Conversa com Ricardo Hinrichsen, diretor executivo de marketing do Flamengo - Parte 1

Ricardo Hinrichsen, Diretor Executivo de Marketing do Flamengo - foto da Globo.comQuem é, como chegou lá

A gente fala muito dessa “gente do marketing do Flamengo” e, no duro, não sabe muito sobre eles. Por isso, antes de mais nada, achei interessante saber qual afinal é a qualificação do atual gestor do marketing rubro-negro, como foi parar lá, quem mais trabalha com ele, como o departamento é estruturado, do que eles cuidam.

Ricardo Hinrichsen é formado em Administração. Estudou Gestão do Conhecimento na Coppe-UFRJ, também teve formação em Nova York e é especializado na “avaliação de ativos intangíveis” – marcas, por exemplo. Antes de chegar ao Flamengo, trabalhou em consultorias para diversos outros clubes de futebol, como Atlético-MG, Paraná, Vitória e Grêmio.

Seu primeiro contato profissional com o Flamengo, ainda trabalhando fora do clube, foi às vésperas de um momento doloroso da história rubro-negra. Hinrichsen trabalhou na Sirotsky Consultoria, que fez um estudo de viabilidade para a parceria do Flamengo com a ISL, encomendado pelo então presidente Edmundo Santos Silva. Foi nesta época que Ricardo conheceu não só Edmundo, mas também o próprio Márcio Braga – que depois, já presidente, o convidou para trabalhar no Departamento de Planejamento do clube, então chefiado por José Maria Sobrinho. Mais tarde, mudou de departamento e passou a gerir o marketing do clube – o que já dura dois anos, o primeiro como voluntário, o segundo como profissional remunerado.


O que é o departamento de marketing do Flamengo

Hoje, além do diretor executivo, são mais 9 profissionais trabalhando no Departamento de Marketing do Flamengo – sendo que alguns deles são gerentes cuidando de áreas específicas, como é o caso dos patrocínios. Esta área está sob os cuidados de Luis Fernando Tozzi, ex-professor da FGV, que trabalha, por exemplo, com os contratos com Petrobras e Olympikus. Também estão dentro das responsabilidades da equipe de Hinrichsen o licenciamento, franquias (das escolinhas e, agora, da FlaShop), Internet e possíveis novas parcerias comerciais – como, por exemplo, a que está sendo fechada com a Tam Viagens, que deverá gerar em 2009 uma agência virtual temática de turismo, voltada para os rubro-negros que queiram assistir jogos do time ou conhecer o Flamengo.

Não estão dentro do departamento as negociações de direitos de TV, nem nada relativo a ingressos para os jogos. Estas áreas são tratadas diretamente pela presidência e pela vice-presidência de finanças – embora outras áreas possam se envolver nas discussões ou participar de alguns processos. Por exemplo: a negociação do Passaporte Rubro-Negro, que seria criado para dar acesso a todos os jogos do Flamengo no Maracanã, não foi conduzida pelo departamento; mas lhes foi encomendada a criação de logomarca para o projeto e de um hotsite sobre ele – que acabaram nunca vendo a luz do dia, já que a idéia foi abortada antes do lançamento.

E algo impressionte: o departamento de Marketing do clube não tem um orçamento próprio, uma verba definida a administrar (“se olhar no papel, esse orçamento até existe, mas é só pra constar”). A cada projeto, a cada idéia ou necessidade que surge, é preciso negociar caso a caso a liberação de verba. Não há um X fixo para relacionamento com franqueados, outro para internet e por aí vai. Quem já trabalhou em alguma empresa, em especial em departamento de marketing, pode imaginar como fica difícil trabalhar qualquer planejamento desta maneira. Ainda falta um tanto pro Flamengo ser gerido como uma empresa com o orçamento do tamanho que tem deve ser.

Amanhã, falo do que Ricardo Hinrichsen espera de diferença na vida do Flamengo com o novo contrato com a Olympikus.

Um comentário:

Ronel disse...

Ótima reportagem, Monnerat. Estou aguardando o restante.