Copa do Brasil - Quartas-de-final - 1o. jogo - Flamengo 0 x 0 Internacional

A verdade é a seguinte: não adianta jogar bem e não fazer gol. O papo de "o importante é que estamos criando" já perdeu a validade - o importante, a essa altura, é arrumar um jeito de colocar a bola pra dentro. E a questão não é só dos atacantes; os gols incríveis estão sendo perdidos também por meias, por laterais, por zagueiros - um pessoal que não é tão ruim assim pra errar o tanto que está errando na hora de definir. Não sei bem o que se pode fazer; torço para Adriano ser esse Messias todo que estão esperando, mas algo tem que acontecer enquanto isso pra situação melhorar. O pessoal gosta de repetir nas entrevistas que "uma hora a bola vai entrar", mas a espera está sendo longa demais.

Infelizmente, no jogo mais importante do ano, não consegui ir ao Maracanã - e só peguei na TV o segundo tempo. Assim, vai ficar faltando uma análise do primeiro tempo em que o Flamengo colocou duas bolas na trave e obrigou Lauro a fazer uma defesa daquelas de cinema.

Chegando em casa, descubro que Cuca começou o jogo com Toró no lugar de Wellinton. Surpreendente, mas inteligente; o Inter não é mesmo conhecido pelo seu jogo aéreo, e sim pela movimentação dos velozes homens de frente - e Toró parecia mesmo mais indicado pra ficar correndo atrás deles do que Wellinton, que além de tudo já viria para o jogo com um peso nas costas que poderia atrapalhá-lo.

E o time começou o segundo tempo jogando bem, girando o jogo, até criando jogadas pelas laterais. Mas o negócio é que o Inter adotou mesmo uma postura de time pequeno, de Madureira ou Olaria, com direito a bicos pra frente, seis ou sete dentro da própria área em lances de bola rolando e cera ostensiva de seu goleiro. Quando um time mais qualificado se fecha desta maneira, é realmente difícil entrar. Por isso, em um jogo como esse, quando surge uma chance como aquela de Kléberson, tem que colocar pra dentro. Mas...

(Pra ser justo: apesar do gol perdido, Kléberson, que eu escrevi antes da partida que não tem jogado tudo o que andaram falando, esteve bem e talvez tenha sido o melhor do time.)

Como o gol não saía, Cuca decidiu simplesmente trocar o ataque. Não deu muito resultado, até porque Erick Flores entrou mal - parecia decidido a resolver a parada numa jogada individual, mas sem saber bem o momento de tentar a tal jogada - e Obina tinha a missão ingrata de brigar sempre contra três ou quatro adversários embolados dentro da área. Teria sido melhor dar a chance de Emerson jogar como segundo atacante, se movimentando mais, ou manter Éverton junto com Erick Flores e ter dois atacantes abertos pelas pontas, pra tentar abrir a defesa do Inter.

A entrada de Josiel (Cuca insiste em manter Obina e ele no banco juntos, algo que não faz o menor sentido), então, não tinha como dar certo - era só mais um pra se embolar com a multidão colorada dentro da área. Naquele momento, com o jogo se encaminhando para o fim, o time já tinha perdido a paciência pra tentar furar o bloqueio, se desorganizou e não conseguia mais ameaçar. Foi quando o Inter até se animou a passar do meio-campo de vez em quando - e aí Bruno apareceu fazendo um milagre assombroso, quando o Flamengo perigou levar um trágico gol de Andrezinho.

O resultado não foi bom  - era importante levar alguma vantagem pra Porto Alegre -, mas também não foi desastroso e deixou a definição em aberto para o jogo de volta. Pelo que o time mostrou em campo, dá pra eliminar o Inter; mas pela falta extrema de gols, não dá pra cravar vitória nem contra o Avaí, no sábado.

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E o Inter?

Pois é: o tal melhor time do Brasil não passou no teste. Mostrou, é claro, que sabe se trancar lá atrás com eficiência - mas não sem correr riscos, pois o Flamengo poderia, e até deveria, ter marcado seus gols. Como falei, ao menos no segundo tempo, a postura em campo foi digna de Volta Redonda. E o seu famoso poder ofensivo simplesmente não deu as caras. Táison e D´Alessandro foram até substituídos e Nilmar passou quase desapercebido em campo.

