Copa do Brasil - 1a. fase - Murici 0 x 3 Flamengo

Um jogo complicado na maior parte do tempo que se tornou tranquilo na última meia-hora. Mas ainda não deu se convencer com o Flamengo


Uma atuação muito ruim do Flamengo por, mais ou menos, três quartos do jogo. E um jogo bem diferente no quarto final, o que bastou para que uma partida que parecia complicada terminasse em um tranquilo 3x0 - e poderia ter sido 4, se Renato não tivesse ainda perdido uma chance incrível. E, mesmo com 100% de aproveitamento em seus jogos oficiais no ano, o time segue sem uma atuação convincente.

O Murici entrou claramente orientado para tocar a bola com paciência, apenas para ficar com ela e correr menos riscos - e o Flamengo colaborou, marcando sempre de longe e saindo devagar para o ataque quando recuperava a bola. A objetividade dos alagoanos simplesmente não existia, mas não deve ter sido muito sem querer não. E o primeiro tempo inteiro foi de pouquíssimas chances de gol para os dois lados, exatamente como lhes interessava.

Nos primeiros minutos do segundo tempo, até pareceu que eles estavam ganhando confiança para arriscar lances realmente visando o gol. Só que, com uns 15 minutos, Luxemburgo resolveu mexer para colocar o Flamengo mais pra frente. O técnico do Murici amarelou, tirando um atacante para colocar um homem de marcação, recuando o time. Pra completar, o preparo físico deles foi parecendo cada vez pior à medida que o tempo passava. E essa combinação de acertos de Luxemburgo com medo e cansaço do Murici resolveram o jogo em sua última meia hora.

Até agora, todas as vitórias foram em cima de adversários que, na maior parte do tempo, tiveram postura de time pequeno. E o time passou no teste dos resultados nesta situação. Domingo, pela primeira vez, as circunstâncias podem ser diferentes. Vamos ver no que isso afeta a produção do time.



Fierro ajudou o time a funcionar pela direita

No primeiro tempo, o Flamengo tinha Renato jogando sempre a no máximo 5 metros da linha lateral esquerda, em uma faixa de campo curtíssima. Ronaldinho e Thiago Neves seguiam com a tal "liberdade" que não se resolve, mas ambos jogavam bem mais pela esquerda do que pela direita. E Angelim ainda arriscava seu apoio por ali também. O time, além de mostrar que ainda não tem nenhum padrão para atacar, ainda parecia bastante torto.

No segundo, Renato descolou um pouco da lateral e, principalmente, houve a entrada de Fierro. Com ele, Léo Moura ganhou companhia e o Flamengo passou a jogar mais com ele - que, afinal, é o melhor jogador do time no ano. E foi por ali que saiu o primeiro gol (quando Ronaldinho, curiosamente, já havia virado centro-avante após a saída de Deivid) e as melhores jogadas do time.

Nos últimos dois jogos, Fierro entrou em uma função um pouco diferente da que se sente melhor, meio como segundo volante. Mesmo assim, mostrou bom entendimento com Léo Moura - o que não é novidade: acontece toda vez que ele joga mais pela direita, desde a fase final do Brasileiro de 2009, embora não seja todo mundo que note isso.



Renato, imprescindível num time que joga mal. Tem que ser assim?

Ontem, o goleiro do Murici falhou. Mas é inegável: num time que joga mal, Renato é muito importante. Volta e meia consegue seus golzinhos de bola parada, que salvam pontos que parecem às vezes improváveis.

A questão é: será que o time não jogaria melhor sem ele em campo e, assim, precisaria menos destes pequenos milagres que vêm de vez em quando? Meu palpite é que sim. Hoje, com a bola rolando, sua função é limitadíssima. Não é importante na marcação, não ajuda no toque de bola, não dá passes decisivos, raramente entra na área para concluir e move-se, lentamente, em uma faixa pequena do campo.

Porém, de bola parada em bola parada, ele segue garantindo seu lugar cativo no time.



A boa marra de Negueba

É impressionante como Negueba não sente o menor peso de estar começando nos profissionais do Flamengo. De cara eu percebi que é um cara marrento, mas isso está contando a favor. Ele liga o foda-se e faz o dele - arrisca mesmo, achando que vai dar sempre certo, e a confiança ajuda a dar mesmo. Ontem, até chamar o Ronaldinho pra sambar comemorando o seu gol ele fez, com a maior naturalidade do mundo, de igual para igual.



O enigma da lateral esquerda

Sinceramente, não tenho a impressão de que Egídio tenha se saído pior na lateral esquerda este ano do que Renato ou Angelim. Ou até mesmo do que Juan andou jogando já por um bom tempo.

Ok, não quer dizer grande coisa. Mas talvez a implicância com ele - até justificada - esteja fazendo Luxemburgo ir longe demais nas invenções pra tentar suprir a deficiência que o time tem na posição.




16/2/2011 - 22h - Murici 0 x 3 Flamengo
Estádio Rei Pelé - Maceió, AL
Renda/público: R$ 662.500/ 15.100

Gols: Ronaldinho, Renato e Negueba.

Flamengo: Felipe; Léo Moura, Welinton (Egídio 9'/2ºT ), David e Ronaldo Angelim; Maldonado (Fierro 9'/2ºT), Willians, Thiago Neves, Ronaldinho e Renato; Deivid (Negueba 18'/2ºT). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Murici: Dias, Alex Murici, Nado, Sinval e Paulinho; Gueba, Serginho, Gustavo (Edvaldo 10'/2ºT), Everlan; Josy e Alexandro(Franco - intervalo). Técnico: Gilmar Baptista.

10 comentários:

Bosco Ferreira disse...

Gostaria de vêr uma paciente sequência jogos com Diego Maurício e Negueba.

