Estadual 2011 - Taça Guanabara - 4a. rodada - Vasco 1 x 2 Flamengo

Poucas vezes o Flamengo enfrentou num clássico um adversário tão fragilizado. Mas a vitória deveria ter sido mais tranquila do que foi.


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O que esperar de um time que, após apenas três jogos na temporada - todos pelo Estadual, competição menos importante que disputará no ano, e apenas contra equipes de menor expressão -, demite seu técnico e afasta os dois jogadores de mais nome do elenco, aqueles em cujo talento seria baseado o esquema da equipe? Um exemplo de planejamento, né não? Pois este é o Vasco que o Flamengo enfrentou neste domingo.

Não é de se surpreender que o Vasco, dirigido pelo interino Gaúcho, tenha entrado em campo nervoso e acuado. Na verdade, lendo a escalação, tratava-se de uma equipe de nível de Série B do Brasileiro - ao longo de todo o jogo, o mais lúcido do meio-campo foi o volante Eduardo Costa, conhecido em toda a sua carreira como um daqueles infames brucutus. E assim, do jeito que o time entrou no primeiro tempo, ficou difícil até mesmo para o bom Éder Luís aparecer.

O Flamengo aproveitou para dominar a partida, apertando a marcação no campo do adversário e atrapalhando sua saída de jogo. Mas, com a bola, foi um time lento, de passes laterais, pouca penetração, pouca objetividade. Já deu pra ver que, com Thiago Neves em campo, os três meias que jogam por trás do único atacante fixo passaram a trocar mais de lado, sem que haja um fixo na direita, outro na esquerda, outro no centro. Mas isso não adiantou muito para aumentar a criação do time.

Mas fato é que Thiago Neves participou das três únicas jogadas do Flamengo na primeira etapa que terminaram em conclusões perigosas: deu um passe dentro da área no lance do gol de Deivid, fez jogada individual pela direita que terminou em um chute rente à trave e marcou um belo gol, aproveitando um grande lançamento de Renato. Foi esta, aliás, a única jogada objetiva de Renato em todo o jogo - infelizmente, o cara segue se arrastando em campo, se limitando quase sempre a passes laterais e pra trás, e o time em boa parte do tempo segue no seu ritmo.

O segundo tempo começou dando a impressão de que o domínio seguiria tranquilo e o Flamengo resolveu abusar: sentindo-se senhores do jogo, os rubro-negros começaram a dar dribles de efeito, passes de calcanhar e outros lances do gênero na saída de bola, perdendo uma atrás da outra - Luxemburgo se referiu a isso, um tanto irritado, em sua coletiva após o jogo. O técnico vascaíno finalmente resolveu soltar o time a partir da metade da etapa, tirando um dos três volantes e colocando sangue novo. As entradas muito ruins de Marquinhos e Vanderlei também não ajudaram e o Vasco passou a pressionar, do jeito que conseguia. E acabou chegando ao seu gol depois de dois lances bizarros de Felipe e Wellington. Àquela altura, a atuação do Flamengo era muito, muito ruim.

Depois do 2x1, o Flamengo até tentou se religar no jogo, procurando manter mais a posse de bola e voltar a atacar. Mas o Vasco continuou perigoso - a proteção de Willians e Maldonado não funcionou bem (e eles ainda serão mais exigidos daqui pra frente, com Ronaldinho e Thiago Neves juntos em campo) e qualquer lançamento longo encontrava os zagueiros do Flamengo expostos aos atacantes adversários; pela esquerda da defesa, os lances de perigo eram constantes. Era pra ter sido um jogo até tranquilo mas, no final, não teria sido nenhum absurdo se o Vasco tivesse conseguido o empate, na base da disposição.

Mas, até agora, Luxemburgo e seu time tiveram um arsenal de boas desculpas para atuações não muito animadoras. A partir de quarta Ronaldinho e Bottinelli já estarão à disposição, mas ainda haverá um período de tolerância com a falta de ritmo de jogo de uns e outros. Ainda estamos em ritmo de pré-temporada, afinal. Vamos torcer para que as observações estejam sendo bem feitas e o encaixe de todas as peças não demore demais para acontecer.




