Libertadores 2010 - Quartas-de-final - Jogo de volta - Universidad de Chile 1 x 2 Flamengo

Não deu. Todo mundo sabia que era muito difícil, mas a sensação que ficou ao final da partida é que o Flamengo poderia ter chegado lá. Mas o fato é que o Universidad, "inferior tecnicamente", não deu um mole sequer em nenhum momento dos dois jogos. E, por isso, se classificou.


Desta vez, o Flamengo entrou em campo ligado no jogo, bem posicionado em campo e com a preocupação correta de girar a bola de um lado para o outro para procurar abrir os espaços  e manter a posse de bola - orientação do técnico Rogério que ficou clara pelos seus gritos à beira do gramado. Toró entrou com a missão de marcar Montillo individualmente e fazia bem seu trabalho, evitando que o Universidad - que não jogou recuado o tempo inteiro e também teve seus momentos de domínio da posse de bola - criasse muito.

O problema todo é que, mesmo com toda a concentração, postura correta etc. e tal, os dois armadores do Flamengo eram os dois piores em campo. Kléberson (que foi péssimo até o fim do jogo) e Michael não acertavam nada e obrigavam Adriano a recuar pra tentar armar o jogo no meio - e o Imperador, que costuma até se sair bem fazendo isso, não estava num bom dia. Mas, no fim do primeiro tempo, o time conseguiu adiantar a marcação e colocar alguma pressão, que acabou dando no gol de Vagner Love logo antes do intervalo. Com 1x0, a classificação ficou ao alcance.

Aí Rogério acertou e errou na volta do vestiário. Acertou ao não se acomodar com o resultado (que ainda não era suficiente) e colocar Petkovic - que não foi brilhante, mas entrou bem - no lugar de Michael. E errou com a precipitada orientação: "de onde der, joguem a bola na área". Foram muitos cruzamentos de longe, de frente pra área, que deram em apenas uma cabeçada perigosa de Adriano. O time começou a se precipitar, perder a posse de bola com facilidade e, nisso, o Universidad conseguiu se tranquilizar, trocar passes, prender a bola (especialmente com o habilidoso Puch, que saiu do banco) e evitar a pressão rubro-negra.

Pior: em um lance individual, Montillo pegou a bola num momento em que Toró não estava em seu encalço, avançou, a marcação recuou, ele continuou avançando, a marcação recuando... Resultado: ele teve tempo de levantar a cabeça, ver a posição de Bruno, chegar até a risca da área e fazer um golaço de cobertura. Sei que muitos estão culpando Bruno agora - e eu mesmo não ando nada simpático ao capitão rubro-negro -, mas a falha foi da defesa. Basta observar quantos metros o argentino avançou sem ninguém se colocar entre ele e o gol, nem que fosse para atrapalhar sua visão. E o cara, que joga muita bola, aproveitou e acertou um chute perfeito. Bruno não estava mais adiantado do que seria o normal neste tipo de lance.

O Flamengo, que já não produzia muito, teve que partir pro desespero. Conseguiu em seguida um gol com Adriano, em jogada que começou com um belo passe de Pet e teve outro muito bom de Léo Moura, o que fez renascerem as esperanças. Mas a verdade é que, com todo o nervosismo que bateu no time e na torcida de La U, não houve nenhuma grande defesa do goleiro chileno. No final, Willians ainda foi expulso em um lance acidental e Vinícius Pacheco, que entrou muito mal, tentou cavar pênalti num lance em que podia definir a partida com um chute ou cruzamento. Lamentável.

É claro que a eliminação aconteceu principalmente devido à atuação desastrosa no Maracanã, em especial nos primeiros 20 minutos de jogo. Foram três gols absolutamente entregues de maneira patética - enquanto o Flamengo, nos quatro jogos contra o Universidad, só conseguiu fazer gols chorados, sempre com bate-rebate e jogadores chilenos se jogando na frente da bola de todas as maneiras possíveis. Hoje o Flamengo não foi brilhante no seu futebol, mas teve uma postura de acordo com o que a partida pedia. Infelizmente, foi tarde e não foi o bastante. O time chegou onde chegou aos trancos e barrancos e, se olharmos tudo o que foi feito e aconteceu no clube este ano, até que foi muito longe.

