Mais um capítulo de uma história com fim previsível

Eu errei feio quando Renato foi contratado pelo Fluminense: apesar de sua chegada ter sido mais um sintoma da zona em que as Laranjeiras se transformaram, graças à maneira como se deu a contratação, achava que ele era um bom nome para dirigir o time. E ainda achei que, nos seus primeiros dois jogos (Atlético e Cruzeiro, duas atuações até bem razoáveis), ele dava pinta mesmo de que escolhia um bom caminho para recuperar a equipe, congestionando o meio-campo, mantendo a bola mais longe de sua fraca defesa, pra tentar resolver os pontinhos necessários com um só atacante.

Mas o que aconteceu é que os resultados não vieram de primeira e Renato foi se perdendo totalmente. Não só o aproveitamento foi lamentável, como o cara mudava completamente o time e o esquema a cada rodada. Não tinha a menor ideia do que estava fazendo. E, assim, a diretoria do Fluminense acertou em trocá-lo - deve ter demorado até demais, mas realmente não fazia sentido levá-lo balançando pra iniciar a mini-pré-temporada em Itu. Por mais que estejam chegando agora reforços, em tese, indicados por ele mesmo - com quem o próximo treinador terá que trabalhar.

Acho mesmo que esta é uma luta já perdida. Como disse hoje o matemático Tristão Garcia na versão impressa de O Globo, "se o nome do Fluminense fosse Ipatinga, todo mundo já estaria dando por rebaixado; como é o Fluminense, com toda a tradição, ninguém tem coragem de cravar agora". Então, o provável é que a troca de técnico agora - de novo: necessária, mesmo que no desespero, mas eles têm que tentar alguma coisa - vá ser, no futuro, apenas mais um capítulo da comédia pastelão em que vai se transformando este novo rebaixamento tricolor. Independente de quem viesse, as chances de conseguir sucesso seriam muito pequenas.


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Mas... Cuca?!?

O time totalmente sem base, sem esquema, sem entrosamento, sem defesa que o Fluminense tem hoje parece pedir algo totalmente diferente do que Cuca teria a oferecer. Afinal, não preciso falar aqui pra vocês sobre a vocação de Cuca para professor Pardal. Além do mais, sua passagem pelas Laranjeiras no ano passado ajudou, junto com o trabalho no Santos, a quebrar muito do crédito que Cuca tinha acumulado no Botafogo. Pra chamá-lo agora, no desespero, por que não Renê Simões, que foi quem afinal consertou o estrago que Cuca tinha deixado por lá? Seria engraçado, mas faria mais sentido - afinal, pra chamar quem ja passou por lá, seria melhor escolher quem deu algum resultado.

A verdade é que, no momento, é difícil pensar em muitos nomes que topariam pegar esta roubada que é o Fluminense. Conversando ontem com um amigo, chegamos a uma lista interessante de nomes, que incluia Carlos Alberto Torres, Sebastião Lazaroni e Evaristo de Macedo. Todos me parecem opções melhores que Cuca para este momento, mas minha escolha seria Jair Pereira. Que tal?


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Gostaria de saber o que estão pensando agora família e amigos de Cuca com essa sua decisão de topar a parada.

O cara deve ter muita confiança em si mesmo e acreditar firmemente que pode fazer milagres. Porque, se a moral dele no mercado hoje já não está em alta, um rebaixamentozinho de leve certamente não vai ajudar em nada.

Ele deve confiar em repetir o que fez em dois trabalhos anos atrás que ajudaram a fazer seu nome: com Goiás e Botafogo, ele pegou o time em meio ao Brasileiro lá embaixo na tabela e conseguiu recuperações impressionantes. Mas acho pouco provável que consiga repetir o feito.


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O pior nesta situação de rebaixamento iminente do Fluminense é que, no ano que vem, a diretoria vai ser essa aí mesmo. Eleições, só no fim de 2010.

Quando o Botafogo caiu, lá estava Bebeto de Freitas, assumindo pra trazer ar de mudança. Com o Vasco, este ano, Roberto Dinamite - embora tivesse entrado ainda na temporada passada - também representava a renovação.

Já o Fluminense vai encarar a série B com Horcades e companhia. Com duas possibilidades igualmente fúnebres: ou ele mantém o nível de excelência na administração e não consegue subir - uma missão difícil, considerando a diferença de orçamento de qualquer time grande para os demais da segunda divisão -, ou ele aproveita a campanha de recuperação pra criar um clima de união, ganhar moral e fazer o sucessor nas eleições do fim do ano.

Já pensou?

6 comentários:

Tiago Cordeiro disse...

Inacreditável! Inacreditável!

A coisa vai além da vocação pra invencionices, o Cuca é um sujeito instável emocionalmente e, nesse momento, o Flu precisa de paz e tranquilidade ao máximo. Você imagina o Cuca pedindo calma a alguém?

Sério, da onde nada se esperda é de onde nada sai mesmo. A contratação do Cuca, na minha opinião, PIORA uma situação que já é o fundo do poço.

Sinistro. Muito sinistro.

Acho que o Jair Pereira não é mais técnico faz tempo. O CAT seria uma hipótese até lógica. Agora, o Cuca??? Gosto mto do trabalho dele, mas essa foi de matar.

thiroux disse...

Por essas e por outras que figuras como Ziraldo de Juca Kfouri já falam da possibilidade do fim do Fluminense como algo real.

Bosco disse...

Deve está com as contas atrasadas.

Marcos Monnerat disse...

É uma pena, mas dá pra considerar de fato a transformação do Flu no novo América. Acho que se ainda resta alguma esperança para o tricolor é bom a torcida se unir em torno dela desde já até o fim da segundona do ano que vem, tentando derrubar de algum jeito essa diretoria criminosa que consegue ser pior do que a do Flamengo...

Anônimo disse...

Cuca é mesmo querer que o Fluminense seja rebaixado.

Mas... Lazaroni?! Isso foi sério????



Marco

André Monnerat disse...

Marco, claro que não. :)