Jogo: Internacional 4 x 1 Flamengo - Brasileiro 2012 - 21a rodada

Contra um adversário que tinha um trio ofensivo realmente de respeito - D'Alessandro, Forlán e Damião -, o Flamengo escapou de um vexame ainda pior.



O Flamengo foi a Porto Alegre uma vez no primeiro turno. Perdeu para o Grêmio por 2x0, mas escapou de sofrer uma goleada feia. Desta vez, na segunda visita ao Rio Grande do Sul no campeonato, a goleada veio - e, ainda assim, o jogo terminou novamente com a sensação de que o resultado poderia ser pior. Já virou uma tradição rubro-negra se dar mal no Sul em Brasileiros, mas isso não pode apagar a atuação horrorosa que o time teve.

Desde a escolha de Dorival Júnior por este esquema que eu escrevo por aqui que ele não parece a melhor opção para o elenco que o Flamengo tem hoje. Também já escrevi algumas vezes sobre os problemas que o time vem repetindo, quando tem a bola, a cada jogo. O negócio é que ontem, além de todos aqueles defeitos, um adversário com jogadores mais qualificados (o Flamengo não tem nada parecido com o trio D'Alessandro, Forlán e Damião) fez com que até mesmo a marcação, que em rodadas anteriores funcionava, parecesse péssima. As falhas apareciam tanto no meio-campo, por onde os colorados trocavam passes sem problemas, quanto dentro da área, em que os defensores não conseguiam cortar um cruzamento sequer.

No primeiro tempo inteiro, uma única boa jogada - e não foi a do gol de Vágner Love, que surgiu graças a  um presentaço do goleiro Muriel. Para o segundo, com o time já perdendo, Dorival mudou o esquema e usou dois meias para tentar melhorar a posse de bola e o poder de criação; o time até começou a conseguir trocar mais passes, ainda que sem criar muito, mas a coisa desandou totalmente a partir do terceiro gol do Inter, que começou num passe inaceitavelmente displicente de Íbson em falta no meio do campo. A partir daí, o time se perdeu de vez e passou a mal tocar na bola. Dá até medo de olhar as estatísticas da partida, com números de conclusões e posse de bola, para ter uma noção do tamanho do desastre que poderia ter acontecido no Beira-Rio.

Foi triste.

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Love ao menos fez seu gol e brigou muito sozinho na frente. Tirando ele e o goleiro Felipe, é difícil dizer alguém que tenha feito minimamente o seu papel. Mas eu destacaria dois que foram especialmente mal, e não apenas pelos lances dos gols que entregaram: Ramon e Íbson.

A verdade é que a entrada de Íbson no lugar de Renato atrapalhou bastante o time. Renato não seria meu titular e está longe de ser o meia que o Flamengo precisa, mas é um jogador de passe; erra poucos, ainda que normalmente sem nenhuma objetividade. Mesmo lento e insistindo muito nos toques para o lado e para trás, ao menos ajuda o time a ficar mais com a bola. Íbson é de correr sempre com ela e está errando toda vez que tenta soltá-la, colaborando para que o time entregue a bola ao adversário com frequência e criando muitas chances de contra-ataques perigosos para o adversário.

E a verdade é que, do meio pra frente, descontando o volante fixo Cáceres, todos os outros jogadores do time são de tantar o tempo todo conduzir a bola. Léo Moura, Ramon, Luiz Antônio, Thomás, Negueba, Love - absolutamente todos, e reparem que nem estou falando aqui na qualidade de cada um, e sim de seus estilos de jogo. Junto com eles, dois zagueiros que costumam sair na base do chutão. Não é surpresa que um time escalado assim não consiga trocar passes por muito tempo.



