O Flamengo que não consegue patrocínio no futebol e ainda perde no basquete

O que dá pra fazer pra transformar o clube de maior torcida do Brasil em algo mais atrativo para as empresas?


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Já dá pra dizer que o Flamengo vai fechar o mês de julho sem um patrocinador master em sua camisa. E vejam: não só o futebol não consegue encontrar seu patrocínio como o basquete acaba de perder o seu. A Sky decidiu tirar sua marca da camisa do time de basquete rubro-negro - e não porque ache que investir neste esporte não é bom negócio, mas porque preferiu trocar o Flamengo pelo Pinheiros. É grave a situação.

A questão é que, hoje, o clube vende apenas exposição de marca, pura e simples, e não um relacionamento com seus torcedores. E uma exposição pobre, ainda por cima, com outras marcas disputando o mesmo espaço nos uniformes. É algo que deixa o Flamengo em posição ainda mais frágil na disputa com os clubes de São Paulo - afinal, se a ideia é simplesmente colocar a logomarca pras pessoas verem no jornal e na TV, o valor disso no mercado paulista normalmente vai ser mesmo maior. E é assim que o Pinheiros acaba parecendo negócio melhor que o Flamengo.

Apenas como ilustração, e pra não ficar apenas na comparação com outros clubes (já que os donos das verbas não olham apenas para isso): com os R$30 milhões que dizem que o Flamengo pedia pelo patrocínio principal do futebol, seria possível comprar 275 inserções de 30 segundos nos intervalos do Esporte Espetacular da Rede Globo. Dividindo pelas 52 semanas do ano, daria 5 inserções por programa, uma boa presença em um programa que atinge mais de 2 milhões de pessoas a cada domingo apenas na Grande São Paulo e que também traz para a empresa uma associação com o esporte. Dá pra um possível anunciante ficar em dúvida entre os dois investimentos, não? Imagine no caso do basquete e outros esportes olímpicos, que têm uma exposição muito menor que o futebol.

Pra escapar deste tipo de comparação, o Flamengo (e os outros clubes brasileiros todos por aí, na verdade) precisa ir além na hora de mostrar ao mercado que há mais possibilidades para explorar o status de empresa parceira do clube de maior torcida do país do que simplesmente estampar a marca nos uniformes. Imagine se o Flamengo tivesse um canal direto e eficiente com uma parcela relevante de seus torcedores em todo o país que pudesse servir de impulso a iniciativas como esta da Unimed, que está criando uma modalidade de seguro-saúde específica para os torcedores do Palmeiras. Quanto isso valeria?

E vejam que era exatamente esta a ideia por trás do Cidadão Rubro-Negro, que infelizmente nunca deslanchou.


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Aproveito pra colar aqui o comentário deixado pelo leitor Valente Filho no meu último texto aqui no blog. Ele fala mais sobre a relação com os patrocinadores dos esportes olímpicos, mas dá pra levar o raciocínio também para o futebol.

O que o Flamengo (de hoje) traz para a Sky? Nada!


O que a Sky buscou com essa mudança? Profissionalismo!


Não existe no esporte brasileiro clube que seja mais profissional do que o Pinheiros (talvez o Minas). Falo de profissionalismo com resultados em diversos esportes, não apenas no basquete. Ou vocês acham que no longo prazo essa parceria não será estendida a outros esportes? Engana-se quem pensa que é mais barato patrocinar o Pinheiros, a verba é a mesma, o ganho é superior.


O Pinheiros vai ser o único clube da capital paulistana na próxima edição da NBB, porque o Paulistano está fora. A capital financeira do país não poderia ficar sem um clube no NBB. Levando em consideração que será o clube da cidade, sem torcida contra, é sim uma forma de aumentar sua base no mercado mais importante do país. Golaço!


Tendo o Barcelona como exemplo, que deve ser seguido e adequado a realidade local: o clube catalão tem 6 patrocinadores masters. E eu disse 6: sua fornecedora de uniformes, uma cervejaria, uma empresa aérea, um banco, uma empresa automobilística e uma fundação, além de outros parceiros importantes como a Tv3, que paga pelos direitos televisivos e dá suporte à TV do clube. Quantos deles estão na camisa do clube? Nenhum! Somente a partir da próxima temporada que o clube vai ter patrocínio na camisa, pela primeira vez na história. Fora isso tem a parceria da Unicef onde o clube paga, eu disse paga, para colocar seu nome estampado no “manto”. O ganho com a ação e outras com a Unicef é muito maior do que se recebesse por isso.


