A Copa América e a Sub-20 tiram os principais jogadores de seus times por muitas rodadas e muda completamente o andamento do campeonato. O calendário tem que mudar.
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O G3 voltou a ser G4, beleza. Mas muita coisa ainda tem que mudar
A Conmebol, afinal, decidiu desfazer o que tinha feito no meio do caminho e voltaram a ser quatro os classificados através do Campeonato Brasileiro para a Libertadores. Isso se não for um clube brasileiro o vencedor da Copa Sul-Americana, que acaba poucos dias depois do nosso campeonato nacional, o que vai fazer com que o quarto (ou quinto, ou sexto, dependendo das posições de Santos e Inter) – colocado não saiba, ao fim da competição, se garantiu ou não sua vaga). Enfim: fato é que tudo isso deixou claro que o calendário precisa de ajustes.
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O Brasileirão clandestino, graças ao calendário
Dizer que o calendário do futebol brasileiro tem problemas é chover no molhado. Mas é em ano de Copa do Mundo que todos estes defeitos mais ficam aparentes.
Hoje, por exemplo, começa o Campeonato Brasileiro. Porém, é difícil querer que este seja o assunto do dia.
Primeiro, porque colocam o campeonato mais importante do país para começar quando a Copa do Brasil e a Libertadores chegam às suas fases mais decisivas. Não só teremos vários clubes iniciando o campeonato com times mistos, como a própria imprensa está mais interessada nestes outros torneios do que no Brasileirão, que assim começará quase clandestinamente.
Além disso, o início da competição seria a hora dos analistas projetarem o que cada equipe poderá disputar e assim aquecer as conversas dos torcedores. Porém, todos já sabemos normalmente que os times que iniciam o campeonato serão bem diferentes dos que o terminam, graças à infame janela de transferências do meio do ano, quando italianos, alemães, ucranianos e qatarianos passam por aqui e fazem a limpa. Pois este ano a coisa é ainda pior: não só os times serão modificados, como ainda teremos uma longa pausa para a Copa do Mundo, que vai quebrar totalmente o ritmo da competição e fazer com que este início seja encarado ainda mais com um certo desdém - por mais que apareçam comentaristas lembrando que os pontos ganhos ou perdidos hoje valem o mesmo dos de novembro.
(Ou seja: qualquer aposta hoje sobre o final do Brasileiro é muito na base do chutômetro. Talvez eu faça meus chutes ainda. Mas não agora)
É mais um prejuízo que a Copa do Mundo, que já pode tirar os principais jogadores de várias equipes de momentos decisivos da Copa do Brasil e da Libertadores - traz para o nosso calendário. E isso faz parecer pra mim ainda mais impressionante que não se perceba o quanto a organização das coisas por aqui teria a ganhar se o calendário sul-americano se ajustasse de vez ao europeu. Não haveria esta pausa, a Copa não comeria datas importantes de outras competições, diminuiria-se a quantidade de transferências para o exterior no meio das competições, enfim.
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Reparem: durando um mês, só a disputa da Copa do Mundo já toma 4 semanas, ou 8 datas do calendário. Muito provavelmente (não vou parar agora pra fazer as contas), só de liberar estas datas já seria suficiente para que os clubes que estão na Libertadores pudessem disputar também a Copa do Brasil.
E será necessário mesmo que deem um jeito disso acontecer a partir do ano que vem, já que agora a Sul-Americana dá vaga pra Libertadores - o que faz com que hoje os times que conseguem posições intermediárias no Brasileiro e podem jogar Sul-Americana e Copa do Brasil tenham mais chances para ir à Libertadores do ano seguinte do que os de ponta, algo que não tem o menor cabimento.
Hoje, por exemplo, começa o Campeonato Brasileiro. Porém, é difícil querer que este seja o assunto do dia.
Primeiro, porque colocam o campeonato mais importante do país para começar quando a Copa do Brasil e a Libertadores chegam às suas fases mais decisivas. Não só teremos vários clubes iniciando o campeonato com times mistos, como a própria imprensa está mais interessada nestes outros torneios do que no Brasileirão, que assim começará quase clandestinamente.
