Patrícia Amorim desmontando uma bomba-relógio

Houve uma certa contradição na eleição de Patrícia Amorim. Ela trazia como uma de suas principais bandeiras de campanha a profissionalização da administração; lembro que entrei em contato com a candidata para uma entrevista e ela, na primeira resposta a e-mail, disse que ia mandar uma apresentação da plataforma, adiantando apenas este ponto: "um profissional à frente de cada área do clube). Mas também chegou ao poder apoiada por uma porção de nomes antiiiigos no clube, algo que poderia representar o contrário desta renovação pregada: George Helal, Luís Augusto Velloso, Arthur Rocha (lembram-se? O líder da "ala amadora da diretoria" que boicotava o trabalho do profissional Júnior), Léo Rabello.

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Logo que assumiu, Patrícia pareceu disposta a contratar o tal profissional pra cuidar do Departamento de Futebol. Falou-se no Brunoro que dirigiu o Palmeiras-Parmalat; falou-se no Maluf do Cruzeiro. As notícias na época diziam que começou a haver resistência interna aos nomes cogitados. Ao mesmo tempo, era difícil mudar o time que estava ganhando. Claro, sempre houve quem criticasse Marcos Braz; mas, na época, a maioria via como natural a sua permanência.

Patrícia vacilou, compreensivelmente. Braz seguiu e ela adiou seus planos. E agora, ao que parece, irá retomá-los num momento complicadaço, em que não há tempo nem espaço pra erros. Quarta-feira não tem só jogo da Libertadores: tem jogo da Libertadores contra o Corinthians. É como aqueles filmes em que o cara tem que desarmar uma bomba relógio e precisa escolher se corta o fio azul ou o fio vermelho, sabe como é?

Eu espero que ela tenha a capacidade de romper o fio certo. E que tenha os motivos certos para fazer as escolhas que terá que fazer agora.


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Pois a tal contradição da eleição de Patrícia aparece com força no noticiário. Marcos Braz, ao que parece, vai cair. E convivem no noticiário notícias sobre a contratação de Leonardo como um manager profissional e outras sobre o genro de Hélio Ferraz assumindo, com a entrega do poder no departamento a Léo Rabello. E aí? O que pode sair disso aí?

O pior é que isso está sendo resolvido com o relógio jogando contra. Hoje é sexta, e pelo visto o time não estará trabalhando sob o comando de quem o dirigirá na quarta-feira.

Pelo que se lê, Andrade vai ser demitido sem que exista outro técnico para assumir imediatamente. E aí, quem dirige o time? Rogério Lourenço? Alguém que chegará para comandar só um treino? E, se não se sabe nem quem vai mandar no futebol daqui pra frente - quem diabos está escolhendo este novo técnico?

Não sou daqueles que acharia absurda a demissão de Andrade. Seu desempenho foi prejudicado por muitos fatores que parecem além de seu controle, mas ele não soube se impor na situação e faz um trabalho bastante fraco este ano. Porém, nas condições em que essa possível troca está sendo feita, a situação está ficando esquisitaça.

Me pareceria mais sensato fazer a troca de diretoria e manter o treinador, até o novo comando assumir e decidir que perfil de trabalho pretende tocar. Até quarta, que se juntasse todo mundo numa sala - técnico, jogadores e diretoria, seja lá quem for "diretoria" - e se deixasse claro: agora, é hora de pensar no Flamengo. O técnico é Andrade e ele pode fazer o que quiser - escalar quem achar melhor, treinar no horário que achar conveniente, enfim. Os demais, que deixem seus interesses pessoais de lado e simplesmente trabalhem e pensem no jogo.

De preferência, com treinos fechados, nenhuma entrevista, boca fechada para todos. Porque é incrível o que tem saído de notícias impróprias do Flamengo. Tanto de dentro do elenco quanto da própria diretoria.


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Mas não parece que será por aí. E aí, na emergência, o que parece com maior chance de dar mesmo algum resultado neste prazo tão curto é Joel Santana. Que, além de todo o jeitão de papai Joel, conhece este time do Flamengo.

Mas sabe-se lá o que isso significaria nas semanas seguintes.


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Bem: hoje é feriado no Rio. Não vou passar o dia na frente do computador.

No final do dia, volto pra descobrir o que diabos anunciaram. Deixarei o estresse pra quem tem que se estressar.

4 comentários:

Pastor JEFF disse...

Excelete, post. Parabéns. Aproveitarei para colocar um link para seu blog no meu da ficitícia Igreja Flamenguista do Reno Rubro-Negro www.igrejaflamengo.blogspot.com Abraços

RMMachado disse...

André, eu acho que qualquer mudança agora é burrice. Pelo que tem sido vinculado, a excessao do pet, todos estao unidos: treinador, time, vp de futebol. Entao, nao tem por que gerar desgaste agora. É momento de dedicação e apoio irrestito. Nós nos classificamos no sufoco, mas merecemos pq fizemos mais pontos, mais gols e tivemos mais saldo dos que os que nao se classificaram. Teremos a copa do mundo e até lá a Paticia pode pensar em mudar a estrutura e ja ir adiantando um contato com o Leonardo (sonho...). Na epoca da copa fazemos as mudanças e teremos tempo de nos adequar a elas. Abraços.

Ivan Pantaleão disse...

Análise perfeita! Já até passou da hora de extirpar o câncer MB2 e sua vaidade em metástase. Este elemento é o verdadeiro desagregador no nosso futebol.

Já lia seu blog, mas agora passo também a segui-lo e indicá-lo no meu blog.

Parabéns por sua lucidez!!

Abraços e SRN

Ivan Pantaleão
blog Aqui é Flamengo, Moleque!

Bosco Ferreira disse...

Gostei!
Vamos aguardar.
Acho que agora com Leonardo vai!
Concordo que o treinador fosse uma indicação dele, mas como o momento é especial, acho que todos deveriam chega junto com a presidente sem essa de fazer política contra ela usando o momento atual.

Lá no FlamengoNet vemos muita gente que se diz Rubronegro, vibrando com o momento ruím porque propicia uma ação contra a presidente.

Acho uma covardia.