Copa do Brasil - Oitavas-de-final - Jogo de volta - Horizonte 0 x 3 Flamengo

Luxemburgo, insiste nessa linha aí que você vai se dar bem.



Depois de tantos jogos, eis que pela primeira vez no ano o Flamengo apresentou algo com jeito de time. O esquema mudou e se simplificou, jogadores encontraram seus lugares em campo e vimos a melhor atuação desta temporada. Claro, era apenas o Horizonte do outro lado, mas já haviam sido Madureira, Nova Iguaçu, Resende, Duque de Caxias e até mesmo o próprio Horizonte.

Na verdade, os primeiros minutos do jogo nem pareciam promissores. Era uma partida equilibrada, na qual o Horizonte até tinha mais facilidade para trocar passes e manter a posse de bola. Só que isso durou pouco: com menos de 10 minutos, Galhardo fez um gol sem querer que mudou o panorama e tranquilizou o time.

Daí até o intervalo, o Flamengo fez por merecer uma vitória mais folgada. Deivid teve duas chances, Wanderley outras duas, Bottinelli já havia perdido a dele... As jogadas saíam com naturalidade. No início do segundo tempo, veio o segundo gol. E aí, com a parada totalmente resolvida, o time diminuiu o ritmo e Luxemburgo até poupou jogadores.Só não dá pra dizer que não houve mais nada porque veio o improvável golaço de Willians, que só não entrou com bola e tudo porque teve humildade em gol. Coisa de maluco.


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E como explicar esta melhora do time, assim, "do nada"?

Luxemburgo mudou o esquema, colocando o time num 4-4-2 clássico e bem mais simples de entender do que as formações que vinham sendo usadas até agora. Thiago Neves, antes, era um atacante que tinha que abrir, tinha que vir pro meio, tinha que voltar pra buscar a bola, aparecia por todos os lados sem saber exatamente sua função e quase sempre acabava como o jogador que mais tinha corrido em campo. Agora ficou mais fácil de dizer sua função: um meia ofensivo, que podia já se colocar mais atrás, pois sabia que sempre haveria dois atacantes à sua frente para serem servidos. E nem por isso deixou de aparecer à frente pra concluir. Tendo definido seu papel em campo, Thiago achou seu lugar e participou mais e melhor do jogo.

E não foi o único. Bottinelli fez dupla de armação com ele e os dois se entenderam bem. O argentino também encontrou seu espaço no gramado, participou bastante, acertou passes, enfim - fez uma primeira bela partida com a camisa rubro-negra. Dois meias, armando para servir dois atacantes e também chegando na frente para concluir - eis a receita da boa atuação. Também ajudou a presença de Renato como segundo volante, ajudando a bola a chegar melhor e mais rápido a estes meias.

Não há motivo para euforia e nem tudo foram flores, claro. Mesmo no primeiro tempo, quando o jogo foi mais à vera e o time foi bem, o Horizonte em diversos momentos teve bastante espaço sobrando para trabalhar no meio-campo. É o efeito colateral de ter dois meias e Renato de segundo volante, num primeiro jogo nesta formação, sem grandes treinos para isso ser colocado em prática. Contra o Horizonte, valeu o risco e a coisa correu razoavelmente tranquila. Mas teria sido assim contra um adversário mais forte - como o Vasco, por exemplo? Sinceramente, não sei.

Mas eu insistiria neste caminho. Se Ronaldinho voltar - não acredito que aconteça neste domingo -, que seja no ataque, mantendo este mesmo desenho.


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Deivid até que jogou razoavelmente bem. Se movimentou, acertou passes, deu sequência às jogadas e ganhou um gol de presente de Thiago Neves. Mas perdeu outro inacreditável e conseguiu que, numa partida tranquila como esta, ainda gritassem contra ele.

Eu tento ter boa vontade e defender o cara, mas ele tem que me ajudar nessa aí. Não se perde um gol daqueles.


27/04/2011 - 22h - Horizonte 0 x 3 Flamengo
Domingão - Horizonte, CE

Árbitro: Héber Roberto Lopes (Fifa/PR)
Auxiliares: Alessandro Rocha de Matos (Fifa/BA) e Gilson Bento Coutinho (PR)
Cartão amarelo: Carlinhos, Siloé (HOR); David, Galhardo (FLA)
Cartão vermelho: Hércules, aos 29'/ 2ºT (HOR)

Gols: Galhardo, aos 9'/ 1ºT; Deivid, aos 3'/ 2ºT; Willians, aos 35'/ 2º T (FLA)

Horizonte: Alex, Robert, Carlinhos, Douglas e Hércules; Valter (André Luís, aos 6'/2º T), Isac (Lúcio Maranhão, aos 18'/2º T), Elanardo e Diego Palhinha; Júnior Cearense (Da Silva, aos 33'/2ºT) e Siloé. Técnico: Roberto Carlos.

