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A inacreditável diferença entre as eleições no Inter e no Flamengo

No ano passado, o Flamengo viveu seu processo eleitoral. Patrícia Amorim foi eleita com 792 votos, de um total de 2.342 – número bem maior que os 1.684 da eleição anterior. A eleição aconteceu numa segunda-feira e só participou quem pôde ir em pessoa até a Gávea – os sócios off-Rio teriam que viajar para a cidade em um dia de semana, caso quisessem exercer seu direito.

Bem: vamos ver agora a diferença para o processo do Internacional, que acontece este ano. Dá vontade de chorar.

Patrícia Amorim presidente


O Flamengo é mesmo um clube diferente. Não dá pra imaginar em muitos outros por aí um presidente ser campeão brasileiro num dia e perder o cargo no dia seguinte, pelo voto. Mas aconteceu: numa eleição disputada, com quórum maior do que as anteriores, Patrícia Amorim bateu Delair e se tornou a primeira mulher presidente da história do Flamengo.

Delair tinha um discurso bastante, digamos, modesto quanto às transformações modernizantes e profissionalizantes que todo rubro-negro espera para o clube. Em termos de retórica, ficava atrás de Plínio e da própria Patrícia. E sua gestão teve diversos problemas e defeitos, claro. Porém, deu pra perceber nesse período dele à frente do clube uma preocupação genuína, e não muito comum em outros que andaram mandando por lá, em conter gastos, renegociar dívidas e investir da maneira possível em estrutura. Hoje, por exemplo, é fácil parabenizá-lo pelas contratações de Andrade e Petkovic, pelo resultado obtido; mas eu já as via com bons olhos na época, mesmo sem imaginar até onde eles poderiam chegar, simplesmente porque representavam uma mentalidade mais pé-no-chão, de alguém disposto a só dar passos do tamanho que o Flamengo poderia dar.

Por isso, via com bons olhos sua permanência no clube. Apesar de não vê-lo como o cara que levaria o Flamengo definitivamente para um outro patamar em termos de organização, estrutura e finanças, acreditava que com ele ali não voltaríamos a ver o descontrole destrutivo e populista que imperou na Gávea por muito tempo e levou o Flamengo a uma situação tão difícil.


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Mas quem ganhou foi Patrícia Amorim. E é com ela que os rubro-negros terão que contar daqui pra frente.

Muitos temem que, com ela no poder, o futebol tenha que dividir seus recursos para resgatar os deficitários esportes olímpicos. Mas não é este o discurso oficial dela como candidata: no debate de que participou,  ela falou com todas as letras que as modalidades que geram dinheiro não podem pagar pelas deficitárias e que aposta num trabalho de marketing específico para que cada uma levante seus próprios recursos para se bancar.

Na campanha, Patrícia defendia algumas teses e medidas que me agradam bastante. Além dessa questão do dinheiro específico de cada esporte, ela falou na criação de uma espécie de "lei de responsabilidade fiscal", criando limites de comprometimento de gastos e a obrigação de se viver com o que tem e separar parte da receita para pagamento de dívidas; defendeu a inclusão no estatuto de regras que levem os dirigentes a se responsabilizar, com seu patrimônio pessoal, por possíveis prejuízos causados durante a gestão por ações fora do orçamento aprovado; afirmou que cada setor no clube seria tocado por um profissional competente e experiente em sua área - a tal "profissionalização" da gestão que todos esperam.

A questão agora é ver o discurso sendo colocado em prática. No momento, por exemplo, não se sabe quem cuidará do futebol no ano que vem, e ela já andou falando na possibilidade de manter Marcos Bráz - que realmente, dentro da pouca margem de manobra que teve, fez um bom trabalho. Mas então seria ele contratado como o tal profissional da área, para ser o grande mandante do futebol? Seria o vice-presidente voluntário que o estatuto exige, convivendo com um gestor remunerado que faria o verdadeiro trabalho do dia-a-dia? Ou a ideia é mantê-lo no mesmo esquema amador atual?

É o discurso sendo posto à prova ainda antes dela tomar posse.


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As maiores restrições que eu tinha à candidatura de Patrícia vinham da maneira meio esquisita como sempre se elegeu vereadora, usando o nome do Flamengo, algo que me incomoda; de sua última passagem como vice-presidente dos Esportes Olímpicos, quando contratou um supertime de basquete sem ter recursos para mantê-lo e vimos jogadores entrando em quadra com camisas de protesto pela situação de salários atrasados; e das notícias sobre alguns dos nomes que estariam lhe apoiando, gente que participou da gestão do clube em momentos bem ruins de sua história.

Vejam bem: neste último ponto, não incluo o nome de Hélio Ferraz, seu vice geral, que é uma figura com quem eu simpatizo pela sua passagem como presidente após o impeachment de Edmundo Santos Silva - uma época em que ninguém tinha coragem para segurar o rojão e ele assumiu a responsabilidade, fazendo um trabalho, em minha modesta opinião, bem digno.

Cheguei a ter algum contato com Patrícia no início da campanha, via e-mail e Twitter, e combinamos uma pequena entrevista aqui para o blog; queria aproveitá-la justamente para tocar nestas questões sobre sua candidatura que me incomodavam, para tentar esclarecê-las. Infelizmente, a coisa acabou não andando e não tive as respostas da candidata sobre estes pontos. Mas agora é questão mesmo de torcer para que nenhum deles realmente a torne alguém menos capaz de realizar tudo aquilo que prometeu durante a campanha. Pelo menos pelo discurso, as linhas gerais do que deve ser feito ela sabe quais são. Que dê tudo certo.


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É bom dizer que, se não está hoje na situação que seu torcedor gostaria, o Flamengo hoje está numa posição bem melhor do que há uns poucos anos atrás. Assim como o início de 2008, o começo de 2010 representará uma enorme oportunidade para o clube dar um grande salto: Libertadores pela frente, torcida empolgada, pronta para ajudar (e consumir), enorme exposição na mídia garantida e uma boa base para o time de futebol já montada. Em relação à situação de dois anos atrás, há ainda vantagens - como o ótimo contrato e relação com a Olympikus, por exemplo.

Patrícia Amorim e quem vier com ela para tocar o clube têm a faca e o queijo na mão para transformar o Flamengo. O clima está todo a favor. E a responsabilidade é grande.

O debate de ontem - e quem vocês acham o melhor candidato?

E ontem aconteceu o último debate da campanha para a presidência do Flamengo. Todos os candidatos foram convidados, o que fez com que Patrícia Amorim participasse pela primeira vez; Delair, no entanto, de última hora avisou que teria que ir a Brasília e faltou. Ficou mesmo cheirando a retirada estratégica - não quis se expor num momento em que só deve estar pensando em capitalizar a boa fase do time e o possível hexa. O que atrapalhou um tanto o programa em sua função de ajudar aqueles que podem votar a escolherem o melhor candidato.

Com um formato engessado, típico dos debates eleitorais tradicionais por aqui - "o senhor tem 1 minuto para a resposta", "o senhor tem 30 segundos para a tréplica..." -, na maior parte do tempo não foi possível que os candidatos se aprofundassem muito em suas respostas. Algumas das perguntas mais interessantes e incisivas vieram dos jornalistas convidados - mas é pena que não tenha havido espaço para que eles pudessem comentar as respostas dos candidatos, ou mesmo perguntar novamente em cima delas. Mas a verdade é que é mesmo difícil organizar um programa mais interessante com seis candidatos, ainda mais sabendo que qualquer um ali estaria louco pra se aproveitar de qualquer margem pra falar mais que os outros.

E não sei mesmo que peso a conversa toda de ontem pode ter na decisão daqueles gatos pingados que irão resolver, na segunda-feira, quem vai cuidar nos próximos anos de um clube com tantos milhões de torcedores. Aliás, lamento muito que, em toda a campanha, o tema de como atrair mais rubro-negros para participarem da vida do clube, frequentando ou não a Gávea, tenha sido tão mal explorado - quando, pra mim, deveria ser uma das grandes prioridades.


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Vocês podem ler sobre o debate e ver vídeos nas matérias do Globoesporte.com:

- Aqui, uma geral sobre o que se falou no debate
- Vídeo de Clóvis Sahione
- Vídeo de Lysias Itapicuru
- Vídeo de Patrícia Amorim
- Vídeo de Pedro Ferrer
- Vídeo de Plínio Serpa Pinto

E você pode ver também o que eu e muitos outros twittaram durante o programa usando a tag #DebateFlamengo.


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De modo geral, todos foram unânimes em apoiar a continuidade de Andrade no ano que vem e a manutenção da base do time deste ano. Também falaram bastante que o sucesso da equipe em campo não deve ser capitalizado por A, B ou C - recado claro para Delair; Plínio ainda aproveitou para defender sua própria participação na montagem deste time. E todos, claro, falaram em resgate da credibilidade, choque de ordem, respeito ao orçamento etc. e tal. Muitas vezes apareceram também promessas sobre novos investidores que já estariam acertados para chegarem em 1/1 - mas que, ao que parece, só tomarão coragem de bater na Gávea se o candidato X vencer.

Alguns comentários sobre a participação de cada um:

Clóvis Sahione - que chamou a atenção por se exaltar em diversos momentos - falou muito sobre o que seria a base de sua plataforma para revitalizar a Gávea e atrair novos sócios: levar o CT dos profissionais para a Gávea, para atrair para lá a torcida e assim dar nova vida à sede. Eu nem sou contra a proposta não, mas ela não representa novidade nenhuma - afinal, o time treinou na Gávea todos estes anos e só passou a frequentar o Ninho do Urubu mais assiduamente no meio de 2009. Ou seja: a presença dos jogadores por lá não foi, por todo este tempo, o catalisador que ele pretenderia. Sahione defendeu ainda a volta da Petrobras - que ele diz que aconteceria por suas relações com o atual Ministro de Energia - e disse ter no bolso os apoios de Bradesco e Carrefour para bancar esportes olímpicos, também por ter bom relacionamento com gente destas empresas. É um caminho personalista que não me soa muito bem. Na verdade, sua postura vai quase sempre um tanto na contra-mão da modernidade profissional que tantos esperam ver chegando ao Flamengo.

Mas ele tem bons momentos ao falar da maneira de lidar com a dívida - da necessidade de ter advogados competentes para brigar sobre as questionáveis, algo de que ele tem moral mesmo pra falar, e de sentar imediatamente para negociar com os credores de débitos já reconhecidos. O nome de um ex-diretor do Bradesco, peça-chave de sua chapa, parece realmente bom para o trabalho. Só é meio forçado o bordão "Lula, devolve o dinheiro do Flamengo" que usa para defender que o Estado deva perdoar toda a dívida rubro-negra com os cofres públicos.


