Quanto estão rendendo ao Flamengo os jogos no Maracanã

Estou devendo o fim da série de posts sobre o balanço patrimonial do Flamengo em 2009. Mas em um dos que escrevi, sobre as receitas do clube, chamei a atenção para a importância do dinheiro de bilheteria para o clube nos anos anteriores, e como esta grana é uma incógnita para este ano - devido à incerteza sobre o nível da campanha do time e até mesmo sobre onde ele irá jogar até o fim do ano. E como andam estes números no Brasileiro até agora?

Nas últimas três temporadas, a média de público do Flamengo no Brasileiro foi de cerca de 40 mil pessoas por jogo, graças às boas campanhas que o time fez. Este ano, o campeonato começou em marcha lenta, pois havia a Libertadores sendo disputada simultaneamente no início e sabia-se que logo tudo iria parar para a Copa do Mundo. Na volta, ninguém ainda está conseguindo apostar pra valer no time de Rogério. Enfim: é claro que os números estão bem abaixo dos anos anteriores.

Até agora, a média de público nas seis partidas que o Flamengo jogou no Maracanã é de 13.899 pagantes. O maior público aconteceu contra o Botafogo - 19.313. Mas não foi naquela partida que o clube mais arrecadou, pois a renda foi dividida com o adversário. O jogo em que o Flamengo voltou com mais dinheiro pra casa foi o de ontem, contra o Avaí - com 18.366 pagantes, sobraram para o Flamengo R$131.651,00 da renda total de R$364.165,00. Ou seja: o Flamengo ficou com apenas 36% da renda total.

Todo mundo sabe que não é barato jogar no Maracanã. De todos os descontos em cima da renda bruta, o maior foi mesmo o da Suderj (R$56 mil, ou 15% da renda). A confecção dos ingressos pela BWA também comeu uma boa grana: R$36 mil. A Federação ficou com R$18 mil, valor quase igual ao do desconto de INSS. E há uma infinidade de taxas menores, das quais não tem como fugir: arbitragem, antidoping, quadro movel, aluguel de grades e de carro forte e por aí vai.

Depois de todos estes descontos, aí vêm as famosas penhoras - a grana que sai dali direto pra pagar dívidas, sem nem passar pela conta do clube. Comparando com anos anteriores, em que acontecia de não sobrar nada mesmo em jogos de casa cheia, até que as mordidas estão comportadas: são apenas dois descontos que somam cerca de 25% das rendas líquidas, percentual que foi parecido em todas as partidas pelo Brasileiro até agora - ao menos as que deram algum lucro.

Na verdade, em apenas uma partida houve mesmo prejuízo: foi contra o Grêmio Prudente, em que o público pagante de 7.330 pessoas foi insuficiente para cobrir os custos - no fim, o Flamengo teve que pagar R$6.694 pra jogar. Na média, o clube está conseguindo lucrar em cada partida no Maracanã cerca de R$70 mil; o lucro total com as rendas de jogos em casa no Brasileiro até agora foi de R$415 mil.


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A situação poderia ser bem pior. O Botafogo, por exemplo, no jogo com o Flamengo, deveria ter ficado com metade da renda líquida do jogo. Mas suas penhoras andam mais complicadas e levaram embora tudo o que o alvinegro deveria ter arrecadado.


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E até agora ninguém sabe em que dia exatamente o Maracanã será fechado. Que beleza.

3 comentários:

Bosco Ferreira disse...

Pelo visto, esse ano, a receita "bilheteria" que depende exclusivamente da torcida, parece que vai ser a mais preocupante.

Como sabemos, bilheteria é um dinheiro que depende muito do humor do torcedor.

Isso mostra que um sócio torcedor que não traga consigo o direito a voto não vingará pela incerteza da motivação permanente.

Nenhum clube poderá se planejar com uma receita que dependa do humor do torcedor.

Com direito ao voto para escolher o gestor que gastará o seu dinheiro, o sócio torcedor não vinculará o pagamento a perfórmace do clube em campo.

O Torcedor insatisfeito com os gestores também tem motivação para continuar adimplente, fará todo esforço para fazer valer o seu poder de escolher o novo gestor.

André Monnerat disse...

Bosco, você bate muito nessa tecla, mas eu não concordo muito.

Quer dizer: concordo em ter planos de sócios bem mais baratos, com direito a voto, como têm Inter, Grêmio e Vasco. Acho importante institucionalmente.

Só não acredito que o direito a voto seja muito determinante pro sucesso comercial da coisa. Realmente não acho que a massa realmente se interesse tanto pelo direito a voto não. No caso do Inter, por exemplo, em que há este direito, os que efetivamente vão lá votar são muito minoria...

Pode ser que uma pesquisa contrarie esta minha impressão, mas é como eu percebo.

Renner disse...

André,

Gostaria de parabenizar você por estes posts,eu me interesso muito sobre as receitas e despesas do Fla.

Inclusive procurei as continuação dos post sobre as dívidas e não as encontrei. Não sabia que vc ainda não havia postado. Só acho que elas poderia estarem em alguma categoria que fosse mais fácil de encontrá-los.

SRN.