É óbvio que os três são muito bons jogadores (especialmente os mais velhos - de Táison, ainda quero ver mais um pouco pra formar opinião). Mas aconteceu ontem o que acontecia em 2008: o Inter não conseguiu funcionar, como time, para que os homens de frente participem tanto do jogo quanto poderiam. Assim, eles sempre foram um adversário de respeito - mas o tal negócio de supertime ficava sempre no papel.

Este ano, o ainda precisam provar que algo mudou nisso aí. Não foi desta vez. 

No Beira-Rio, terão que sair mais pro jogo. Podem mostrar mais futebol. Mas podem também deixar os espaços que o Flamengo precisa para criar. 


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Eu sugeriria a Cuca não colocar mais Obina pra jogar, especialmente em jogos no Rio.

Além da óbvia má fase dele - que já dura quantos meses? -, o nível de intolerância da torcida com ele praticamente inviabiliza sua presença em campo. Ontem, ele não entrou bem, mas correu muito, enfrentou uma marcação muitas vezes tripla, brigou pra marcar a saída de bola - se excedendo de maneira irritante nas faltas... -, até sofreu um pênalti não marcado. Mas um lance meio besta no fim da partida foi o bastante para vaias estrondosas, xingamentos e gritos totalmente inúteis por Adriano. Alguém avisou no Maracanã que Adriano ainda tá pegando praia? Por enquanto, o Flamengo tem o que o Flamengo tem, e precisa se resolver com isso aí. 

Cuca está insistindo com Obina além do recomendável - pela fase técnica muito ruim dele e pela rejeição extrema da torcida. Ele deve imaginar que, se insistir com Josiel, provavelmente as vaias apenas trocarão de alvo, e tem boa chance de estar certo. Mas, a essa altura, isso me parece mais saudável, ao menos no Maracanã. Mesmo sabendo que o Oswaldo Montenegro da Gávea está de saída em pouco tempo.

Minha outra sugestão é para o próprio Obina: que ele considere com carinho as propostas que surgirem. Me parece talvez seja a boa tentar de uma vez a sorte em outro lugar.




13/5/2009 - 21h50 - Flamengo 0 x 0 Internacional
Maracanã - Rio de Janeiro, RJ
Renda/público: R$ 990.122,00/ 50.294 pagantes (53.479 presentes)

Árbitro: Sálvio Spínola Fagundes Filho (Fifa-SP)
Auxiliares: Ednílson Corona (Fifa-SP) e Alessandro Álvaro Rocha de Matos (Fifa-BA)
Cartões amarelos: Léo Moura, Ronaldo Angelim (FLA); Magrão, Bolívar, Índio (INT)

Flamengo: Bruno, Léo Moura, Aírton, Ronaldo Angelim e Juan; Toró (Josiel, 37'/2°T), Willians, Kleberson e Ibson; Everton (Erick Flores, 15'/2°T) e Emerson (Obina, 15'/2°T). Técnico: Cuca.

Internacional: Lauro; Bolívar, Indio, Álvaro e Kleber; Sandro, Magrão (Rosinei, 34'/2°T), Guiñazú e D’Alessandro (Andrezinho, 25'/2°T); Nilmar e Taison (Alecsandro, 12'/2°T). Técnico: Tite.

7 comentários:

Max disse...

Pois o primeiro tempo foi muito melhor que o segundo. Perdeu...

Não gostei muito do Kleberson não. Meio disperso no meio campo e entregou algumas bolas bem bobas no meio que poderiam ter se tornado contra-ataques mortais. Gostei dos laterais (até do Leo Moura, rsrs).

Se o Cuca foi genial ao colocar o Toró (que jogou muito bem, por sinal), continua errando muito em escalar o ataque com apenas um atacante. E, quando mexeu no time, estragou de vez o poder ofensivo... tanto que não aconteceu mais nada.

Mansur disse...

O primeiro tempo foi muito bom se vc for analisar o que os dois times fizeram..

Agora, essa incompetencia de nao fazer gols ta demais.. Chega a ser ate vergonhoso..

E o time deles, nao eh tudo isso que falam.. Eh claro que eh um bom time, mas nada fora do comum.. Sem contar que semana que vem eles tem 2 desfalques importantes..

Abracos

Marcos Monnerat disse...

Achei o Íbson o melhor em campo, talvez. Mas Leo Moura e Kleberson também jogaram bem.

O fato de jogar com apenas um atacante de ofício tá atrapalhando muito o Flamengo. Desse jeito acho que nem Ronaldo Fenômeno estaria fazendo tantos gols como vem fazendo no Corinthans.

