É inevitável que o estádio fique só pra quem tem dinheiro, restando a todo o resto assistir pela TV?
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O Flamengo se preocupa com o futuro do Maracanã?
Saber o estádio em que vai jogar e em que condições é crítico para o futuro de qualquer clube, mas o Flamengo parece não se dar conta disso.
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O Flamengo é obrigado a ter um campo de futebol na Gávea. Pra quê?
Recebi hoje um spam do deputado federal Otávio Leite, que tenta sua reeleição. Não sei onde ele conseguiu meu e-mail, mas enviou uma mensagem endereçada “à Nação Rubro-Negra”, se colocando como “representante do Flamengo no Congresso Nacional”. E listou três de suas iniciativas que, segundo ele, foram benéficas para o clube.
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Flamengo e Fluminense não sabem onde jogar - graças à CBF e à própria incompetência
Todo mundo foi pego de surpresa com a intromissão da CBF, determinando o fechamento do Maracanã por completo já no início de setembro. Uma decisão no mínimo estranha, indo contra o que havia sido determinado antes por quem toca a obra, e com motivos declarados risíveis.
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O último clássico do Flamengo no Maracanã?
A derrota do Flamengo para o Goiás, antes da Copa do Mundo, chegou a ser tratada na época como partida de despedida do time do Maracanã. O que se dizia é que, depois da Copa, o estádio já estaria fechado para obras. Mas não aconteceu e, até agora, ninguém sabe ao certo quando o Maracanã fecha.
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Sem Maracanã
Ainda não foi divulgado o balanço patrimonial do Flamengo de 2009. Em 2008, a receita do Flamengo com a bilheteria de seus jogos ficou em R$21 milhões. Entre todas as fontes de renda do futebol, ficou atrás apenas do que se arrecadou com direitos de TV e venda de jogadores (R$27 milhões cada). Em 2009, deve ter sido a segunda maior fonte de dinheiro do clube.
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"O povo carioca não tem este costume, não compra pela Internet"
A declaração do título é de Claudecir Silva, atual diretor de arrecadação do Flamengo. Ele justificava a venda de apenas 189 ingressos para o Flamengo x Universidad de hoje pela Internet.
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Ingressos na mão
De manhã, vi as fotos das filas imensas, na Gávea e no Maracanã, por ingressos para o Flamengo x Corinthians de quarta-feira. Pensei: "vou passar perrengue".
Mas tem horas em que é bom ser sócio do Flamengo. Cheguei à Gávea pela entrada da Lagoa, entrei no clube e comprei meus ingressos sem ninguém à minha frente na fila. Ainda aproveitei para emendar com uma piscininha (e ver que realmente já começaram as obras no parquinho infantil - como já comentei por aqui, é bacana ver a nova diretoria dando atenção à sede social e aos esportes olímpicos; mas ou o futebol apresenta resultados, ou isso ainda vai virar motivo pra se falar mal de Patrícia e aliados).
Porém, na saída pude ver o tamanho do perrengue de quem não tem uma carteirinha como a minha. A fila era realmente muito grande, com direito a gente em cadeira de praia e muitos ambulantes vendendo bebidas e sorvetes.
O Maracanã vai encher.
* * * * * * * * * * * * * *
Me surpreendi ao descobrir que cada um só está podendo comprar três ingressos. Já foram 5, reduziram pra 4, agora são 3. Ao menos, no caso dos sócios.
Fora isso, percebi que uma das exigências da Suderj e da Federação aos clubes para que continuassem usando o Maracanã já está sendo deixada pra trás. Pedi a arquibancada amarela e perguntei se estavam vendendo os ingressos separados por setor.
"Claro. Amarela, verde, branca."
"Mas amarela A e amarela B? Tenho que escolher o lado?"
"Não, não. Não tem nada disso não."
E me deu os ingressos. Que até vieram sinalizados como amarela A. Mas, pelo visto, isso não vai fazer diferença na hora de entrar no estádio.
Mas tem horas em que é bom ser sócio do Flamengo. Cheguei à Gávea pela entrada da Lagoa, entrei no clube e comprei meus ingressos sem ninguém à minha frente na fila. Ainda aproveitei para emendar com uma piscininha (e ver que realmente já começaram as obras no parquinho infantil - como já comentei por aqui, é bacana ver a nova diretoria dando atenção à sede social e aos esportes olímpicos; mas ou o futebol apresenta resultados, ou isso ainda vai virar motivo pra se falar mal de Patrícia e aliados).
Porém, na saída pude ver o tamanho do perrengue de quem não tem uma carteirinha como a minha. A fila era realmente muito grande, com direito a gente em cadeira de praia e muitos ambulantes vendendo bebidas e sorvetes.
O Maracanã vai encher.
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Me surpreendi ao descobrir que cada um só está podendo comprar três ingressos. Já foram 5, reduziram pra 4, agora são 3. Ao menos, no caso dos sócios.
Fora isso, percebi que uma das exigências da Suderj e da Federação aos clubes para que continuassem usando o Maracanã já está sendo deixada pra trás. Pedi a arquibancada amarela e perguntei se estavam vendendo os ingressos separados por setor.
"Claro. Amarela, verde, branca."
"Mas amarela A e amarela B? Tenho que escolher o lado?"
"Não, não. Não tem nada disso não."
E me deu os ingressos. Que até vieram sinalizados como amarela A. Mas, pelo visto, isso não vai fazer diferença na hora de entrar no estádio.
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E quem já tinha o ingresso?
Parece que foi mesmo questão de bom senso o adiamento do jogo que aconteceria esta noite no Maracanã. Se o gramado teria condições, a situação do resto do estádio e, principalmente, do entorno é bem mais complicada. Sem falar que as forças públicas estão com as preocupações voltadas para inúmeras outras questões na cidade, e não em esquema de segurança e tráfego para um jogo de futebol.
Mas bem: foram vendidos pelo menos uns 5 mil pacotes de ingressos para todos os jogos no Maracanã nesta primeira fase da Libertadores - eu fui um dos compradores. Fora o que tiver sido vendido especificamente para esta partida. Ou seja: há alguns milhares com ingressos na mão, que os compraram esperando que a partida acontecesse quarta-feira à noite. Se ela realmente ocorrer às 16h de quinta, como está se falando, boa parte dessa galera vai ter sérias dificuldades pra pensar em ir ao estádio - de novo, eu sou um destes.
O Flamengo, claro, não tem culpa pelas chuvas ou pelo adiamento. Eu mesmo já me conformei que morri nesta graninha do ingresso, paciência. Mas seria de bom tom se o clube agora se dirigisse a estes seus dedicados consumidores.