Além disso, o início da competição seria a hora dos analistas projetarem o que cada equipe poderá disputar e assim aquecer as conversas dos torcedores. Porém, todos já sabemos normalmente que os times que iniciam o campeonato serão bem diferentes dos que o terminam, graças à infame janela de transferências do meio do ano, quando italianos, alemães, ucranianos e qatarianos passam por aqui e fazem a limpa. Pois este ano a coisa é ainda pior: não só os times serão modificados, como ainda teremos uma longa pausa para a Copa do Mundo, que vai quebrar totalmente o ritmo da competição e fazer com que este início seja encarado ainda mais com um certo desdém - por mais que apareçam comentaristas lembrando que os pontos ganhos ou perdidos hoje valem o mesmo dos de novembro.
(Ou seja: qualquer aposta hoje sobre o final do Brasileiro é muito na base do chutômetro. Talvez eu faça meus chutes ainda. Mas não agora)
É mais um prejuízo que a Copa do Mundo, que já pode tirar os principais jogadores de várias equipes de momentos decisivos da Copa do Brasil e da Libertadores - traz para o nosso calendário. E isso faz parecer pra mim ainda mais impressionante que não se perceba o quanto a organização das coisas por aqui teria a ganhar se o calendário sul-americano se ajustasse de vez ao europeu. Não haveria esta pausa, a Copa não comeria datas importantes de outras competições, diminuiria-se a quantidade de transferências para o exterior no meio das competições, enfim.
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Reparem: durando um mês, só a disputa da Copa do Mundo já toma 4 semanas, ou 8 datas do calendário. Muito provavelmente (não vou parar agora pra fazer as contas), só de liberar estas datas já seria suficiente para que os clubes que estão na Libertadores pudessem disputar também a Copa do Brasil.
E será necessário mesmo que deem um jeito disso acontecer a partir do ano que vem, já que agora a Sul-Americana dá vaga pra Libertadores - o que faz com que hoje os times que conseguem posições intermediárias no Brasileiro e podem jogar Sul-Americana e Copa do Brasil tenham mais chances para ir à Libertadores do ano seguinte do que os de ponta, algo que não tem o menor cabimento.
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O Flamengo de volta à Europa
O Radar On-line da Veja publicou hoje a notícia de que o Flamengo voltará, depois de muitos anos, a jogar na Europa. A Off Field - mesma agência de marketing especializada em futebol que intermediou o patrocínio da Batavo com o clube - comprou três datas por R$1 milhão, mais um percentual da bilheteria destes jogos.
A excursão só será possível graças à Copa do Mundo. A competição fez com que o calendário brasileiro ficasse apertado para competições oficiais e todos os times tivessem uma pré-temporada bem reduzida - mas está abrindo um período de "folga" no meio do ano que poderá ser aproveitado para períodos de treinamento e amistosos. Estas partidas do Flamengo devem acontecer logo antes da Copa. Os adversários ainda não estão definidos, mas a nota diz que um deles deve ser Milan ou Roma.
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Muito tem se falado ultimamente na necessidade dos clubes brasileiros internacionalizarem suas marcas - e de como o calendário daqui atrapalha isso. Ano que vem já não tem Copa, os campeoantos não serão interrompidos e a possibilidade de excursões como esta que o Flamengo deve fazer fica bem mais complicada.
E este seria um grande benefício da adaptação do nosso calendário ao europeu, como muitos gostariam - inclusive eu. Com isso, a Copa e as Olimpíadas não atrapalhariam as competições daqui e seria mais fácil organizar estes amistosos por lá. Se hoje já fosse assim, Flamengo, Santos, Corinthians e Fluminense teriam bem mais facilidade para faturar com Adriano, Robinho, Ronaldo, Roberto Carlos e Fred.
(Escrevi há um tempo atrás minhas ideias pro calendário brasileiro - deem uma olhada aqui e aqui.)
