Brasileiro 2009 - 20a. rodada - Flamengo 1 x 2 Cruzeiro

O Flamengo começou o jogo marcando muito forte no meio-campo e até no campo de ataque do Cruzeiro, não dando muita chance para o adversário respirar. Era muito importante pra isso funcionar o compromisso com a marcação de Fierro - mostrando como a alteração de Andrade no intervalo do Olímpico pode mesmo ter contribuído muito para que o meio-campo ficasse bem mais aberto naquela etapa da derrota para o Grêmio.

Só que se o chileno conseguia marcar tanto quanto qualquer volante, na armação ele simplesmente não funcionou. Aparecia pouco à frente para armar o jogo e, quando recebia as bolas, limitava-se a passes para o lado e para trás - sua maior participação ofensiva era apenas na cobrança de escanteios, em que até se saía bem. Com isso, a pressão inicial não se transformava em chances de gol. No momento em que Emerson conseguiu fazer o 1x0, o Cruzeiro até já conseguia sair do sufoco e chegar ao ataque, tendo inclusive a melhor chance do jogo, cara a cara com Bruno. De qualquer forma, o jogo era equilibrado e o Flamengo foi para o intervalo em vantagem. A situação não deixava de ser boa.

Só que Adílson Batista mexeu no Cruzeiro para o segundo tempo. Saiu do esquema de três zagueiros e ficou em vantagem numérica no meio-campo. Com isso e a marcação adiantada para sue campo de ataque, fez com que o Flamengo ficasse sufocado na defesa. O primeiro gol não demorou a sair, numa bobeira de Éverton Silva, que caiu sozinho e ficou pedindo falta no lance. O time não conseguiu reagir e, aos 25, veio a virada. E a partir daí o jogo acabou para o Flamengo.

Andrade teve que fazer duas substituições por questões físicas. Na que restava, tentou melhorar a armação no meio-campo com Camacho no lugar de Fierro. Mas a verdade é que, cheio de desfalques e de moleques de espinha na cara em campo, o Flamengo passou a metade final do segundo tempo parecendo um verdadeiro time de pelada, um negócio triste de ver. Houve momento em que o atacante Maxi marcava na própria área como zagueiro, enquanto Angelim se fixava lá na frente, na ponta esquerda. Coisa de maluco. No final, na base do coração, ainda conseguiram colocar uma pressãozinha maior pra cima do Cruzeiro, mas não tinha mesmo muita cara de que fosse sair alguma coisa dali.


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Um problema óbvio do Flamengo foi a deficiência de armação no meio-campo. Para isso, pesou bastante a ausência de Petkovic.

Fica a pergunta: será que sua lesão muscular não teve algo a ver com o fato de, tendo ficado mais ou menos um ano sem jogar uma partida inteira, ter sido colocado pra iniciar dois jogos seguidos como titular, domingo e quarta, sendo o segundo contra os reservas do Fluminense? Valeu a pena?


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Jorbison teve sua segunda chance de iniciar uma partida e, novamente, me surpreendeu bem. Defendeu e atacou bem e fez a bela jogada do gol de Emerson.

Mas ficou claro que o moleque tem que ganhar muito físico pra poder encarar o time profissional. Pra conseguir bater de igual pra igual com os cruzeirenses, ele teve que se esforçar além de seu limite e acabou saindo com cãimbras. Alguém tem que botar o cara pra puxar ferro e tomar sustagen.


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David, nos seus dois primeiros jogos, deu a impressão de que melhorava bastante a situação da zaga rubro-negra. É bom lembrar que foram partidas contra o time misto do Corinthians e o reserva do Fluminense.

Ontem e contra o Grêmio, ele já apareceu dando carrinhos de primeira, de frente, de maneira meio infantil até. E, em três jogos pelo Brasileiro, foram três cartões amarelos - e o Flamengo vai ficar na próxima partida sem ele, Aírton e provavelmente Fabrício. Escalar a defesa vai ser uma missão complicada para Andrade. Quem sabe não seja a chance de finalmente testar o time fora do esquema com três zagueiros?


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Com tantos desfalques, tantos garotos em campo, quem tinha uma bagagem maior tinha que chamar pra si a responsabilidade. Foi o que fez Emerson - que pareceu estar decidido a responder em campo àqueles que andaram duvidando de seu flamenguismo nos últimos dias. Tecnicamente ele não estava num dia lá muito bom, mas correu como um desesperado enquanto esteve em campo.

