Cidadão Rubro-Negro x O Vasco é meu. Dá pra comparar?

Coincidentemente, mais ou menos na mesma época em que o Flamengo coloca seu Cidadão Rubro-Negro para funcionar, o Vasco lança o “clube de benefícios” de seu programa de Sócio-Torcedor.

A estratégia do Vasco, está claro, é bem diferente da do Flamengo. Seu programa tem dois argumentos de venda bastante claros e fortes: o vascaíno deve entrar para fazer parte do seu clube de coração e para ter vantagens na compra de ingressos para os jogos.

O “fazer parte do clube” é fácil de ser vendido, pelo momento que o Vasco passa – é um clube em reconstrução, que acabou com a ditadura euriquiana para colocar no lugar seu maior ídolo de todos os tempos. Qualquer vascaíno gostaria de fazer parte disso aí, e o grande mérito do programa tocado por Fábio Fernandes é não transformar este “o Vasco é meu” em apenas uma boa chamada publicitária, o que certamente teria menos força. Eles entregam o que prometem ao dar ao sócio-torcedor o direito a voto (e até a freqüentar a sede de São Januário) por uma mensalidade de R$30,00 (reparem: é um valor bem próximo ao do Cidadão Ouro do Flamengo).

E o benefício nos ingressos é igualmente claro: meia-entrada em todos os jogos em que o time tiver mando de campo, com direito a bilheteria e entrada exclusivos. Algo bem mais simples de viabilizar do que algo como o Passaporte Rubro-Negro que o Flamengo colocou ontem no mercado – mas um benefício palpável, inclusive financeiramente.

O programa foi lançado, basicamente, com isso aí - eram os argumentos de venda necessários pra parada ir pra frente. E só agora, com 35 mil vascaínos cadastrados, é que estão soltando o "clube de benefícios" – que é bem modesto. São descontos em produtos de uma rede inicialmente limitada de empresas conveniadas, que incluem restaurantes, agências de viagem, lojas de esportes e instituições de ensino. Não há marcas tão conhecidas como a da base montada no projeto rubro-negro, que tem C&A, Editora Abril, grupo Pão de Açúcar, LG e por aí vai.

Mas a questão é que a função deste clube de descontos no projeto vascaíno é clara: trata-se de fidelização. O torcedor não vai começar a pagar mensalidade por conta disso, e sim pelos argumentos de venda principais – mas, uma vez lá dentro, ele pode começar a usar estes benefícios. E aí, quando o time passar por uma fase piorzinha dentro de campo e a vontade de ir a São Januário diminuir, o programa de benefícios pode pesar pra ele não parar de pagar a mensalidade. Num exemplo fictício: se o cara costuma gastar 400 por mês no supermercado e se acostumou a ter 10% de desconto nisso sendo sócio, a mensalidade de 30 reais já está paga e ele vai pesar isso na hora de cancelar seu cartão.

O projeto do Vasco, é bom dizer, está apenas no começo. Foi lançado há poucos meses e há que se ver se vai mesmo conseguir ser bem sucedido ao longo do tempo. Mas, em princípio, o caminho escolhido não tem muito erro. Com 30 mil associados a, digamos, 25 reais por mês em média, descontando a taxa de administração que a empresa contratada para gerenciar o projeto deve tomar, a receita anual deve ficar por volta de R$6,5 milhões – mais, é claro, o que os sócios gastarem em ingressos e produtos em São Januário.

As questões quanto ao sucesso do Cidadão Rubro-Negro, então, são estas: há argumentos de venda fortes o bastante para atrair uma boa quantidade de torcedores para o projeto (seja para os planos pagos ou para o gratuito)? E, em tendo atraído estas pessoas, ele tem mecanismos que ajudem a conseguir mantê-las ativas – pagando ou participando com freqüência da nova rede social?

A resposta é: talvez. O projeto do Flamengo tem conceitos básicos interessantes, mas, a uma primeira vista, parece ter defeitos neste início de execução que podem atrapalhar. Mas os administradores avisam, no alto da tela do Cidadão Rubro-Negro, que ele é “beta” – ou seja, está em desenvolvimento. Então, se é por aí, dá pra tentar ajudar com algumas ideias.

9 comentários:

Marcos Monnerat disse...

Eu acho que o mínimo que deveriam fazer é dar meia-entrada para quem for cidadão rubro-negro. Isso é o básico.

O que viesse além disse seria lucro.

Não me adianta nada ter facilidade para comprar ingresso pelo dobro do preço "real".

oPerna disse...

eu cinceramente, quando ví o plano de projeto antes dele ser lançado (se não me engano ví até no urublog) achei muito mau pensado.

Não é possível que um time como o Fla tenha uma equipe de Marqueting tão fraca.

