Os torcedores que querem comprar seus clubes na Inglaterra

O Football Finance e o Olhar Crônico Esportivo falam hoje do ShareLiverpoolFC - um fundo criado por torcedores do Liverpool para comprar o clube de seus atuais donos, os americanos Tom Hicks e George Hillett. É uma leitura interessante, depois da discussão levantada pelas entrevistas de Leonardo propondo a venda do Flamengo. É bom ver que, por lá, há quem veja a necessidade de um caminho contrário.

O Liverpool, um clube vencedor inserido na realidade do milionário futebol inglês, vive uma situação financeira complicada. As dívidas se acumulam, os dois sócios não se entendem, o crédito aperta e analistas começam a duvidar da capacidade dos donos americanos de tirar a instituição desta situação. O cenário está cada vez mais complicado, mas não é de hoje que alguns torcedores estão vendo que o caminho trilhado não é o melhor - a idéia de tentar passar o controle do clube aos seus torcedores surgiu em 2007. E, vejam vocês, a inspiração declarada é o modelo de sócios do Barcelona. Mas a maneira de chegar lá foi constituir uma espécie de cooperativa, com suas ações sendo vendidas para torcedores de todo o mundo para juntar o dinheiro necessário para a aquisição do clube. 

A intenção do ShareLiverpoolFC (que tem entre os membros de seu board um comentarista ex-jogador do Liverpool, um executivo com passagens por IBM, Dell e Compaq, um consultor em Marketing Internacional, uma professora do MBA em Futebol da Universidade de Liverpool e por aí vai) é tornar a administração do clube democrática (os acionistas-torcedores, cada um com direito a um único voto, elegeriam um "parlamento", que por sua vez elegeria o "board" do clube) e fazer com que ele passe a ser dirigido de maneira vencedora em campo, mas também ligada à sua comunidade fora dele - "o Liverpool deve ser dirigido 'the Liverpool way'".

O fundo já se declara em condições de comprar e administrar o Liverpool e lançou um convite aos proprietários  para sentar e negociar. A idéia já recebeu o apoio de diversos ex-jogadores famosos dos Reds e do ministro inglês da Cultura, Mídia e Esporte, Andy Burnham, que declarou que "ser de propriedade de seus torcedores seria bom para qualquer clube de futebol; as pessoas que construíram estes clubes por gerações e investirão neles milhões de seu dinheiro deveriam controlar o futuro deles". 

É claro que, se a aquisição do Liverpool pela cooperativa de torcedores se tornar realidade, isso não significará a transformação da estrutura do clube em algo amador. A gestão da empresa continuará sendo feita por profissionais, pagos para o trabalho. O caso é apenas um exemplo de como há n modelos diferentes para se administrar o clube - e que a entrega cega ao capitalismo pode não ser o melhor deles.

E fica a mesma pergunta lançada pelo Emerson Gonçalves, no Olhar Crônico Esportivo: seria possível imaginar uma iniciativa do gênero acontencendo no Brasil? 


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"A curto prazo, pode haver vantagens em ter um dono rico, mas nós vimos como é difícil encontrar alguém que defenda as tradições do clube de uma maneira que os torcedores aprovem. O único jeito de assegurar que o Liverpool Football Club não continue a ser um brinquedo para (ricos?) homens de negócios é dar a propriedade aos únicos que realmente entendem o clube e se importam com o que ele significa para sua comunidade: os torcedores."

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Há uma iniciativa semelhante, o Manchester United Supporters Trust, que pretende comprar uma parte significativa das ações do Manchester United para que sua administração seja feita de acordo com os interesses dos torcedores. A origem do grupo está no Shareholders United, um grupo de acionistas que conseguiu barrar, em 1999, a compra do Manchester United pelo magnata Rupert Murdoch. Dizem eles, em seu site: "houve um tempo em que a sua torcida significava algo para o clube e o time. Este tempo pode voltar."

E, como o pessoal do ShareLiverpool, eles também não viram as costas para o profissionalismo. "Nós queremos ver o clube perseguir nossos objetivos, mas não temos o desejo ou intenção de dirigir o dia-a-dia do clube. Um clube como o United deve ser gerido por profissionais, com experiência e competência para assegurar o seu sucesso".


