Hora de olhar pra frente*

O Flamengo esteve em três das últimas quatro Libertadores - um avanço em relação aos deprimentes anos anteriores. Ganhar e perder é do jogo, e em todas estas oportunidades o time esteve bem próximo de conseguir ao menos avançar mais uma fase.

Em 2007, foi assaltado pelo juiz em pleno Maracanã; em 2008, também teve um pênalti escandaloso não marcado e viu o América fazer três gols basicamente nas únicas três vezes em que conseguiu se aproximar da área rubro-negra em todo o jogo; ontem, jogou melhor que o adversário mesmo em condições extremamente adversas e poderia ter conseguido os dois gols de diferença de que precisava.

Mas, infelizmente, nas três oportunidades, os motivos "de jogo" para as eliminações rubro-negras acabaram ficando em segundo plano. Em todas elas, a impressão que ficou é que fatores extracampo acabaram sendo mais determinantes para o insucesso. Em 2007, os jogadores viajaram ao Uruguai ignorando o Defensor, falando abertamente que a preocupação era com a final estadual contra o Botafogo, e ainda houve uma inacreditável briga entre Juninho e Ney Franco no vestiário; em 2008, o time chegou atrasado ao Maracanã, onde a partida foi precedida por uma animada festinha de despedida para Joel Santana no gramado, diante dos adversários; e este ano, depois de tudo o que aconteceu na temporada - será que vale fazer uma lista? -, o atraso do ônibus de dois anos antes voltou a acontecer e o time entrou em campo no Maracanã sem aquecimento. E fica a impressão de que o Flamengo avançou, mas ainda tem muita coisa por lá sendo empurrada com a barriga que, na hora H, acaba pesando.

Patrícia Amorim se elegeu com a bandeira da moralização, do trabalho sério, da profissionalização da gestão. Porém, sua imagem para boa parte dos torcedores hoje é de uma presidente que cuida da piscina, mas não do futebol. Mas vejam: até onde se sabe, mesmo nos esportes olímpicos a promessa de implantar uma gestão tocada por profissionais remunerados e com metas a cumprir ainda não saiu do papel. Será que o processo está mesmo andando?

É claro que não é trabalho que se faça do dia para a noite. No caso do futebol, ainda foi atrasado pelo conquista do Brasileiro 2009, que criou um clima para que se mantivesse muito do que vinha do ano anterior - por mais que agora a gente possa discutir se isso era correto ou não, foi o que aconteceu. Porém, tudo isso já passou.

Vamos entrar no sexto mês deste mandato. O Estadual acabou, a Libertadores acabou, o técnico do Hexa já não está lá, o Vice-Presidente de Futebol também não, os contratos de boa parte daquele time estão se encerrando - todas as amarras ao trabalho anterior estão sendo finalmente desfeitas e é hora de olhar pra frente. Quem se candidata a presidente do Flamengo deve saber no que está se metendo e as desculpas para a nova gestão não mostrar de vez a que veio estão se encerrando. Daqui pra frente, todas as decisões a serem tomadas representarão a cara que Patrícia Amorim quer dar ao seu Flamengo.

A presidente declarou hoje que ainda esta semana (hoje? amanhã? domingo?) será anunciado o novo Departamento de Futebol do Flamengo - e eu fico muito curioso para saber o que vem por aí. Que Patrícia Amorim tenha coragem, aja como a estadista que seu cargo demanda, se cerque das pessoas certas e realmente se guie agora por suas promessas de campanha na hora de definir de vez o rumo que dará ao futebol rubro-negro.

Quem sabe, nas próximas oportunidades, a gente possa analisar qualquer vitória ou derrota do Flamengo falando apenas da escalação, do esquema tático, dos chutes, dos passes, das faltas e defesas. Porque ganhar e perder é do jogo. Desde que não seja por conta de ônibus atrasado, briga no vestiário...

* Texto da coluna da semana no FlamengoNet.

7 comentários:

HENRIN BUENO disse...

Como vc é parcimonioso com esta criatura...

oPerna disse...

o único time que eu vi jogar de acordo com o que acontecia fora de campo foi o vasco na época (na imensa época) de Eurico.

ta bom disso já né...

SRN

André Amaral disse...

Rapaiz, que medo de saber quem será o novo departamento de futebol!

Não admito escolha por política, caso contrário ela jogará o discurso profissional no lixo.

Bosco Ferreira disse...

Depois de todo esse suspeito silêncio, pasmaceira, insensibilidade, frieza da diretoria rubronmegra, eu agora fico assustado com o traque que ela vai soltar.

Diretor de futebol a cara do CRF para mim seria um ex jogador do quilate do Leonardo, Junior, Raul, Zico ou alguem indicado pelo Galinho do Quintino.

Temo que seja alguem ligado a política de grupos do CRF.

André disse...

Aí André na boa...presidente de um clube como o Flamengo não pode esperar o tempo que a Patrícia (que vontade de dizer essa mulherzinha!!!) está esperando para organizar o departamento de futebol. Como é que se explica demitir o departamento inteiro sem ter "na manga" uma solução satisfatória? Me passa a impressão de ter tomado uma decisão baseada na emoção e não na razão. Para mim ela não cuida de nada, exceto das suas unhas. O episódio do ônibus foi PATÉTICO!!! Não bastasse estarem na Barra ainda tinham que dar carona para "alguém" que estav na Gávea...pelo amor de deus...e eu viro chacota aqui em Porto Alegre...não sei porque ainda torço do jeito que torço para este time...mas continuarei acreditando em milagres...

Angela disse...

Parabéns pelo excelente texto, bastante coerente com a realidade do nosso time. SRN

Rafael disse...

Patrícia está fazendo uma bela de uma porcaria de trabalho com o futebol. Incompetência na veia. Lamentável.
SRN.