Mais uma experiência de sócio-torcedor por um clube sem estádio.

Na goleada de ontem sobre o Atlético-MG, o Cruzeiro estampou em suas camisas o patrocínio da EMS - laboratório que fabrica o Energil C, cuja marca aparecia nas costas do uniforme. O contrato fechado na última hora, que vale pelas duas partidas da final do Mineiro, fez com que sumisse das camisas o "Sócio do futebol" - inscrição que começou a aparecer nos últimos jogos no espaço que estava limpo de logomarcas desde o início do ano. E o que é o "sócio do futebol"?

É o Cruzeiro lançando o seu novo formato de sócio-torcedor. Até hoje, o clube tinha o Cartão 5 estrelas, em que o torcedor paga uma mensalidade para ter o direito de comprar seu ingresso com 50% de desconto sem enfrentar filas (inclusive por celular) , ter descontos nas lojas oficiais do clube e poder trocar pontos acumulados com compras por prêmios. São 10 mil os cruzeirenses que aderiram ao cartão - que agora teve seus cadastros paralizados para o lançamento do "Sócio do Futebol". A receita do Cruzeiro com o Cartão 5 Estrelas ficava em cerca de 330 mil reais por mês, só com as mensalidades.

No novo programa, o torcedor não terá mais que comprar ingressos para cada jogo - quem se tornar sócio terá acesso liberado a todas as partidas em que o Cruzeiro for mandante, usando o seu cartão nas roletas do estádio. O preço da mensalidade vai variar de acordo com o lugar onde o torcedor quiser assistir aos jogos - vai de R$45 a R$80 por mês, com sócios e menores de 12 anos tendo direito a 50% de desconto. Serão postos a venda 20 mil cartões- pra não estourar, somando eles aos já donos de Cartões 5 Estrelas, a capacidade de 30 mil pessoas do Independência. Vai ser lá que o Cruzeiro irá jogar a partir do ano que vem, quando o Mineirão - assim como o Maracanã - vai fechar para reformas. 

Se o projeto - que está sendo lançado já para o início do Brasileirão - for um sucesso e o Cruzeiro conseguir vender todos os cartões, a receita passará de R$1 milhão por mês.

É bom lembrar que o projeto de sócio-torcedor do Inter começou dando acesso livre a todos os jogos do clube no Beira-Rio, como este novo do Cruzeiro. Depois, a diretoria interrompeu as vendas desta modalidade e iniciou um novo formato, dando apenas desconto nos ingressos - pois a capacidade do estádio estava limitando o crescimento no número de sócios. Curiosamente, o Cruzeiro está seguindo o caminho inverso.

É bom acompanhar as tentativas e o desempenho do Cruzeiro nisso aí. Afinal, assim como o Flamengo, o Cruzeiro também não tem seu estádio próprio.

Um comentário:

Max disse...

Ainda existe um detalhe que poderia fazer toda diferença do mundo para o Flamengo: o confisco de parte das receitas de bilheteria para pagar dividas com ex-jogadores, como o Pet, por exemplo.

Basta se dar uma "roupagem" diferente a essas promoções, de maneira a descaracteriza-la como receita de bilheteria, e não se teria essa grana confiscada.