Por que votarei em Eduardo Bandeira de Mello para presidente do Flamengo

Falta pouco para as eleições e é hora dos poucos que votam no Flamengo pensarem bem no que querem para o clube nos próximos anos.



Não é difícil para o torcedor comum afirmar que a gestão de Patrícia Amorim no futebol não foi boa. Poderíamos falar de um monte de vexames e experiências tristes. Mas nem é preciso gastar muito tempo com isso: os resultados dentro de campo, a ponta mais visível da vida rubro-negra, estão aí para não deixar dúvidas.

Mas é isso: os resultados dentro de campo são apenas a ponta mais visível e, podem acreditar, não são fruto de azar. Como diz o título do livro de Ferran Soriano, um dos membros da diretoria do Barcelona que transformou a vida do clube catalão, "a bola não entra por acaso". Por trás de tantos problemas no gramado, há um sem-número de falhas fora dele. O Flamengo é um clube com organização precária, em todos os níveis. Não é algo apenas desta última diretoria, mas ela nada fez para tirá-lo desta situação.

O cenário bizarro aparece em casos que podem dar em grandes prejuízos, como o pagamento da dívida histórica e gigantesca com Romário: depois de romper com o Clube dos Treze, a diretoria não se deu conta de que era a entidade que repassava ao ex-jogador as parcelas do que lhe era devido, o que fez com que o Baixinho parasse de receber, indo bater na porta da Gávea para cobrar - e o Vice-Presidente de Finanças do clube afirmou, após meses de inadimplência, que soubera do caso havia apenas poucos dias. E aparece também em casos mais  pitorescos, como o corte de telefone na Gávea porque alguém esqueceu de pagar a conta ou a interdição do Ninho do Urubu porque não renovaram um alvará.

Este tipo de coisa mina a já abalada credibilidade do clube no mercado, tornando difícil atrair novos parceiros, levantar recursos e contratar bons profissionais em qualquer área. E acontece porque o Flamengo não se prepara para administrar seu orçamento de centenas de milhões de reais. Os departamentos não têm seus orçamentos bem definidos, os gestores não sabem com o que podem ou não contar, não há processos, não há controle, não há organização nos registros. Chega-se ao absurdo de passar um ano inteiro sem um único contador contratado. Não por acaso, ano após ano os auditores que avaliam as contas do clube deixam registrado que não receberam os documentos necessários para atestarem que os dados que ali estão são confiáveis. Quando o profissional contratado para dar um jeito de colocar os números no balanço foi chamado a falar no Conselho Fiscal, o que se ouviu foi uma sequência de lamentos de alguém que se dizia incapaz de exercer sua função, pois há muito cacique, pouco índio e nenhuma organização: "eu sou colocado de costas e tenho de pedir desculpas a alguém que passa a mão na minha bunda".

A questão não é apenas trocar as pessoas que estão lá dentro: é preciso mudar o modelo. Da maneira como funciona, com a gestão dependendo de sócios voluntários que trabalham de graça para o clube em meio a uma estrutura organizacional totalmente caótica, pode até acontecer de alguém bom surgir e conseguir boas realizações pontuais - como é o caso da área de Patrimônio, dirigida hoje por Alexandre Wrobel, apontado por unanimidade por quem lida com o clube como exceção em meio ao caos. Porém, a regra será ter à frente de cada área pessoas que ou não são os melhores profissionais possíveis ou não podem dedicar ao Flamengo todo o tempo e esforço necessário para o trabalho, por terem que conciliá-lo com sua própria vida profissional.

A esta altura, falar nisso é até chover no molhado: todos os candidatos, de uma forma ou de outra, já falam na necessidade de "mudança do modelo de gestão" e da "profissionalização". Na verdade, a própria Patrícia Amorim elegeu-se com este discurso em 2009. Infelizmente, avançou quase nada para colocá-lo em prática. O resultado é que, mesmo tendo assumido o clube no momento de maior empolgação da torcida em pelo menos 15 anos e governado num período de grande investimento no esporte, contando com a parceria importante de empresas dispostas a empurrar o clube para a frente como Ambev e Olympikus e dando a sorte de estar com a caneta na mão no momento em que mudou-se o modo de negociar os contratos de TV, Patrícia deixou o Flamengo ficar pra trás. Mesmo recebendo da Globo R$27 milhões a mais que o São Paulo em 2011, o clube conseguiu ter uma receita total no ano menor que a do tricolor paulista em R$22 milhões - e isso sem contar vendas de jogadores. O que explica isso?


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Dá pra entrar em mais detalhes e provavelmente eu o farei em outros textos aqui no blog até a eleição. Mas o que fica claro é que é preciso mudar o modelo de gestão. Porém, como escolher a melhor chapa para fazer isso? Toda a oposição levanta esta bandeira de alguma forma e a própria Patrícia já andou dando a entender que pretende fazer isso no próximo mandato.

