Jogo: Flamengo 2 x 1 Atlético-MG - Brasileiro 2012 - 14a rodada

Em dia de estádio cheio e pressão para os dois lados, o Flamengo cresceu e o Galo se encolheu na melhor vitória rubro-negra da temporada.



Cuca fez um interessante exercício de ficção em sua entrevista após a derrota de ontem de seu Atlético Mineiro para o Flamengo. Reclamou do juiz, reclamou dos gandulas, disse que seu time "se impôs no segundo tempo mesmo com um a menos" e lamentou não ter tido um resultado melhor, apesar de ter estado prestes a fazer seu gol a qualquer momento.

Não foi nada disso o que aconteceu. Escrevi antes da partida que o Atlético viveria ontem um momento de pressão como ainda não havia tido no campeonato e que a incógnita sobre como reagiriam era parte do que fazia da partida algo imprevisível. E a verdade é que o time não suportou bem a situação. A sequência de resultados não tão bons, o estádio cheio, os apitos, as vaias ao seu jogador de mais nome e a vontade com que o Flamengo entrou em campo pesaram e assustaram. No primeiro tempo, levou mais de 40 minutos para conseguir a primeira finalização; no segundo, após um bom início em que chegou rapidamente ao empate, sentiu o baque do segundo gol e não se levantou mais. Até o final, tirando uma arrancada mal concluída por Ronaldinho, seus momentos mais perigosos saíram todos de cobranças de lateral diretas para a área. Muito pouco.

Pesou o desfalque de Bernard, melhor jogador do time, e a mudança no estilo de jogo que a opção de Cuca por Escudero causou. Com ela, o time mineiro deixou de ter dois jogadores rápidos pelas pontas, um dos seus pontos fortes nas boas atuações. Mas deu pra ver que, fora os lados técnico e tático, o psicológico influiu muito. A expulsão de Rever por agressão e algumas entradas feias mais pro fim do jogo foram sintomas disso.

E Ronaldinho jogou mais ou menos como eu esperaria na época em que esteve no Flamengo. Não deu pra ninguém inventar de sentir saudade do cara. E, depois de tudo, ele acabou proporcionando à torcida do Flamengo seu melhor momento no ano até agora.

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Já vimos alguns times limitados do Flamengo chegarem mais longe do que se esperava. Normalmente, para isso acontecer três coisas se juntam: organização e vontade em campo e apoio forte da torcida fora. Ontem, os três estiveram presentes pela primeira vez no campeonato.

No texto pré-jogo, escrevi que um bom caminho seria repetir a estratégia que o Náutico usou contra o Atlético nos Aflitos, colocando gente para atacar pelo lado do lateral Marcos Rocha para prendê-lo mais à defesa. Foi este o papel de Léo Moura ontem, atuando como um meia esquerda mais aberto. Fora isso, em termos táticos o esquema simplificado, com dois volantes protegendo a zaga (um deles, Amaral, mais atento a Ronaldinho quando este caía mais pelo meio), dois meias e dois atacantes facilitou a marcação, maior mérito do time ao longo da partida. Mas não teria funcionado se os jogadores todos não tivessem, desde o início, mostrado uma dedicação impressionante. Correram, diminuíram espaços, dividiram e deram chutões quando precisaram e não deixaram os adversários tranquilos em nenhum momento. Foi um jogo duro, sem tantas chances de gol, mas no qual o Flamengo, a não ser pelo início complicado do segundo tempo, sempre se impôs.

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E o tal do Wellinton Silva, hein? Que coisa.

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Em um jogo bem difícil de se apitar, o juiz se saiu impressionantemente bem. O único erro mais grave foi um impedimento mal marcado de Léo Moura no primeiro tempo, quando ele invadia a área sozinho com a bola dominada.



26/9/2012 - 22h - Flamengo 2 x 1 Atlético-MG
Engenhão - Rio de Janeiro, RJ
Público/Renda: 34.060 pagantes/R$ 532.110,00

Árbitro: Jailson Macedo Freitas (BA)
Auxiliares: Altemir Hausmann (RS) e Kleber Lucio Gil (SC)

Cartões amarelos: Víctor Cáceres (FLA), Richarlyson, Jô e Carlos César (CAM)
Cartões vermelhos: Réver (CAM)

Gols: Vagner Love, 21'/1ºT (1-0), Jô, 4'/2ºT (1-1) e Liedson, 11'/2ºT (2-1)

Flamengo: Felipe, Wellington Silva, Frauches, González e Ramon (Magal 6'/2ºT); Amaral, Cáceres (Bottinelli 34'/2ºT), Léo Moura e Cleber Santana; Liedson (Adryan 43'/2ºT) e Vagner Love. Técnico: Dorival Júnior

Atlético-MG: Victor, Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver e Richarlyson; Pierre, Leandro Donizete (Carlos César 37'/2ºT), Danilinho (Guilherme 17'/2ºT), Escudero (Neto Berola 25'/2ºT) e Ronaldinho; Jô. - Técnico: Cuca

6 comentários:

Pablo Alcântara disse...

É, o time teve bem mais organizado. Espero que continue. Uma coisa que eu acho que pesou foi ter jogadores mais cascudos em campo. Acho legal ter jovens, moleques mesmo, mas tem que ser um ou outro e de vez em quando. Com o time pressionado, pior ainda. Ontem ninguém se escondeu do jogo como em partidas anteriores. Ah, e o juiz não precisava ter dado cartão pro Caceres, tirou o cara do Fla x Flu. Vai pesar.

Luis disse...

A mexida Wellington Silva/Leo Moura e a entrada do Cleber Santana deram uma dinâmica nova ao time, mas quando a torcida joga fica tudo mais fácil e o Manto renasce.

Só espero que a gente não rife a garotada, que é boa mas tem que entrar aos poucos.

Pedro Concy disse...

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Foi uma partida que pode (ou nao) ter sido fruto do acaso. Uma seqüência de partidas consistentes dirá se o time encaixou ou se mero fortuito. Lembremos que, na última partida, contra o tenebroso lanterna, contamos os segundos para a partida logo acabar.
De todo modo, diria que não há melhor momento no campeonato para pegarmos a turma do laranjal. Auto-estima dos jogadores nas alturas, torcida apoiando o time e Dorival tendo oxigênio para refletir sobre as variações táticas.
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O que é o Ramon, hein? Eu achava que o Juan era o pior titular absoluto que já passara pelo Fla. Ledo engano. O Ramon é um horror. Não ataca bem, nao defende bem. Nao tem velocidade, nem técnica. Com o elenco atual, poderia colocar um zagueiro-lateral por ali, como alguns times europeus costumam fazer. Ou subir algum moleque da base. Não dá é pra continuar com esse traste.

Paulo Sales disse...

Concordo com o Luís: as entradas de Cleber Santana e Wellington Silva e a saída de Léo pro meio deram uma dinâmica boa, complementada pela base segura de volantes. E Liedson e Love impõem respeito. Bela partida do Flamengo. Ramon foi a nota dissonante, mas Magal é ainda pior. E foi bonito detonar o babaca do Ronaldinho.

André disse...

Wellington Silva impressionantemente bem na lateral direita!

Realmente 2 volantes forte no meio dão mais segurança para a defesa.

Espero que o Dorival não se enrole com a volta do ibson que deve ficar no banco.

Ontem eu colocaria um pouco mais cedo o Adryan para puxar contra ataques, principalmente após a expulsão do Réver.

Brutozzi disse...

Notável também o quanto melhorou o jogo do González e do Frauches (mas com destaque para o primeiro), jogando protegidos por dois volantes de marcação.