Estadual 2011 - Taça Rio - Semifinal - Fluminense 1 x 1 Flamengo (4x5 nos pênaltis)

O jogo foi péssimo. A decisão por pênaltis foi emocionante. O Flamengo segue sem parecer um time - e segue invicto, bem próximo do primeiro título do ano.



A surpresa no início do jogo foi a ausência de Ronaldinho, vetado de última hora por uma contusão no joelho. Em seu lugar, Luxemburgo colocou Diego Maurício, sendo coerente com seu discurso de que os dois não podem ser titulares juntos por ocuparem o mesmo espaço. Mas a ausência do grande astro do time não mudou muito o seu principal problema ofensivo: um enorme espaço entre os três do meio e os três homens da frente.

Se aproveitando disso, o Fluminense começou muito, muito melhor que o Flamengo, dominando a posse de bola e criando chances de gol. A verdade é que o Flamengo deu sorte pelas frequentes interrupções do jogo nesta etapa, por conta de queda de luz, contusões, reclamações com a arbitragem e até a parada técnica, que iam quebrando o ritmo da partida num momento em que o adversário era claramente superior.

Depois que fez 1x0, o Fluminense não manteve o mesmo ímpeto e o jogo tornou-se mais equilibrado até o fim do primeiro tempo. E, na volta do intervalo, o Flamengo voltou melhor - até o momento em que conseguiu seu gol (num belo cruzamento de Willians, talvez o melhor em campo hoje). Depois disso, o Fluminense voltou a controlar a posse de bola, mas sem conseguir transformar isso em muitos lances de perigo.

Com certeza a chuva, que deixou a bola e o gramado escorregadios, atrapalhou bastante. Mas a verdade é que foi um jogo de baixo nível técnico, com muitos passes errados e poucos lances de emoção - salvo por uma disputa de pênaltis tensa, com os dois times desperdiçando cobranças e os dois goleiros aparecendo como possíveis heróis em momentos diferentes, que finalmente trouxe alguma emoção de verdade a quem acompanhava a partida. Que, aliás, teve menos público que o Vasco x Olaria do dia anterior.


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Em pouco tempo, o interino Enderson Moreira, que nunca foi técnico de time importante nenhum na vida, fez o simples que Luxemburgo até agora não conseguiu fazer. Escalou zagueiros na zaga, laterais na lateral, volantes de volante, meias como meias, atacantes no ataque. E este feijão-com-arroz, escapando das invenções anteriores de Muricy, já foi o bastante para que o time tivesse mais cara de time que o Flamengo - embora não venha fazendo grandes partidas. Como não fez hoje, quando deixou seu adversário menos organizado equilibrar e até dominar a partida em alguns momentos. Falta equilíbrio ao time para manter o ritmo o tempo todo e uma fase técnica melhor de seus jogadores de meio-campo. Conca está subindo de produção, mas ainda não é o do ano passado; Marquinhos é mesmo fraco, Deco não consegue sequência de jogos e Diguinho também vem numa fase bastante ruim. E com isso o meio-campo não consegue funcionar com regularidade.

Foram prejudicados por um lance logo no início, em que Rafael Moura sofreu falta de Felipe que não foi marcada e acabou recebendo um cartão amarelo por simulação. Embora o lance tenha sido fora da área, o mais correto seria que o goleiro rubro-negro - que acabou herói na disputa de pênaltis - tivesse sido expulso ali.

Em compensação, o gol de Rafael Moura foi em impedimento bem simples de ser marcado, num erro grosseiro da arbitragem.


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Já falei do costumeiro problema do Flamengo de Luxemburgo, que não consegue compactar seu meio e seu ataque para conseguir criar jogadas e manter a posse de bola. Isso ficou ainda mais complicado pela presença de Fernando em campo - o cara não ajuda com a bola no pé e não existe na marcação. Dando a posse de bola ao adversário e mantendo uma marcação frouxa no meio, a zaga fraca fica ainda mais exposta. E por isso o Flamengo teve um começo de jogo tão ruim.

Estes defeitos diminuíram com a entrada de Bottinelli. Renato virou segundo volante (posição em que, hoje, seria meu titular), a saída de bola melhorou um pouco e o time ganhou um meia a mais. A substituição sem sentido, independente da qualidade dos dois jogadores, foi mesmo a de Wanderley por Deivid - uma troca besta de dois jogadores de mesma função, queimando a última substituição que o técnico ainda tinha logo no intervalo. Ainda bem que ninguém mais se contundiu no campo pesado do Engenhão, ou teria sido um perrengue totalmente desnecessário.