Mas bem: foram vendidos pelo menos uns 5 mil pacotes de ingressos para todos os jogos no Maracanã nesta primeira fase da Libertadores - eu fui um dos compradores. Fora o que tiver sido vendido especificamente para esta partida. Ou seja: há alguns milhares com ingressos na mão, que os compraram esperando que a partida acontecesse quarta-feira à noite. Se ela realmente ocorrer às 16h de quinta, como está se falando, boa parte dessa galera vai ter sérias dificuldades pra pensar em ir ao estádio - de novo, eu sou um destes.
O Flamengo, claro, não tem culpa pelas chuvas ou pelo adiamento. Eu mesmo já me conformei que morri nesta graninha do ingresso, paciência. Mas seria de bom tom se o clube agora se dirigisse a estes seus dedicados consumidores.
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O tamanho do preju
Como escrevi no texto anterior, abrir o Maracanã para jogos com o público que o Maracanã teve ontem é rasgar dinheiro. Flamengo x Madureira teve renda de R$67.560,00 e despesas de R$105.824,24 - a maior delas com a taxa cobrada pela Suderj, de mais de R$45 mil. Somando nisso aí o custo do antidoping, pago pelo Flamengo, e eis o tamanho do preju rubro-negro: R$41.382,24.
Prejuízo nos jogos desta Taça Rio não é exclusividade do Flamengo, claro. No mesmo Maracanã, o Fluminense atraiu um pouco mais de gente para ver seu jogo contra o Friburguense e saiu com saldo negativo de R$24 mil. Mas não é só o Mário Filho que abriga jogos deficitários; o Vasco perdeu R$27 mil jogando em São Januário contra o Volta Redonda e R$19 mil no Engenhão contra o Bangu (a equipe de Moça Bonita, mandante e perdedora do jogo, ficou com a fatia maior do prejuízo: R$24 mil). O Botafogo, que ainda não jogou em casa neste turno, ainda conseguiu o fantástico lucro de R$3.800 em Campos, contra o Americano.
Pensem nos salários pagos hoje a Carlos Alberto, Adriano, Vagner Love, Fred, Kléberson, Conca e El Loco Abreu e respondam: está ou não na hora de repensar o formato dos Estaduais?
Prejuízo nos jogos desta Taça Rio não é exclusividade do Flamengo, claro. No mesmo Maracanã, o Fluminense atraiu um pouco mais de gente para ver seu jogo contra o Friburguense e saiu com saldo negativo de R$24 mil. Mas não é só o Mário Filho que abriga jogos deficitários; o Vasco perdeu R$27 mil jogando em São Januário contra o Volta Redonda e R$19 mil no Engenhão contra o Bangu (a equipe de Moça Bonita, mandante e perdedora do jogo, ficou com a fatia maior do prejuízo: R$24 mil). O Botafogo, que ainda não jogou em casa neste turno, ainda conseguiu o fantástico lucro de R$3.800 em Campos, contra o Americano.
Pensem nos salários pagos hoje a Carlos Alberto, Adriano, Vagner Love, Fred, Kléberson, Conca e El Loco Abreu e respondam: está ou não na hora de repensar o formato dos Estaduais?
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A Abominável Penhora Misteriosa do Maracanã ataca de novo - com outra vítima
Não sei se vocês lembram, mas a primeira vez que a penhora faminta que andou levando toda a renda dos jogos do Flamengo apareceu foi o Fla-Flu. Naquele dia, a renda da partida deveria ser dividida - mas nenhum dos dois clubes saiu do Maracanã com um centavo sequer.
Depois daquele jogo, o Flamengo voltou a ver suas rendas sendo devoradas nas partidas seguintes e o assunto chamou alguma atenção, embora a explicação continue nebulosa até hoje. Enquanto isso, não se falou mais do assunto quanto ao Fluminense. Isso porque os compromissos seguintes do time das Laranjeiras não atraíram muita gente ao estádio e, assim, o clube já não receberia nada de bilheteria de qualquer forma.
Porém, neste domingo a torcida tricolor compareceu em massa ao Mário Filho. E lá estava a Abominável Penhora Misteriosa do Maracanã, abocanhando toda a renda a que o Fluminense teria direito. Desta vez ainda dignou-se a dar uma semiexplicação ("a retenção acima refere-se a penhora retida anteriormente e não repassada em razão de venda antecipada").
No caso do Flamengo, repórter nenhum soube realmente esclarecer a questão. Vamos ver se a explicação vai aparecer para a versão tricolor da história.
* * * * * * * * * * *
Como curiosidade: o Vasco lotou o Maracanã no dia anterior e, mesmo com algumas penhoras mais, ahn, comportadas, ainda conseguiu levar para São Januário mais de 500 mil reais.
Depois daquele jogo, o Flamengo voltou a ver suas rendas sendo devoradas nas partidas seguintes e o assunto chamou alguma atenção, embora a explicação continue nebulosa até hoje. Enquanto isso, não se falou mais do assunto quanto ao Fluminense. Isso porque os compromissos seguintes do time das Laranjeiras não atraíram muita gente ao estádio e, assim, o clube já não receberia nada de bilheteria de qualquer forma.
Porém, neste domingo a torcida tricolor compareceu em massa ao Mário Filho. E lá estava a Abominável Penhora Misteriosa do Maracanã, abocanhando toda a renda a que o Fluminense teria direito. Desta vez ainda dignou-se a dar uma semiexplicação ("a retenção acima refere-se a penhora retida anteriormente e não repassada em razão de venda antecipada").
No caso do Flamengo, repórter nenhum soube realmente esclarecer a questão. Vamos ver se a explicação vai aparecer para a versão tricolor da história.
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Como curiosidade: o Vasco lotou o Maracanã no dia anterior e, mesmo com algumas penhoras mais, ahn, comportadas, ainda conseguiu levar para São Januário mais de 500 mil reais.
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Começando a aprender como é o Flamengo no Engenhão - o pós-jogo
O jogo de ontem no Engenhão era visto como uma prova para o estádio que deverá ser a casa dos clássicos cariocas nos próximos anos. Passou no teste? Apesar das confusões dentro e fora do estádio, a polícia diz que sim.
Eu já tenho uma visão diferente. Basta notarmos que um jogo que daria 80 mil pessoas no Maracanã terminou com um público pagante de 25 mil - e, mais incrível, menos do que isso de efetivamente presentes. A primeira explicação é por conta do que teria ficado em mão de cambistas, mas podem crer que teve muita gente que comprou seu bilhete e desistiu de ir ao Engenho Novo. E mais: com as imagens vistas na TV, ficaram com a impressão de que estavam com a razão. O medo - além da limitação dos ingressos para a torcida do Flamengo - foi um componente forte para que houvesse tanto espaço vazio no Engenhão. Teremos mais gente por lá numa próxima oportunidade?
* * * * * * * * * * * *
Em São Paulo, já conseguiram acabar totalmente com a mística de se ir ao estádio em dia de clássico. Por lá, são jogos em que sobra espaço nas arquibancadas, as torcidas não levam bandeiras ou instrumentos em nome da segurança, o visitante fica confinado a um pequeno espaço - e isso por enquanto, porque já falam em simplesmente fazer os jogos sempre com uma torcida só.