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Na verdade, a discussão sobre a propriedade dos clubes por seus torcedores vem ganhando tanta força na Inglaterra que se criou por lá em 2000 o Supporters Direct, uma organização que dá suporte à criação de Fundos de Torcedores sem fins lucrativos que queiram ter a propriedade de qualque clube britânico. A organização é inclusive financiada em parte pelo governo da Escócia. A idéia é estimular o surgimento de outras iniciativas com as do MUST e do ShareLiverpool e ajudar com que tenham sucesso, reorientando as administrações dos clubes para que haja um engajamento maior com suas comunidades. 

Entre as conquistas divulgadas pelo Support Direct, estão o fato de que há hoje cerca de 100 fundos de torcedores com partes das ações de seus clubes, com mais de 120 mil pessoas participando. Estes fundos já  colocaram mais de  20 milhões de libras no futebol, e há na Grã-Bretanha 15 clubes que são realmente de propriedade de alguns deles. Será possível que o grande Liverpool se junte a eles?

18 comentários:

lucas dantas disse...

Acho que esse exemplo do Liverpool passa por um ponto bem interesante: é administrado por americanos e isso é algo que fere demais o orgulho inglês. Lembro quando o Manutd quase foi adquirido por um yankee e o barulho que se deu na Inglaterra.

Os americanos de fato não entendem de paixão esportiva, mas de fazer dinheiro. Só que para fazer esse dinheiro, eles sabem muito bem como explorar a paixão do torcedor e vender produtos. O Liverpool é um clube apenas, não pode ser exemplo. E garanto que não há na torcida deles uma Raça Rubro-Negra entrando na porrada com uma Jovem Fla a cada jogo. Novamente, é uma cultura bem diferente.

Mas esse papo de "é da torcida" não se aplica a um vizinho do Liverpool, o Chelsea. Os torcedores amam o Abramovich que colocou seu time no cenário mundial. Todos temem que um dia ele canse da lavanderia, mas por enquanto adoram saber que seu time disputa de igual para igual com Arsenal e Manchester. Eu estive lá e conferi isso de perto. Depende do dono, sempre.

Antes de qualquer coisa, o que precisa mudar nos clubes brasileiros - principalmente no Flamengo - é essa história de o presidente decidir quem é o 10 da time e o ph da piscina. Depois discutimos o resto. Mas na estrutura que está, não dá. Eu acho que isso é o que precisa ser martelado primeiro.

André Monnerat disse...

Lucas, na verdade o Manchester é de um americano. O cara comprou mesmo. E é isso, claro que sempre depende do clube, da sua cultura, da torcida, do dono. O negócio é que não existe O modelo "certo". Há opções, várias maneiras de fazer.

Mas eu concordo com o que você falou no fim do seu comentário - que é o que todo mundo concorda mesmo. Tem que mudar a estrutura atual, que é toda amadora. Você vê que no exemplo desse povo do Liverpool, no do Manchester, na galera que fundou o time novo lá de Manchester também - em todos, quem administra mesmo o clube são profissionais, pagos. Do jeito que é aqui hoje, não tem condição.

Silvio disse...

Na sua entrevista o Leonardo falou que todo clube tem que ter um mecenas, o cara que fecha as contas do clube.
Quer um mecenas maior do que tem o Flamengo? O Flamengo tem uma carteira de 30 milhões de clientes fidelizados pela sua paixão, que estão hávidos por consumir o produto Flamengo. Porém não o fazem pelo simples motivo do Flamengo(leia-se sua diretoria) não ter hoje credibilidade junto a essa carteira de clientes. Se tivermos pessoas que estejam ligadas a torcida do Flamengo( que é o maior patrimônio que o clube tem) já imaginaram um fundo de investimento mantido por essa multidão?

Júlio Cesar disse...

Fala Monnerat,

Você que escreve, e muito bem, no Flamengonet, deveria colocar essa discussão lá e assim poderíamos nós aprofundarmos. Embora tenha gostado da provocação do Leonardo. Mas também é necessário que é lugar comum dizer que modelo de governança dos clubes brasileiros está falido. A questão que não vejo apenas no modelo de fechado que ele propôs de cara com a saída. Ainda na semana passada, Décio Lopes publicou no seu blog a defesa do modelo proposto por Leonardo, inclusive, afirmando que o sucesso do Real Madrid e do Barcelona se tornou possível em virtude da ajuda do Estado espanhol. Pode ser que ele tenha razão no caso espanhol. Entretanto, acho que é possível sim modelo associativo de governança esportiva. A questão é como realizá-lo de maneira profissional e adequado ao século XXI. E não nosso atual modelo que é baseado no início do século XX e pior totalmente amador.

torides disse...