30/1/2011 - 19h30 - Vasco 1 x 2 Flamengo
Engenhão - Rio de Janeiro, RJ
Público/renda: 12.854 pagantes e 15.356 presentes / R$ 354.720,00

Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ)
Auxiliares: Dibert Pedrosa Moises (RJ) e Luiz Antônio Muniz de Oliveira (RJ)
Cartões amarelos: Renato Abreu e Maldonado (Flamengo) , Anderson Martins, Fernando Prass, Eduardo Costa e Fagner (Vasco)

Gols: Deivid (22'/1ºT) Thiago Neves (44'/1ºT) e Rômulo (30'/2ºT)

Vasco: Fernando Prass; Fagner, Dedé, Anderson Martins e Ramon (Márcio Careca 14'/2ºT); Eduardo Costa, Rômulo, Allan (Misael 14'/2ºT) e Jéferson; Eder Luis (Patric 33'/2ºT) e Marcel. Técnico: Gaúcho.

Flamengo: Felipe; Léo Moura, Welinton, David e Egídio; Maldonado, Willians, Thiago Neves (Marquinhos 20'/2ºT), Renato e Vander (Fierro 30'/2ºT); Deivid (Wanderley 20'/2ºT). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

4 comentários:

André disse...

Boa leitura do jogo. Realmente no segundo tempo o Flamengo começou a achar que é "super time" e jogadores como Willians tentaram fazer o que não sabe e o time se complicou muito.

O preparo físico que achei que estava bom ainda não é. Thiago Neves cansou bastante, Maldonado e Léo Moura também caíram de rendimento demais no segundo tempo.

O Renato Abreu ou começa a correr mais ou o seu lugar mais certo é no banco de reservas. Um jogador escalado apenas para chutar pro gol não é mais necessário uma vez que agora temos Thiago Neves e Ronaldinho, além de talvez o Botinelli que parecer bater bem na bola também.

Aproveito para comentar que com o Egídio na esquerda não perdemos nada em relação ao Juan além de ganhar mais em esforço, visto que o Juan já não corria mais. Além disto os seus cruzamentos pelo menos são altos e conseguem passar pelo 1° pau, coisa que o Juan nunca conseguia por falta de força na perna.

O lance do gol do Vasco foi mais uma falha BIZARRA do Wellington do que grande falha do Felipe, ele pelo menos afastou a bola. O zagueiro é que não conseguiu isolar a bola.

Vamos ver a estréia do Ronaldinho na 4ª feira...

Bosco Ferreira disse...

É bom que o Fla baixe a idade do plantel. O Maudonado não aguenta mais noventa minutos e não temos um substituto a altura. Nem vou falar no RS. Os dois zagueiros são jovens, mas são zagueiros de série B. Precisamos de dois laterais, um deles para ser titular na esquerda. O Deivid continua sendo um poste. Felizmente há bolas que batem em poste e entram, mas não podemos esperar por isso sempre.

Campeonato carioca (estaduais em geral) nunca foi uma competição parâmetro para medir nada. É muito fraco tecnicamente.

Vejam as participações dos campeões e vice do Rio, SP, RG e MG em 2010 nas competições nacionais que participaram.

Só se salvou o Santos, e justamente o que nada pretendia no Br.

Foi decepcionante para todos os oito finalistas dos estaduais que citei por serem eles os mais importantes do país.

rnagato disse...

Apenas acrescentando que o time tem menos de 4 semanas de treinamento. Alguns jogadores, nem isso. Não dá para ter preparo físico. Nem é o ideal, senão eles não aguentam o ano inteiro.

Temos que esperar mais algumas semanas para melhorar o condicionamento e o entrosamento.

Time entrosado também se desgasta menos.

Maldonado entrou e o passe melhorou muito. Depois, ele cansou. Vai melhorar.

TN já foi bem melhor. Começa a se entrosar com os demais.

Egídio pode ser fraco, mas corre muito mais que o Juan, cruza muito melhor e chuta bem. Juan nem conseguia chutar, não tinha força.

Renato realmente é muito lento. Atrasa todas as jogadas. Por mim, seria banco. Na lateral, faria o time ficar muito lento.

SRN!!

André Monnerat disse...

Concordo com os dois que comentaram: o Egídio não é grande coisa, mas não está deixando a desejar em relação ao pouco que o Juan andava jogando não.

E também acho que Renato na lateral, ainda mais num esquema com dois zagueiros, parece uma tremenda furada.