantando o comentário de muitos nas arquibancadas: "não é possível, esse cara é colorado!" Adriano perdia oportunidades, Pet não vinha em tarde feliz, o time parecia travado - assim como o grito da torcida, cada vez mais nervosa no estádio. O torcedor do Inter, que vencia com tranquilidade o Santo André no Beira-Rio, acreditou que seria campeão até os 24 minutos do segundo tempo - quando Petkovic, em seu último lance no campeonato, bateu escanteio da esquerda e colocou a bola na cabeça de Ronaldo Angelim.
Mesmo com o 2x1 no placar, o grito de campeão só foi ouvido no Maracanã, de maneira tímida, quando o jogo já estava em seus acréscimos. Havia muita certeza, ao longo da semana, de que o título viria; mas, na hora H, todos precisaram mesmo ver pra crer. Segurou-se a festa até que se tivesse a certeza de que era aquilo mesmo - 17 anos depois, o grito de guerra precisava ser modificado e a torcida podia cantar: "eu sou Flamengo de coração, eu sou do time que é hexacampeão!"
Mas, em 2009, aconteceu. Foi uma conquista que veio graças a muitos momentos espalhados ao longo dos meses, graças a vários fatores - muitos deles incrivelmente improváveis - que se somaram. Mas que se concretizou exatamente porque a mística do clube apareceu na hora da decisão.
Era preciso vencer e torcer contra os adversários diretos - que, àquela altura, pareciam ser São Paulo, Palmeiras e Atlético Mineiro. De cara, veio o primeiro e mais improvável bom resultado: numa quarta à noite, o Palmeiras seguiu ladeira abaixo e empatou em casa com o rebaixado Sport. No sábado, o Atlético voltou a perder, desta vez para o Coritiba, no Couto Pereira. Como o São Paulo venceu no mesmo dia o Vitória por 2x0, um triunfo rubro-negro no domingo, contra o Náutico, em Recife, colocaria a equipe na segunda colocação.
E a vitória veio, de maneira até tranquila. Com Petkovic apagado, foi a vez de Adriano brilhar: participou do primeiro gol, matando uma bola dificílima dentro da área e rolando para o chute de Léo Moura, cujo rebote Pet aproveitou; e fez o segundo, ainda no primeiro tempo, aproveitando cruzamento de Zé Roberto. No segundo tempo, o time continuou controlando o jogo, enquanto o Náutico se desesperava ao ver o rebaixamento ainda mais perto.
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36a. rodada, e o Flamengo só via à sua frente o São Paulo. E assim, no domingo, muitos rubro-negros falavam em comparecer ao Engenhão para torcer para o Botafogo, que precisava de um bom resultado contra o São Paulo para não se complicar ainda mais na luta para escapar da série B. Nunca teve tanto torcedor do Flamengo torcendo para o Botafogo, e as vibrações positivas deram certo: o Maracanã já estava cheio, à espera do início de Flamengo x Goiás, quando Jóbson fez o gol da vitória alvi-negra por 3x2, nos últimos minutos da partida. A torcida rubro-negra explodiu em festa, como se o próprio Flamengo tivesse balançado as redes. Dia de recorde de público do campeonato, dia do maior mosaico do mundo formado pelos torcedores que lotavam os anéis superior e inferior do estádio e o coloriam de vermelho e preto, formando em branco a inscrição A maior torcida do Mundo faz a diferença. A festa estava pronta para o Flamengo assumir a liderança, pela primeira vez no campeonato.
Mas isso não aconteceu; em campo, o time decepcionou. Fez um primeiro tempo muito ruim, jogando lentamente e praticamente não ameaçando o Goiás. Na segunda etapa, o rendimento melhorou, houve mais movimentação, as chances apareceram - mas a bola não entrou. O 0x0 final - que levou a muita especulação na imprensa sobre uma possível "mala branca" que tivesse turbinado o rendimento dos goianos, que correram muito apesar de não terem mais nada a disputar na competição - foi uma verdadeira ducha de água fria. O Flamengo continuava na segunda colocação, um ponto atrás do São Paulo, e passava a precisar de um tropeço do adversário em um dos dois jogos restantes - ambos contra equipes já desinteressadas do campeonato, que não lutavam nem por título, nem contra o rebaixamento. A sensação em boa parte da torcida era de que o Hexa havia escapado por entre os dedos naquela tarde.
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Na penúltima rodada, todos os jogos aconteceram no mesmo dia e horário: 29/11, 17h. Assim, não bastava se preocupar com o que acontecia em campo com o seu time; era preciso estar ligado no rádio, no sistema de som do estádio ou na bolinha que pintava na tela da TV anunciando algum gol em outra partida. Foi assim que os rubro-negros tiveram a decepcionante notícia de que, em Goiânia, o São Paulo fazia 1x0 no Goiás, ainda aos 15 minutos do primeiro tempo, enquanto o Flamengo seguia no 0x0 com o Corinthians. Parecia que não ia dar. Pra piorar a situação, o time jogava sem Adriano - que havia gerado polêmica durante a semana ao aparecer com o pé queimado, alegando ter topado com uma lâmpada em seu jardim, enquanto veículos da imprensa garantiam que o acidente havia acontecido em um passeio na garupa da moto de um amigo.
Porém, ao mesmo tempo em que Zé Roberto aproveitava longo lançamento de Toró e abria o placar para o Flamengo em Campinas, surgia a notícia de que o Goiás empatara o jogo no Serra Dourada. Era festa em dobro, que aumentou quando os goianos viraram para 2x1, ainda no primeiro tempo. No Brinco de Ouro da Princesa (pra onde o jogo foi transferido a pedido da polícia de São Paulo, já que o Palmeiras jogaria no mesmo horário em seu estádio), a vitória rubro-negra seguiu sem grandes sobressaltos até o finalzinho, quando Léo Moura cobrou pênalti que ele mesmo sofreu e definiu o 2x0. Já no Serra Dourada, o agitado jogo terminou em 4x2 para o Goiás - que assim recolocava o Hexa ao alcance das mãos do Flamengo, depois de tê-lo tirado de lá na semana anterior.
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6 de dezembro de 2009. O Rio de Janeiro amanheceu vestido de vermelho e preto. A cena nas ruas era de impressionar: parecia que toda a população decidira sair ainda de manhã vestindo a camisa do Flamengo. Cerca de 100 mil destes tiveram a sorte de poder estar no superlotado Maracanã, para assistir de perto ao jogo que daria o primeiro título brasileiro ao time de maior torcida do país desde 1992. Todos os demais rumavam para qualquer lugar que reunisse rubro-negros, cerveja - como se vendeu cerveja! - e uma tela que transmitisse Flamengo x Grêmio. Foram inúmeros pontos de concentração por toda a cidade, incluindo telões montados pela Prefeitura em alguns pontos.
Durante a semana, o elenco rubro-negro trabalhou em Teresópolis, para afastar-se do oba-oba do Rio de Janeiro - onde o assunto era um só, sempre: o jogo de domingo. Com os ingressos todos esgotados na semana anterior em apenas um dia, mesmo antes da vitória sobre o Corinthians, a luta por uma entrada tomou conta da cidade e até do país: os cambistas podiam cobrar 150, 200, 300 reais por um cartão, sem medo de encalhe. Pelo contrário: muita gente esteve disposta a pagar quanto fosse necessário para estar no Maracanã e simplesmente não conseguiu encontrar quem vendesse. Muitos destes acabaram enganados, com ingressos falsos na mão; outros tantos simplesmente foram ao estádio no dia pra "dar um jeito" e pularam grades e roletas. O público oficial foi exatamente igual ao do Flamengo x Goiás de duas semanas antes, que teve seus ingressos igualmente esgotados; mas, na realidade, o Maracanã recebeu bem mais gente.
O Grêmio entrou em campo aos gritos de "entrega!, entrega!" de alguns rubro-negros - uma alusão à discussão que tomou conta da semana, sobre a possibilidade dos gaúchos deixarem o Flamengo ganhar. Isso porque, surpreendentemente, o time que chegou à última rodada com mais chances de ser campeão em caso de tropeço rubro-negro foi o Internacional, dado como carta fora do baralho até três ou quatro semanas antes. Além deles, também São Paulo e Palmeiras tinham chances matemáticas de ser campeão, em um final de campeonato de inédito equilíbrio.
E o que se viu no gramado do Maracanã foi um verdadeiro drama. Mesmo jogando recheado de reservas, o Grêmio endureceu o jogo. Seu goleiro, o suplente Marcelo Grohe, fez grandes defesas ao longo da partida, levantando o comentário de muitos nas arquibancadas: "não é possível, esse cara é colorado!" Adriano perdia oportunidades, Pet não vinha em tarde feliz, o time parecia travado - assim como o grito da torcida, cada vez mais nervosa no estádio. O torcedor do Inter, que vencia com tranquilidade o Santo André no Beira-Rio, acreditou que seria campeão até os 24 minutos do segundo tempo - quando Petkovic, em seu último lance no campeonato, bateu escanteio da esquerda e colocou a bola na cabeça de Ronaldo Angelim.
Mesmo com o 2x1 no placar, o grito de campeão só foi ouvido no Maracanã, de maneira tímida, quando o jogo já estava em seus acréscimos. Havia muita certeza, ao longo da semana, de que o título viria; mas, na hora H, todos precisaram mesmo ver pra crer. Segurou-se a festa até que se tivesse a certeza de que era aquilo mesmo - 17 anos depois, o grito de guerra precisava ser modificado e a torcida podia cantar: "eu sou Flamengo de coração, eu sou do time que é hexacampeão!"
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Deixou chegar, fudeu. Esta frase tão pouco sutil foi o lema rubro-negro em muitos títulos anteriores, em que o Flamengo não entrou como favorito e não começou bem - mas, a partir do momento em que se acertou, ficou impossível de ser parado. Em tempos de campeonato por pontos corridos, sem semifinais e finais, parecia mais difícil de vê-lo sendo colocado em prática novamente.
Deixou chegar, fudeu. Esta frase tão pouco sutil foi o lema rubro-negro em muitos títulos anteriores, em que o Flamengo não entrou como favorito e não começou bem - mas, a partir do momento em que se acertou, ficou impossível de ser parado. Em tempos de campeonato por pontos corridos, sem semifinais e finais, parecia mais difícil de vê-lo sendo colocado em prática novamente.
Mas, em 2009, aconteceu. Foi uma conquista que veio graças a muitos momentos espalhados ao longo dos meses, graças a vários fatores - muitos deles incrivelmente improváveis - que se somaram. Mas que se concretizou exatamente porque a mística do clube apareceu na hora da decisão.
Deixaram chegar.
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Momentos decisivos do Hexa
Momentos decisivos do Hexa: os confrontos diretos
A arrancada do Flamengo rumo ao Hexa, que aconteceu com Andrade, o abandono do esquema de três zagueiros, a entrada de Álvaro e Maldonado, a subida de produção do Adriano pós-Seleção e a regência de Petkovic no meio-campo, iniciou-se com uma sequência de quatro jogos contra times rebaixáveis - três deles acabaram mesmo indo para a segunda divisão, enquanto o quarto livrou-se da ameaça nas últimas rodadas. Foram vitórias de 3x0 no Maracanã sobre Santo André, Sport e Coritiba, além do empate fora de casa contra o Atlético-PR. Mas, depois desta "fase de testes" contra equipes mais fracas, que serviu para o time se acertar e ganhar confiança, vieram as pedreiras. Com a exceção do Cruzeiro - o único que escapou de pegar este time definitivo de Andrade e, com isso, acabou conseguindo duas vitórias no confronto direto -, todos aqueles que lutavam na parte de cima da tabela enfrentaram o Flamengo no meio do embalo. E se deram mal.
Havia uma grande, uma enorme expectativa para a primeira destas decisões: era o jogo contra o Internacional, no Beira-Rio. O Flamengo vinha de vitórias convincentes, com belo futebol, e teria um grande teste pela frente - jogo fora de casa contra um time sempre apontado como um dos favoritos, embora estivesse numa fase não muito feliz na época. Porém, a partida acabou sendo uma grande frustração: simplesmente não houve futebol. Caiu um temporal em Porto Alegre, deixando o gramado impraticável - muitos criticaram a decisão do juiz de deixar o jogo ocorrer naquelas condições. Com o campo naquele estado, Andrade acabou inclusive voltando a utilizar o esquema de três zagueiros, congestionando a defesa para afastar qualquer bola vadia que parasse de mal jeito numa poça próxima ao seu gol. A pelada de pólo aquático terminou num previsível 0x0 - e assim, somando-se a vitória por 4x0 no primeiro turno, o Flamengo ficou com 4 pontos nos confrontos contra o Inter. Os gaúchos acabaram em segundo lugar, a 2 pontos do campeão.
Três rodadas depois, foi a vez de pegar o São Paulo no Maracanã. Depois do empate com o Inter, o Flamengo havia vencido o Fluminense e empatado em 3x3 com o Vitória, em Salvador; àquela altura, já era o sexto colocado, tornando-se uma ameaça real aos integrantes do G4 (Palmeiras, São Paulo, Inter e Atlético-MG). O São Paulo havia tropeçado na rodada anterior no Coritiba, em pleno Morumbi, mas ainda era o vice-líder do campeonato. Em campo, no entanto, ficou claro que a classificação momentânea do campeonato não refletia o futebol dos dois times; o mesmo sem Adriano e com uma péssima atuação no primeiro tempo de seu substituto, Dênis Marques, o Flamengo dominou o jogo o tempo inteiro. Saiu atrás num lance isolado, mas chegou à virada de 2x1 com gols de Petkovic, de pênalti, e Zé Roberto - que aproveitou grande lançamento do gringo, o nome do jogo, para definir a vitória. Com aquele triunfo e o empate no Morumbi no primeiro turno, o Flamengo fez 4 pontos contra o São Paulo - que terminou a competição em terceiro, 3 pontos atrás.
Na partida seguinte, o adversário já era o líder Palmeiras - que se mantinha à frente da tabela conseguindo vitórias magras, sempre em atuações contestadas e defendidas com mau humor pelo técnico Muricy nas coletivas. Mesmo assim, jogando no Parque Antarctica, era considerado favorito. Porém, em um primeiro tempo de jogo travado e poucas chances, Petkovic fez a diferença: tabelou com Juan pela esquerda, entrou driblando na área e fez um gol sensacional, que abriu o placar e desestruturou o adversário. No segundo tempo, o Palmeiras não conseguiu sair da marcação rubro-negra, viu o Flamengo criar as melhores chances e ainda sofreu o segundo - gol olímpico de Petkovic, que pela segunda rodada seguida tinha grande atuação e era decisivo em jogos contra times que estavam ainda acima de seu time na classificação. Com a vitória, o Flamengo subiu para a quinta colocação, a um ponto do G4, a seis do líder - que ainda era o Palmeiras. O time de Muricy, no entanto, foi caindo de rendimento, tendo resultados cada vez piores e encerrou o campeonato 5 pontos atrás do Flamengo, em quinto lugar.
A decisão seguinte aconteceu no Mineirão, na 34a. rodada. Àquela altura, as contas dos rubro-negros já incluíam a possibilidade de levar a taça pra Gávea: o time estava em quarto, a 4 pontos do líder Palmeiras. O adversário era o Atlético Mineiro, terceiro colocado, então 2 pontos à frente do Flamengo e também acreditando muito que poderia ser campeão. Mas os quase 65 mil atleticanos que lotaram o estádio viram mais uma prova de que o Flamengo era o time de melhor futebol do país. 2x0 no primeiro tempo, com direito a mais um gol olímpico de Petkovic; no segundo tempo, o Atlético diminuiu logo no início e deu esperanças à sua massa - mas não conseguiu continuar se impondo. No final, Fierro - que entrara no lugar do cansado Petkovic e criava bons lances seguidamente pela direita - cruzou na cabeça de Adriano, que definiu de cabeça o placar. O Flamengo ultrapassava o Atlético, chegava à terceira posição e via o novo líder, o São Paulo, a apenas 2 pontos de distância, com 4 jogos pela frente. Depois disso, o Atlético se desestruturou, teve péssimos resultados nas rodadas restantes e, em vez de lutar pelo título, terminou na modesta sétima posição. Poderia ter sido melhor se não tivesse tido 0% de aproveitamento enfrentando o Flamengo, que já o derrotara pelos mesmos 3x1 no Maracanã, no primeiro turno.