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Faltou ainda citar o absurdo que é ver, a esta altura do mundo, o time do Flamengo ser apedrejado dentro de campo. É preciso que o Universidad seja punido e tenha que jogar longe de casa nas próximas fases da Libertadores para que entendam que este tipo de coisa não pode acontecer. Mas infelizmente, para o Flamengo, isso já não vai adiantar muita coisa.

14 comentários:

Patrick disse...

Caro Monserrat;

Gosto muito de suas analizes e vc mais uma vez mandou bem, fez uma bela leitura do jogo, mais pelo q jogamos, acho q mereciamos sorte melhor, alias sorte e o q nao falta a esse time chileno, se for ver quanto gols nos perdemos, e eles quando chegavam, faziam, ou e muita competencia, ou sorte, prefiro a segunda opcao, so naoi entendo isso, 2010 tinha tudo pra ser um otimo ano, e ja estou mudando a minha opiniao com relacao a Patricia, que nao contratou ate agora um gestor para o nosso futebol, e obviamente ese papel nao pode ser exercido por ela!!!

grande abraco!!!

Augusto disse...

Olá André.
Apesar de não estar nada satisfeito com as últimas atuações e principalmente com a atiitude do Bruno nos últimos tempos, também achei que não teve culpa no gol. A responsabilidade foi da marcação que costumeiramente só tenta desarmar o adversário na entrada de nossa área. Nesse jogo até que foi diferente, mas bastou bobear uma vez.
Está claro que a classificação foi perdida no primeiro jogo. O time teria que entrar sempre, em qualquer competição (Libertadores nem se fala) com a atitude de ontem, mas, infelizmente, só faz isso na última hora da última chance.
E o Pacheco hein? Patético, qualquer jogador melhorzinho, teria feito algo útil em pelo menos uma das três chances que ele teve entrando na área pela esquerda.
Agora, preocupação com o desmonte do time para o Brasileiro, no ritmo que vai a administração do futebol acho que o segundo semestre será para quem tem nervos de aço.

oPerna disse...

O fato é quem, em um momento do jogo o melhor jogador dos caras era o único desmarcado e o estava com a bola. Bobeira da zaga sim, bobeira do Bruno sim, me lembrou um gol do Lucio Flávio em 2007 que praticamente pediu licença a zaga do Fla inteira até chegar ao gol.

Mas a maior bobeira na minha opinião foi não aproveitar o maracanã lotado, jogar como se fosse amistoso beneficente e tomar 3 de um time razoável como esse.

Somos melhores e fomos melhores dessa vez, mas eles trataram as partidas como batalhas dês de o início, nós precisamos de um vexame para dar-mos conta de onde estávamos.

e tenho dito

Marcos Monnerat disse...

Mais uma vez a quadrilha rubro-negra formada por Bruno, Leo Moura e Juan passaram vexame e levaram o Fla à eliminação de uma Libertadores. Foi assim contra Defensor, contra América-Mex e agora contra a Universidade de Chile. Ele colocou no Juan e no Leo Moura a responsabilidade pela criação das jogadas no Maracanã e tomamos aquela piaba. Mudou isso pra essa partida de ontem e o time melhorou, correu, deu poucos vacilos na defesa e venceu o jogo, mas o estrago já estava feito.

Não aceito esse papo do Adriano de que o Fla caiu de pé. Teria sido assim se tivesse jogado à vera nas duas partidas, o que não aconteceu.

Mas como o André disse, fomos até longe de mais, considerando todas as putarias que aconteceram em 2010. Vamos ver que time teremos para a disputa do Brasileiro...

André Monnerat disse...

Esse papinho de "caímos de pé" é dose mesmo.

Folha disse...

Eliminação mais que merecida, por tudo que tem acontecido no ano, por tudo que tem sido feito em campo.

Não pode se sair impune tendo o Rogério como treinador, Bruno como capitão e Juan como um dos principais responsáveis pela criação das jogadas.

Se o Bruno não tem culpa, então não precisa ter ninguem no gol, se um chute anunciado e lento (embora bem colocado) não pode ser defendido pelo "melhor goleiro do brasil", então prefiro botar mais alguem na linha.

Estamos esquecendo completamente a função do goleiro!!!

Bosco Ferreira disse...

Temos que passar esse Flamengo a limpo. Desde o início da gestão Marcio Braga/Kleber Leite que o Flamengo contrata jogadores inferiores até aos da nossa base.

