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Flamengo vai bancando os times pequenos do Carioca*

Rendas dos jogos contra o Flamengo garantirão boa parte da folha de pagamento de alguns clubes do campeonato

Venda de ingressos nas casas lotéricas para os jogos do Flamengo - vai acontecer em 2011?

Novo esquema estreou no ano passado, contra o Corinthians. Mas ingressos para a estreia no Estadual já estão à venda e ninguém fala mais da novidade

Sites de vendas coletivas podem também ser bons para ingressos esportivos - o São Paulo já se deu conta disso

Há pouco tempo, aconteceu no Rio de Janeiro a fase final da Liga Sul-Americana de basquete. Quando foi anunciado que os jogos seriam na HSBC Arena, em vários dias seguidos, imaginei de primeira que seria um fracasso de público - não muito diferente da grande maioria dos jogos de basquete do Flamengo por lá, que ainda têm uma média muito baixa de ingressos vendidos. E soltei, no Twitter e no Facebook, a sugestão: por que não tentar aumentar a ocupação no ginásio fazendo uma promoção em um dos vários sites que surgiram por aí de vendas coletivas pela internet?

Começando a aprender como é o Flamengo no Engenhão - o pós-jogo

O jogo de ontem no Engenhão era visto como uma prova para o estádio que deverá ser a casa dos clássicos cariocas nos próximos anos. Passou no teste? Apesar das confusões dentro e fora do estádio, a polícia diz que sim.

Eu já tenho uma visão diferente. Basta notarmos que um jogo que daria 80 mil pessoas no Maracanã terminou com um público pagante de 25 mil - e, mais incrível, menos do que isso de efetivamente presentes. A primeira explicação é por conta do que teria ficado em mão de cambistas, mas podem crer que teve muita gente que comprou seu bilhete e desistiu de ir ao Engenho Novo. E mais: com as imagens vistas na TV, ficaram com a impressão de que estavam com a razão. O medo - além da limitação dos ingressos para a torcida do Flamengo - foi um componente forte para que houvesse tanto espaço vazio no Engenhão. Teremos mais gente por lá numa próxima oportunidade?


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Em São Paulo, já conseguiram acabar totalmente com a mística de se ir ao estádio em dia de clássico. Por lá, são jogos em que sobra espaço nas arquibancadas, as torcidas não levam bandeiras ou instrumentos em nome da segurança, o visitante fica confinado a um pequeno espaço - e isso por enquanto, porque já falam em simplesmente fazer os jogos sempre com uma torcida só.

O futebol do Rio, por outro lado, ainda capitaliza a fama de "o mais charmoso do Brasil". É algo que ajuda a ganhar mídia fora da cidade, e boa parte disso vem dos clássicos no Maracanã, com as duas torcidas fazendo festa, uma de cada lado. Pensar em acabar com isso não seria ganho pra ninguém - nem pro Flamengo, nem pros outros. A longo prazo, me parece um erro estratégico até cogitar esta ideia. E é preciso  fazer a coisa funcionar no Engenhão, enquanto o Maracanã não estiver de volta.


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É óbvio que temos verdadeiros animais frequentando estádios e se fingindo de torcedores. São os que brigam nas arquibancadas, ou os que quebram cadeiras e banheiros pra provar sabe-se lá o quê para si mesmos. Mas boa parte da culpa de isso continuar acontecendo está na maneira como as diretorias dos clubes e a polícia lidam com a questão.

O método desenvolvido científicamente pela PM para controlar conflitos e confusões em estádios foi demonstrado pelas imagens que vimos ontem na TV: chama-se "pau no lombo". Batem indiscriminadamente, pelas costas, como se não houvesse amanhã. Tanto as otoridades que agem desta forma quanto os "torcedores" que participam dos "conflitos" podem ser identificados facilmente pelas câmeras. Mas percebam: de todas as ocorrências registradas no Juizado Especial Criminal montado no Engenhão, nenhuma foi diretamente por conta das brigas, por ter batido em alguém ou algo do gênero. É isso: ninguém vai preso, a punição é só ali mesmo, na base do cacetete, e ficamos conversados. Ao mesmo tempo, também não dá pra imaginar que os policiais que agiram daquela forma civilizada e eficiente possam vir a ser ao menos advertidos por seus chefes.

Assim como é improvável que a diretoria do Flamengo altere em algo o esquema de venda de ingressos para as organizadas que se envolveram naquela inacreditável, lamentável e anacrônica confusão já dentro do estádio. Sabe-se que o pessoal das organizadas não compra seus ingressos um a um nas bilheterias, como os cidadãos comuns; conseguem em quantidades maiores, com descontos (se não forem de graça), para revenderem aos seus integrantes. Será que os líderes da Raça ou da Jovem vão ver algo mudar nessas facilidades após mais uma briga que afasta público e mancha a marca Flamengo para todo o Brasil?


