Quem antes acusava Zico agora diz que não encontrou nada contra ele. E aí, como é que fica?

Fica por isso mesmo, é claro. E o Flamengo fica na mesma.

* * * * * * * * * * *


Durante a curta passagem de Zico como diretor executivo de futebol do Flamengo, aqueles que reverberavam internamente as acusações contra ele gostavam de dizer que a torcida podia não entender, "mas mais na frente vão saber toda a verdade". Pois bem: eis que o tal inquérito que abriram está se encerrando e estão chegando à conclusão de que não há nada contra Zico. Ao mesmo tempo, André Dumbrosck - filho de Delair, que usou o blog de Milton Neves (pai de seu sócio em uma agência de publicidade) para divulgar as acusações - simplesmente não apareceu para sustentar o que devia quando foi convocado, e agora sofrerá um processo interno.

Está mais do que claro: o que houve foi um processo político, de fritura ostensiva, que acabou dando resultado. Por que queriam tanto Zico fora do clube, ninguém fala em voz alta - mas conseguiram o que queriam. Foram ajudados, claro, pelos péssimos resultados em campo naquela época; se o time estivesse ganhando, naturalmente o respaldo a Zico seria bem maior. Como não aconteceu, Patrícia Amorim dobrou-se; por mais que diga hoje o contrário, foi ficando claro depois o quanto Capitão Léo tornou-se próximo de sua administração.

O pior é que nada do que aconteceu foi novidade na história recente do Flamengo. Em 2004, o processo de fritura de Júnior - também contratado como executivo do futebol, na gestão Márcio Braga - foi bem parecido. É óbvio que os dois craques em campo tiveram suas falhas como dirigentes, mas pra mim também é óbvio que a enorme resistência que sofreram aconteceu muito mais por questões que nada tinham a ver com os resultados do time. E os presidentes que os colocaram lá fizeram-lhes promessas que, depois, não conseguiram cumprir.

O processo de real mudança do modelo de gestão do Flamengo vai continuar sendo muito mais difícil enquanto o clube estiver tão preso a interesses políticos menores. E eles vão continuar tendo muito peso enquanto o clube estiver nas mãos de tão pouca gente. São poucos sócios e, dentre estes, uma quantidade pequena acaba tendo influência demais. Qualquer presidente sabe que, para se eleger ou reeleger, é preciso estar de bem com grupos que possam lhe garantir votos e sustentação.

O Flamengo precisa tomar coragem e se abrir.

4 comentários:

Ricardo Nagato disse...

E agora tem esses rumores da mudança estatutária que querem propor (parece que já estão formatando) para que a eleição do presidente do clube seja de forma indireta, reduzindo ainda mais o grupo que decide. Alguns jornais já publicaram algo a respeito. Acho que o Lancenet tem algo hoje.

SRN

Juan disse...

Post irretocável.

Bosco Ferreira disse...

O que fizeram ao Zico me atingiu. Eu sou da geração que viu o Zico dentro e fora de campo.

Mas o que me deixa perplexo é que torcedores ainda hoje repercutem as mentiras contra o Zico.

Bosco Ferreira disse...

Ricardo Nagato;

Se o caso é o estatuto do Fla, pior sepre poderá ficar;

Se isso é verdade, a cordial torcida do Fla ficará assistindo de boca aberta sem nada a dizer.

Os formadores de opinião, espero deles uma reação rápida e eficiente esse golpe de misericórdia no clube.
Os "lideres de torcida", não me sinto liderado por nenhum desses analfas, aspones, ávidos por jabás, que como sempre ficarão encarregados de silenciarem, ou, se nescessário for, ameaçarem quem se colocar contra esse exdrúxulo golpe.

Como se trata de destruir e se locupletar do clube Flamengo, eu não duvido que a coisa piore.

Esse é o caminho mais curto para se colocar um laranja como o peruano como presidente para fazer o que o Léi quiser.