Brasileiro 2009 - 22a. rodada - Flamengo 3 x 0 Santo André

Uma vitória tranquila, pra variar. É preciso colocar em perspectiva, claro: tratava-se do Santo André, time fortemente rebaixável, um dos piores ataques do campeonato. Mas o Flamengo hoje ao menos mostrou-se organizado em campo, e vários jogadores conseguiram mostrar alguma coisa de futebol que ainda não haviam alcançado no Flamengo até hoje.

Como prometeu, Andrade colocou o time em campo seguindo o "caminho" que encontrou no jogou contra o Fluminense: o 4-4-2. E, de início, deu muito certo. Ajudou nisso a entrada de Fierro no meio no lugar de Willians, como segundo meia ofensivo - o chileno, embora tenha alternado erros e acertos, movimentou-se bem e ajudou muito a dar opção de jogada pela direita - não houve dependência por ali de Léo Moura, que teve uma boa postura tática, como lateral mesmo, marcando e avançando na boa. Também contribuíram atuações de Dênis Marques e Zé Roberto bem acima do que vinham apresentando.

E assim, nos primeiros 15 ou 20 minutos de jogo, o Flamengo controlou o meio, marcou no campo de ataque, roubou muitas bolas e sufocou o Santo André, variando jogadas pelo meio e pelas duas pontas e criando oportunidades. Foi neste período que o time conseguiu o gol que tirou a pressão de cima do time e garantiu um clima tranquilo para a partida.

A partir daí, não houve mais um momento no jogo em que o domínio do Flamengo, ao menos na posse de bola, fosse tão claro. Com o Santo André mais avançado, o time passou a alternar períodos em que tinha dificuldades para sair da defesa, pois roubava poucas bolas e pegava poucos rebotes, e outros em que, quando a bola chegava mais aos pés de Petkovic, conseguia encaixar contra-ataques em que sempre era mais perigoso do que o adversário. Foi em dois destes contra-ataques, no final de cada tempo, que saíram os dois gols que fecharam o placar.

Houve apenas uma fase da partida em que o Santo André, além de controlar a bola, também ameaçou o gol do Flamengo: foram os 10 ou 15 minutos iniciais do segundo tempo, quando voltou do intervalo com o esquema modificado e Marcelinho em campo. Mas, ao que parece, também contribuiu para isso a condição física de Aírton, gripado, que cansou e foi substituído. Do meio do segundo tempo até o fim, as melhores chances voltaram a ser do Flamengo. Garantiu-se, afinal, uma semaninha mais tranquila de trabalho para todos.


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Já comentei que Zé Roberto, hoje, jogou bem acima de seu normal no Flamengo. Recapitulando: deu passe para uma grande chance de Fierro, dois bons chutes de fora da área, sofreu um pênalti, marcou um gol. Garantiu o direito de seguir no time sem que se possa reclamar muito, ao menos para o próximo jogo, em que Adriano ainda estará fora.

Já Fierro não terá a mesma chance de seguir titular na próxima rodada, por ter levado o terceiro cartão amarelo. E talvez, nessa, Andrade volte a colocar Willians nesta função - o que me pareceria um erro. O jogo de hoje foi uma mostra de como ter alguém com um pouquinho mais de jeito ali para se movimentar na frente - não é só questão do que sabe fazer com a bola no pé - pode ajudar no funcionamento do time. Na falta de opção, eu daria a vez a Camacho - desde que ele, nos treinos, mostrasse que pode funcionar também na marcação, algo imprescindível para que se possa manter Pet em campo.

E Petkovic, hoje, com outros jogadores sofrendo com o cansaço e precisando sair de campo em seu lugar, surpreendeu pelo rendimento ao longo dos 90 minutos. Deu pra ver, por alguns erros de passe, que o cansaço começou a bater na metade final do segundo tempo. Mas ele continuou ajudando na marcação, roubou bolas na área de defesa e deu um pique impressionante, aos 47 do segundo tempo, na jogada do terceiro gol - que, aliás, começou com um lindo passe de Rafael Galhardo.

E, de novo, colocando em perspectiva por se tratar do fraco ataque do Santo André: Álvaro fez uma estreia tranquila, impondo-se e falando bastante em campo. Tem que esperar a sequência de jogos para conhecer melhor o futebol do cara, mas é bom ter alguém mais rodado ali, que ajude a mudar a cara cheia de espinhas que a zaga do Flamengo vinha tendo com tantos garotos.