O futebol do Rio, por outro lado, ainda capitaliza a fama de "o mais charmoso do Brasil". É algo que ajuda a ganhar mídia fora da cidade, e boa parte disso vem dos clássicos no Maracanã, com as duas torcidas fazendo festa, uma de cada lado. Pensar em acabar com isso não seria ganho pra ninguém - nem pro Flamengo, nem pros outros. A longo prazo, me parece um erro estratégico até cogitar esta ideia. E é preciso fazer a coisa funcionar no Engenhão, enquanto o Maracanã não estiver de volta.
* * * * * * * * * * * *
É óbvio que temos verdadeiros animais frequentando estádios e se fingindo de torcedores. São os que brigam nas arquibancadas, ou os que quebram cadeiras e banheiros pra provar sabe-se lá o quê para si mesmos. Mas boa parte da culpa de isso continuar acontecendo está na maneira como as diretorias dos clubes e a polícia lidam com a questão.
O método desenvolvido científicamente pela PM para controlar conflitos e confusões em estádios foi demonstrado pelas imagens que vimos ontem na TV: chama-se "pau no lombo". Batem indiscriminadamente, pelas costas, como se não houvesse amanhã. Tanto as otoridades que agem desta forma quanto os "torcedores" que participam dos "conflitos" podem ser identificados facilmente pelas câmeras. Mas percebam: de todas as ocorrências registradas no Juizado Especial Criminal montado no Engenhão, nenhuma foi diretamente por conta das brigas, por ter batido em alguém ou algo do gênero. É isso: ninguém vai preso, a punição é só ali mesmo, na base do cacetete, e ficamos conversados. Ao mesmo tempo, também não dá pra imaginar que os policiais que agiram daquela forma civilizada e eficiente possam vir a ser ao menos advertidos por seus chefes.
Assim como é improvável que a diretoria do Flamengo altere em algo o esquema de venda de ingressos para as organizadas que se envolveram naquela inacreditável, lamentável e anacrônica confusão já dentro do estádio. Sabe-se que o pessoal das organizadas não compra seus ingressos um a um nas bilheterias, como os cidadãos comuns; conseguem em quantidades maiores, com descontos (se não forem de graça), para revenderem aos seus integrantes. Será que os líderes da Raça ou da Jovem vão ver algo mudar nessas facilidades após mais uma briga que afasta público e mancha a marca Flamengo para todo o Brasil?
* * * * * * * * * * * *
Uma comparação financeira entre o Fla-Flu do Maracanã e o Flamengo x Botafogo do Engenhão.
No Maracanã, com 78.409 pagantes, a renda foi de R$1.016.016,00; as despesas - fora as penhoras - foram de R$357.521,00, ou 35% da receita. No Engenhão, para um jogo com tanto ou mais apelo de público, foram 25.192 pagantes, com renda de R$656.242,00 e despesas de R$234.799,00 - coincidentemente, exatamente os mesmos 35% da receita. Mas claro que o estádio tem seus custos fixos e se o público tivesse sido maior, esta percentagem provavelmente cairia.
E a coincidência triste entre os dois jogos: enquanto o Botafogo saiu com R$147 mil a mais em sua conta, mais uma vez veio uma penhora faminta e levou toda a renda a que o Flamengo teria direito. Desta vez, sobrariam R$158 mil - diz Marcos Braz que, se o jogo tivesse sido no Maracanã, o valor maior teria sido suficiente para encerrar a dívida, que ninguém ainda explicou exatamente o que é. Dá pra imaginar, então, que sobre alguma coisa para o clube no próximo domingo, certo? É esperar pra ver.
Eu já tenho uma visão diferente. Basta notarmos que um jogo que daria 80 mil pessoas no Maracanã terminou com um público pagante de 25 mil - e, mais incrível, menos do que isso de efetivamente presentes. A primeira explicação é por conta do que teria ficado em mão de cambistas, mas podem crer que teve muita gente que comprou seu bilhete e desistiu de ir ao Engenho Novo. E mais: com as imagens vistas na TV, ficaram com a impressão de que estavam com a razão. O medo - além da limitação dos ingressos para a torcida do Flamengo - foi um componente forte para que houvesse tanto espaço vazio no Engenhão. Teremos mais gente por lá numa próxima oportunidade?
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Em São Paulo, já conseguiram acabar totalmente com a mística de se ir ao estádio em dia de clássico. Por lá, são jogos em que sobra espaço nas arquibancadas, as torcidas não levam bandeiras ou instrumentos em nome da segurança, o visitante fica confinado a um pequeno espaço - e isso por enquanto, porque já falam em simplesmente fazer os jogos sempre com uma torcida só.
O futebol do Rio, por outro lado, ainda capitaliza a fama de "o mais charmoso do Brasil". É algo que ajuda a ganhar mídia fora da cidade, e boa parte disso vem dos clássicos no Maracanã, com as duas torcidas fazendo festa, uma de cada lado. Pensar em acabar com isso não seria ganho pra ninguém - nem pro Flamengo, nem pros outros. A longo prazo, me parece um erro estratégico até cogitar esta ideia. E é preciso fazer a coisa funcionar no Engenhão, enquanto o Maracanã não estiver de volta.
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É óbvio que temos verdadeiros animais frequentando estádios e se fingindo de torcedores. São os que brigam nas arquibancadas, ou os que quebram cadeiras e banheiros pra provar sabe-se lá o quê para si mesmos. Mas boa parte da culpa de isso continuar acontecendo está na maneira como as diretorias dos clubes e a polícia lidam com a questão.
O método desenvolvido científicamente pela PM para controlar conflitos e confusões em estádios foi demonstrado pelas imagens que vimos ontem na TV: chama-se "pau no lombo". Batem indiscriminadamente, pelas costas, como se não houvesse amanhã. Tanto as otoridades que agem desta forma quanto os "torcedores" que participam dos "conflitos" podem ser identificados facilmente pelas câmeras. Mas percebam: de todas as ocorrências registradas no Juizado Especial Criminal montado no Engenhão, nenhuma foi diretamente por conta das brigas, por ter batido em alguém ou algo do gênero. É isso: ninguém vai preso, a punição é só ali mesmo, na base do cacetete, e ficamos conversados. Ao mesmo tempo, também não dá pra imaginar que os policiais que agiram daquela forma civilizada e eficiente possam vir a ser ao menos advertidos por seus chefes.
Assim como é improvável que a diretoria do Flamengo altere em algo o esquema de venda de ingressos para as organizadas que se envolveram naquela inacreditável, lamentável e anacrônica confusão já dentro do estádio. Sabe-se que o pessoal das organizadas não compra seus ingressos um a um nas bilheterias, como os cidadãos comuns; conseguem em quantidades maiores, com descontos (se não forem de graça), para revenderem aos seus integrantes. Será que os líderes da Raça ou da Jovem vão ver algo mudar nessas facilidades após mais uma briga que afasta público e mancha a marca Flamengo para todo o Brasil?