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A excursão só será possível graças à Copa do Mundo. A competição fez com que o calendário brasileiro ficasse apertado para competições oficiais e todos os times tivessem uma pré-temporada bem reduzida - mas está abrindo um período de "folga" no meio do ano que poderá ser aproveitado para períodos de treinamento e amistosos. Estas partidas do Flamengo devem acontecer logo antes da Copa. Os adversários ainda não estão definidos, mas a nota diz que um deles deve ser Milan ou Roma.
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Muito tem se falado ultimamente na necessidade dos clubes brasileiros internacionalizarem suas marcas - e de como o calendário daqui atrapalha isso. Ano que vem já não tem Copa, os campeoantos não serão interrompidos e a possibilidade de excursões como esta que o Flamengo deve fazer fica bem mais complicada.
E este seria um grande benefício da adaptação do nosso calendário ao europeu, como muitos gostariam - inclusive eu. Com isso, a Copa e as Olimpíadas não atrapalhariam as competições daqui e seria mais fácil organizar estes amistosos por lá. Se hoje já fosse assim, Flamengo, Santos, Corinthians e Fluminense teriam bem mais facilidade para faturar com Adriano, Robinho, Ronaldo, Roberto Carlos e Fred.
(Escrevi há um tempo atrás minhas ideias pro calendário brasileiro - deem uma olhada aqui e aqui.)
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Não é só nos clubes que o pessoal do marketing está desembarcando para ganhar dinheiro com futebol no Brasil; a Off Field é uma das empresas que têm aparecido por aí tentando ganhar dinheiro no cenário cada vez mais profissional do futebol brasileiro. E quanto mais gente competente trabalhar com o marketing no futebol, mais lucrarão os clubes com mais potencial para explorar sua marca - como é o caso do Flamengo.
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E vocês sabem qual foi a última vez que o Flamengo teve a chance de faturar alguns trocados indo jogar no exterior? O Fla-Estatística é o lugar pra achar este tipo de informação.
Em 2006, houve duas oportunidades. No início do ano, o time foi a Montevidéu jogar contra Peñarol e Nacional pelo Troféu Mastercard; e em outubro, conseguiu encaixar um amistoso em Los Angeles, contra o América do México.
Mas faz bem mais tempo que não viaja para a Europa. A última vez foi em 2000, para amistosos em Madri e Sevilha contra Atlético de Madri e Bétis. E dois do time atual estavam lá: Petkovic e Adriano jogaram na última partida do Flamengo no Velho Continente, uma vitória por 2x1 sobre o Bétis no dia 29/8/2000 - com gols de Edílson e Adriano. A equipe jogou com Clemer, Maurinho, Juan, Fabão e Marco Antônio; Leandro Ávila, Rocha e Petkovic (Lê); Denílson (Alessandro), Edílson e Adriano (Reinaldo).
Em 2006, houve duas oportunidades. No início do ano, o time foi a Montevidéu jogar contra Peñarol e Nacional pelo Troféu Mastercard; e em outubro, conseguiu encaixar um amistoso em Los Angeles, contra o América do México.
Mas faz bem mais tempo que não viaja para a Europa. A última vez foi em 2000, para amistosos em Madri e Sevilha contra Atlético de Madri e Bétis. E dois do time atual estavam lá: Petkovic e Adriano jogaram na última partida do Flamengo no Velho Continente, uma vitória por 2x1 sobre o Bétis no dia 29/8/2000 - com gols de Edílson e Adriano. A equipe jogou com Clemer, Maurinho, Juan, Fabão e Marco Antônio; Leandro Ávila, Rocha e Petkovic (Lê); Denílson (Alessandro), Edílson e Adriano (Reinaldo).