Adriano então... Não dá pra acreditar que ele, com 120 quilos, faria alguma coisa de diferente nessas condições como pediu estupidamente a torcida do Flamengo, que atrapalhou muito mais do que ajudou nessa partida.

Pra quarta que vem tem que mantêr o Toró na cola do D'Alessandro e tentar aproveitar os maiores espaços que o Inter vai dar por ter que fazer gol. Melhor empate em 0 x 0 do que se fosse com gols, pelo menos.

Max disse...

É o que eu digo. Nesse esquema do Flamengo nem o Pelé se daria bem..e o troca-troca do Cuca não faz o menor sentido.

Mas particularmente o Adriano, acho que poderá fazer uma boa diferença sim. Digo isso porque o time hoje joga muito em função das bolas paradas com as faltas cavadas, principalmente pelo Juan.

E tendo um cara do porte físico do Adriano, e que sabe cabecear muito bem, fará toda diferença do mundo nessas jogadas.

Até mesmo porque apesar de eu gostar do Emerson, ele não tem o menor cacuete de centro-avante típico. Não sabe se movimentar como tal (tanto é nunca sobra uma bola vadia pra ele) e não tem um porte físico bom pras bolas paradas.

André Monnerat disse...

Eu também acho que o Adriano, se estiver em boas condições de jogo, pode fazer diferença sim.

Ele pode conseguir alguma coisa na base do porte físico, pode resolver no jogo aéreo, pode mandar uma bomba daquelas de esquerda dele... Acho que é um cara que pode arrumar um gol por conta própria que os outros que a gente tem não vão conseguir.

E um golzinho num jogo desses ia fazer toda diferença. Não só abre o adversário, como tira o peso dos outros na hora de concluir. Nego tá muito tenso pra acertar o gol.

Agora, tem que ver como vai ser o Adriano quando começar a jogar. No São Paulo, por exemplo, ele demorou a render e no início nego já tava até falando que tinha sido um mau negócio.

Eduardo Matheus disse...

Esse ano temos feito bons jogos fora de casa, o que é animador, mesmo decidindo lá no sul, onde nosso retrospecto é deprimente e com nosso ataque inexistente. Mas sabe como é né.. mata-mata é outra história e o Mengão sempre jogou muita bola nesse tipo de disputa. Dá pra classificar lá e não será surpresa nenhuma. A não ser para aqueles que não conhecem a força do Fuderosão.

Quanto ao Kléberson, concordo com o comentário do Max, no primeiro tempo (o qual vc não assistiu), por suas vezes quase complicou o time. Na segunda etapa foi melhor, mas pecou na hora de marcar o gol do jogo.

O destino do Cuca está sendo bastante irônico. No Botafogo ele só era vice e aqui conseguiu levantar o primeiro caneco. Também lá era muito elogiado por montar o time muito bem ofensivamente e ser um vez por outra um desastre no ataque. Aqui é o contrário, vive bom momento com a defesa e um tormento do ataque, nem totalmente por sua culpa, diga-se de passagem, mas infelizmente acaba sobrando pra ele quando por exemplo teima em pensar que Obina vai resolver.
Ou seja, o Cuca ainda não está completamente curado da urucubaca que o acompanhou até o ano passado. Mas quando o ataque voltar a funcionar, creio que ninguém vai segurar mais.

Como sempre, uma excelente análise, mesmo que de um tempo só (hehehe)..

SRN

Visite meu blog:
http://flanatico-edu.blogspot.com/2009/05/fla-0x0-inter-dominio-sem-resultado.html

Folha disse...

Acho importante a gente prestar um pouco mais de atenção na parte defensiva do Flamengo tb.

Eu ficaria muito chateado se eu fosse o Willians, jogasse o que ele jogou ontem e viessem me dizer que o melhor do Flamengo foi o Ibson, ou os laterais.

Nunca vi um volante jogar o que ele jogou ontem!!! Mas, lá atrás né, ninguem dá valor.

Além dele, mas um pouco abaixo, o Angelim e uma menção honrosa ao Toró.

Infelizmente é cultural, a nota do Willians no Globo foi 6.

Na pior das hipóteses as defesas adversárias vão ter com que se preocupar com o Adriano em campo, isso já pode abrir um pouco mais de espaço pra outros jogadores.

Arrisco a dizer aqui: foi um bom resultado!!