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Uma comparação financeira entre o Fla-Flu do Maracanã e o Flamengo x Botafogo do Engenhão.
No Maracanã, com 78.409 pagantes, a renda foi de R$1.016.016,00; as despesas - fora as penhoras - foram de R$357.521,00, ou 35% da receita. No Engenhão, para um jogo com tanto ou mais apelo de público, foram 25.192 pagantes, com renda de R$656.242,00 e despesas de R$234.799,00 - coincidentemente, exatamente os mesmos 35% da receita. Mas claro que o estádio tem seus custos fixos e se o público tivesse sido maior, esta percentagem provavelmente cairia.
E a coincidência triste entre os dois jogos: enquanto o Botafogo saiu com R$147 mil a mais em sua conta, mais uma vez veio uma penhora faminta e levou toda a renda a que o Flamengo teria direito. Desta vez, sobrariam R$158 mil - diz Marcos Braz que, se o jogo tivesse sido no Maracanã, o valor maior teria sido suficiente para encerrar a dívida, que ninguém ainda explicou exatamente o que é. Dá pra imaginar, então, que sobre alguma coisa para o clube no próximo domingo, certo? É esperar pra ver.
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Começando a aprender como é o Flamengo no Engenhão
Nunca na minha vida foi tão fácil comprar um ingresso para um jogo decisivo do Flamengo, com perspectiva de ingressos se esgotando com grande antecedência. Graças aos trocentos pontos de venda de ingressos espalhados pela cidade para os jogos no Engenhão, pude escolher um muito próximo ao meu trabalho e ir lá na hora do almoço - e sair de uma improvável loja de biquinis, onde eu era o único procurando ingresso para o setor leste superior do Estádio Olímpico João Havelange, com o ticket na mão.
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O Botafogo, é claro, tem todo o direito de mandar este jogo no Engenhão - e é triste que a diretoria do Flamengo comece a inventar histórias para transferir a partida a tão pouco tempo de sua realização, já com os ingressos à venda. Está no regulamento, e o estádio tem todas as condições de receber o evento - ou não estaríamos todos já sabendo que os clássicos todos durante o período de Maracanã fechado serão por lá. Na verdade, já tivemos Flamengo x Botafogo até mesmo naquela improvisada Arena Petrobras, montada no estádio da Portuguesa da Ilha, durante o Brasileiro de 2005, sem que nenhum grande incidente tenha sido noticiado. Basta que montem o esquema de segurança adequado.
Aí é que está. O Botafogo também teria direito, pelo regulamento, até de limitar a presença dos rubro-negros a 10% do estádio - e o pior é que alguns conselheiros por lá realmente consideraram esta ideia, algo que felizmente foi descartado por um dirigente mais sensato. Mas o negócio é que não sei nem se dá pra acreditar que as duas torcidas possam dividir o estádio meio a meio, como está previsto.
Quem esteve no Maracanã nas partidas decisivas do Estadual deste ano viu a diferença constrangedora de tamanho entre as duas torcidas no estádio - e aqueles eram jogos em que os dois times disputavam um título, em igualdade de condições. Se a desproporção já foi grande naquele momento, agora a comparação entre a vontade de ir ao estádio ver seu time jogar entre as torcidas de um e outro é simplesmente impossível. Estão impondo um limite artificial para a torcida do Flamengo, destinando setores determinados de igual tamanho para cada clube, mas o natural seria haver uma invasão rubro-negra do Engenhão neste domingo.
E com os ingressos se esgotando na velocidade em que estão, quem garante que não é isso o que acontecerá? Temos mesmo tantos botafoguenses correndo às bilheterias para acabar com os ingressos de seus setores, ou estarão torcedores do Flamengo apelando para comprar ingressos destinados aos alvi-negros? Em espaços de comentários em blogs e comunidades no Orkut, já há relatos dando conta de rubro-negros garantindo seu lugar no lado oposto do estádio. Pode ser que, chegando lá, realmente as torcidas tenham tamanho semelhante, mas...
Houve tempo - acreditem! - em que as pessoas eram mais civilizadas e não era necessária a divisão entre torcedores de times rivais. Hoje, nos acostumamos a acreditar que isso é impossível. Mas é bom a polícia estar preparada para a situação - que, se acontecer, só vai pegar de surpresa a autoridade que estiver muito distraída. No Maracanã, eles ainda espremem 70% ou 80% das pessoas em 50% do estádio (até o dia em que alguma tragédia aconteça por conta disso); no Engenhão, ao que parece, não vai ser assim que vai funcionar. Esperemos que estejam visualizando uma maneira de tudo acontecer sem grandes problemas.
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O Botafogo, é claro, tem todo o direito de mandar este jogo no Engenhão - e é triste que a diretoria do Flamengo comece a inventar histórias para transferir a partida a tão pouco tempo de sua realização, já com os ingressos à venda. Está no regulamento, e o estádio tem todas as condições de receber o evento - ou não estaríamos todos já sabendo que os clássicos todos durante o período de Maracanã fechado serão por lá. Na verdade, já tivemos Flamengo x Botafogo até mesmo naquela improvisada Arena Petrobras, montada no estádio da Portuguesa da Ilha, durante o Brasileiro de 2005, sem que nenhum grande incidente tenha sido noticiado. Basta que montem o esquema de segurança adequado.
Aí é que está. O Botafogo também teria direito, pelo regulamento, até de limitar a presença dos rubro-negros a 10% do estádio - e o pior é que alguns conselheiros por lá realmente consideraram esta ideia, algo que felizmente foi descartado por um dirigente mais sensato. Mas o negócio é que não sei nem se dá pra acreditar que as duas torcidas possam dividir o estádio meio a meio, como está previsto.
Quem esteve no Maracanã nas partidas decisivas do Estadual deste ano viu a diferença constrangedora de tamanho entre as duas torcidas no estádio - e aqueles eram jogos em que os dois times disputavam um título, em igualdade de condições. Se a desproporção já foi grande naquele momento, agora a comparação entre a vontade de ir ao estádio ver seu time jogar entre as torcidas de um e outro é simplesmente impossível. Estão impondo um limite artificial para a torcida do Flamengo, destinando setores determinados de igual tamanho para cada clube, mas o natural seria haver uma invasão rubro-negra do Engenhão neste domingo.
E com os ingressos se esgotando na velocidade em que estão, quem garante que não é isso o que acontecerá? Temos mesmo tantos botafoguenses correndo às bilheterias para acabar com os ingressos de seus setores, ou estarão torcedores do Flamengo apelando para comprar ingressos destinados aos alvi-negros? Em espaços de comentários em blogs e comunidades no Orkut, já há relatos dando conta de rubro-negros garantindo seu lugar no lado oposto do estádio. Pode ser que, chegando lá, realmente as torcidas tenham tamanho semelhante, mas...
