Quem está na corrida (ao menos, por enquanto)

No dia 14 de agosto, escrevi por aqui um texto explicando o que era necessário para ser candidato à presidência do Flamengo. Eu dizia que seria impossível que todos os pré-candidatos que haviam se lançado até então confirmassem a inscrição, pela dificuldade de cada um encontrar 230 sócios dispostos a participar de uma chapa em um universo de eleitores tão pequeno como o do Flamengo. Pois é: os fatos provaram que eu estava errado. Nada menos que SETE candidaturas foram inscritas; como eu dizia num post de dois dias atrás, dos que se apresentaram apenas Eider Dantas ficou de fora.

Isto torna as eleições de dezembro um tanto imprevisíveis. Façam a conta: 230 x 7 = 1610. Considerando que na última eleição votaram 1.669 pessoas e o número de sócios não aumentou de lá pra cá, podemos concluir que pouquíssimos dos que costumam votar não estão em alguma chapa. Ou seja: se o quórum se mantiver e cada candidato conseguir ao menos convencer seus próprios companheiros de chapa a irem à Gávea votar, teremos um empate técnico entre Delair, Plínio, Sahione, Areias, Patricia, Pedrinho e Lysias. Que tal?


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Muitos vinham avaliando que as candidaturas mais fortes são as de Delair e Patrícia Amorim. Delair tem a caneta na mão até dezembro, o que sempre conta - e, justiça seja feita, ele tem conseguido apresentar realizações neste seu curto período presidencial, em especial desde que ficou sem Kléber Leite para dividir poder. Várias dívidas renegociadas, salários em dia, Petkovic - que ele contratou enfrentando a tudo e a todos - dando certo, novos patrocínios, parceria com a HSBC Arena para o basquete, megaloja da Gávea em construção, novas salas de ginástica para os profissionais e para a base, enfim. O cara tem defeitos, vários bem óbvios, e muita coisa ainda precisa mudar no jeito de dirigir o clube, mas ele está correndo contra o tempo para mostrar que pode ser um bom presidente.

E Patrícia, fora ser um nome muito conhecido dentro do clube, entra com um forte discurso de oposição e o apoio de Hélio Ferraz, que inclusive tornou-se seu vice geral - é algo que dá respeitabilidade à candidatura. Tem a simpatia do pessoal dos esportes amadores e, contam, também a de vários antigos caciques do clube.

Mas, ainda mais com tantos candidatos, eu não arriscaria dizer que a disputa está entre os dois. Com a coisa tão pulverizada, todos podem dizer que têm chances. E, nessa, talvez a eleição venha a ser decidida por aqueles muitos sócios que podem votar, mas nunca o fazem. Segundo a lista divulgada pelas autoridades eleitorais do clube, o colégio eleitoral tem cerca de 5.300 pessoas. O segredo para vencer pode estar em atrair o maior número possível dos mais de 3 mil que podiam, mas não participaram das eleições de 2006.

E, nessa, talvez o discurso renovador e revolucionário de Areias possa colocá-lo bem na fita; talvez seja mais inspirador para essa galera que costuma ficar de fora, olhando desconfiada para os nomes de sempre. É questão de ver como ele desenvolverá sua campanha - que discurso e que métodos para atingir os eleitores ele usará. Não adianta tanto ser popular em comunidades no Orkut e no Twitter; fora o fato óbvio de que o universo dos que votam é bem restrito, foi divulgado o dado de que apenas 20% dos eleitores do Flamengo têm menos de 45 anos - e não devem ser muitos aqueles entre os 80% restantes que são ativos nesse tipo de fórum. O pessoal das campanhas deve estar coçando a cabeça pra descobrir como falar de perto com esse pessoal.


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É bom considerar ainda que o fato de haver agora sete candidaturas não significa que elas todas chegarão até dezembro. O que aconteceu é que, no momento, os sete ganharam um poder de barganha ainda maior para possíveis composições futuras - afinal, cada um já está saindo de 230 votos. Um candidato que conseguir trazer para si o apoio de mais um ou dois destes grupos terá uma enorme chance de vencer, e todos eles sabem disso. Se em Brasília o pessoal negocia ministérios, secretarias e cargos estatais múltiplos pra conseguir apoios, na Gávea não deve ser muito diferente.

4 comentários:

Rodrigo Machado disse...

Tenho uma preocupação em relação a essa quantidade de chapas... 7 me parece exagero, e como vc bem mencionou, representa um total de apoio semelhante ao que votou nas últimas eleições... Será que estes 232 que apoiaram as candidaturas são realmente exclusivos de uma só candidatura?! Bom, descobriremos isso até o dia 09 de outubro.

Bosco Ferreira disse...

É melhor sete chapas do que apenas duas. Sem opções, muita gente se afasta e perde a motivação de votar. Eu torço pelo ARÊIAS! O FLA precisa voltar a ser um time da nação (40 milões no mundo todo) e não apenas de cinco mil cariocas que só votam menos de dois mil. O Areias vai tornar o time nacional e internacional para alegria e orgulho dos rubro negros cariocas.

Murilo disse...

Segundo informações qu te nho de dentro do Flamengo, quem vem forte é o candidato Clóvis Sahione

Djalma disse...

Acho que se tivéssemos verdadeiramente um programa de sócio off-rio, o Areias seria barbada e ganharia com folgas. Nos ultimos meses venho correndo atrás pra ver quem é quem desses candidatos e os que, ao meu ver, são mais transparentes, até por exporem seus projetos na internet, são: o Pedrinho e o Areias, sendo que vejo na chapa do Areias uma estrutura e objetivos mais claros eplausíveis de se realizarem, além dele ter criado um canal direto com o torcedor que é o site www.fla21.com.br, onde participamos da campanha. Dessa forma torço muito para que ele ganhe, pois vejo nessa chapa a chance de uma revolução e mudança de postura na forma de dirigir um clube da grandeza do Fla. Como você citou o Delair até que não tá mal... mas o mesmismo (amadorismo dos direigentes) tendem a continuar com ele.

SRN