Cara, esse é o meu sonho para p Flamengo. Sempre pensei em alguma coisa dessa linha, de democratizar as decisões do clube, na idéia de que o clube deve pertencer à sua torcida.

Infelizmente, sempre que eu coloco esse assunto em pauta, a gelera diz que eu to viajando, que é impossível etc. etc.

Iniciativas deste tipo são fantásticas pelo motivo de trazerem mais democracia para os clubes. Esse é o ponto principal. Mais do que qq questão financeira, o que vai salvar o Flamengo é a democratização das decisões do clube.

É angustiante torcer para os KL e MB da vida fazerem alguma coisa sensata pelo Flamengo. Atualmente somos impotentes e meros espectadores das decisões. Isso revolta!

Eu quero participar! Eu quero isso pro Flamengo!

Cara, por favor, leva essa discussão pra FlamengoNet!

Abraço!

André Monnerat disse...

torides - mas você entendeu que a "democracia" é só entre quem comprar as ações do clube, certo?

E que, no caso do Liverpool, isso aí tá saindo por 5 mil libras?

Sendo assim, comprar um título de sócio-proprietário do Flamengo, pra poder participar da democracia atual do clube, tá nessa ordem de grandeza.

O grande lance pra mudar o modelo do Flamengo é esse: convencer mais gente a se associar e participar da vida do clube. Quanto mais gente entrar lá, com a intenção de participar de uma mudança, mais fácil isso acontecerá. Enquanto depender só de quem já está lá dentro... É esperar sentado.

torides disse...

Claro andré, entendi sim.

Realmente não é uma democracia total, mas chegando a 100.000 sócios, cada um com 1 voto, já seria bem mais democrático do que os cerca de 7.000 sócios que podem votar no Flamengo hoje, com uma estrutura gerencial totalmente arcaica e com metade do conselho de membros vitalícios.

Mesmo que a galera entrasse em massa como sócio do Flamengo hoje, fica quase impossível mudar o estatuto.

A maior vantagem do projeto do Liverpool pea mim está na forma clara e transparente de tomada de decisões.

De qq forma, esta discussão é fundamental e eu estou disposto a coloborar em um projeto que possa mudar o Flamengo.

Quam sabe não podemos até aperfeiçoar o projeto do ShareLiverpool?

Parabéns pelo post.

Anônimo disse...

Acho que está havendo uma certa confusão entre sócio de um clube e associado de um fundo como o ShareLiverpool. E a diferença é sutil, porém extraordinária.
O objetivo do sócio de clube é ter um espaço social onde sua família poderá ter algum tipo de lazer, como piscina, tênis, etc. Além disso, em muitos clubes (mas nem todos!….) o sócio também escolhe a diretoria. O sócio pode (ou não) votar, pode (ou não) se envolver na governança do clube, mas esse não é seu objetivo primeiro. Seu objetivo primordial é o lazer, contra o pagamento de uma mensalidade (muitos vascaínos, tricolores e botafoguenses que eu conheço, são sócios do Flamengo…)
Já o objetivo do associado do ShareLiverpool é fazer com que o clube seja administrado de acordo com “os princípios”ou “tradição” do Liverpool. O associado do Share quer que o clube “tenha sucesso no campo de futebol e tenha um papel positivo na comunidade” (ver site). Seu objetivo primordial é, pois, a governança do clube do seu coração.
Em outras palavras, o sócio do clube é sócio para ter lazer, enquanto o associado do Share é associado para ter poder.

Lucas Camargo

Júlio Cesar disse...

Monnerat,

Sim, a democracia é limitada a apenas 5 mil libras, ou seja, o dobro do título de sócio proprietário do Flamengo. Não vou entrar no mérito de... Ah! Mas é realidade britânica é uma coisa e brasileira é outra. Até porque eles devem ter suas razões para esse valor. Valor de contribuição não é mero detalhe, pelo contrário, é determinante para saber até onde se pode ir. Mas não podemos negar, e acho que estamos todos de acordo, que a iniciativa deles é um imenso avanço. É algo extraordinário. Principalmente, no momento em que se discute no Brasil novos modelos de governança dos clubes. Talvez, nós tenhamos até a oportunidade de ficar frente ou no mesmo nível dos clubes ingleses. Pois, torcedores do Flamengo, que está na pindaíba e falido, do Liverpool ou do Manchester United, desejam a mesma coisa. Comprar seu clube e administrá-los a sua maneira. A questão então, é quanto custa "comprar" o Flamengo. A pressão externa por mudanças não diminuiria esse valor? Talvez, a democracia rubro-negra seja mais barata e viável que as democracias rubros britânicas.

voo do urubu disse...