Houve tempo - acreditem! - em que as pessoas eram mais civilizadas e não era necessária a divisão entre torcedores de times rivais. Hoje, nos acostumamos a acreditar que isso é impossível. Mas é bom a polícia estar preparada para a situação - que, se acontecer, só vai pegar de surpresa a autoridade que estiver muito distraída. No Maracanã, eles ainda espremem 70% ou 80% das pessoas em 50% do estádio (até o dia em que alguma tragédia aconteça por conta disso); no Engenhão, ao que parece, não vai ser assim que vai funcionar. Esperemos que estejam visualizando uma maneira de tudo acontecer sem grandes problemas.
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O mistério continua
O André Amaral, do Ninho do Nação, foi lá olhar e twittou. E eu coloco aqui pra chamar a atenção: mais uma vez, uma misteriosa penhora levou TUDO o que ficaria para o Flamengo da renda de Flamengo x São Paulo. O padrão é o mesmo: uma penhora faz tchan, a segunda faz tchum e... tchan, tchan, tchan, tchaaan, não chega nada aos cofres da Gávea. Ainda tem uma coisa esquisita: somando-se os valores das três penhoras, não se chega ao total da renda líquida do jogo (de cerca de R$725 mil, que deveriam ir para o Flamengo se não fossem as penhoras famintas - as penhoras somam R$650 mil ) - mas, mesmo assim, o saldo final para o Flamengo aparece como R$0,00.
O borderô está no site da CBF e aqui embaixo - é só clicar pra ampliar.
E você sabiam que houve alguma promoção da Nestlé para esta partida que distribuiu 2 mil ingressos? Eu também não.
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Já começou

- A Copa do Mundo será melhor quanto menos dinheiro público for investido. Essa equação é que norteia o projeto desde o início. Ao Governo, em todos os seus níveis. caberá os gastos com obras que lhe dizem respeito. O investimento maior terá de vir da inciativa privada.A declaração acima, de Ricardo Teixeira, está publicada no próprio site da CBF. A intenção declarada é que o governo não gaste nada em estádios, mas apenas na infra-estrutura das cidades - o tal "legado", aquele que o Pan deveria ter deixado para o Rio de Janeiro.
Com base na escolha das cidades-sede da Copa de 2014, divulgada ontem - dá pra acreditar?
Das 12 cidades, apenas três sediariam jogos em estádios privados já existentes: Porto Alegre, Curitiba e São Paulo. Em todas as outras, os estádios são públicos - haveria a necessidade de privatizar todos ou encontrar uma maneira para que empresas privadas coloquem dinheiro na reforma de um patrimônio que hoje é do Estado.
Entre as escolhidas, chamam a atenção Manaus e Cuiabá - duas capitais onde o futebol local virtualmente inexiste como atração de público. Quem será o empresário que decidirá colocar dinheiro no erguimento de modernas e caras arenas para as quais, hoje, não se consegue visualizar uso além dos três ou quatro jogos que sediarão em 2014? Alguém acredita que não será com dinheiro público que estes novos elefantes brancos serão construídos? Faz sentido que outras cidades, como as vizinhas Belém e Goiânia ou mesmo Florianópolis, onde há um futebol forte, sejam as cotadas para "eventos ligados à Copa", sem jogos? Não seria mais lógico que esse tipo de papel fosse cumprido justamente por cidades turísticas e não-futebolísticas, como Manaus e Cuiabá?
Mesmo nas sedes onde existam times mais populares, está na cara que o dinheiro dos impostos vai acabar financiando a maior parte das obras dos novos estádios. Em Salvador, por exemplo, o Estado acabou de reformar e reabrir o Estádio do Pituaçu, para 32 mil pessoas, alardeado hoje como um "estádio-modelo"; mas Bobô - ex-jogador e hoje à frente da Sudesb - já afirma que a nova Fonte Nova deverá ser erguida, ao custo de R$400 milhões, por "parceria público-privada" - ou seja, com entrada de dinheiro público. Pergunta: e aí, o que será feito do Pituaçu e do dinheiro enterrado em suas obras?Enfim: é claro que teremos o seu, o meu, o nosso dinheiro entrando firme nas obras que se iniciarão no ano que vem na enorme maioria, se não em todos, os estádios da Copa. Agora é rezar para que o padrão de estouro de orçamento não seja parecido com o do mal-fadado Pan 2007 - em que o custo inicialmente previsto, de R$400 milhões, acabou afinal chegando a R$3,6 bilhões. A desculpa para este salto foi a de que refizeram o projeto do Pan para "preparar a cidade para as Olimpíadas". Ainda assim, com todo este gasto em preparação antecipada, o orçamento do Rio olímpico apresentado ao COI (torçamos para que o Rio não seja escolhido!) é muito superior aos de Tóquio, Chicago e Madri.
E fica a preparação psicológica para vermos o Maracanã (que tantas obras já sofreu para "se adequar às normas da FIFA...") ser fechado a partir do ano que vem, com previsão de só ser entregue completamente pronto no fim de 2012.
Atualizando: pouco depois de escrever este texto, li agora esta matéria da Máquina do Esporte - com o pessoal de Cuiabá, Belo Horizonte e Rio de Janeiro já admitindo mesmo nosso dinheiro entrando na contrução dos estádios.
Pois é: já começou.
Pois é: já começou.
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O Maracanã tem que ser meio a meio?
Chamou a atenção, domingo passado, a presença diminuta da torcida do Botafogo - o que gerou a divertida música cantada pelos rubro-negros no Maracanã, perguntando "cadê você?".
Para amanhã, os ingressos já estão esgotados - vai ser casa cheia. Fica a pergunta: os botafoguenses vão dar as caras?
Se a proporção de uma torcida pra outra for a mesma, já posso imaginar o tamanho do perrengue que eu e demais rubro-negros que forem de arquibancada irão passar. Porque uma torcida pode ser duas, três, dez vezes maior que a outra - mas o espaço reservado para as duas no estádio será sempre o mesmo.
Se a proporção de uma torcida pra outra for a mesma, já posso imaginar o tamanho do perrengue que eu e demais rubro-negros que forem de arquibancada irão passar. Porque uma torcida pode ser duas, três, dez vezes maior que a outra - mas o espaço reservado para as duas no estádio será sempre o mesmo.
É preciso pensar numa solução pra isso. O torcedor do Flamengo que vai ao estádio e paga o mesmo ingresso acaba passando confusão pra entrar, confusão pra sair, não tem lugar pra sentar, não tem a mesma visão do campo, enfim - sai no prejuízo, enquanto do outro lado o espaço está sobrando.
