Gente que quer mudar seu clube - de dentro

Não faz muito tempo que meu irmão, também rubro-negro, me passou o link do site oficial do FluSócio. Aquilo havia lhe chamado a atenção não só pela natureza da iniciativa, mas também pela maneira como chegou até ele: por um link patrocinado no Google.

O FluSócio é um grupo político tricolor, que faz campanha para atrair novos sócios a tempo de votarem da próxima eleição no Fluminense e poderem participar da mudança que o clube precisa - afinal, está claro para todos que o grande problema deles é de administração e estrutura, e não de time. É uma situação que parece familiar para qualquer torcedor do Flamengo; a diferença é que, no Fluminense, parece que tem gente mais adiantada na tarefa de formar uma alternativa viável a quem está no poder. Tanto é que chegaram a isso: comprar espaço publicitário no Google para espalhar sua mensagem e atrair simpatizantes. No momento, estão em contagem regressiva para o prazo final para quem quer votar em 2010 se associar - vai até setembro, pois no Fluminense a carência para ter direito a participar da eleição é de um ano.

Segundo o site do FluSócio, o grupo se formou em conversas de arquibancada, evoluiu para uma lista de discussão na Internet e, hoje, realiza reuniões abertas periódicas para falar do clube e atrair novos participantes. No dia 26/5, realizaram duas simultaneamente, em São Paulo e no Rio. A versão carioca, que aconteceu no Centro de Convenções do Edifício Argentina, um grande centro empresarial em Botafogo, teve transmissão ao vivo por streaming na Internet, sendo assistida por mais de 100 internautas.

A iniciativa parece mesmo em estágio avançado - mas também não é tão recente. Nas eleições de 2007, colocaram a candidatura de Peter Siemsen (advogado de sucesso, membro do movimento, responsável pela palestra na última reunião em São Paulo) à presidência. Outras correntes se juntaram na chapa, que foi derrotada - mas conseguiu 15 cadeiras no Conselho Deliberativo, sendo que quatro ficaram para o grupo FluSócio.

O grupo não tem razão social, CNPJ, nada disso - é uma organização informal. Mas tem um tesoureiro eleito, responsável por cuidar dos recursos que vêm de contribuições voluntárias para causas como a manutenção do site (o blog, aliás, tem mais de 5 mil visitas diárias e eles também estão no Twitter), a produção de uma revista com três edições que foi distribuída no Maracanã ou a confecção de uma faixa para ser levada ao estádio. O que os une é a convicção de que a mudança no Fluminense tem que ser de dentro pra fora e algumas diretrizes básicas para a nova gestão que querem ver por lá: transparência contábil, profissionalização da gestão, viabilização de um CT para o clube e a separação do caixa em unidades de negócio independentes (futebol, social, esportes olímpicos). Como se vê, nada de muito diferente do que todos acham que o Flamengo precisa.

O interessante é que, apesar de se declararem abertamente um grupo de oposição, não fazem o jogo do "quanto pior, melhor". Para este último jogo contra o Corinthians na Copa do Brasil, por exemplo, vários integrantes colaboraram com dinheiro para o grande mosaico montado pela torcida no Maracanã, fazendo corrente pela classificação que não veio.


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O FluSócio não é o único grupo de torcedores tricolores disposto a tentar tomar o poder nas Laranjeiras. Outro mais recente é o Pavilhão Tricolor, formado por iniciativa de Mario Vitor - neto de Nelson Rodrigues, portador de uma tatuagem com a data do infame gol de barriga de Renato Gaúcho, que foi um dos idealizadores da Legião Tricolor, o movimento de torcedores independentes das organizadas que mudou a cara da torcida do Fluminense no Maracanã. O site do Pavilhão, no momento, está em reformulação, prestes a voltar ao ar. Mas o grupo, como o FluSócio, tem organizado reuniões em auditórios do Rio de Janeiro com cada vez mais participantes. Um dos grandes entraves do Pavilhão Tricolor, no entanto, é o próprio Mário Vitor - uma figura polêmica, que gera antipatia de muitos tricolores.


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O Flamengo está cheio de movimentos bem intencionados surgindo por aí, pipocando nos Orkuts da vida. Vários querendo levantar dinheiro para causas como a construção de um CT ou o pagamento da dívida; mas também gente com esta mesma visão dos tricolores citados: de que é preciso entrar no clube para conseguir fazer a mudança de dentro. E é assim também que eu enxergo as coisas.

Infelizmente, entre os rubro-negros, nenhuma iniciativa até hoje deu pinta de que pode vingar pra valer. E o estatuto do Flamengo também atrapalha um tanto: enquanto no Fluminense é preciso apenas um ano de associação pra poder votar, na Gávea são necessários longos três anos. Ou seja: quem quiser participar das eleições de 2012, tem até julho deste ano para virar sócio.

6 comentários:

[Le]andro_ disse...

Sim, a mudança tem que vim de dentro pra fora...

Anônimo disse...

Só mesmo a torcida participando da política do clube pode mudar algo.

Anônimo disse...

esta é a solução para todos os clubes do Rio. A mudança tem que ser de dentro para fora. Entrar de sócio é a única solução.

Anônimo disse...

Bem legal a reportagem. Parabéns!

Anônimo disse...

Vamos mal... ser post em blog de urubu é mesmo o fim!

Anônimo disse...

Só quem não conhece a realidade do futebol carioca e, sobretudo, do Flamengo, acredita numa coisa dessas. Esqueçam isso!

Só quem pode salvar o Flamengo é um grande empresário ou uma união de empresarios rubro-negros.