Isso aí. O Kléber Leite tem razão ao dizer que a contribuição do Leonardo foi a de iniciar a discussão. O negócio futebol em relação ao clube tem um fator complicante: a razão do negócio é gerar lucro, a razão do futebol é gerar vitórias. Nem sempre são grandezas diretamente proporcionais. Ao contrário, os clubes não têm proporcionado lucro, têm fechado no vermelho, em alguns casos no amarelo. Razão de o futebol não ter vingado nos States, onde business is business. Mas o caminho de se debruçar sobre os exemplos ingleses me parece de fundamental importância.

Saudações rubronegras!

torides disse...

julio cesar,

a meu ver, uma diferença muito importante entre o shareliverpool e o modelo associativo do flamengo é que látodos os associados tem direitos iguais, 1 voto, podem ser eleitos representantes etc. É uma forma mais transparente, simples e direta de participação dos associados.

No Flamengo, o conselho tem a metade de membros vitalícios que não são escolhidos pelos sócios. Situação que a meu ver deixa quase impossível qq mudança feita a partir de dentro do clube.

Existem diferenças de direitos entre as categorias de socio do flamengo, o que faz com que uns sejam mais sócios do que outros.

Me corrijam se eu estiver enganado.

Júlio Cesar disse...

Torides,

Entendi o que vc quis dizer. E concordo contigo. Entretanto, o ponto onde quero chegar é mais além. Talvez, eu não tenha sido explicitamente claro. Então, para sintetizar minhas idéias, coloco a seguinte questão. A quem pertence o Flamengo, um portador de título de sócio que, eventualmente ou freqüentemente, vai a sede da Gávea, não importando o regime societário que ele se enquadre. Ou um rubro-negro lá São Gabriel da Cachoeira/ AM, louco por consumir Flamengo. Para mim, os dois são genuínos rubro-negros, portanto, devem contribuir para o Flamengo. Entendo que todos aqui defendem a democratização da Nação. Eu também. Entendo o que vc colocou sobre o atual regime social do Flamengo. Mas, hoje e com discussão iniciada na Inglaterra e essa que estamos tendo aqui, eu vejo que não. O ponto é como articular para criar uma revolução. Outro ponto interessante, é como o Flamengo ainda clube de protagonismo. Semana passada, Leonardo falava falência do modelo brasileiro, hoje se fala da alternativa proposta pelos ingleses. No centro disso, se discute Flamengo. Por fim, fico otimista.

André Monnerat disse...

vôo do urubu - o futebol está "dando certo" nos States. A MLS está consolidada há anos, formou seu público e vem se expandindo, aumentando o seu número de franquias participantes. A questão é que, por lá, tem que dar dinheiro. Eles estão dando um passo atrás do outro, com suas regras financeiras, tetos salariais e tudo o mais, pro sistema se sustentar. Não vai ter mais um boom repentino como na época do Cosmos, porque a idéia não é mais essa. Nem vão lutar contra o mercado europeu. Mas eles conquistaram seu espaço e estão trabalhando nele.

E pessoas - acho que vocês deviam ler o estatuto do Flamengo pra continuar essa discussão: http://sobreflamengo.blogspot.com/2008/01/estatuto-do-clube-de-regatas-do.html

QUalquer um pode ser conselheiro do Flamengo. Na boa, qualquer um. É só ser sócio.

Vou insistir nesse ponto: não adianta esperar que quem está lá dentro mude sozinho o modelo. As chances disso são diminutas. Tem que entrar gente nova disposta a batalhar por essas mudanças - e por "entrar", quero dizer "se associar e participar".

Júlio Cesar disse...