É um problema que acontece desde a instalação das cadeiras no anel superior do Maracanã, e até hoje ninguém se esforçou pra resolver o problema. Vai durar até acontecer algum acidente no meio da torcida do Flamengo por superlotação do seu espaço.
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Vão ser pegos de surpresa?
A Suderj informa: pela enésima vez, o Maracanã será fechado para uma grande reforma. Não vou nem mais entrar na discussão sobre o monumental gasto de meu, seu, nosso dinheiro - mas olhar a coisa pelo lado do Flamengo.
As obras vão começar em dezembro deste ano e podem durar até 2012, segundo Márcia Lins, Secretária de Turismo e Lazer do Estado. Isso representaria três longos anos para o Flamengo (e o Fluminense) se virarem sem o velho Mário Filho. Por enquanto, tudo indica que o substituto será o Engenhão. E o Botafogo já se prepara pra isso; esta semana, apresentou o seu novo projeto de utilização dos espaços de seu estádio em um evento para mais de 300 agências de publicidade, com o objetivo de captar possíveis interessados a investir por lá. A diretoria alvi-negra já esfrega as mãos, à espera dos lucros que o Flamengo dará jogando em sua casa.
A pergunta é: esta é mesmo a melhor solução para o Flamengo?
Em 2005, todo mundo sabia que o Maracanã seria fechado para obras e não estaria disponível para o Brasileiro. Inacreditavelmente, as diretorias de Flamengo e Botafogo só começaram a se mexer para encontrar onde jogar às vésperas da competição. A história, contada por João Henrique Areias no livro Uma bela jogada - 20 anos de marketing esportivo, deu na criação da Arena Petrobras. Com o patrocínio da estatal e da Telemar, o estádio da Portuguesa da Ilha teve suas instalações reformadas e ganhou uma arquibancada tubular, para que tivesse capacidade próxima a 30 mil pessoas e estivesse preparado para receber os jogos da dupla. Areias gosta de contar esta história, assim como a da transferência dos jogos do Flamengo para Volta Redonda em 2004, como cases de sucesso que fizeram o clube faturar mais com as partidas em que tinha mando de campo.
Pois bem: naquela época, este projeto levou, entre a primeira conversa de Bebeto de Freitas com Areias e o início do Brasileiro, 9 semanas para ser realizado. Eu diria que é possível trabalhar agora com uma antecedência um pouquinho maior para encontrar um lugar onde o Flamengo possa jogar e faturar - não só com as bilheterias, mas com aluguel de camarotes, exploração de publicidade em torno do campo, ações de marketing, lanchonetes, pontos de venda de produtos licenciados e tudo o mais que um estádio próprio proporciona a um clube.
É claro que a estrutura construída na Ilha poderia ser bem melhor, mas agora há tempo para viabilizar isso. A solução seria a mesma da época: procurar uma empresa disposta a comprar os direitos sobre o nome do estádio - que, desta vez, seria a casa do Flamengo por 3 longos anos, algo que teria um enorme valor e proporcionaria a chance de levantar muito mais recursos. Que tal procurar as gigantes da telefonia, que hoje em dia são das empresas que mais gastam dinheiro em publicidade no país? Ou se entender com a Visa, que anda investindo dinheiro na construção de espaços especiais em diversos estádios do país?
O local poderia ser o próprio estádio da Portuguesa. Ou a Gávea. Ou outra idéia qualquer a que chegarem - como eu disse, se começarem a pensar nisso agora, há tempo. E seria possível até chamar o Fluminense (possível sócio na lendária terceirização do Maracanã, cujo edital está prometido desde o ano retrasado) pra entrar junto e aumentar ainda mais o valor que o espaço teria, na hora de buscar patrocinadores e parceiros.
Ou então, podem só deixar rolar e separar a grana pra pagar o aluguel do Engenhão. Se o Flamengo ainda não começou a se preparar para o fechamento do Maracanã, o Botafogo já.
As obras vão começar em dezembro deste ano e podem durar até 2012, segundo Márcia Lins, Secretária de Turismo e Lazer do Estado. Isso representaria três longos anos para o Flamengo (e o Fluminense) se virarem sem o velho Mário Filho. Por enquanto, tudo indica que o substituto será o Engenhão. E o Botafogo já se prepara pra isso; esta semana, apresentou o seu novo projeto de utilização dos espaços de seu estádio em um evento para mais de 300 agências de publicidade, com o objetivo de captar possíveis interessados a investir por lá. A diretoria alvi-negra já esfrega as mãos, à espera dos lucros que o Flamengo dará jogando em sua casa.
A pergunta é: esta é mesmo a melhor solução para o Flamengo?
Em 2005, todo mundo sabia que o Maracanã seria fechado para obras e não estaria disponível para o Brasileiro. Inacreditavelmente, as diretorias de Flamengo e Botafogo só começaram a se mexer para encontrar onde jogar às vésperas da competição. A história, contada por João Henrique Areias no livro Uma bela jogada - 20 anos de marketing esportivo, deu na criação da Arena Petrobras. Com o patrocínio da estatal e da Telemar, o estádio da Portuguesa da Ilha teve suas instalações reformadas e ganhou uma arquibancada tubular, para que tivesse capacidade próxima a 30 mil pessoas e estivesse preparado para receber os jogos da dupla. Areias gosta de contar esta história, assim como a da transferência dos jogos do Flamengo para Volta Redonda em 2004, como cases de sucesso que fizeram o clube faturar mais com as partidas em que tinha mando de campo.
Pois bem: naquela época, este projeto levou, entre a primeira conversa de Bebeto de Freitas com Areias e o início do Brasileiro, 9 semanas para ser realizado. Eu diria que é possível trabalhar agora com uma antecedência um pouquinho maior para encontrar um lugar onde o Flamengo possa jogar e faturar - não só com as bilheterias, mas com aluguel de camarotes, exploração de publicidade em torno do campo, ações de marketing, lanchonetes, pontos de venda de produtos licenciados e tudo o mais que um estádio próprio proporciona a um clube.
É claro que a estrutura construída na Ilha poderia ser bem melhor, mas agora há tempo para viabilizar isso. A solução seria a mesma da época: procurar uma empresa disposta a comprar os direitos sobre o nome do estádio - que, desta vez, seria a casa do Flamengo por 3 longos anos, algo que teria um enorme valor e proporcionaria a chance de levantar muito mais recursos. Que tal procurar as gigantes da telefonia, que hoje em dia são das empresas que mais gastam dinheiro em publicidade no país? Ou se entender com a Visa, que anda investindo dinheiro na construção de espaços especiais em diversos estádios do país?
O local poderia ser o próprio estádio da Portuguesa. Ou a Gávea. Ou outra idéia qualquer a que chegarem - como eu disse, se começarem a pensar nisso agora, há tempo. E seria possível até chamar o Fluminense (possível sócio na lendária terceirização do Maracanã, cujo edital está prometido desde o ano retrasado) pra entrar junto e aumentar ainda mais o valor que o espaço teria, na hora de buscar patrocinadores e parceiros.