A verdade é que, a partir do momento em que se acertou, o Flamengo foi mesmo o melhor time do campeonato - e todos aqueles que surgiram pela frente com o mesmo sonho de chegar ao título tiveram que sentir isso na pele. E o sucesso nestes confrontos diretos deixou o time em boa posição para decidir no momento em que o campeonato chegou à sua emocionante reta final.
Havia uma grande, uma enorme expectativa para a primeira destas decisões: era o jogo contra o Internacional, no Beira-Rio. O Flamengo vinha de vitórias convincentes, com belo futebol, e teria um grande teste pela frente - jogo fora de casa contra um time sempre apontado como um dos favoritos, embora estivesse numa fase não muito feliz na época. Porém, a partida acabou sendo uma grande frustração: simplesmente não houve futebol. Caiu um temporal em Porto Alegre, deixando o gramado impraticável - muitos criticaram a decisão do juiz de deixar o jogo ocorrer naquelas condições. Com o campo naquele estado, Andrade acabou inclusive voltando a utilizar o esquema de três zagueiros, congestionando a defesa para afastar qualquer bola vadia que parasse de mal jeito numa poça próxima ao seu gol. A pelada de pólo aquático terminou num previsível 0x0 - e assim, somando-se a vitória por 4x0 no primeiro turno, o Flamengo ficou com 4 pontos nos confrontos contra o Inter. Os gaúchos acabaram em segundo lugar, a 2 pontos do campeão.
Três rodadas depois, foi a vez de pegar o São Paulo no Maracanã. Depois do empate com o Inter, o Flamengo havia vencido o Fluminense e empatado em 3x3 com o Vitória, em Salvador; àquela altura, já era o sexto colocado, tornando-se uma ameaça real aos integrantes do G4 (Palmeiras, São Paulo, Inter e Atlético-MG). O São Paulo havia tropeçado na rodada anterior no Coritiba, em pleno Morumbi, mas ainda era o vice-líder do campeonato. Em campo, no entanto, ficou claro que a classificação momentânea do campeonato não refletia o futebol dos dois times; o mesmo sem Adriano e com uma péssima atuação no primeiro tempo de seu substituto, Dênis Marques, o Flamengo dominou o jogo o tempo inteiro. Saiu atrás num lance isolado, mas chegou à virada de 2x1 com gols de Petkovic, de pênalti, e Zé Roberto - que aproveitou grande lançamento do gringo, o nome do jogo, para definir a vitória. Com aquele triunfo e o empate no Morumbi no primeiro turno, o Flamengo fez 4 pontos contra o São Paulo - que terminou a competição em terceiro, 3 pontos atrás.
Na partida seguinte, o adversário já era o líder Palmeiras - que se mantinha à frente da tabela conseguindo vitórias magras, sempre em atuações contestadas e defendidas com mau humor pelo técnico Muricy nas coletivas. Mesmo assim, jogando no Parque Antarctica, era considerado favorito. Porém, em um primeiro tempo de jogo travado e poucas chances, Petkovic fez a diferença: tabelou com Juan pela esquerda, entrou driblando na área e fez um gol sensacional, que abriu o placar e desestruturou o adversário. No segundo tempo, o Palmeiras não conseguiu sair da marcação rubro-negra, viu o Flamengo criar as melhores chances e ainda sofreu o segundo - gol olímpico de Petkovic, que pela segunda rodada seguida tinha grande atuação e era decisivo em jogos contra times que estavam ainda acima de seu time na classificação. Com a vitória, o Flamengo subiu para a quinta colocação, a um ponto do G4, a seis do líder - que ainda era o Palmeiras. O time de Muricy, no entanto, foi caindo de rendimento, tendo resultados cada vez piores e encerrou o campeonato 5 pontos atrás do Flamengo, em quinto lugar.
A decisão seguinte aconteceu no Mineirão, na 34a. rodada. Àquela altura, as contas dos rubro-negros já incluíam a possibilidade de levar a taça pra Gávea: o time estava em quarto, a 4 pontos do líder Palmeiras. O adversário era o Atlético Mineiro, terceiro colocado, então 2 pontos à frente do Flamengo e também acreditando muito que poderia ser campeão. Mas os quase 65 mil atleticanos que lotaram o estádio viram mais uma prova de que o Flamengo era o time de melhor futebol do país. 2x0 no primeiro tempo, com direito a mais um gol olímpico de Petkovic; no segundo tempo, o Atlético diminuiu logo no início e deu esperanças à sua massa - mas não conseguiu continuar se impondo. No final, Fierro - que entrara no lugar do cansado Petkovic e criava bons lances seguidamente pela direita - cruzou na cabeça de Adriano, que definiu de cabeça o placar. O Flamengo ultrapassava o Atlético, chegava à terceira posição e via o novo líder, o São Paulo, a apenas 2 pontos de distância, com 4 jogos pela frente. Depois disso, o Atlético se desestruturou, teve péssimos resultados nas rodadas restantes e, em vez de lutar pelo título, terminou na modesta sétima posição. Poderia ter sido melhor se não tivesse tido 0% de aproveitamento enfrentando o Flamengo, que já o derrotara pelos mesmos 3x1 no Maracanã, no primeiro turno.
A verdade é que, a partir do momento em que se acertou, o Flamengo foi mesmo o melhor time do campeonato - e todos aqueles que surgiram pela frente com o mesmo sonho de chegar ao título tiveram que sentir isso na pele. E o sucesso nestes confrontos diretos deixou o time em boa posição para decidir no momento em que o campeonato chegou à sua emocionante reta final.
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Brasileiro 2009,
Momentos decisivos do Hexa
Momentos decisivos do Hexa: a convocação de Adriano para a Seleção Brasileira
20/8/2009. O técnico Dunga anunciava a convocação da Seleção Brasileira que iria disputar duas partidas pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, contra Argentina (jogo em Buenos Aires que acabaria definindo a classificação brasileira) e Chile. A maior novidade: a presença de Adriano.
Àquela altura, a convocação do Imperador não era uma decisão óbvia para Dunga. O centro-avante era o artilheiro do Flamengo e seu atacante mais importante; mas, naquele momento, o time ainda patinava no meio da tabela e sua presença no ataque não era suficiente para que ninguém apontasse a equipe como candidata a nada de mais relevante no campeonato. Até ali, ele havia marcado 10 gols em 18 jogos - números até bons, mas nada excepcionais. E bem parecidos com os que Obina, que saíra renegado do Flamengo para o Palmeiras, tinha até ali. E o time paulista aparecia como o maior favorito ao título.
Na verdade, independente dos números, o desempenho de Adriano em campo até aquele momento não era de encher os olhos. Ele fazia seus gols, decidia alguns jogos com eles e, tecnicamente, sempre mostrou que ainda estava acima da média; mas continuava parecendo muito pesado, demorava a entrar em sua melhor forma física e, em muitos jogos, parecia estático demais. Era claro que Dunga o convocava menos pelo que já apresentava em campo, e mais pelo que ainda poderia vir a apresentar; o que Adriano já havia jogado o credenciava a receber um voto de confiança do técnico, que sinalizava a ele que pretendia apostar que sua recuperação prosseguiria até a Copa. Mesmo com tantas notícias sobre faltas e atrasos em treinos - o que dava em sua dificuldade para voltar a ter o físico invejável de seus bons tempos.
Dá pra dizer que a maioria da torcida do Flamengo não ficou lá muito satisfeita com a decisão de Dunga. Graças a ela, o Flamengo ficaria sem seu centro-avante no difícil jogo contra o Atlético-PR, dali a algumas semanas, na Arena da Baixada. Mas como acreditava-se que o Flamengo já não disputava nada de muito sério na competição, a comoção pelo desfalque não foi lá muito grande. Entre o anúncio da convocação e sua ida para a Seleção, ainda houve tempo de Adriano ter duas atuações ruins nas derrotas de 2x1 para o Cruzeiro, no Maracanã, e de 3x0 para o Avaí, em Florianópolis - na qual levou o cartão amarelo que o tirou da partida seguinte, contra o Santo André.
Com a camisa amarela, sua participação acabou sendo apagada: entrou no final da partida contra a Argentina, sem fazer nenhum lance digno de nota; e contra o Chile, com o Brasil já classificado, pôde iniciar como titular - mas foi substituído no segundo tempo por Diego Tardelli e viu todos os holofotes se deslocarem para Nilmar, que fez três gols. Ainda assim, o período que passou na Seleção acabou sendo decisivo para o que o Flamengo viria a fazer dali em diante no campeonato. A perspectiva de jogar a Copa do Mundo deu outra motivação para que o Imperador se dedicasse aos treinos e agarrase a oportunidade dada. E foram 10 dias concentrado com a Seleção, treinando sempre no horário, dormindo e se alimentando bem - uma rotina bem diferente da que vinha mantendo antes.
Na volta, a diferença ficou evidente logo em seu primeiro jogo: vitória de 3x0 sobre o Sport, com Adriano não só fazendo dois gols como se movimentando muito, voltando para ajudar na armação e criando diversos lances bonitos. E, na rodada seguinte, 50 mil pessoas foram ao Maracanã e viram que tinham motivos para se empolgar: mais um 3x0, com direito a um golaço-aço-aço - grande lançamento de Pet para Adriano na velocidade, aproveitado com um surpreendente toque de cobertura sobre o goleiro. Na comemoração, Adriano tirou a camisa, fez pose de Hulk, mostrou que a forma física estava mais do que em dia e deixou claro pra todo mundo: o Imperador voltou!
A transformação era visível em campo, mas também pode ser demonstrada com números: a média de 0,55 gol por jogo que ele teve até a partida contra o Avaí cresceu para 0,75 no restante da competição - mesmo com seu desempenho não se mantendo tão alto até o final do ano. O ganho físico que ele teve naqueles momentos de empolgação e dedicação ao Projeto Seleção acabou não resistindo até o fim do campeonato; nas últimas rodadas, ele já parecia mais pesado e voltava a mostrar cansaço no segundo tempo, embora continuasse fazendo gols importantes. Mas aquela sua fase esplendorosa coincidiu com o melhor momento de Petkovic na competição - e assim os dois formaram uma dupla irresistível, a coisa mais interessante que apareceu nos gramados brasileiros em 2009, e que ainda contava com uma sólida defesa para dar suporte e garantir tudo lá atrás. Foi quando o Flamengo arrancou, os adversários vacilaram e aí, no que deixaram chegar...
Àquela altura, a convocação do Imperador não era uma decisão óbvia para Dunga. O centro-avante era o artilheiro do Flamengo e seu atacante mais importante; mas, naquele momento, o time ainda patinava no meio da tabela e sua presença no ataque não era suficiente para que ninguém apontasse a equipe como candidata a nada de mais relevante no campeonato. Até ali, ele havia marcado 10 gols em 18 jogos - números até bons, mas nada excepcionais. E bem parecidos com os que Obina, que saíra renegado do Flamengo para o Palmeiras, tinha até ali. E o time paulista aparecia como o maior favorito ao título.
Na verdade, independente dos números, o desempenho de Adriano em campo até aquele momento não era de encher os olhos. Ele fazia seus gols, decidia alguns jogos com eles e, tecnicamente, sempre mostrou que ainda estava acima da média; mas continuava parecendo muito pesado, demorava a entrar em sua melhor forma física e, em muitos jogos, parecia estático demais. Era claro que Dunga o convocava menos pelo que já apresentava em campo, e mais pelo que ainda poderia vir a apresentar; o que Adriano já havia jogado o credenciava a receber um voto de confiança do técnico, que sinalizava a ele que pretendia apostar que sua recuperação prosseguiria até a Copa. Mesmo com tantas notícias sobre faltas e atrasos em treinos - o que dava em sua dificuldade para voltar a ter o físico invejável de seus bons tempos.
Dá pra dizer que a maioria da torcida do Flamengo não ficou lá muito satisfeita com a decisão de Dunga. Graças a ela, o Flamengo ficaria sem seu centro-avante no difícil jogo contra o Atlético-PR, dali a algumas semanas, na Arena da Baixada. Mas como acreditava-se que o Flamengo já não disputava nada de muito sério na competição, a comoção pelo desfalque não foi lá muito grande. Entre o anúncio da convocação e sua ida para a Seleção, ainda houve tempo de Adriano ter duas atuações ruins nas derrotas de 2x1 para o Cruzeiro, no Maracanã, e de 3x0 para o Avaí, em Florianópolis - na qual levou o cartão amarelo que o tirou da partida seguinte, contra o Santo André.
Com a camisa amarela, sua participação acabou sendo apagada: entrou no final da partida contra a Argentina, sem fazer nenhum lance digno de nota; e contra o Chile, com o Brasil já classificado, pôde iniciar como titular - mas foi substituído no segundo tempo por Diego Tardelli e viu todos os holofotes se deslocarem para Nilmar, que fez três gols. Ainda assim, o período que passou na Seleção acabou sendo decisivo para o que o Flamengo viria a fazer dali em diante no campeonato. A perspectiva de jogar a Copa do Mundo deu outra motivação para que o Imperador se dedicasse aos treinos e agarrase a oportunidade dada. E foram 10 dias concentrado com a Seleção, treinando sempre no horário, dormindo e se alimentando bem - uma rotina bem diferente da que vinha mantendo antes.
Na volta, a diferença ficou evidente logo em seu primeiro jogo: vitória de 3x0 sobre o Sport, com Adriano não só fazendo dois gols como se movimentando muito, voltando para ajudar na armação e criando diversos lances bonitos. E, na rodada seguinte, 50 mil pessoas foram ao Maracanã e viram que tinham motivos para se empolgar: mais um 3x0, com direito a um golaço-aço-aço - grande lançamento de Pet para Adriano na velocidade, aproveitado com um surpreendente toque de cobertura sobre o goleiro. Na comemoração, Adriano tirou a camisa, fez pose de Hulk, mostrou que a forma física estava mais do que em dia e deixou claro pra todo mundo: o Imperador voltou!
A transformação era visível em campo, mas também pode ser demonstrada com números: a média de 0,55 gol por jogo que ele teve até a partida contra o Avaí cresceu para 0,75 no restante da competição - mesmo com seu desempenho não se mantendo tão alto até o final do ano. O ganho físico que ele teve naqueles momentos de empolgação e dedicação ao Projeto Seleção acabou não resistindo até o fim do campeonato; nas últimas rodadas, ele já parecia mais pesado e voltava a mostrar cansaço no segundo tempo, embora continuasse fazendo gols importantes. Mas aquela sua fase esplendorosa coincidiu com o melhor momento de Petkovic na competição - e assim os dois formaram uma dupla irresistível, a coisa mais interessante que apareceu nos gramados brasileiros em 2009, e que ainda contava com uma sólida defesa para dar suporte e garantir tudo lá atrás. Foi quando o Flamengo arrancou, os adversários vacilaram e aí, no que deixaram chegar...
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Momentos decisivos do Hexa
Momentos decisivos do Hexa: a chegada de Álvaro e Maldonado
Antes do Brasileiro começar, dizia-se que o Flamengo era um time acertado atrás, mas com problemas para definir na frente. Com a chegada de Adriano, portanto, isso deveria estar resolvido e o time pronto para deslanchar, certo? Mas não foi o que se viu em campo; a aposentadoria do ex-capitão Fábio Luciano, ao fim do Estadual, parecia estar sendo muito sentida e o sistema defensivo vacilava constantemente em horas impróprias - basta lembrar de derrotas feias como o 5x2 para o Sport, o 5x0 para o Coritiba, o 3x0 para o Avaí ou o 4x1 para o Grêmio. Nos oito primeiros jogos da Era Andrade, o time sofreu quinze gols - média de 1,8 por jogo, um pouco acima da que fez do Náutico a pior defesa do campeonato. Mas, depois destas oito partidas, houve uma mudança radical nesta estatística - e ela tem muito a ver com a chegada de dois reforços muitíssimo bem escolhidos.
O chileno Maldonado já havia se destacado antes no Brasil, principalmente atuando por Cruzeiro e Santos. Andava sendo pouco aproveitado pelo Fenerbahce, da Turquia, que decidiu não renovar seu contrato. Assim, o Flamengo pôde trazê-lo da Europa sem pagar nada por sua liberação. Também sem custos além do que foi pago ao próprio jogador foi trazido o zagueiro Álvaro, que tinha no currículo a participação na Seleção Brasileira que disputou as Olimpíadas de Sidney e algumas temporadas na Espanha. Ele havia retornado da Europa para o Internacional, onde teve uma boa fase na conquista da Copa Sul-Americana de 2008; mas o rendimento em 2009 não fora o mesmo, ele ficou marcado por ter perdido na corrida para o roliço Ronaldo em um lance da final da Copa do Brasil contra o Corinthians e acabou rompendo o contrato com o clube gaúcho.