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Minhas ideias para o calendário brasileiro - Parte 2
Então, taí minhas sugestões de mudanças no calendário do futebol brasileiro:
- Alinharia o calendário brasileiro ao europeu. Isso seria bom pra diminuir a saída de jogadores importantes no meio do Brasileiro, mas nem é o motivo definitivo. O que pesa na minha "decisão" seria o fato de não ter mais Copa do Mundo, Copa das Confederações ou Olimpíadas acontecendo no meio do calendário. Isso come datas que fazem falta e atrapalha todo o fluxo das competições. Ano que vem, por exemplo, a Copa do Brasil vai começar no primeiro semestre, parar por mais de um mês e aí ter sua final em julho. Ruim demais.
- Faria a Sul-Americana dar vaga para a Libertadores e ser disputada ao mesmo tempo que ela, por outras equipes. Foi mal, argentinos, mas não faz sentido mantê-la do jeito que é hoje. Haveria uma complicação: como criar esta vaga a mais? Seria preciso tirar uma vaga de outro país? Seria preciso aumentar o número de participantes? É algo a ser estudado. Mas coloquem aí na conta: hoje o calendário reserva 17 datas para a Libertadores, e é com este número que vou seguir para as duas competições continentais simultâneas.
- Acreditem: é difícil conseguir fazer encaixar tudo o que queremos no calendário do futebol nas 48 semanas disponíveis do ano. Por isso, eu reduziria o número de times do Brasileiro, de 20 para 18 - o que diminuiria sua duração de 38 para 34 datas. Para compensar um pouquinho, diminuiria o número de clubes rebaixados direto de 4 para 3, e faria os dois acima disputarem com pretendentes da segunda divisão um mata-mata para decidir quem jogaria na série A do ano seguinte. Alguns jogos de vida ou morte a mais não fariam mal. Talvez um mata-mata rápido para decidir uma ou duas vagas na Libertadores também fosse interessante - é algo a ser pensado.
- Os Estaduais teriam suas datas reduzidas, das atuais 23 para 10. Neste tempo, seria possível uma fórmula, por exemplo, com 12 times, dois grupos de 6 jogando em turno único na primeira fase, semi-finais e finais para decidir o título (ou um quadrangular em turno único, quem sabe). Ou 16 times, quatro grupos de 4 jogando em ida e volta, semi-finais e finais. Ou até um mata-mata simples, com 32 times jogando em ida e volta a cada fase. Aí vai de cada federação decidir o que acha melhor.
- Os primeiros colocados dos Estaduais se classificariam para os Regionais (Rio-São Paulo, Sul-Minas, Centro-Oeste, Nordeste e Norte), que começam em seguida, disputados em meio de semana, com o Brasileiro rolando. Para eles, 8 datas seriam reservadas - seria possível um regional com 16 times em mata-mata simples, ou com números menores de clubes e outras fórmulas. O Rio-São Paulo, por exemplo, poderia ter 6 times divididos em dois grupos de três, jogando em ida e volta e classificando os finalistas; ou 8 times, dois grupos de 4, mesma fórmula. É uma questão de se chegar à conclusão do melhor número de participantes e fórmula para cada região, desde que caibam nestas 8 datas. É importante que os campeões estaduais entrem com vantagens efetivas nos regionais, para os títulos serem valorizados.
- O campeão de cada regional se classificaria para a remodelada Copa do Brasil. Com apenas 8 times (os 5 campeões, mais outros três também classificados pelos regionais - faria-se um ranking baseado nos resultados dos times de cada região para definir quem ficaria com as vagas restantes), ela seria disputada em seis datas, mata-mata simples, a partir das quartas-de-final - que, vamos combinar, é a fase em que a Copa do Brasil atual começa a ficar interessante.
Hoje, temos as primeiras fases da Copa do Brasil obrigando os times grandes a longas viagens, para jogos no esquema "bater em bêbado" contra times inacreditavelmente mais fracos. Muitos usam times mistos, a audiência nas TVs é ruim, o desgaste é grande - só vale a pena praqueles poucos que conseguem ir aos estádios destas cidades para verem de perto os reservas de Vasco ou Atlético-MG. A maior ambição de boa parte dos participantes é perder de pouco em casa, pra poderem viajar pro Rio ou pra São Paulo num jogo de volta com estádio vazio.