Adriano, ao contrário, no dia em que voltou à Seleção, esteve apagadaço. Claro que ele é centro-avante e precisa ser servido, masse entregou com muita facilidade - em outras oportunidades, voltou e se deslocou muito mais pra aparecer pro jogo do que ontem, quando isso era mais necessário do que nunca. E, na única boa bola que recebeu (um belo lançamento de Camacho para um contra-ataque), não conseguiu proteger a bola pra colocar na frente e ir pro gol.


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Pra completar, Bruno.

Não acho que nenhum dos dois gols tenha sido exatamente frango, mas ele realmente poderia ter ido melhor nos dois lances. De qualquer forma, isso não foi o pior de sua participação.

Com o time perdendo em casa, torcida impaciente, o cara entrou numa de demorar séculos na hora de bater cada tiro de meta. Repetidas vezes. Foi xingado e muito pela torcida - e com toda razão, não venham me pedir pra torcida ter paciência com esse tipo de coisa. No final, ele candidamente explicou que, se não esfriasse o jogo naquele momento, o time levaria 3 ou 4. Imagino que ele realmente acredite que a reação que despertou nos torcedores deve ter servido pra tranquilizar seus companheiros.

E é exatamente por conta desse tipo de descompromisso (vou lembrar de novo: e a cera na final do Estadual desse ano, só pra tentar bancar sozinho o herói na decisão por pênaltis?) que eu já cobro há tempos que se encontre outro goleiro pro Flamengo. Ele sabe agarrar, tem talento pra coisa? Sim. Mas não é com esse perfil de profissional que o Flamengo vai conseguir chegar a algum lugar.





21/8/2009 - 21h - Flamengo 1 x 2 Cruzeiro

Maracanã - Rio de Janeiro, RJ
Renda/público: R$ 185.795,00/12.273 pagantes

Árbitro: Rodrigo Martins Cintra (SP)
Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho (Fifa-SP) e Carlos Augusto Nogueira Júnior (SP)
Cartões amarelos: David, Fabrício e Everton Silva, Aírton (FLA); Leonardo Silva, Thiago Ribeiro e Jancarlos (CRU)

Gols: Emerson, 32'/1ºT (1-0); Diego Renan, 6'/2ºT (1-1); Fabrício, 24'/2ºT (1-2)

Flamengo: Bruno, David, Fabrício, Ronaldo Angelim; Everton Silva, Aírton, Lenon, Fierro (Camacho, 14'/2ºT), Jorbison (Rafael Galhardo, 16'/2ºT); Emerson (Maxi, 29'/2ºT) e Adriano - Técnico: Andrade

Cruzeiro: Fábio, Gil, Leonardo Silva e Thiago Heleno (Jancarlos, intervalo); Marquinhos Paraná, Fabrício, Henrique, Gilberto e Diego Renan; (Dudu, 29'/2ºT); Thiago Ribeiro (Soares, 20'/2ºT) e Kléber - Técnico: Adilson Batista

4 comentários:

Tiago Cordeiro disse...

Fui dormir muito puto ontem.

Bruno já deu, sério...O Diego é ruim, mas foi campeão da copa do Brasil. Dificilmente vai ser muito pior doq o Bruno está e tem a vantagem de ficar mais quieto na dele.

O mais triste é ver que nada vai mudar.

Bosco Ferreira disse...

Com tanto bom goleiro na série B (o Atlético Mineiro pegou um lá). Por que continuar com o Bruno e o Diego? Parabéns pela opinião. Fora Bruno já.

Marcelo Constantino disse...

A jogada do gol do Jorbison é o retrato do futebol nada solidário do Flamengo de hoje: a bola foi para o garoto na base do "se vira por aí", pq NINGUÉM apareceu pra tabelar com ele, pra ajudar, pra qq coisa. Ele colocou a bola na frente e conseguiu cruzar.

Com o time completo, o Flamengo até poderia sonhar (ainda acho difícil) em brigar pela Libertadores. Com esse vai e vem de entra e sai, e a imutável forma de jogar repleto de volantes e zagueiros, o negócio é acumlar gordura pra sobreviver bem.

André Monnerat disse...

Marcelo, sendo justo: mesmo com Léo Moura e Juan em campo, o Flamengo joga com os dois exatamente desta mesma maneira, e fica complicado dar certo assim. Dão a bola pros dois na ponta e fica todo mundo esperando que resolvam sozinhos, sem ninguém se aproximar.

É como eu falo, já tem anos!: o Flamengo é armado pra tentar se defender sem os alas, e não pra atacar com eles. Na hora de atacar, não em esquema ensaiado nenhum, é cada um por si.