Parte da instabilidade da defesa do Flamengo podia ser posta na conta da juventude de vários dos jogadores que vinham atuando por ali. O experiente e líder Fábio Luciano, que tinha enorme importância não só por seu próprio rendimento mas também por saber orientar os companheiros dentro de campo, vinha sendo substituído por jovens como Wellinton e Fabrício, que nunca conseguiram inspirar segurança. Ronaldo Angelim, mais experiente, não apresentou características para substituir o antigo companheiro nesta função de líder no gramado - e ele mesmo começou a cair de rendimento. Para melhorar um tanto a situação, foi contratado David - mais um garoto, que mostrou qualidades, mas também não conseguiu resolver o problema.
Álvaro e Maldonado vinham de fases de baixa em suas carreiras, mas chegavam com um currículo respeitável. Jogadores experientes, cascudos, que haviam passado por todo tipo de situação em suas carreiras. Álvaro ainda vinha com a fama de falar muito em campo, perfil de líder. Como não andavam jogando bem em seus últimos times, poderiam até dar errado - mas tinham o perfil que o Flamengo precisava para dar jeito em sua defesa.
A estreia de ambos coincidiu com a primeira partida no campeonato em que Andrade armou o time no 4-4-2 desde o início. Em 29/8/2009, o Maracanã assistiu pela primeira vez ao Flamengo num esquema próximo ao que seria utilizado até o fim da competição: Álvaro e Angelim formando a dupla de zaga, protegidos por dois volantes (Aírton e Lenon - Maldonado, que vinha de um longo período de inatividade, entrou em campo no meio do segundo tempo) e, mais à frente, três jogadores - Fierro, Petkovic e Zé Roberto - buscando servir a Dênis Marques, o único atacante realmente fixo. Nesta nova formação, os ofensivos Léo Moura e Éverton precisaram se acostumar a jogar como laterais, também com funções defensivas, e não como alas voltados apenas para o ataque.
O resultado foi a primeira vitória realmente tranquila do Flamengo em um bom tempo: mesmo sem Adriano, o time fez 3x0 em cima do Santo André, com belas atuações de Petkovic e Zé Roberto. Na partida seguinte - um empate em 0x0 contra o Atlético-PR em Curitiba -, Maldonado já era titular. Era o início de uma impressionante sequência de seis jogos sem sofrer um gol sequer. Andrade pôde contar, na hora de colocar em prática o novo desenho que imaginara para seu time, com dois jogadores que sabiam o que fazer, como se colocar, quando dar o bote e o que dizer para seus companheiros para que tudo funcionasse. Depois, mesmo quando um ou outro precisou sair do time por contusão ou suspensão, a casa já estava arrumada.
Foi como uma milagrosa transformação de água em vinho, que ocorreu graças a uma feliz união de mudanças tanto na escalação quanto no esquema tático: a defesa do Flamengo deixou de ser uma peneira, que dava calafrios em seus torcedores a cada rodada, para tornar-se uma muralha difícil de ser batida. Algo que deu tranquilidade ao time para render também no ataque e arrancar rumo ao título.
O chileno Maldonado já havia se destacado antes no Brasil, principalmente atuando por Cruzeiro e Santos. Andava sendo pouco aproveitado pelo Fenerbahce, da Turquia, que decidiu não renovar seu contrato. Assim, o Flamengo pôde trazê-lo da Europa sem pagar nada por sua liberação. Também sem custos além do que foi pago ao próprio jogador foi trazido o zagueiro Álvaro, que tinha no currículo a participação na Seleção Brasileira que disputou as Olimpíadas de Sidney e algumas temporadas na Espanha. Ele havia retornado da Europa para o Internacional, onde teve uma boa fase na conquista da Copa Sul-Americana de 2008; mas o rendimento em 2009 não fora o mesmo, ele ficou marcado por ter perdido na corrida para o roliço Ronaldo em um lance da final da Copa do Brasil contra o Corinthians e acabou rompendo o contrato com o clube gaúcho.
Parte da instabilidade da defesa do Flamengo podia ser posta na conta da juventude de vários dos jogadores que vinham atuando por ali. O experiente e líder Fábio Luciano, que tinha enorme importância não só por seu próprio rendimento mas também por saber orientar os companheiros dentro de campo, vinha sendo substituído por jovens como Wellinton e Fabrício, que nunca conseguiram inspirar segurança. Ronaldo Angelim, mais experiente, não apresentou características para substituir o antigo companheiro nesta função de líder no gramado - e ele mesmo começou a cair de rendimento. Para melhorar um tanto a situação, foi contratado David - mais um garoto, que mostrou qualidades, mas também não conseguiu resolver o problema.
Álvaro e Maldonado vinham de fases de baixa em suas carreiras, mas chegavam com um currículo respeitável. Jogadores experientes, cascudos, que haviam passado por todo tipo de situação em suas carreiras. Álvaro ainda vinha com a fama de falar muito em campo, perfil de líder. Como não andavam jogando bem em seus últimos times, poderiam até dar errado - mas tinham o perfil que o Flamengo precisava para dar jeito em sua defesa.
A estreia de ambos coincidiu com a primeira partida no campeonato em que Andrade armou o time no 4-4-2 desde o início. Em 29/8/2009, o Maracanã assistiu pela primeira vez ao Flamengo num esquema próximo ao que seria utilizado até o fim da competição: Álvaro e Angelim formando a dupla de zaga, protegidos por dois volantes (Aírton e Lenon - Maldonado, que vinha de um longo período de inatividade, entrou em campo no meio do segundo tempo) e, mais à frente, três jogadores - Fierro, Petkovic e Zé Roberto - buscando servir a Dênis Marques, o único atacante realmente fixo. Nesta nova formação, os ofensivos Léo Moura e Éverton precisaram se acostumar a jogar como laterais, também com funções defensivas, e não como alas voltados apenas para o ataque.
O resultado foi a primeira vitória realmente tranquila do Flamengo em um bom tempo: mesmo sem Adriano, o time fez 3x0 em cima do Santo André, com belas atuações de Petkovic e Zé Roberto. Na partida seguinte - um empate em 0x0 contra o Atlético-PR em Curitiba -, Maldonado já era titular. Era o início de uma impressionante sequência de seis jogos sem sofrer um gol sequer. Andrade pôde contar, na hora de colocar em prática o novo desenho que imaginara para seu time, com dois jogadores que sabiam o que fazer, como se colocar, quando dar o bote e o que dizer para seus companheiros para que tudo funcionasse. Depois, mesmo quando um ou outro precisou sair do time por contusão ou suspensão, a casa já estava arrumada.
Foi como uma milagrosa transformação de água em vinho, que ocorreu graças a uma feliz união de mudanças tanto na escalação quanto no esquema tático: a defesa do Flamengo deixou de ser uma peneira, que dava calafrios em seus torcedores a cada rodada, para tornar-se uma muralha difícil de ser batida. Algo que deu tranquilidade ao time para render também no ataque e arrancar rumo ao título.
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Momentos decisivos do Hexa
Momentos decisivos do Hexa: a entrada em cena da Olympikus
Foi uma verdadeira novela. Desde 2008, quando o Flamengo ensaiou uma rescisão não amigável de contrato com a empresa que fazia seus uniformes havia alguns anos, que se ensaiava a entrada em cena da Olympikus - inclusive com o uso em algumas poucas partidas de uma polêmica camisa com três interrogações no lugar da marca do fornecedor. Mas a disputa se arrastou na Justiça e só foi se resolver com o fim do antigo contrato, um ano depois do início da trama. E, enquanto isso, a situação financeira do clube se complicava.
Graças a antigos débitos com o Estado, o Flamengo não pôde renovar o contrato de patrocínio que mantinha por décadas com a Petrobras. Iniciou o ano mantendo a marca da empresa na camisa, na esperança de que isso pudesse se resolver, mas sem receber um centavo; na fase final do Estadual, desistiu de insistir e passou a usar uma camisa limpa, que deveria atrair logo algum grande patrocinador - o que acabou não acontecendo com tanta agilidade quanto alguns esperavam. Reparem: naquele momento, com o contrato com a Nike chegando ao fim, a empresa americana sequer preparou novos uniformes sem a logo da Petrobras e foi necessário apelar para que uma pequena confecção desse um jeito de cobrir as marcas nas camisas que o clube já havia recebido. E a situação precária - tanto nos uniformes quanto nas combalidas contas rubro-negras, que não viam um centavo pingar de qualquer patrocinador por meses - durou até finalmente a Olympikus entrar em cena.
O que veio finalmente a acontecer em julho. E a chegada deste novo parceiro veio a ser decisiva para a conquista do Hexa (olha o merchan gratuito aí, gente!). Vejamos:
- Como já mencionado, o departamento financeiro do clube, àquela altura, estava pedindo arrego. E a Olympikus chegou não só com o dinheiro de seu contrato como fornecedora de material esportivo - o maior do país -, como ainda acertou um extra para estampar uma de suas marcas no peito dos jogadores, no espaço que estava vago desde que desistiu-se da Petrobras. Foi um contrato de curta duração - apenas três meses -, mas que rendeu aos cofres do Flamengo três oportunos milhões de reais.
E dá pra afirmar que isso fez diferença no desempenho do time dentro de campo. Afinal, no segundo semestre, os salários dos jogadores ficaram em dia por alguns meses - algo bastante raro na Gávea há muitos anos. Justo no período em que os atletas trabalhavam nos treinos e nos jogos para ensaiar a arrancada que acabou levando o Flamengo ao título, reinava um incomum clima de tranquilidade. Sem as antes comuns e prejudiciais notícias sobre falta de pagamento, sem que qualquer dos jogadores tivesse que discutir sobre o assunto tanto internamente quanto com a imprensa, todos pudram ficar com a cabeça só no trabalho a ser feito - e ficou bem mais fácil render.
- Parte do contrato com a Olympikus destinou-se ao complemento do salário de Adriano. Devido ao contrato anterior do Flamengo com a Nike, a empresa só pôde assinar com o clube alguns meses depois da volta do Imperador; mas o acerto já havia sido feito e, sem ele, seria muito mais difícil que o Flamengo contasse com o centro-avante - que, não dá pra negar, foi decisivo no campeonato.
- Além disso, a chegada da nova empresa serviu para gerar envolvimento dos torcedores com o time. O lançamento da nova linha de material, que aconteceu num momento em que apenas os muito otimistas apostavam em título, foi transmitido ao vivo pela internet, gerou muita discussão pelos blogs e redes sociais, conseguiu espaço na imprensa - tudo sempre de uma maneira positiva, jogando o ânimo do rubro-negro pra cima, em uma época em que o tipo de noticiário mais constante que surgia da Gávea era de atritos entre Cuca e Adriano.
Dali pra frente, a empresa se envolveu com o marketing do clube, participou de diversas ações, movimentou a torcida e ajudou a criar o clima de envolvimento de todos em torno da campanha. No final, junto com o patrocinador que estampou sua marca na camisa nos últimos meses do ano - a Ale -, a coisa se intensificou e ambas ajudaram a promover a festa da torcida, tanto no Maracanã (com, por exemplo, o maior mosaico já feito num estádio de futebol no Mundo, no Flamengo x Goiás da antepenúltima rodada) quanto fora (com uma enorme camisa sendo estendida de um prédio na Gávea, no Dia do Rubro-Negro).
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É óbvio que, se o Flamengo se deu bem com a Olympikus, a Olympikus também se deu muito bem com o Flamengo. Em um semestre, a empresa bateu todos os recordes anuais de vendas de camisas de um clube no país, passando fácil do milhão de peças vendidas - e isso antes de chegar o Natal, em que o Manto do Hexa tornou-se presente óbvio para qualquer rubro-negro. Abriu ainda a sua primeira loja temática, a FlaConcept, no nobre espaço da sede do Flamengo na Gávea - e, de cara, o negócio se tornou altamente rentável, com o movimento turbinado ainda pela exposição na loja da taça conquistada. Enfim: não há motivos pra ninguém reclamar, de nenhum dos lados.
Graças a antigos débitos com o Estado, o Flamengo não pôde renovar o contrato de patrocínio que mantinha por décadas com a Petrobras. Iniciou o ano mantendo a marca da empresa na camisa, na esperança de que isso pudesse se resolver, mas sem receber um centavo; na fase final do Estadual, desistiu de insistir e passou a usar uma camisa limpa, que deveria atrair logo algum grande patrocinador - o que acabou não acontecendo com tanta agilidade quanto alguns esperavam. Reparem: naquele momento, com o contrato com a Nike chegando ao fim, a empresa americana sequer preparou novos uniformes sem a logo da Petrobras e foi necessário apelar para que uma pequena confecção desse um jeito de cobrir as marcas nas camisas que o clube já havia recebido. E a situação precária - tanto nos uniformes quanto nas combalidas contas rubro-negras, que não viam um centavo pingar de qualquer patrocinador por meses - durou até finalmente a Olympikus entrar em cena.
O que veio finalmente a acontecer em julho. E a chegada deste novo parceiro veio a ser decisiva para a conquista do Hexa (olha o merchan gratuito aí, gente!). Vejamos:
- Como já mencionado, o departamento financeiro do clube, àquela altura, estava pedindo arrego. E a Olympikus chegou não só com o dinheiro de seu contrato como fornecedora de material esportivo - o maior do país -, como ainda acertou um extra para estampar uma de suas marcas no peito dos jogadores, no espaço que estava vago desde que desistiu-se da Petrobras. Foi um contrato de curta duração - apenas três meses -, mas que rendeu aos cofres do Flamengo três oportunos milhões de reais.
E dá pra afirmar que isso fez diferença no desempenho do time dentro de campo. Afinal, no segundo semestre, os salários dos jogadores ficaram em dia por alguns meses - algo bastante raro na Gávea há muitos anos. Justo no período em que os atletas trabalhavam nos treinos e nos jogos para ensaiar a arrancada que acabou levando o Flamengo ao título, reinava um incomum clima de tranquilidade. Sem as antes comuns e prejudiciais notícias sobre falta de pagamento, sem que qualquer dos jogadores tivesse que discutir sobre o assunto tanto internamente quanto com a imprensa, todos pudram ficar com a cabeça só no trabalho a ser feito - e ficou bem mais fácil render.
- Parte do contrato com a Olympikus destinou-se ao complemento do salário de Adriano. Devido ao contrato anterior do Flamengo com a Nike, a empresa só pôde assinar com o clube alguns meses depois da volta do Imperador; mas o acerto já havia sido feito e, sem ele, seria muito mais difícil que o Flamengo contasse com o centro-avante - que, não dá pra negar, foi decisivo no campeonato.
- Além disso, a chegada da nova empresa serviu para gerar envolvimento dos torcedores com o time. O lançamento da nova linha de material, que aconteceu num momento em que apenas os muito otimistas apostavam em título, foi transmitido ao vivo pela internet, gerou muita discussão pelos blogs e redes sociais, conseguiu espaço na imprensa - tudo sempre de uma maneira positiva, jogando o ânimo do rubro-negro pra cima, em uma época em que o tipo de noticiário mais constante que surgia da Gávea era de atritos entre Cuca e Adriano.
Dali pra frente, a empresa se envolveu com o marketing do clube, participou de diversas ações, movimentou a torcida e ajudou a criar o clima de envolvimento de todos em torno da campanha. No final, junto com o patrocinador que estampou sua marca na camisa nos últimos meses do ano - a Ale -, a coisa se intensificou e ambas ajudaram a promover a festa da torcida, tanto no Maracanã (com, por exemplo, o maior mosaico já feito num estádio de futebol no Mundo, no Flamengo x Goiás da antepenúltima rodada) quanto fora (com uma enorme camisa sendo estendida de um prédio na Gávea, no Dia do Rubro-Negro).
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É óbvio que, se o Flamengo se deu bem com a Olympikus, a Olympikus também se deu muito bem com o Flamengo. Em um semestre, a empresa bateu todos os recordes anuais de vendas de camisas de um clube no país, passando fácil do milhão de peças vendidas - e isso antes de chegar o Natal, em que o Manto do Hexa tornou-se presente óbvio para qualquer rubro-negro. Abriu ainda a sua primeira loja temática, a FlaConcept, no nobre espaço da sede do Flamengo na Gávea - e, de cara, o negócio se tornou altamente rentável, com o movimento turbinado ainda pela exposição na loja da taça conquistada. Enfim: não há motivos pra ninguém reclamar, de nenhum dos lados.
