O quanto pode pesar uma provocação?

Acabado o grande jogo de ontem entre Santos e Grêmio, todas as entrevistas dos "meninos da Vila" iam pelo mesmo caminho: haviam dado uma "reposta" a todas as "bobagens que foram ditas". E eu pensando: será possível que alguém do Grêmio havia menosprezado o Santos em alguma entrevista?

Pelo que deu pra entender, parece que teve algum dirigente falando, após a vitória no Olímpico, que o Santos "agora sabia com quem estava lidando". Mas ficou mais claro o que havia irritado mais os jogadores santistas na entrevista de Robinho: "nada contra o time do Grêmio, que respeitamos muito. O problema é aquele narrador, o Pedro Ernesto".

Pedro Ernesto Denardin, narrador da Rádio Gaúcha, é conhecido por suas narrações ufanistas das vitórias dos times do Rio Grande do Sul. Vocês já devem ter visto o vídeo abaixo - é o gol do título do Internacional sobre o São Paulo, em pleno Morumbi, pela Libertadores. "O Inter rasga a camisa do São Paulo e pisa em cima!"



Esta narração se espalhou pela Internet e causou uma enorme revolta dos são-paulinos, que chegou a Pedro Ernesto - e eu o vi recentemente em um Redação SporTV especial, com radialistas convidados para falar de seu meio, comentando o episódio. Pedro Ernesto dizia ter se arrependido e aprendido a lição: não faria mais este tipo de coisa quando se tratasse de um adversário brasileiro, por mais que seu trabalho seja mesmo voltado para o público gaúcho.

Só que, após o jogo de ida desta semifinal de Copa do Brasil, o narrador teve uma recaída e disse que o Santos teria que aprender a dançar o Elimination. Rapidamente alguém arrumou uma fita e levou para os santistas ouvirem no vestiário.

Os jogadores gremistas não falaram nada durante a semana, não provocaram, não cutucaram o bicho com vara curta - mas um narrador, que nada tinha a ver com eles, lhes fez este favor. É difícil dizer o quanto isso realmente influenciou no andamento do jogo, mas ficou claro que os jogadores santistas tinham ficado engasgados e tiveram com isso alguma motivação a mais para a partida - que foi nervosa, cheia de lances duros e discussões dentro de campo. O Grêmio foi melhor no primeiro tempo e poderia ter saído em vantagem, mas viu o jogo mudar completamente logo após o intervalo graças ao golaço de Ganso, que vinha jogando muito mal até acertar o belo chute que abriu o placar.


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Atualizando...

O comentário deixado pelo André Amaral:

Fiquei sabendo depois que não foi o Pedro Ernesto da Gaúcha, mas o Daniel Oliveira da Bandeirantes.
Segundo informa o site Papo de Bola, o Pedro Ernesto nem narrou o jogo lá no Olímpico.
Foi falha do Robinho. Fez a cutucada certa no narrador errado.



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O Flamengo hoje pega o Universidad em um jogo que também teve sua "provocação" durante a semana, com o treinador adversário afirmando que o ataque rubro-negro tem dois gordos e que sua defesa é um desastre.

O caso é diferente, porque a declaração efetivamente foi de alguém do time adversário e também porque ela não deveria ser pública - foi captada por microfones da TV chilena durante um papo do técnico com seus jogadores. De qualquer forma, os jogadores do Flamengo foram para Santiago sabendo que é isso que seu adversário pensa deles.

Tomara que o efeito disso seja apenas o de dar uma motivação extra ao time, na medida certa. Nada de entrar na pilha, perder o equilíbrio e fazer qualquer besteira que possa deixar ainda mais complicada a já dificílima missão do time hoje à noite.

6 comentários:

André Amaral disse...

André

Fiquei sabendo depois que não foi o Pedro Ernesto da Gaúcha, mas o Daniel Oliveira da Bandeirantes.

Segundo informa o site Papo de Bola, o Pedro Ernesto nem narrou o jogo lá no Olímpico.

Foi falha do Robinho. Fez a cutucada certa no narrador errado.

Freire disse...

O grande problema, hoje, é a praga do politicamente correto. Todo mundo ficou melindroso demais a ponto de não separar a provocação irrelevante daquela que é realmente ofensiva, desnecessária, que caracteriza menosprezo.

Não dá, por exemplo, para levar a sério comentários de radialistas. As transmissões de futebol nas rádios são locais. Portanto, é óbvio que os caras serão parciais, pois, além de torcerem pros times da região, precisam vender o peixe e garantir a audiência, que também é local.

Agora, provocações como a do Gerardo Pelusso, o técnico adversário, podem e devem ser usadas para motivar, ainda que tenham tornado público o que ele disse somente aos jogadores do próprio time. Azar o deles.

Mas o ruim de tudo isso é que ninguém pode falar ou escrever porra nenhuma que todo mundo já fica ofendidinho e vai querer dar o "troco".

Só tenho medo é de como o Flamengo vai reagir às tais provocações de Pelusso, pois nosso time é um tanto destemperado. A conferir.

Murdock disse...

Parece também que teve um vídeo feito por torcedores do Grêmio, que eu não vi, dizendo que o que o Santos joga não é futebol e sim o que o Grêmio joga.

oPerna disse...

Mundo do Futebol é de ambiente descontraído, mas nem por isso palavras não devem ser medidas.

Tudo bem q o q o Pelusso falou não foi público, vazou, mas existem coisas que não falamos em ambiente de trabalho por mais informal que ele seja.

Saber diferenciar o ambiente familiar de um time de fora de pelada e o ambiente descontraído porém limitado e público de um clube de futebol, isso faz o bom profissional.

Bosco Ferreira disse...

O Bom do futebol é gargalhada, a gozação e o sarro, a ameaça de fazer o adversário dançar o reboleichom faz parte da gozação.

Só que o gozado pode querer dá o troco se desdobando em campo.

Isso também faz parte da festa.

Agora querer que o torcedor seja educado e sorridente como um missionário em busca de dízimo é que não dá.

lussiannosousa disse...

Pelusso não é nenhum babaca. Ele soltou essa pq sabe do descontrole emocional do Fla em certas situações.