Momentos decisivos do Hexa: os confrontos diretos

A arrancada do Flamengo rumo ao Hexa, que aconteceu com Andrade, o abandono do esquema de três zagueiros, a entrada de Álvaro e Maldonado, a subida de produção do Adriano pós-Seleção e a regência de Petkovic no meio-campo, iniciou-se com uma sequência de quatro jogos contra times rebaixáveis - três deles acabaram mesmo indo para a segunda divisão, enquanto o quarto livrou-se da ameaça nas últimas rodadas. Foram vitórias de 3x0 no Maracanã sobre Santo André, Sport e Coritiba, além do empate fora de casa contra o Atlético-PR. Mas, depois desta "fase de testes" contra equipes mais fracas, que serviu para o time se acertar e ganhar confiança, vieram as pedreiras. Com a exceção do Cruzeiro - o único que escapou de pegar este time definitivo de Andrade e, com isso, acabou conseguindo duas vitórias no confronto direto -, todos aqueles que lutavam na parte de cima da tabela enfrentaram o Flamengo no meio do embalo. E se deram mal.

Havia uma grande, uma enorme expectativa para a primeira destas decisões: era o jogo contra o Internacional, no Beira-Rio. O Flamengo vinha de vitórias convincentes, com belo futebol, e teria um grande teste pela frente - jogo fora de casa contra um time sempre apontado como um dos favoritos, embora estivesse numa fase não muito feliz na época. Porém, a partida acabou sendo uma grande frustração: simplesmente não houve futebol. Caiu um temporal em Porto Alegre, deixando o gramado impraticável - muitos criticaram a decisão do juiz de deixar o jogo ocorrer naquelas condições. Com o campo naquele estado, Andrade acabou inclusive voltando a utilizar o esquema de três zagueiros, congestionando a defesa para afastar qualquer bola vadia que parasse de mal jeito numa poça próxima ao seu gol. A pelada de pólo aquático terminou num previsível 0x0 - e assim, somando-se a vitória por 4x0 no primeiro turno, o Flamengo ficou com 4 pontos nos confrontos contra o Inter. Os gaúchos acabaram em segundo lugar, a 2 pontos do campeão.

Três rodadas depois, foi a vez de pegar o São Paulo no Maracanã. Depois do empate com o Inter, o Flamengo havia vencido o Fluminense e empatado em 3x3 com o Vitória, em Salvador; àquela altura, já era o sexto colocado, tornando-se uma ameaça real aos integrantes do G4 (Palmeiras, São Paulo, Inter e Atlético-MG). O São Paulo havia tropeçado na rodada anterior no Coritiba, em pleno Morumbi, mas ainda era o vice-líder do campeonato. Em campo, no entanto, ficou claro que a classificação momentânea do campeonato não refletia o futebol dos dois times; o mesmo sem Adriano e com uma péssima atuação no primeiro tempo de seu substituto, Dênis Marques, o Flamengo dominou o jogo o tempo inteiro. Saiu atrás num lance isolado, mas chegou à virada de 2x1 com gols de Petkovic, de pênalti, e Zé Roberto - que aproveitou grande lançamento do gringo, o nome do jogo, para definir a vitória. Com aquele triunfo e o empate no Morumbi no primeiro turno, o Flamengo fez 4 pontos contra o São Paulo - que terminou a competição em terceiro, 3 pontos atrás.

Na partida seguinte, o adversário já era o líder Palmeiras - que se mantinha à frente da tabela conseguindo vitórias magras, sempre em atuações contestadas e defendidas com mau humor pelo técnico Muricy nas coletivas. Mesmo assim, jogando no Parque Antarctica, era considerado favorito. Porém, em um primeiro tempo de jogo travado e poucas chances, Petkovic fez a diferença: tabelou com Juan pela esquerda, entrou driblando na área e fez um gol sensacional, que abriu o placar e desestruturou o adversário. No segundo tempo, o Palmeiras não conseguiu sair da marcação rubro-negra, viu o Flamengo criar as melhores chances e ainda sofreu o segundo - gol olímpico de Petkovic, que pela segunda rodada seguida tinha grande atuação e era decisivo em jogos contra times que estavam ainda acima de seu time na classificação. Com a vitória, o Flamengo subiu para a quinta colocação, a um ponto do G4, a seis do líder - que ainda era o Palmeiras. O time de Muricy, no entanto, foi caindo de rendimento, tendo resultados cada vez piores e encerrou o campeonato 5 pontos atrás do Flamengo, em quinto lugar.