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Momentos decisivos do Hexa
Momentos decisivos do Hexa: empate com o Fluminense pela Sul-Americana
Boa parte do título brasileiro conquistado pelo Flamengo é associada à chegada de Andrade. É justo, muito justo, justíssimo; mas não dá pra dizer que, a partir da chegada do antigo ídolo ao cargo de treinador, tudo tenha dado certo. Houve uma fase bastante complicada e ajustes foram sendo necessários para que o time engrenasse de vez. E um deles, bastante significativo, apareceu pra valer em um jogo que nem mesmo era válido pela competição.
No fim de agosto, o Brasileiro passava um pouco de sua metade e ninguém desconfiava que o Flamengo poderia conquistar o título. Àquela altura, a fase rubro-negra era complicada: depois da vitória por 1x0 sobre o Corinthians, veio o empate contra o Fluminense, no primeiro jogo pela Sul-Americana, e Petkovic se contundiu. Com sua saída, Andrade voltou a quebrar a cabeça para achar uma solução para seu meio-campo funcionar. Houve outros desfalques e vieram três derrotas feias consecutivas, contra Grêmio (4x1), Cruzeiro (2x1, no Maracanã) e Avaí (3x0). Não eram tão poucos os que começavam a se preocupar com uma possível briga contra o rebaixamento. E o compromisso seguinte do time era o Fla-Flu de volta pela Copa Sul-Americana - competição que, na cabeça de todo mundo, representava a única chance de título restante para o Flamengo no segundo semestre do ano.
A volta de Petkovic já era anunciada (embora ninguém pudesse medir na época o tamanho do impacto que ela teria no resto do Brasileiro). Mas outra mudança no time só foi descoberta no gramado, sem aviso prévio, quando a bola começou a rolar: pela primeira vez em muito tempo, o Flamengo entrava em campo abandonando o esquema com três zagueiros. Andrade, mesmo usando dois meias improvisados nas laterais, montou o time na tradicional linha de quatro defensores, com Fierro na direita e Éverton na esquerda. Aírton, que vinha jogando sempre improvisado na zaga, voltava a ser volante, à frente da defesa.
A alteração tática tinha muito a ver com a presença de Pet em campo. Nos dois jogos em que entrara no intervalo e se destacara - contra Náutico e Goiás -, Andrade já havia colocado o time no 4-4-2 no intervalo, com o time em desvantagem no placar. Contra o Corinthians, Petkovic jogou de início, mas no 3-5-2; a vitória veio, mas os paulistas tiveram o controle da posse de bola em uma grande parte do jogo. O treinador deve ter percebido: com o velho Pet no meio, seria preciso ter mais gente no setor para que o time não perdesse em combate por ali. É provável que a alteração estivesse em sua cabeça desde aquela partida no Maracanã e tenha sido adiada pelas três rodadas seguintes, enquanto o sérvio estava no departamento médico.
O jogo contra o Fluminense, na verdade, não foi bom. Sem Adriano na frente e com o atacante Émerson se contundindo logo no início, o time ficou sem seu ataque titular e perdeu muito poder de fogo. Dominou a posse de bola, atacou mais, mas sofreu um gol em uma desatenção isolada no fim do primeiro tempo e só conseguiu buscar o empate. Com o 1x1, acabou eliminado da Sul-Americana pelo rival, que vinha muito mal no Brasileiro e também encarava a competição como chance de conquistar alguma coisa no ano. O ânimo da torcida, que estava baixo, ficou ainda pior. Mas Andrade, para estranhamento geral, saiu dizendo que havia gostado da atuação e que o time "havia encontrado seu caminho". A maioria não entendeu bem - até porque, nos jornais do dia seguinte, a escalação do Flamengo ainda foi impressa no 3-5-2, como se Aírton ainda tivesse jogado na defesa.
Mas, a partir daí, o Flamengo não mais retornou à formação que já durava anos, implantada pelo então técnico Ney Franco para liberar os alas Léo Moura e Juan. Para muitos, tendo os dois como titulares, era impossível o Flamengo mudar aquela forma de jogar. Andrade demorou um pouco, mas resolveu enxergar as coisas de outra forma - e isso mesmo usando na lateral esquerda o franzino meia-atacante Éverton, ainda mais ofensivo que o titular Juan, que estava machucado.
Outros ajustes na forma de jogar do time aconteceram mais pra frente, mas a grande quebra de paradigma foi mesmo esta, utilizada pela primeira vez desde o início de um jogo naquele Fla-Flu de Maracanã vazio, que terminou com um resultado considerado ruim por todo mundo. Mas que foi decisivo para o que viria a acontecer dali pra frente - afinal, com a eliminação da Sul-Americana, o foco do clube ficou voltado exclusivamente para o Brasileiro. Mesmo que, à época, o único objetivo que parecia restar fosse "fazer uma campanha digna".
No fim de agosto, o Brasileiro passava um pouco de sua metade e ninguém desconfiava que o Flamengo poderia conquistar o título. Àquela altura, a fase rubro-negra era complicada: depois da vitória por 1x0 sobre o Corinthians, veio o empate contra o Fluminense, no primeiro jogo pela Sul-Americana, e Petkovic se contundiu. Com sua saída, Andrade voltou a quebrar a cabeça para achar uma solução para seu meio-campo funcionar. Houve outros desfalques e vieram três derrotas feias consecutivas, contra Grêmio (4x1), Cruzeiro (2x1, no Maracanã) e Avaí (3x0). Não eram tão poucos os que começavam a se preocupar com uma possível briga contra o rebaixamento. E o compromisso seguinte do time era o Fla-Flu de volta pela Copa Sul-Americana - competição que, na cabeça de todo mundo, representava a única chance de título restante para o Flamengo no segundo semestre do ano.
A volta de Petkovic já era anunciada (embora ninguém pudesse medir na época o tamanho do impacto que ela teria no resto do Brasileiro). Mas outra mudança no time só foi descoberta no gramado, sem aviso prévio, quando a bola começou a rolar: pela primeira vez em muito tempo, o Flamengo entrava em campo abandonando o esquema com três zagueiros. Andrade, mesmo usando dois meias improvisados nas laterais, montou o time na tradicional linha de quatro defensores, com Fierro na direita e Éverton na esquerda. Aírton, que vinha jogando sempre improvisado na zaga, voltava a ser volante, à frente da defesa.
A alteração tática tinha muito a ver com a presença de Pet em campo. Nos dois jogos em que entrara no intervalo e se destacara - contra Náutico e Goiás -, Andrade já havia colocado o time no 4-4-2 no intervalo, com o time em desvantagem no placar. Contra o Corinthians, Petkovic jogou de início, mas no 3-5-2; a vitória veio, mas os paulistas tiveram o controle da posse de bola em uma grande parte do jogo. O treinador deve ter percebido: com o velho Pet no meio, seria preciso ter mais gente no setor para que o time não perdesse em combate por ali. É provável que a alteração estivesse em sua cabeça desde aquela partida no Maracanã e tenha sido adiada pelas três rodadas seguintes, enquanto o sérvio estava no departamento médico.
O jogo contra o Fluminense, na verdade, não foi bom. Sem Adriano na frente e com o atacante Émerson se contundindo logo no início, o time ficou sem seu ataque titular e perdeu muito poder de fogo. Dominou a posse de bola, atacou mais, mas sofreu um gol em uma desatenção isolada no fim do primeiro tempo e só conseguiu buscar o empate. Com o 1x1, acabou eliminado da Sul-Americana pelo rival, que vinha muito mal no Brasileiro e também encarava a competição como chance de conquistar alguma coisa no ano. O ânimo da torcida, que estava baixo, ficou ainda pior. Mas Andrade, para estranhamento geral, saiu dizendo que havia gostado da atuação e que o time "havia encontrado seu caminho". A maioria não entendeu bem - até porque, nos jornais do dia seguinte, a escalação do Flamengo ainda foi impressa no 3-5-2, como se Aírton ainda tivesse jogado na defesa.
Mas, a partir daí, o Flamengo não mais retornou à formação que já durava anos, implantada pelo então técnico Ney Franco para liberar os alas Léo Moura e Juan. Para muitos, tendo os dois como titulares, era impossível o Flamengo mudar aquela forma de jogar. Andrade demorou um pouco, mas resolveu enxergar as coisas de outra forma - e isso mesmo usando na lateral esquerda o franzino meia-atacante Éverton, ainda mais ofensivo que o titular Juan, que estava machucado.
Outros ajustes na forma de jogar do time aconteceram mais pra frente, mas a grande quebra de paradigma foi mesmo esta, utilizada pela primeira vez desde o início de um jogo naquele Fla-Flu de Maracanã vazio, que terminou com um resultado considerado ruim por todo mundo. Mas que foi decisivo para o que viria a acontecer dali pra frente - afinal, com a eliminação da Sul-Americana, o foco do clube ficou voltado exclusivamente para o Brasileiro. Mesmo que, à época, o único objetivo que parecia restar fosse "fazer uma campanha digna".
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Momentos decisivos do Hexa
Momentos decisivos do Hexa: 2/8/2009, Maracanã, intervalo de jogo, Flamengo 0 x 1 Náutico
Depois de uma fase complicada que levou à queda de Cuca, o Flamengo vinha de duas vitórias seguidas sob o novo comando de Andrade. Assim, 40 mil pessoas compareceram ao Maracanã para a partida contra o Náutico, a primeira com o antigo ídolo efetivado como treinador. O adversário vinha de uma longa série sem vitórias e os 3 pontos eram dados como certos - para os mais empolgados, seria a consolidação da arrancada rubro-negra.
Porém, a história que se desenhou em campo foi bem diferente. Com uma atuação muito ruim, o time viu o Náutico fazer 1x0 e perder outras chances de gol. Desde o início, a torcida perseguia com vaias Zé Roberto e Léo Moura. Era esta a difícil situação do time no momento que dá título a mais este capítulo da saga do Hexa - Andrade foi com o time para o vestiário tendo a missão de arrumar algum jeito de mudar o panorama do jogo. E a solução que encontrou acabou tendo grandes efeitos no andamento de todo o campeonato.
Petkovic havia sido apresentado na Gávea dois meses antes e, desde então, entrado pouco em campo. Cuca até que o relacionava com frequência para o banco, mas o colocava para jogar apenas nos minutos finais de algumas partidas. E, mesmo contando com a simpatia da torcida, que sempre gritava seu nome, o gringo não havia impressionado bem naquelas pequenas chances. Na verdade, em uma delas quase conseguiu entregar a vitória sobre o Vitória, no Engenhão, nos poucos minutos em que atuou - perdeu uma bola no campo de defesa com um drible bobo, levando Kléberson a precisar parar a jogada com uma falta quase sobre a linha da área e ser expulso. Sua participação no time, até então, confirmava as opiniões dos críticos em geral: não ia dar em nada e podia até virar um grande mico.
Assim, foi completamente inesperada a decisão de Andrade no vestiário do Maracanã, naquele dia 2 de agosto: substituir o zagueiro Fabrício por Petkovic. A notícia foi recebida por todos - os que estavam no Maracanã, os que assistiam pela TV - com incredulidade. Seria a primeira oportunidade de Pet atuar por 45 minutos em sua nova fase no Flamengo. Quer dizer então que o velho Petkovic, um ex-jogador em atividade, era o coelho que Andrade queria tirar da cartola num momento como aquele?
Pois ele não decepcionou. Apresentou-se muito para o jogo, fez a bola correr, dividiu o trabalho de armação com Kléberson e, se não foi brilhante, fez o time subir bastante de produção. No final, acabou sendo decisivo no gol de empate - pegou uma bola dentro da área, driblou e chutou para a defesa parcial do goleiro. Léo Moura, no rebote, tocou para o gol vazio e saiu xingando a torcida, o que fez com que a repercussão do mau resultado no dia seguinte fosse ainda pior. Mas era difícil para qualquer um dos críticos não dar o braço a torcer: Petkovic realmente havia jogado bem, quem diria? Mas não iria durar, claro.
Fato é que, com a boa participação no jogo, Petkovic habilitou-se a receber mais chances. No jogo seguinte, contra o Goiás, também entrou no intervalo e teve atuação ainda melhor na derrota de 3x2, fazendo um belo gol. Em seguida, já era titular, contra o Corinthians - e, mesmo com as boas atuações anteriores do sérvio, esta foi uma decisão de Andrade contestada por muitos. Ele não teve grande atuação, mas o time venceu bem por 1x0. E, desde então, Petkovic só deixou de atuar como titular quando esteve contundido.
Eis o resultado disso: com Petkovic jogando como titular, o Flamengo permaneceu invicto até o fim do campeonato. A equipe não ficou pronta de uma hora pra outra com sua entrada - outras chegadas e ajustes táticos foram necessários -, mas é um fato estatístico: desde a vitória sobre o Corinthians, quando Petkovic iniciou uma partida pela primeira vez, todas as quatro derrotas (para Grêmio, Cruzeiro, Avaí e Barueri) aconteceram quando o meia esteve fora, por contusão. O Flamengo foi campeão com 58% de aproveitamento; com ele de titular, conquistou impressionantes 84% dos pontos disputados.
A estatística não é mera coincidência. No início do campeonato, acreditava-se que o motor do meio-campo rubro-negro seria Íbson, o que fez com que sua volta à Europa no meio do ano fosse muito temida e, depois, lamentada; mas a verdade é que Petkovic foi muito além e logo tornou-se o cérebro pensante que o Flamengo não tinha no setor havia muito, muito tempo. Com o número 43 às costas, foi um verdadeiro camisa 10 à moda antiga - especialmente na fase que durou entre a vitória sobre o Santo André, na 22a. rodada, até o decisivo triunfo sobre o concorrente direto Palmeiras, no Parque Antarctica, oito partidas depois. No jogo seguinte, contra o Botafogo, ele sentiu problemas musculares que o tiraram do compromisso seguinte e, desde então, continuou sendo importante, até decisivo em alguns lances individuais, mas não atuou mais no mesmo altíssimo nível. De qualquer forma, já havia deixado sua imprescindível marca na arrancada que transformou um time desacreditado - a ponto de alguns mais pessimistas temerem a luta contra o rebaixamento - em um campeão indiscutível.
Petkovic terminou o campeonato com oito gols - e alguns deles foram dos mais inesquecíveis do Flamengo em toda a sua campanha. São os casos do primeiro contra o Palmeiras, driblando dentro da área adversária e concluindo com um chute improvável quando parecia não haver mais qualquer espaço, e do olímpico em cima do Atlético-MG, no Mineirão. Mas eu gosto muito de lembrar do de falta contra o Coritiba, uma cobrança perfeita na terceira vitória rubro-negra seguida por 3x0 no Maracanã - Petkovic comemorava como um garoto correndo pelo gramado, deixava claro para todos que estava mesmo de volta e fazia a torcida imaginar até onde ele e aquele time, que parecia estar engrenando, poderiam chegar.
E chegaram mesmo.
Porém, a história que se desenhou em campo foi bem diferente. Com uma atuação muito ruim, o time viu o Náutico fazer 1x0 e perder outras chances de gol. Desde o início, a torcida perseguia com vaias Zé Roberto e Léo Moura. Era esta a difícil situação do time no momento que dá título a mais este capítulo da saga do Hexa - Andrade foi com o time para o vestiário tendo a missão de arrumar algum jeito de mudar o panorama do jogo. E a solução que encontrou acabou tendo grandes efeitos no andamento de todo o campeonato.
Petkovic havia sido apresentado na Gávea dois meses antes e, desde então, entrado pouco em campo. Cuca até que o relacionava com frequência para o banco, mas o colocava para jogar apenas nos minutos finais de algumas partidas. E, mesmo contando com a simpatia da torcida, que sempre gritava seu nome, o gringo não havia impressionado bem naquelas pequenas chances. Na verdade, em uma delas quase conseguiu entregar a vitória sobre o Vitória, no Engenhão, nos poucos minutos em que atuou - perdeu uma bola no campo de defesa com um drible bobo, levando Kléberson a precisar parar a jogada com uma falta quase sobre a linha da área e ser expulso. Sua participação no time, até então, confirmava as opiniões dos críticos em geral: não ia dar em nada e podia até virar um grande mico.
Assim, foi completamente inesperada a decisão de Andrade no vestiário do Maracanã, naquele dia 2 de agosto: substituir o zagueiro Fabrício por Petkovic. A notícia foi recebida por todos - os que estavam no Maracanã, os que assistiam pela TV - com incredulidade. Seria a primeira oportunidade de Pet atuar por 45 minutos em sua nova fase no Flamengo. Quer dizer então que o velho Petkovic, um ex-jogador em atividade, era o coelho que Andrade queria tirar da cartola num momento como aquele?
