Dorival Júnior, uma escolha óbvia

Não é um treinador dos sonhos e não vai fazer milagre. Mas, entre as opções domésticas, seria difícil chegar a um nome melhor.



Como era de se esperar, confirma-se agora a escolha de Dorival Júnior como novo técnico do Flamengo. O próprio momento da demissão de Joel indicava que isso aconteceria. Pra mim, pareceu claro que a decisão havia sido tomada para aproveitar a oportunidade que se abriu com a saída de Dorival do Inter.

Já escrevi aqui que, se dependesse de mim, o Flamengo apostaria em trazer um técnico estrangeiro - um Jorge Sampaoli da vida ou, sonhando mais alto, um Marcelo Bielsa. A diferença tática entre o futebol jogado aqui com o de vários times bem organizados de fora, tanto na Europa quanto na América do Sul, tem sido cada vez mais gritante ultimamente.

Mas percebo que haveria um risco grande embutido em uma escolha como esta. Estamos no meio do campeonato e alguém sem nenhuma experiência anterior por aqui teria que começar realmente do zero, conhecendo o próprio elenco, os adversários, as condições de trabalho (o que não inclui apenas o ambiente interno do clube) e tudo o mais. E, mesmo eu não sendo dos que se preocupam muito com a possibilidade de rebaixamento, fato é que hoje o Flamengo está exatamente no meio da tabela: décimo lugar, a seis pontos da zona de Libertadores, a seis pontos do primeiro rebaixado. Escorregar daí pra baixo, especialmente neste momento em que os jogos acontecem duas vezes por semana e uma má fase acaba tendo um custo maior, pode ser um movimento perigoso.

Assim, se for para ficar entre o que há no mercado brasileiro, Dorival Júnior é uma escolha óbvia. Não é nenhum gênio e tem um histórico de problemas de relacionamento com jogadores que pode ser bem complicado no Flamengo que conhecemos. Mas é difícil encontrar outro treinador com o histórico recente que ele tem e que, ainda por cima, esteja desempregado e livre para assumir imediatamente o novo emprego.

Nos últimos 5 anos, Dorival foi vice-campeão paulista com o São Caetano em 2007; levou o Cruzeiro a uma vaga na Libertadores no Brasileiro do mesmo ano; em 2008, foi campeão paranaense e fez campanha tranquila com o Coritiba, terminando em nono lugar; em 2009, levou o Vasco à semifinal da Copa do Brasil e ao título tranquilo da Série B do Brasileiro; em 2010, conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil com o Santos e livrou o Atlético Mineiro de uma grave ameaça de rebaixamento; em 2011, conseguiu com o Inter a vaga na Libertadores pelo Campeonato Brasileiro. Teve momentos ruins mas, em termos de resultados, vem basicamente chegando às metas que seus clubes tinham a cada temporada.

Para quem torce por um Flamengo um pouco mais ofensivo, o Santos de 2010 pode ser um alento. Dorival colocou Arouca como primeiro volante, algo que mudou bastante a percepção que todos tinham de seu futebol (hoje Muricy já anda colocando o cara de armador...) em um 4-3-3 que tinha Elano e Ganso completando o meio-campo e Neymar, Robinho e André no ataque. Ele próprio depois acabou recuando  de sua ousadia nos momentos mais decisivos, tirando um atacante para reforçar um pouco o meio, mas mostrou que é capaz de arriscar. No Inter, no entanto, andou adotando escalações bem mais cautelosas do que eu esperaria e, apesar da vaga na Libertadores ano passado e de ter precisado lidar com muitos desfalques importantes ao longo de todo este ano, fez um trabalho que não animou.

Enfim: não é um treinador dos sonhos mas, com o que há por aí, não dá pra reclamar muito. Agora, é entender que o elenco é este aí mesmo até o final do ano e que o mais importante é terminar a temporada de forma tranquila e plantar bases para colher algo melhor em 2013. Qualquer coisa além disso seria um enorme e inesperado lucro.

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Nesta chegada, bem que ele pode trocar uma ideia com o interino de tão rápida passagem Jaime de Almeida. Pelo curtíssimo tempo de trabalho, ele mostrou que pode ter alguma contribuição a dar na forma como vê este elenco.


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Não custa ressaltar: o Flamengo tem problemas que vão muito, muito além do treinador. Joel não vinha bem, mas sua simples saída não é grande solução para sair da água para o vinho. Dorival chega para trabalhar com um elenco limitado, mal servido de laterais, zagueiros, meias e atacantes, em um ambiente bastante complicado que faz vítimas em série, nos mais diferentes cargos e níveis. Não esperem milagres.

7 comentários:

@papoulab disse...

Acho que era o Marquinho no lugar do Elano, ou seja, até mais ofensivo.

Só achei preocupante o contrato até 2013. Se não da certo é mais uma multa rescisória milionária a ser paga.

Pelo menos é um cara com um bom perfil, dá pra ter esperança. É diferente de quando chega um Silas ou Joel da vida.

Dorival vai ter seu primeiro teste essa semana. Se embarreirar a ida do Negueba (pior jogador desde Vinicius Pacheco) pro Sporting, já começa mal, muuuuito mal.

Pablo Alcântara disse...

Só não pode conversar com Jaime e acreditar que o Welinton é tão bom assim como o interino acerdita. Se deixar esse zagueiro em campo, Dorival já começa mal.

Luis disse...

Dorival pelo menos é treinador de fato. Luxa e Joel jão não eram treinadores há muito tempo. O Fla não tem padrão de jogo há um bom tempo - é um amontoado de jogadores em campo.

Régis Marra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Régis Marra disse...

Marcelo Bielsa para mim seria um sonho possível para o Flamengo. Mas com certeza agora não seria o momento. Quem sabe em um momento mais tranquilo da política do clube e com um elenco melhor. Gostaria muito de ver isso acontecer.

Pedro Concy disse...

Elano ainda não havia voltado. Era o Wesley no meio, que o Palmeiras contratou há pouco naquele esquema de crowdfunding (que não deu certo).
Em tempo. No que se refere ao elenco, se pararmos pra ver, o de 2009 não era muito superior ao que tá aí hoje. Se o time encaixa, acho que pode brigar por uma vaga na TLA.
SRN

André Monnerat disse...

Realmente errei citando o Elano, mas não muda no raciocínio... O esquema era aquele mesmo.

Nosso elenco em 2009 era bem melhor. A zaga era muito melhor, o Maldonado era um grande volante, o Pet era o armador que não temos, enfim.

A verdade é que o elenco hoje é fraco (de novo: mal servido de zagueiros, laterais, meias e atacantes!) e só pode deixar este status se os garotos que estão subindo agora corresponderem e muito. Sou a favor de apostar neles, é a melhor alternativa que temos, mas não dá pra esperar resultado imediato em alto nível, com regularidade, fazendo isso.