Por que temos que contratar jogadores como Ramom, Fernando, Michael, Gil, Denis Marques, Max Biancute, e outros argentinos a nível de série B?

Não venham me dizer que os contrataram por DVD, pois todos são nossos velhos conhecidos e sabíamos que nenhum deles tinha condições de vestir o manto.

E agora? O que vamos fazer com essa fôlha inchada?

Os craques encerrando o contrato e os come-e-dorme com contratos longos a cumprir.

Haverá algum planejamento para o resto do ano?

Bosco Ferreira disse...

André você já reparou que o Juan não faz um cruzamento na cabeça de ninguem!

Só cruza a meia altura.

Lembra do Jobison nosso garoto lateral esquerdo? Lembra do cruzamento na cabeça do Adriano?
Acho que foi o primeiro gol do Adriano nessa volta.

Folha disse...

Vi o lance do gol deles várias vezes, a cada repetição vejo que a falha foi maior do que parece.

Presta atenção no tempo que a bola leva até chegar ao gol, repare que o Bruno fica parado durante quase toda a trajetória, ele só se move um pouco pra trás quando ela está bem próxima pra tentar "aumentar" a defesa com uma de suas pontes.

Ele tinha muito tempo depois do chute ter sido desferido pra voltar e pegar a bola SEM PRECISAR PULAR, inclusive.

Independente, obviamente, da notória falha de marcação.

Freire disse...

E lá vai a culpa cair sobre o Juan e o Leo Moura de novo.

Bruno CML disse...

Nesse gol nao achei falha do Bruno nao, e eolha que odeio ele, talvez ele estivesse um pouco adiantado mas o merito é todo do Montillo, foi um golaço.

O que me revoltou foi o V. Pacheco no ultimo lance do jogo, e um lance muito bom por sinal, tentar cavar um penalti pateticamente. Idiota demais.

=Beto= disse...

FOI UMA FALHA BISONHA DO BRUNO!
Se fosse normal ele ficar adiantado como o André falou todos os jogadores começariam a chutar de cobertura toda hora... E como o Folha disse, dava pra ter pego tranquilamente... E mesmo demorando com ele fez se voces reverem o lance da pra ver que a mao dele passou do lado da bola... ou seja foi furada mesmo!

Marcelo Constantino disse...

André, acredito que essa eliminação marca o fim de um ciclo no Flamengo.

Ontem o time me surpreendeu, de certa forma. Não por jogar bem -- para o meu padrão, aquilo de ontem não pode ser classificado como "jogar bem", mas por jogar com raça o tempo todo, por buscar efetivamente o gol o tempo todo. Carecemos realmente de um armador, e lamento que o Kleberson insista em omitir-se do jogo.

Não consigo engolir a capa do Globo de hoje descaradamente tentando nos fazer crer que o Adriano jogou um partidão. Se aquilo de ontem é o alto nível do Adriano, não tenho mais referências (mas tudo bem, sabemos quem é o redator do Globo...).

Outros pontos diversos:
1 - Um goleiro realmente bom não leva aquele gol que o Bruno levou. Mas o Bruno é assim mesmo, tem uma média próxima a uma falha fatal por jogo.
2 - Estranho como o Rogério decide concentrar todas as jogadas do time pela esquerda (Juan, Pet, Pacheco, e até Kleberson) num determinado momento do jogo. Acaba o lado direito, até o Leo Moura vem pro meio.
3 - Poucas coisas são mais caricatas de jogador brasileiro do que a patética tentativa do Pacheco de se atirar no chão no último lance do jogo, qdo poderia cruzar, chutar, fazer qq coisa de útil.

Pior mesmo é isso ter feito o time protagonizar as tradicionais cenas patéticas de perdedor, cercando o juiz ao fim da partida.

PS.: Apesar de já te conhecer desde os tempos de BBS (!!), só encontrei este blog em meados do ano passado -- e tornou-se leitura diária. É um dos raros blogs que leio, e o único sobre o Flamengo, por ser disparado o mais equilibrado que já vi. Viajei para fora em abril e, qdo acessava Inet, era aqui que buscava informações sobre o Flamengo. Parabéns, cara!

André Monnerat disse...

Marcelo Constantino = Hombre?