Ou então, podem só deixar rolar e separar a grana pra pagar o aluguel do Engenhão. Se o Flamengo ainda não começou a se preparar para o fechamento do Maracanã, o Botafogo já.
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Choque de sede
O Rio de Janeiro está vivendo uma nova administração. Com a entrada de Eduardo Paes na Prefeitura, o "choque de ordem" virou bordão e está presente nos mais diversos lugares. Carros estacionados pela galera que vai à praia estão sendo rebocados com frequência no Jardim de Alah; ônibus que paravam em pontos onde a placa dizia que isso só deveria ser feito no fim de semana estão sendo orientados a seguir em frente; ontem, um bloco de pré-carnaval no Leblon - mesmo autorizado anteriormente pela Prefeitura, com os alvarás todos e tudo o mais - teve seu "desfile" interrompido porque uma autoridade chegou à conclusão de que o trânsito estava sendo prejudicado.
É neste contexto que estreou ontem no Maracanã, junto com o Flamengo, a famigerada Lei Seca.
Devo eu ir ao Maracanã em uma próxima oportunidade?
É neste contexto que estreou ontem no Maracanã, junto com o Flamengo, a famigerada Lei Seca.
Bares e postos de gasolina realmente deixaram de vender bebidas alcóolicas perto do estádio, como já havia sido divulgado na imprensa. Mas o mais impressionante mesmo é que não foi só a cerva que sumiu. Todos aqueles "varais" de camisas piratas à venda, sempre tão comuns em dias de jogos, desapareceram. Não havia qualquer isopor, mesmo vendendo apenas refrigerante. Não avistei nenhuma barraca de churrasquinho, salsichão ou cachorro-quente.
No lugar de tudo isso, o que havia era policiais. Graças a essa presença do poder público, ao sumiço dos ambulantes e à proibição do estacionamento na Radial Oeste e embaixo do viaduto próximo ao estádio, o Maracanã viu um trânsito tranquilo como eu nunca havia visto na vida, em um dia de mais de 35 mil pessoas assistindo ao jogo.
No lugar de tudo isso, o que havia era policiais. Graças a essa presença do poder público, ao sumiço dos ambulantes e à proibição do estacionamento na Radial Oeste e embaixo do viaduto próximo ao estádio, o Maracanã viu um trânsito tranquilo como eu nunca havia visto na vida, em um dia de mais de 35 mil pessoas assistindo ao jogo.
Longe de mim criticar a idéia de colocar ordem em torno do velho Maraca - "democracia" tem limite. A zona realmente imperava, a confusão favorecia os pequenos delitos, os produtos piratas reinavam, o trânsito era um caos, os moradores da área deviam sofrer. Sinceramente, mesmo não sendo dia de casa cheia, até me impressionou do que esses caras são capazes, quando querem.
Mas todo mundo sabe que os mais graves casos de violência em dias de jogos, dentro e fora do estádio, são causados por integrantes de torcidas organizadas. Fica a pergunta: estes caras causam confusão porque bebem, ou porque já vão pra lá com esta intenção? Eu diria que ouvir os cantos de algumas delas, com pérolas como "conscientemente a gente espanca", "dá porrada em qualquer um" e coisas do gênero, já dá uma dica. Será que proibir cerveja até mesmo nos bares em torno do estádio é realmente necessário, ou a presença ostensiva do poder público colocando ordem na bagunça, como aconteceu ontem, e prestando atenção em quem já se sabe que pode criar problemas, já seria suficiente? Eu já falei aqui algumas vezes que gostaria mesmo de ver um estudo relacionando a proibição de cerveja nos estádios com alguma queda de violência, mas agora tenho certeza que, se o que fizeram ontem se mantiver, as estatísticas vão melhorar - independente de ter ou não álcool à venda por lá.
Mas enfim: eu já fui ao estádio preparado para a falta de cerveja. Não muito conformado, mas beleza. O que eu não esperava era, dentro do estádio, não conseguir beber nem refrigerante. Basicamente, não há mais ambulantes vendendo qualquer tipo de bebida nas arquibancadas. No intervalo, desci para procurar alguém com um isopor pra tomar uma Coca-Cola - o que seria impossível de qualquer forma, porque parece que foi assinado um contrato de exclusividade com outras marcas. Mas o impressionante é que só o que eu conseguia ver à venda era água, cerveja sem álcool e, com muita sorte, Pepsi Twist Light, sendo disputada a tapa; todo o resto se esgotou antes do intervalo. Dei a volta em todo o anel em busca de bebida, mas a situação era essa - acabei ficando só com um copo d´água mesmo. Além dos poucos isopores estacionados junto às rampas de acesso à arquibancada, havia os bares, com longas e lentas filas, das quais saía gente com sua bebida dentro de copos de isopor, ironicamente patrocinados pela Skol. E nem do lado de fora consegui matar minha sede, com o sumiço dos ambulantes.
Comida, é claro, continuou com a falta de opções de sempre. E se os produtos Flamengo piratas quase sumiram (tirando uma ou outra camisa infantil e um varalzinho de camisas incrivelmente convincentes com a marca Nike, por inacreditáveis 30 reais, no alto da rampa para a arquibancada), não apareceu nada de oficial no lugar.
Era um domingo de sol forte, a praia convidativa. 30 reais a entrada. Um jogo que valia quase nada. Um time de freio puxado em campo. E este foi o serviço que teve no Maracanã aquele que resolveu ir ao estádio.
Chegando em casa, contei o drama para minha esposa, que ficou em casa e viu o jogo na TV com amigos. Ela me respondeu: "bom, aqui em casa a gente bebeu uma Patrícia, algumas Stellas, depois ficou na Skol com amendoim, batatinha e torradas com pastinha".
Chegando em casa, contei o drama para minha esposa, que ficou em casa e viu o jogo na TV com amigos. Ela me respondeu: "bom, aqui em casa a gente bebeu uma Patrícia, algumas Stellas, depois ficou na Skol com amendoim, batatinha e torradas com pastinha".
Devo eu ir ao Maracanã em uma próxima oportunidade?
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Ah sim: na entrada, um responsável pela roleta tentou pegar o ingresso de um amigo meu antes dele colocá-lo na catraca, pra ficar com ele intacto na mão e devolver no lugar um já marcado. É óbvio que, se tivesse conseguido, o ingresso iria para a mão de algum cambista do lado de fora.
É isso: o choque de ordem não chega em todos os lugares.
É isso: o choque de ordem não chega em todos os lugares.
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Estadual 2009,
Maracanã
Clássicos no Engenhão?
Eis que a minha intenção, de que falei num texto de ontem, de aproveitar o Botafogo x Flamengo do segundo turno para conhecer o Engenhão, ficou bem ameaçada. A CBF avisou aos dois clubes que recebeu um ofício das autoridades de segurança do Rio recomendando que todos os clássicos estaduais sejam feitos no Maracanã.