Pois ele não decepcionou. Apresentou-se muito para o jogo, fez a bola correr, dividiu o trabalho de armação com Kléberson e, se não foi brilhante, fez o time subir bastante de produção. No final, acabou sendo decisivo no gol de empate - pegou uma bola dentro da área, driblou e chutou para a defesa parcial do goleiro. Léo Moura, no rebote, tocou para o gol vazio e saiu xingando a torcida, o que fez com que a repercussão do mau resultado no dia seguinte fosse ainda pior. Mas era difícil para qualquer um dos críticos não dar o braço a torcer: Petkovic realmente havia jogado bem, quem diria? Mas não iria durar, claro.
Fato é que, com a boa participação no jogo, Petkovic habilitou-se a receber mais chances. No jogo seguinte, contra o Goiás, também entrou no intervalo e teve atuação ainda melhor na derrota de 3x2, fazendo um belo gol. Em seguida, já era titular, contra o Corinthians - e, mesmo com as boas atuações anteriores do sérvio, esta foi uma decisão de Andrade contestada por muitos. Ele não teve grande atuação, mas o time venceu bem por 1x0. E, desde então, Petkovic só deixou de atuar como titular quando esteve contundido.
Eis o resultado disso: com Petkovic jogando como titular, o Flamengo permaneceu invicto até o fim do campeonato. A equipe não ficou pronta de uma hora pra outra com sua entrada - outras chegadas e ajustes táticos foram necessários -, mas é um fato estatístico: desde a vitória sobre o Corinthians, quando Petkovic iniciou uma partida pela primeira vez, todas as quatro derrotas (para Grêmio, Cruzeiro, Avaí e Barueri) aconteceram quando o meia esteve fora, por contusão. O Flamengo foi campeão com 58% de aproveitamento; com ele de titular, conquistou impressionantes 84% dos pontos disputados.
A estatística não é mera coincidência. No início do campeonato, acreditava-se que o motor do meio-campo rubro-negro seria Íbson, o que fez com que sua volta à Europa no meio do ano fosse muito temida e, depois, lamentada; mas a verdade é que Petkovic foi muito além e logo tornou-se o cérebro pensante que o Flamengo não tinha no setor havia muito, muito tempo. Com o número 43 às costas, foi um verdadeiro camisa 10 à moda antiga - especialmente na fase que durou entre a vitória sobre o Santo André, na 22a. rodada, até o decisivo triunfo sobre o concorrente direto Palmeiras, no Parque Antarctica, oito partidas depois. No jogo seguinte, contra o Botafogo, ele sentiu problemas musculares que o tiraram do compromisso seguinte e, desde então, continuou sendo importante, até decisivo em alguns lances individuais, mas não atuou mais no mesmo altíssimo nível. De qualquer forma, já havia deixado sua imprescindível marca na arrancada que transformou um time desacreditado - a ponto de alguns mais pessimistas temerem a luta contra o rebaixamento - em um campeão indiscutível.
Petkovic terminou o campeonato com oito gols - e alguns deles foram dos mais inesquecíveis do Flamengo em toda a sua campanha. São os casos do primeiro contra o Palmeiras, driblando dentro da área adversária e concluindo com um chute improvável quando parecia não haver mais qualquer espaço, e do olímpico em cima do Atlético-MG, no Mineirão. Mas eu gosto muito de lembrar do de falta contra o Coritiba, uma cobrança perfeita na terceira vitória rubro-negra seguida por 3x0 no Maracanã - Petkovic comemorava como um garoto correndo pelo gramado, deixava claro para todos que estava mesmo de volta e fazia a torcida imaginar até onde ele e aquele time, que parecia estar engrenando, poderiam chegar.
E chegaram mesmo.
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Momentos decisivos do Hexa
Momentos decisivos do Hexa: a troca de comando no futebol
O Flamengo vinha de duas boas campanhas nas últimas temporadas, brigando no topo da tabela até a última rodada. Em 2009, manteve a base do ano anterior e ainda reforçou-a com Adriano, um atacante que, embora viesse de uma fase problemática na carreira, ainda era visto por todos como potencial fator de desequilíbrio em qualquer jogo no país. Mesmo assim, no início do campeonato, poucos, muito poucos, apontavam o Flamengo como um candidato ao título, e também não eram tantos os que o colocavam como candidato a uma vaguinha na Libertadores. Mesmo estes um pouco mais "otimistas" quanto ao resultado final do time na competição colocavam ressalvas - era necessário ver o quanto pesaria no desempenho dentro de campo não só os problemas econômicos do clube como a agitação que o ano eleitoral criaria na Gávea. Pois aconteceu algo que ninguém esperava: o fato de haver eleições acontecendo em dezembro não só não atrapalhou, como acabou até ajudando o Flamengo a conquistar o título.
Com toda a tal base mantida do ano anterior, Cuca tinha dificuldades em definir para o Flamengo uma maneira de jogar. Conquistou o Estadual, foi até bem na Copa do Brasil - mas, no Brasileiro, não o time não engrenava, muito prejudicado também por seguidas expulsões. Veio o desgaste por bater de frente com Adriano, devido a faltas e atrasos em treinos, e diversas notícias de problemas de relacionamento com outros jogadores (que até ganharam força após sua saída). Depois de um empate com o Barueri no Maracanã, com a torcida mostrando grande impaciência, Cuca não resistiu e acabou demitido. Ele mesmo esteve na Gávea para, ao lado do então Vice de Futebol Kléber Leite, anunciar sua saída.
E aí entra a influência das eleições de fim de ano. Kléber já sabia que, em dezembro, não estaria ao lado do presidente em exercício, Delair Dumbrosck, na campanha; seu candidato seria o então Diretor de Futebol, Plínio Serpa Pinto. Kléber e Delair já haviam batido feio de frente por conta de Petkovic; ao que parece, a escolha do substituto de Cuca também não seria tranquila. Aproveitando a ocasião, Kléber e Plínio acabaram anunciando suas saídas da diretoria no dia seguinte à queda de Cuca - assim, já se preparavam, meses antes da votação na Gávea, para posicionarem sua chapa como de oposição. Afinal, o discurso de situação não poderia ser usado de qualquer forma, já que seria naturalmente de Delair; como, àquela altura, as perspectivas de título eram mais que remotas, a separação parecia servir para se poupar do desgaste daquela relação que já não vinha bem e ainda para deixar mais simples a estratégia eleitoral.
Agora, terminado o campeonato, é fácil perceber que a influência desta saída dos dirigentes foi decisiva para o que viria depois. Estava claro que Andrade não seria mantido como treinador caso Kléber e Plínio tivessem continuado; eram fortes as especulações de que Carlos Alberto Parreira seria o novo técnico, com o ex-capitão Fábio Luciano vindo para participar da comissão técnica ou da própria diretoria de futebol como profissional remunerado. Como teria sido a campanha do time dali pra frente com estes comandantes? É impossível afirmar.
Olhando pra trás, também a estratégia de reforços para o time provavelmente seria bem diferente. No ano anterior, Kléber e Plínio contrataram em quantidade quando o time se viu debilitado no meio da campanha - dinheiro foi gasto e foram muitos jogadores chegando, com tempo reduzido para se adaptar. Com Delair e o novo Vice de Futebol, Marcos Bráz, o esquema foi outro: além de dar força à aposta em Petkovic, vieram apenas três jogadores, todos livres de contrato, trazidos sem custos além de seus salários: Maldonado, Álvaro e Gil. Dois deles vieram a se tornar titulares absolutos, apontados como decisivos na arrancada do time no meio da competição. E, de um jeito ou de outro, a diretoria passou a se concentrar em manter os salários dos jogadores em dia - o que acabou acontecendo durante a maior parte da competição e ajudando a criar um maior clima de tranquilidade na Gávea neste período, embora obviamente com a necessidade de fazer-se novos empréstimos e novos adiantamentos de receitas futuras.
Pois é - entre as muitas características fora do comum desta campanha rubro-negra na conquista do Hexa, está esta: trata-se do incrível clube que acabou se beneficiando da instabilidade em sua política interna. Quando dizem que "o Flamengo é diferente", não estão brincando.
Com toda a tal base mantida do ano anterior, Cuca tinha dificuldades em definir para o Flamengo uma maneira de jogar. Conquistou o Estadual, foi até bem na Copa do Brasil - mas, no Brasileiro, não o time não engrenava, muito prejudicado também por seguidas expulsões. Veio o desgaste por bater de frente com Adriano, devido a faltas e atrasos em treinos, e diversas notícias de problemas de relacionamento com outros jogadores (que até ganharam força após sua saída). Depois de um empate com o Barueri no Maracanã, com a torcida mostrando grande impaciência, Cuca não resistiu e acabou demitido. Ele mesmo esteve na Gávea para, ao lado do então Vice de Futebol Kléber Leite, anunciar sua saída.
E aí entra a influência das eleições de fim de ano. Kléber já sabia que, em dezembro, não estaria ao lado do presidente em exercício, Delair Dumbrosck, na campanha; seu candidato seria o então Diretor de Futebol, Plínio Serpa Pinto. Kléber e Delair já haviam batido feio de frente por conta de Petkovic; ao que parece, a escolha do substituto de Cuca também não seria tranquila. Aproveitando a ocasião, Kléber e Plínio acabaram anunciando suas saídas da diretoria no dia seguinte à queda de Cuca - assim, já se preparavam, meses antes da votação na Gávea, para posicionarem sua chapa como de oposição. Afinal, o discurso de situação não poderia ser usado de qualquer forma, já que seria naturalmente de Delair; como, àquela altura, as perspectivas de título eram mais que remotas, a separação parecia servir para se poupar do desgaste daquela relação que já não vinha bem e ainda para deixar mais simples a estratégia eleitoral.
Agora, terminado o campeonato, é fácil perceber que a influência desta saída dos dirigentes foi decisiva para o que viria depois. Estava claro que Andrade não seria mantido como treinador caso Kléber e Plínio tivessem continuado; eram fortes as especulações de que Carlos Alberto Parreira seria o novo técnico, com o ex-capitão Fábio Luciano vindo para participar da comissão técnica ou da própria diretoria de futebol como profissional remunerado. Como teria sido a campanha do time dali pra frente com estes comandantes? É impossível afirmar.
Olhando pra trás, também a estratégia de reforços para o time provavelmente seria bem diferente. No ano anterior, Kléber e Plínio contrataram em quantidade quando o time se viu debilitado no meio da campanha - dinheiro foi gasto e foram muitos jogadores chegando, com tempo reduzido para se adaptar. Com Delair e o novo Vice de Futebol, Marcos Bráz, o esquema foi outro: além de dar força à aposta em Petkovic, vieram apenas três jogadores, todos livres de contrato, trazidos sem custos além de seus salários: Maldonado, Álvaro e Gil. Dois deles vieram a se tornar titulares absolutos, apontados como decisivos na arrancada do time no meio da competição. E, de um jeito ou de outro, a diretoria passou a se concentrar em manter os salários dos jogadores em dia - o que acabou acontecendo durante a maior parte da competição e ajudando a criar um maior clima de tranquilidade na Gávea neste período, embora obviamente com a necessidade de fazer-se novos empréstimos e novos adiantamentos de receitas futuras.
Pois é - entre as muitas características fora do comum desta campanha rubro-negra na conquista do Hexa, está esta: trata-se do incrível clube que acabou se beneficiando da instabilidade em sua política interna. Quando dizem que "o Flamengo é diferente", não estão brincando.
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Momentos decisivos do Hexa
Momentos decisivos do Hexa: a contratação de Petkovic
Mais até do que o título do Flamengo, que pegou desprevenida a enorme maioria da imprensa esportiva, a grande surpresa do campeonato foi Petkovic. Um cara que já havia marcado seu nome na história do Flamengo, mas que vinha de passagens fracassadas em Santos, Goiás e Atlético-MG - times nos quais chegou como grande reforço e acabou no banco de reservas. Seu retorno ao Flamengo, definido em maio, teve um tratamento que variou entre "polêmica" e "chacota"; era o clube dobrando-se aos seus problemas financeiros para colocar no elenco um ex-jogador em atividade, que estava parado por meses e, aparentemente por capricho pessoal, queria ter mais uma chance de jogar no time mais popular do país.
Voltemos atrás e lembremos como se deu o negócio. O Flamengo viveu um ano complicado; não só haveria eleições em dezembro como o mandatário do clube, Delair Dumbrosck, precisava lidar com o status de interino. Embora tivesse efetivamente o poder, precisava conviver com muita gente dentro do clube nomeada por Márcio Braga, o presidente eleito e, quase sempre, licenciado. Era o caso do Vice Presidente de futebol, Kléber Leite - caso Delair tivesse a condição de presidente definitivo, é certo que não seria Kléber o manda-chuva do departamento. As diferenças de pensamento entre os dois eram claras, e logo começou a se travar uma velada queda-de-braço.
A vinda de Petkovic foi, talvez, o primeiro grande episódio nesta disputa. Delair conduziu o negócio, a partir da renegociação de uma antiga e gigantesca dívida do clube com o jogador, que fazia com que uma grande percentagem das receitas rubro-negras, penhoradas, fossem parar diretamente na conta de Petkovic. Com o negócio definido, o presidente em exercício até se arriscava timidamente a fazer previsões otimistas sobre o rendimento do meia em campo - mas defendia mesmo o contrato pela ótica financeira.
"O acordo foi bom para o clube. A caneta hoje está comigo e eu preciso resolver os problemas do Flamengo. Na hora que o treinador vai embora, o treinador não leva seu jogador junto."
Quando o negócio foi anunciado oficialmente na TV, houve verdadeira revolução no Departamento de Futebol. Era dia de decisão na Copa do Brasil - haveria a partida de volta contra o Internacional, no Beira-Rio, pelas quartas-de-final -, e o noticiário, em vez de tratar da partida, fervia com notícias de bastidores. Durante algumas horas, a partir do fim da tarde, especulou-se que o técnico Cuca deixaria o clube por conta da contratação. Após o jogo, Kléber Leite manteve o silêncio, enquanto o treinador respondia constrangido às perguntas sobre o caso na entrevista coletiva dizendo que era apenas empregado do clube e deveria acatar as decisões da diretoria.
No dia seguinte, Kléber conseguiu que Márcio Braga retornasse de sua licença médica e parecia que uma intervenção acabaria com o poder de Delair no futebol. A própria vinda de Petkovic foi posta em dúvida - mas Márcio acabou não voltando atrás no negócio. De maneira constrangedora, Petkovic foi apresentado sem a presença de nenhum integrante do Departamento de Futebol e parecia que viveria dali pra frente como um clandestino na Gávea, indesejável para comissão técnica e diretoria. Ninguém poderia imaginar o que o Destino reservava para os meses seguintes de Petkovic no Flamengo.
Fora a parte técnica, dentro de campo, o advento da chegada do gringo serviu como um marco no racha político entre Kléber Leite, Plínio Serpa Pinto e Delair Dumbrosck, que acabaria reassumindo a presidência logo depois, com Márcio Braga voltando a se afastar. E esta cisão política, turbinada pela proximidade das eleições presidenciais, acabou também sendo determinante para a história do Flamengo no campeonato.
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Momentos decisivos do Hexa
Momentos decisivos do Hexa: a contratação de Adriano
O Campeonato Brasileiro nem havia ainda começado e o primeiro lance decisivo para seu resultado final acontecia. Estávamos no mês de abril quando ficou claro que as especulações sobre o retorno do Imperador ao Brasil não eram só especulações. O presidente em exercício do Flamengo, Delair Dumbrosck, deu com a língua nos dentes e adiantou que a contratação de Adriano já estava certa; ainda demorou alguns dias, entre desmentidos oficiais de Gilmar Rinaldi, empresário do jogador, e Kléber Leite, então Vice-Presidente de Futebol do clube, até que o anúncio definitivo fosse feito. O atacante havia abandonado a Internazionale de Milão, que não impôs muitas dificuldades para a rescisão de contrato; Adriano, que vinha numa fase ruim em campo e complicada fora dele desde a morte do pai, queria um tempo do futebol, para reencontrar a felicidade junto à família e os amigos da Vila Cruzeiro. Mas este tempo de recesso que ele pedia não precisou durar tanto assim, e o retorno à Gávea logo entrou neste pacote de recuperação do Imperador.
