Marketing do Flamengo consegue que Kelly Slater vista a camisa rubro-negra. E...?

Ter o surfista vestindo vermelho e preto até é legal. Mas fica pequeno perto do patrocínio que não chega, do craque que não tem a imagem estourada e de mais uma briga com ídolos do clube.


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Tendo boa vontade, conseguir que Kelly Slater vista a camisa do Flamengo e seja fotografado com ela até tem algum efeito prático: a foto foi parar na home da Globo.com, rodou em um monte de outros sites, com certeza estará em jornais de amanhã. Isso conta pro relatório de exposição de mídia, que vai ficar mais bonito nas apresentações do marketing do clube para possíveis parceiros e patrocinadores. Só isso, isoladamente, não vai resolver nada, mas faz parte do trabalho de formiguinha dia após dia para que o resultado geral, no fim, seja o melhor possível.

Mas é claro que, em termos de "internacionalização da marca" - papo que vem surgindo agora lá de dentro todo dia por qualquer motivo, até lançamento de relógio caro aqui no Brasil virou "internacionalização da marca" -, isso não quer dizer nada. Imagino até se, nessa linha de atuação, não vão aproveitar a participação de Ronaldinho Gaúcho no "Dança dos Famosos" da Argentina pra tentar que ele vista a camisa do Flamengo no Mike Tyson e na Pamela Anderson.

E o negócio é que, como o que mais se espera do marketing não está saindo - no caso, a assinatura de um novo grande patrocínio ou mesmo as aguardadas ações usando a imagem de Ronaldinho, sem falar em sócio-torcedor e outras projetos realmente de impacto -, estas ações de vestir a camisa em qualquer gringo que passe pelo Brasil estão começando até a gerar comentários negativos nas redes sociais. Sabemos que não é fácil fechar um patrocínio de dezenas de milhões, que as empresas fecharam seus orçamentos, que o Corinthians também demorou meses depois que Ronaldo chegou... Mas o tempo tá passando, o buraco no orçamento vai crescendo e, à medida em que os questionamentos sobre Ronaldinho vão aumentando, a situação vai ficando mais difícil.


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Ao mesmo tempo, de maneira inacreditável, o marketing do clube pode conseguir que o lançamento do tal relógio de 40 mil reais - contra o qual não tenho nada, claro - jogue o clube numa disputa judicial contra os ídolos responsáveis pelo título que o produto tenta homenagear. É algo incrível, mas ninguém os consultou antes de usar suas imagens para a campanha do produto e, mesmo depois de saberem que os jogadores se incomodaram, ainda vão à imprensa dizer que cogitam usar as imagens mesmo assim, à revelia deles, dependendo da interpretação dos advogados.

Eis meu humilde conselho: esqueçam a interpretação dos advogados. Chamem Júnior, Andrade e os demais pra conversar e acertem isso com eles. Esta situação já é ruim pra imagem do tal relógio e do próprio clube, que vai acabar pegando cada vez mais a fama de tratar mal os seus ídolos.

6 comentários:

Chefe disse...

Vamos por partes:

1º: Depois de tudo que o Flamengo passou no ano passado em relação a casos de polícia, ver alguém de destaque internacional é muito bom, serve pra separar a camisa dos problemas, por isso neste momento eu apoio.

2º: O patrocínio master nos valores que o Flamengo quer é difícil de arrumar agora por diversos fatores. época do ano, desconfiança dos patrocinadores e etc. É claro que se o time estivesse avassalador e sem problemas(culpa da torcida que fez crise a toa por Adriano, um dos maiores responsáveis por TODOS os últimos problemas do time)os patrocinadores já estariam loucos atrás do Flamengo, mas infelizmente até agora isso é sonho.

3: Acho que o marketing do Flamengo dá muita bobeira deixando de explorar melhor a marca, mas atualmente esta trabalhando melhor do que a alguns anos atrás.

4: A questão da imagem dos jogadores é complicada. Pertence a eles ou ao clube? Foi tirada em horário de trabalho, com o uniforme do clube. Mas sei que não sou a pessoa mais apropriada pra falar sobre isso.

André Monnerat disse...

Chefe, por que você não é a pessoa mais apropriada pra falar sobre isso? Quem é você? :)

De qualquer forma, sobre a questão da imagem dos jogadores: pra mim, pior ainda do que usar sem falar com eles é cogitar publicamente continuar usando depois deles terem dito que não querem. O relógio é lançado dizendo que quer homenageá-los. É óbvio que isso vai repercutir mal, especialmente se for parar na Justiça. Chama eles pra conversar e resolve o problema.

Chefe disse...

Andrade, tá ai um cara controverso.

Quando era auxiliar no Flamengo teve um briga com o então goleiro Bruno e chegou a dizer que Bruno não era nada no Flamengo. Como técnico barrou Petkovic do time, o mesmo Petkovic que liderou o hexa. Hoje reclama do tratamento que o Flamengo dá aos seus ídolos, citando até o descaso com Pet que ele começou. E quando o clube resolve usá-lo como ídolo, ele não gosta e ameaça processar.

Ou ele faz isso por falta de inteligência ou faz para aparecer.

Bosco Ferreira disse...

Acabei de ouvir e vêr pela TV Diário de Fortaleza via internet que o jogador Nicássio, 28 anos artilheiro do cearense pelo Ceará, já acertou tudo com o Flamengo.

Já viaja para o Rio de Janeiro com a delegação rubronegra para fazer os exames médicos e assinar o contrato:
http://verdesmares.globo.com/tvdiario/stream/index.html

Ricardo Nagato disse...

Enquanto isso, o Internacional, sempre muito à nossa frente, segue inovando e partindo para soluções práticas, com retorno real para o clube.

Vejam o site de compras coletivas que o Inter lançou em março: http://www.internacional.com.br/socios/pagina.php?modulo=14&setor=151&codigo=13957.

Enquanto isso, no nosso Mengão...

Nada de patrocínio master, nada de explorar imagem de Ronaldinho, Thiago Neves, Cesar Cielo, Marcelinho, Diego Hipólito, Fabiana Beltrame...

André Monnerat disse...

Ricardo, esse assunto da Rede Colorada tá como pauta pra eu escrever um post aqui no blog tem um tempinho, ainda não consegui ter tempo só. A ideia é ótima e pro Flamengo, marca nacional, com maior potencial de marca e atuação em mais esportes, faz mais sentido ainda. Já tem um tempo que eu penso nessa aplicação do modelo de vendas coletivas aos clubes de futebol, acho que tem um potencial muito bom.