É claro que isso favoreceria o Flamengo. Mas não entendo muito bem os argumentos para isso. Afinal, ano que vem o Maracanã deverá ficar fechado para obras visando a Copa do Mundo de 2014. E a alternativa seria, justamente, o Estádio Olímpico João Havelange.
Se não pode ter clássicos lá agora, por que poderia ano que vem?
E, se não vai poder, como é que vai ser?
É claro que isso favoreceria o Flamengo. Mas não entendo muito bem os argumentos para isso. Afinal, ano que vem o Maracanã deverá ficar fechado para obras visando a Copa do Mundo de 2014. E a alternativa seria, justamente, o Estádio Olímpico João Havelange.
Se não pode ter clássicos lá agora, por que poderia ano que vem?
E, se não vai poder, como é que vai ser?
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Brasileiro 2008,
Maracanã
Acreditem, não é post pago
O último texto que coloquei aqui surgiu de um papo no FlamengoNet sobre as dificuldades de compra de ingressos à distância, para outras cidades - não que seja mole pra quem é carioca comprar ingresso pro Maracanã, já é perrengue o suficiente. Mas o Hermínio, rubro-negro do Paraná, soltou essa no meio da conversa:
Fiquei impressionado: parecia sonho, ou coisa da Europa ou Estados Unidos. Como já escrevi aqui inconformado sobre a confusão maracanesca a cada jogo, resolvi dar uma olhada no site do Figueirense, pra ver como funciona mesmo a parada. E aí descobri que trata-se do Futebolcard, criado pela Visa, que funciona não só no Orlando Scarpelli, mas também no Parque Antarctica e no Engenhão, aqui no Rio mesmo - ou seja, a realidade que me parecia tão distante, na verdade, é bem próxima. Eu sabia que existe uma "área Visa" tanto no estádio do Botafogo quanto no do Palmeiras, mas como não sou torcedor de nenhum dos dois, nunca tinha ido ver do que se trata.
Na compra, escolhe-se o lugar numerado e tudo o mais. No caso do Botafogo, o ingresso inteiro, disponível apenas para a "ala oeste inferior", tem o preço um tanto salgado: 45 reais, mais taxa de R$4,50. Para crianças, estudantes e idosos, corta-se tanto o ingresso quanto a taxa pela metade. Lamentavelmente para os rubro-negros, os ingressos são só para a torcida do Botafogo - aqueles que, como eu, estiverem pensando em aproveitar o Botafogo x Flamengo do segundo turno para conhecer o estádio olímpico construído com o meu, o seu, o nosso dinheiro, não poderão usar o serviço de primeiro mundo.

O mesmo acontece em São Paulo, onde só a torcida do Palmeiras pode comprar suas entradas pelos mesmos 45 reais. Em Florianópolis, a coisa é um tanto melhor: além dos preços mais baixos, estão disponíveis por lá ingressos de vários setores, inclusive para a torcida visitante. Nos três estádios, já estão sendo vendidos os jogos até o fim do ano.
Bateu a invejinha de quem não tem que passar pelos inacreditáveis problemas que o rubro-negro enfrenta a cada vez que resolve ir ao Maracanã. Parece que houve conversas para que o Flamengo também entrasse no esquema, que finalmente trata o torcedor como um consumidor que quer gastar seu dinheiro em um momento de lazer e não ser tratado como gado - mas é aquilo, o estádio é do Estado, tem mil engessamentos, fora os próprios do clube e sua diretoria. Mas como ano que vem o Mário Filho volta a fechar para reformas, é capaz do torcedor do Flamengo conhecer esse admirável mundo novo, caso o time realmente passe a mandar seus jogos no Engenhão.
O ideal mesmo é o que eu pude comprovar em Florianópolis. Comprei meu ingresso (de estudante, diga-se) pela internet, recebi um aviso via email onde dizia que bastava eu passar o meu cartão de crédito na catraca e pronto, entraria. De tão ótima a situação fui com medo para o Scarpelli. Cheguei lá, de 7 catracas 2 eram exclusivas para clientes internet, estavam livres faltando poucos minutos para o início do jogo (enquanto as outras com as famosas filas e empurrões) e foi simples, mole: passei meu cartão de crédito, conferiram minha carteira de estudante, imprimiram o comprovante e pronto. Nunca vi tão fácil aqui no Brasil.
Fiquei impressionado: parecia sonho, ou coisa da Europa ou Estados Unidos. Como já escrevi aqui inconformado sobre a confusão maracanesca a cada jogo, resolvi dar uma olhada no site do Figueirense, pra ver como funciona mesmo a parada. E aí descobri que trata-se do Futebolcard, criado pela Visa, que funciona não só no Orlando Scarpelli, mas também no Parque Antarctica e no Engenhão, aqui no Rio mesmo - ou seja, a realidade que me parecia tão distante, na verdade, é bem próxima. Eu sabia que existe uma "área Visa" tanto no estádio do Botafogo quanto no do Palmeiras, mas como não sou torcedor de nenhum dos dois, nunca tinha ido ver do que se trata.
Na compra, escolhe-se o lugar numerado e tudo o mais. No caso do Botafogo, o ingresso inteiro, disponível apenas para a "ala oeste inferior", tem o preço um tanto salgado: 45 reais, mais taxa de R$4,50. Para crianças, estudantes e idosos, corta-se tanto o ingresso quanto a taxa pela metade. Lamentavelmente para os rubro-negros, os ingressos são só para a torcida do Botafogo - aqueles que, como eu, estiverem pensando em aproveitar o Botafogo x Flamengo do segundo turno para conhecer o estádio olímpico construído com o meu, o seu, o nosso dinheiro, não poderão usar o serviço de primeiro mundo.

O mesmo acontece em São Paulo, onde só a torcida do Palmeiras pode comprar suas entradas pelos mesmos 45 reais. Em Florianópolis, a coisa é um tanto melhor: além dos preços mais baixos, estão disponíveis por lá ingressos de vários setores, inclusive para a torcida visitante. Nos três estádios, já estão sendo vendidos os jogos até o fim do ano.
Bateu a invejinha de quem não tem que passar pelos inacreditáveis problemas que o rubro-negro enfrenta a cada vez que resolve ir ao Maracanã. Parece que houve conversas para que o Flamengo também entrasse no esquema, que finalmente trata o torcedor como um consumidor que quer gastar seu dinheiro em um momento de lazer e não ser tratado como gado - mas é aquilo, o estádio é do Estado, tem mil engessamentos, fora os próprios do clube e sua diretoria. Mas como ano que vem o Mário Filho volta a fechar para reformas, é capaz do torcedor do Flamengo conhecer esse admirável mundo novo, caso o time realmente passe a mandar seus jogos no Engenhão.
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