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Lysias Itapicuru, o mais desconhecido do grande público, falou sempre com clareza e desenvoltura. Foi objetivo, por exemplo, ao responder sobre a transformação do clube em empresa - que ele é contra, além de não ver como única alternativa para o profissionalismo no clube. Falou também da vontade de ter um estádio na Gávea, mesmo sem descartar o Maracanã; sobre a votação do orçamento do clube para o ano que vem, que aconteceria ontem mesmo em cima de uma proposta que não previa nenhum percentual para pagamento de dívidas; e sobre a simpatia que tem pelo projeto já existente no clube para um CT, orçado em 25 milhões - para economizar, ele usaria a mansão que o clube tem em São Conrado para hospedagem do time, tirando-o do hotel 5 estrelas que hoje usa, enquanto as novas instalações não estivessem prontas.

De modo geral, não houve tempo para grandes aprofundamentos em suas propostas, mas saiu-se bem no espaço que teve. Foi curiosa apenas a incrível troca de elogios entre ele e Sahione, que se repetiu algumas vezes ao longo do programa.


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Patrícia Amorim, como quase todos, defende a reorganização administrativa do clube, o respeito ao orçamento, a busca por "dinheiro novo", o investimento em estrutura - linhas gerais bastante coerentes com o que o Flamengo realmente precisa. Mas foi (o que tem até desculpa pelas limitações de tempo) bastante genérica em suas respostas, gaguejou bastante e escapou pela tangente de alguns assuntos - como, por exemplo, a situação difícil que o basquete e a ginástica olímpica enfrentavam quando ela estava à frente dos esportes olímpicos. Se recusou, como outros, a revelar quem será o homem forte do futebol na sua gestão - um entrevistador mais esperto poderia, naquele momento, ter perguntado ao menos qual seria o perfil ideal desta pessoa, e a resposta já daria para tirar muita coisa. O que ouvi de melhor em sua participação foi a promessa de que terá um ex-presidente do Banco Pactual participando da gestão para lidar com a dívida do clube.


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Pedro Ferrer agradeceu bastante pelo espaço que ganhou no debate, pois sentiu-se excluído da campanha pela maioria dos veículos - e reclamou até de não ter sido incluído nas pesquisas de opinião. E, em seu discurso, bateu bastante na tecla da ética e da independência, ressaltando que vem do único grupo com pessoas que não participaram antes da gestão do clube; falou ainda que não montou a chapa prometendo cargos e que falta a muitos na Gávea pensarem antes no Flamengo do que em si próprios. Em alguns momentos, por estes pontos, não teve medo de bater de frente com Clóvis Sahione e Plínio Serpa Pinto.

Mostrou um certo romantismo ao defender a camisa do time de futebol sem qualquer patrocínio e a necessidade de uma só empresa para bancar todos os outros esportes, para manter a pureza do Manto (embora a sua defesa do patrocínio único também tivesse argumentos interessantes sobre a maneira como, hoje, a negociação do futebol acaba travando os outros esportes). E falou ainda que, por conta da situação financeira atual, é impossível gerir o clube sem um grande investidor - e, segundo ele, conta com um já engatilhado para entrar em janeiro de 2010. Será? Fica subentendido que, se o tal investidor não vier ou não for aprovado pelos conselhos do clube, sua gestão ficaria inviável.


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Plínio Serpa Pinto
, de todos, foi o que teve a postura mais agressiva com os que considera seus mais fortes oponentes - Delair, que estava ausente, e Patrícia. Fala sempre duro sobre os defeitos atuais do clube e questionou Patrícia sobre sua atuação nos esportes olímpicos, seus apoios e sobre como dividiria seu tempo entre o Flamengo e a Câmara dos Vereadores - até o apoio velado a Patrícia Amorim de Renato Maurício Prado em suas colunas veio à tona. Ao mesmo tempo, teve que responder sobre os altos gastos de sua própria campanha, que conta até com inserções na Rede Globo.

Mas na hora de falar de suas ideias para o futuro do Flamengo, que se baseiam no profissionalismo e no choque de gestão, ele conseguiu ser sempre claro e objetivo, até acima da média da fala dos demais. O curioso é ver o contraste entre o discurso pra frente e a atuação pra trás; questionado sobre o que aprendeu com os erros de sua participação durante a primeira gestão Kléber Leite, lembrou da vinda de Romário e disse que hoje nunca trocaria a construção de um CT (que ele promete para os primeiros 6 meses de mandato) pela contratação de um jogador, fosse ele quem fosse. Em seguida, começou a defender a sua participação e de Kléber na montagem do atual time, listando justamente as contratações feitas - e me deixou pensando se a soma do que se gastou pra trazer Marcelinho Paraíba, Fierro, Sambueza e Josiel, por exemplo, não daria nos 6 milhões que ele diz serem necessários para a construção da primeira fase do centro de treinamento.



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Pra quem assistiu ao debate: foi útil? Quem se saiu melhor?

Ainda não vou abrir meu voto fictício - sou sócio, mas ainda não poderei votar desta vez. E devo dizer que não é uma escolha fácil, mesmo.

Mas, por curiosidade de ver como anda a opinião de quem passa por aqui, estou abrindo uma pesquisa: em quem vocês votariam? Respondam aí à enquete da barra lateral - vou deixar a votação aberta até meio-dia de sexta-feira. E, por favor, não avacalhem tentando votar mais de uma vez, ok? Ninguém ganharia nada com isso.

Preparação para a decisão - aquela que acontece na segunda-feira

Cês tão sabendo que segunda-feira, dia da ressaca da última rodada do Brasileiro - seja lá que resultado saia dela -, tem eleição na Gávea, certo? A decisão de quem tomará conta dos rumos do Flamengo nos próximos anos sairá sob o impacto do jogo mais importante do clube nos últimos 17 anos.

E hoje tem debate entre os candidatos à presidência - o primeiro com a presença de todos os pretendentes ao cargo e, com certeza, o de maior audiência. José Ilan, repórter da Rede Globo, e José Carlos Araújo mediarão o programa, que vai ao ar às 17h pela Rádio Globo e pelo Globoesporte.com. Com certeza teremos bem mais gente ouvindo o papo entre Clóvis, Delair, Lysias, Patrícia, Pedrinho e Plínio hoje do que comparecendo à Gávea na segunda-feira para votar.

(Aliás, não consigo não me espantar ao ver os anúncios de Plínio Serpa Pinto na Rede Globo e outros veículos de massa. Parecem mesmo um tiro de canhão para acertar uma mosca.)

Pra quem olha de fora, pros pouco acostumados com as coisas do Flamengo, pareceria mais do que improvável que um presidente seja campeão brasileiro num domingo para perder o cargo nas urnas na segunda. Mas no pequeno universo interno do Flamengo, pode acontecer de tudo. Tanto que muitos acreditam pra valer no favoritismo de Patrícia Amorim, que aparece sempre na liderança nas tais pesquisas do BEE da PUC - mais uma foi divulgada hoje, na coluna de Renato Maurício Prado, a mantendo na frente, seguida por Clóvis Sahione e Plínio Serpa Pinto, com Delair apenas na quarta posição. Aliás, já tentaram procurar pelo BEE, ou Bureau de Estatística e Estratégia, no site da PUC ou mesmo no Google? As únicas referências que surgem são exatamente sobre estas pesquisas em cima das eleições do Flamengo - mais nada.

Mas acredito (achômetro puro!) que Delair, que deve ser junto com Patrícia o alvo preferencial dos outros candidatos no debate de hoje, tem uma chance boa de sair vencedor, especialmente se tudo der certo no Maracanã domingo. Ele, aliás, ganhou de última hora o apoio de João Henrique Areias, que agora diz que não aceitou o convite do presidente interino para manter-se à frente dos esportes olímpicos do clube por conta de "outros compromissos" - na época, o discurso era de que não aceitaria por não estarem sendo oferecidas as condições ideais para desenvolver o trabalho do jeito que gostaria. De qualquer forma, não seria surpresa nenhuma se Areias voltasse a trabalhar no Flamengo - até mesmo nos Esportes Olímpicos, que hoje vivem grande dificuldade para se viabilizar economicamente - em caso de vitória de Delair.

Enfim: 17h, mais um debate. Vamos ver o que sai disso.

P.S.: Mal publiquei este texto, descubro pelo twitter do José Ilan que Delair desistiu de ir ao debate. Lamentável - e que se prepare pra ficar com a orelha quente de tanto que vão falar dele em sua ausência.

Os sócios e os ingressos

Como comentei no último texto, boa parte do debate exibido na noite de quarta-feira pela Rede Vida, do qual participaram Plínio Serpa Pinto, Delair Dumbrosck e Clóvis Sahione, foi dedicada à sede da Gávea e em pensamentos para atrair mais sócios.

Clóvis Sahione focou muito na necessidade de "trazer de volta" o time profissional à Gávea. É lá que ele quer ter o CT para o time principal, para que o sócio "sinta o cheiro" dos atletas. Segundo ele, isso serviria para levar os sócios ao clube, para assistir aos treinos, conviver com os ídolos. O que é realmente estranho na proposta é que os profissionais do Flamengo só passaram a frequentar o Ninho do Urubu mais assiduamente muito recentemente; mesmo esse ano, até certa altura, a enorme maioria dos treinos foi na Gávea. Quer dizer: a proposta de Sahione não é essa mudança toda. Mas ele também fala em um novo restaurante por lá, reformas nos banheiros e outras benfeitorias.

Plínio já foca totalmente na remodelação da sede: um grande restaurante panorâmico com vista pra Lagoa, uma mega-academia, enorme ampliação das vagas de estacionamento. São propostas mesmo mais de acordo com o que um espaço nobre como o que o Flamengo dispõe na Gávea deveria ter. Eu, pelo menos, gostaria muito de ver alguém falar com entusiasmo em um ginásio multi-uso moderno por lá, com a capacidade bem dimensionada, que pudesse servir de casa para o basquete e outros esportes olímpicos do Flamengo e ainda abrigar shows e eventos.

Delair soltou a informação de que, até hoje, não foi possível ocupar o prédio da sede da maneira que Plínio propõe por deficiências de estrutura - e isso agora estaria resolvido, porque o reforço necessário foi incluído no processo das obras da megaloja FlaConcept. Assim, ele até falou ter pronto o projeto de um grande restaurante por lá a ser implantado no próximo mandato, mas no geral suas propostas são bem mais modestas - como a criação de uma nova sala de carteado, por exemplo.


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Mas, nesse papo todo de como atrair sócios, falou-se muito da estrutura física da Gávea, mas não no relacionamento que o clube tem com seus sócios. A comunicação com eles, por exemplo, é mais do que deficiente - é quase inexistente. Mas vou agora pegar como exemplo a questão da venda de ingressos.

Vejam bem: ingresso pra jogo é o produto que o Flamengo mais vende e que, provavelmente, mais lhe dá dinheiro. E, ainda assim, ele simplesmente não sabe vender este produto. Os pontos de venda são pouquíssimos, o processo da venda é lento, a sinalização é ruim, a venda online não existe, o sistema cai com frequência, não aparece ninguém do clube pra dar satisfação nenhuma quando acontecem problemas, enfim.

