Ronaldinho Gaúcho no Flamengo - foi um bom negócio?

Há muito o que ganhar. Mas se o contrato não foi bem amarrado, há também muitos riscos

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A chegada de Ronaldinho agora é importante até mesmo para a auto-estima da torcida. Ver o Flamengo vencendo uma briga como essa faz bem, levanta a moral. Tê-lo no time também aumenta as expectativas, num bom sentido: faz as pessoas acreditarem que o time que está se montando é para ganhar títulos. De imediato, a média de público tende a aumentar, a venda de PPV idem, de camisas, de tudo. E este impacto acontece em um momento importante do ano, em que o clube corre para tentar acertar o quanto antes seu novo patrocinador principal – o contrato com a Batavo se encerra no fim do mês.


A questão – além do desempenho dele em campo, claro - é se, no fim, a conta vai fechar. Por boa parte desta novela, eu até me mantive totalmente a favor de sua vinda pelo que andaram me falando do formato da operação para trazê-lo: o Flamengo se comprometeria a bancar um salário relativamente baixo, no nível de um Val Baiano, por exemplo, enquanto a Traffic pagaria de seu bolso todo o resto de seus milionários ganhos. Em troca, porém, ficaria com a empresa o direito de explorar a imagem de Ronaldinho – o clube não ganharia nada diretamente com isso. Até mesmo um possível aumento no valor de determinados patrocínios do Flamengo não iria para o caixa do clube, e sim para a Traffic e para Ronaldinho.

Minha avaliação é que, sendo assim, o risco financeiro basicamente inexistia. Se Ronaldinho desse errado, o prejuízo do Flamengo em tese não seria maior do que, por exemplo, com um Kléberson da vida. Se fosse para o próprio Flamengo se arriscar e acreditar que conseguiria bancar o custo “explorando a imagem”, eu não confiaria que iria dar certo – inclusive por não confiar na capacidade do marketing do clube para isso. Pois é fato que Zico entrou e saiu do Flamengo sem que o clube conseguisse lançar nada para usar sua imagem, é fato que passou-se um ano falando em novidades no Cidadão Rubro-Negro sem nada acontecer. Por este padrão, até o clube conseguir colocar na rua seus projetos para faturar em cima de Ronaldinho (que, como Lucas Dantas colocou bem no FlamengoNet, costumam se resumir a camisa e bonequinho), muitos meses de salários milionários já teriam se passado. Mas, pelo que se diz, quem estaria se arriscando a tomar este preju é a Traffic. E aí o problema é deles.

Mas estas informações sobre o modelo do negócio me chegaram sem grandes detalhes, e antes de boa parte do desenrolar do leilão promovido pela família Assis. Até agora, nada de concreto sobre o modelo do negócio foi realmente divulgado – apenas alguns números extra-oficiais - e eu não me surpreenderei se o Flamengo tiver resolvido abrir a carteira e assumir riscos bem maiores para aumentar o seu lance e ganhar a briga. Não se sabe ainda quanto o Flamengo irá pagar e de que receitas está abrindo mão para o seu parceiro e o próprio jogador.

E aí, dependendo do que tiver sido acordado, a coisa muda de figura – inclusive levando em consideração de que se trata de um contrato longo. Ninguém sabe como estará Ronaldinho (e como estará a imagem de Ronaldinho...) daqui a três anos. Pra mim é bem claro que o negócio como um todo é uma aposta de risco. Valem todos os elogios à postura da diretoria do Flamengo, que foi quem menos falou ao longo de toda esta novela e, no final, chegou ao seu objetivo. Mas tomara que tenham pensado bem em quanto valia apostar.

Como colocou Juan Saavedra, no seu Polaroids Rubro-Negros: "do Conselho Fiscal, esperamos que busque informações sobre o modelo de negócio desse contrato, que envolve outras partes (Traffic, Milan e o jogador), com o mesmo afinco que apresentou durante a gestão de Zico no comando do futebol."

3 comentários:

Marcelo disse...

Por outro lado, nossa nação tem tantos críticos severos em relação à presidência da Patrícia que se o Ronaldinho fosse pra outro clube, com certeza a culpa seria atribuída a ela... por enquanto estão todos calados, mas é só alguma coisa dar errada que vão logo dizer que a culpa é da presidente Patrícia. Nunca acompanhei de tão perto críticas a um presidente do flamengo, no meio popular.. no meio dos críticos esportivos e bolggueiros as críticas sempre existiram e foram bem embasadas.

Elton disse...

Essa pergunta é fácil de responder. É só olhar o Fenômeno no Corinthians.
É claro que o lucro é certo.
A mídia para o R10 é muito maior que para o R9. O site do flamengo caiu hj, foram 3x mais acessos que o dia do Hexa!!!
Imagine se o R10 fosse como o R9 (2 joelhos bixados, dificuldade tremenda para entrar em forma, uns 10 jogos por ano e o resto no departamento médico, nenhuma pretensão de ir para a seleção). Ainda assim eu acho que teríamos lucro.
Os lucros aqui são inimagináveis. De estádios lotados a preços altos até crescimento da torcida. Aguarde para ver o valor do patrocínio master.

Ad@1LtoN disse...

Uma pena é que duvido que o time saia pra ganhar dinheiro em outras paragens. Pq afinal, só vai disputar no primeiro semestre carioca e copa do brasil.