Mas pelo menos as coisas já estão avançando, porque até pouco tempo atraz eles nem pensavam em interagir de alguma forma com a torcida de menor poder aquisitivo.

Sendo assim apoio ess projeto, mas também acho que deveria ter reformas no planejamento, será que aceitam ideias???

hehe!!!

e tenho dito.

SRN

Henrin Bueno disse...

Olhe que coisa mais amadora e suspeita deste Departamente de Marketing. O site http://www.cidadaorubronegro.com.br NÂO ESTÀ REGISTRADO EM NOME DO FLAMENGO!

Segue os dados do registro.br

domínio: cidadaorubronegro.com.br
entidade: Golden Goal Sports Ventures Cons. Esportiva Ltda
documento: 006.227.829/0001-08
responsável: Mauro Silveira Correa
endereço: Rua Alfândega, 115, cj. 701
endereço: 22470-240 - Rio de Janeiro - RJ
país: BR
telefone: (21) 8164-9000 []
ID entidade: MSC376
ID admin: MSC376
ID técnico: EPS17
ID cobrança: MSC376
servidor DNS: ns1.alog.com.br
status DNS: 08/09/2009 AA
último AA: 08/09/2009
servidor DNS: ns2.alog.com.br
status DNS: 08/09/2009 AA
último AA: 08/09/2009
criado: 01/06/2005 #2181956
expiração: 01/06/2010
alterado: 06/08/2009
status: publicado

ID: EPS17
nome: Eduardo Peres da Rocha e Silva
e-mail: mens.registrobr@gmail.com
criado: 12/11/1998
alterado: 19/12/2007

ID: MSC376
nome: Mauro Silveira Correa
e-mail: mauro.correa@goldengoal.com.br
criado: 27/01/2005
alterado: 04/05/2007

Henrin Bueno disse...

O marketing do Flamengo é incapaz de fazer um plano simples de captação. Que no mínimo deveria oferecer descontos nos ingressos. Simples. Agora como fazer isto tb se as inteligências raras resolveram antecipar as receitas de ingressos? Como que qualquer Conselho deixou o Flamengo dar este tiro no pé de antecipação de receita que estraga qualquer gestão futura?

Sinceramente mesmo que a Equipe de Marketing do Flamengo fosse ao menos razoável ela tb estaria de mãos atadas pq a Gestão financeira e Administrativa caótica, irresponsável e suspeitíssima do Flamengo esculhamba qualquer plano.

Henrin Bueno disse...

Se o dono do site cidadaorubronegro.com.br é a tal "Golden Goal", isto pode dizer várias coisas:
- Eles podem remover o site do ar a qualquer momento.
- Foi feito um acordo para isso junto a Direção do Flamengo.
- O projeto é da Golden Goal que está licenciando a marca Flamengo para angariar recursos.
- O plano "Cidadão rubro negro" terá seus recursos faturados juntos a Golden Goal que REPASSARÁ algo ao Flamengo (e não o contrário).

Em suma, o Flamengo, mais uma vez, e certamente não será a última, está servindo de instrumento a faturamento de terceiros. É a galinha (super depenada) dos ovos de ouro.

lussiannosousa disse...

o site é BETA, não o projeto =[

eu não gostei muito do que vi... o itaucard dá muito mais beneficio e por um preço muito menor... e ainda paga meia entrada de acordo com os anuncios da tv... pra mim, o programa começou mal =[

MARKETING ESPORTIVO disse...

Claro. este projeto do time de São Cristóvão, made in Av. Brasil, tem em seu maior plano, um custo de 50,00, aí é claro que os seres do time do nome emprestado vão se filiar, mas gostaria de saber quais são os benefícios reais ao torcedor(leia-se consumidor)? direito a voto?

André Monnerat disse...

Na verdade, oPerna, o maior custo do projeto do Vasco é de R$45,00. Há um de R$20,00 e outro de R$30,00.

Os benefícios são meia-entrada nos jogos, compra e entrada facilitados no estádio e (tirando o plano mais barato) o direito a voto e a frequentar a sede do clube - além de área restrita no site e da tal rede de benefícios.

Nesse plano mais caro, o sócio vira proprietário de um título do clube.

André Monnerat disse...

Henrin, dá uma olhada nos arquivos aqui do blog - a Golden Goal está por trás do projeto desde o início, o diretor de marketing do Flamengo já falava nisso no ano passado.

Mas não dá pra entender eles serem os titulares do domínio. E não sabemos mesmo qual a percentagem que vai pra cada parceiro do projeto.

Concordo contigo: no fim, o problema está mais acima do que o marketing - que vacila, mas é só mais uma peça de uma máquina mal montada por culpa de quem tá lá em cima.