Por que isso? Porque há uma gestão profissional que anda junto com seu marketing, “vendendo” o clube e conquistando títulos. Quem quiser saber o que é gestão e títulos em um clube poliesportivo veja isso: http://globoesporte.globo.com/outros-esportes/noticia/2011/06/basquete-handebol-futsal-barca-coleciona-titulos-em-varios-esportes.html


O Flamengo hoje não tem um marketing eficiente que promova seus parceiros com ações extra quadra ou campo; não respeita seus patrocinadores quando não os expõe e não propõe que seus atletas participem de campanhas na mídia. Alguém viu este ano algum atleta do Flamengo fazendo alguma ação ou comercial com algum parceiro neste ano? A Cielo é patrocinadora pessoal do Cielo, Cezar, não do Flamengo - portanto não vale citações.


O proveito seria mútuo. Mas hoje o Clube de Regatas do Flamengo só quer sugar esses patrocinadores e é por isso que está sem o patrocínio máster no futebol! Não sejamos ingênuos!


Fora isso, cadê os patrocínios dos esportes olímpicos? Remo, basquete, ginástica, judô e natação são esportes tradicionais e tradicionalmente campeões no clube, e nem por isso alavancam patrocinadores e gestões especificas e independentes do futebol. O futebol carrega tudo!


Vou falar aqui o que falo com os meus amigos em conversas informais que não ajudam o clube, mas este blog pode ajudar: o Flamengo é um clube de vocação poliesportiva e que não sabe lidar com isso. Futebol e esportes olímpicos podem andar juntos. Este aspecto é raríssimo no planeta, tanto que vou citar os únicos clubes que tem a mesma vocação do Flamengo, sendo três sul-americanos e três europeus - os sul-americanos não lidam bem com o fato e empurram com a barriga os outros esportes, enquanto os europeus os tornam rentáveis. São eles: Barcelona, Real Madrid, Fenerbahçe, Boca Juniors, Vasco da Gama (sim, não vivemos sem nossos rivais e é bom que sejam gigantes, porque é ótimo comercialmente) e CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO.


Acorde Flamengo!

8 comentários:

sambarubronegro disse...

COMPLICADO

Valente Filho disse...

Fala André obrigado pela moral!
Desculpe-me pelos erros no texto e o certo tom de inconformismo e alerta de um escrito das quatro da manhã de um dia ruim. Leio 15 páginas “sobre Flamengo” (hehe, não deixei passar) por três vezes ao dia de domingo a domingo, quase como um vicio. Se não o faço fico inquieto e sinto-me até mal. Eu respiro Flamengo. Eu e muitos brasileiros, ou não, mas certamente rubro-negros.
Minha maior inquietude é sobre o clube que amamos tanto poderia ser e não é. Um potencial gigantesco, história, tradição e ferramentas atuais à mão, mas que não são utilizadas. Uma pena outros clubes do Brasil serem assim também, pois temos potencial.
Desejo um Flamengo gigante como ele poderia ser e com um futebol vistoso e ofensivo como é parte de nossa característica, nossa escola. Raça e organização para atacar. Não vejo isso no clube como um todo apenas nas fotos antigas com equipes e ídolos que criaram nossa mistica.
O Flamengo dos meus sonhos não é um clube perfeitinho, porque se é perfeito não é Flamengo, mas organizado e democrático. Que fosse realmente de vanguarda, a ponta da lança de um processo nacional. Isso se faria com coisas simples no raciocínio difíceis na execução:
1- Modernização do estatuto com os poderes apenas fiscalizando e punindo o que houver de errado, não atravancando o clube como é hoje;
2- Ampliação do colégio eleitoral por meio de cidadão rubro-negro (com um programa decente, claro e convidativo ao torcedor/consumidor/sócio) esse tipo de sócio não se faria presente no “clube social” (Gávea). Obs.: Não sou sócio, não frequento a Gávea e sei perfeitamente que os que pagam uma cara mensalidade devem ser respeitados e não “botar todo mundo para dentro”, senão vira bagunça. Temos outros meios como museu, loja e visitas guiadas.
3- Separação para administração em módulos: Fla Gávea já citada, Futebol e futsal, Fla olímpico e Agência Fla (Marketing e patrimônio) com presidentes profissionais administrando e orçamentos fixos.
3.1 - Do modo que penso a gávea teria seu presidente eleito pelos sócios do clube social, frequentadores da Gávea que seria remodelada e valorizada aos moldes dos clubes sociais da região. Ex.: Monte Líbano e Caiçaras. O presidente geral seria eleito pelos sócios do cidadão rubro-negro. Mesmo assim ainda não sei se seria o “modelo perfeito” por isso gostaria de propostas.
Estes aspectos dariam flexibilização e mobilidade a um clube engessado, mas não são os únicos e definitivos. Sinto que a janela para a discussão do Flamengo que desejamos foi aberta. Proponho que seja feita uma discussão em sites que falam de flamengo e de grande penetração nas redes sociais que haja essa discussão agora, porque ainda não é ano eleitoral e a discussão, não seria portanto oportunista. Sei que você tem meios de mobilizar alguns irmãos blogueiros, não sei se tens tempo, e é só uma sugestão minha.