Neste novo formato, os estaduais ganhariam novo sentido, as rivalidades locais seriam estimuladas, viagens seriam encurtadas e jogos decisivos e interessantes de mata-mata se multiplicariam ao longo do calendário - seriam três períodos espalhados pelo ano com decisões relevantes sendo disputadas. E ainda se daria a chance para um time mais forte da região Norte, por exemplo, realmente chegar à fase decisiva de uma competição nacional.
- Acreditem: é difícil conseguir fazer encaixar tudo o que queremos no calendário do futebol nas 48 semanas disponíveis do ano. Por isso, eu reduziria o número de times do Brasileiro, de 20 para 18 - o que diminuiria sua duração de 38 para 34 datas. Para compensar um pouquinho, diminuiria o número de clubes rebaixados direto de 4 para 3, e faria os dois acima disputarem com pretendentes da segunda divisão um mata-mata para decidir quem jogaria na série A do ano seguinte. Alguns jogos de vida ou morte a mais não fariam mal. Talvez um mata-mata rápido para decidir uma ou duas vagas na Libertadores também fosse interessante - é algo a ser pensado.
- Os Estaduais teriam suas datas reduzidas, das atuais 23 para 10. Neste tempo, seria possível uma fórmula, por exemplo, com 12 times, dois grupos de 6 jogando em turno único na primeira fase, semi-finais e finais para decidir o título (ou um quadrangular em turno único, quem sabe). Ou 16 times, quatro grupos de 4 jogando em ida e volta, semi-finais e finais. Ou até um mata-mata simples, com 32 times jogando em ida e volta a cada fase. Aí vai de cada federação decidir o que acha melhor.
- Os primeiros colocados dos Estaduais se classificariam para os Regionais (Rio-São Paulo, Sul-Minas, Centro-Oeste, Nordeste e Norte), que começam em seguida, disputados em meio de semana, com o Brasileiro rolando. Para eles, 8 datas seriam reservadas - seria possível um regional com 16 times em mata-mata simples, ou com números menores de clubes e outras fórmulas. O Rio-São Paulo, por exemplo, poderia ter 6 times divididos em dois grupos de três, jogando em ida e volta e classificando os finalistas; ou 8 times, dois grupos de 4, mesma fórmula. É uma questão de se chegar à conclusão do melhor número de participantes e fórmula para cada região, desde que caibam nestas 8 datas. É importante que os campeões estaduais entrem com vantagens efetivas nos regionais, para os títulos serem valorizados.
- O campeão de cada regional se classificaria para a remodelada Copa do Brasil. Com apenas 8 times (os 5 campeões, mais outros três também classificados pelos regionais - faria-se um ranking baseado nos resultados dos times de cada região para definir quem ficaria com as vagas restantes), ela seria disputada em seis datas, mata-mata simples, a partir das quartas-de-final - que, vamos combinar, é a fase em que a Copa do Brasil atual começa a ficar interessante.
Hoje, temos as primeiras fases da Copa do Brasil obrigando os times grandes a longas viagens, para jogos no esquema "bater em bêbado" contra times inacreditavelmente mais fracos. Muitos usam times mistos, a audiência nas TVs é ruim, o desgaste é grande - só vale a pena praqueles poucos que conseguem ir aos estádios destas cidades para verem de perto os reservas de Vasco ou Atlético-MG. A maior ambição de boa parte dos participantes é perder de pouco em casa, pra poderem viajar pro Rio ou pra São Paulo num jogo de volta com estádio vazio.
Neste novo formato, os estaduais ganhariam novo sentido, as rivalidades locais seriam estimuladas, viagens seriam encurtadas e jogos decisivos e interessantes de mata-mata se multiplicariam ao longo do calendário - seriam três períodos espalhados pelo ano com decisões relevantes sendo disputadas. E ainda se daria a chance para um time mais forte da região Norte, por exemplo, realmente chegar à fase decisiva de uma competição nacional.