Bom,

Nesse ponto que discordo de você. Associar para mudar. Não acredito nisso pelo simples fato de que poucos são os estímulos para nos associarmos. Tudo porque é uma estrutura viciada que não só afugenta possíveis investidores, bem como, seus principais interessados. Nós rubro-negros. Basta você observar que qualquer iniciativa para ajudar o Flamengo seja dos dirigentes ou mesmo de alguns abnegados torcedores, grande parte da Nação questiona a eficácia dessas ações diante da más administrações do cartolas rubro-negros. Seja para se associar ou para comprar pulseirinha da CCM. É comum ouvirmos. Não vou dar meu dinheiro para Fulano ou Beltrano. Mesmo sendo ações positivas, eu sempre ouvi questionamentos desse tipo. Por essa razão, acredito campanhas em torno de associação tendem a não decolar. Apesar disso, fico muito feliz quando vejo a galera se unir para mudar.
Acho que por trabalhar no terceiro setor, não considero impossível alterar o Flamengo do lado de fora. Abrir o clube verdadeiramente. Para isso, requer criação de movimento muito bem articulado. Provavelmente, a tarefa mais árdua. Se superarmos essa parte, tem outro ponto que acho extremamente relevante nessa discussão. Você escreveu isso: "...Tem que entrar gente nova disposta a batalhar por essas mudanças..." Concordo em gênero, número e grau. Contudo, acredito que um movimento como esse poderia contribuir e muito para isso, pois pode ser um excelente exercício para novas lideranças. Dali poderá sair grandes idéias. Enfim, acho que esse discussão pra lá de saudável e devemos abri-la ainda mais.

André Monnerat disse...

Mas Julio César - se as boas ideias e lideranças só surgirem num movimento externo, como elas poderão influenciar na mudança do clube?

A questão é essa: só pode ser presidente, ou vice-presidente, ou conselheiro, ou qualquer outro cargo que tenha o poder de efetivamente mudar alguma coisa, quem for sócio. Se a gente ficar só de fora tendo ideías, criando modelos, discutindo soluções - tudo isso sempre vai depender de alguém que seja sócio, que esteja lá dentro, para ser posto em prática. Não tem jeito.

Júlio Cesar disse...

Talvez, não tenha ficado claro, mas eu não disse que boas ideias ou lideranças só surgiriam de fora. Hoje, no Flamengo pode ter um excelente quadro. Mas... Todos sabem que o problema do futebol no Brasil é que ele não é visto como negócio no impessoal e sim no pessoal. Se por um lado alguns ganham dinheiro no pessoal. Por outro lado, outros deixam de ganhar no impessoal. Imaginem! Quantas empresas estão interessadas em construir estádios decentes no Brasil? Quantas vagas universitárias são necessárias para suprir mão-obra qualificada? De uma ponta a outra, quantas demandas não temos para criar uma indústria futebolística de verdade. Portanto, se somente presidentes mudam as regras do jogo. Vamos derrubar o presidente. Como? Sei que não é uma tarefa simples. Mas pode ser começar apontados falhas e saturação do modelo atual. Apenas ilustrar segundo o blog do Emerson (Olhar Crônico Esportivo), o Share Liverpool produziu estudos apontado a fragilidade financeira que o clube se encontrará em julho. Bom, se lá encontram problemas. Aqui é o que não falta. Invertando uma expressão popular, se não vai por mal, então vai por bem. Para implementar esse projeto, não precisamos entrar no jogo deles. Nós precisamos encontrar quem quer jogar o nosso jogo. Por fim, eu disse na primeira mensagem que deveríamos expandir essa discussão. Em relação aos pormenores, creio que não devemos detalhar tanto.

Marcos Monnerat disse...

Julio Cesar, eu acho que expôr erros administrativos e mazelas financeiras do Flamengo atual não é problema. Quase todo dia tem notícia falando disso.

Em post recente do André aqui, inclusive, fica claro que o comemorado patrocínio da Cia do Terno não vai adiantar muita coisa para garantir o time de basquete do Fla e que, paralelamente a isso, temos o Universo conseguindo 1,5 milhão de reais de patrocínio para se mantêr (muito mais do que o Fla, o que demonstra incompetência da gestão atual).

Essa parte tá bem coberta. A parte de se criar um grupo organizado de flamenguistas com propostas concretas para se mudar a gestão do Fla, seja por dentro (associando-se) ou por fora (sei lá de que forma) ainda falta. Imagino que para isso decolar deveria haver um grande flamenguista encabeçando (Leonardo, Júnior ????, Zico, sei lá) e uma grande campanha de mídia para mobilizar flamenguistas notórios (Gabriel o Pensador, Patricia Amorim ???, sei lá mais quem) e por fim a massa.

Não sei se é esse mesmo o caminho, só tô "pensando alto" aqui.

Júlio Cesar disse...

Pessoal,

A discussão está ficando cada vez mais interessante. Entretanto, não sei se ainda hoje terei tempo de apresentar minhas idéias. Mas farei isso assim que puder.

A sugestão que faço quando fecharmos essa discussão aqui, é sintetizá-la e ampliar para outros fóruns.

Forte abraço,