Fico curioso pra ver quem Luxemburgo manterá como titular na frente nos próximos jogos. Diego Maurício finalmente teve sua chance de começar um jogo e tentou aproveitá-la com muita disposição. Mas jogou como um peladeiro daqueles bem fominhas, que não soltava a bola nem por decreto e, por isso, perdia a enorme maioria das jogadas. Tem lá a desculpa de, em boa parte destes lances, não ter tido ninguém se apresentando mesmo para receber a bola.

Fato é que, com o time sem padrão de jogo como está, é difícil mesmo qualquer um conseguir jogar bem individualmente. Mas o time segue invicto, a uma partida do título carioca, a uma vitória simples contra o Horizonte de chegar às quartas da Copa do Brasil. Então tá, né? Quem reclama deve mesmo ser muito chato.




24/4/2011 - 16h - Fluminense 1 x 1 Flamengo (4x5 nos pênaltis)
Engenhão - Rio de Janeiro, RJ

Árbitro: Péricles Bassols
Auxiliares: Jackson Lourenço e Wagner de Almeida
Cartão amarelo: Rafael Moura, Mariano, Fred, Julio Cesar, Marquinho (FLU); Galhardo, Thiago Neves, Rodrigo Alvim (FLA)

Gols: Rafael Moura, aos 21'/ 1ºT (FLU); Thiago Neves, aos 21'/ 2ºT (FLA)

Fluminense: Berna; Mariano, Gum, Edinho e Julio Cesar (Souza, aos 44'/2ºT) ; Valencia, Diguinho, Marquinho (Araújo, aos 38'/ 2ºT) e Conca; Fred e Rafael Moura (Tartá, aos 17'/ 2ºT). Técnico: Enderson Moreira.

Flamengo: Felipe; Léo Moura (Galhardo, aos 10'/1ºT), Welinton, David e Rodrigo Alvim; Fernando (Bottinelli, intervalo), Willians, Renato e Thiago Neves; Diego Maurício e Wanderley (Deivid, intervalo). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

13 comentários:

Flora disse...

Eu gostei do Botti. Ele enfim fez sua estreia. Com ele o meio fica mais organizado. Eu daria uma chance pra ele.
E sem o Maldonado e o Muralha colocaria o Renato de volante. Não tem outro. Não gosto do Fierro nessa posição.
Com essa formação do segundo tempo o Fla teve até uns momentos de lucidez em que conseguiu trocar passes. Quem sabe né?

PS: Definitivamente, qual o problema do Vaderlei com o Angelim. A cada jogo fica mais absurda essa reserva dele.

Tiago Cordeiro disse...

Acho que o time é esse que encerrou o jogo com RG no lugar de Wanderley. Sem Maldonado eu tentaria, embora não goste de Renato como volante.

Tiago Cordeiro disse...

E concordo q o Fla tem sim problemas.

Mas discordo dessa superioridade tricolor.

Flávio Rafael disse...

pow, o lance do Felipe no Rafael Moura não foi falta, isso ficou bastante claro na TV e todos os comentaristas (de rádio e TV) concordaram que o He-Man (ou She-Ra rs) se simulou, portanto não concordo com vc quando disse que os Tricoletes foram prejudicados e o Felipe deveria ter sido expulso, reveja o lance com calma e acho que mudará de opinião. Abraços! SRN

André Monnerat disse...

Tiago, pra mim o Fluminense, no geral, foi mais organizado, criou mais chances de gol e jogou melhor que o Flamengo. Mas houve partes grandes do jogo em que o Flamengo conseguiu no mínimo igualar as coisas.

Flávio, já vi e revi o lance do Rafael Moura não sei nem quantas vezes. Do jeito que ele entra, se o Rafael não pula, ele divide a perna dele ao meio. Ainda levanta uma perna no meio do salto do cara o toca. Respeito quem vê de outra maneira, mas pra mim não ficou dúvida nenhuma.

Ad@1LtoN disse...

Botineli enfim jogou BEM, e o Deivid entrou no jogo como sempre: uma nulidade!

Bosco Ferreira disse...

Bem, entre a opinião dos críticos de arbitragem que já foram árbitros renomados e a do amigo, fico com a deles, até porque elas conferem com o lance que eu ví. Não foi penalte!

Gostaria de saber qual foi o público do Fla x Flu, alguem pode me dizer?

saulo disse...