- Reservo 8 datas para uma pré-temporada bem maior do que a que costumamos ter por aqui. E os times poderiam se preparar melhor, viajar pra fora, fazer excursões pelo Brasil, enfim.
- Quem olhar o calendário da FIFA, vai ver que, até 2014, as datas reservadas para as seleções variam entre 7 e 12 por ano. Foi mal: não consegui liberar 12 não. Ficam previstas 7 datas FIFA por ano no calendário - e cabe à CBF fazer não coincidir jogos decisivos do calendário com aquelas datas em que não for possível parar as competições, o que não aconteceria todo ano. Acho que é possível e o prejuízo estaria bastante minimizado. Em ocasiões especiais, seria possível adiar um ou outro jogo por conta de convocações.
- Estes possíveis adiamentos seriam facilitados pela existência de 3 datas livres no calendário. Elas serviriam justamente para possíveis adiamentos de partidas - por campo alagado, chuva de granizo, queda de energia, convocação da Seleção ou possíveis participações em Recopa Sul-Americana, Mundial de Clubes e coisas do gênero. Os times que jogassem mata-matas decisivos de rebaixamento/acesso, ou por vagas na Libertadores, usariam estas datas - e poderia até acontecer nelas uma final de Brasileiro, em caso de empate entre dois times. Afinal, é o fim da picada poder decidir um título de um torneio de pontos corridos de tantos meses no saldo de gols ou número de vitórias, né não? Façamos uma final aí, pra ser mais justo (e divertido). Isso não é possível hoje por falta de datas disponíveis no calendário.
- E preveria ainda 3 datas de folga no fim de ano, pra ninguém ser obrigado a jogar no periodo de Natal e Reveillón, quando as pessoas não estão mesmo com a cabeça muito concentrada em futebol.
- E preveria ainda 3 datas de folga no fim de ano, pra ninguém ser obrigado a jogar no periodo de Natal e Reveillón, quando as pessoas não estão mesmo com a cabeça muito concentrada em futebol.
Fazendo então a soma:
Brasileiro: 34 datas
Brasileiro: 34 datas
Estadual: 10 datas
Regional: 8 datas
Copa do Brasil: 6 datas
Libertadores / Sul-Americana: 17 datas
Datas FIFA: 7 datas
Pré-temporada: 8 datas
Folga de fim de ano: 3 datas
Datas livres: 3 datas
Total: 96 datas, ou 48 semanas. Como um ano tem 52 semanas, sobram as 4 semanas de férias.
Está razoável?
* * * * * * * * * * * * * *
Este, é claro, é o calendário da elite. Mas eu ainda faria as séries C e D (e quantas mais fossem necessárias) do Brasileiro em pontos corridos, ocupando o mesmo período das divisões superiores. Só que estas competições seriam regionalizadas, diminuindo os custos de deslocamento destes times menores. Você poderia ter, por exemplo, cinco séries C simultâneas, uma em cada região do país, com o campeão de cada uma ganhando vaga na série B (esta sim, única) do ano seguinte. A série D poderia ser igualmente regional ou talvez já dividida por estados, e por aí vai.
É mais ou menos assim que acontece na Inglaterra, um país muitas vezes menor que o Brasil - e por aqui isso ainda não é feito, sei lá por quê. É questão de dar uma olhada no modelo deles e ver como funciona este sistema regionalizado de acesso e rebaixamento entre as divisões inferiores. E, com isso, estes times regionais teriam todos atividade garantida para o ano inteiro - isso aqueles que tiverem realmente capacidade para entrarem com suas pernas numa estrutura profissional, claro, e não os que só servem de vitrine para empresários por poucos meses a cada ano.
Copa do Brasil: 6 datas
Libertadores / Sul-Americana: 17 datas
Datas FIFA: 7 datas
Pré-temporada: 8 datas
Folga de fim de ano: 3 datas
Datas livres: 3 datas
Total: 96 datas, ou 48 semanas. Como um ano tem 52 semanas, sobram as 4 semanas de férias.
Está razoável?