Flamengo: Felipe, Galhardo , Welinton, David e Rodrigo Alvim; Willians, Renato, Bottinelli (Fierro, aos 16'/2º T), Thiago Neves (Diego Maurício, aos 33'/2ºT); Deivid e Wanderley (Muralha, aos 22'/2º T). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

10 comentários:

Cleber Soares disse...

André,
concordo com vc, é só Luxa não ficar inventando que as coisas devem melhorar e muito, R10 tem lugar sim, no ataque, esse meio, sem Maldonado, que me descupe, é bem melhor... acho que foi o melhor jogo do mengo, Horizonte.... só o dos títulos que mengão vai conquistar esse ano.... incrível, até o Rodrigo Avim jogou bem hoje.... també é preciso exaltar os cearenses, bom time e com bom jogadores...

BLOG DO CLEBER SOARES
www.clebersoares.blogsot.com

Alan disse...

Eu já havia comentado aqui há algum tempo, e insisto novamente (agora com algo mais palpável pra discutir): dois zagueiros, dois laterais, dois volantes, dois meias, dois atacantes. Simples assim.
E digo mais, André. Tenho cá minhas dúvidas se colocaria Ronaldinho no ataque. Acho que colocaria ele no lugar do Botineli, pra deixar o argentino como opção de segundo tempo, e deixava o ataque com alguma variação de DM/Negueba e Wanderey/Deivid de centroavante.

Pedro disse...

enfim o luxa se rendeu ao esquema com dois meias... o q não dá pra entender é deivid e wanderley junto. um é reserva do outro, assim como negueba e diego maurício lutar por uma vaga no time titular. tem q ter correria lá na frente pra aproveitar os dois meias.

Pablo Alcântara disse...

André, acho que ele já usou esse time com Deivid e R10 na frente e Botineli e TN no meio, não? Mas tudo bem, agora tá todo mundo mais nos cascos e vale a pena tentar mais.

Aquele gol que o Deivid errou ali parece uma coisa besta, mas tem um peso mto grande. Ele não podia ter errado. Ainda não há confiança no cara.

Marcos Monnerat disse...

Também acho que tentaria o Ronaldinho Gaúcho no meio. Com Diego Maurício e Deivid no ataque.

Ou tentaria um ataque com ele e o Diego Maurício. Ele caíndo pela esquerda e fechando para o meio e o Diego Maurício fazendo a mesma coisa pela direita.

O problema dessa segunda opção é ele ter que jogar com o Alvim, que é uma negação. Mas com a ajuda do Thiago Neves e/ou do Botinelli pode ser que dê certo.

André Monnerat disse...

Pablo, quando ele usou Ronaldinho, Thiago Neves e Bottinelli juntos, ele não fez este 4-4-2. Ele usou Ronaldinho e Thiago Neves nessa posição de atacantes-abertos-livres-pra-se-movimentar-por-todo-o-campo. Ontem, o Thiago teve uma função bem mais clara, meia ofensivo, com dois à sua frente sempre. Eu não mexeria nesta dupla de armação não.

Quanto ao Ronaldinho no meio: pode até ser. Mas tendo a achar que tanto ele quanto Thiago tendem mais a prender e carregar a bola do que a passar. Fiquei mais satisfeito com o jeito como os estilos do Thiago e do Bottinelli se encaixaram.

E devemos lembrar que os melhores momentos do Ronaldinho na Europa foram jogando na frente, não no meio. Isso foi muito usado inclusive como justificativa pra suas más atuações na Seleção ("no Barcelona ele é atacante, aqui querem que jogue no meio...").

Pablo Alcântara disse...

Sim, é mesmo, usou diferente.

Tiago Cordeiro disse...

Achei o Deivid medíocre de novo. O pouco que foi bem foi mais pela boa atuação do time do que dele.

Cara legal, flamenguista e tal... Mas pra jogador, babou. Senta, rescinde e assina de novo como auxiliar técnico, animador, palestrante sobre penais... Sei lá. Jogar não dá.

cardososanto disse...

Bom dia, o ataque tem que ter o Diego Maurício e outro qualquer.
E o Botinelli tem que jogar também.
abraços...

cardososanto disse...

Bom dia! O ataque tem q ter o D.Maurício e mais outro qualquer, pois o restante se parece.
E o Botinelli tem q jogar também.
abraços...