Não estava nem certa, a esta época, a conquista do Penta-Tri Estadual, e os rubro-negros ainda conviviam com a dura luta por posição entre Josiel e Obina no comando do ataque. A aguardada estreia só foi acontecer no dia 31/5, contra o Atlético Paranaense. Discutia-se a forma de Adriano e era dado como certo que ele só aguentaria 45 minutos. A sua escalação como titular foi definida depois do anúncio de que Josiel teria que ficar de fora, pois tomara um anti-gripal que poderia aparecer num exame de doping. E assim o Maracanã encheu-se para o primeiro grande público rubro-negro no campeonato. Adriano, afinal, surpreendeu: atuou os 90 minutos, fez um gol e o Flamengo venceu por 2x1. "Ôôô, o Imperador voltou!"
Foi apenas o primeiro de vários jogos em que gols imperiais garantiram pontos para o Flamengo. Adriano não foi bem em todo campeonato; em muitos momentos, pareceu muito abaixo da forma ideal, e é fato que suas frequentes faltas nos treinos - que de início geravam polêmica, especialmente com o então técnico Cuca, mas depois ficaram claras para todos como parte do pacote contratado - prejudicaram seu rendimento. Com ele em campo, o Flamengo levou de 5 do Sport, de 5 do Coritiba, de 4 do Grêmio, de 3 do Avaí.
Porém, não dá pra desprezar o poder de decisão do artilheiro do campeonato. Especialmente a fase que se seguiu à sua primeira convocação para a Seleção no ano foi espetacular - foram jogos em que Adriano e o renascido Petkovic encheram os olhos de todos e a arrancada rumo ao hexa engrenou. Na frieza dos números, numa conta grosseira, se retirássemos seus gols da campanha rubro-negra, o Flamengo terminaria com 14 pontos a menos.
Lá atrás, quando a contratação de Adriano ainda não era uma realidade, havia muitos poréns. Depois da tal fase depressiva na Itália, ele conseguiria se recuperar? Por quanto tempo se manteria na linha? Casos de indisciplina não poderiam atrapalhar a estabilidade do elenco? Ele não seria caro demais para um clube convivendo com tantas dificuldades financeiras? No meio de tudo isso, uma certeza: se ele conseguisse jogar razoavelmente dentro de seu potencial, sua simples presença seria o bastante para transformar o Flamengo num candidato respeitável ao topo da tabela. Pois bem: muitos dos percalços esperados efetivamente apareceram. Mas, de um jeito ou de outro, conseguiram ser contornados. E hoje é impossível não ver o tamanho da importância de Adriano para o título brasileiro. E seu retorno tornou-se uma das páginas mais importantse da História que se contará por muitos e muitos e muitos anos.
Não estava nem certa, a esta época, a conquista do Penta-Tri Estadual, e os rubro-negros ainda conviviam com a dura luta por posição entre Josiel e Obina no comando do ataque. A aguardada estreia só foi acontecer no dia 31/5, contra o Atlético Paranaense. Discutia-se a forma de Adriano e era dado como certo que ele só aguentaria 45 minutos. A sua escalação como titular foi definida depois do anúncio de que Josiel teria que ficar de fora, pois tomara um anti-gripal que poderia aparecer num exame de doping. E assim o Maracanã encheu-se para o primeiro grande público rubro-negro no campeonato. Adriano, afinal, surpreendeu: atuou os 90 minutos, fez um gol e o Flamengo venceu por 2x1. "Ôôô, o Imperador voltou!"
Foi apenas o primeiro de vários jogos em que gols imperiais garantiram pontos para o Flamengo. Adriano não foi bem em todo campeonato; em muitos momentos, pareceu muito abaixo da forma ideal, e é fato que suas frequentes faltas nos treinos - que de início geravam polêmica, especialmente com o então técnico Cuca, mas depois ficaram claras para todos como parte do pacote contratado - prejudicaram seu rendimento. Com ele em campo, o Flamengo levou de 5 do Sport, de 5 do Coritiba, de 4 do Grêmio, de 3 do Avaí.
Porém, não dá pra desprezar o poder de decisão do artilheiro do campeonato. Especialmente a fase que se seguiu à sua primeira convocação para a Seleção no ano foi espetacular - foram jogos em que Adriano e o renascido Petkovic encheram os olhos de todos e a arrancada rumo ao hexa engrenou. Na frieza dos números, numa conta grosseira, se retirássemos seus gols da campanha rubro-negra, o Flamengo terminaria com 14 pontos a menos.
Lá atrás, quando a contratação de Adriano ainda não era uma realidade, havia muitos poréns. Depois da tal fase depressiva na Itália, ele conseguiria se recuperar? Por quanto tempo se manteria na linha? Casos de indisciplina não poderiam atrapalhar a estabilidade do elenco? Ele não seria caro demais para um clube convivendo com tantas dificuldades financeiras? No meio de tudo isso, uma certeza: se ele conseguisse jogar razoavelmente dentro de seu potencial, sua simples presença seria o bastante para transformar o Flamengo num candidato respeitável ao topo da tabela. Pois bem: muitos dos percalços esperados efetivamente apareceram. Mas, de um jeito ou de outro, conseguiram ser contornados. E hoje é impossível não ver o tamanho da importância de Adriano para o título brasileiro. E seu retorno tornou-se uma das páginas mais importantse da História que se contará por muitos e muitos e muitos anos.
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Momentos decisivos do Hexa
E o técnico do Grêmio entregou
Chegando ao Maracanã neste domingo, encontramos na fila de entrada para as arquibancadas um conhecido de meu irmão. Já de faixa de campeão, ele reagiu à reclamação de que aquilo dava azar dizendo que bem pelo contrário, era uma superstição sua que dava sorte - sempre que ele comprava a faixa antes, o Flamengo conquistava o título (e, aliás, ele tinha mais uma faixa igual no bolso, que revezava de tempos em tempos com a que já estava no peito). A mandinga se completava com a camisa do Flamengo vestida do avesso, que só seria colocada na posição correta quando ele já estivesse dentro do Maracanã.
O cara, como se percebe, é uma figura. Havia chegado domingo mesmo ao Rio de Janeiro vindo de Blumenau, Santa Catarina - 18 horas de viagem de ônibus com dois amigos, todos vindo sem ingresso garantido. O cambista que lhes havia sido recomendado havia embolsado os 200 reais por ingresso e desaparecido. Mas decidiram vir ao Rio mesmo assim; algum jeito eles dariam para entrar no Maracanã e ver o hexa se consumar. E tome celular funcionando, ligando para todo conhecido possível em busca de um ingresso.
No meio do processo, recebeu uma ligação da mãe, que estava no Rio a trabalho.
- Filho, olha que engraçado: tô no hotel e o time inteiro do Grêmio está aqui!
- Mãe, pede um ingresso pro técnico do Grêmio! Pede um ingresso!
- Ô, filho. Não dá pra eu pedir ingresso pro...
- PEDE! PEDE O INGRESSO!
Dá um tempo, a mãe liga mais uma vez.
- Filho, consegui seu ingresso com ele!
- Pede mais dois, mãe! PEDE MAIS DOIS!
O resultado foi este - encontramos o cara na fila pra entrar, com os dois amigos, todos de ingresso na mão.
O cara, como se percebe, é uma figura. Havia chegado domingo mesmo ao Rio de Janeiro vindo de Blumenau, Santa Catarina - 18 horas de viagem de ônibus com dois amigos, todos vindo sem ingresso garantido. O cambista que lhes havia sido recomendado havia embolsado os 200 reais por ingresso e desaparecido. Mas decidiram vir ao Rio mesmo assim; algum jeito eles dariam para entrar no Maracanã e ver o hexa se consumar. E tome celular funcionando, ligando para todo conhecido possível em busca de um ingresso.
No meio do processo, recebeu uma ligação da mãe, que estava no Rio a trabalho.
- Filho, olha que engraçado: tô no hotel e o time inteiro do Grêmio está aqui!
- Mãe, pede um ingresso pro técnico do Grêmio! Pede um ingresso!
- Ô, filho. Não dá pra eu pedir ingresso pro...
- PEDE! PEDE O INGRESSO!
Dá um tempo, a mãe liga mais uma vez.
- Filho, consegui seu ingresso com ele!
- Pede mais dois, mãe! PEDE MAIS DOIS!
O resultado foi este - encontramos o cara na fila pra entrar, com os dois amigos, todos de ingresso na mão.
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Brasileiro 2009
Brasileiro 2009 - 38a. rodada - Flamengo 2 x1 Grêmio - Flamengo Campeão Brasileiro de 2009
Não é nem uma questão de que "com o Flamengo, tem sempre que ser sofrido" - afinal, já aconteceu de título brasileiro e até mundial serem decididos com baile e 3x0 no primeiro tempo. Mas cada título tem sua história, e cada história tem seu sentido, seu significado. O roteiro desta partida decisiva contra o Grêmio foi preparado para lembrar a todos que a conquista de um título brasileiro nunca pode ser encarada como algo protocolar, natural. Ser campeão brasileiro não é como ir comprar pão na padaria, não é como chupar um chicabon - são meses e meses de competição dura, decisões semanais, provas seguidas de toda natureza. E todos aqueles que enfrentaram horas de fila ou gastaram centenas de reais para estar no Maracanã e presenciar a História mereciam memórias e emoções à altura do significado daquele momento.
Se a quantidade de ingressos vendida foi semelhante a de diversas outras partidas de lotação esgotada nos últimos tempos, o Maracanã estava bem mais cheio que o normal. Um clima de confiança e ansiedade nervosa antes do jogo, gritos de guerra dos velhos tempos, dá-lhe, dá-lhe Mengo, seremos campeões. Mas foi a bola rolar e o jogo começou a não se encaminhar com a tranquilidade que muitos desavisados esperavam. Os cantos já não contagiavam com a mesma naturalidade. Previsivelmente, a porteira abriu-se em Porto Alegre com o primeiro gol do Inter. E, num escanteio, o Grêmio fez 1x0.
É óbvio que o filme de final trágico passou na frente dos olhos de cada um dos presentes. Mas não era dia disso. Por mais que muitos tenham - de maneira mais do que natural - fraquejado na fé naqueles momentos de tensão, por mais que os nervos tenham sido postos à prova, o hexa estava escrito. E assim, se não foi uma tarde de grande atuação, se não foi partida para os craques decisivos do time brilharem, os gols teriam que sair de alguma forma qualquer - e vieram em dois escanteios. Petkovic e Adriano, os que tiveram a responsabilidade de decidir em tantos momentos ao longo da campanha, tiveram participações subalternas nos lances - mas quem resolveu a parada foram os zagueiros do time. E o roteiro, afinal, foi bem amarrado: ficou bonito para a História que o gol do título tenha sido do rubro-negro Ronaldo Angelim - um verdadeiro torcedor em campo.
E não é que logo depois do gol da virada, por pouco o Grêmio - que até sofrer o 2x1 jogava para o empate como se aquele resultado lhe garantisse alguma coisa, dando carrinhos, chutões pra frente e fazendo cera - não arruma um segundo gol, numa bola parada? Foram poucos, muito poucos, os que tiveram a coragem de soltar o grito de "é campeão!" nos segundos finais de jogo, muito pouco antes do árbitro soprar o apito que colocou ponto final naquela provação. É isso: ser hexacampeão brasileiro não é para os fracos.
7/12/2009 - 17h - Flamengo 2 x 1 Grêmio
Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Renda/Público: R$ 2.030.430,00/78.639 pagantes
Árbitro: Héber Roberto Lopes (Fifa/PR)
Auxiliares: Alessandro de Matos (Fifa/BA) e Carlos Berkenbrock (Fifa/SC)
Cartões Amarelos: David, Willians, (FLA); Douglas Costa, Marcelo Grohe, Lucio e Adilson (GRE)
Gols: Róberson, 21'/2ºT (0-1); David, 30'/2ºT (1-1) e Ronaldo Angelim, 24'/2ºT (2-1)
Flamengo: Bruno, Léo Moura, David, Ronaldo Angelim e Juan; Airton, Toró (Everton, 15'/2ºT), Willians e Petkovic (Fierro, 28'/2ºT); Zé Roberto (Kléberson, 37'/2ºT) e Adriano. Técnico: Andrade.
Grêmio: Marcelo Grohe; Mário Fernandes, Leo, Thiego e Fábio Santos; Adilson (Mithyuê, 42'/2ºT), Túlio, Maylson e Lúcio; Douglas Costa e Róberson (Bergson, 25'/2ºT). Técnico: Marcelo Rospide.
Se a quantidade de ingressos vendida foi semelhante a de diversas outras partidas de lotação esgotada nos últimos tempos, o Maracanã estava bem mais cheio que o normal. Um clima de confiança e ansiedade nervosa antes do jogo, gritos de guerra dos velhos tempos, dá-lhe, dá-lhe Mengo, seremos campeões. Mas foi a bola rolar e o jogo começou a não se encaminhar com a tranquilidade que muitos desavisados esperavam. Os cantos já não contagiavam com a mesma naturalidade. Previsivelmente, a porteira abriu-se em Porto Alegre com o primeiro gol do Inter. E, num escanteio, o Grêmio fez 1x0.
É óbvio que o filme de final trágico passou na frente dos olhos de cada um dos presentes. Mas não era dia disso. Por mais que muitos tenham - de maneira mais do que natural - fraquejado na fé naqueles momentos de tensão, por mais que os nervos tenham sido postos à prova, o hexa estava escrito. E assim, se não foi uma tarde de grande atuação, se não foi partida para os craques decisivos do time brilharem, os gols teriam que sair de alguma forma qualquer - e vieram em dois escanteios. Petkovic e Adriano, os que tiveram a responsabilidade de decidir em tantos momentos ao longo da campanha, tiveram participações subalternas nos lances - mas quem resolveu a parada foram os zagueiros do time. E o roteiro, afinal, foi bem amarrado: ficou bonito para a História que o gol do título tenha sido do rubro-negro Ronaldo Angelim - um verdadeiro torcedor em campo.
E não é que logo depois do gol da virada, por pouco o Grêmio - que até sofrer o 2x1 jogava para o empate como se aquele resultado lhe garantisse alguma coisa, dando carrinhos, chutões pra frente e fazendo cera - não arruma um segundo gol, numa bola parada? Foram poucos, muito poucos, os que tiveram a coragem de soltar o grito de "é campeão!" nos segundos finais de jogo, muito pouco antes do árbitro soprar o apito que colocou ponto final naquela provação. É isso: ser hexacampeão brasileiro não é para os fracos.
7/12/2009 - 17h - Flamengo 2 x 1 Grêmio
Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Renda/Público: R$ 2.030.430,00/78.639 pagantes
Árbitro: Héber Roberto Lopes (Fifa/PR)
Auxiliares: Alessandro de Matos (Fifa/BA) e Carlos Berkenbrock (Fifa/SC)
Cartões Amarelos: David, Willians, (FLA); Douglas Costa, Marcelo Grohe, Lucio e Adilson (GRE)
Gols: Róberson, 21'/2ºT (0-1); David, 30'/2ºT (1-1) e Ronaldo Angelim, 24'/2ºT (2-1)
Flamengo: Bruno, Léo Moura, David, Ronaldo Angelim e Juan; Airton, Toró (Everton, 15'/2ºT), Willians e Petkovic (Fierro, 28'/2ºT); Zé Roberto (Kléberson, 37'/2ºT) e Adriano. Técnico: Andrade.
Grêmio: Marcelo Grohe; Mário Fernandes, Leo, Thiego e Fábio Santos; Adilson (Mithyuê, 42'/2ºT), Túlio, Maylson e Lúcio; Douglas Costa e Róberson (Bergson, 25'/2ºT). Técnico: Marcelo Rospide.
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É hoje o dia da alegria, e a tristeza nem pode pensar em chegar
Fiz o "O que será do amanhã?" nas últimas 9 rodadas, projetando os resultados dos jogos até a última rodada e a classificação final do campeonato. Agora é hora de trocar de samba da União da Ilha, certo? Tem que ser!
(Aliás, essa pegava benzão de ser cantada no Maracanã hoje, hein?)
Sobre os jogos de hoje: tem que dar Flamengo, mas não tenho ideia do que esperar do Grêmio; acho que o Inter também ganha, mas pode ter uma tarefa mais difícil que o Flamengo nesse jogo contra o Santo André (que, tirando sua própria vitória, torce por uma combinação de resultados que não é tão difícil assim); acredito em molezinha para o São Paulo; e apostaria em uma vitória do Cruzeiro sobre o Santos. Vitória essa que obrigaria o Palmeiras a vencer o Botafogo para ir à Libertadores, um resultado em que não acredito. Já Coritiba x Fluminense pode mesmo dar qualquer coisa, mas sendo obrigado a apostar, diria que ganha o time da casa. A briga contra o rebaixamento está bastante aberta.