Com mesma paciência que o Luxa tem com o Deivid e Renato Silva.

Pedro disse...

brincadeira o luxemburgo deixar o time sem um atacante de área. se o posicionamento do ronaldinho e thiago neves já tava uma zona, depois disso então...

sorte do luxembrugo que a classificação vai ofuscar essa idéia de jerico dele.

o angelim não é banco do wellington nunca.

o luxa tem que parar de inventar na lateral esquerda e dar moral pro egídio.

e pra mim o renato sai.

Gabriel Folha disse...

Penso exatamente isso, será que o Egídio foi tão mal assim?? Tão pior que Renato, Angelin e Juan??

Não vi isso.

Renato e Deivid... ta foda!

Raphael Perret disse...

Eu lembro da combinação Fierro-Leo Moura em 2009. Deu certo no terceiro gol do Flamengo nos 3 a 1 sobre o Galo no Mineirão. E funcionou bem em outros jogos, sim.

Raphael Perret disse...

Também nunca achei o Egídio tão ruim assim como dizem. Pode não ter futebol pra ser titular, mas também não chega a ser uma avenida pro adversário.

E sabia que até gostei do Ronaldinho como centroavante? Acho que prendeu mais a defesa (e nem adiantou, já que ele fez o gol de cabeça, que nem é sua especialidade, entre dois zagueiros), dando espaço pra jogadores que vinham de trás. Mas naquele momento o Murici já estava morto tb...

rnagato disse...

Eu ainda apostaria no Egídio. Também não vi nenhum jogo tão ruim nele e não entendi a implicância do Luxa.

Egídio é mais rápido, cruza melhor, passa melhor e chuta melhor que os outros citados (Angelim e Renato são lentos, Renato chuta melhor e só, Juan já foi), sem brilhar em nenhuma dessas funções, mas pro momento já é o suficiente.

As entradas do Fierro, Egídio e Negueba deixaram o time bem mais rápido. E ainda temos DM, Wanderley e Botti, que também devem deixar o time mais rápido.

Com Renato, Deivid, Maldonado, 3 zagueiros, o time fica lento e previsível.

Com time mais rápido, TN e R10 aparecem mais. Isso aconteceu ontem. E se tornam mais decisivos.

SRN

The Dog disse...

O problema do time ta muito claro, falta de mobilidade, movimentação. O Deivid é um jogador a menos, ele fica escondido no meio da zaga, não se movimenta pra criar oportunidade, faz muito pouco o pivo, é uma peça nula. E o Renato é outra peça nula absolutamente inoperante pelos motivos já citados Andre.

Aí acontece que dos 4 jogadores responsaveis pela parte ofensiva, dois não existem, aí não tem como, o jogo não flui.

O dia que o time tiver o DM de atacante e o Botinelli de enganche no meio as coisas vão começar a andar, quero ver quando o Luxa vai perceber que jogar com Deivid e Renato não dá.

E eu tambem jogaria com o Egidio, não vi ele indo tão mal assim pra ser sacado do time.

Flávio disse...

Eu passei 10 anos achando que o Luxemburgo seria a solução para o Flamengo.
Sem dúvida ele tem uma visão melhor do que os outros treinadores sobre estrutura, centro de treinamento etc.
Mas dentro de campo... É lamentável ver o Angelin de lateral, o David de atacante e o Renato no meio. Ainda mais num meio de campo que tem Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves.
Perdi a conta de quantos anos paguei ingresso e pay per view para ver um meio de campo com Da Silva, Junior (2005), Paulinho, Léo Medeiros, Fellipe Gabryel, Toró, Goeber, Vinicius Pacheco, Andrezinho, Douglas Silva, André Gomes, Felipe Mello, Paulo Miranda, dentro outras pérolas. Fico pasmo em ver o Luxemburgo escalar o Renato.
Agora que temos Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves, além de Maldonado e Willians, não é possível ver esse Renato em campo.
O Luxemburgo está se igualando a Apolinho, Cuca, Rogério e Sillas.
Lamentável!

Valente Filho disse...

Vou responder por tópicos:

1- Onde assino?

2- Dos meus amigos sou a ÚNICO que gosta do Fierro. Penso que ainda pode jogar seu melhor futebol, só que tem que ser rápido. O Wanderley gosta dele, tanto que tentou levá-lo para onde estava, em diferentes momentos. Se sempre correr o que correu ontem o Willians pode perder a vaga pelos erros de passe ou o Maldonado pela falta de mobilidade nas coberturas, principalmente pelo lado direito.

3- Juntando o caso acima, como nunca gostei do Renato sugiro Fierro por Renato. Motivos: rapidez nos contra ataques, melhor passe na saída, jogadas pela direita e liberdade ao Thiago Neves.

4- tenho um amigo que foi goleiro do Flamengo na base e hoje não joga mais lá, hoje passou para Geografia na UFF, comentei a sensação de marra do Negueba e ele me disse que é só dentro do campo, o moleque é humilde e até quieto.

5- Defendo o Egídio acho que ele equilibra o time. Quem desequilibra é o Renato que só corre, não joga nada.

Concluindo, meu time seria:

Felipe (apesar de não confiar nele;
Léo Moura, David Brás, Angelim (me parece em forma), Egídio;
Williams, Maldonado, Fierro, Thiago Neves;
Ronaldinho (não dá para tirar o cara) e Diego Maurício.

Tirando o Ronaldinho todos correm, O flamengo poderia adiantar a marcação com 6 homens no campo de ataque e defesa alta com 4 jogadores. Diminuindo o campo do adversário. Jogaríamos com equilibrio e não tortos (todos na esquerda e o Léo só).

André Monnerat disse...

Valente, seria esse meu time também.
Embora eu ainda tenha expectativa de ver o Bottinelli jogando.