Brasileiro 2009 - 33a. rodada - Flamengo 1 x 0 Santos

Foi um jogo nervoso até o fim. Jogo de momentos animadores - o Flamengo voltou a jogar bom futebol em alguns períodos - e outros de arrancar os cabelos. No fim, nesta fase, o mais importante foi mesmo o resultado. Meio a zero já estaria de bom tamanho para dar a chance aos rubro-negros de passar o domingo secando Palmeiras, Inter, Atlético e Cruzeiro.

O Flamengo até controlou bem o primeiro tempo, marcando na frente e mantendo mais a posse de bola. Não foi ameaçado - a única chance do Santos foi em um pênalti marcado em um lance que não oferecia qualquer perigo. Mas com a atuação discreta de Petkovic - que jogou mais adiantado, formando o trio ofensivo com Adriano e Zé Roberto e deixando Willians bem mais preso pela direita -, criou pouco. A bem da verdade, foram apenas duas finalizações dignas de nota em toda a etapa: duas cabeçadas de Adriano, em dois bons cruzamentos de Léo Moura. O que acabou sendo suficiente pra fazer o 1x0 que durou até o fim da partida.

E sabe-se Deus como este placar ficou assim até o final, com o segundo tempo que se viu no Maracanã. Foi um jogo bem mais aberto, em que o Flamengo, enquanto teve pernas, teve grandes chances de ampliar - e também passou um senhor perrengue para não sofrer o empate, com direito a bola salva de cabeça em cima da linha e mais um pênalti mal cobrado e defendido por Bruno.

O time, na verdade, sofreu com o cansaço de suas principais peças ofensivas a partir de um determinado momento, e assim parou de conseguir manter consigo a bola - e a defesa, que foi segura a maior parte do tempo, teve que se virar pra segurar a pressão. Petkovic estava tão exausto antes de sair que chegou até a não se animar a ir até a ponta pra cobrar um escanteio; Adriano - que já não está mais naquela forma exuberante em que foi devolvido pela Seleção há um tempo atrás - até partia para algumas arrancadas em contra-ataques, mas acabava concluindo mal os lances pela falta de pernas. Numa delas, deu um pique realmente incrível para ganhar na velocidade de um adversário - e, depois de ter ficado com a bola, simplesmente passou a bola para um jogador do Santos. A vista do cara deve ter embaçado.

E fica aqui um parêntese: faltam só cinco rodadas. É hora de conscientizar todo mundo do momento de decisão que a equipe vive. As férias vão chegar logo logo, todos vão poder descansar o quanto puderem. É hora de todo mundo - todo mundo! - treinar, todo dia, dando seu máximo, para estar no melhor de sua forma. Quem acha que merece as regalias que ganha poderia deixá-las um pouquinho de lado numa hora dessas.

Neste cenário, não dá pra não destacar a atuação de Zé Roberto. Eu já havia comentado aqui, quando ele começou a mostrar futebol, como parecia que sua forma física tinha mudado e estava fazendo diferença. Ontem, até o final do jogo, ele foi o único a ter pernas para ajudar na marcação atrás e correr na frente, indo pra cima dos adversários, ganhando na velocidade, prendendo a bola e mostrando uma garra impressionante. Foi o melhor em campo.

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Creio que nunca vi a torcida rubro-negra ficar tão irritada com um juiz no estádio em toda a minha vida. Claro, os pênaltis foram determinantes pra isso. E, vendo depois o lance pela TV, achei que o primeiro realmente ocorreu, num lance infantil de Aírton, embora o santista tenha forçado a barra se jogando. O segundo, que no Maracanã eu cheguei a ter dúvidas, pra mim não foi mesmo - era disputa por espaço dentro da área, totalmente do jogo.

Mas, fora estes dois lances que acabaram só servindo para consagrar Bruno, o árbitro teve uma atuação muito esquisita na marcação das faltas e, principalmente, pela não distribuição de cartões ao time do Santos. Passaram em branco inúmeros contra-ataques parados com faltas que poderiam estar em um manual de arbitragem - "quando se deve dar cartão amarelo?".




31/10/2009 - 18h30 - Flamengo 1 x 0 Santos
Maracanã - Rio de Janeiro, RJ
Renda/público: R$ 1.500.110 / 77.063 pagantes (80.560 presentes)


Árbitro: Nielson Nogueira Dias (PE)
Auxiliares: Jossemmar José Diniz Moutinho(PE) e Luciano José Coelho Cruz (PE)
Cartões amarelos: Léo Moura, Maldonado, Toró e Ronaldo Angelim (FLA) Triguinho e Adaílton (SAN)

Gol: Adriano, 6'/1°T (1-0)

Flamengo: Bruno, Léo Moura, Álvaro, Ronaldo Angelim e Juan; Aírton, Maldonado, Willians (Toró, 33'/2ºT) e Petkovic (Fierro, 38'/2ºT); Zé Roberto (Welinton, 47'/2ºT) e Adriano. Técnico: Andrade.

Santos: Felipe; Pará, Eli Sabiá, Adaílton e Triguinho (Léo, intervalo); Rodrigo Mancha (Felipe Azevedo, intervalo), Rodrigo Souto, Germano e Paulo Henrique Ganso; Jean (Madson, 19'/2ºT) e André. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

5 comentários:

Raphael Perret disse...

Palmeiras, Atlético, Cruzeiro... e Inter! Dos quatro, o que menos incomoda é o Atlético, já que temos confronto direto com eles domingo (no Mineirão, glup).

A curiosidade é que, se terminar Goiás 0 x 0 Galo, Atlético e Flamengo empatam em todos os critérios. Aí só na semana que vem é que haveria o desempate. E maior curiosidade ainda: se houver novo empate no Mineirão, os dois permanecerao com campanhas iguais, mas o Flamengo passará à frente pela soma dos confrontos diretos.

Raphael Perret disse...

Não vi o jogo, só os melhores momentos. Vale destacar que o Flamengo jogou três vezes na semana, o que não acontecia há um bom tempo e não vai mais acontecer em 2009. Como o jogo foi sábado, haverá sete dias de descanso/treino até a partida em BH. Portanto, bola nas mãos dos preparadores físicos: é fazer o time relaxar pra todos voltarem a correr. Os últimos segundos tempos do Flamengo têm sido sofríveis, e não dá mais tempo pra recaídas.

Tiago Cordeiro disse...

Olha... Concordo especialmente com a falta de comprometimento.

Renato Freire disse...

Apesar do bom primeiro tempo do Flamengo, acho que o Santos encaixou melhor a marcação. O Triguinho vivia solto pela esquerda - ainda bem que é fraco, como todo o time do Santos. Mas deu pra animar com os momentos de bom futebol, embora estes tenham sido poucos. E deu pra desanimar um pouco com a engordada do Adriano. Zé Roberto foi mesmo o destaque.

vôo do urubu disse...

A ironia é q enqto o time não perdia, não chegava ao G4; começou a perder e logo alcançou o quarteto de cima.

Saudações rubronegras!