* * * * * * * * * * * *
Fudeu!
(Aliás, essa pegava benzão de ser cantada no Maracanã hoje, hein?)
Sobre os jogos de hoje: tem que dar Flamengo, mas não tenho ideia do que esperar do Grêmio; acho que o Inter também ganha, mas pode ter uma tarefa mais difícil que o Flamengo nesse jogo contra o Santo André (que, tirando sua própria vitória, torce por uma combinação de resultados que não é tão difícil assim); acredito em molezinha para o São Paulo; e apostaria em uma vitória do Cruzeiro sobre o Santos. Vitória essa que obrigaria o Palmeiras a vencer o Botafogo para ir à Libertadores, um resultado em que não acredito. Já Coritiba x Fluminense pode mesmo dar qualquer coisa, mas sendo obrigado a apostar, diria que ganha o time da casa. A briga contra o rebaixamento está bastante aberta.
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Fudeu!
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O time para o jogo de domingo*
* Texto para a coluna semanal no FlamengoNet
Uma pesquisa divulgada pelo BEE da PUC comprova: a economia brasileira desacelerou 73,5% durante esta semana, fazendo a projeção do PIB deste ano despencar. Lula entrou em contato com Ricardo Teixeira pedindo a antecipação do Flamengo x Grêmio para quarta-feira, preocupado com os efeitos desta ansiedade rubro-negra na economia e na campanha de Dilma Roussef, mas infelizmente LDU e Fluminense já ocupavam o Maracanã. A expectativa dos economistas do Ministério da Fazenda, no entanto, é que o consumo de cerveja no pós-jogo seja o suficiente para reaquecer a economia e recuperar o preju causado por tanta falta de produtividade da torcida do Flamengo nestes dias.
* * * * * * * * * * * * * *
O que podemos torcer é que o grande núcleo de produtividade flamenga no país, durante esta semana, tenha sido em Teresópolis - afinal, se apenas pensar no jogo de domingo atrapalha o trabalho de professores, engenheiros, médicos, contínuos e pedreiros, é exatamente esta cabeça 100% no Maracanã e no Grêmio que deve ser esperada de Andrade e comandados.
Normalmente, eu diria que o time do Flamengo já está definido para a partida, seguindo o que vem entrando em campo já há muito tempo - apenas com a entrada de David no lugar do suspenso Álvaro. No entanto, Andrade andou falando de outras opções e efetivamente as testou no treino de ontem. Pode não querer dizer nada; não será novidade nenhuma o treinador fazer experiências durante a semana e esquecê-las na hora de escalar o time pra valer. Mas...
Embora a imagem construída por todos sobre Andrade seja a de um treinador feijão-com-arroz, aquele que tem méritos justamente por não inventar, o fato é que ele já tomou antes decisões inesperadas para a maioria. Vocês devem lembrar o discurso que reinava: "o time tem que jogar com três zagueiros mesmo, com estes laterais não há opção" ou "eu até gostaria de outro esquema, mas não dá pra mudar agora, no meio da competição". Pois Andrade mudou - ousando até em escalar por um longo tempo um time com dois zagueiros e um meia ofensivo improvisado na lateral. Há mais exemplos - ou alguém esperava a entrada do então desprezado Petkovic no lugar do zagueiro Fabrício, no intervalo da partida contra o Náutico no primeiro turno, uma substituição ousada que mudou os rumos do campeonato?
Assim, pode danar mesmo de Andrade resolver mudar o time, usando Fierro ou Kléberson de início. Vocês devem saber, a essa altura, que comigo o chileno seria mesmo titular do time, ocupando a função que Willians vem fazendo - mas também não sei se, pra última rodada, eu ousaria mexer no que vem dando resultado. Mas Andrade sabe o que está fazendo - e, independente de quem entrar, o principal é a postura e a concentração do time em campo. Se todos tiverem se preparado bem e entrarem em condições de fazer o seu melhor, domingo tem tudo pra dar certo.
* * * * * * * * * * * * * *
Foi bom descobrir, graças a estes testes de Andrade no coletivo, que Éverton já tem condições de jogo. Sua saída para a entrada de Juan, em minha opinião, prejudicou o rendimento do time - embora errasse demais na hora de definir os lances, o garoto fazia diferença na dinâmica do time por sua movimentação, ultrapassagens, por dar mais sequência às jogadas. Não é o caso de lançá-lo novamente como titular numa hora dessas, por mais que Juan, que um dia já foi o grande jogador decisivo do time, hoje seja talvez o seu ponto mais fraco. Mas é interessante ter esta opção a mais para usar durante o jogo.
* * * * * * * * * * * * * *
E o Grêmio?
O Grêmio é o time mais esquisito do campeonato. Quando jogou o seu melhor - sempre no Olímpico -, pareceu sempre pra mim um time muito bom: um grande goleiro, defesa sólida, muita marcação no meio, bom nos chutes de fora da área e nas bolas paradas e ao menos um atacante muito enjoado, o argentino Maxi López. No entanto, quando sai de Porto Alegre, foi sempre um desastre, com uma diferença de aproveitamento gigantesca e difícil de explicar. Se o Grêmio tivesse fora de casa o aproveitamento do Santo André, estaria agora com 62 pontos, jogando contra o Flamengo com chances de título. Já pensou?
Mas não dá pra saber que Grêmio é esse que vem ao Rio. Muitos titulares já estão de fora e não se sabe bem quem será escalado. Mas que mudanças seriam capazes de piorar um desempenho já tão ruim da equipe fora de seus estádio? Em princípio, qualquer alteração só pode melhorar a equipe. E, com todo o circo em torno do entrega-não entrega, não me surpreenderei em nada se vários dos jogadores que entrarem em campo resolverem mostrar dose extra de raça e entrega.
De qualquer forma, o Flamengo obviamente tem tudo para vencer. Mas é bom tomar seus cuidados - e eu chamaria a atenção, além do já citado Maxi López, para o garoto Douglas Costa, habilidoso, abusado e enjoado.
* * * * * * * * * * * * * *
E seja o que Deus quiser.
Uma pesquisa divulgada pelo BEE da PUC comprova: a economia brasileira desacelerou 73,5% durante esta semana, fazendo a projeção do PIB deste ano despencar. Lula entrou em contato com Ricardo Teixeira pedindo a antecipação do Flamengo x Grêmio para quarta-feira, preocupado com os efeitos desta ansiedade rubro-negra na economia e na campanha de Dilma Roussef, mas infelizmente LDU e Fluminense já ocupavam o Maracanã. A expectativa dos economistas do Ministério da Fazenda, no entanto, é que o consumo de cerveja no pós-jogo seja o suficiente para reaquecer a economia e recuperar o preju causado por tanta falta de produtividade da torcida do Flamengo nestes dias.
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O que podemos torcer é que o grande núcleo de produtividade flamenga no país, durante esta semana, tenha sido em Teresópolis - afinal, se apenas pensar no jogo de domingo atrapalha o trabalho de professores, engenheiros, médicos, contínuos e pedreiros, é exatamente esta cabeça 100% no Maracanã e no Grêmio que deve ser esperada de Andrade e comandados.
Normalmente, eu diria que o time do Flamengo já está definido para a partida, seguindo o que vem entrando em campo já há muito tempo - apenas com a entrada de David no lugar do suspenso Álvaro. No entanto, Andrade andou falando de outras opções e efetivamente as testou no treino de ontem. Pode não querer dizer nada; não será novidade nenhuma o treinador fazer experiências durante a semana e esquecê-las na hora de escalar o time pra valer. Mas...
Embora a imagem construída por todos sobre Andrade seja a de um treinador feijão-com-arroz, aquele que tem méritos justamente por não inventar, o fato é que ele já tomou antes decisões inesperadas para a maioria. Vocês devem lembrar o discurso que reinava: "o time tem que jogar com três zagueiros mesmo, com estes laterais não há opção" ou "eu até gostaria de outro esquema, mas não dá pra mudar agora, no meio da competição". Pois Andrade mudou - ousando até em escalar por um longo tempo um time com dois zagueiros e um meia ofensivo improvisado na lateral. Há mais exemplos - ou alguém esperava a entrada do então desprezado Petkovic no lugar do zagueiro Fabrício, no intervalo da partida contra o Náutico no primeiro turno, uma substituição ousada que mudou os rumos do campeonato?
Assim, pode danar mesmo de Andrade resolver mudar o time, usando Fierro ou Kléberson de início. Vocês devem saber, a essa altura, que comigo o chileno seria mesmo titular do time, ocupando a função que Willians vem fazendo - mas também não sei se, pra última rodada, eu ousaria mexer no que vem dando resultado. Mas Andrade sabe o que está fazendo - e, independente de quem entrar, o principal é a postura e a concentração do time em campo. Se todos tiverem se preparado bem e entrarem em condições de fazer o seu melhor, domingo tem tudo pra dar certo.
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Foi bom descobrir, graças a estes testes de Andrade no coletivo, que Éverton já tem condições de jogo. Sua saída para a entrada de Juan, em minha opinião, prejudicou o rendimento do time - embora errasse demais na hora de definir os lances, o garoto fazia diferença na dinâmica do time por sua movimentação, ultrapassagens, por dar mais sequência às jogadas. Não é o caso de lançá-lo novamente como titular numa hora dessas, por mais que Juan, que um dia já foi o grande jogador decisivo do time, hoje seja talvez o seu ponto mais fraco. Mas é interessante ter esta opção a mais para usar durante o jogo.
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E o Grêmio?
O Grêmio é o time mais esquisito do campeonato. Quando jogou o seu melhor - sempre no Olímpico -, pareceu sempre pra mim um time muito bom: um grande goleiro, defesa sólida, muita marcação no meio, bom nos chutes de fora da área e nas bolas paradas e ao menos um atacante muito enjoado, o argentino Maxi López. No entanto, quando sai de Porto Alegre, foi sempre um desastre, com uma diferença de aproveitamento gigantesca e difícil de explicar. Se o Grêmio tivesse fora de casa o aproveitamento do Santo André, estaria agora com 62 pontos, jogando contra o Flamengo com chances de título. Já pensou?
Mas não dá pra saber que Grêmio é esse que vem ao Rio. Muitos titulares já estão de fora e não se sabe bem quem será escalado. Mas que mudanças seriam capazes de piorar um desempenho já tão ruim da equipe fora de seus estádio? Em princípio, qualquer alteração só pode melhorar a equipe. E, com todo o circo em torno do entrega-não entrega, não me surpreenderei em nada se vários dos jogadores que entrarem em campo resolverem mostrar dose extra de raça e entrega.
De qualquer forma, o Flamengo obviamente tem tudo para vencer. Mas é bom tomar seus cuidados - e eu chamaria a atenção, além do já citado Maxi López, para o garoto Douglas Costa, habilidoso, abusado e enjoado.
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E seja o que Deus quiser.
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O circo que foi armado
Antes de mais nada, assistam ao vídeo abaixo:
Quem conhece minimamente as coisas do Rio Grande do Sul sabe como é inimaginável a cena que fecha a matéria: torcedores do Inter vestindo a camisa do Grêmio e cantando o hino do rival. Já estive por lá algumas vezes, tenho amigos gaúchos e sei como a rivalidade Gre-Nal vai muito além do que a gente vê aqui pelo Rio - e nunca ia pensar em um dia ver algo assim.
A verdade é que essa história do "entrega-não entrega" virou um carnaval sem propósito, um desvio de foco do que realmente é mais interessante neste campeonato que, em uma situação sem precedentes no Brasil e raríssima no Mundo, termina com quatro times ainda disputando o título na última rodada. Mas ninguém ressalta isso - o que, na verdade, não deveria surpreender, depois de todo o tempo desperdiçado durante esta emocionante reta final discutindo complôs envolvendo Globo, PM, STJD, árbitros e malas de todas as cores.
Seria mais do que natural se o Grêmio viesse ao Rio sem o mesmo interesse na partida que teria se estivesse ainda em alguma disputa. Ou os jogos do Sport contra Inter e São Paulo, nas duas últimas rodadas, foram encarados em Recife como finais de Copa? Porém, com todo o circo armado, não me surpreenderei se os gremistas chegarem comendo a grama no Maracanã. Afinal, do jeito que a coisa vai, aqueles que não entrarem de carrinho no pescoço dos adversários serão prontamente acusados de corpo mole. Afinal, o Flamengo só ganhou do Corinthians - o mesmo que, nas rodadas finais, perdeu em casa pra Náutico e Atlético-PR, apanhou do Sport, levou de 3 do Avaí - porque os paulistas entregaram, certo?
A verdade é que os adversários diretos do Flamengo estariam todos menos preocupados com o Grêmio agora se tivessem feito melhor seu trabalho - especialmente contra o próprio Flamengo. Num campeonato tão equilibrado, nenhum dos outros três pretendentes ao título conseguiu vencer o Flamengo em seus próprios estádios; nestes confrontos diretos, a única derrota rubro-negra foi para o Palmeiras, no Maracanã, ainda na época de Cuca - devolvida no returno, no Parque Antarctica, num momento decisivo.
* * * * * * * * * * * * * * *
Fora ouvir notícias de Porto Alegre pela imprensa e de meus amigos que moram por lá, resolvi perguntar a um colorado como ele se sentia com toda essa papagaiada armada. As palavras são do Rodrigo Araujo Rosa, sócio do Inter e um dos titulares do bom Vamo, Vamo, Inter!:
Quem conhece minimamente as coisas do Rio Grande do Sul sabe como é inimaginável a cena que fecha a matéria: torcedores do Inter vestindo a camisa do Grêmio e cantando o hino do rival. Já estive por lá algumas vezes, tenho amigos gaúchos e sei como a rivalidade Gre-Nal vai muito além do que a gente vê aqui pelo Rio - e nunca ia pensar em um dia ver algo assim.
A verdade é que essa história do "entrega-não entrega" virou um carnaval sem propósito, um desvio de foco do que realmente é mais interessante neste campeonato que, em uma situação sem precedentes no Brasil e raríssima no Mundo, termina com quatro times ainda disputando o título na última rodada. Mas ninguém ressalta isso - o que, na verdade, não deveria surpreender, depois de todo o tempo desperdiçado durante esta emocionante reta final discutindo complôs envolvendo Globo, PM, STJD, árbitros e malas de todas as cores.
Seria mais do que natural se o Grêmio viesse ao Rio sem o mesmo interesse na partida que teria se estivesse ainda em alguma disputa. Ou os jogos do Sport contra Inter e São Paulo, nas duas últimas rodadas, foram encarados em Recife como finais de Copa? Porém, com todo o circo armado, não me surpreenderei se os gremistas chegarem comendo a grama no Maracanã. Afinal, do jeito que a coisa vai, aqueles que não entrarem de carrinho no pescoço dos adversários serão prontamente acusados de corpo mole. Afinal, o Flamengo só ganhou do Corinthians - o mesmo que, nas rodadas finais, perdeu em casa pra Náutico e Atlético-PR, apanhou do Sport, levou de 3 do Avaí - porque os paulistas entregaram, certo?
A verdade é que os adversários diretos do Flamengo estariam todos menos preocupados com o Grêmio agora se tivessem feito melhor seu trabalho - especialmente contra o próprio Flamengo. Num campeonato tão equilibrado, nenhum dos outros três pretendentes ao título conseguiu vencer o Flamengo em seus próprios estádios; nestes confrontos diretos, a única derrota rubro-negra foi para o Palmeiras, no Maracanã, ainda na época de Cuca - devolvida no returno, no Parque Antarctica, num momento decisivo.
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Fora ouvir notícias de Porto Alegre pela imprensa e de meus amigos que moram por lá, resolvi perguntar a um colorado como ele se sentia com toda essa papagaiada armada. As palavras são do Rodrigo Araujo Rosa, sócio do Inter e um dos titulares do bom Vamo, Vamo, Inter!:
Cara, eu tô levando essa história na boa. Não acho que o Grêmio vá entregar o jogo descaradamente, até porque mancharia a camisa do clube. O Grêmio vai sim facilitar, ou seja, vai acabar indo para o Rio descompromissado e com time misto. De qualquer forma, time titular ou reserva a derrota é inevitável para o Grêmio, qualquer um em sã consciência sabe disso, é só ver a campanha deles - é simples, não têm time no ano de 2009.