Po, dizer que aquele pulo da gazela feliz do Rafael Moura foi falta é triste, hein. Se aquilo fosse na Europa ele iria passar o jogo inteiro sendo vaiado pelo torcida do próprio time por tentar se tacar num lance que poderia fazer o gol. Faltou falar da tendência absurda do time do fluminense (talvez pilhado pelo jogo tenso de quarta) em jogar deslealmente. Foram duas cutuveladas do Diguinho (uma no Renato e uma no TN), uma outra cutuvelada que a TV não pegou no TN de um dos zagueiros do Flu, uma braçada do Fred e outra do Mariano na cara do Willians, fora a solada injustificável do Conca no Wellinton e a pancada do Júlio César (o Amarelo ficou barato).
O Botinelli finalmente entrou bem, e como dizem que ele sabe fazer função de 2 volante eu jogaria quarta com ele (R10 e Léo estão confirmados fora desse jogo). Poderia deixar o Willians mais preso na proteção com ele e Renato, um pela direita outro pela esquerda, se revezando nas funções de armação e segundo volante, com TN centralizado na frente. No ataque, apesar de não ter jogado bem, insistiria com o D.Maurício. E a zaga...bem, quem tiver religião aqui por favor, reze muito. Tem sido meu melhor defensor, até aqui.

André Monnerat disse...

Olha, Bosco, cada um tira suas conclusões do que vê na TV.

Mas se tem algo que eu não levo em consideração pra formar a minha opinião são esses comentaristas de arbitragem. Especialmente o José Roberto Wright.

Marcos Monnerat disse...

Sobre o lance do Felipe e do Rafael Moura eu tô com o André. Aquilo foi um carrinho desleal do Felipe. Se o Rafael Moura não pula no lance estaria se arriscando a ter a perna amputada pelo goleiro do Fla. Teve um outro lance do jogo em que o nosso goleiro entrou de carrinho no adversário da mesma forma. Acho que os treinadores do Fla deveriam dar uma chamada nele sobre isso pois pode prejudicar o time agindo dessa forma.

O gol do Flu foi um impedimento claríssimo que o juiz não deu também.

Eu li alguns comentários sobre um cotovelada do Fred, sobre todas as outras que o Saulo comentou eu não vi.

O fato é que aqui no Brasil todos os jogadores entram para fazer faltas propositais em praticamente todos os lances, deixando os jogos muito ruins de se assistir. A deslealdade é generalizada e absurda. Os árbitros não fazem nada para impedir essa atitude, aliviando a barra dos atletas para não ter que expulsar jogadores em todas as partidas.

Mas os juízes, é bem verdade, marcam muitas faltas que não ocorrem também, parando ainda mais o jogo e tornando ele ainda mais chato.

Mais um jogo se passou e nada de o Flamengo mostrar um mínimo de padrão de jogo. Não tem tática, não tem jogadas ensaiadas, não tem nada. Acho impressionante demais um time tão mal armado e mal treinado como esse continuar invicto na temporada... É lamentável a gente arriscar desperdiçar um ano que poderia ser foda pro Fla por causa de um técnico fraco e prepotente como esse LuxemBURRO.

Rafael disse...

Ficar procurando os detalhes no replay vc vai encontrar "trocentas" irregularidades.
Houve erro no lance do Felipe com a She-ra. Mas a impressão que tive na hora foi a mesma do juiz: Simulação do atacante tricolete.
Quando ele driblou o Felipe perdeu o controle da bola, houve o toque, o salto e a queda. Mas isso tudo no replay. E várias vezes.

Os fluminecos vão ficar chorando isso pra sempre. Até vão reconhecer o erro CRASSO no gol deles pois não há como contestar, mas não vão enxergar os cotovelos do Diguinho, os afagos do Fred, do outro tricolor que levou o chapéu do Willians e tentou meter a mão na cara dele e a entrada do Julio Cesar no Galhardo (amarelo foi pouco).

Minha visão do jogo em si foi quase a mesma do André. Só acho que o Flamengo em momentos do 2º tempo foi superior ao Fluminense.

E sorte é o caralho! Disputa de Pênaltis é competência.

André Monnerat disse...

Rafael, mas eu até escrevi que achei que o Flamengo voltou melhor no segundo tempo. O Fluminense ainda criou duas chances boas logo no início, mas de modo geral o Flamengo jogou melhor ao menos até empatar o jogo. Mais pro final é que o Fluminense voltou a dominar.

Rafael disse...

Voltei no seu texto. É isso mesmo André. Tinha entendido errado. Valeu.
SRN