Mas vamos aos sócios. O sócio do Flamengo, que compra um título por no mínimo R$6.540,00 ou paga uma mensalidade a partir de R$105,00 para frequentar uma sede reconhecidamente deficiente, tem como único benefício para adquirir ingressos poder fazê-lo dentro da Gávea. O preço é o mesmo do cidadão comum - cliente Itaú ganha meia, sócio do Flamengo não. A abertura da venda também acontece no mesmo dia. Há inúmeros exemplos de clubes no Brasil bem mais anteciosos com seus sócios nessa questão, não vou nem me dar ao trabalho de citá-los.

Ontem, dia em que se abriram as vendas para o Flamengo x Grêmio da última rodada, havia apenas um "guichê" de venda para os sócios lá dentro, com um computador lento e duas funcionárias mal treinadas - podia levar até minutos para uma pessoa efetivar sua compra (não é exagero - fui marcar no cronômetro o tempo que levou uma menina para sair com o ingresso e parei de olhar quando passou de cinco minutos).

Com a grande procura, a fila ficou enorme e simplesmente não andava - era coisa de meia-hora pra dar dois passos pra frente. Ao longo do tempo, ao menos surgiu uma espécie de solidariedade entre os que lá estavam; qualquer espertinho que tentava furar a fila era imediatamente barrado aos gritos por todos. Quando finalmente saí com meus ingressos na mão, depois de inacreditáveis 5 horas de fila, já me sentia até meio amigo dos que estavam à minha volta. Ao menos o perrengue era absolutamente democrático: perto de mim na fila estavam funcionários do marketing do Flamengo, perdendo seu dia de trabalho assim como eu, e até mesmo o Diretor de Eventos do clube.

(Obviamente, quando parti da Gávea de carro para o trabalho, tendo como almoço um salgado devorado na fila, vi que a situação do lado de fora era ainda pior.)

O sócio que se sentir insatisfeito com a situação tem uma maneira simples de melhorar sua vida para adquirir ingressos: além da mensalidade que já paga, assumir mais uma, a de Cidadão Rubro-Negro Ouro, pra ter na mão o famoso Passaporte Rubro-Negro (mas gostaria de ouvir relatos sobre ele efetivamente funcionando na prática - alguém aí tem e já usou?). Só com a reles condição de sócio e todas as despesas que ela acarreta para pouquíssimo retorno, nada feito.


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Taí, portanto, um belo tema a ser tratado em debate pelos candidatos à presidência do Flamengo: em quanto tempo pretendem mudar radicalmente a forma do Flamengo vender ingressos para seus jogos? E como pretendem lidar com os sócios do clube nesta questão?

Uma boa oportunidade será o debate que será promovido pela Rádio Globo e Globoesporte.com na próxima terça, às 17h, com mediação de José Ilan e José Carlos Araújo. Para este, todos os candidatos foram convidados - e, dessa vez, Patrícia Amorim avisou que vai.

O debate de ontem e os empréstimos do Plínio

Na disputa por minha atenção, até que o debate de ontem entre três dos candidatos à presidência do Flamengo, transmitido pela Rede Vida, ganhou mais do que perdeu para o massacre da LDU sobre o Fluminense. Imagino o que devem estar pensando os mais de 30 mil tricolores que já tinham garantido o ingresso para o jogo de quarta que vem, no Maracanã. Mas era um risco que eles corriam, mesmo.

O debate até teve pontos interessantes. Com um formato menos engessado do que aqueles tradicionais "você tem um minuto para a réplica, você tem trinta segundos para a tréplica...", deu bastante espaço para os participantes falarem. E, graças à presença de Delair, saiu um pouco daquela ação entre amigos que se viu no Lance e na Rádio Bandeirantes, quando os presentes se juntavam para bater nos ausentes.



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Aproveitando-se da presença do atual presidente interino, Plínio fez uma jogada de efeito em cima do adversário: depois deste discursar sobre as conquistas de sua gestão, incluindo entre elas os salários em dia, Delair teve que assistir Plínio puxar da pasta os contratos que mostravam que ele emprestou do bolso uma boa grana para ajudar o Flamengo a pagar seus compromissos.

Não é algo tão bombástico assim. Afinal, o que vocês acham que eram as tais "engenharias financeiras" de que Kléber Leite vivia falando para pagar salários, prêmios e contratações? Eram sempre, óbvio, empréstimos ou adiantamentos de receitas. E, com o fim do crédito no Flamengo na praça pelas vias normais, as fontes tiveram que ser cada vez menos ortodoxas - e, na verdade, já saiu mesmo na imprensa sobre o Flamengo "recorrer a sócios" em algumas oportunidades. Fora isso, Plínio citou as datas dos empréstimos e, pelo que percebi, apenas o último deles aconteceu em período em que o próprio candidato não era diretor de futebol do clube. Ou seja: arrumar dinheiro pra pagar o elenco também era problema dele - e ele estava lá quando se contratou Sambueza, Josiel, Vandinho, Marcelinho Paraíba e tantos outros, dificultando ainda mais o clube a se manter em dia com seus pagamentos. Melhor que os tais empréstimos tenham acontecido formalmente, com contrato assinado e tudo, do que se tivessem sido feitos de maneira menos institucional; e melhor ainda que a maioria até já tenha sido paga de volta. O Flamengo tem sido com ele até melhor pagador que o seu normal.

A verdade é que a relação situação/oposição nesta eleição é muito esquisita. Delair critica comportamentos do departamento de futebol da época de Kléber Leite como se ele mesmo não fosse presidente em boa parte deste tempo; Plínio critica também comportamentos da diretoria quanto ao orçamento como se ele mesmo não estivesse por lá quando muita coisa foi feita para comprometer as contas do clube. Assim como Lysias e Patrícia foram, respectivamente, assessor da presidência e vice-presidente de esportes olímpicos da gestão que agora combatem.

E assim nós vamos vivendo de amor.



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Boa parte do debate foi dedicada à Gávea e a formas de atrair novos sócios. Tenho alguns pensamentos sobre isso, muito relacionados a dia que tive hoje - em que, como sócio proprietário que sou, estive na sede do clube para comprar meu ingresso para o Flamengo x Grêmio da última rodada.

Mas falo disso depois, pra não deixar este texto aqui longo demais.

O debate da tarde, os programas pra noite

Não vou nem perder muito tempo falando do debate transmitido hoje pelo Lance. Afinal, dos quatro convidados, dois - Delair e Patrícia Amorim - faltaram. Delair alegou ter uma reunião de trabalho em Brasília; Patrícia disse que só iria se todos tivessem sido convidados. O moderador defendeu a postura do jornal, que só convidou os quatro primeiros colocados nas pesquisas já divulgadas pela relevância e para garantir uma dinâmica melhor para o programa.

O curioso é que, no meio do debate, o assunto "pesquisas" surgiu - e tanto Clóvis Sahione quanto Plínio Serpa Pinto, os dois presentes, questionaram a validade delas e disseram não confiar nada em seus resultados. Pois é.

Enfim: dá pra ter um bom resumo do que se falou nos quatro blocos do programa, e um pouco de minhas impressões, vendo o que escrevi no Twitter do SobreFlamengo com a tag #DebateFlamengo. Podem ainda ir ao site do Lance e procurar pelos vídeos dos quatro blocos do programa para assistir. Mas lhes adianto que os dois se juntaram para bater pesado em Patrícia e Delair e, nos intervalos, levantaram bolas um para o outro. Não muito diferente do debate anterior, na Rádio Bandeirantes, embora alguns rostos tenham mudado.

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O debate de hoje à noite pode ser um pouquinho mais interessante. Afinal, um dos alvos esteve presente na gravação: Delair Dumbrosck. Lembrando: vai ao ar na Rede Vida, canal 26 da Net, a partir das 22h.

Como já apontei antes, o programa vai concorrer com o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana, entre Fluminense e LDU. Uma partida que vem sendo tratada como oportunidade dos tricolores "darem o troco" nos equatorianos, algo que a torcida do Fluminense estaria esperando ansiosa - uma besteira sem tamanho.

É óbvio que vencer agora a final da Sul-Americana não vai compensar a perda da Libertadores do ano passado - e, se o Fluminense ganhar, não vai ter torcedor nenhum da LDU no trabalho no dia seguinte de quem tirar sarro. Por outro lado, se perderem pro mesmo adversário de novo, vão ficar com a triste sina de fregueses da LDU, uma gozação que vão ter que aturar de qualquer rubro-negro, botafoguense ou vascaíno. Ou seja: o Fluminense teve muito pouco a ganhar com essa coincidência de adversário que surgiu agora e todo tricolor que eu conheço preferia que o jogo de hoje fosse contra outro time qualquer.

A única vantagem é um possível simbolismo em caso de título e fuga do rebaixamento - seria algo como o "fechamento de um ciclo", vá lá. E pode mesmo acontecer; a essa altura, ao menos escapar da série B me parece mesmo o mais provável. Quanto à Sul-Americana, vai saber? Óbvio que não conheço nada do time da LDU pra poder arriscar algum palpite.

Mas dá pra imaginar que, pelo menos hoje, a vantagem física dos equatorianos será gigantesca. Enquanto o Fluminense enfrenta decisões seguidas, duas vezes por semana, com os mesmos jogadores há mais de um mês, a LDU poupou titulares no fim de semana e tem a altitude a seu favor. Se o time de Cuca conseguir ao menos manter a invencibilidade, já será o bastante pra continuar com a moral lá em cima.

Hoje tem mais debate

Essas eleições do Flamengo são mesmo um fenômeno: é impressionante a quantidade de dinheiro e tempo empregados por tanta gente em uma campanha que, no fim, visa um universo de meros 5 mil gatos pingados, dos quais mais da metade não costuma dar as caras. Ainda assim, hoje é dia de não um, mas dois debates entre os candidatos ganharem transmissão.

Às 15h, a TV Lance - www.lancenet.com.br/multimidia - transmite ao vivo um debate que acontecerá na sede do jornal entre os quatro candidatos mais bem colocados nas pesquisas já divulgadas: Patrícia Amorim, Delair Dumbrosck, Clóvis Sahione e Plínio Serpa Pinto. Se todos efetivamente comparecerem, vai ser a primeira vez que Patrícia - apontada como favorita nestas pesquisas - participará de um debate.

Isso porque a candidata, que já havia faltado ao programa da Rádio Bandeirantes, voltou a furar com o debate da Rede Vida (pra quem tem Net, é o canal 26),o outro que irá ao ar hoje. O programa vai ao ar às 22h - horário super esperto, pra bater de frente exatamente com o futebol na Globo, em dia de final de Sul-Americana.