Uma coisa que está me deixando muito triste e pasmo aqui nos Pampas são as atitudes de certos Colorados. Que estão fazendo esse carnaval, como tu te referiste, dizendo que o Grêmio isso, e o Grêmio aquilo. Nossa direção também está aproveitando o momento. Claro, dessa forma, achando um "culpado" para o péssimo ano, eles conseguem tapar os furos que cometeram. Mas os Colorados racionais sabem que o Inter só não sairá campeão pela má gestão que teve neste ano: das 6 competições que participamos ganhamos apenas uma, o Gauchão.
Uma outra coisa que me deixa p... da cara é ver aguns Colorados cantando o hino do rival. Ora, deixemos de ser hipócritas. Nunca, em hipótese alguma, eu torceria para o Grêmio, nem mesmo nesta situação. Agora, se um milagre acontecer e o Grêmio ganhar, comemorarei o título, mas este título ficaria manchado na história do Inter, porque os heróis teriam outra cor, que não é a vermelha.
Então é isso, eu tô tranquilo, e brincando com alguns gremistas. Se entregar ou não, não me interessa, como Colorado e Sócio, não esquecerei do a direção Colorada fez com o Clube neste ano.
Abraço e parabéns pelo título Nacional. (O cara tinha que dar uma secada...)
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Brasileiro 2009
Com este Fluminense, tudo pode acontecer
No fim de semana, conversando com um amigo meu tricolor, disse o que achava que aconteceria no Maracanã ontem: "vocês vão ganhar de 2 ou 3, a torcida vai aplaudir a raça etc. e tal, e no fim ninguém vai ficar muito chateado". Não deu outra - mas, durante o jogo, até pareceu que podia ser diferente. E na verdade, desde aquele inacreditável jogo com o Cruzeiro no Mineirão, este Fluminense tem mostrado que, com ele, tudo pode acontecer.
As circunstâncias começaram ajudando. Um gol de início, graças a uma bola desviada num chute de longe; uma expulsão de um equatoriano, merecida, mas graças a uma falta besta no meio-campo. No finzinho do primeiro tempo, o segundo gol - em uma jogada em que a movimentação de Fred pelo meio, nas costas da zaga, já havia sido ensaiada antes, num lance em que o bandeira deu impedimento inexistente. E assim o Fluminense, que resolveu ficar em campo no intervalo pra capitalizar o bonito apoio da torcida, já tinha meio caminho andado.
Cuca havia escalado o time com três atacantes, para partir pro abafa - e o fato de ficar com um jogador a mais ianda no início da partida havia ajudado no plano. Mas a atuação do tal terceiro homem de frente, Adeílson, não ajudava; jogava pelo lado mais frágil da LDU, participava bastante, mas errava tudo. O time melhorou quando o treinador inverteu seu lado com Alan - mas, sei lá porque, a modificação não foi mantida pro segundo tempo.
O jogo se resumia a um ataque-contra-defesa, mas que ficava cada vez mais tenso. Conca acertou um belo chute e o goleiro pegou de maneira milagrosa, num lance daqueles de deixar desesperado qualquer um que esteja no estádio - mas, no escanteio, saiu o terceiro gol. E aí a inacreditável virada ficou parecendo que seria apenas questão de tempo. Já imaginava o deja vu dos torcedores do Fluminense com mais uma prorrogação no Maracanã contra a LDU, naquelas condições.
É pena que Fred, talvez inspirado pelo tempo que passou na França, tenha resolvido - guardadas as devidas proporções - Zidanar. Do nada, num lance bobo na lateral em que nem participava direito, perdeu a cabeça de maneira inacreditável, partiu pra cima do juiz ameaçando até uma cabeçada para reclamar de uma marcação desimportante e forçou sua expulsão. E, nessa, acabou com o jogo. Até a torcida tricolor ficou tão perdida quanto seu time, pedindo a entrada de Kieza - que nem estava no banco. O juiz poderia ter dado mais tempo de acréscimo, mas do jeito que o jogo estava, não tem a menor pinta de que isso pudesse fazer diferença.
* * * * * * * * * * * * * *
O título não veio, mas foi bonito o último encontro deste time do Fluminense com sua torcida no Maracanã. O apoio dos tricolores, a partir daquela inacreditável recepção no aeroporto após a goleada em Quito, continuando com o corredor de recepção do ônibus da delegação do lado de fora do Maracanã e terminando nas arquibancadas do estádio, foi mesmo comovente. Se tudo der certo para o Fluminense no domingo, este jogo de ontem será lembrado pra frente como mais um episódio de uma bonita história de recuperação de um time e sua comunhão com a torcida.
Mas o pior é que não é difícil que, depois de tudo, o final de temporada tricolor seja realmente trágico. Uma derrota para o Coritiba no domingo, no Couto Pereira, não é nada difícil de acontecer - na verdade, acho até que é o resultado mais provável. E também não será nenhuma surpresa se o Botafogo conseguir vencer o Palmeiras no Engenhão. Esta decisão da última e indesejável vaga na série B 2010 acontece em uma condição difícil de se ver, em que três times dependem apenas de si, mas um deles terá necessariamente que se dar mal. Será triste se danar de ser o Fluminense.
As circunstâncias começaram ajudando. Um gol de início, graças a uma bola desviada num chute de longe; uma expulsão de um equatoriano, merecida, mas graças a uma falta besta no meio-campo. No finzinho do primeiro tempo, o segundo gol - em uma jogada em que a movimentação de Fred pelo meio, nas costas da zaga, já havia sido ensaiada antes, num lance em que o bandeira deu impedimento inexistente. E assim o Fluminense, que resolveu ficar em campo no intervalo pra capitalizar o bonito apoio da torcida, já tinha meio caminho andado.
Cuca havia escalado o time com três atacantes, para partir pro abafa - e o fato de ficar com um jogador a mais ianda no início da partida havia ajudado no plano. Mas a atuação do tal terceiro homem de frente, Adeílson, não ajudava; jogava pelo lado mais frágil da LDU, participava bastante, mas errava tudo. O time melhorou quando o treinador inverteu seu lado com Alan - mas, sei lá porque, a modificação não foi mantida pro segundo tempo.
O jogo se resumia a um ataque-contra-defesa, mas que ficava cada vez mais tenso. Conca acertou um belo chute e o goleiro pegou de maneira milagrosa, num lance daqueles de deixar desesperado qualquer um que esteja no estádio - mas, no escanteio, saiu o terceiro gol. E aí a inacreditável virada ficou parecendo que seria apenas questão de tempo. Já imaginava o deja vu dos torcedores do Fluminense com mais uma prorrogação no Maracanã contra a LDU, naquelas condições.
É pena que Fred, talvez inspirado pelo tempo que passou na França, tenha resolvido - guardadas as devidas proporções - Zidanar. Do nada, num lance bobo na lateral em que nem participava direito, perdeu a cabeça de maneira inacreditável, partiu pra cima do juiz ameaçando até uma cabeçada para reclamar de uma marcação desimportante e forçou sua expulsão. E, nessa, acabou com o jogo. Até a torcida tricolor ficou tão perdida quanto seu time, pedindo a entrada de Kieza - que nem estava no banco. O juiz poderia ter dado mais tempo de acréscimo, mas do jeito que o jogo estava, não tem a menor pinta de que isso pudesse fazer diferença.
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O título não veio, mas foi bonito o último encontro deste time do Fluminense com sua torcida no Maracanã. O apoio dos tricolores, a partir daquela inacreditável recepção no aeroporto após a goleada em Quito, continuando com o corredor de recepção do ônibus da delegação do lado de fora do Maracanã e terminando nas arquibancadas do estádio, foi mesmo comovente. Se tudo der certo para o Fluminense no domingo, este jogo de ontem será lembrado pra frente como mais um episódio de uma bonita história de recuperação de um time e sua comunhão com a torcida.
Mas o pior é que não é difícil que, depois de tudo, o final de temporada tricolor seja realmente trágico. Uma derrota para o Coritiba no domingo, no Couto Pereira, não é nada difícil de acontecer - na verdade, acho até que é o resultado mais provável. E também não será nenhuma surpresa se o Botafogo conseguir vencer o Palmeiras no Engenhão. Esta decisão da última e indesejável vaga na série B 2010 acontece em uma condição difícil de se ver, em que três times dependem apenas de si, mas um deles terá necessariamente que se dar mal. Será triste se danar de ser o Fluminense.
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Brasileiro 2009 - 37a. rodada - Corinthians 0 x 2 Flamengo
Ainda não acabou - mas está perto, muito perto. O São Paulo, aquele time "acostumado a decidir", voltou a perder. E assim o Flamengo assume pela primeira vez, a uma rodada do final, a liderança do campeonato - tendo supreendentemente como maior adversário no momento o Internacional. Bastou que, dessa vez, fizesse a sua parte, vencendo o Corinthians. E agora teremos pela frente uma longa semana de ansiedade. Quem é a favor de antecipar esse jogo pra quarta-feira, levanta a mão!
Foi uma grande atuação? Não, não foi. Mas a maior diferença para a partida contra o Goiás foi a maneira como o Flamengo já entrou ligado no jogo, logo de início. E com o Corinthians mostrando fragilidade na defesa, especialmente pela sua lateral direita, as chances começaram a aparecer - uma cabeçada na trave de Álvaro, outras com Willians e Mezenga, até finalmente sair o primeiro gol. E aconteceu num lançamento longo, bonito, daqueles que a gente acha que só um Pet é capaz de fazer - mas que saiu dos pés, vejam vocês, de Toró.
E a partir daí, a decisão do time foi cozinhar o jogo. Nos três quartos de partida restantes, o Flamengo criou pouco, mas também manteve o jogo razoavelmente sob controle e as maiores emoções vieram da "bolinha pintando na tela da Globo", com a tensão pelo que cada uma poderia significar. No fim do primeiro tempo, houve um momento de pane, em que Defederico poderia ter empatado - Angelim salvou em cima da linha o chute fraco para o gol vazio. Ao longo da partida, foi o argentino quem conseguiu criar alguma preocupação para a defesa rubro-negra. Já para o final, após a expulsão de Chicão, o Flamengo até voltou a ameaçar em contra-ataques; quando saiu o segundo gol, de pênalti, o time já ensaiava mesmo ampliar o placar.
* * * * * * * * * * * * *
No geral, foi uma atuação tranquila na defesa, com a zaga segura, os laterais fazendo bem a marcação e uma bela atuação de Aírton. No ataque, o time já foi mais tímido. Sem Adriano, o que o time realmente perdeu foi a opção das bolas longas, aquelas pedradas que ninguém mais consegue matar, mas o Imperador dá seu jeito. Assim, procurou-se colocar mais a bola no chão, o que é bom - mas só funcionou bem mesmo no início da partida. Pet participou até bastante do jogo, mas não conseguiu criar grandes lances; Mezenga teve uma chance no primeiro tempo e, depois disso, mal foi notado em campo; Willians foi até bem atrás, mas muito mal na frente. Zé Roberto foi o mais efetivo do ataque - apesar de se colocar em impedimento com uma frequência impressionante.
Mas a verdade é que é difícil ficar fazendo grandes avaliações técnicas ou táticas neste momento. Foi o bastante pra vencer, foi mais do que os adversários diretos têm feito - e foi o que colocou estes jogadores do Flamengo à beira de fazer história. Que façam valer a pena o perrengue que quase 80 mil pessoas passaram nas filas para conseguirem seus ingressos, antes mesmo de saber o que esta rodada lhes reservaria.
Nada está ganho ainda. Mas tá quase lá!
E o Ronaldo, hein?
Parecia que, em vez de maca, teriam que chamar um guincho pra retirar o cara do gramado.
29/11/2009 - 17h - Corinthians 0 x 2 Flamengo
Brinco de Ouro da Princesa - Campinas, SP
Árbitro: Evandro Rogério Roman (Fifa-PR)
Auxiliares: Alessandro Álvaro Rocha de Matos (Fifa-BA) e Altemir Hausmann (Fifa-RS)
Cartões amarelos: Moradei, Souza, Chicão e Elias (COR) Álvaro, Willians, Petkovic e Toró (FLA)
Cartão vermelho: Chicão, 23'/2º T (COR)
Gols: Zé Roberto, 26'/1°T (1-0) e Léo Moura, 48'/2°T (2-0)
Corinthians: Felipe, Jucilei, Chicão, Paulo André e Escudero (Dodô, 29'/2ºT); Edu (Moradei, 4'/1ºT), Elias, Boquita e Defederico; Jorge Henrique e Ronaldo (Souza, 25'/1ºT). Técnico: Mano Menezes.
Flamengo: Bruno, Léo Moura, Álvaro, Ronaldo Angelim e Juan; Aírton, Toró, Willians e Petkovic (Fierro, 20'/2ºT); Zé Roberto e Bruno Mezenga (Denis Marques, 33'/2ºT). Técnico: Andrade.
Foi uma grande atuação? Não, não foi. Mas a maior diferença para a partida contra o Goiás foi a maneira como o Flamengo já entrou ligado no jogo, logo de início. E com o Corinthians mostrando fragilidade na defesa, especialmente pela sua lateral direita, as chances começaram a aparecer - uma cabeçada na trave de Álvaro, outras com Willians e Mezenga, até finalmente sair o primeiro gol. E aconteceu num lançamento longo, bonito, daqueles que a gente acha que só um Pet é capaz de fazer - mas que saiu dos pés, vejam vocês, de Toró.
E a partir daí, a decisão do time foi cozinhar o jogo. Nos três quartos de partida restantes, o Flamengo criou pouco, mas também manteve o jogo razoavelmente sob controle e as maiores emoções vieram da "bolinha pintando na tela da Globo", com a tensão pelo que cada uma poderia significar. No fim do primeiro tempo, houve um momento de pane, em que Defederico poderia ter empatado - Angelim salvou em cima da linha o chute fraco para o gol vazio. Ao longo da partida, foi o argentino quem conseguiu criar alguma preocupação para a defesa rubro-negra. Já para o final, após a expulsão de Chicão, o Flamengo até voltou a ameaçar em contra-ataques; quando saiu o segundo gol, de pênalti, o time já ensaiava mesmo ampliar o placar.
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No geral, foi uma atuação tranquila na defesa, com a zaga segura, os laterais fazendo bem a marcação e uma bela atuação de Aírton. No ataque, o time já foi mais tímido. Sem Adriano, o que o time realmente perdeu foi a opção das bolas longas, aquelas pedradas que ninguém mais consegue matar, mas o Imperador dá seu jeito. Assim, procurou-se colocar mais a bola no chão, o que é bom - mas só funcionou bem mesmo no início da partida. Pet participou até bastante do jogo, mas não conseguiu criar grandes lances; Mezenga teve uma chance no primeiro tempo e, depois disso, mal foi notado em campo; Willians foi até bem atrás, mas muito mal na frente. Zé Roberto foi o mais efetivo do ataque - apesar de se colocar em impedimento com uma frequência impressionante.
Mas a verdade é que é difícil ficar fazendo grandes avaliações técnicas ou táticas neste momento. Foi o bastante pra vencer, foi mais do que os adversários diretos têm feito - e foi o que colocou estes jogadores do Flamengo à beira de fazer história. Que façam valer a pena o perrengue que quase 80 mil pessoas passaram nas filas para conseguirem seus ingressos, antes mesmo de saber o que esta rodada lhes reservaria.
Nada está ganho ainda. Mas tá quase lá!
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E o Ronaldo, hein?
Parecia que, em vez de maca, teriam que chamar um guincho pra retirar o cara do gramado.
Brinco de Ouro da Princesa - Campinas, SP
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Auxiliares: Alessandro Álvaro Rocha de Matos (Fifa-BA) e Altemir Hausmann (Fifa-RS)
Cartões amarelos: Moradei, Souza, Chicão e Elias (COR) Álvaro, Willians, Petkovic e Toró (FLA)
Cartão vermelho: Chicão, 23'/2º T (COR)
Gols: Zé Roberto, 26'/1°T (1-0) e Léo Moura, 48'/2°T (2-0)
Corinthians: Felipe, Jucilei, Chicão, Paulo André e Escudero (Dodô, 29'/2ºT); Edu (Moradei, 4'/1ºT), Elias, Boquita e Defederico; Jorge Henrique e Ronaldo (Souza, 25'/1ºT). Técnico: Mano Menezes.
Flamengo: Bruno, Léo Moura, Álvaro, Ronaldo Angelim e Juan; Aírton, Toró, Willians e Petkovic (Fierro, 20'/2ºT); Zé Roberto e Bruno Mezenga (Denis Marques, 33'/2ºT). Técnico: Andrade.
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