2/9/2012 - 16h - Internacional 4 x 1 Flamengo
Beira-Rio - Porto Alegre, RS
Público/renda: 12.115 presentes, 10.412 pagantes; renda de R$194.555,00

Árbitro: Wilson Luiz Seneme (Fifa/SP)
Auxiliares: Roberto Braatz (Fifa/PR) e Marcio Eustaquio S. Santiago (Fifa/MG)
Cartões Amarelos: Fred, Josimar, Leandro Damião, Guiñazu (INT); Cáceres e González (FLA)

Gols: Vagner Love, aos 14'/1ºT (0-1); Forlán aos 28'/1ºT (1-1); Josimar, aos 39'/1ºT (2-1); Forlán, aos 19'/2ºT (3-1); Leandro Damião, aos 29'/2ºT (4-1)

Internacional: Muriel, Nei, Rodrigo Moledo, Índio e Fabrício; Josimar, Guiñazú, Fred e D'Alessandro (Lucas Lima, aos 30'/2ºT); Forlán (Dagoberto, aos 28'/2ºT) e Leandro Damião (Rafael Moura, aos 35'/2ºT). Técnico: Fernandão

Flamengo: Felipe, Léo Moura, Welinton, González, Ramon; Cáceres, Luiz Antonio (Bottinelli, no intervalo), Ibson; Thomás (Liedson, aos 25'/2ºT), Negueba (Mattheus, no intervalo) e Vagner Love. Técnico: Dorival Júnior

6 comentários:

Luis disse...

Agora é manter o foco na Sulamericana e pensar na reformulação para 2013.

Cabron disse...

André,

Você não acha que um time com: Felipe, Léo Moura, Welinton, Gonzales e Ramon; Muralha, Caceres, Luis Antonio e Adryan; Love e Liedson seja a melhor opção no momento?

A marcação no meio iria melhorar e teríamos um meia na ligação para o ataque. O Love está sempre só e não adianta insistir em Ibson/Renato atuando como meias.

Melhor perder tempo tentando com um meia de verdade do que essas improvisações. Não adianta insistir com Negueba e Tomas que não dão sequência a UMA jogada sequer..

Abs.

André Monnerat disse...

Cabron, eu gosto mais da sua escalação do que da atual do Dorival, mas tenho minhas dúvidas se o Adryan é hoje o tal "meia de verdade". Na base, ele jogou bastante na posição em que tem jogado nos profissionais, no ataque e aberto pela ponta. E, pelo que vi jogar até hoje, também é muito de correr com a bola de cabeça baixa.

Eu escolheria um entre Bottinelli, Camacho e Mattheus - com prioridade para os outros dois - e insistiria com ele. Acho que são os meias armadores que temos. Nenhum deles é confiável, mas sinto falta de um em campo.

Patryck - Admin. disse...

Participe da segunda temporada do Super Quiz, sobre as Olimpíadas de Londres:
http://fcgols.blogspot.com.br/2012/09/super-quiz-londres-2012-desafio-1-bonus.html

Paulo Sales disse...

André e Cabron
Concordo com vocês quanto ao esquema. Acho que talvez Botinelli, por ser um jogador mais cascudo, pudesse começar os jogos no meio. E, não rendendo, ir sendo substituído por Matheus, que parece ainda muito verde para uma posição tão complicada. O trio ofensivo de Dorival não é uma solução e Liedson é um jogador com mais força e capacidade de decisão. Não dá para deixá-lo no banco neste momento. Mas o fato é que estamos vendo o resultado de uma série de erros dessa diretoria horrorosa que, espero, caia fora o mais rápido possível.

André disse...

Também concordo que devemos tentar o 4-4-2 com a entrada do Liédson.

E...PORQUE DIABOS O NEGUEBA AINDA É TITULAR?????

Alguém se lembra de 1, só 1, jogada produtiva dele????

O Thomas tem aproveitamento parecido! E não me venham lembrar que ele deu uma assistência no jogo contra o Sport. 1 jogada certa em 30 jogos.

Pelo amor de Deus!!! Não aguento mais ver a dupla de INÚTEIS THOMAS-NEGUEBA!