Mas estes não serão os últimos programas com os candidatos à presidência do Flamengo. O jornalista José Ilan, da Globo, anunciou agora há pouco em seu Twitter que irá mediar outro debate, com transmissão nacional. No Sportv? Ou em algum inacreditável espaço na própria Globo - quem sabe um Globo Esporte especial? Veremos.

Minha dúvida é se serão convidados para este também apenas os tais quatro primeiros colocados nas pesquisas. É claro que é mais difícil organizar um bom programa com mais gente à mesa; mas a verdade é que simplesmente não consigo confiar pra valer nestas pesquisas, feitas por amostragem dentro de um universo que já é muito pequeno, com uma percentagem de gente diretamente envolvida nas candidaturas muito grande e um índice de abstenção que costuma ser baixíssimo. Não sou exatamente especialista em pesquisas, mas pelo que conheço da teoria da coisa, a dificuldade pra organizar um trabalho realmente confiável nessas condições é bastante grande.

E passou o debate

Sabe aqueles debates eleitorais em que o primeirão nas pesquisas se recusa a comparecer para não arriscar sua posição, fica lá a cadeira do cara vazia e os demais candidatos se juntam para, a cada oportunidade, criticar o ausente? Pois é - o debate de hoje entre os candidatos à presidência do Flamengo, na Rádio Bandeirantes, teve um tanto disso aí.

Afinal, nenhum dos links que publiquei para se ouvir online o debate funcionou. Assim, só pude acompanhá-lo já na segunda metade, a partir do momento em que um link na Justin.tv foi criado para transmitir o programa. Mas a impressão que este bom pedaço que ouvi me deixou é que não devo ter perdido muita coisa.

Já se sabia que Clóvis Sahione e Patrícia Amorim (que chegou a twittar durante o debate que estava entregando uma camisa do Flamengo ao Shimon Perez - então tá, né?) não estariam presentes; mas, além deles, também Delair Dumbrosck acabou não comparecendo. O resultado é que sobraram apenas Plínio Serpa Pinto, Pedro Ferrer e Lysias Itapicuru, que se mostraram candidatos com discursos muito parecidos - e, aliás, faziam questão de ressaltar isso em diversos momentos do debate, cheio de elogios mútuos e de levantadas de bola para o outro cortar de parte a parte. O confronto foi dos presentes contra os ausentes - com críticas até mais contundentes a Patrícia Amorim do que a Delair. Sahione até que escapou sem apanhar.

No final, foi feita a pergunta: se não pudessem votar em si mesmos, em quem votariam? E quem não escolheriam de jeito nenhum? Pra deixar claro o espírito da coisa, cada um disse que não daria seu voto a um dos que não estavam lá (com Plínio dizendo que "não entregaria a administração nem de uma loja minha à Patrícia"), e declararam suas escolhas hipotéticas entre os companheiros de mesa. Tomara que, se o vencedor acabar saindo dali, prevalesça essa bonita união em prol do Flamengo. E ficou a pergunta: afinal, com discursos tão afinados, porque são três chapas diferentes mesmo?


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Claro que seria mais elogiável se todos os candidatos lá estivessem - nunca é bonito fugir do debate. Mas João Silva, o apresentador do programa A Voz da Nação, não fez muita questão de esconder qual o seu posicionamento quanto aos candidatos ausentes e chegou a fazer um minidiscurso no final, pedindo votos apenas para os que lá estavam e batendo firme nos demais. Quer dizer: taí o álibi para a ausência dos que preferiram não se expor.

E o próprio formato do debate, com respostas sempre bastante curtas, não ajudou a aparecerem posições mais profundas dos candidatos em seus discursos sem grandes novidades sobre modernização, profissionalização, gestão responsável, reestruturação financeira etc. etc. Uma ou outra declaração chamou mais a atenção - como as de Plínio sobre os empréstimos que fez ao clube para que pagasse os salários dos funcionários e atletas -, fora um ou outro plano específico diferente aparecendo, mas sem muitos detalhes.


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Quem quiser ler um apanhado do que se falou no debate pode ir ao Twitter para conferir os meus posts durante o programa, com a tag #DebateFlamengo - como já citei, comecei a acompanhá-lo pela metade. Acreditem: os 144 caracteres nem me pareceram muito limitadores para publicar as respostas que ia ouvindo.

Mas também pelo Twitter apareceu a promessa de que o áudio completo será disponibilizado no site da AmoFla e até no Urublog. É só ficar ligado, ouvir e formar suas opiniões por conta própria.

Eleições no Flamengo: hoje tem debate - ouça online

Pois é: hoje os candidatos à presidência do Flamengo participarão de um debate dentro do programa A Voz da Nação, da Rádio Bandeirantes AM (1360 - Rio de Janeiro). A mediação da parada estará a cargo de Arthur Muhlemberg, e perguntas poderão ser feitas pelo telefone (21) 2543-1360.

A parada começa daqui a pouco, às 16h, e será transmitida também pelas rádios Tupi AM (1280) e Tamoio AM (900), ambas do Rio. Pra quem for de fora do Rio ou não tiver como ouvir pelo rádio mesmo, a Tupi pode ser ouvida online aqui e aqui.

Atualização: Ao que parece, a Tupi não está transmitindo o debate, afinal. E há um link para ouvi-lo online no site da AmoFla - www.amofla.com.br

Candidatos à presidência do Flamengo: Plínio Serpa Pinto


O nome de Plínio Serpa Pinto já é bem conhecido de quem acompanha minimamente a vida administrativa do Flamengo. Já foi Vice de Futebol do clube durante o mandato de Kléber Leite na presidência e recentemente foi Diretor de Futebol, também trabalhando junto de Kléber. Fora isso, ocupou outros cargos de menor visibilidade em conselhos do clube. É uma figurinha carimbada.

Agora, ele se apresenta como candidato com a bandeira da mudança e do profissionalismo. Conta a seu favor o histórico de empreendedor - ele é de fato um empresário bem sucedido, especialmente no ramo imobiliário. Sua candidatura vem chamando a atenção pela intensa atividade na internet - com promoções via Twitter, entrevista via Orkut e por aí vai - e por alguns anúncios bombásticos, como a apresentação de Fábio Luciano como futuro executivo remunerado do futebol e a confusa "fusão" com a chapa de João Henrique Areias.

Outra anúncio que chamou a atenção foi a carta do Consórcio Multiplan dizendo que "devolverá a sede social" ao Flamengo caso ele seja eleito. Por que só se ele for eleito? A dívida com este consórcio não teria sido feita quando ele participou da direção do clube? Afinal, qual é a situação jurídica atual da sede social? Se ele mesmo diz que a dívida não existe, o que exatamente esta carta quer dizer? É uma história confusa.

No site de sua campanha, há bastante material sobre seu perfil e suas propostas, além dos cargos que já exerceu no Flamengo. E, especialmente após a adesão de nomes do Fla21 e de ter anunciado comprometimento com as ideias do grupo, ficou bem claro que o grande mote de sua campanha é a profissionalização da gestão do clube. Minhas grandes dúvidas sobre sua candidatura são os critérios de escolha dos profissionais para cada área, o modelo desta profissionalização e, principalmente, a maneira como o clube foi gerido enquanto ele participava da direção.

Tive a oportunidade de fazer quatro perguntas ao candidato, via e-mail, e escolhi temas que tivessem a ver com estas minhas dúvidas e outros que não vi serem tocados no material disponível sobre suas propostas. Sabemos que o tempo dos candidatos em campanha é curto e que as solicitações de entrevistas, grandes ou pequenas, devem ser muitas. Isso deve ter levado a usar trechos de textos prontos sobre determinadas questões nas respostas - e assim fiquei sem saber se realmente teríamos um grande executivo para gerir o clube como um todo (cargo para o qual Areias contou ter sido convidado) e qual seria seu perfil; ou qual era a função exata de Plínio como Diretor de Futebol do clube. De qualquer forma, Plínio tem procurado se mostrar acessível e deu pra tirar que ele parece a favor da criação de um sócio-torcedor com direito a voto, vê o Engenhão como casa do Flamengo para os próximos anos (mas com possibilidades de mandar jogos fora do Rio também) e enxerga a administração Kléber Leite no futebol como bem sucedida.


- Uma das bandeiras da sua campanha é a profissionalização da gestão - ou seja, colocar profissionais nos cargos executivos do clube. Para o futebol, o nome do Fábio Luciano já foi anunciado. A pergunta: e para quem está acima dele? Haveria um grande executivo para tocar o Flamengo como um todo? Se haveria, qual seria o perfil desejável para este profissional?

PLÍNIO: O futebol terá uma gestão profissional e na verdade a decisão de contratar Fábio Luciano para o cargo de diretor executivo mostra que o futebol não vai ser tratado com paixão, nem com amadorismo. Fábio Luciano é o início da profissionalização do futebol do Flamengo. Acredito que essa gestão, acompanhada de uma independência do futebol, com referência aos departamentos de marketing e jurídico, vai permitir que o diretor executivo possa trilhar um caminho de ordenamento e de uma gestão profissionalizada de respeito ao orçamento e de equilíbrio financeiro.


- Estamos vendo uma campanha para a presidência em que estão sobrando candidatos e faltando eleitores. O Flamengo hoje tem poucos sócios e a maioria deles nem paga mensalidade, por terem títulos adquiridos há muitos anos. Como fazer para ampliar o quadro social? Fora pensar em atrair sócios para as categorias já existentes, há a possibilidade de algo como Vasco e Inter já tem - categorias com preços populares para as mensalidades, inclusive com direito a voto?

PLÍNIO: Vamos dar condições a todos que quiserem para que se associem e tenham o mesmo direito de todos os sócios. Quanto mais sócios, mais forte o Flamengo será. Olhe para os clubes ingleses e espanhóis. Por que não podemos ter nossa torcida associada e votando? Vamos incrementar a possibilidade dos nossos torcedores se transformarem em sócios do clube. Mesmo os que residem fora do Rio.Para nós, nossa torcida é o maior dos nossos patrimônios e queremos todos participando conosco. Juntos, encontraremos a solução para essa questão que é da maior importância para a existência do Clube de Regatas do Flamengo e para o seu futuro. Queremos continuar sendo o mais querido. Se outros clubes conseguem fazer trinta mil sócios em seis meses, que dirá o Flamengo em nossa administração.


- Uma questão prioritária para o próximo mandato será: onde jogar? O Maracanã deverá ficar fechado durante toda a próxima gestão. A solução óbvia é o Engenhão. Em sua opinião, deverá ser este o caminho a ser tomado? E, com o Maracanã funcionando, você acredita que ele deverá ser mesmo sempre a "casa" do Flamengo?

