Libertadores 2010 - Quartas-de-final - Jogo de ida - Flamengo 2 x 3 Universidad de Chile

Esqueçam tudo o que escrevi em meu infeliz texto anterior sobre o que se poderia esperar do Flamengo de hoje - não foi nada daquilo. Em vez do tal esquema de três zagueiros à Joel Santana que eu inocentemente esperava, Rogério tirou da cartola um 4-4-2 em que o volante Rômulo foi pra zaga, o zagueiro Angelim foi pra lateral e o lateral Juan foi flutuar pelo meio-campo.
O resultado foi um time perdido em campo e uma defesa batendo cabeça de maneira impressionante, permitindo que o Universidad criasse chances claras seguidas até chegar com facilidade ao 2x0. E poderia até ter sido mais; foram cerca de 25 minutos totalmente constrangedores.

Logo antes do segundo gol, com enorme estrago já feito, Rogério fez a primeira substituição, corrigindo sua invenção: com Michael no meio, Juan voltou para a lateral e Angelim para a zaga. O Universidad recuou, Kléberson - que começou mal - cresceu no jogo pela direita  e o Flamengo, mais acertado em campo, começou a dominar o jogo. Mas com o início desastroso e o placar ruim, a torcida assistia em silêncio impaciente às tentativas do time, o que criava um clima nervoso no Maracanã.

Só que Kléberson cruzou bem na cabeça de Adriano, que cumpriu sua função e diminuiu o placar. A partir daí, a torcida se levantou, a pressão aumentou e as chances claras desperdiçadas foram se sucedendo, nos 10 minutos mais animadores de todo o jogo. Se Vagner Love tivesse aproveitado a última delas, na cara do gol, no derradeiro lance do primeiro tempo, a história do jogo poderia ter sido totalmente diferente. Até porque, àquela altura, o Universidad já havia tido um jogador expulso.

Mas Love não aproveitou. E logo no início do segundo tempo, quando o time até parecia que engrenaria com a entrada de Petkovic, o Universidad fez 3x1 num cochilo indesculpável, especialmente de Léo Moura. E o clima favorável que se desenhava para a virada foi pro espaço.

A partir daí, o Universidad colocou todo mundo dentro de sua própria área e o Flamengo simplesmente não soube o que fazer para furar o bloqueio. Trocou passes sem nenhuma objetividade em torno da recuada defesa adversária e concluiu pouquíssimo; não chutava de fora da área e, quando conseguia penetrar na zaga chilena, demorava demais a concluir. Mas ainda conseguiu um golzinho no final, exatamente porque em algum momento Juan decidiu arriscar um chute e levou sorte da bola desviar no meio do caminho.


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A pior atuação de hoje deve ter sido mesmo a do treinador, que pôs tudo a perder com a bizarra formação que escolheu para começar o jogo. Mas o Flamengo teve vários destaques negativos, como Juan, Léo Moura, David e Vágner Love - que perdeu basicamente todos os lances de que participou. Foi triste ainda ter que ver a tentativa de melhorar a situação com a entrada de Dênis Marques, que permanece para mim um mistério completo.

A verdade é que foi uma atuação muito ruim, embora a bola também tenha teimado em não entrar nos momentos em que o time conseguiu criar alguma coisa. De todos em campo, os que se saíram melhor, ainda que sem serem brilhantes, foram Adriano, que fez seu papel como centro-avante, e Petkovic.


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Vencer por 2 gols no Chile não é impossível. Mas vai ser preciso jogar uma bola que este time ainda não jogou em 2010. E contra um time chato e consciente que muitos por aí já pareciam dar por eliminado antes da bola rolar, mas segue invicto contra o Flamengo após três jogos.



12/5/2010 - 19h30 - Flamengo 2 x 3 Universidad de Chile
Maracanã - Rio de Janeiro, RJ
Renda/público: R$ 2.195.370,00, com 61.643 pagantes

Árbitro: Carlos Amarilla
Cartões Amarelos: Iturra, Vargas, Bruno, Juan, David
Cartões Vermelhos: Iturra

Gols: Victorino 4'/1ºT (0-1), Olarra 23'/1ºT (0-2), Adriano 38'/1ºT (1-2), Fernandez 2'/2ºT (1-3), Juan (2-3)

Flamengo: Bruno; Léo Moura, David, Angelim e Juan; Rômulo (Michael - 20'/1ºT), Maldonado (Petkovic - intervalo), Willians e Kleberson (Dênis Marques - 28'/2ºT); Adriano e Vagner Love. Técnico: Rogério Lourenço.

