Estadual 2013 - Taça Guanabara - 7a. rodada - Flamengo 1 x 0 Botafogo

Uma boa vitória em clássico, que poderia até ter sido por diferença maior. Ninguém poderia estar esperando mais do Flamengo a esta altura da temporada.



Era um clássico, e contra um adversário que não só é tradicional, mas também tem suas qualidades. E o Flamengo saiu-se bem, vencendo e mostrando já algum padrão de jogo. Pode ser que daqui a pouco perca um mata-mata e o discurso de todo mundo mude. Mas, por enquanto, ainda mais considerando as possibilidades do elenco, não está dando pra reclamar muito não.

Os primeiros 20 ou 25 minutos de jogo foram muito bons de se assistir, pela vantagem que os dois ataques levavam sobre as duas defesas. Fora o gol de Hernane, numa bobeada da defesa botafoguense em um escanteio, o Flamengo ainda poderia ter marcado ao menos mais uma vez, em chance desperdiçada por Rafinha após grande passe de Íbson. Em seus melhores momentos, o time conseguia marcar bem no campo de ataque e trocar passes. Porém, quando o Botafogo conseguia chegar à frente, a coisa se complicava. O lado direito da defesa era uma avenida e estava complicado para Cáceres se virar tanto na cobertura a Léo Moura quanto na proteção à frente da área, jogando como o único volante do time. O empate poderia ter saído em pelo menos três oportunidades claríssimas desperdiçadas pelos alvinegros.

Depois desta metade inicial do primeiro tempo, o Flamengo recuou um tanto a marcação e o ritmo do jogo caiu. E, no segundo tempo, com o Botafogo tentanto atacar com mais gente ao mesmo tempo, o time de Dorival Júnior pode jogar como tem se saído melhor este ano: no contra-ataque. Marcou bem, não sofreu sustos atrás e, com um pouco mais de capricho, poderia ter aproveitado as chances que criou para fazer pelo menos um ou dois gols. A vitória foi mais que justa.


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Li alguns elogios à atuação de Wallace na zaga, mas não senti essa segurança toda nele não. De qualquer forma, nos momentos ruins lá atrás, ele foi o menor dos problemas. González segue lento e se enrolando para afastar a bola em lances fáceis. E, no esquema em que o time entrou em campo, a marcação do meio-campo depende de uma coordenação melhor de Íbson e Elias entre ataque e defesa, já que só Cáceres ficou mais fixo atrás. Só funcionou melhor quando o time como um todo recuou a linha de marcação.


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Escrevi outro dia que Rafinha é fraco fisicamente e, por isso, tende a se destacar mais quando joga com mais espaço e poderia sofrer quando a marcação for mais próxima. Coincidência ou não, foi o que aconteceu ontem; jogou mal no primeiro tempo, perdendo várias bolas, e se destacou no segundo, quando pôde aproveitar o campo aberto para os contra-ataques. Houve também a mudança de lado - ele jogou a maior parte do primeiro tempo pela esquerda, onde parece mais torto -, mas acho mesmo que o que mais o favoreceu foi a mudança da dinâmica do jogo.

Rafinha não me parece só um corredor. É rápido, tem habilidade, mas também levanta a cabeça e dá passes bem interessantes para os companheiros. Torço pra saberem trabalhar esta transição dele para os profissionais com um reforço físico que o faça aguentar mais o tranco, sem perder a agilidade.


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Vi pouco Rodolfo jogar ainda e ontem ele se emocionou e perdeu uma chance de gol muito clara. Mas em duas ou três jogadas, deu pra ver que habilidade com a bola nos pés ele tem, e não é pouca. Isso por si só não é suficiente para fazê-lo um grande jogador. Mas já é alguma coisa.


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Carlos Eduardo estreou e foi razoável. Não fez jogadas idiotas, não perdeu bolas de bobeira, deu sequência às jogadas. Não foi brilhante, mas não dava para esperar que fosse. E, claro, ainda não está preparado fisicamente. Faltou velocidade em ao menos um contra-ataque perigoso e, no fim do primeiro tempo, já parecia mesmo cansado. Mas tem que botar pra jogar mesmo.


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Impressionante: todo jogo a bola dá um jeito de encontrar o pé do Hernane sem ele ter nem o goleiro pela frente para empurrá-la pra dentro do gol. Tomara que dure.




17/2/2013 - 18h30 - Flamengo 1 x 0 Botafogo
Engenhão - Rio de Janeiro, RJ
Renda e público: R$ 855.270,00 / 22.227 pagantes

Árbitro: Rodrigo Nunes de Sá
Auxiliares: Rodrigo Pereira Joia (RJ) e Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa (RJ)
Cartões amarelos: Ibson, Cáceres e Elias (FLA); Lodeiro e Cidinho (BOT)

Gols: Hernane 3'/1ºT (1-0);

Flamengo: Felipe, Léo Moura, González, Wallace, João Paulo; Cáceres, Ibson (Cleber Santana 36'/2°T), Elias, Carlos Eduardo (Rodolfo/intervalo); Rafinha e Hernane (Igor Sartori 27'/2°T). TÉC: Dorival Júnior

Botafogo: Jefferson, Lucas, Bolívar, Antônio Carlos, Márcio Azevedo; Júlio César, Fellype Gabriel (Jadson 16'/2°T), Lodeiro, Seedorf; Vitinho (Cidinho 12'/2°T) e Bruno Mendes (Sassá/intervalo). TÉC: Oswaldo de Oliveira

2 comentários:

André disse...

Deste elenco realmente não podemos esperar mais que isso mesmo.

Temos um ataque que está aliando sorte com promessas

Hernane é tosco e muito provavelmente durante o ano vamos pedir para que saia do clube. Rafinha promete, mas precisa encorpar MUITO ainda. Muito mesmo.

Onde estamos melhor servidos é no meio campo. Com um bom encaixe das peças que temos, ibson, elias, carlos eduardo, aírton, cáceres, entre outros, podemos montar um bom meio campo.

A defesa é que parece ainda estar mal servida. González não me passa a menor confiança e tão pouco qualquer dos outros. Léo Moura confirma que o INSS está o chamando para a fila desde o ano passado e a lateral esquerda continua vaga.

Vamos pelo mesmo caminho do ano passado, porém parece que pelo menos na questão da administração estamos mudando a nossa história.

Luis disse...

André, os Estaduais atualmente são um tremendo "me engana que eu gosto". Não dá para projetar nada para o Mengão com base nos resultados e atuações no Carioca. Aliás, aqui em Sampa é a mesma coisa.

Seguimos com laterais inoperantes, ainda não definimos a zaga, Rafinha e Rodolfo ainda tem que comer muito arroz com feijão (literalmete), sigo achando o Ibson um cara metido a estrelinha mas que acende a apaga que nem vagalume, o Hernane está tendo apenas sorte (e sorte passa) etc etc etc.

O importante é pensarmos em 2014. E para isso temos que monitorar bem de perto o desempenho dos caras de base. Alguns deles estão "desaparecidos". Defendo empréstimos, mas tem que ser uma operação bem feita, o cara tem que ser colocado no time certo, tem que ser monitorado quanto à cabeça etc. E os caras que ficaram estão sendo mal aproveitados. Sigo achando o Dorival um técnico sem visão.