PLÍNIO: Se não tivermos outra alternativa, em função do fechamento do Maracanã para as obras da Copa e da Olímpiada, jogaremos no Engenhão, mas sem gastar dinheiro nosso lá. Vamos usar o Engenhão e poderemos fazer alguns jogos fora, no aspecto de atender à demanda da nossa torcida e trazer cada dia mais lucratividade para nossas receitas.Quanto ao Maracanã, nós vamos fazer uma negociação na privatização do estádio à altura do peso do Flamengo nesse desenvolvimento. O Flamengo vai negociar com sagacidade, com uma empresa internacional, para obter o justo valor pelo envolvimento nosso na privatização do Maracanã. Acho que aí está o ganho financeiro que o Flamengo pode receber por ser o trem pagador do futebol brasileiro.


- Você participou das duas gestões Kléber Leite - quando ele foi presidente do clube e quando foi vice de futebol, até há poucos meses. Durante este último período dele no clube, o time saltou de patamar: participou de duas Libertadores, ganhou uma Copa do Brasil, foi tricampeão carioca e disputou posições no alto da tabela no Brasileiro. Ao mesmo tempo, conviveu com salários atrasados, atos de indisciplina os mais variados de seus atletas, fez investimentos pesados em compras de jogadores que se transformaram em novas dívidas, não avançou em questões como venda antecipada ou carnês de ingressos, investiu muito pouco na estrutura física para os profissionais trabalharem e viu a dívida do clube crescer R$40 milhões no último ano (dado de balanço). Como você avalia este período da gestão do futebol do clube e qual foi exatamente o seu papel nela?

PLÍNIO: Na verdade, quando o Kleber assumiu o comando do futebol do Flamengo, o time estava em décimo nono lugar e era uma barbada para ser rebaixado. Kleber contratou jogadores e o Flamengo acabou não sendo rebaixado, participou dois anos seguidos da Libertadores e foi tricampeão carioca. O Flamengo tem hoje um elenco extremamente competente. Quem trouxe para o Flamengo Bruno, Fábio Luciano, Ronaldo Angelim, Juan, Willians, Kleberson, Toró, Emerson, Adriano, foi a administração Kleber Leite. Não estou defendendo o Kleber, mas acho que poucos dirigentes de futebol proporcionaram tantas glórias ao futebol nos últimos quatro anos como Kleber Leite. A dívida do departamento de futebol, se você procurar os balanços do clube, vai perceber que o futebol foi superavitário nos últimos três anos. Não participei da gestão do Flamengo porque nunca fui presidente do clube. Fui vice-presidente de futebol no ano de 1995, 1996, quando fomos campeões invictos e trouxemos o Romário, na época o maior jogador do mundo. E participei da diretoria em 2009, quando conquistamos o tricampeonato. Na verdade, eu sou parte de vocês, como todos nós, da situação em que o Flamengo se encontra. Uns por omissão, outros por decisão equivocada, mas o Flamengo é um clube presidencialista. A gestão e a escolha de seus companheiros é que farão o Flamengo retomar o lugar que ele merece. Mas tenha certeza de que não trairei a esperança, nem a confiança dos companheiros que estão nos apoiando.


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Textos sobre outros candidatos:

- Clóvis Sahione
- Lysias Itapicuru
- Pedro Ferrer

Entrevista: João Henrique Areias fala sobre a desistência de sua chapa

A ideia já era fazer algumas perguntas a João Henrique Areias sobre sua candidatura. Depois que ela acabou deixando de existir, a conversa continuava interessante - até pelas versões diferentes sobre o processo que resultou na adesão de alguns nomes de sua chapa a Plínio Serpa Pinto. Areias concordou em falar do assunto via e-mail e ainda passou a bola para José Maria Sobrinho, que continua a seu lado no Fla21, também falar um pouco sobre o grupo. Taí:


O racha da Fla21 pegou todo mundo de surpresa. Por que ele aconteceu? Quais foram as justificativas do gupo que saiu?

João Henrique Areias - A meu ver, houve precipitação de alguns membros do nosso grupo em buscar composição em função do prazo final para junções de chapas no dia 23 de outubro, numa avaliação antecipada de um possível fracasso nosso nas eleições. Fui pego de surpresa, porque havíamos combinado que só analisaríamos qualquer tipo de aliança baseados no apoio ao nosso programa e somente em meados de novembro.

Começamos tarde, a apenas duas ou três semanas do prazo (30 de setembro) para compor a chapa com 232 sócios para os conselhos de administração e deliberativo. Mesmo assim conseguimos sócios em número suficiente e tivemos o menor número de duplicidades entre os candidatos quando da apuração final.

Nossa primeira mala direta chegou aos sócios esta semana e não tínhamos como avaliar e comparar nossa candidatura com as dos outros candidatos. Alguns membros do grupo não concordaram com a postura dos que queriam a coligação e, numa votação apertada, convocada às pressas, venceu a proposta de coligação. Eu estava dando aula na Trevisan e não participei, mas já tinha deixado claro que não apoiaria, nem queria cargos remunerados ou não. Desta confusão surgiu o racha.

Nos comunicados oficiais de vocês, fala-se em um pequeno grupo desistindo da candidatura. Quantos foram? Quantos e quem ainda está no Fla 21?

José Maria Sobrinho - Não se sabe exatamente. No máximo cinco ou seis foram os dissidentes. Não houve um processo de votação a um determinado momento.

O Fla21, inicialmente, atuou em torno de um núcleo de fundadores de cerca de 20 associados e torcedores. Após a indicação da candidatura do Areias, se abriu a todos que comungam de seus princípios básicos, constantes do Programa do Fla21.


Vimos que vai haver eleição de uma executiva para o grupo, para até o fim do ano que vem. Como vocês imaginam a atuação do grupo daqui pra frente? A ideia é começar a pensar já nas próximas eleições? Você se vê novamente candidato?

Areias
 - Neste momento, não me vejo candidato novamente.

Sobrinho - Até o proximo dia 30 de outubro, será realizada uma reunião/assembléia para escolher a Executiva que coordenará o Movimento, até 31/12/2010. Acredito que cerca de 50 pessoas comparecerão à reunião.

Sem dúvida, o Movimento vai influenciar nas opções de voto já nessas eleições. A própria retirada da candidatura, pela forma traumática como ocorreu, já levou a decisões de voto.

Uma das primeiras atribuições da Diretoria será definir um Plano de Ação a ser aprovado para o triênio 2010-2012, no qual, muito provavelmente, estará incluída a viabilização de uma candidatura para as eleições de 2012.


Chegou a sair notícia com o Plínio declarando que você trabalharia em sua administração. Você - pessoalmente ou como parte do Fla21 - aceitaria trabalhar na próxima administração? Com qualquer vencedor?

Areias - O Plinio já me convidou para ser CEO - uma espécie de presidente profissional -, e recusei. Agora só quero tirar 4 dias de férias e na volta pensar nos meus cursos e nas minhas consultorias.


E sobre a situação atual destas eleições: que cenários você vê para o Flamengo nos próximos 3 anos? Imagino que, neste momento, você não vá declarar apoio a ninguém, mas dá pra esperar mudanças no sentido que você esperaria para o clube? Como acredita que o Flamengo sairá da campanha, com tantos grupos fragmentados disputando o poder?

Areias - Vc tem razão. Vou ficar à margem, até porque não vejo nenhum dos candidatos querendo romper com o atual modelo de gestão, baseado no dirigente voluntário. Nosso programa previa já em janeiro a contratação dos executivos e, em seguida, a mudança de estatuto colocando os dirigentes voluntários em conselhos e o gerenciamento do clube nas mãos de profissionais. Detalho isto em alguns artigos no meu site www.marketingesportivo.org. Espero que o Plinio Serpa Pinto faça isto. Foi o que prometeu no momento da coligação, ou seja, seguir o programa do Fla21.

Restam seis

E eis que a última chapa a se formar - a de João Henrique Areias - foi também a primeira a sair da disputa pela presidência do Flamengo. No último dia para alteração das chapas, parte de seu grupo decidiu apoiar Plínio Serpa Pinto e Areias não será mais candidato.

Na nota oficial divulgada pelo ex-candidatgo no site do Fla21, ele afirma que não concorda com a opção de seus antigos companheiros de chapa, mostra-se muito contrariado e deixa subentendido que o apoio de última hora se deu em troca de cargos em uma possível futura gestão. José Maria Sobrinho, um dos cabeças do Fla21, afirma que foi um pequeno grupo que trocou de lado, inviabilizando a sequência da candidatura, mas que haverá eleição de uma executiva para manter as atividades do movimento nos próximos anos.

Já Plínio divulga a notícia como se Areias tivesse aberto mão da candidatura, havendo uma fusão das chapas em torno de seu nome - em matéria divulgada pela LancePress, chega a afirmar que Areias trabalharia em sua diretoria. E na lista dos que agora completam a Chapa Rosa, encontramos diversos dos personagens mais famosos que integravam a Fla21 - como Walter de Mattos Jr. (dono do Lance!); Claudio Pracownik (da Agora, empresa que atua no mercado de capitais, que era candidato à presidência do Conselho de Administração); Marco Polo Moreira Leite (que seria vice-presidente geral de Areias e agora concorre ao mesmo cargo na chapa de Plínio); e Humberto Mota, que chegou a ser cogitado como candidato à presidência e concorria a presidente da Assembleia Geral.

Como se vê, as versões são muito conflitantes. É possível que a questão financeira da campanha tenha pesado - há candidatos gastando muito dinheiro, inclusive Plínio, e Areias se movimentava pedindo doações para custear a candidatura. De qualquer forma, é no mínimo curioso ver nomes de uma chapa que pregava a ruptura absoluta com o modelo que reinou no Flamengo nos últimos anos aderir a uma candidatura que vem - como outras - com o discurso do modelo de gestão profissional, mas que é encabeçada pelo ex-vice de futebol de Kléber Leite, que participava como diretor do departamento até pouco tempo atrás, enquanto Kléber ainda estava no grupo. E, junto com eles, parece que vai havendo um grande fluxo de nomes conhecidos para a candidatura de Plínio - é o caso de Ricardo Teixeira e seu filho, além de outros personagens que estavam junto com Delair.

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Outra notícia relacionada à eleição: por algum motivo, candidatos de lados diametralmente opostos - Delair e Pedrinho - vetaram o uso de urna eletrônica na votação. Vai saber por quê.



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Como se vê, tem muita coisa para acontecer ainda até dezembro nesta campanha. Ser presidente do Flamengo é uma roubada, mas o pessoal está quase saindo no tapa para encará-la.

A mim, resta esperar mais um pouco para ver a movimentação de nomes em torno de cada chapa para chegar a uma conclusão do que me pareceria melhor. Tenho minha opinião neste momento, mas um pouco de prudência não custa muito. Surpresas podem acontecer até lá.

Cenas de campanha na Gávea

A última vez em que estive na Gávea, ainda antes da confirmação das chapas inscritas para as eleições de dezembro, as atividades de campanha dos candidatos eram bem discretas. Pois bem: estive por lá ontem, para aproveitar o feriado de sol com as crianças, e a situação já era bem diferente.