Universidad de Chile: Miguel Pinto, Rafael Olarra, Mauricio Victorino, Fernández, José Rojas, Seymour, Iturra, Rodríguez, Montillo (Puch - 37'/2ºT), Olivera (Rivarola - 29'/2ºT) e Vargas. Técnico: Gerardo Pelusso.

8 comentários:

Marcelo Mattos disse...

Ninguém pode sair impune ao escalar o Angelim com liberdade para atacar pela esquerda.

PORRA! O cara está na QUINTA temporada pelo Flamengo e raramente faz algo útil quando vai ao ataque como zagueiro, imagina mais para a lateral!

Rogério fez uma cagada das grandes. VIAJOU TOTAL! Poderia ter feito o simples. Esse lance de inventar e colocar os laterais como meias pode até funcionar, mas não vai ser com uma semana de treino. QUE CAGADA! Teria sido muito melhor começar com o Michael e o Kleberson na meia.

O time não parecia nem um pouco à vontade com essa formação e, por incrível que pareça, com SEGUIDOS ERROS BOBOS, deixou a LA U crescer na partida logo no início.

Para piorar tudo, hoje deve ter sido o jogo em que o Adriano mais finalizou em todo o ano, mas infelizmente a bola não quis mais entrar.

E eu acho que depois de hoje a torcida tem que se conscientizar de que o Petkovic não vai resolver porra nenhuma. Então parem de gritar pelo cara aos 5 minutos do primeiro tempo só porque o time levou gol. O gringo jogou o segundo tempo todo e estava igual ao UM MORTO MUITO LOUCO no final da partida. Não dá mais.

HENRIN BUENO disse...

É o tal negócio...deixaram o estagiário com esta responsabilidade toda...não dá.

Flamengo foi mal montado e mal dirigido.

pet disse que o Estagiário nem lhe dirigiu a palavra antes de entrar em campo.

Não dá não é?

Marcelo Mattos disse...

Essa do Petkovic foi foda. Ele falou isso mesmo. Disse que estava aquecendo e que o Rogério não lhe havia dito nada.

Bruno CML disse...

Eu nao sou de ficar vendo o jogo observando parte tatica nao, eu realmente percebi que o Angelin tava muito aberto e Juan como um ponto mas nem me liguei nisso... Mas pra mim o time nao perdeu por isso pelo simple motivo de os tres gols terem saido de cruzamentos, contra o Corinthians foram dois gols de cruzamentos, contra a mesma La U no Maracana foram mais dois gols de cruzamento... Se buscar os jogos contra o Botafogo tambem tiveram gol de cruzamento.

Por isso nem condeno o Rogerio pelo esquema não, é ruindadade da defesa mesmo.

Lidielson disse...

Está mais do que evidente, desde o começo do ano, que o grande problema de nosso time em 2010 é a defesa.
Está também nítido que não é a quantidade de defensores (zagueiros e volantes) que irá solucionar essa questão. O problema tem sido a qualidade dos jogadores mesmo - em conjunto com a falta de treino.

Quando o Airton saiu do time no fim do ano passado, sinceramente não imaginei que ele faria assim tanta falta. Entretanto, mostra-se evidente a falta que ele tem feito à equipe.
Até o Maldonado, que geralmente é o mais lúcido, não tem feito boas atuações.
Não estou muito ligado às estatísticas, mas se for feito um levantamento da quantidade de jogos nos quais o Flamengo não tomou gols em 2010, poderemos constatar que realmente são poucos. Contra a Universidad do Chile, por exemplo, são 7 gols em 3 jogos. Isso é um absurdo.