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Este, é claro, é o calendário da elite. Mas eu ainda faria as séries C e D (e quantas mais fossem necessárias) do Brasileiro em pontos corridos, ocupando o mesmo período das divisões superiores. Só que estas competições seriam regionalizadas, diminuindo os custos de deslocamento destes times menores. Você poderia ter, por exemplo, cinco séries C simultâneas, uma em cada região do país, com o campeão de cada uma ganhando vaga na série B (esta sim, única) do ano seguinte. A série D poderia ser igualmente regional ou talvez já dividida por estados, e por aí vai.
É mais ou menos assim que acontece na Inglaterra, um país muitas vezes menor que o Brasil - e por aqui isso ainda não é feito, sei lá por quê. É questão de dar uma olhada no modelo deles e ver como funciona este sistema regionalizado de acesso e rebaixamento entre as divisões inferiores. E, com isso, estes times regionais teriam todos atividade garantida para o ano inteiro - isso aqueles que tiverem realmente capacidade para entrarem com suas pernas numa estrutura profissional, claro, e não os que só servem de vitrine para empresários por poucos meses a cada ano.
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Minhas ideias para o calendário brasileiro - Parte 1
Meu último texto sobre os problemas do calendário brasileiro, que entre outras coisas faz os compromissos dos clubes baterem com os da Seleção, terminou com um humilde "sugestões?". Alguns de vocês deixaram comentários e, depois disso, intensificaram-se as notícias de que a Globo está fazendo força para o Brasileiro voltar ao formato de mata-mata. Pois bem: vou agora começar a dar os meu palpites.
Pra começar: não abandonaria os pontos corridos para o Brasileiro. A questão aí não é muito a "justiça" da competição, nem o gosto pessoal - e sim o modelo econômico da coisa. Imaginem um Brasileiro longo como o atual, com um mês e meio ou dois de mata-mata, e o que teremos é a maioria dos times da primeira divisão nacional ficando este período parados, justamente no momento mais valorizado do calendário. Ou seja: serão equipes que só jogarão nos dois ou três meses dos desvalorizados estaduais, mais os meses da fase mais monótona do Brasileiro, sempre com mídia menor, esperando pra sumir na hora em que todo mundo se interessar pra valer. Como se sentirão os patrocinadores destes times? É claro que os valores destes contratos irão despencar.
Hoje, todos os times das séries A e B têm compromissos garantidos ao longo de todo o ano, o que aumenta na média a receita de bilheteria de todos e facilita a negociação de seus contratos - o patrocinador do Avaí, por exemplo, sabe que terá sua marca aparecendo na mídia de Santa Catarina até o fim do ano, o que não aconteceria no formato antigo. No duro, já há gente demais no Brasil que vive do futebol e é obrigada pelo calendário a ficar sem trabalho por meses e meses - é o caso dos times todos das séries C e D nacionais, mais os clubes locais todos que vivem em função dos estaduais.
A Globo parece não se dar conta de que o calendário hoje já tem competições com mata-mata: os estaduais e a Copa do Brasil. O que falta é encontrar fórmulas para valorizá-las, tornar seus jogos decisivos mais atraentes - e não "decisões de segunda linha", como são vistos atualmente. Hoje, com a desvalorização dos estaduais, o fim dos regionais e o empobrecimento da Copa do Brasil, há uma disparidade grande demais entre o valor do Brasileiro e todas as outras competições que 99% dos clubes disputam. Com o tempo, com o enfraquecimento das disputas regionais, a tendência é que isso contribua bastante para concentração de forças no país entre poucos clubes, como já aconteceu nos países todos da Europa e, reparem, já começa a ocorrer em nível continental.