Não vi nada de Areias, Sahione, Lysias ou Pedro Ferrer. Mas logo na porta da sede social, de uma mulher uniformizada, recebi um jornalzinho com as ideias de Plínio Serpa Pinto. Lá dentro, me passaram um folheto com visual e impressão bem caprichados de Patrícia Amorim. Pude ver várias pessoas com as camisas dos dois candidatos circulando por diversos espaços da sede, além de carros estacionados com adesivos dos dois candidatos.

Mas nada comparável à movimentação pela candidatura de Delair Dumbrosck. Ainda do lado de fora, em um sinal de trânsito perto da Gávea, já havia uma faixa estendida com o slogan "O trabalho já começou", acompanhada por dois funcionários uniformizados da campanha que disputavam espaço com outra faixa, de um candidato às eleições da OAB. Na porta, ao lado da correligionária de Plínio, outra de Delair também me entregou panfletos com uma carta do candidato, falando de suas realizações enquanto ocupou a presidência.

Por conta do Dia das Crianças, o clube estava enfeitado de balões vermelhos e pretos e o parquinho, onde havia uma recreação contratada pelo clube para animar o dia, estava muito mais cheio que o normal (na verdade, nos dias em que estive lá antes, sempre esteve quase completamente vazio; ontem, eram dezenas de crianças). Se falei que era fácil ver gente com as camisas de Patrícia e Plínio, as vermelhas de Delair pareciam quase um uniforme - e talvez fossem até maioria entre a garotada os que usavam camisas feitas especialmente para eles, com as figuras de Uruba e Urubinha ao lado do nome do candidato. O próprio Delair andou circulando próximo às piscinas, conversando com alguns sócios.


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Pra vocês verem como está aceso o clima de campanha por lá, uma pequena história.

Fui ao departamento médico do clube com a família fazer o exame médico para poder frequentar a piscina. Enquanto aguardava nossa vez de sermos atendidos pela médica, apareceu por lá uma senhora que queria fazer um pequeno curativo. Bastante falante, ela contou que havia feito um pequeno machucado batendo com a mão na raia da piscina, enquanto nadava lá. Preferia fazer o curativo logo porque na casa do namorado não teria como - "homem nunca tem dessas coisas em casa."

Pois até isso poderia se transformar num fato político na Gávea. Segundo ela, quando saía da piscina e comentava o que havia acontecido com alguém, logo apareceram correligionários de um dos candidatos de oposição, querendo fotografar a mão machucada e usar a cena na campanha contra Delair.


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A movimentação online dos candidatos também anda crescendo muito nos últimos dias. É bom ver duas apresentações mais detalhadas de dois dos candidatos: as de Plínio Serpa Pinto e João Henrique Areias. Mais pra frente eu devo falar um pouco sobre elas.

Quem está na corrida (ao menos, por enquanto)

No dia 14 de agosto, escrevi por aqui um texto explicando o que era necessário para ser candidato à presidência do Flamengo. Eu dizia que seria impossível que todos os pré-candidatos que haviam se lançado até então confirmassem a inscrição, pela dificuldade de cada um encontrar 230 sócios dispostos a participar de uma chapa em um universo de eleitores tão pequeno como o do Flamengo. Pois é: os fatos provaram que eu estava errado. Nada menos que SETE candidaturas foram inscritas; como eu dizia num post de dois dias atrás, dos que se apresentaram apenas Eider Dantas ficou de fora.

Isto torna as eleições de dezembro um tanto imprevisíveis. Façam a conta: 230 x 7 = 1610. Considerando que na última eleição votaram 1.669 pessoas e o número de sócios não aumentou de lá pra cá, podemos concluir que pouquíssimos dos que costumam votar não estão em alguma chapa. Ou seja: se o quórum se mantiver e cada candidato conseguir ao menos convencer seus próprios companheiros de chapa a irem à Gávea votar, teremos um empate técnico entre Delair, Plínio, Sahione, Areias, Patricia, Pedrinho e Lysias. Que tal?


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Muitos vinham avaliando que as candidaturas mais fortes são as de Delair e Patrícia Amorim. Delair tem a caneta na mão até dezembro, o que sempre conta - e, justiça seja feita, ele tem conseguido apresentar realizações neste seu curto período presidencial, em especial desde que ficou sem Kléber Leite para dividir poder. Várias dívidas renegociadas, salários em dia, Petkovic - que ele contratou enfrentando a tudo e a todos - dando certo, novos patrocínios, parceria com a HSBC Arena para o basquete, megaloja da Gávea em construção, novas salas de ginástica para os profissionais e para a base, enfim. O cara tem defeitos, vários bem óbvios, e muita coisa ainda precisa mudar no jeito de dirigir o clube, mas ele está correndo contra o tempo para mostrar que pode ser um bom presidente.

E Patrícia, fora ser um nome muito conhecido dentro do clube, entra com um forte discurso de oposição e o apoio de Hélio Ferraz, que inclusive tornou-se seu vice geral - é algo que dá respeitabilidade à candidatura. Tem a simpatia do pessoal dos esportes amadores e, contam, também a de vários antigos caciques do clube.

Mas, ainda mais com tantos candidatos, eu não arriscaria dizer que a disputa está entre os dois. Com a coisa tão pulverizada, todos podem dizer que têm chances. E, nessa, talvez a eleição venha a ser decidida por aqueles muitos sócios que podem votar, mas nunca o fazem. Segundo a lista divulgada pelas autoridades eleitorais do clube, o colégio eleitoral tem cerca de 5.300 pessoas. O segredo para vencer pode estar em atrair o maior número possível dos mais de 3 mil que podiam, mas não participaram das eleições de 2006.

E, nessa, talvez o discurso renovador e revolucionário de Areias possa colocá-lo bem na fita; talvez seja mais inspirador para essa galera que costuma ficar de fora, olhando desconfiada para os nomes de sempre. É questão de ver como ele desenvolverá sua campanha - que discurso e que métodos para atingir os eleitores ele usará. Não adianta tanto ser popular em comunidades no Orkut e no Twitter; fora o fato óbvio de que o universo dos que votam é bem restrito, foi divulgado o dado de que apenas 20% dos eleitores do Flamengo têm menos de 45 anos - e não devem ser muitos aqueles entre os 80% restantes que são ativos nesse tipo de fórum. O pessoal das campanhas deve estar coçando a cabeça pra descobrir como falar de perto com esse pessoal.


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É bom considerar ainda que o fato de haver agora sete candidaturas não significa que elas todas chegarão até dezembro. O que aconteceu é que, no momento, os sete ganharam um poder de barganha ainda maior para possíveis composições futuras - afinal, cada um já está saindo de 230 votos. Um candidato que conseguir trazer para si o apoio de mais um ou dois destes grupos terá uma enorme chance de vencer, e todos eles sabem disso. Se em Brasília o pessoal negocia ministérios, secretarias e cargos estatais múltiplos pra conseguir apoios, na Gávea não deve ser muito diferente.

Está chegando o dia 30 de setembro

Quarta-feira é o prazo final de inscrição das chapas que participarão das eleições de dezembro no Flamengo. Apareceram até agora oito pré-candidatos mas, como quem está aqui já sabe, realmente confirmar a candidatura não é tarefa tão simples: são necessárias mais de 230 pessoas para completar a chapa, que deve ter os nomes que preencherão cada um dos cargos em disputa - presidência, vice-presidência e vagas nos diversos conselhos do clube.

Estive na sede do Flamengo ontem, para aproveitar o dia de sol com a família. Por lá, a única candidatura que vi em atividade de campanha foi a de João Henrique Areias. Uma moça, vestida com a camisa do FlaBasquete, nos abordou e perguntou se sou sócio; com a resposta positiva, falou rapidamente de Areias, ressaltando sua participação recente à frente do basquete, e me entregou um folheto publicitário. No texto do panfleto, uma passagem convoca sócios a participarem da chapa; grampeado, um cartão de visitas simples com o e-mail adesao@fla21.com.br - é o endereço para quem quiser entrar na chapa.

Areias foi o último pré-candidato a anunciar-se na disputa. Por conta disso, sua busca de duzentos e trinta e tantos nomes é mais árdua - os outros todos já vinham com seus grupos formados, ao menos em alguma medida. Assim, não há um dia em que não chegue em minha caixa de e-mail alguma mensagem, vinda de remetentes os mais diversos, conclamando sócios a juntarem-se ao Fla21. É uma corrida contra o tempo.

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Como já comentei por aqui, o universo eleitoral do Flamengo costuma ser bastante restrito - na última eleição, foram menos de 1.700 eleitores comparecendo à Gávea. O que deve estar complicando mais ainda a vida de Areias e seu grupo para fechar a chapa é o fato de que, ao contrário do que poderia se esperar, a grande maioria dos pré-candidatos continua sustentando que estará na disputa em dezembro. É só fazer as contas e ver que é complicado tanta gente assim concorrendo, em um mundinho tão pequeno.

Patrícia Amorim já fez o lançamento oficial de sua candidatura e vem mantendo seu blog rubro-negro bem mais ativo do que em outros tempos. Antes, Clóvis Sahione já havia feito o mesmo - e recolocou-se em evidência semana passada, ao soltar a notícia de que poderia conseguir que o governo federal perdoa-se a astronômica dívida rubro-negra com o Estado em uma simples canetada, em troca do "trabalho social das escolinhas". Outros dois candidatos também sinalizaram que estão na briga divulgando outras fórmulas mágicas para lidar com os credores: o atual presidente Delair afirma que usará o clima de oba-oba em torno da Copa do Mundo para conseguir um empréstimo com o BNDES e zerar as dívidas rubro-negras; e Plínio Serpa Pinto - que acabou de lançar seu Twitter - teria acenado com a possibilidade de conseguir o perdão de um antigo débito com o grupo que iria construir um shopping na Gávea, ainda na gestão Kléber Leite (da qual participou).

(Devo dizer que não só duvido um tanto que este tipo de coisa realmente possa virar realidade como sou contra ir atrás de mais perdões do poder público - quantos já foram dados? Chega a ser ridículo.)

Dos outros pré-candidatos, Pedro Ferrer foi mais um a anunciar hoje o lançamento oficial de sua candidatura - o evento começa daqui a pouco, no Leblon. E encontrei rapidamente na Gávea ontem Lysias Itapicuru, que estava na beira da piscina com a família e reafirmou que vai concorrer - disse que já tem seu vice escolhido, me entregou também seu panfleto e afirmou que em breve convocará a coletiva de lançamento.

Ou seja: de todos os pré-candidatos que apareceram até agora, o único que anda sumido, com pinta de que desistiu de vez de participar do processo, é Eider Dantas. É  mesmo difícil de acreditar que teremos tantas chapas assim concorrendo - mas, ao que parece, o Flamengo pode mesmo ter pelo menos meia dúzia de postulantes ao seu cargo máximo.