29/8/2009 - 18h30 - Flamengo 3 x 0 Santo André
Maracanã - Rio de Janeiro, RJ
Renda/público: R$ 180.083,00 / 13.531 pagantes e 14.997 presentes

Árbitro: Wilton Sampaio (DF)
Auxiliares: Erich Bandeira (PE) e Marco Martins (SC)
Cartões amarelos: Álvaro, Leonardo Moura, Fierro e Denis Marques (FLA); Cris e Neneca (STA)

Gols: Denis Marques, 8'/1°T (1-0); Leonardo Moura, 49'/1°T (2-0); Zé Roberto, 47'/2°T (3-0)

Flamengo: Bruno, Leonardo Moura (Rafael Galhardo, 39'/2°T), Álvaro, Ronaldo Angelim e Éverton; Lenon (Maldonado, 29'/2°T), Aírton (David, 21'/2°T), Fierro e Petkovic; Zé Roberto e Denis Marques. Técnico: Andrade.

Santo André: Neneca, Rogério, Arthur e Cris (Malaquias, intervalo); Ávine, Fernando, Sidney, Ricardo Goulart (Marcelinho Carioca, intervalo) e Ricardo Conceição; Junior Dutra (Rodrigo Fabri, 25'/2°T) e Nunes. Técnico: Alexandre Gallo.

5 comentários:

Tiago Cordeiro disse...

Acho q esse foi o primeiro jogo pra valer do Andrade. Foi a primeira vez que vi um Flamengo sem muita influência do Cuca.

Concordo com sua análise, mas...Camacho no lugar do Fierro? Acho que ele é um cara mais cerebral do que de chegada no ataque. Eu tentaria o EF ou o Maxi (dureza...) que conseguiriam cumprir a função de jogadas de linha de fundo.

No duro, no duro acho que boa parte do jogo o Léo Moura foi quase um volante, jogando sem avançar muito. No segundo tempo foi mais lateral até porque sobraram espaços, mas mantenho minha posição: ele não vai jogar como lateral nunca.

Pode ser que em alguns momentos cumpra essa função, mas não ponho fé no cara virando lateral pra valer. Ao menos, já são duas boas atuações seguidas. Só espero que assim como o ZR isso não sirva pra esquecerem que ele tem que ir embora.

André Amaral disse...

Monnerat

A atuação do Léo Moura lembrou o jogo contra o Atlético MG.

Com boa postura defensiva, e subindo na boa.

Méritos para o Andrade, que quando tem o time na mão, mesmo com suas limitações, consegue dá padrão pro time.

Agora precisa ter alguém pro lugar do Pet, porque quando ele não jogar o que faremos?

Marcelo Constantino disse...

Realmente o time me surpreendeu. Sobretudo a dupla de ataque, que me aterrorizava.

Mesmo dando o desconto de ter sido contra o Santo André -- vale sempre lembrar que o Flamengo nào conseguiu vencer os reservas de um time ainda pior, o Fluminense --, acho que a volta ao tradicional e básico 4-4-2 (com dois meias e dois volantes, que devem cobrir eventuais avanços dos laterais) valeu.

O Angelim demonstra novamente que depende muito de quem está ao lado dele na zaga, e espero que o Alvaro firme nesse setor. Nào vi grande progresso do David em relação ao Wellington.

Torço para estar errado, mas nào acredito que o Andrade não volte a escalar 3 volantes no time, ainda mais com Maldonado no elenco.

De qq forma, que o jogo de ontem fique como referência.

André Monnerat disse...

Tiago, meu problema de optar por um Maxi no lugar do Fierro é a marcação.

O Fierro, fora ter conseguido se movimentar bem na frente, é um cara que marca bem. E, pra ter o Pet no meio-campo, você tem que ter os outros três correndo pra desarmar e fechar os espaços por ele - por mais que ele se disponha a ajudar.

Tiago Cordeiro disse...

Concordo, Monnerat...O Maxi manteria um ponta aberto na direita, mas só cerca, não tem nenhum poder de marcação.

É meio estranho falar isso, mas o Fierro é insubstituível :-p