Bem: simplesmente não dá pra comparar os currículos de quem está na Chapa Azul com os demais concorrentes. A ideia é formar, com gente de alto nível, algo como o Conselho de Administração que as grandes empresas têm, definindo estratégias e metas e contratando profissionais do mercado para tocarem a administração, remunerados e cobrados de acordo com seus objetivos. Nesta eleição, está sendo dada a oportunidade ao clube de ter como Vice-Presidente de Finanças, para procurar a melhor maneira de organizar as contas do clube e reestruturar sua dívida, um ex-presidente do Banco Central, Carlos Langoni. A partir de 2013, será possível ter como Vice-Presidente de Marketing o presidente da Sky, Luis Eduardo Baptista, acostumado a dirigir uma empresa com orçamento muito maior que o do Flamengo e bem sucedida em vendas no varejo. Os Esportes Olímpicos, onde Patrícia Amorim conta mais simpatia, poderão ter no ano que vem como Vice-Presidente um cara eleito por quatro anos como o melhor gestor de recursos do país, Alexandre Póvoa - que, ainda por cima, é ex-atleta do basquete rubro-negro. Junto com eles e outros deste nível, fazem parte do grupo de apoio o presidente da Visa do Brasil, o presidente da Cielo e por aí vai. O que as demais chapas têm a apresentar que se compare a isso? Como abrir mão não só da competência profissional, mas também da credibilidade que estes nomes têm no mercado em um momento como este?

Alguns dirão, justificadamente, que têm o pé atrás com o apoio que a chapa tem de alguns nomes mais antigos e conhecidos de mandatos anteriores. E, por mais que eu não acredite que estamos melhor agora, também não é meu sonho simplesmente trocar o de hoje pelo de ontem, pois os problemas do Flamengo vêm de mais tempo. Mas, em um mundo pequeno como o da política da Gávea, é difícil agir hoje totalmente desvinculado de tudo o que veio antes e composições foram importantes até mesmo para evitar um número ainda maior de candidatos de oposição dividindo votos. Os cabeças de praticamente todas as chapas já estiveram, em algum momento, aliados com diretorias anteriores que hoje criticam. E o fato é que nenhuma Vice-Presidência importante foi anunciada até agora para algum destes caciques históricos. É até difícil imaginar que pessoas com o currículo que estes executivos têm, com os nomes que construíram, se prestariam agora a serem meros laranjas de pessoas que nunca tiveram seu sucesso profissional.

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Para terminar: sou um dos membros iniciais do Sócios Pelo Flamengo. Me tornei sócio em 2009, basicamente para poder votar e não deixar sempre nas mãos dos mesmos as decisões em torno do meu clube. Acompanhei aquela eleição sabendo que não poderia participar, mas tendo muita dúvida sobre qual pareceria ser a melhor escolha.

Passada a eleição, comecei a conversar com alguns poucos outros sócios sobre como fazer alguma coisa para sermos ouvidos lá dentro. Outros, com ideias parecidas, foram se juntando. Começamos com trocas de e-mail e reuniões com meia dúzia de pessoas. Com o tempo, formamos grupos de trabalho, apresentamos propostas para alterar o estatuto, protocolamos cartas pedindo esclarecimento sobre as contas, realizamos campanha para atrair novos sócios, nos envolvemos de maneira prática. É algo cansativo, mas tem maluco pra tudo: hoje, sou apenas mais um entre mais de 100 sócios que tentam construir de forma coletiva algo interessante. Entre os que resolveram fazer parte deste grupo, bem antes de começarem a se formar candidaturas, estavam Wallim Vasconcellos, ex-diretor do BNDES, hoje indicado pela Chapa Azul como futuro Diretor-Geral; e Eduardo Bandeira de Mello, também executivo do BNDES, agora candidato a presidente. São rubro-negros apaixonados, que decidiram doar seu tempo e seu prestígio para participarem da transformação que querem ver no Flamengo.

Desta vez, foi bem mais fácil decidir qual minha opção preferida para as eleições no Flamengo. Em 3 de dezembro, estarei na Gávea para votar na Chapa Azul.


7 comentários:

Eduardo H. Costa disse...

Preciso. Parabéns pelo texto. Compartilhado. Abraço!

Francisco Mauro disse...

Sou sócio, voto e estou junto!!!

Luis disse...

Alea jacta est !!!

Unknown disse...

Bom texto, André. Também votaria chapa azul mas não sou sócio do Fla, por enquanto.
Já que vc parece ser participativo no clube, gostaria de te perguntar: como estão as intenções de voto ? A disputa vai ser basicamente entre Patricia e Eduardo mesmo ?
Abraço.

André Monnerat disse...

Olha, cada candidato está puxando uma pesquisa do bolso, cada uma com números totalmente diferentes dos outros. Então, se eu disser pra você acreditar em uma em vez de em outra, pode parecer meio complicado - até por eu já ter dito aqui qual é o meu preferido.

Mas me parece que os dois serão os mais bem votados sim.

Frederico disse...

Torcendo... que nosso Flamengo mude, dê a guinada necessária. Espero que vencendo a CHAPA AZUL, milhares, quem sabe MILHÕES?!?!, como eu possam também votar !!! somos, bem sabemos, uma Nação! que isso não fique só em bravatas de estádios ou ginásios! Nação Democrática Rubro Negra !!! O maior movimento do Esporte Mundial !

Mengão disse...

Isso ai Bandeira! Vai erguer o Fla!

E falando em bandeira..
Achei muitas fotos da Bandeira do Flamengo nessa rede social do Mengão: http://www.mengaodecoracao.com.br/fotos_de_bandeiras_do_flamengo-igfa-0-66398-1.htm
Entrem lá! A nossa bandeira é a mais linda do mundo!
Saudações Rubronegras.