Discordo dos colegas sobre
Petkovic.
Está evidente que ele não tem nem sombra do brilhantismo do ano passado, mas dentre as opções que temos para um meio campo mais criativo, ele me parece ser a melhor.
Evidentemente que não aguenta jogar os 90 minutos em ritmo decente, mas, no meu humilde entendimento, é o cara que tem dado um pouco de sanidade para o meio campo do Flamengo.
Deixar a armação do ataque por conta de lampejos do Kléberson me parece algo totalmente equivocado.

Mais um erro que posso enumerar do Rogério foi na primeira substituição. Colocar Michael no lugar do Rômulo foi um erro crasso. Não consigo agora de cabeça me lembrar de sequer uma boa jogada que ele tenha feito. Não fez absolutamente nada...

Sendo ainda mais crítico, o velho ditado de que a gente planta o que colhe parece-me que se aplica bem ao caso.
Ao que me consta o time tem treinado pouco, jogadores pouco empenhados nas atividades, sem contar na total falta de comando (quando vão começar a pensar mais seriamente na renovação dos contratos?!?! Estamos pra perder quase um time inteiro!!!).
Não adianta o time não treinar, ou fazer isso de forma indecente, e achar que vai entrar em campo e que tudo vai se resolver a qualquer momento.

Agora, vamos para o Chile com um pequeno fio de esperança que o gol do Juan nos deu ao final. Realmente, conforme já dito, o Flamengo vai ter que jogar aquilo que ainda não jogou em 2010 para sair com a vaga nas semifinais.
Um bom exemplo, talvez, seria o segundo tempo do primeiro jogo contra o Corinthians. A defesa estava bem postada e o time adversário pouco criou (tá certo que o campo também ajudou bastante).
Contudo, além disso, são necessários dois gols... e isso que mais me deixa triste.
Alguém poderia me ajudar: esse ano ganhamos de algum time decente fazendo dois gols e não tomando nenhum? Sinceramente não me lembro...

Por fim, como torcedor eu sempre vou acreditar. Como alguém que entende um pouco de futebol, acho que a vaca já deitou.

Augusto disse...

André, além das deficiências apontadas por você, eu acrescentaria a atuação de um jogador que, na minha opinião, tem sido "decisivo" em todos os apagões do Flamengo nos últimos tempos. O goleiro Bruno. Ok, vez por outra faz uma defesa como aquela da falta cobrada pelo Chicão, mas no jogo, bola rolando, tem apresentado uma letargia inexplicável. Há muito tempo não sai (ou sai mal) em bolas cruzadas na pequena área. Ontem falhou primeiro no gol de cabeça, pois ainda que tenha sido falta, não podia deixar a bola passar entre suas mãos. No terceiro gol, tinha que se jogar naquela bola - que passou na sua frente - e não esperar que ela chegasse até o outro lado para ver o que ia acontecer.
Está lento e desligado, assim como seu raciocínio quando dá entrevistas ao final do jogo. E ainda é o capitão e líder (??!!??) desse time.

Bosco Ferreira disse...

CHEGA DE MARACANAÇO! O FLA definitivamente não é um clube sério!

Discordo de quem disse que o Pet não fez nada, ele ainda deu inúmeros bons passes, só que ele entrou na hora do terceiro gol e o La U foi toda para trás.

Não entendo como um clube maior do país é tão descomandado, chega 15 minutos atrasado no estádio para uma decisão internacional, não faz um aquecimento preparatório eficaz entra meio tonto, frio, desatento e toma dois gols de saída.

Nisso ninguem falou, ninguem viu porque o essencial é sempre invisivel aos olhos.

Isso significa falta de comando técnico e organização no campo, no banco e fora do campo (diretoria).

O Fla está sem diretoria sem treinador e totalmente acéfalo.

Não acredito que essa diretoria possa fazer algo novo e que choque positivamente a magnética.

Não acredito que a torcida possa ter uma visão macro do que está acontecendo e tomar decisões importantes para acordar a diretoria.

Pelos comentários e postes, o torcedor só encherga no varejo, e isso é que mantém o clube nessa eterna bagunça.

Daniel Andrade disse...

Ai Andre, belo blog. Vi o jogo aqui e conclui que a culpa e da Patricia Amorim que nao tem macheza de mandar embora so aquele porco gordo do Marco Bras. Queimou o Andrade junto e o time foi pro ralo. Em tempo recorde.