A decisão seguinte aconteceu no Mineirão, na 34a. rodada. Àquela altura, as contas dos rubro-negros já incluíam a possibilidade de levar a taça pra Gávea: o time estava em quarto, a 4 pontos do líder Palmeiras. O adversário era o Atlético Mineiro, terceiro colocado, então 2 pontos à frente do Flamengo e também acreditando muito que poderia ser campeão. Mas os quase 65 mil atleticanos que lotaram o estádio viram mais uma prova de que o Flamengo era o time de melhor futebol do país. 2x0 no primeiro tempo, com direito a mais um gol olímpico de Petkovic; no segundo tempo, o Atlético diminuiu logo no início e deu esperanças à sua massa - mas não conseguiu continuar se impondo. No final, Fierro - que entrara no lugar do cansado Petkovic e criava bons lances seguidamente pela direita - cruzou na cabeça de Adriano, que definiu de cabeça o placar. O Flamengo ultrapassava o Atlético, chegava à terceira posição e via o novo líder, o São Paulo, a apenas 2 pontos de distância, com 4 jogos pela frente. Depois disso, o Atlético se desestruturou, teve péssimos resultados nas rodadas restantes e, em vez de lutar pelo título, terminou na modesta sétima posição. Poderia ter sido melhor se não tivesse tido 0% de aproveitamento enfrentando o Flamengo, que já o derrotara pelos mesmos 3x1 no Maracanã, no primeiro turno.



A verdade é que, a partir do momento em que se acertou, o Flamengo foi mesmo o melhor time do campeonato - e todos aqueles que surgiram pela frente com o mesmo sonho de chegar ao título tiveram que sentir isso na pele. E o sucesso nestes confrontos diretos deixou o time em boa posição para decidir no momento em que o campeonato chegou à sua emocionante reta final.

6 comentários:

Max disse...

Não dá pra falar que foi o melhor do campeonato nao, porque à mesma época o Flu embalou bizarramente, com campanha melhor que o Fla até.

Não houve confronto entre os dois pra afirmar quem era o melhor no momento e a dupla Conca e Fred fez frente à dupla Adriano e Pet.

Robson disse...

Max disse...
Não dá pra falar que foi o melhor do campeonato nao, porque à mesma época o Flu embalou bizarramente, com campanha melhor que o Fla até.

Não houve confronto entre os dois pra afirmar quem era o melhor no momento e a dupla Conca e Fred fez frente à dupla Adriano e Pet.
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Deixa de ser otário Max, o Flu lutou pra não cair e nos fomos campeões. Tu é tricolor rapá?

Flávio disse...

Ô Max, olha a diferença entre a campanha do Flamengo e a do Flor. Houve sim o confronto direto e o Flamengo venceu por 2 a 0 naquele jogo que o otário do zagueiro do Flor disse que se eles têm imperador aqui tinha digão. Ele falou isso depois de terem vencido um jogo, já era o Cuca Beludo o treinador e eles já estava se achando grandes merdas. Ficaram do tamanho certo indo buscar bolas dentro da rede.
Se o Flamengo tivesse demitido o Cuca Beludo na hora certa, naquela derrota bizarra para o Rezende na semi-final da Taça Guanabara, nós teríamos vencido o Brasileiro com mais de 75 pontos, com três rodadas de antecedência.

Flávio disse...

E tem mais uma coisa: o SP foi tri e alguém lembra de algum jogador que não seja o goleiro?
Pois o Flamengo Hexa será lembrado pelo Imperador, pelo Pet, pelo Bruno, pelo maior ladrão de bolas do campeonato Willians, pelo Zé Roberto e pelo Álvaro e Maldonado.
Isso é um time de futebol, lembrado pelos jogadores, comparado com outros jogadores de outra época. Não pela estrutura do CT, pelo chuveiro com água quente ou pelo almoço.
Por isso afirmo com certeza absoluta: o melhor time de 2009 foi o Flamengo e venceu o campeonato mais difícil dos pontos corridos.

André Monnerat disse...

Olha, pessoas... Depois que o Max deixou este comentário, eu até me peguei pensando: será que o Fluminense não jogou mesmo tanto quanto o Flamengo, em seu melhor momento? A mesma dúvida eu tive, antes de escrever o texto, sobre o Cruzeiro (que, se não me engano, ainda terminou o segundo turno com uma campanha melhor que a do Flamengo).

Eu cheguei à conclusão de que a fase boa do Flamengo foi um pouquinho maior que a do Fluminense. E, fora isso, que a dupla Pet-Adriano foi sim, nos seus melhores momentos, mais espetacular que a Conca-Fred. O Conca jogou muito neste campeonato, mesmo na fase ruim do Fluminense - mas não me lembro dele tendo lances tão decisivos e espetaculares quanto o golaço do Pet contra o Palmeiras, ou a enfiada para o Zé Roberto contra o São Paulo, enfim. Mesmo quando o Adriano não jogou, o Pet foi decisivo e fez o time vencer - não foi o caso do Conca.

Mas eu acho sim uma dúvida válida. O Fluminense, quando arrancou, teve sim um futebol comparável ao do Flamengo. Assim como o Cruzeiro. Mas, pra mim, o Flamengo foi melhor - e boto isso na conta exatamente do quão bonito foi ver jogar, naqueles momentos, o Adriano e, principalmente, o Pet.

André Monnerat disse...

Ah, fora isso: sei sim de tricolor que visita aqui o blog com alguma frequência. E eles são bem-vindos, beleza?

Abraço a todos!