O gol de Messi é o que menos me preocupou ontem na preparação para a Copa de 2014

Ontem o Brasil fez mais um amistoso em sua preparação para a Copa de 2014. Mas esta preparação liderada por Mano Menezes, pra mim, não é lá muito relevante. Mais importante é a outra, que está nas mãos de Ricardo Teixeira. E uma notícia bombástica sobre ela saiu ontem na imprensa, mas teve um espaço beeeeeem menor do que deveria.

Descobriu-se que o Comitê Organizador Local, que cuida da organização da Copa de 2014, é uma empresa, no formato de sociedade limitada, tendo como sócios a CBF e Ricardo Teixeira, pessoa física. E que o contrato social desta empresa permite que os lucros obtidos com a Copa sejam divididos entre os sócios da maneira que melhor entenderem, sem respeitar a percentagem de cada um no negócio (no caso, a CBF tem 99,99% da empresa, enquanto Ricardo Teixeira tem 0,01%). E como Teixeira é quem responde pela CBF na sociedade, isso quer dizer que ele pode pegar para si próprio o quanto quiser dos lucros do evento. Na maior cara-de-pau.

Isso seria menos revoltante se não houvesse tanto dinheiro público envolvido na Copa, ajudando a gerar o lucro que Teixeira poderá embolsar da maneira que achar melhor. Não falo apenas da construção de estádios - que, é lógico, está sendo financiada em sua maior parte pelo Estado, ao contrário do que a CBF prometia lá atrás -; mas também do fato de que o Congresso Nacional aprovou lei isentando o COL e a FIFA de todo e qualquer imposto que devessem pagar pela organização da Copa do Mundo. É o seu, o meu, o nosso dinheiro.

O Ministro dos Esportes simplesmente escapa das perguntas. Muitos dos principais veículos de imprensa do país ignoram solenemente o assunto. O único constrangimento um pouco mais sério que Ricardo Teixeira parece ter com essa história é o fato de estar impedido legalmente de assinar contratos com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais do Estado - resultado de uma condenação na Justiça, ainda em primeira instância, por conta do "vôo da muamba" de 1994, quando a delegação da Seleção Brasileira chegou ao Brasil vinda da Copa dos EUA em um avião supercarregado de mercadorias e deu um jeitinho de ter tudo liberado.

Mas podem crer que mesmo isso aí vai ser resolvido, de um jeito ou de outro. O Brasil não parece ter mudado tanto assim.


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Pra vocês verem que não, não é assim em qualquer lugar do Mundo: na Inglaterra, estão chegando à conclusão de que os custos das obras para as Olimpíadas de Londres, em 2012, ficarão abaixo do orçamento; e a federação de futebol da Alemanha decidiu dividir os lucros que teve com a boa campanha na Copa do Mundo deste ano com os clubes do país.

Como se vê, igualzinho ao que temos aqui.

3 comentários:

Bosco Ferreira disse...

O que é que eu vou dizer? A imprensa cala. O mundo toda cala.

Imaginemos que fosse o Flamengo que fizesse um acordo desse com o Zico, como estava aimprensa uma hora dessa:

André disse...

Para quem viu Tropa de Elite 2: "O sistema é foda"

Não tem jeito. Não tem solução. Este é o Brasil. E quer saber? A copa no brasil vai ser um caos. Vai ser entregue tudo nas coxas e poucas coisas vão funcionar.

André Monnerat disse...

Não acho que "poucas coisas vão funcionar" não. Temos experiência já com esses megaeventos: na hora, tudo funciona.

O problema é o custo que isso tem e o que sobra pra população depois.