E isso porque é um emprego não-remunerado.

Zico, Areias e as eleições de dezembro

Embora Andrade tenha feito hoje o treino em que deve ter definido o time que joga amanhã contra o Sport, as notícias mais importantes do dia foram mesmo relativas ao que acontece fora de campo. Depois da euforia de alguns em relação ao "anúncio" de Márcio Braga de que Zico vem aí, o bicho vai pegar, hoje foi dia de baixar um pouco a bola; além disso, também foi anunciado o lançamento de João Henrique Areias como candidato à presidência do clube, encabeçando uma chapa formada por alguns empresários que já estavam dentro do clube e aparecem com a bandeira da modernização e profissionalização.

Vamos por partes.


Zico: um factóide?

Márcio Braga já andou esses dias mesmo mostrando que passou da idade de medir suas palavras. E acabou que seu apressado anúncio de ontem gerou hoje declarações de Zico dizendo que não tem nada disso dele já estar certo em 2010, que o presidente está "colocando o carro na frente dos bois".

A verdade é que a questão é um pouquinho mais complicada do que simplesmente chamar Zico para assumir o futebol do Flamengo. E, se fosse só isso, dificilmente ele aceitaria mesmo. Porém, como não é, fica mais complexo do próprio clube aceitar Zico - por mais estranho que possa parecer a ideia do Flamengo fechando as portas para seu maior ídolo. Só que não é tão simples mesmo.

A vinda de Zico - se é que ela aconteceria "em pessoa" - seria parte do processo de incorporação do CFZ pelo Flamengo. Ao que tudo indica, trata-se do jeito encontrado por Márcio Braga de tentar colocar em prática o plano que anunciou quando se elegeu, há seis anos atrás, e para o qual nunca conseguiu andar um centímetro: criar uma empresa para tocar o futebol do Flamengo, com contas e administração à parte do clube. O CNPJ do CFZ - até onde sabemos, limpinho de dívidas com o Estado... - seria usado para isso.

Mas e aí, como ficam as dívidas? Se a empresa assumir, ela já não vai à falência de cara? Se não assumir, fica para os sócios pagarem? Ninguém até hoje deu uma boa resposta a estas perguntas. Nisso, o famoso Capitão Léo, presidente do Conselho Fiscal, já avisou que lutará para barrar o projeto nos Conselhos do Flamengo, onde precisa ser aprovado. E estas votações, pelo andamento anunciado da coisa, cairiam exatamente na época das eleições.

Ou seja: ninguém pode falar agora, com nenhum grau de certeza, que Zico vem no ano que vem. Nem Zico, nem Márcio Braga, nem nenhum dos candidatos que disputam a presidência.


Areias candidato

Quem frequenta o SobreFlamengo já viu o tipo de texto que andei fazendo sobre os candidatos. Gostaria de fazer um destes sobre João Henrique Areias - mas, por enquanto, ele não tem site da candidatura, não tem vídeo apresentando projeto, enfim. Gostaria de ter a chance de lhe fazer perguntas - quem sabe não acontece? Vou esperar um pouco por mais informações sobre seus planos e sua chapa para escrever algo mais completo.

Por enquanto, lhes deixo os links dos textos que ele escreveu, em seu blog, sobre o modelo de gestão que imaginava para o clube - partes 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7. Agora que é candidato, só posso acreditar que isso vá ser sua plataforma de campanha.

O nome de João Henrique Areias, por si só, não faria eu me empolgar pela candidatura. Mas independente do próprio Areias, a importância da chapa pode estar nas suas ideias e em quem possa estar embarcando nelas com ele. É bom lembrar que o candidato sempre afirmou que não poderia trabalhar para o Flamengo como voluntário - sua situação financeira não comporta isso. Portanto, só podemos partir do princípio que ele vá colocar gente remunerada para efetivamente gerir o clube. Se ele vencer, realmente implantar o modelo que defende e souber se cercar dos melhores profissionais em cada área, a virada na vida do Flamengo será de 180 graus.

Pré-candidatos à presidência do Flamengo: Pedro Ferrer

Esta semana, confirmou-se a candidatura de Clóvis Sahione à presidência do Flamengo - ao que parece, até com o surpreendente apoio de Márcio Braga. Patrícia Amorim também prepara o lançamento oficial de sua candidatura, que deve acontecer no dia 15. Como todos estão contando que Delair Dumbrosck e Plínio Serpa Pinto também irão confirmar seus nomes na corrida (lembrando: o prazo final para inscrição das chapas é o dia 30/9 - a essa altura, os organizadores das chapas já podem ter em mãos a lista dos eleitores aptos a votar), o espaço para outros candidatos está ficando cada vez mais estreito.

No último texto desta série, falei de Lysias Itapicuru e comentei que achava difícil que ele e Pedro Ferrer lançassem candidaturas separadas. E agora é a hora de falar do "Pedrinho do basquete".

Ex-atleta do Flamengo (conta a história de que manteve-se jogando no clube basicamente de graça, na época em que Márcio Braga, há décadas, também ameaçou acabar com o time de basquete por falta de recursos), Pedro se apresenta como filho de um sócio emérito, Seu Luís do Tiro. Nas últimas eleições, participou da chapa encabeçada por Ronaldo Gomlevsky; desta vez, apresenta-se como candidato oficial do grupo MPFla, mais um dos múltiplos existentes na política da Gávea. É engenheiro com carreira construída dentro da Prefeitura, onde está se aposentando - aponta que, por conta disso, tem vida financeira estabelecida e disponibilidade para dedicar-se integralmente ao Flamengo.



Como comentei, seu discurso bate em muito com o que ouvi de Lysias. Ambos falam da criação da "Fundação Flamengo" e usam palavras muito semelhantes para definir a situação em que esperam assumir o clube, no início do ano que vem: dívida de R$450 milhões, receita zero (graças aos adiantamentos a perder de vista já feitos pela diretoria atual) e por aí vai. Os dois também ressaltam a ideia de unir o site oficial a uma Intranet que daria aos sócios um acesso transparente às atividades da diretoria.



Sua apresentação ao Dragão Negro é a que aparece mais bem documentada entre todos os candidatos, por conta de diversos trechos disponíveis no YouTube - clique aqui e veja um canal repleto deles. Entre diversos pontos, ele defende a criação de um plano diretor para a Gávea, que direcione as obras a serem feitas na sede; a criação de um plano de cargos e salários; a definição de um planejamento global, que acabe com as medidas em caráter de emergência tão comuns hoje em dia; e a criação do "FlaTorcedor", o tão sonhado sócio-torcedor que salvaria as finanças do clube. Este projeto, aliás, ajudaria o clube a chegar no ano que vem a uma receita de R$190 milhões (em 2008, foram R$117 milhões), com uma despesa projetada em sua previsão de orçamento em R$150 milhões (em 2008, foram R$114,6 milhões, fora pagamentos de dívidas de exercícios anteriores), para que o lucro seja usado para abatimento da dívida.



Mas, além das ideias, talvez o mais marcante em sua candidatura sejam os apoios: ele está junto do grupo de oposição mais ruidosa que há na Gávea hoje em dia - o que controla o Conselho Fiscal e sempre faz barulho a cada aprovação de contrato no Conselho Deliberativo. Pra não deixar dúvidas, abaixo você vê o depoimento de Leonardo Ribeiro, o Capitão Léo, ex-chefe da Torcida Jovem, hoje presidente do Conselho Fiscal do Flamengo:



Você pode conhecer mais de Pedro Ferrer no site oficial de sua campanha, que fica em www.mudaflamengo.com.br.


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Textos anteriores sobre outros pré-candidatos:

- Clóvis Sahione
- Eider Dantas (e mais um pouco dele aqui)
- Lysias Itapicuru

Pré-candidatos à presidência do Flamengo: Lysias Itapicuru

Lysias Itapicuru talvez seja, entre os pré-candidatos anunciados à presidência do Flamengo, o nome mais desconhecido – ao menos para o público externo ao clube, o que me inclui. E foi um dos que atendeu ao meu pedido para uma conversa, para que eu pudesse trazer aqui pro blog o perfil do candidato.

Com 35 anos, Lysias é empresário – tem uma empresa de software e sistemas e é presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Empresariais. Também é professor da Fundação Getúlio Vargas – que, segundo ele, ajudou na preparação de seu “programa de governo" –, é filiado ao PSDB (pelo qual já foi candidato a deputado estadual) e já participou de missão diplomática oficial pelo Brasil. Apresenta como uma de suas qualidades para ocupar o cargo a vida financeira e profissional estabelecida, que lhe permitiria dedicação integral ao Flamengo.

Durante a conversa, seu grande foco era a recuperação da credibilidade do Flamengo, ponto básico para que se consiga atrair parceiros, patrocinadores, sócios. Para isso, sua grande bandeira seria um nível de transparência inédito nas ações e contratos da diretoria. Sua proposta: disponibilizar todos os processos e contratos do clube no próprio site oficial, para que os sócios possam consultar quaisquer valores e informações, usando pra isso login e senha. Isso valeria inclusive para os salários dos jogadores.

Retruquei que Márcio Braga se elegeu fazendo exatamente esta promessa: abrir no site oficial os contratos de todos os jogadores. A idéia não durou três meses, segundo ele por resistência dos próprios atletas. Lysias respondeu dizendo que quem se recusasse, que procurasse outro clube para jogar – no Flamengo, seria assim.

Com transparência e credibilidade, ele afirma que seria fácil atrair investidores diversos para o clube – para futebol, esportes amadores (que ele afirma que manterá todos), sede da Gávea. A sede, inclusive, tornaria-se uma máquina de gerar dinheiro, e seus planos para a área incluem a construção de um estádio (“sem o shopping”, ele ressalta), com capacidade a ser estudada, como forma de “demarcar o território da Nação”. Lysias fez a promessa ainda de que, sendo ele eleito, já estará garantido um enorme patrocínio de uma empresa de telefonia móvel, que ele não poderia revelar o nome. Mas sua intenção mesmo (que ele ressalva que não seria possível em um primeiro momento) é ter o uniforme limpo de patrocínios.

Outros pontos da conversa:

- Em sua concepção, os principais diretores do clube continuariam sendo voluntários, mas com “operadores” pagos para tocar o dia-a-dia, de acordo com as diretrizes passadas.

- Criticou a atual relação da diretoria com os Conselhos – afirma que muitas vezes os contratos chegam para aprovação depois que o dinheiro referente a eles até já foi utilizado. E falou ainda haver diretores que assumem cargos teoricamente voluntários e recebem dinheiro do clube através de suas empresas, por contratos que a maioria desconhece existirem – relação que ele criticou bastante.

- Criticou também o marketing do clube, que ele afirma ser dirigido por gente sem capacidade de estar ali. Afirmou que seria possível multiplicar as receitas do clube com licenciamentos apenas pelo controle e cumprimento dos contratos que já existem, pois o clube não estaria recolhendo corretamente os valores que os parceiros deveriam pagar.