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Uma comparação financeira entre o Fla-Flu do Maracanã e o Flamengo x Botafogo do Engenhão.

No Maracanã, com 78.409 pagantes, a renda foi de R$1.016.016,00; as despesas - fora as penhoras - foram de R$357.521,00, ou 35% da receita. No Engenhão, para um jogo com tanto ou mais apelo de público, foram 25.192 pagantes, com renda de R$656.242,00 e despesas de R$234.799,00 - coincidentemente, exatamente os mesmos 35% da receita. Mas claro que o estádio tem seus custos fixos e se o público tivesse sido maior, esta percentagem provavelmente cairia.

E a coincidência triste entre os dois jogos: enquanto o Botafogo saiu com R$147 mil a mais em sua conta, mais uma vez veio uma penhora faminta e levou toda a renda a que o Flamengo teria direito. Desta vez, sobrariam R$158 mil - diz Marcos Braz que, se o jogo tivesse sido no Maracanã, o valor maior teria sido suficiente para encerrar a dívida, que ninguém ainda explicou exatamente o que é. Dá pra imaginar, então, que sobre alguma coisa para o clube no próximo domingo, certo? É esperar pra ver.


Começando a aprender como é o Flamengo no Engenhão

Nunca na minha vida foi tão fácil comprar um ingresso para um jogo decisivo do Flamengo, com perspectiva de ingressos se esgotando com grande antecedência. Graças aos trocentos pontos de venda de ingressos espalhados pela cidade para os jogos no Engenhão, pude escolher um muito próximo ao meu trabalho e ir lá na hora do almoço - e sair de uma improvável loja de biquinis, onde eu era o único procurando ingresso para o setor leste superior do Estádio Olímpico João Havelange, com o ticket na mão.

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O Botafogo, é claro, tem todo o direito de mandar este jogo no Engenhão - e é triste que a diretoria do Flamengo comece a inventar histórias para transferir a partida a tão pouco tempo de sua realização, já com os ingressos à venda. Está no regulamento, e o estádio tem todas as condições de receber o evento - ou não estaríamos todos já sabendo que os clássicos todos durante o período de Maracanã fechado serão por lá. Na verdade, já tivemos Flamengo x Botafogo até mesmo naquela improvisada Arena Petrobras, montada no estádio da Portuguesa da Ilha, durante o Brasileiro de 2005, sem que nenhum grande incidente tenha sido noticiado. Basta que montem o esquema de segurança adequado.

Aí é que está. O Botafogo também teria direito, pelo regulamento, até de limitar a presença dos rubro-negros a 10% do estádio - e o pior é que alguns conselheiros por lá realmente consideraram esta ideia, algo que felizmente foi descartado por um dirigente mais sensato. Mas o negócio é que não sei nem se dá pra acreditar que as duas torcidas possam dividir o estádio meio a meio, como está previsto.

Quem esteve no Maracanã nas partidas decisivas do Estadual deste ano viu a diferença constrangedora de tamanho entre as duas torcidas no estádio - e aqueles eram jogos em que os dois times disputavam um título, em igualdade de condições. Se a desproporção já foi grande naquele momento, agora a comparação entre a vontade de ir ao estádio ver seu time jogar entre as torcidas de um e outro é simplesmente impossível. Estão impondo um limite artificial para a torcida do Flamengo, destinando setores determinados de igual tamanho para cada clube, mas o natural seria haver uma invasão rubro-negra do Engenhão neste domingo.

E com os ingressos se esgotando na velocidade em que estão, quem garante que não é isso o que acontecerá? Temos mesmo tantos botafoguenses correndo às bilheterias para acabar com os ingressos de seus setores, ou estarão torcedores do Flamengo apelando para comprar ingressos destinados aos alvi-negros? Em espaços de comentários em blogs e comunidades no Orkut, já há relatos dando conta de rubro-negros garantindo seu lugar no lado oposto do estádio. Pode ser que, chegando lá, realmente as torcidas tenham tamanho semelhante, mas...

Houve tempo - acreditem! - em que as pessoas eram mais civilizadas e não era necessária a divisão entre torcedores de times rivais. Hoje, nos acostumamos a acreditar que isso é impossível. Mas é bom a polícia estar preparada para a situação - que, se acontecer, só vai pegar de surpresa a autoridade que estiver muito distraída. No Maracanã, eles ainda espremem 70% ou 80% das pessoas em 50% do estádio (até o dia em que alguma tragédia aconteça por conta disso); no Engenhão, ao que parece, não vai ser assim que vai funcionar. Esperemos que estejam visualizando uma maneira de tudo acontecer sem grandes problemas.