Conversa com Ricardo Hinrichsen, diretor executivo de marketing do Flamengo - Parte 2

Sai Nike, entra Olympikus

 O Flamengo está esfregando as mãos pelo início da parceria com a Olympikus. Hinrichsen diz que esperam que isso aconteça logo – afirma que as coisas estão andando, mas não pode falar muito do processo, por questões de segredo de Justiça. Mas é certo que no meio do ano, com o fim do contrato com a Nike, a Olympikus entrará em campo.

 As mudanças não devem ser apenas nos valores, mas na maneira de trabalhar. Hinrichsen deu dois exemplos práticos.

Há um tempo atrás, diz, o Flamengo acertou com as Lojas Americanas uma parceria para que houvesse um corner do Flamengo em cada loja do país, com produtos oficiais sendo vendidos e a possibilidade do consumidor pagar a crédito, com o cartão da loja, como faz com qualquer item que queira levar pra casa. A Nike, no entanto, vetou. Uma parceria do tipo não seria “do nível” da Nike – seria ruim para a imagem da empresa algo de caráter tão, digamos, popular. 

Ele também cita o exemplo do São Paulo que, logo após a conquista do título brasileiro, já tinha nas lojas 50 mil camisas comemorativas à venda – a fornecedora do São Paulo, a Reebok,  é gerida no Brasil pela Vulcabrás, como a Olympikus. O Palmeiras, diz ele, tem contrato com a Adidas, uma empresa que seria tão engessada quanto a Nike – e as camisas comemorativas do título paulista do Verdão saíram, conta, há 40 dias.

A idéia, com a Olympikus, é ter a agilidade e a compreensão do mercado brasileiro, e popular, que faltam à Nike, “que não é um parceiro para o Flamengo”. Mas quem sonha com a camisa oficial mais barata, no entanto, não deve se animar. A expectativa de Hinrichsen é que o preço do uniforme fique dentro do que a Vulcabrás já pratica com o São Paulo – e a camisa do tricolor paulista sai por volta de R$160,00. Pode haver o lançamento de uma réplica mais barata, “mas nunca algo com um preço com 30 ou 40 reais”.  Há o medo de ‘canibalizar’ a camisa oficial e, bem, ele não acredita mesmo que isso seja solução pra combater a pirataria.

”Não dá pra brigar por preço com o pirata, que não paga imposto, não paga nada”. A idéia então é melhorar a distribuição e ampliar a gama de produtos oficiais – assim, quem quiser gastar 20 pratas com um produto oficial do Flamengo, vai ter algo nesta faixa de preço. Uma outra camiseta, talvez. Mas não o uniforme de jogo.

(Devo dizer: é difícil falar em combate à pirataria quando, nos dias de partida do Flamengo, no estádio em que ele manda seus jogos, não há pontos de venda de produtos oficiais - só de piratas, agindo livremente.)

A Olympikus entra ainda na vida do Flamengo não só pelo fornecimento de material esportivo – mas também no projeto da FlaShop e do Museu do Flamengo. E amanhã eu escrevo sobre as novas lojas oficiais do clube.

3 comentários:

isaac disse...

boa andré, essa transparência do que acontece no clube é fundamental, já que a maioria das notícias da mídia esportiva tenta sempre ser bombástica, de alguma maneira.

que achou da entrevista do kléber leite ontem, no arena sportv ?

abraços

André Monnerat disse...

Isaac, até escrevi isso num post mais novo: eu não vi a entrevista, só li trechos na internet.

Eu acho mesmo que, nessa época do ano, é sempre bom esperar notícias concretas pra falar alguma coisa. O Kléber Leite, pelo que eu entendi, não deu nenhuma nessa entrevista.

Acho que o pessoal se descabela muito por conta de possíveis contratações, quando na verdade a enorme maioria acaba não se confirmando.

isaac disse...

andré, nem estava me referindo só a contratações não, mas ao âmbito geral do que ele abordou - ct, polêmica do ronaldo, patrimônio do clube nos passes dos jogadores, politica interna do clube, decepção com resultados de projetos como flatv, telemania etc.

posso estar sendo o maior ingênuo do mundo mas ele me pareceu bem sensato em todas as colocações, gostei mesmo da entrevista.

abraços