Com a disparidade cada vez maior de grana rolando na Champions League em relação aos demais campeonatos, aqueles que se dão bem com frequência na competição já estão formando uma casta superior de superpotências em número limitado - todos os outros já estão com dificuldades para acompanhar Barcelona, Real Madri, Manchester, Liverpool e Chelsea (este por causa de Abramovich). Quem fica de fora um ano que seja da competição já sente um prejuízo gigantesco, como ficou claro no caso do Milan. Por aqui, quem se distancia da disputa ao menos de G4 no Brasileiro vai ficando cada vez mais um nível abaixo dos outros, com menos chance de recuperação por não ter outras competições importantes em que se apoiar.
Pra mim, qualquer proposta nova de calendário para o Brasil precisa encarar esta questão, além de procurar garantir ao máximo possível de profissionais do futebol - e não falo aí só de jogadores, mas também de treinadores, massagistas, repórteres, fotógrafos, vendedores de biscoito, bilheteiros - atividade para o ano todo.
Mais tarde eu coloco por aqui meus palpites mais objetivos pro que poderia ser feito - e vocês podem dizer o que acham.
Pra começar: não abandonaria os pontos corridos para o Brasileiro. A questão aí não é muito a "justiça" da competição, nem o gosto pessoal - e sim o modelo econômico da coisa. Imaginem um Brasileiro longo como o atual, com um mês e meio ou dois de mata-mata, e o que teremos é a maioria dos times da primeira divisão nacional ficando este período parados, justamente no momento mais valorizado do calendário. Ou seja: serão equipes que só jogarão nos dois ou três meses dos desvalorizados estaduais, mais os meses da fase mais monótona do Brasileiro, sempre com mídia menor, esperando pra sumir na hora em que todo mundo se interessar pra valer. Como se sentirão os patrocinadores destes times? É claro que os valores destes contratos irão despencar.
Hoje, todos os times das séries A e B têm compromissos garantidos ao longo de todo o ano, o que aumenta na média a receita de bilheteria de todos e facilita a negociação de seus contratos - o patrocinador do Avaí, por exemplo, sabe que terá sua marca aparecendo na mídia de Santa Catarina até o fim do ano, o que não aconteceria no formato antigo. No duro, já há gente demais no Brasil que vive do futebol e é obrigada pelo calendário a ficar sem trabalho por meses e meses - é o caso dos times todos das séries C e D nacionais, mais os clubes locais todos que vivem em função dos estaduais.
A Globo parece não se dar conta de que o calendário hoje já tem competições com mata-mata: os estaduais e a Copa do Brasil. O que falta é encontrar fórmulas para valorizá-las, tornar seus jogos decisivos mais atraentes - e não "decisões de segunda linha", como são vistos atualmente. Hoje, com a desvalorização dos estaduais, o fim dos regionais e o empobrecimento da Copa do Brasil, há uma disparidade grande demais entre o valor do Brasileiro e todas as outras competições que 99% dos clubes disputam. Com o tempo, com o enfraquecimento das disputas regionais, a tendência é que isso contribua bastante para concentração de forças no país entre poucos clubes, como já aconteceu nos países todos da Europa e, reparem, já começa a ocorrer em nível continental.
Com a disparidade cada vez maior de grana rolando na Champions League em relação aos demais campeonatos, aqueles que se dão bem com frequência na competição já estão formando uma casta superior de superpotências em número limitado - todos os outros já estão com dificuldades para acompanhar Barcelona, Real Madri, Manchester, Liverpool e Chelsea (este por causa de Abramovich). Quem fica de fora um ano que seja da competição já sente um prejuízo gigantesco, como ficou claro no caso do Milan. Por aqui, quem se distancia da disputa ao menos de G4 no Brasileiro vai ficando cada vez mais um nível abaixo dos outros, com menos chance de recuperação por não ter outras competições importantes em que se apoiar.
Pra mim, qualquer proposta nova de calendário para o Brasil precisa encarar esta questão, além de procurar garantir ao máximo possível de profissionais do futebol - e não falo aí só de jogadores, mas também de treinadores, massagistas, repórteres, fotógrafos, vendedores de biscoito, bilheteiros - atividade para o ano todo.
Mais tarde eu coloco por aqui meus palpites mais objetivos pro que poderia ser feito - e vocês podem dizer o que acham.
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