Na torcida por Jorge Sampaoli no Cruzeiro

O futebol brasileiro está precisando de novidades entre seus técnicos.


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Leio hoje que, após a demissão de Wagner Mancini, a tendência é que o Cruzeiro contrate Jorge Sampaoli. Trata-se do técnico da Universidad de Chile, que ano passado teve um ano perfeito (campeão do Apertura e do Clausura chilenos e da Copa Sul-Americana) e surpreendeu o público brasileiro com grandes atuações diante de Flamengo e Vasco. Hoje, com uma equipe bem modificada em relação ao ano passado, depende de uma vitória por no mínimo 3 gols de diferença em casa, contra o Deportivo Quito, para seguir adiante na Libertadores.

Imagino que as chances do Cruzeiro ter Sampaoli agora dependam bastante deste resultado. De qualquer forma, torço bastante para que ele - curiosamente empresariado pelo ex-zagueiro rubro-negro Gélson Baresi - venha trabalhar no Brasil. Estamos precisando de novidades.

Muitos por aqui comentam sobre as incríveis estatísticas de posse de bola do Barcelona. Falam da qualidade e paciência de suas trocas de passes, mas deixam em segundo plano outro ponto importante: a rapidez com que recuperam a bola no campo de ataque. Pois La U de 2011, guardadas as devidas proporções, jogava com conceitos parecidos, adiantando sua marcação e apostando na movimentação constante dos jogadores para se desmarcarem e facilitarem a posse de bola.

No Brasil, vemos pouquíssimo isso acontecendo. Os zagueiros colocam-se sempre recuados, os volantes jogam perto dos defensores e a marcação dificilmente começa muito além da linha do meio-campo. E, por ser difícil ver alguém jogando diferente disso por aqui, a não ser em períodos curtos dos jogos, os times brasileiros costumam se enrolar quando enfrentam equipes que fazem bem a marcação lá na frente. Foi o que aconteceu ontem, no segundo tempo de Lanús x Vasco.

No primeiro tempo, a equipe argentina teve uma postura não tão ousada assim e o Vasco, tecnicamente melhor, pôde impôr seu jogo. Mas na segunda etapa, atrás no placar, o Lanus mudou seu esquema: passou a jogar com três atacantes e a marcar já no campo do Vasco - e o Vasco simplesmente não soube o que fazer para sair daquilo. Venceu nos pênaltis, mas passou um enorme perrengue.

Já tinha acontecido com o mesmo Vasco logo na primeira fase, quando o Nacional do Uruguai jogou assim no primeiro tempo em São Januário e massacrou de forma até constrangedora. Também na primeira fase, no Engenhão, o Fluminense não conseguiu escapar de estratégia parecida aplicada pelo Boca. E, claro, podemos citar o susto que La U deu em todo mundo na Copa Sul-Americana do ano passado, inclusive com aquela goleada em cima do Flamengo no Rio de Janeiro.

Ou seja: no resto da América do Sul, onde os clubes têm menos dinheiro e os elencos quase sempre têm menos qualidade, este jeito de jogar já não é novidade e é adotado em diversas circunstâncias por muita gente. Enquanto isso, o futebol no Brasil segue taticamente quase congelado; até tem vários treinadores escalando seus times no 4-2-3-1 que entrou na moda lá fora desde a Copa de 2010, mas a postura em campo segue a mesma.

Não quer dizer que esta combinação de marcação adiantada e valorização da posse de bola seja a única maneira válida de jogar, nem mesmo a melhor. Tudo depende das circunstâncias e dos jogadores que você tem. Mas seria bom ver alguém no Brasil tentando algo diferente ou, ao menos, aprendendo a enfrentar um adversário que o faça.

Como falei, torço para que Jorge Sampaoli vá mesmo para o Cruzeiro. Não sei se daria certo, mas fico realmente curioso para ver o que ele conseguiria por aqui.


3 comentários:

Gabriel Folha disse...

A posse de bola é o menos interessante no Barcelona. O Parreira se caracterizou por montar equipes insuportáveis e burocráticas que tinham como principal característica a posse de bola.

O interessante é a posição dos zagueiros, bem adiantados, ela que permite que o time se poste praticamente todo no campo adversário, possibilitando a marcação pressão de verdade (não a tolice que vemos por aqui quando os dois ou tres da frente fazem isso sozinhos) e a possibilidade de trocar passes com maior movimentação sem pesar na parte física.

Como TODOS os treinadores brasileiros são medrosos e incompetentes, os zagueiros jogam quase como beques de botão e os volantes quase como zagueiros.

Bobeira falar só da posse de bola, como vc bem colocou.

É o fim do mundo insistir em Celso Roth, PC Gusmão, Caio Jr, Joel Santana...

Saulo disse...

Pois eu estou torcendo justamente pelo contrário, pra que ele não venha. O tipo de trabalho que o Sampaoli desenvolve necessita de treino e entrosamento, coisa que ele não vai conseguir pegando um time no meio do ano a oito dias do brasileiro. Além disso hoje o Cruzeiro é um time em frangalhos, cheio de brigas de ego, ex-jogadores em atividade e falta de comprometimento (lembra algum outro time?). O Cruzeiro foi vergonhosamente dominado pelo Atlético de Guerrón e cia que acabou de cair pra segundona. Grande chance de ser um dos candidatos ao rebaixamento de novo. As chances dele ser fritado e peder espaço no mercado brasileiro seria muito grande.

E pra fechar o caixão a La U humilhou o D. Quito, fechando ainda mais a possibilidade. Adilson, Roth e Renato Gaucho, façam suas apostas.

Tiago Cordeiro disse...

O Cruzeiro deve fechar com o Adílson, o que acho melhor pro clube mas é pior pro futebol brasileiro mesmo.