Para finalizar Sinto-me honrado em contribuir com um canal que prezo tanto e visito assiduamente. Mais uma vez obrigado pela moral!

Renan Barros disse...

André,

Belo post. O CRN seria uma bela ferramenta para relacionamento e, na sequência, ampliar as receitas com os patrocínios. A camisa não deveria ser o único espaço para oferecer aos patrocinadores masters.

Nos ultimos anos estava havendo alguma evolução. Acho que esta gestão 'andou para trás'.

Acho que esse ano não pinta mais patrocínio master.

Mas o que acha da UNICEF? Um 'passarinho' me falou que pode pintar. Acho que seria uma jogada de mestre para a Patricia(vereadora). Para o Clube tenho minhas dúvidas.

Abs, Gil
http://flamascote.blogspot.com/

André Monnerat disse...

Unicef?!?
Não sei nem como dar opinião sobre isso...

Victor Dill disse...

Para vocês verem como o marketing do flamengo não consegue vender nem água gelada no saara:

http://www.youtube.com/watch?v=nBm8yAa0xJo

Na boa: se você chegou hoje no Brasil e quer escolher um clube para torcer e tem uma simpatia pelo flamengo, como descobrir do que se trata a campanha? A gente só sabe que é um tijolinho por quê a coisa bombou NA IMPRENSA. Aliás, como que a palavra "tijolo" que tem um apelo de "construção" não aparece nenhuma vez no vídeo? Custava combinar com um patrocinador que por determinada quantia, sua logomarca estaria exibida como parceira em um comercial desses?

Nem comento a simplicidade caseira do negócio. Não é possível que não haja UMA imagem de alguém importante efetivamente recebendo um tijolinho...

Não sou marketeiro, sou biólogo. Mas mesmo eu sei que a propaganda É a alma da parada.

VMoizinho disse...

Concordo em gênero, número e grau.
Com o André, o Valente, o Victor...

Cara, a bem da verdade, é virtualmente impossível pensar o contrário.

Marketing no Flamengo? Parou nos pés do brilhante time dos anos 80 e, por tabela, no mestre Zico.

A projeção que o clube conseguiu nos seus tantos anos de existência se deve ao BRILHANTISMO DOS ATLETAS, nunca dos dirigentes.

É de se pensar. Sabemos a tempos que a coisa está errada, nunca esteve nem mesmo próximo ao satisfatório.

Fica a pergunta: culpa de quem?

SRN!

@VMoizinho

Eduardo H. Costa disse...

Rapaziada, esse retrocesso ao MEU ver é por um motivo simples. Os incopetentes sangue-sugas não querem largarem o osso pelo bem maior, o Clube de Regatas do Flamengo. Ao invés disso, arquitetam suas jogadinhas políticas de acordo com seus interesses.

Mesmo depois da imperdoável queimada de Zico feito pela presidenta, faz tempo que não vejo o nosso amado clube trabalhar com o mínimo de seriedade. Aliás, desde que conheço Flamengo, nunca vi a casa devidamente organizada. Isso porque a presidenta faz uma ou duas coisas diferentes do antigos mafiosos, digo, presidentes do clube.

O Flamengo é grande e precisa de pessoas grandes.

ronaldo lopes disse...
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