- Falou na criação de uma Fundação Flamengo, com motivação social, mas por onde o Flamengo também conseguiria garimpar novos talentos para suas equipes esportivas.

- Em sua concepção, o Flamengo deveria se abrir para os torcedores – gostaria de ver um sócio-torcedor com preço acessível e direito a voto.

- Disse estar ciente que receberia o clube em 2010 com salários atrasados, sem dinheiro em caixa para honrar os compromissos imediatos e com receitas adiantadas a perder de vista.

- Disse não estar convencido da necessidade de transformar o futebol em empresa, pois acredita que o atual modelo jurídico do clube não tem qualquer problema para funcionar bem. E que vê a possibilidade de atrair Zico para o Flamengo como algo que seria ótimo no processo de resgate da credibilidade, mas que a negociação com o CFZ (que, diz ele, tem dívidas altas na praça) é apenas uma tentativa de conseguir um CNPJ limpo de dívidas para tocar o futebol – e passar os débitos todos para o clube, penalizando os sócios.


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Estes foram os principais pontos “administrativos” do papo com Lysias. Mas houve ainda uma grande parte da conversa sobre política e o atual cenário eleitoral na Gávea.

Lysias é filho de Lysias Dantas, benemérito do clube que, conta, sempre foi ativo nas eleições. Sua candidatura estava em estágio de montagem de chapa – o assunto de que falei aqui outro dia. Com a mobilização do seu pai, ele já teria alcançado mais ou menos um terço das assinaturas necessárias, num ritmo que lhe deixava satisfeito; quando nos encontramos, ele havia acabado de lançar seu site oficial - bem simples, por sinal -, por onde pretendia conseguir angariar mais gente para entrar na campanha. Pesquisando na internet, vê-se que foi membro do grupo MPFla e pediu licença, foi assessor especial da presidência durante a gestão Márcio Braga e foi responsável pelo projeto do Instituto Fla Novas Gerações - para o qual Márcio chegou a prometer que o Flamengo destinaria 1% de todas as suas receitas, para trabalhos sociais.

Lysias disse que conhece todo mundo no Flamengo, não tem problemas com ninguém (até de Edmundo Silva ele falou) e não quer ser candidato oficial de nenhum grupo – gostaria de contar com o apoio de todos, mas sem se comprometer especificamente com nenhum. Não escolheu ainda seu vice geral. Não acredita na hipótese da campanha realmente seguir com tantos candidatos. E acenou com a intenção de conversar com outros dois candidatos “de oposição” para tentar compor uma única chapa – de preferência com ele de cabeça, claro. Seriam eles Patrícia Amorim e Pedro Ferrer, que, ele diz, é seu amigo.

Dias depois deste encontro, acabei vendo muitos trechos em vídeo da apresentação de Pedro Ferrer ao grupo Dragão Negro, na Gávea – será ele o próximo pré-candidato de quem falarei por aqui. E a coincidência de discurso entre os dois me impressionou. Passagens específicas de suas falas são incrivelmente parecidas, até em palavras utilizadas. Me pareceu mesmo muito, muito improvável que os dois possam sair candidatos, um contra o outro.

Patrícia Amorim seria ou não atraída para este bloco? Lysias diz que ela tem uma limitação para ocupar a presidência: seu mandato de vereadora, do qual ela não abriria mão (ele diz que conversou com Eider Dantas, que disse que largaria o mandato para ser presidente do Flamengo; mas Eider, ele diz, nunca comporia com Patricia por serem adversários na política municipal e estadual). E ele também não crê que o Flamengo “esteja pronto para ter uma mulher como presidente”. Se isso realmente acontecesse, como ficaria o discurso de Patrícia, que afirma que não seria vice de ninguém? Aguardemos cenas dos próximos capítulos.


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Os textos já publicados sobre outros candidatos:

- Clóvis Sahione
- Eider Dantas (e mais um pouco sobre ele aqui)

Como é difícil ser candidato a presidente do Flamengo

Iniciei aqui no blog há um tempo uma série falando dos candidatos à presidência do Flamengo, que foi interrompida por mais tempo do que eu gostaria - prometo retomá-la logo. Mas cheguei a uma conclusão: me equivoquei ao chamá-los assim. O mais correto seria "pré-candidatos". Afinal, nenhum deles é candidato mesmo até o dia 30 de setembro - prazo final para a inscrição de chapas.

Hoje, são 7 os que se apresentam: Clóvis Sahione, Eider Dantas, Patrícia Amorim, Delair Drumbosk, Plínio Serpa Pinto, Pedro Ferrer e Lysias Itapicurú. Mas é simplesmente impossível que todos realmente se inscrevam. E o motivo para isso é até matemático.

As eleições no Flamengo não são só para presidente. No dia 30/9, os candidatos deverão inscrever não apenas os seus próprios nomes - mas também todos os que estarão concorrendo, junto com ele, aos demais cargos em disputa. Além do vice geral, também deverão ser apresentados os candidatos aos corpos transitórios do Conselho Deliberativo e do Conselho de Administração (e pode ser que eu esteja esquecendo de mais algum cargo aí). No total, cada chapa deverá contar com mais de 230 pessoas, distribuídas entre as diversas categorias de sócio, de acordo com os requisitos de cada cargo.

Agora, façam as contas. Nas últimas eleições, em 2006, votaram 1.669 pessoas - e, em princípio, nada indicaria que o número de eleitores este ano vá ser maior. Ou seja: se os sete candidatos realmente inscrevessem suas chapas completas, teríamos basicamente apenas candidatos votando em si próprios.

A conclusão: o número de sócios que o Flamengo tem, hoje, não comporta essa quantidade extravagante de candidatos. E é este o atual estágio da campanha: os candidatos estão se dedicando, neste momento, a preencher cada um a sua própria chapa - e, em parte, em conversar uns com os outros para possíveis composições em que certamente haverá união de forças, com alguns abrindo mão de serem cabeça de chapa em favor de outros. O provável é que, até o fim de setembro, restem três, no máximo quatro candidatos.

E é isso: quando pensarem que fulano ou beltrano poderiam se candidatar, lembrem-se de que não basta o cara querer - vai ter que correr atrás de outros 230 fulanos e beltranos assinando junto. É difícil um para-quedista cair na Gávea às vésperas das eleições. Para o bem ou para o mal.


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Minha intenção, ao começar a escrever sobre os pré-candidatos, era completar o que encontrasse pesquisando sobre eles pela Internet fazendo algumas perguntas aos próprios. Por isso, enviei e-mails a alguns, perguntando sobre a possibilidade de fazerem comigo mini-entrevistas, nem que fossem via Internet mesmo. Um deles foi Eider Dantas.

Depois que eu já havia publicado meu texto sobre ele, Eider entrou em contato. Afirmou que críticas eram para serem ouvidas e levadas em consideração para corrigir rumos e se ofereceu para uma conversa, ao vivo, que acabou acontecendo. E foi nela que essa questão da formação de chapas me chamou a atenção.

Eider se apresentou como um outsider. Apesar de ser sócio do Flamengo há mais de 20 anos e sempre comparecer às reuniões do Conselho Deliberativo, não estava se lançando candidato por nenhum dos múltiplos grupos que existem dentro da Gávea - e fazia questão de falar que não se associaria a nenhum dos "sanguessugas que sempre se revezam no poder por lá". Sua intenção: se eleger usando os votos da maioria de sócios que não costuma dar as caras nas eleições, justamente por não confiar em ninguém. Disse ele que tem em mãos a lista de todos os sócios, com a separação daqueles que não votaram em 2006 - e estava ligando para todos, um por um, pessoalmente ("já passei de uns 500"). A recepção, dizia, vinha sendo boa. E se ele conseguisse que 30% dessas pessoas saíssem de casa para votar nele, a eleição estaria ganha.

Em meu texto, uma das críticas que fiz foi pela grande quantidade de promessas, sempre com números otimistas, que ele fez em sua palestra - à moda dos políticos que todos conhecemos. Eider disse que ninguém cumpre 100% do que promete; mas que eleições são ganhas quando as promessas do candidato batem com o que o eleitor quer e ele tem credibilidade o bastante para que acreditem que irá cumprir a maior parte daquilo. E, segundo ele, seu passado de realizador na vida pública lhe daria esta credibilidade.

Independente disso - acho que, hoje, o fato de ter estado tantos anos trabalhando nas gestões de César Maia não deve contar tão a favor assim com a maioria das pessoas -, há ainda outra questão a ser resolvida: ele não precisaria só convencer pessoas a votarem nele, mas também pessoas a entrarem em sua chapa. Sua esperança é ser escolhido como favorito pelo grupo Dragão Negro, que organizou palestras de todos os candidatos para fazer sua opção. Em sendo escolhido, a montagem da chapa seria muito facilitada. Caso contrário, a situação provavelmente ficaria complicada. A decisão do Dragão Negro deve sair no dia 25 de agosto.

No resto da conversa, Eider falou de boas ideias. É a favor de ter profissionais na gestão do clube; quer fazer um sócio-torcedor com benefícios, sem apelar só pra caridade da torcida, e acredita que esta poderia ser a grande fonte de receita do clube; falou com propriedade sobre a maneira de convocar os credores privados para alongar e renegociar as dívidas, como condição primeira para desafogar a vida administrativa do clube - e, a partir daí, instituiria um teto do quanto das receitas deveria ir para dívidas e para custeio, separando o resto para investimentos em estrutura; disse ter a intenção de construir na Gávea uma arena multiuso, pronta para esportes olímpicos, shows e eventos diversos, mas nada de estádio para o futebol (sua frustração era que Márcio Braga não aproveitou seu esforço, quando estava na Prefeitura, para que o Flamengo ficasse com o Engenhão); também falou do Morro da Viúva, que deveria ser transformado, com uma parceria com alguma empresa do ramo, em um lucrativo prédio de salas comerciais.

Afirmou, aliás, que o Flamengo paga hoje um salário de 10 mil por mês ao ex-presidente George Helal para que cuide, mal, deste prédio, algo que ele acabaria. Criticou ainda o atual presidente Delair, que segundo ele nunca teve sucesso em seus próprios negócios e não tem gabarito para dirigir o Flamengo; e reafirmou que considera a história da negociação entre CFZ e Flamengo um factóide - contou que tem boa relação com Zico há 12 anos, inclusive tendo o ajudado a asfaltar seus CTs através de convênios com a Prefeitura. Segundo ele, no mesmo modelo que tentou fazer com o Flamengo para o Ninho do Urubu, sem sucesso devido à lentidão da diretoria na hora de assinar os papeis.


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Ah sim: pra quem não leu, aqui estão os textos sobre Clóvis Sahione e Eider Dantas. Na semana que vem, começo a falar dos outros que, ao menos por enquanto, estão na disputa.